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Bela Vista-MS Sábado, 08 de Agosto de 2026
Uma história de sucesso: Por Rosildo Barcellos

Uma história de sucesso: Por Rosildo Barcellos

Por trás de cada olhar, certamente existe uma história que ninguém conhece … mas que a maioria se acha capaz de julgar. Por isso somos pássaros cativos numa noite sem luar. A forma alada que somente a música pode alcançar. E nesse diapasão considero que a música sertaneja tenha surgido em 1929 seguindo as ações de Cornélio Pires que gravava “causos” e fragmentos de cantos tradicionais rurais da região cultural caipira

Assim a dupla, João Haroldo e Betinho, incorpora o elemento estilístico de gênero disseminado pela indústria musical, embora não esqueçam da roupagem e o conteúdo temático da verdadeira música sertaneja fazendo com que o tradicional e o moderno coexistam harmonicamente. O repertório que fala de amor e de corações dilacerados, mas também trazem a esperança de que um dia aquele amor que foi embora, possa voltar, e reveja seus conceitos de felicidade, com gratidão, humildade, carinho com o ser humano e esperança, cheios de poesia.

Com as informações do próprio Betinho, que o encontrei  essa semana,  no município de Dois Irmãos do Buriti, a história de João Haroldo & Betinho começou de forma simples e genuína na cidade de Jardim, Mato Grosso do Sul. Foi durante uma visita familiar que Betinho conheceu João Haroldo, que se apresentava com amigos em um tradicional bar da cidade. Naquela mesma noite, os dois dividiram o palco improvisadamente e descobriram uma forte afinidade musical, dando início a uma amizade que mudaria suas vidas.

Alguns meses depois, João Haroldo mudou-se para Campo Grande para dar continuidade aos estudos. Por intermédio de uma amiga em comum, os dois voltaram a se encontrar e decidiram transformar a amizade em parceria musical. Assim nascia oficialmente a dupla João Haroldo & Betinho.

A estreia aconteceu em 14 de fevereiro de 1997, em Campo Grande (MS), marcando o início de uma trajetória de sucesso que conquistaria milhares de fãs em todo o Mato Grosso do Sul e em diversas regiões do Brasil.

Em seus primeiros anos de carreira, a dupla destacou-se pela autenticidade, carisma e forte identidade sertaneja. A primeira gravação aconteceu através da música “Anjo”, regravação da dupla Felipe & Falcão, lançada em uma coletânea de artistas sul-mato-grossenses.

No ano 2000, João Haroldo & Betinho gravaram seu primeiro CD ao vivo, projeto que se tornou um marco na carreira da dupla e um dos pioneiros do gênero no Brasil. O trabalho trouxe sucessos como “Coração Idiota”, “Cai na Real”, “Pode Voltar Paixão” e “Hoje Não é Nosso Dia”, alcançando expressiva repercussão e consolidando a dupla como uma das grandes referências da música sertaneja regional.

Após uma trajetória de grandes conquistas, a dupla encerrou suas atividades em 2011, quando ambos decidiram seguir projetos individuais. Entretanto, o carinho do público e a paixão pela música mantiveram viva a conexão construída ao longo dos anos.

Em 2016, João Haroldo & Betinho retornaram aos palcos com uma proposta renovada, mais experiência, maturidade e o mesmo compromisso de emocionar o público através da música sertaneja de raiz e romântica. O reencontro marcou uma nova fase na carreira da dupla, reafirmando sua relevância no cenário musical.

Atualmente, João Haroldo & Betinho seguem levando sua música para eventos, feiras, rodeios, festas tradicionais e grandes shows, mantendo viva a essência que conquistou gerações de fãs. Com um repertório que une clássicos da carreira, grandes sucessos do sertanejo e novos projetos autorais, a dupla continua escrevendo sua história com autenticidade, talento e paixão pela música.

Num momento de efervescência musical, com a explosão do conhecido sertanejo universitário, se faz necessário um resgate do gênero sertanejo, buscando mostrar as influências e as contribuições da música raiz, da música que tem letra e história pra contar, que são os estilos que se consolidaram ao longo da história, e ao meu ver é esse o grandioso destino da dupla.

*Articulista

A memória d’O Pasquim Sul está viva!  Por Flávio Braga

A memória d’O Pasquim Sul está viva! Por Flávio Braga

No início dos anos 80, eu morava no Rio de Janeiro, trabalhando como roteirista de cinema e peças de teatro – muitas delas proibidas pela censura -, mas sentia saudades da amada Porto Alegre. Durante este período, na capital gaúcha, grupos de amigos mais liberais se reuniam em locais variados. Dentre eles, o Chalé da Praça XV, um belo bar e restaurante onde artistas e militantes se encontravam. De mesa em mesa, de mãos em mãos, circulava o jornal O Pasquim, editado, no Rio de Janeiro por corajosos heróis da sátira jornalística brasileira.

Durante aquela década, surgiu a informação de que o periódico iria expandir-se por outros estados, criando entre os gaúchos o desejo de participar dessa gloriosa iniciativa. Rodas no bar Chalé, com Marcos Klassman e Glênio Peres, dentre outros, sonhavam com o Pasquim Sul. Porém, os dias foram passando e os compromissos pessoais preenchendo as agendas, tornando o desejo cada vez mais distante.

Foi quando resolvi tomar a iniciativa. Visitei a redação d’O Pasquim, ali na Rua da Carioca, buscando a chance de criar a versão regional do melhor jornal satírico do país. Na época, tinha 31 anos e era leitor assíduo do Pasquim desde a adolescência. Emocionalmente tomado, me declarei Pasquim-maníaco para o Jaguar, um dos fundadores do semanário, e ele aceitou a minha proposta.

Retornei para Porto Alegre em 1983 com um documento que autorizava a criação do Pasquim Sul. A partir daí, iniciei uma nova batalha. Levei quase dois anos inteiros para conseguir estrutura suficiente para lançar o jornal. E só consegui porque encontrei Carlos de Noronha Feio, um português articulado que conhecia as manhas do poder. Além dele, consegui o auxílio de Coi Lopes da Almeida, jornalista com o perfil ideal para um jornal satírico.

Daí em diante foi uma campanha que durou quase dois anos. Apesar da luta contra o reacionarismo e outros problemas típicos, tudo estava indo bem. Tínhamos público e anunciantes de peso, pelo menos no início do projeto.

A publicação sulista d’O Pasquim resistiu por 60 edições. Da primeira à última página, conseguimos manter de pé o tradicional tom crítico e autêntico da marca. Na reta final, porém, os anunciantes já não queriam dividir espaço com nossas farpas contra autoridades expoentes da época, sobretudo o presidente de momento, José Sarney, que inclusive ilustrou a nossa última capa. Tanto é que, nessa edição final, só havía quatro anunciantes expostos nas 20 páginas da publicação.

Isso, porém, não apaga em nada o projeto. Pelo contrário, aliás. Foi uma experiência esplêndida, de jornalismo e de relacionamento político e cultural. Muitos cartunistas e autores começaram conosco naquele período e são referência até hoje. A história merece outro tratamento – quem sabe não um livro? Fico feliz que, com o projeto de digitalização, as edições gaúchas estejam novamente disponíveis e agora acessíveis, por meio da Biblioteca Nacional, para um público muito maior. Valeu a pena!
*Flávio Braga é escritor, com 14 livros publicados pela editora Record, dramaturgo e roteirista gaúcho, que vive no Rio de Janeiro há 34 anos e foi o diretor responsável pela franquia Sul d’O Pasquim nos anos 80

A Retomada de Corumbá: Por Rosildo Barcellos

A Retomada de Corumbá: Por Rosildo Barcellos

Indubitavelmente, torna-se difícil entender a história de Mato Grosso do Sul sem prescrutar as nuances da “Guerra do Paraguai”. As repercussões culturais que a “Guerra da Tríplice Aliança” exercem sobre a formação do estado são  fortes e presentes, até porque temos obras que testemunham este olhar para o passado. Foi em Corumbá, num primeiro momento o local aonde desembarcaram riquezas e pessoas; porquanto ao final, vieram a auxiliar a construir o Mato Grosso do Sul, conforme conhecemos hoje. Cidade estratégica, econômica, política e militarmente, a Cidade Branca acabou sendo uma dos municípios que primeiro tombaram, diante do avanço das tropas paraguaias mobilizadas por Francisco Solano Lopez.

Mormente em 1867, o presidente da província de Mato Grosso, Couto Magalhães, decidiu pela retomada do território para o Império Brasileiro e iniciou os preparativos militares, elaborando a estratégia das operações, que ficou sob o comando do então Tenente Coronel Antônio Maria Coelho. No dia 15 de maio de 1867 teve início a ação militar para a “Retomada de Corumbá” com a partida das tropas do Porto de Cuiabá, acampando nas proximidades da cidade supramencionada às 18 horas do dia 12 de junho.

Já na madrugada do dia 13, a tropa toma rumo norte, caminhando confiante, pelas margens do rio Paraguai, já respirando o ar da vitória. Depois de 25 quilômetros de marcha, param os soldados nas proximidades da vila de Corumbá, para observação e plano tático de seus comandantes. Pouco depois do almoço começam os ataques em pontos distintos, que duraram até o anoitecer. As tropas brasileiras perderam ao todo nove homens, dentre os quais, o Tenente Manoel de Pinho e o capitão Cunha e Cruz. Outros 27 homens ficaram feridos. Foram aprisionados 27 paraguaios, do total de uma tropa de 200 homens, que havia se instalado em Corumbá.

Finalmente reconquistada, e com o objetivo de que ali fosse plenamente restabelecido o poder imperial, segundo vários relatos históricos, foram construídos então cinco fortes: Limoeiro, Junqueira, Conde D’Eu, Duque de Caxias e Major Gama. A denominação Junqueira reverencia o então ministro da Guerra, Doutor João José de Oliveira Junqueira, justamente quem deu a ordem para construir a fortificação. Construído entre 1871 e 1872, após o término da Guerra do Paraguai, o Forte Junqueira foi idealizado como estrutura de defesa estratégica em uma região de fronteira. Com suas paredes espessas de pedra calcária e uma série de canhões ingleses voltados ao rio, o espaço nunca chegou a ser usado em combate, mas cumpriu seu papel de proteção e presença militar no território. Tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 2014, o forte é um dos principais patrimônios históricos do estado.

De tudo que comentei, ainda lembro que o Tenente Coronel Antônio Maria Coelho, teve seus restos mortais descansando na Praça da Independência sob célebre estátua, enquanto que os restos de Cunha e Cruz repousam no Cemitério Santa Cruz, juntamente com suas filhas: Maria do Carmo (Sinhá) e Florisbela (Yáiá). Ainda tive a oportunidade de Conhecer Sátiro Coelho, na época, aos 93 anos (descendente direto) residindo no distrito de Albuquerque. Isto mostra, que mais do que belezas naturais e animais exóticos Corumbá tem viva a sua história, no rosto de cada cidadão e isto mais do que nunca, deve ser preservado assim como, os ideais de liberdade, ordem e progresso: definitivamente revividos.

 

*Articulista

 

Leia Coluna Amplavisão: Abraços e cafezinhos: é a caça aos eleitores

Leia Coluna Amplavisão: Abraços e cafezinhos: é a caça aos eleitores

UM INSTANTE!  Pelo visto terão que aumentar de 24 para 33 (ou mais) as cadeiras na Assembleia Legislativa. A explicação está justificada pelo excesso de confiança e otimismo nas projeções das federações e partidos. É hora do pessoal recalcular seu potencial, pois a ‘caça’ aos eleitores promete ser concorrida. Alguns vão sobrar.

BEM ASSIM: Em todas as eleições existem os tais candidatos do sistema, tidos como favoritos; os aventureiros sem nada a perder – e aqueles conscientes do papel de meros coadjuvantes em troca de recompensas futuras. Mas cada qual tem importância na somatória final dos votos. Como se diz: não se ganha eleição sozinho.

COMPARANDO: Na pesquisa da Ranking na mídia, Lula tem 32% de bom/ ótimo e seu governo aprovado por 42% no MS. Mas seu fiel companheiro Vander, patina nos 10% de intenção de votos ao Senado. Portanto, o prestígio de Lula é pessoal e nem sempre reflete em terceiros. Comenta-se que pela sua lealdade, Vander seria recompensado com cargo na Itaipu Binacional.

ALERTA: Pesquisas mostram que 32% do eleitorado é avesso a polarização atual. São eleitores críticos do quadro nacional, não tem paixões partidárias e ideológicas. Fiéis da balança, eles deixam para decidir na última hora; também num reflexo da falta de novos personagens com propostas confiáveis, sem os tais apelos eleitoreiros de sempre.

LEITURA:  A deputada estadual Gleice Jane (PT), tem visão sensata da influência do fator ‘bairrismo’ no processo eleitoral das cidades e argumenta: se trata de fato natural.  Ela cita Dourados, Corumbá e Ladário como exemplos de eleitores com fortes vínculos voltados prioritariamente aos interesses locais, priorizando os candidatos da terra.

CÂMERA LENTA:  Ano de eleições é sempre assim. Os deputados priorizam as viagens aos redutos interioranos principalmente e as pautas da Assembleia murcham. Até mesmo a disputada tribuna, normalmente palco de contundentes pronunciamentos, está em baixa. Esse cenário é parte do roteiro eleitoral. Sem novidades.

GOL DE PLACA: Repercute a aprovação no Senado do Projeto de Lei elevando o piso salarial nacional de médicos e dentistas de R$ 3.636,00 para R$ 13.662,00 para jornada de 20 horas semanais. Relator do texto, o senador Nelsinho Trad comemora e espera a aprovação na Câmara, além é claro, da repercussão positiva nas urnas.

LEMBRETE-1:  Candidato precisa abraçar! Não aquele abraço mecânico. Abraço é um forte estimulante de conexão emocional, melhor que as mensagens de redes sociais. Abraço quebra barreiras, aproxima pessoas, tornando-as mais próximas e iguais; cria um clima de cumplicidade. E mais: o eleitor se sente valorizado pelo político ilustre.

A PROPÓSITO: No recente congresso de vereadores, Contar, Nelsinho e Reinaldo não perderam tempo. Animados, distribuíam abraços e sorrisos para a plateia decisiva em termos de eleições. Diferem apenas no estilo pessoal, mas se equivalem nas propostas. As pesquisas têm mostrado o potencial de cada um deles rumo ao Senado. Pedreira!

LEMBRETE-2:  Trilha sonora transforma lembrança em voto; eleitor até esquece os discursos, mas canta os refrãos. Na política quem é lembrado é escolhido. Daí o valor  da música símbolo na campanha. Quanto mais o povo canta, mais o nome cresce e se fortalece. Os sucessos de ‘Varre …Varre Vassourinha…’ de Jânio Quadros  – e de ‘Lula Lá’ mostram isso.

VISITAS:   Prefeito de cidade interiorana diz que não é de reclamar. Mas quase todo santo dia recebe visita de candidatos. Após aquele longo papo sobre os mais variados temas, vem o sutil pedido de apoio. O legal no jogo político é que todos os envolvidos têm completa noção de comportamento nas mais diferentes situações.  Um dia juntos, outro dia separados.

SÓ O COMEÇO: Pelas amostras iniciais, a Justiça Eleitoral jogará pesado nestas eleições. São os casos do deputado Rodolfo Nogueira multado em R$15 mil pela pratica da propaganda antecipada e a decisão que determinou ao deputado João H. Catan a retirada de vídeo com IA da rede social. Decisões que devem frear os ânimos.

OUTRO LADO:   Como das outras vezes, apenas os usuários ficaram no prejuízo com o ‘singular’ aumento de 39% nas tarifas do pedágio da BR 163.  Na outra ponta, os prefeitos de todos os municípios servidos pela rodovia, estão comemorando o aumento da fatia mensal que tem direito pelo chamado Imposto Sobre Serviços.

COMPLEXO: Assim defino o debate sobre a redução da maioridade penal, É difícil equilibrar a punição por delitos graves com o sucesso da reabilitação dos jovens. Os argumentos das duas correntes (a favor / contra) são válidos e devem ser levados em conta no debate que já sacode a opinião pública. Mais razão e menos emoção!

BEM NOSSA! Tomar como exemplo a maioridade penal de outros países, diferentes da nossa realidade sociocultural é errado. Cada país com suas peculiaridades. Os senhores do crime organizado, que hoje usam os menores de 18 anos em suas ações, passariam a recrutar adolescentes menores de 16, sem prejuízo aos seus resultados ilícitos desejados.

RISCOS: Existem sim ao propor essa pauta delicada num ano eleitoral. Políticos podem incluir essa matéria no rol de suas proposituras sob risco dividir o eleitorado entre os ‘a favor’ e ‘os contra’. Prepare-se para ouvir bazófias de candidatos – mais interessados em desfrutar do poder – do que resolver a questão da segurança e combate a criminalidade.

REFERÊNCIA: Em defesa da candidatura do irmão Jaime (senador) ao Governo de Mato Grosso, o deputado Júlio Campos lembra no facebook: “Na convenção da UDN em Três Lagoas (1965), Lúdio derrotou os deputados Fragelli e Garcia Neto. Apesar do apoio do governador Fernando C. da Costa e da campanha rica de Lúdio (com 200 peruas kombis) – foi derrotado pelo então desconhecido engenheiro Pedrossian da N.O.B ”.

PILULAS DIGITAIS:

O eleitor é pré-histórico, mas a urna é eletrônica. (Sponholz)

Trate com carinho a sua liberdade de escolha. (Chick Corea)

Os tais ‘influenciadores’, influenciam quem mesmo? (internet)

Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação. (Nelson Rodrigues)

O povo é aquela parte do Estado que não sabe o que quer. (Hegel)

A regra não falha em qualquer país do terceiro mundo que tenha dois líderes. Um está no poder e o outro na cadeia. (Millôr)

Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. (João G. Rosa)

No futebol, o pior tipo de cego é o que só vê a bola. (Nelson  Rodrigues)

Tô bem, mas se eu pensar muito eu choro. ( Pedro Vinício)

A vida é um sopro. Aproveite!

Seja obcecado por soluções, não por problemas. (Donald Trump)

Gentilezas que fazem a diferença!  Por : Wilson Aquino

Gentilezas que fazem a diferença! Por : Wilson Aquino

Vivemos tempos estranhos. As cidades estão cada vez mais cheias, mas as pessoas parecem cada vez mais distantes umas das outras. Há pressa demais, preocupação demais, irritação demais. Em meio a buzinas, celulares, cobranças, contas e problemas pessoais, muita gente vai endurecendo por dentro sem perceber. E talvez seja justamente por isso que pequenos gestos de gentileza tenham se tornado tão valiosos.

Muitas vezes me pego imaginando como seria o mundo se a gentileza imperasse verdadeiramente no coração das pessoas. Um mundo onde o respeito, a educação, a paciência e a bondade fossem atitudes naturais no cotidiano. Não como algo forçado ou ensaiado, mas espontâneo, vindo da alma. E sempre que penso nisso, enxergo uma realidade mais leve, mais colorida e muito mais humana.

Um simples “bom dia” dado com sinceridade a um desconhecido na rua pode parecer insignificante para alguns, mas pode representar muito para quem o recebe. Talvez aquela pessoa esteja enfrentando uma luta silenciosa, carregando dores que ninguém imagina. Talvez esteja precisando apenas de um pequeno sinal de que ainda existe humanidade no mundo. Gestos simples possuem uma força extraordinária.

Quando alguém segura a porta do elevador para outra pessoa entrar; quando um motorista reduz a velocidade e permite que alguém atravesse a rua; quando uma pessoa cede lugar numa fila; quando alguém ajuda um idoso a carregar uma sacola; quando um jovem se levanta para oferecer assento a uma pessoa mais velha; quando uma criança sorri espontaneamente para alguém triste; quando alguém pega do chão um objeto que você deixou cair sem sequer conhecê-lo… tudo isso pode parecer pequeno, mas não é. São atitudes silenciosas que restauram nossa esperança nas pessoas.

A verdade é que o ser humano não precisa apenas de comida, dinheiro ou sucesso para viver bem. Precisa também sentir que é visto, respeitado e valorizado. E a gentileza tem exatamente esse poder: ela humaniza os relacionamentos, aproxima corações e quebra a frieza que tantas vezes domina a convivência moderna.

No fundo, o que muita gente deseja é simplesmente passar pela vida sem esbarrar o tempo inteiro na indiferença. Porque a indiferença machuca. O desprezo silencioso machuca. O egoísmo constante machuca. Há pessoas que carregam tamanha solidão emocional que um simples sorriso recebido num momento difícil pode mudar completamente o rumo de um dia inteiro.

Gosto muito de observar as pessoas. Talvez seja o olhar curioso de jornalista que nunca me abandonou. Em shoppings, aeroportos, supermercados, igrejas, praças, restaurantes, hospitais ou calçadas, fico atento aos pequenos detalhes do comportamento humano. Observo os casais, os pais com seus filhos, os idosos caminhando devagar, os jovens apressados, os trabalhadores cansados voltando para casa. E confesso que muitas vezes sou surpreendido pelas mais belas cenas de humanidade.

Um marido sendo extremamente atencioso e amoroso com a  esposa. Uma mãe limpando o rosto do filho com carinho. Um rapaz ajudando um cadeirante a atravessar a rua. Uma senhora dividindo seu guarda-chuva com alguém na chuva. Um desconhecido oferecendo ajuda sem esperar nada em troca. Quanto mais espontâneo é o gesto, mais bonito ele se torna. Porque a verdadeira gentileza nasce do coração e não do interesse.

Infelizmente, estamos vivendo uma época em que muitas pessoas se acostumaram a olhar apenas para si mesmas. Há quem passe por alguém caído na rua e siga adiante. Há quem trate mal garçons, atendentes, motoristas, idosos e trabalhadores humildes como se fossem invisíveis. Há quem tenha perdido a capacidade de ouvir, compreender e respeitar o próximo. Isso é triste. O mundo já possui violência demais, ódio demais, agressividade demais. Talvez esteja faltando exatamente aquilo que parece simples, mas é profundamente transformador: mais humanidade.

A gentileza não exige dinheiro. Não exige riqueza, posição social ou diploma universitário. Qualquer pessoa pode praticá-la. Um sorriso, uma palavra de incentivo, um abraço, um elogio sincero, um pedido de desculpas, um “com licença”, um “por favor” e um “muito obrigado” continuam sendo capazes de iluminar ambientes e aquecer corações.

E o mais interessante é que a gentileza faz bem também para quem a pratica. Pessoas gentis vivem mais leves. Alimentam menos ódio, menos amargura e menos ressentimento. Tornam-se instrumentos de paz em meio ao caos diário. E isso não passa despercebido diante de Deus.

Jesus Cristo, o maior exemplo de amor e bondade que a humanidade já conheceu, dedicou Sua vida justamente aos pequenos gestos de compaixão, acolhimento e misericórdia. Tratava com dignidade os pobres, os enfermos, os rejeitados e os pecadores. Demonstrava que ninguém é pequeno demais para merecer respeito e amor.

Talvez o mundo não mude de uma vez. Mas pequenas mudanças individuais podem transformar ambientes inteiros. Uma família mais gentil transforma um lar. Um professor gentil transforma alunos. Um patrão gentil transforma o ambiente de trabalho. Um governante gentil humaniza a política. Um cidadão gentil melhora sua cidade.

E talvez tudo comece exatamente assim: com um simples “bom dia” dito com sinceridade a alguém que Deus colocou em nosso caminho. Porque, no final das contas, são as pequenas gentilezas que tornam a vida verdadeiramente grande.

*Jornalista, Professor e Escritor

wilsonaquino2012@gmail.com

LEIVINHA (CRÔNICAS DA COPA)

LEIVINHA (CRÔNICAS DA COPA)

por Carlos Castelo –

Certos jogadores passam pelo campo. Outros passam pela vida da gente. Leivinha pertence à segunda categoria.
Na adolescência, quando o mundo ainda era um lugar provisório e os heróis moravam a poucos quilômetros de casa, eu o via entrar em campo com aquela leveza que parecia desafiar a gravidade. Tinha algo de pássaro em seus movimentos.

Os cronistas esportivos falavam de técnica, oportunismo, visão de jogo. Tudo isso era verdade. Mas me parece insuficiente. Estatísticas servem para analisar gols. Não servem para explicar encantamentos.

Leivinha conhecia atalhos secretos dentro do gramado. A bola vinha alta e ele já estava no lugar onde ela iria cair. O cruzamento surgia de repente e, antes que os zagueiros percebessem, sua cabeça encontrava a bola com a naturalidade de um encontro marcado.
Num tempo em que muitos atacantes avançavam como tanques de guerra, Leivinha era um poeta infiltrado entre os operários da bola. Talvez por isso tenha permanecido tão vivo na memória.

Os jogadores que admiramos quando adolescentes não envelhecem conosco. Ficam guardados numa espécie de cápsula. Continuam correndo para sempre em tardes de domingo, sob céus que já não existem.
Morre o homem. Mas o jogador que habitava a imaginação do menino continua intacto.

A notícia de sua morte me fez perceber algo curioso: uma parte da minha adolescência também recebeu o apito final.
Não apenas porque ele partiu. Mas porque certos ídolos funcionam como marcos geográficos da alma. Quando desaparecem, somos obrigados a revisitar o território onde os conhecemos.

Voltei então às arquibancadas da memória. Vi novamente o velho Palmeiras. Ouvi o rumor da torcida antes do jogo. Senti o cheiro do amendoim, da grama cortada, das tardes que eram intermináveis. E lá estava ele outra vez, usando a camisa verde que, aos meus olhos de garoto, tinha algo de uniforme mitológico.
Leivinha.
Nome de craque e de passarinho.
Hoje percebo que admirar alguém no futebol é uma forma disfarçada de aprender a sonhar. O adolescente que eu fui não queria apenas fazer gols nas peladas. Queria possuir aquela elegância, aquela facilidade diante das dificuldades, a capacidade de surgir onde ninguém esperava.

Os anos passaram. Vieram outros atacantes, outros campeonatos, outras glórias e decepções. Mas alguns jogadores não pertencem ao tempo, vivem mais na memória afetiva. E ela tem regras próprias. Não respeita certidões de óbito.
Por isso, enquanto os jornais registram que Leivinha morreu, alguma coisa dentro de mim insiste em desmenti-los.

Porque nesse exato instante ele continua correndo por um campo verde como a Academia, recebendo um cruzamento impossível, antecipando-se aos zagueiros e cabeceando para o gol.
E um menino, perdido em alguma tarde distante da década de 70, levanta os braços na arquibancada.

Esse menino ainda sou eu. E esse gol ainda não acabou de acontecer.

(Publicado no Crônicas da Copa)