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Bela Vista-MS Terça-Feira, 23 de Junho de 2026
Pelé antes da Copa de 1958

Pelé antes da Copa de 1958

(por Nelson Rodrigues) – 

“Depois do jogo América x Santos seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura que o meu confrade Laurence chama de ‘o Domingos da Guia do ataque’. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: – 17 anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de 40, custo a crer que alguém possa ter 17 anos, jamais. Pois bem: – verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se ‘Imperador Jones’, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: – ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.

O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: – a de se sentir rei, da cabeça aos pés.

Quando ele apanha a bola, e dribla um adversário é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônia. Já lhe perguntaram: – ‘Quem é o maior meia do mundo?’. Ele respondeu com a ênfase das certezas eternas: – ‘Eu’. Insistiram: – ‘Qual é o maior ponta do mundo?’ E Pelé: – ‘Eu’. Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção que ninguém reage e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.

Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompéia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar.

Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: – ‘Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!’

De certa feita, foi, até, desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe, ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta, sensacionalmente. Numa palavra: – sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para brilhar. Não existia uma defesa. Ou por outra: – a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompéia e encaçapou de maneira genial e inapelável.

Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, de certeza, de otimismo que faz de Pelé o craque imbatível.

Quero crer que a sua maior virtude seja, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés numa lambida docilidade de cadelinha.

Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível na formação de qualquer escrete.

Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e, mesmo, insolente de que precisamos. Sim, amigos: – aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau.

Por que perdemos, na Suíça, para a Hungria? Examinem a fotografia de um e outro times entrando em campo. Enquanto os húngaros erguem o rosto, olham duro, empinam o peito, nós baixamos a cabeça e quase babamos de humildade. Esse flagrante, por si só, antecipa e elucida a derrota. Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós”.

*Publicado em março de 1958 na Manchete Esportiva

A Copa do Mundo e a Cultura

A Copa do Mundo e a Cultura

Com toda certeza, a Copa do Mundo de Futebol é um evento que envolve não apenas a paixão pelo esporte das multidões, onde cada país participante arrasta milhões de
torcedores e também de turistas de todo o Planeta. Temos que reconhecer que a partir do ano de 1958 quando a Seleção Brasileira venceu pela primeira vez o torneio mais
importante do mundo futebolista, esse esporte passou a ter a importância que hoje ostenta com a movimentação de bilhões de dólares para sua organização.

Quando citamos a cultura num torneio de futebol mais importante do mundo, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, como também a população em
geral, acabam por enriquecer seus conhecimentos em diversas áreas do desenvolvimento humano. No setor demográfico por exemplo, uma música que caiu no gosto da
torcida brasileira no ano de 1970, enaltecendo nossa seleção, na sua estrofe inicial, assim registrava “ 90 milhões em ação, pra frente Brasil….” hoje, no ano de 2026 con-
tamos mais de 200 milhões.

Percebe-se por essa música o tamanho do crescimento populacional do país, representando cerca de 25%. Dados desconhecidos por muitos brasileiros, e que enriquece o
conhecimento de nossos estudantes no campo da estatística. O Brasil detém hoje o titulo de Penta Campeão Mundial de Futebol, e tal fato aguça a inspiração de nossos
compositores musicais na criação de hinos e sambas, municiando a indústria fonográfica no campo da economia, dando oportunidade de surgimento de novos talentos à
nossa música popular brasileira.

Desconheço o autor da alcunha “ Seleção Canarinho do Brasil”, mas, caiu como uma luva aos nossos craques da época, considerados os artistas do futebol, e que a partir
de então, foi levado aos cinco continentes do Planeta Terra com o toque de magia de um Pelé, um Nilton Santos, um Didi, que acabaram por difundir a prática desse espor-
te às nações mais pobres do Mundo, onde ano a ano têm revelado cada vez mais, jovens atletas. O Brasil ainda é um celeiro de craques, muitos exportados para os países
do primeiro mundo.

Mas é no campo político que o futebol encontra um terreno fértil, hoje temos ex-campeãos mundiais em vários cargos eletivos pelo país, inclusive um Senador da República
e diversos ministros de estados que já tiveram a oportunidade de ocupar uma importante cadeira no centro do poder. Desde os pequenos municípios brasileiros, cândida-
tos à prefeitos e vereadores, investem nas agremiações futebolistas de suas cidades, e,hoje vislumbrando uma carreira que possibilite fama e fortuna, os pais levam seus fi-
lhos para aprender a arte do futebol.

Existe hoje, uma imensa expectativa entre nós, os brasileiros, de que possamos alcançar o título de Hexacampeão Mundial, para tanto, confiamos no esquema adotado pe-

lo competente técnico e do desempenho de seus pupilos, e de nossa parte, nunca ficou de lado o slogan “temos que acreditar com muita fé, que Deus é Brasileiro” Amém
Amém”. Vamos nos preparar psicologicamente para comemorar a vitória hoje!

BENEDITO RODRIGUES DA COSTA
Economista

Leia Coluna Amplavisão: Programas sociais: refletem no bolso e nas urnas

Leia Coluna Amplavisão: Programas sociais: refletem no bolso e nas urnas

NAS URNAS: Qual será o peso dos programas sociais? Ocupamos o 23º lugar no ranking nacional: o Bolsa Família, com R$ 130 milhões para 192 mil famílias (500 mil pessoas). Nossa capital lidera com 13,4 mil famílias, Corumbá cm 9,7 mil, Ponta Porã 9,3 mil, Três Lagoas com 7,4 mil. Haverá mesmo conexão do estomago com o bolso?

DOLOROSO: Para os críticos, mero curral eleitoral. Sem discutir esse aspecto cito o exemplo do Maranhão (Sarney) com mais de 1 milhão de famílias (41% da população) dependentes dos programas sociais (Pé de Meia, Gás do Povo, Bolsa Família). Não por acaso – estados do norte e nordeste, vivem encabrestados pelo coronelismo, com nova roupagem (siglas).

PROJETO: Por aqui o PT sonha em reviver com Fabio Trad a epopeia de Zeca. Uma missão que conta com eventuais reflexos das ações sociais do Planalto e do desempenho do candidato Lula. Eleitoralmente o estado representa pouco no contexto nacional, mas o que conta ao menos é uma cadeira no senado.  Como se diz, vale ouro! Se vale!

A QUESTÃO:  As aprovações do Governo Lula e da candidatura de seu principal líder no estado, serão suficientes para derrotar o grupo adversário, representado pelo centro e direita? Hoje, todos os institutos de pesquisas apontam uma lenta tendência de crescimento do pré-candidato petista, mas ainda insuficiente para provocar o segundo turno.

MARATONA:  Apesar da idade, Lula demonstra disposição invejável para cumprir  compromissos oficiais: da Europa, Estados Unidos ao nosso interior.  O quadro político mostra que ele viajará ainda mais pelo país até as eleições. Na sua agenda nova visita ao Mato Grosso do Sul, na próxima quinta-feira para entrega de 1390 títulos agrários do Incra.

EXPECTATIVA:  Assessores parlamentares e jornalistas já se arriscam na medição do o potencial político de Dourados nestas eleições. Os prognósticos divergem, mas a maioria acredita no aumento de representantes na Assembleia principalmente. O sistema da ‘Federação’ ainda é uma incógnita em termos de avaliação do futuro desempenho dos pré-candidatos até agora.  Vigora o ‘achismo’.

DINÂMICA: Esse o melhor termo para definir a política como um todo. Sempre mudando. Dois exemplos atuais: Puccinelli e Junior Mochi disputando separados os votos em redutos onde sempre estiveram como parceiros e o caso do deputado Jamilson, disputando votos com o ex-conselheiro Jerson Domingos em várias cidades.

CAUTELA: Tem sido essa a postura – pelo menos nas declarações – dos candidatos quanto a previsão e dos gastos ao longo da campanha. Uns alegam dificuldades em avaliar com segurança; outros declaram estar esperando a definição dos critérios   adotados pela Justiça Eleitoral e os respectivos partidos. Tudo ainda muito obscuro.

SEGREDO: Dizem que não se deve acreditar piamente no que dizem os candidatos antes e depois das eleições no que diz respeito aos seus gastos. Existem duas vertentes: os gastos reais tidos como ‘segredos de estado’ – e aqueles gastos formais como mandam as regras e instruções da justiça. Entre ambas, a diferença costuma ser enorme. Não se elege apenas com prestígio pessoal.

MUDOU? Entre hoje e antigamente os parâmetros de gastos dos candidatos mudaram. Influência da nova postura de parte do eleitorado; das novas regras e da realidade sócio econômica. No passado, os excessos eram tidos como normais e imperava um ditado inconsequente: o que vale é ganhar – dívida a gente resolve depois.

SAUDADE?  Sobre o assunto, políticos da época do antigo Mato Grosso lembram do socorro que o extinto BEMAT (Banco do Estado do Mato Grosso) prestava aos deputados. A adoção de promissórias era pratica habitual com direito as prorrogações de vencimento a juros camaradas.  Banco estatal como braço político não sobrevive.

INCÓGNITA: No saguão da Assembleia, jornalistas e assessores questionavam o futuro político do deputado Catan, caso sua candidatura não prospere nos parâmetros aceitáveis. Para um repórter, ‘ teria faltando-lhe um bom eonselheiro” – para outro ‘ele teria dificuldade de formar um grupo político após as eleições para disputar a prefeitura da capital. ’

MARCELO BERTONI: Marquem bem esse nome que hoje comanda com a poderosa Famasul. Neste recente episódio do conflito agrário em Sidrolândia, Bertoni demonstrou a serenidade exigida na busca da segurança jurídica e a proteção à vida das pessoas. Avesso a promoção pessoal, ele vai conquistando espaço e admiração.

EDUCAÇÃO:  Desafio dos municípios que arcam com transporte e merenda e outros valores adicionais num estado de municípios enormes. A União doa ônibus, mas isso não basta; o desgaste é enorme pelas longas distancias e estradas de terra. Esse quadro prejudica o aprendizado dos alunos que levantam de madrugada para esperar o ônibus e com sono acumulado não tem o aprendizado ideal. Dormem em classe.

JUNIOR MOCHI:  O deputado levantou o problema na Assembleia e foi apoiado por colegas na busca de solução. Uma das sugestões; adotar a jornada integral de aulas por 3 vezes por semana, resultando numa economia de 40% dos gastos. Em apoio, o deputado   Kemp lembra que o município é o responsável pela educação, desde o infantil a 5ª série.

CORAJOSA: Não é de hoje que o Consórcio responsável pelo transporte público de passageiros da capital comete abusos. Finalmente agora, a administração ´pública ousou peitar de vez o sistema que só visa lucros, em prejuízo ao município. A opinião pública está apoiando a prefeita Adriane Lopes na esperança de mudanças. Os primeiros sinais tem sido positivos.

NA TRIBUNA: Reinaldo Azambuja vai solidificando sua postura partidária com críticas ao Governo Federal. Nesta semana ele denunciou o crescimento da dívida pública, os juros elevados e a situação fiscal do país. Reinaldo pede reformas estruturantes e redução da maquina pública. Esqueceu de pedir ao presidente que gaste menos em viagens ao exterior.

REFLEXÃO:  O verdadeiro legado emocional da Copa não está necessariamente nas vitorias ou derrotas dentro de campo, mas nas experiências construídas ao redor delas. O impacto psicológico mais importante está na capacidade de aproximar pessoas, estimular encontros, gerar conversas, criar memórias afetivas e fortalecer vínculos humanos. Muito além do futebol, a Copa é uma celebração do pertencimento humano.”  (Dra. Mariana Ramos – professora de psicologia)

PILULAS DIGITAIS:

O futebol é uma das poucas coisas que unem um país dividido. (Mandela)

É melhor vencer todo dia do que ganhar de goleada de uma vez só.

Mordomia é tudo que o dinheiro – do contribuinte – pode comprar. (Millôr)

Tenho forte suspeita de que os aliens já estão entre nós. (Steven Spielberg)

Na política e no futebol importam os resultados práticos, não as promessas.

Quando a última árvore for cortada e o último rio envenenado, você vai perceber que o dinheiro não alimenta. ( Joyce McLean)

No Brasil, a política se resume em não deixar a onça com fome, nem o cabrito morrer. (Stanislaw Ponte Preta)

O diabo é um otimista, se acha que pode tornar as pessoas piores do que já são. (Kari Kraus)

A equação do drible tem atalhos que a matemática não explica. (Luiz C. Oliveira)

 

 

 

 

 

 

Uma história de sucesso: Por Rosildo Barcellos

Uma história de sucesso: Por Rosildo Barcellos

Por trás de cada olhar, certamente existe uma história que ninguém conhece … mas que a maioria se acha capaz de julgar. Por isso somos pássaros cativos numa noite sem luar. A forma alada que somente a música pode alcançar. E nesse diapasão considero que a música sertaneja tenha surgido em 1929 seguindo as ações de Cornélio Pires que gravava “causos” e fragmentos de cantos tradicionais rurais da região cultural caipira

Assim a dupla, João Haroldo e Betinho, incorpora o elemento estilístico de gênero disseminado pela indústria musical, embora não esqueçam da roupagem e o conteúdo temático da verdadeira música sertaneja fazendo com que o tradicional e o moderno coexistam harmonicamente. O repertório que fala de amor e de corações dilacerados, mas também trazem a esperança de que um dia aquele amor que foi embora, possa voltar, e reveja seus conceitos de felicidade, com gratidão, humildade, carinho com o ser humano e esperança, cheios de poesia.

Com as informações do próprio Betinho, que o encontrei  essa semana,  no município de Dois Irmãos do Buriti, a história de João Haroldo & Betinho começou de forma simples e genuína na cidade de Jardim, Mato Grosso do Sul. Foi durante uma visita familiar que Betinho conheceu João Haroldo, que se apresentava com amigos em um tradicional bar da cidade. Naquela mesma noite, os dois dividiram o palco improvisadamente e descobriram uma forte afinidade musical, dando início a uma amizade que mudaria suas vidas.

Alguns meses depois, João Haroldo mudou-se para Campo Grande para dar continuidade aos estudos. Por intermédio de uma amiga em comum, os dois voltaram a se encontrar e decidiram transformar a amizade em parceria musical. Assim nascia oficialmente a dupla João Haroldo & Betinho.

A estreia aconteceu em 14 de fevereiro de 1997, em Campo Grande (MS), marcando o início de uma trajetória de sucesso que conquistaria milhares de fãs em todo o Mato Grosso do Sul e em diversas regiões do Brasil.

Em seus primeiros anos de carreira, a dupla destacou-se pela autenticidade, carisma e forte identidade sertaneja. A primeira gravação aconteceu através da música “Anjo”, regravação da dupla Felipe & Falcão, lançada em uma coletânea de artistas sul-mato-grossenses.

No ano 2000, João Haroldo & Betinho gravaram seu primeiro CD ao vivo, projeto que se tornou um marco na carreira da dupla e um dos pioneiros do gênero no Brasil. O trabalho trouxe sucessos como “Coração Idiota”, “Cai na Real”, “Pode Voltar Paixão” e “Hoje Não é Nosso Dia”, alcançando expressiva repercussão e consolidando a dupla como uma das grandes referências da música sertaneja regional.

Após uma trajetória de grandes conquistas, a dupla encerrou suas atividades em 2011, quando ambos decidiram seguir projetos individuais. Entretanto, o carinho do público e a paixão pela música mantiveram viva a conexão construída ao longo dos anos.

Em 2016, João Haroldo & Betinho retornaram aos palcos com uma proposta renovada, mais experiência, maturidade e o mesmo compromisso de emocionar o público através da música sertaneja de raiz e romântica. O reencontro marcou uma nova fase na carreira da dupla, reafirmando sua relevância no cenário musical.

Atualmente, João Haroldo & Betinho seguem levando sua música para eventos, feiras, rodeios, festas tradicionais e grandes shows, mantendo viva a essência que conquistou gerações de fãs. Com um repertório que une clássicos da carreira, grandes sucessos do sertanejo e novos projetos autorais, a dupla continua escrevendo sua história com autenticidade, talento e paixão pela música.

Num momento de efervescência musical, com a explosão do conhecido sertanejo universitário, se faz necessário um resgate do gênero sertanejo, buscando mostrar as influências e as contribuições da música raiz, da música que tem letra e história pra contar, que são os estilos que se consolidaram ao longo da história, e ao meu ver é esse o grandioso destino da dupla.

*Articulista

A memória d’O Pasquim Sul está viva!  Por Flávio Braga

A memória d’O Pasquim Sul está viva! Por Flávio Braga

No início dos anos 80, eu morava no Rio de Janeiro, trabalhando como roteirista de cinema e peças de teatro – muitas delas proibidas pela censura -, mas sentia saudades da amada Porto Alegre. Durante este período, na capital gaúcha, grupos de amigos mais liberais se reuniam em locais variados. Dentre eles, o Chalé da Praça XV, um belo bar e restaurante onde artistas e militantes se encontravam. De mesa em mesa, de mãos em mãos, circulava o jornal O Pasquim, editado, no Rio de Janeiro por corajosos heróis da sátira jornalística brasileira.

Durante aquela década, surgiu a informação de que o periódico iria expandir-se por outros estados, criando entre os gaúchos o desejo de participar dessa gloriosa iniciativa. Rodas no bar Chalé, com Marcos Klassman e Glênio Peres, dentre outros, sonhavam com o Pasquim Sul. Porém, os dias foram passando e os compromissos pessoais preenchendo as agendas, tornando o desejo cada vez mais distante.

Foi quando resolvi tomar a iniciativa. Visitei a redação d’O Pasquim, ali na Rua da Carioca, buscando a chance de criar a versão regional do melhor jornal satírico do país. Na época, tinha 31 anos e era leitor assíduo do Pasquim desde a adolescência. Emocionalmente tomado, me declarei Pasquim-maníaco para o Jaguar, um dos fundadores do semanário, e ele aceitou a minha proposta.

Retornei para Porto Alegre em 1983 com um documento que autorizava a criação do Pasquim Sul. A partir daí, iniciei uma nova batalha. Levei quase dois anos inteiros para conseguir estrutura suficiente para lançar o jornal. E só consegui porque encontrei Carlos de Noronha Feio, um português articulado que conhecia as manhas do poder. Além dele, consegui o auxílio de Coi Lopes da Almeida, jornalista com o perfil ideal para um jornal satírico.

Daí em diante foi uma campanha que durou quase dois anos. Apesar da luta contra o reacionarismo e outros problemas típicos, tudo estava indo bem. Tínhamos público e anunciantes de peso, pelo menos no início do projeto.

A publicação sulista d’O Pasquim resistiu por 60 edições. Da primeira à última página, conseguimos manter de pé o tradicional tom crítico e autêntico da marca. Na reta final, porém, os anunciantes já não queriam dividir espaço com nossas farpas contra autoridades expoentes da época, sobretudo o presidente de momento, José Sarney, que inclusive ilustrou a nossa última capa. Tanto é que, nessa edição final, só havía quatro anunciantes expostos nas 20 páginas da publicação.

Isso, porém, não apaga em nada o projeto. Pelo contrário, aliás. Foi uma experiência esplêndida, de jornalismo e de relacionamento político e cultural. Muitos cartunistas e autores começaram conosco naquele período e são referência até hoje. A história merece outro tratamento – quem sabe não um livro? Fico feliz que, com o projeto de digitalização, as edições gaúchas estejam novamente disponíveis e agora acessíveis, por meio da Biblioteca Nacional, para um público muito maior. Valeu a pena!
*Flávio Braga é escritor, com 14 livros publicados pela editora Record, dramaturgo e roteirista gaúcho, que vive no Rio de Janeiro há 34 anos e foi o diretor responsável pela franquia Sul d’O Pasquim nos anos 80

A Retomada de Corumbá: Por Rosildo Barcellos

A Retomada de Corumbá: Por Rosildo Barcellos

Indubitavelmente, torna-se difícil entender a história de Mato Grosso do Sul sem prescrutar as nuances da “Guerra do Paraguai”. As repercussões culturais que a “Guerra da Tríplice Aliança” exercem sobre a formação do estado são  fortes e presentes, até porque temos obras que testemunham este olhar para o passado. Foi em Corumbá, num primeiro momento o local aonde desembarcaram riquezas e pessoas; porquanto ao final, vieram a auxiliar a construir o Mato Grosso do Sul, conforme conhecemos hoje. Cidade estratégica, econômica, política e militarmente, a Cidade Branca acabou sendo uma dos municípios que primeiro tombaram, diante do avanço das tropas paraguaias mobilizadas por Francisco Solano Lopez.

Mormente em 1867, o presidente da província de Mato Grosso, Couto Magalhães, decidiu pela retomada do território para o Império Brasileiro e iniciou os preparativos militares, elaborando a estratégia das operações, que ficou sob o comando do então Tenente Coronel Antônio Maria Coelho. No dia 15 de maio de 1867 teve início a ação militar para a “Retomada de Corumbá” com a partida das tropas do Porto de Cuiabá, acampando nas proximidades da cidade supramencionada às 18 horas do dia 12 de junho.

Já na madrugada do dia 13, a tropa toma rumo norte, caminhando confiante, pelas margens do rio Paraguai, já respirando o ar da vitória. Depois de 25 quilômetros de marcha, param os soldados nas proximidades da vila de Corumbá, para observação e plano tático de seus comandantes. Pouco depois do almoço começam os ataques em pontos distintos, que duraram até o anoitecer. As tropas brasileiras perderam ao todo nove homens, dentre os quais, o Tenente Manoel de Pinho e o capitão Cunha e Cruz. Outros 27 homens ficaram feridos. Foram aprisionados 27 paraguaios, do total de uma tropa de 200 homens, que havia se instalado em Corumbá.

Finalmente reconquistada, e com o objetivo de que ali fosse plenamente restabelecido o poder imperial, segundo vários relatos históricos, foram construídos então cinco fortes: Limoeiro, Junqueira, Conde D’Eu, Duque de Caxias e Major Gama. A denominação Junqueira reverencia o então ministro da Guerra, Doutor João José de Oliveira Junqueira, justamente quem deu a ordem para construir a fortificação. Construído entre 1871 e 1872, após o término da Guerra do Paraguai, o Forte Junqueira foi idealizado como estrutura de defesa estratégica em uma região de fronteira. Com suas paredes espessas de pedra calcária e uma série de canhões ingleses voltados ao rio, o espaço nunca chegou a ser usado em combate, mas cumpriu seu papel de proteção e presença militar no território. Tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 2014, o forte é um dos principais patrimônios históricos do estado.

De tudo que comentei, ainda lembro que o Tenente Coronel Antônio Maria Coelho, teve seus restos mortais descansando na Praça da Independência sob célebre estátua, enquanto que os restos de Cunha e Cruz repousam no Cemitério Santa Cruz, juntamente com suas filhas: Maria do Carmo (Sinhá) e Florisbela (Yáiá). Ainda tive a oportunidade de Conhecer Sátiro Coelho, na época, aos 93 anos (descendente direto) residindo no distrito de Albuquerque. Isto mostra, que mais do que belezas naturais e animais exóticos Corumbá tem viva a sua história, no rosto de cada cidadão e isto mais do que nunca, deve ser preservado assim como, os ideais de liberdade, ordem e progresso: definitivamente revividos.

 

*Articulista