jul 6, 2026 | Colunistas
O mundo assiste, em um silêncio reverente e doloroso, às imagens que nos chegam da vizinha Venezuela. Estamos todos impactados pela magnitude dos abalos que transformaram lares em pó e ceifaram centenas de vidas de uma população que já trazia a alma calejada. O cenário é desolador: o país, que recentemente rompeu as correntes de uma ditadura sanguinária — que também deixou seu rastro de luto e opressão —, vê-se agora de joelhos diante da força implacável da natureza. Entre o concreto partido e o ferro retorcido, o que se ouve é o clamor de um povo que chora seus mortos e seus sonhos soterrados.
Diante de tamanha tragédia, surge o questionamento inevitável que ecoa no coração do homem desde o princípio dos tempos: “Por que, Senhor?”. Embora as Escrituras Sagradas nos ensine que nem uma folha cai da árvore sem o conhecimento e a autorização do Altíssimo, a mente humana é limitada demais para decifrar os desígnios da Providência. Não nos cabe responsabilizar ou criticar o Criador em meio ao caos, pois a fé não é a ausência de dúvidas, mas a decisão de confiar mesmo quando o chão nos falta.
A Palavra de Deus nos conforta justamente nesses momentos de escuridão absoluta. No Salmo 46, lemos que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto, não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares”. Essa promessa não é uma negação da dor, mas uma garantia de que, mesmo quando o solo físico sob nossos pés se rompe, existe um fundamento espiritual que permanece inabalável. Para os irmãos venezuelanos, essa “fortaleza” deve ser buscada na oração e na certeza de que o Criador não os abandonou à própria sorte entre os escombros.
Tudo o que nos resta é o exercício dessa resiliência espiritual. É o ato de elevar as mãos aos céus para buscar o sustento que o mundo material não pode oferecer. A história é mestra em nos mostrar que o sofrimento extremo costuma ser o berço de grandes nações. O terremoto que hoje arrasa a Venezuela me remete ao Japão de 1945. Hiroshima e Nagasaki foram reduzidas a cinzas e silêncio por mãos humanas, em um dos episódios mais sombrios da humanidade. No entanto, foi justamente daquela dor profunda que brotou uma disciplina inabalável e uma união nacional que transformou o Japão em uma potência mundial.
É preciso, portanto, enxergar além da poeira que ainda paira sobre as cidades atingidas. Assim como o ouro precisa passar pelo fogo para ser purificado, as nações enfrentam provações severas antes de encontrarem sua verdadeira grandeza. A Venezuela tem diante de si o desafio de transformar o luto em um pacto de solidariedade nacional. A reconstrução física das casas será apenas o reflexo de uma reconstrução muito mais profunda: a do espírito de um povo que aprendeu, na dor, o valor da liberdade e da fraternidade.
Minha esperança e minha oração são para que cada lágrima derramada sobre o solo venezuelano sirva para regar a semente de um povo mais forte e determinado. A Venezuela que emerge deste terremoto e do fim da tirania tem a oportunidade de se reconstruir sobre alicerces muito mais sólidos que o concreto: os alicerces da fé.
Que cada gesto de ajuda e cada mão estendida seja um sinal de que a vida sempre prevalece. A Venezuela não está apenas chorando sobre escombros; ela está, na verdade, preparando o terreno para uma colheita de dignidade e prosperidade. Que o povo venezuelano siga em frente, pois o mesmo Deus que permite a tempestade é Aquele que prepara o amanhecer de uma nação poderosa, aguerrida e renovada.
* Jornalista, Professor e Escritor
jul 3, 2026 | Colunistas
‘DIVISAS’: Aposto que você conhece alguns deles. Pesquisas e cientistas políticos separam os eleitores segundo suas decisões. Os ideológicos são alinhados a um partido ou linha de pensamento. Votam com essa visão. Na outra ponta – os eleitores voláteis; sem apego a partidos, mudam o voto a cada eleição, dependendo das promessas ou do momento econômico.
DIVISORES: Ainda há os chamados eleitores de protestos os desiludidos com o sistema político. Eles anulam o voto, votam em branco ou em candidatos folclóricos. Restam ainda os eleitores desengajados; por falta de interesse políticos, costumam decidir o voto na última hora, sob influência das redes sociais ou parentes.
VALE TUDO: Novos escândalos pipocam com envolvimento de políticos e figuras do poder. Boa hora de recordar casos que atingiram candidaturas favoritas e alteraram o resultado das urnas. Como sempre, no período da campanha eleitoral chovem denúncias de corrupção, operações policiais e informações falsas contra adversários.
LEMBRA? Em 1989 Collor apresentou no horário eleitoral Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, que o acusou de sugerir o aborto da filha do casal. Repercussão enorme e Collor venceu. Já em 2002 a candidata favorita Roseana Sarney foi envolvida na ‘Operação Lunus’ da PF e sua candidatura implodiu, cedendo lugar para José Serra na disputa contra Lula.
‘ALOPRADOS’: Em plena campanha (2006), integrantes do PT foram presos na tentativa de comprar documentos ligando os candidatos Serra e Alckmin ao escândalo das ambulâncias (Sanguessugas). O próprio Lula condenou a ação dos companheiros. A imprensa deu destaque ao fato, provocando desgastes e a eleição decidida no 2º turno.
PETROLÃO: O escândalo bagunçou a campanha presidencial de 2024, desgastando a presidente Dilma. A Operação Lava Jato revelou o esquema do Petrolão, com vazamento de depoimentos de diretores da Petrobras. Outro fato que mudou a dinâmica das eleições foi a morte do candidato Eduardo Campos num acidente aéreo.
FACADA & FAKE NEWS: Em 2018 Bolsonaro foi vítima de facada, retirando-o dos debates de rua, gerando profunda comoção popular em seu benefício eleitoral. A campanha foi caracterizada pelo escândalo do disparo em massa de notícias falsas nas redes sociais e pelo WhatsApp, inclusive com boatos nocivos ao pleito.
- JEFFERSON & ZAMBELLI: Dois fatos com aliados de Bolsonaro tencionaram o cenário no 2º turno de 2022. O ex-deputado Roberto Jefferson, resistiu a prisão e atirou contra os agentes federais. Já a deputada Carla Zambelli, às vésperas do 2º turno, sacou de uma arma perseguindo um cidadão negro em São Paulo. Os fatos prejudicaram a estratégia de Bolsonaro na busca de votos dos eleitores moderados.
CASO MASTER: É até aqui, o maior escândalo em 2026. As relações de figuras do governo e oposição com Daniel Vorcaro são graves: a verba doada para o filme de Bolsonaro, o envolvimento do senador Jaques Wagner, os atritos de Michelle Bolsonaro com Flavio Bolsonaro e os investimentos de risco prejudicando estados, municípios e investidores. Mas não se assuste. Há risco deste ‘cardápio’ virar mero ‘cafezinho da manhã’.
RESUMINDO: Esses escândalos impunes aumentam o desinteresse do leitor que prefere notícias menos desgastantes. Ele opta pelo segmento do besteirol, envolvendo o mundo artístico e esportivo por exemplo. O leitor, foi acometido de uma espécie de fadiga coletiva – mesclada com notório mau humor. E a tendência é piorar.
HUBERT ALQUÉRES: “ (-) A polarização entre lulismo e bolsonaismo organizou a vida política brasileira por quase uma década. Dominou eleições moldou identidades, mobilizou paixões e transformou adversários em inimigos existenciais. Hoje, porém, começam a surgir sinais de desgaste. Não porque as divergências tenham desaparecido. Ao contrário. Elas permanecem profundas (- )”
ASSUSTADOR: Pela pesquisa do Datafolha em junho, 67% dos brasileiros não se lembra em que votou há 4 anos para deputado federal e 66% para senado e deputado estadual. Essa falta de lembrança é o retrato sem retoques da falta de comprometimento do eleitor com as causas que dizem respeito ao Governo, país e estado e a ele próprio.
CARAVINA: Fiel ao estilo ‘Jovem Guarda’- aos 56 anos mantém o corte de cabelo onde aparecem os fios brancos. Mas não é por acaso. Desde a estreia na política em 2012, como prefeito de Bataguassu, participou de 12 eleições, como candidato e apoiador. Pode agregar apoio para tentar a presidência da Assembleia. Leva jeito.
LONDRES MACHADO: Conversei com o amigo Dorival Betini, após sua visita ao deputado. Segundo ele, o ‘Chinês’ tem uma interpretação estritamente religiosa sobre a perda da filha e se mostrou resignado com a tragédia – que é parte da vida. Lembrando Nietzsche: ‘O que não provoca minha morte, faz com que eu fique mais forte’.
NA ESTRADA: Ao seu estilo sóbrio, o governador Riedel se firmou como protagonista de uma nova fase social e econômica do Mato Grosso do Sul. Conseguiu com sua postura séeria granjear a respeitabilidade da sociedade. A oposição até que tenta ‘arrombar’ essa fortaleza, mas sem êxito. É o que mostram todas as pesquisas.
SENADO: Ouço políticos do interior e da capital, converso com pessoas anônimas no dia a dia e concluo: a disputa pelas duas cadeiras senatoriais é mais complicada do que a eleição ao governo. Pergunta-se: o que vai decidir: o poder do carimbo bolsonarista ou os currículos e propostas dos concorrentes?
TEMPERATURA MÁXIMA: O último lance desta guerra eleitoral foi a recente confirmação do presidente Valdemar C Neto, de que o Capitão Contar será o candidato número 2 do PL. Segundo pesquisas, a diferença entre Reinaldo, Contar e Nelsinho é pequena, sujeita a fatores diversos durante a campanha. A vitória será por ‘uma cabeza’.
BOBAGEM: Tenho notado em muitas manifestações pessoais um certo ‘policiamento’ ideológico a respeito do futuro político da nossa ex-senadora Simone Tebet. Noto mais: agora com a possibilidade dela disputar um cargo no estado de São Paulo, parece haver até uma torcida para seu insucesso nas urnas. Insisto: quanta bobagem – quanta pobreza de espírito. Pera lá! Simone tem seus méritos.
PILULAS DIGITAIS :
Michelle evoluiu de cuidadora de preso enfermo a pavio de Flávio. (Josias de Souza)
Quem sabe governar sempre encontra os que sabem obedecer. (Friedrich Nietzsche)
Flávio tem força, mas na Casa Branca. (Elio Gaspari)
Políticos em campanha soltam tantas pérolas que já não abrem mais a boca. Abrem as ostras. (José Simão)
Espere pelo mais sábio dos conselhos: o tempo. (José Saramago)
O privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar é dos reis, prostitutas e ladrões. (Balzac)
Michelle Bolsonaro bateu no fígado de Flavio. (Mario Sabino)
O pensamento parece uma coisa à toda, mas como é que a gente voa quando começa a pensar. (Lupicínio Rodrigues)
A vida pede coragem, não permissão. (João Guimarães Rosa)
jun 26, 2026 | Colunistas
MAIORIA: Um candidato ao Governo dos Estados Unidos, ao ouvir essa declaração de um apoiador: “Todas as pessoas que pensam votam no senhor”; ponderou: “ Não é o bastante. Para vencer eu preciso de maioria”. O episódio mostra que pouco interessa ao candidato as diferenças ideológicas e partidárias de seus eleitores. Basta apenas que o ajudem a compor a maioria e vencer. Ponto final.
ELEITOR RACIONAL: É preciso se conscientizar. Como modelo esse tipo de eleitor existe apenas na teoria. Na pratica, o eleitor tomado por emoções, acaba abraçando pessoas e até aderindo ideias duvidosas – divorciadas da lógica racional. Diz o velho ditado: Não haveria políticos enganadores se não existissem eleitores dispostos a serem enganados.
SEDUÇÃO: O eleitor precisa ter pontos de identificação com a história do candidato. Convenhamos: apenas promessas mirabolantes não sustentam uma candidatura. Essa conexão entre candidato e eleitor não se constrói da noite para o dia, mesmo com a utilização das atuais estratégias de marketing. O candidato precisa ajudar.
ESTRATÉGIAS: Existem, graças aos recursos de mecanismos digitais, inclusive da ‘Inteligência Artificial’ que preocupa a Justiça Eleitoral. Marqueteiros já propagam suas habilidades em todo o país, num aceno de que essa campanha custará os olhos da cara. Pelas notícias na mídia, há recursos já assegurados. Enfim, uma festa sem limites!
MARCELO MIRANDA: Uma das últimas lideranças da ‘velha guarda’. Cidadão simples e como todos os políticos, cometeu acertos e equívocos, Vítima de fatores circunstanciais, sem apoio de seu grupo político teve sua imagem desgastada. Viveu outra época; não guardou mágoas na geladeira. . Cumpriu sua missão. Foi em paz.
LAGRIMAS: “ O caixão iguala o líder a qualquer cidadão comum. ” Experiência amarga – provação paternal dolorida vive o deputado Londres Machado com a perda da filha Grazielle. Apesar de sua fé, da boa índole e experiência de vida, Londres jamais será o mesmo. Essa perda contraria o ciclo existencial que entendemos ser a ordem natural da vida.
REFLEXÕES: “ Títulos, cargos e honrarias tornam-se apenas adereços deixados para trás. O que resta são narrativas, as vezes distorcidas ou esquecidas rapidamente. Refletir sobre a partida de uma filha envolve navegar por sentimentos complexos e aceitar que o processo não é de esquecer, sim de conviver com a saudade. Mas o ritmo da política é cruel, ignora o luto, exige resposta rápida. ”
NO RINGUE: Repercutem as declarações de Michelle Bolsonaro contra os filhos de Bolsonaro. Destaque para a crítica ao apoio do PL a candidatos que não representam o pensamento da direita, como o caso de Ciro Gomes, no Ceará. Questiona-se: o episódio poderá fomentar revoltas de bolsonaristas em outros estados e até rachar o PL?
COERÊNCIA: É exatamente essa postura que Michelle cobra dos ‘diletos’ enteados nesta fase eleitoral. Ela cobra memória e valorização dos companheiros desde o início da jornada. Agora, é esperar pela reação do ex-presidente; avalizará o pensamento dela e reprovará a conduta de seus filhos? E qual será a postura da direção nacional do PL?
INEVITÁVEL: Formatar um grupo ou uma candidatura com lideranças homogêneas, sem divergências é difícil. Não por acaso, o ex-governador Abreu Sodré (SP) sustentava que ‘a política é a arte de engolir sapos’. Todos os partidos têm arestas, provocando críticas e defecções. Afinal o poder atrai ambições, interesses e egos divergentes.
CHANCES: Cada dirigente ou candidato tem suas próprias conclusões a respeito das possibilidades de êxito. Alguns tem as pesquisas como referência, a votação no pleito anterior e ainda novas alianças apoiadoras. Mas insisto, o sistema das federações é uma novidade traiçoeira. Provocará alegria para uns, tristeza para outros.
DESINTERESSE? Dados do TSE mostram que nas eleições de 2024 – dos 646.198 eleitores de Campo Grande, cerca de 164.799 não foram votar. 25% do eleitorado. Por se tratar de pleito municipal esse índice assusta. Não deixa de ser um alerta para os candidatos que tem na capital sua principal base eleitoral. Pode faltar gente nas urnas.
ILUSÃO: Há uma tese de que fazer política na capital seria mais barato do que no interior. ‘É relativo!’ – como diria o personagem do saudoso Chico Anísio. No fundo, o tal voto barato pode ficar caro exatamente pela crescente tendência do eleitor de deixar de votar. O cabo eleitoral promete 100 votos, mas nem todos os eleitores comparecem.
DO LEITOR: “Vivemos num mundo ansioso. Será que o mundo acabará amanhã? Não há descanso para o cérebro carregado de estímulos. Nossa rotina está acelerada e vigora o imediatismo. A internet tem grande parcela de culpa e o celular idem. As relações sociais deteriorando em todos os segmentos. Nada mais é presencial. Que chatice. ”
NA ESTRADA: Uma hora na Europa, Estados Unidos; outra no Nordeste, em Três Lagoas e Ponta Porã. De olho no calendário eleitoral, Lula vai aproveitando para fazer o que melhor sabe. Na outra ponta, a mídia vai mostrando as rusgas entre a ex-primeira dama Michelle e Flávio Bolsonaro. Não é preciso ser especialista para apontar quem está levando vantagem política.
A PROPÓSITO: Enquanto isso, o vice-presidente Alckmin também na estrada fazendo política. Ele esteve nesta semana em Dom Aquino (MT) inaugurando o terminal ferroviário do trecho de 168 km (conectando Rondonópolis a Dom Aquino) construídos com recursos (R$5 bilhões) da Rumo. Claro, naquela ocasião, houve o aproveitamento político-eleitoral, num estado cuja economia é baseada no agronegócio. Aliás, Mato Grosso responde pela produção de 31% dos grãos do país.
REFLEXÃO: “Rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brincando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não sua ira; ( …) ( Raduan Nassar in ‘Lavoura Arcaica’.
PILULAS DIGITAIS:
A ‘bondade’ de Daniel Vocaro não tem lado; vai da direita à esquerda e para no centro.
Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho impar. (Carlos D. de Andrade)
Os loucos abrem caminhos que os sábios mais tarde percorrerão. (Carlo Dossi)
No Brasil nem a esquerda é direita. ( Zé Simão)
Camarão que dorme, a correnteza leva. (Eduardo Marzagão)
No fundo, talvez não muito bom negócio vender a alma. A alma, às vezes, faz falta. ( Rubem Braga)
Ser adulto foi o desejo mais estúpido que tive quando era criança. (na internet)
Todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe de maneira absoluta. (Lord Acton)
A vitória não ensina nada. O que ensina é a derrota. (Chico Anísio)
A pior loucura é ser sábio num mundo de loucos. (Erasmo de Rotterdan)
Ainda há juízes em Brasília? (Erick B. Vidigal)
jun 22, 2026 | Colunistas
(por Nelson Rodrigues) –
“Depois do jogo América x Santos seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura que o meu confrade Laurence chama de ‘o Domingos da Guia do ataque’. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: – 17 anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de 40, custo a crer que alguém possa ter 17 anos, jamais. Pois bem: – verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se ‘Imperador Jones’, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: – ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.
O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: – a de se sentir rei, da cabeça aos pés.
Quando ele apanha a bola, e dribla um adversário é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônia. Já lhe perguntaram: – ‘Quem é o maior meia do mundo?’. Ele respondeu com a ênfase das certezas eternas: – ‘Eu’. Insistiram: – ‘Qual é o maior ponta do mundo?’ E Pelé: – ‘Eu’. Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção que ninguém reage e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.
Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompéia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar.
Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: – ‘Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!’
De certa feita, foi, até, desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe, ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta, sensacionalmente. Numa palavra: – sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para brilhar. Não existia uma defesa. Ou por outra: – a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompéia e encaçapou de maneira genial e inapelável.
Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, de certeza, de otimismo que faz de Pelé o craque imbatível.
Quero crer que a sua maior virtude seja, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés numa lambida docilidade de cadelinha.
Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível na formação de qualquer escrete.
Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e, mesmo, insolente de que precisamos. Sim, amigos: – aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau.
Por que perdemos, na Suíça, para a Hungria? Examinem a fotografia de um e outro times entrando em campo. Enquanto os húngaros erguem o rosto, olham duro, empinam o peito, nós baixamos a cabeça e quase babamos de humildade. Esse flagrante, por si só, antecipa e elucida a derrota. Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós”.
*Publicado em março de 1958 na Manchete Esportiva
jun 22, 2026 | Colunistas
Com toda certeza, a Copa do Mundo de Futebol é um evento que envolve não apenas a paixão pelo esporte das multidões, onde cada país participante arrasta milhões de
torcedores e também de turistas de todo o Planeta. Temos que reconhecer que a partir do ano de 1958 quando a Seleção Brasileira venceu pela primeira vez o torneio mais
importante do mundo futebolista, esse esporte passou a ter a importância que hoje ostenta com a movimentação de bilhões de dólares para sua organização.
Quando citamos a cultura num torneio de futebol mais importante do mundo, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, como também a população em
geral, acabam por enriquecer seus conhecimentos em diversas áreas do desenvolvimento humano. No setor demográfico por exemplo, uma música que caiu no gosto da
torcida brasileira no ano de 1970, enaltecendo nossa seleção, na sua estrofe inicial, assim registrava “ 90 milhões em ação, pra frente Brasil….” hoje, no ano de 2026 con-
tamos mais de 200 milhões.
Percebe-se por essa música o tamanho do crescimento populacional do país, representando cerca de 25%. Dados desconhecidos por muitos brasileiros, e que enriquece o
conhecimento de nossos estudantes no campo da estatística. O Brasil detém hoje o titulo de Penta Campeão Mundial de Futebol, e tal fato aguça a inspiração de nossos
compositores musicais na criação de hinos e sambas, municiando a indústria fonográfica no campo da economia, dando oportunidade de surgimento de novos talentos à
nossa música popular brasileira.
Desconheço o autor da alcunha “ Seleção Canarinho do Brasil”, mas, caiu como uma luva aos nossos craques da época, considerados os artistas do futebol, e que a partir
de então, foi levado aos cinco continentes do Planeta Terra com o toque de magia de um Pelé, um Nilton Santos, um Didi, que acabaram por difundir a prática desse espor-
te às nações mais pobres do Mundo, onde ano a ano têm revelado cada vez mais, jovens atletas. O Brasil ainda é um celeiro de craques, muitos exportados para os países
do primeiro mundo.
Mas é no campo político que o futebol encontra um terreno fértil, hoje temos ex-campeãos mundiais em vários cargos eletivos pelo país, inclusive um Senador da República
e diversos ministros de estados que já tiveram a oportunidade de ocupar uma importante cadeira no centro do poder. Desde os pequenos municípios brasileiros, cândida-
tos à prefeitos e vereadores, investem nas agremiações futebolistas de suas cidades, e,hoje vislumbrando uma carreira que possibilite fama e fortuna, os pais levam seus fi-
lhos para aprender a arte do futebol.
Existe hoje, uma imensa expectativa entre nós, os brasileiros, de que possamos alcançar o título de Hexacampeão Mundial, para tanto, confiamos no esquema adotado pe-
lo competente técnico e do desempenho de seus pupilos, e de nossa parte, nunca ficou de lado o slogan “temos que acreditar com muita fé, que Deus é Brasileiro” Amém
Amém”. Vamos nos preparar psicologicamente para comemorar a vitória hoje!
BENEDITO RODRIGUES DA COSTA
Economista
jun 19, 2026 | Colunistas
NAS URNAS: Qual será o peso dos programas sociais? Ocupamos o 23º lugar no ranking nacional: o Bolsa Família, com R$ 130 milhões para 192 mil famílias (500 mil pessoas). Nossa capital lidera com 13,4 mil famílias, Corumbá cm 9,7 mil, Ponta Porã 9,3 mil, Três Lagoas com 7,4 mil. Haverá mesmo conexão do estomago com o bolso?
DOLOROSO: Para os críticos, mero curral eleitoral. Sem discutir esse aspecto cito o exemplo do Maranhão (Sarney) com mais de 1 milhão de famílias (41% da população) dependentes dos programas sociais (Pé de Meia, Gás do Povo, Bolsa Família). Não por acaso – estados do norte e nordeste, vivem encabrestados pelo coronelismo, com nova roupagem (siglas).
PROJETO: Por aqui o PT sonha em reviver com Fabio Trad a epopeia de Zeca. Uma missão que conta com eventuais reflexos das ações sociais do Planalto e do desempenho do candidato Lula. Eleitoralmente o estado representa pouco no contexto nacional, mas o que conta ao menos é uma cadeira no senado. Como se diz, vale ouro! Se vale!
A QUESTÃO: As aprovações do Governo Lula e da candidatura de seu principal líder no estado, serão suficientes para derrotar o grupo adversário, representado pelo centro e direita? Hoje, todos os institutos de pesquisas apontam uma lenta tendência de crescimento do pré-candidato petista, mas ainda insuficiente para provocar o segundo turno.
MARATONA: Apesar da idade, Lula demonstra disposição invejável para cumprir compromissos oficiais: da Europa, Estados Unidos ao nosso interior. O quadro político mostra que ele viajará ainda mais pelo país até as eleições. Na sua agenda nova visita ao Mato Grosso do Sul, na próxima quinta-feira para entrega de 1390 títulos agrários do Incra.
EXPECTATIVA: Assessores parlamentares e jornalistas já se arriscam na medição do o potencial político de Dourados nestas eleições. Os prognósticos divergem, mas a maioria acredita no aumento de representantes na Assembleia principalmente. O sistema da ‘Federação’ ainda é uma incógnita em termos de avaliação do futuro desempenho dos pré-candidatos até agora. Vigora o ‘achismo’.
DINÂMICA: Esse o melhor termo para definir a política como um todo. Sempre mudando. Dois exemplos atuais: Puccinelli e Junior Mochi disputando separados os votos em redutos onde sempre estiveram como parceiros e o caso do deputado Jamilson, disputando votos com o ex-conselheiro Jerson Domingos em várias cidades.
CAUTELA: Tem sido essa a postura – pelo menos nas declarações – dos candidatos quanto a previsão e dos gastos ao longo da campanha. Uns alegam dificuldades em avaliar com segurança; outros declaram estar esperando a definição dos critérios adotados pela Justiça Eleitoral e os respectivos partidos. Tudo ainda muito obscuro.
SEGREDO: Dizem que não se deve acreditar piamente no que dizem os candidatos antes e depois das eleições no que diz respeito aos seus gastos. Existem duas vertentes: os gastos reais tidos como ‘segredos de estado’ – e aqueles gastos formais como mandam as regras e instruções da justiça. Entre ambas, a diferença costuma ser enorme. Não se elege apenas com prestígio pessoal.
MUDOU? Entre hoje e antigamente os parâmetros de gastos dos candidatos mudaram. Influência da nova postura de parte do eleitorado; das novas regras e da realidade sócio econômica. No passado, os excessos eram tidos como normais e imperava um ditado inconsequente: o que vale é ganhar – dívida a gente resolve depois.
SAUDADE? Sobre o assunto, políticos da época do antigo Mato Grosso lembram do socorro que o extinto BEMAT (Banco do Estado do Mato Grosso) prestava aos deputados. A adoção de promissórias era pratica habitual com direito as prorrogações de vencimento a juros camaradas. Banco estatal como braço político não sobrevive.
INCÓGNITA: No saguão da Assembleia, jornalistas e assessores questionavam o futuro político do deputado Catan, caso sua candidatura não prospere nos parâmetros aceitáveis. Para um repórter, ‘ teria faltando-lhe um bom eonselheiro” – para outro ‘ele teria dificuldade de formar um grupo político após as eleições para disputar a prefeitura da capital. ’
MARCELO BERTONI: Marquem bem esse nome que hoje comanda com a poderosa Famasul. Neste recente episódio do conflito agrário em Sidrolândia, Bertoni demonstrou a serenidade exigida na busca da segurança jurídica e a proteção à vida das pessoas. Avesso a promoção pessoal, ele vai conquistando espaço e admiração.
EDUCAÇÃO: Desafio dos municípios que arcam com transporte e merenda e outros valores adicionais num estado de municípios enormes. A União doa ônibus, mas isso não basta; o desgaste é enorme pelas longas distancias e estradas de terra. Esse quadro prejudica o aprendizado dos alunos que levantam de madrugada para esperar o ônibus e com sono acumulado não tem o aprendizado ideal. Dormem em classe.
JUNIOR MOCHI: O deputado levantou o problema na Assembleia e foi apoiado por colegas na busca de solução. Uma das sugestões; adotar a jornada integral de aulas por 3 vezes por semana, resultando numa economia de 40% dos gastos. Em apoio, o deputado Kemp lembra que o município é o responsável pela educação, desde o infantil a 5ª série.
CORAJOSA: Não é de hoje que o Consórcio responsável pelo transporte público de passageiros da capital comete abusos. Finalmente agora, a administração ´pública ousou peitar de vez o sistema que só visa lucros, em prejuízo ao município. A opinião pública está apoiando a prefeita Adriane Lopes na esperança de mudanças. Os primeiros sinais tem sido positivos.
NA TRIBUNA: Reinaldo Azambuja vai solidificando sua postura partidária com críticas ao Governo Federal. Nesta semana ele denunciou o crescimento da dívida pública, os juros elevados e a situação fiscal do país. Reinaldo pede reformas estruturantes e redução da maquina pública. Esqueceu de pedir ao presidente que gaste menos em viagens ao exterior.
REFLEXÃO: O verdadeiro legado emocional da Copa não está necessariamente nas vitorias ou derrotas dentro de campo, mas nas experiências construídas ao redor delas. O impacto psicológico mais importante está na capacidade de aproximar pessoas, estimular encontros, gerar conversas, criar memórias afetivas e fortalecer vínculos humanos. Muito além do futebol, a Copa é uma celebração do pertencimento humano.” (Dra. Mariana Ramos – professora de psicologia)
PILULAS DIGITAIS:
O futebol é uma das poucas coisas que unem um país dividido. (Mandela)
É melhor vencer todo dia do que ganhar de goleada de uma vez só.
Mordomia é tudo que o dinheiro – do contribuinte – pode comprar. (Millôr)
Tenho forte suspeita de que os aliens já estão entre nós. (Steven Spielberg)
Na política e no futebol importam os resultados práticos, não as promessas.
Quando a última árvore for cortada e o último rio envenenado, você vai perceber que o dinheiro não alimenta. ( Joyce McLean)
No Brasil, a política se resume em não deixar a onça com fome, nem o cabrito morrer. (Stanislaw Ponte Preta)
O diabo é um otimista, se acha que pode tornar as pessoas piores do que já são. (Kari Kraus)
A equação do drible tem atalhos que a matemática não explica. (Luiz C. Oliveira)