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Bela Vista-MS Sábado, 08 de Agosto de 2026
Devocional: Café com Propósito

Devocional: Café com Propósito

TEMA: SÓ DEPENDE DA SUA DECISÃO!

LEITURA BÍBLICA

[2 Pedro 3:18 | NTLH] ¹⁸, porém continuem a crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Glória a ele, agora e para sempre! Amém!

REFLEXÃO

O apóstolo Pedro nos orienta que estagnação não faz parte da vontade de Deus. A vida cristã é movimento, desenvolvimento e transformação contínua. Hoje quero deixar quatro lições para você crescer no relacionamento com o Pai.

Primeiramente, invista na sua mente: entenda que seu desenvolvimento espiritual não ocorre de forma instantânea, nem por meio de fórmulas religiosas ou rituais feitos por pessoas. É necessário direcionar seu coração para Deus; quando a glória do Pai se revela, o que parece impossível se torna possível.

Em segundo lugar, abra mão da sua vontade pessoal: até que sua vontade esteja entregue ao Pai e alinhados ao propósito dEle. Sua vida espiritual não pode ficar estagnada enquanto estiver focada apenas em você; a direção sempre estará equivocada.

Em terceiro lugar, ative a sua fé: siga as orientações do Espírito Santo e não hesite em avançar, pois Ele nunca te abandonará nos caminhos que Ele mesmo designou para você.

Em quarto lugar, carregue a sua Cruz: Jesus disse: “se alguém quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua Cruz e siga-me”. Caminhar com Deus é magnífico, mas exige renúncia, esforço, perseverança e determinação, porque nada que se opõe pode se igualar ao que vem do alto.

Querido(a) leitor(a), você foi criado para viver um relacionamento pleno, sem orfandade. Muitos desejam resultados espirituais, mas poucos estão dispostos a investir no processo. Crescer pode ser doloroso, requer disciplina e um confronto interno. Sua presença neste mundo não é como a de um órfão em um lar abandonado. “Você foi retirado da morte para viver a vida eterna em Cristo Jesus”.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Trabalhe a mente: alinhe pensamentos com a verdade de Deus

Renuncie a própria vontade: submeter-se ao propósito do Pai;

Desperte a sua fé: confie e obedeça mesmo sem entender tudo;

Tome a sua cruz: viva uma vida de entrega e perseverança.

🙏 ORAÇÃO

Senhor, eu decido crescer em Ti. Não quero permanecer no mesmo lugar espiritual. Ajuda-me a viver com intencionalidade, buscando a Tua graça e o Teu conhecimento todos os dias. Dá-me força para renunciar o que precisa ser deixado e coragem para obedecer a Tua vontade. Que minha vida reflita crescimento, maturidade e intimidade contigo. Em nome de Jesus, amém.

Seminarista Teologia: Márcio Santos Fuchs

Leia Coluna Amplavisão: No ar, o velho discurso de ‘servir’

Leia Coluna Amplavisão: No ar, o velho discurso de ‘servir’

DISCURSOS-1: Ouvi vários deles nestas convenções. Mais iguais do que diferentes. A tendência é de aprimoramento ao longo da campanha, pois quem domina a melhor narrativa pode convencer o bloco dos indecisos. Nestes novos tempos, os candidatos devem misturar propostas lógicas com os conhecidos e eficientes apelos emocionais.

DISCURSOS-2: Com eles, os candidatos tentam criar laços afetivos com o eleitor, usando uma retórica que sensibiliza. Em todas as falas, é notória a estratégia do convencimento; enaltecem a abnegação e a vontade de servir sem ambição pessoal. Todos, primam pela tentativa de passar a imagem de altruístas e patriotas.

A PROPÓSITO: A mídia tem publicado a evolução patrimonial da maioria dos nossos candidatos, o que nos leva a desconfiar e até questionar do propalado altruísmo. Mais do que contradição, a realidade financeira deles pode ser considerada uma afronta em relação a situação econômica da população. Patriotismo talvez? Papo que não cola!

VEJA BEM: O sociólogo Max Weber dividiu os agentes políticos em dois grupos. O primeiro, chamado de Viver “para” a política – quando se tem a atividade política como missão, causa ideológica ou serviço à sociedade. O segundo grupo é do Viver “da” política –  quando a atividade política se torna principal fonte de renda e meio de vida do cidadão.

‘OS PROFISSIONAIS’: (Lembra título de filme) – Embora não seja tipificada como profissão formal, é uma atividade abraçada em todo o mundo pela chamada e notória profissionalização da política. E ela – não fica restrita aos que e exercem mandatos eletivos – atinge a todos do ‘entorno’ – aqueles que exercem trabalho de assessoria.

‘LONGEVOS’: Sarney lidera com 50 anos de mandato (iniciou em 1959), seguido por Atila Lins (PSD-AM) com 9 mandatos na Câmara Federal; Aécio Neves e Arlindo Chinaglia com 8 mandatos. Aqui temos Londres Machado no 13º mandato, dois deles ainda no Mato Grosso. Sem discriminar, todos têm algo em comum. De leve…

MORDIDAS: Os pedidos de eleitores aos candidatos variam. Na lista alguns itens em sintonia com os novos tempos e desejos. Destaque para as injeções de emagrecimento, patinetes, patins, implantes dentários, quitação do IPVA, IPTU e pensões alimentícias atrasadas, taxas de condomínios e harmonização facial.

TABULEIRO:  Opiniões não faltam quanto o destino da maioria dos votos, antes endereçados ao senador Nelsinho. Algumas delas sem conhecimento de ‘campo’, outras manchadas por interesses diversos. Conclusão; somente após as primeiras pesquisas – confiáveis – é que se terá uma avaliação do novo quadro para o Senado.

APOSTAS: Os eleitores que apoiavam Nelsinho vão escolher entre Contar, Reinaldo e Contar baseados em quais critérios? Seria por questão partidária, ideologia (direita, centro e esquerda) qualificação pessoal ou outros fatores conectados com as eleições de 2026. Aliás, essa escolha passa também por reivindicações de prefeitos e vereadores.

OPINIÃO:  Segundo Vander, pesaria a seu favor a ‘questão de identidade’ com o eleitor de Nelsinho. O petista ainda destaca a convivência pacifica com lideranças municipais interioranas (principalmente) ligadas ao senador do PSD e que não vê barreiras contra esses apoios. Com o favoritismo de Lula, Vander quer capitalizar esse fato a seu favor.

REINALDO: Há tempos planta sementes do municipalismo pelo estado afora. Mesmo sem mandato, é protagonista respeitado. Conectado com o Governo Estadual mantem laços com prefeitos e vereadores. Ao seu lado, um batalhão de deputados e candidatos à Assembleia e Câmara. Um ‘animal político’ que quer se beneficiar com a decisão de Nelsinho.

CONTAR: Ao seu estilo sem rodeios volta com o discurso ideológico da direita. Nas suas manifestações, prega a necessidade de conquistar 54 cadeiras (dois terços) do Senado para promover o impeachment de ministros do STF. Em nosso estado conservador, (vide pesquisas), suas propostas encontram apoio. Ele representa bem o descontentamento com o Governo Lula.

NA CARONA: Vale mais uma vez abordar a questão relacionada aos candidatos  a deputado estadual, notadamente, que podem se beneficiar das regras e conquistar uma cadeira com poucos votos. No MDB – por exemplo – a expectativa otimista é que Puccinelli supere os 60 mil votos – com o partido elegendo 3 candidatos ou mais.

TUCANOS: Quem imaginava que o PSDB ficasse ‘depenado’ também no Mato Grosso do Sul se enganou. Fiel escudeiro do Governo Riedel, o deputado Pedro Caravina reestruturou a sigla e montou um bom time para essas eleições. Após uma análise dos nomes de partidos e federações, ele vaticina: ‘elegeremos 4 ou mais deputados estaduais”.

REPRISE:   Muitos vereadores do interior de olho nas eleições municipais, são candidatos a deputado. É o discurso de eleger um deputado da terra contra os ‘paraquedistas’. Mas isso nem sempre funciona. Chapadão do Sul, por exemplo, com 23 mil eleitores conta com 4 candidatos à Assembleia Legislativa.  Vai faltar eleitor!

CAFÉ NO BULE: Repito; impressiona a capacidade de se reinventar politicamente do deputado Lídio Lopes. Comandando o Avante no estado, ele mais uma vez surpreende ao lançar 32 candidaturas em aliança como PL, PP, União Brasil, PSDB, MDB e Republicanos. O escritor Augusto Cury é o nome para o Palácio do Planalto.

EXPECTATIVA:  Assessores e observadores na Assembleia tem uma pergunta em comum: como será o mote de campanha do deputado João Catan? Outros exemplos já provaram; manifestações calcadas apenas em críticas e meios afins não agradam e não tem guarida no cidadão comum. Espera-se propostas viáveis com a nossa realidade.

PREVISÃO: “A vitória de Trump (2024) não é o fim do mundo. É o início de uma nova ordem que, por imprevidência nunca imaginamos. Como tudo na vida, vai nascer, evoluir e depois ser substituída, embora não saibamos quando. A única coisa certa é que o Brasil nada tem a ganhar e tem tudo a perder como esses novos tempos”. (Roberto Brandt – ex-ministro de FHC)

PILULAS DIGITAIS:

Você contra ou a favor da legalização da corrupção? (Millôr Fernandes)

A poesia e o nada: “se o nada desaparecer, a poesia acaba”. (Manoel de Barros)

É bem melhor pensar sem falar do que falar sem pensar. (Jô Soares)

O brasileiro só tem três problemas: café, almoço e jantar.  (Chico Anísio)

Nostalgia é mais insatisfação com o presente do que saudade do passado. (Boni)

Tenho notado que todas pessoas a favor do aborto já nasceram. (Ronald Reagan)

A política é arte de pedir votos aos pobres, dinheiro aos ricos e mentir a ambos. (Antônio Ermírio de Moraes)

A mulher abre o negócio, tem seus filhos, cria os filhos e se sustenta, tudo isso abrindo o negócio. (Dilma Roussef)

Devocional Café com Propósito

Devocional Café com Propósito

TEMA: AVIVAMENTO: DO CENÁCULO ÀS NAÇÕES

LEITURA BÍBLICA – 

[Atos 2:1 | NTLH] ¹ Quando chegou o dia de Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar.

REFLEXÃO

 Você está permitindo que o Espírito Santo atue em sua vida? Muitos de nós tentamos construir uma vida cristã baseada em emoções, aparências religiosas ou experiências passageiras. A jornada cristã requer progresso. Contudo, frequentemente, o maior obstáculo não está nas circunstâncias; não basta somente ouvir o sussurro suave do Espírito de Deus, é necessário colocar em prática. A edificação de uma vida em Cristo não ocorre de forma instantânea; é um processo contínuo que demanda decisões diárias. “Na perseverança, não se explica o processo, mas se vive a transformação.”

 “Antes do fogo, houve silêncio. Antes da glória, houve joelhos no chão. O Espírito se manifesta onde existem corações alinhados, e a oração transforma simplicidade em maturidade espiritual.” O Pentecostes não se iniciou com vento forte ou línguas de fogo; começou com pessoas reunidas, perseverando em oração. O versículo é claro, mas possui uma profundidade espiritual imensa: unidade, persistência e dependência de Deus. O Senhor se revela nas decisões silenciosas, na constância quando o coração esfria, na fidelidade quando ninguém observa. “A porta fechada e os joelhos dobrados abrem o caminho para o céu.”

Seminarista Teologia: Márcio Santos Fuchs

 Caro(a) leitor(a), muitos anseiam pelo sobrenatural, mas poucos reconhecem a importância do processo que o precede. Antes da manifestação do Espírito, houve dias de busca, renúncia e intimidade. A oração, muitas vezes simples e silenciosa, é o espaço onde Deus molda o coração. É ali que Jesus transforma nossa fé infantil em maturidade espiritual. O que começa com palavras simples se torna comunhão profunda, quando nos colocamos em sua presença; Ele pega nossa simplicidade e a transforma em autoridade espiritual. “Deus não busca perfeição, mas sim disposição.”

 APLICAÇÃO PRÁTICA

 Separe um tempo diário para oração, mesmo que simples;

Valorize o secreto, é nele que Deus gera crescimento;

Persevere, mesmo quando não sentir nada.

ORAÇÃO

 Senhor, ensina-me a valorizar a oração. Mesmo quando minhas palavras forem simples, que meu coração esteja totalmente rendido a Ti. Leva-me a um nível mais profundo de intimidade contigo. Transforma minha simplicidade em maturidade espiritual. Que eu esteja preparado para viver o Teu mover. Em nome de Jesus, amém.

Seminarista Teologia: Márcio Santos Fuchs 

 

O que José ensina sobre ser Pai de Verdade: Por José Expedito

O que José ensina sobre ser Pai de Verdade: Por José Expedito

Ao aproximar-se o Dia dos Pais, meus 70 anos de vida e 40 de jornalismo apontam para a urgência de escrever sobre o que permanece e transcende os tempos: A Paternidade Responsável. O cenário atual impõe desafios sem precedentes. Vivemos na era da hiperconectividade, do esgotamento físico e mental e da superficialidade dos afetos. E a resposta a esses desafios não está nas tendências modernas, mas no silêncio ativo de José, o pai terreno de Jesus, modelo adequado para os dias de hoje.

O primeiro grande desafio da atualidade é o ruído de comunicação. Somos bombardeados por estímulos, telas e cobranças que nos afastam do convívio diário em família. José, o esposo de Maria, nos ensina justamente o oposto: o poder da presença silenciosa e sábia. Os Evangelhos não registram uma única palavra dita por ele. Sua paternidade não foi feita de discursos, mas de gestos, proteção e amparo real. Em um mundo onde todos gritam para serem ouvidos, o pai atual precisa aprender a virtude de calar para escutar as angústias, as dores, os medos e os sonhos de seus filhos e filhas. A autoridade paterna, hoje, não se impõe pelo grito, mas pela consistência do exemplo e do abraço acolhedor.

Outro grande desafio é a instabilidade econômica e social, que gera ansiedade crônica nas famílias. Aqui, vale lembrar que José enfrentou crises agudas, desde a incompreensão inicial, a falta de abrigo em Belém até a fuga desesperada para o Egito, para salvar o recém-nascido da fúria de Herodes. Ele foi um refugiado, um trabalhador braçal que conheceu de perto a incerteza do amanhã. No entanto, sua postura foi de uma responsabilidade criativa. José não se vitimizou diante das adversidades, mas agiu com muita coragem e uma fé prática. Para o pai atual, sufocado por pressões econômicas e incertezas profissionais, fica o ensinamento de que prover vai além do dinheiro. Significa ser o porto seguro emocional e espiritual da casa, mantendo a calma quando as tempestades do mundo ameaçam desabar sobre o lar.

A paternidade também exige flexibilidade para lidar com o novo. José planejava uma vida tranquila como carpinteiro em Nazaré, mas os planos divinos mudaram seu destino. Ele teve a grandeza de acolher o mistério, de aceitar uma missão que estava além da sua compreensão humana. Hoje, os pais sofrem ao perceber que os filhos trilham caminhos diferentes dos idealizados por eles. O modelo de José nos convida a desapegar do controle egoísta e a educar para a vida e a liberdade responsável, apoiando cada filho ou filha em sua vocação, com paciência e amor incondicional.

Nessa encruzilhada de gerações, percebo que a tecnologia mudou as ferramentas, mas a alma humana continua necessitando das mesmas referências afetivas. Ser pai no século XXI é um ato de resistência diária contra o distanciamento. É escolher guiar pelo afeto em vez da ausência, e pela firmeza com mansidão em vez da omissão.

Que a figura justa, operária e protetora de José inspire cada pai a assumir seu papel de guardião do lar, deixando seu melhor legado nesta vida: o amor de um pai, quando moldado na fé, no trabalho honesto e na presença ativa, tem o poder de salvar o futuro de um filho.

“Não tenho maior alegria do que ouvir dizer que meus filhos caminham na verdade” (3 Jo 1,4).

* José Expedito da Silva é jornalista e comentarista no “Café da Manhã”, jornal diário da Rádio Canção Nova.

Devocional Café com Propósito

Devocional Café com Propósito

TEMA: PEQUENOS GESTOS COM FÉ GERAM GRANDES COLHEITAS NO REINO

LEITURA BÍBLICA   

[Gálatas 2:20 | NVI] ²⁰ Estou crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

REFLEXÃO – Iniciamos este devocional com uma palavra liberada para nossas vidas através do Apóstolo Paulo; liberar palavras é sentenciar a presença e vida de Deus é dar autoridade a Glória de Pai entregue a cada um de nós. No antigo testamento a ênfase está na Presença; e no Novo está na Vida. Porém, e na verdade, presença e vida são inseparáveis. A presença de Deus carrega sua própria vida e essa vida não é comum, Jesus não morreu para que nossas vidas sejam de forma morna ou arrastada por uma verdade. Ele nos deu total acesso a vida eterna. “A glória se revela para que você escolha entre o comum e o eterno”.

 A glória de Deus não nos chama para uma vida comum, mas para uma vida rendida. Pois quando Cristo vive em nós, até os pequenos gestos deixam de ser naturais e passam a carregar peso eterno. Jesus sentiu dor, foi mal tratado, castigado, o seu corpo obteve várias cicatrizes, mas estas cicatrizes não foram peso de dor, foram peso de glória, de vitória. Se temos acesso ao sobrenatural, para que vivermos atras do comum? A resposta está no preço. “A moeda do Reino é renúncia”.

 Querido (a) leitor, Deus deixou uma mensagem clara e objetiva: “Quem não abandonar a própria vida por Amor a ao Filho, não é merecedor dEle. Um coração transformado por Cristo entende que não precisa de grandes palcos para produzir grandes resultados. No Reino de Deus, o invisível antecede o extraordinário. A Glória não vem apenas para nos confortar, contudo para nos confrontar. E é por isso que a palavra fere, revela e transforma.  “Quem vai habitar em você? a sua vontade ou a vida de Cristo.”

 APLICAÇÃO PRÁTICA

 Renuncie diariamente, aquilo que impede Cristo de viver plenamente em você;

Seja fiel no pouco, sabendo que Deus gera crescimento no invisível;

Escolha o eterno, mesmo quando o comum parecer mais fácil.

 ORAÇÃO

 Senhor, eu entrego minha vida completamente a Ti. Que o meu “eu” diminua e que Cristo cresça em mim. Ensina-me a valorizar os pequenos gestos de fé, sabendo que cada um deles tem impacto no Teu Reino. Que minha vida não seja comum, mas cheia da Tua glória. Em nome de Jesus, amém. 

 Seminarista Teologia: Márcio Santos Fuchs

Milei e os ataques à dignidade: Por  André Naves

Milei e os ataques à dignidade: Por  André Naves

Uma cena se repete nas ruas de Buenos Aires. Filas quilométricas diante das sedes da ANDIS — a agência nacional de deficiência da Argentina. Pessoas com deficiência, familiares, cuidadores, esperam horas para reivindicar o que lhes foi tirado: o benefício mensal que, para muitos, era a única fonte de renda para comer, morar, comprar medicamentos, pagar transporte adaptado. O benefício valia cerca de duzentos dólares. Mais de cem mil pessoas o perderam. Por decreto.

O presidente Javier Milei chegou ao poder brandindo uma motosserra. A metáfora nunca é neutra. Quando se empunha uma motosserra contra o Estado, corta-se carne viva. E a carne que sangra primeiro é sempre a dos mais vulneráveis. “A mais barata…”, como canta Elza Soares.

Segundo a Associated Press, os cortes em programas de terapia especializada afetam cerca de 5 milhões de pessoas na Argentina. Mais de 100 mil já perderam integralmente o benefício mensal de invalidez — dos 1,1 milhão de beneficiários que recebiam aproximadamente 200 dólares. O governo voltou ao critério medicalizado de “capacidade de trabalho” para avaliar quem merece ou não o benefício — exatamente aquele paradigma que a Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pela própria Argentina em 2008, havia superado. Centros reduziram horários. Alguns pararam de servir refeições. Outros fecharam as portas. Medicamentos atrasam. Terapias são interrompidas.

O Congresso argentino reagiu. Ambas as casas derrubaram o veto presidencial à Lei de Emergência em Deficiência. No Senado, o placar foi de 63 a 7. Era a primeira vez em mais de vinte anos que um veto presidencial era superado na Argentina. Milei, porém, travou a implementação da lei, argumentando que seu impacto fiscal — cerca de 0,35% do PIB — ameaçaria o superávit. A matemática é reveladora: 0,35% do PIB é preço demais para a dignidade de milhões. Mas o superávit só pesou sobre as vidas que ele ignora.

O que se vê na Argentina é capacitismo institucional escondido sob uma opção econômica. O governo não apenas cortou verbas: desumanizou publicamente as pessoas com deficiência. Oficiais questionaram o número de beneficiários, insinuando fraude em massa. O próprio presidente amplificou ataques nas redes sociais contra Ian Moche, um menino autista de 12 anos — contas alinhadas ao governo chegaram a publicar o endereço e o nome da escola da criança. Como disse o jornalista Gonzalo Giles, que tem deficiência: “Estão nos matando, não com balas, mas com decisões, com cortes, com decretos, com desculpas técnicas disfarçadas de necessidade e urgência.”

E há um detalhe sórdido: um escândalo de corrupção envolvendo a irmã do próprio Milei, supostamente recebendo propina de um acordo entre a ANDIS e uma empresa farmacêutica. Enquanto pessoas com deficiência eram acusadas de fraude e perdiam benefícios, quem lucrava era quem precarizava o sistema.

Há um argumento econômico que precisa ser frisado. Ao excluir pessoas com deficiência da vida social, econômica e cultural, não se promove eficiência. Promove-se empobrecimento. É um potencial criativo suprimido. Uma perspectiva única que deixa de contribuir para a inovação coletiva. Diversidade é vantagem competitiva. Quando um governo elimina programas que sustentam a inclusão, está reduzindo o quociente criativo de sua sociedade. A motosserra de Milei não corta apenas gastos. Corta futuros possíveis.

Penso em Piazzolla — “Balada para um loco”. O tango que fala de loucura, de paixão, de vida. Mas há uma loucura que não é poética: é a loucura de quem pensa que pode cortar a dignidade alheia sem cortar a própria humanidade. Saber sufrir y volver a vivir — sofrer e voltar a viver — é a sabedoria do tango. Mas voltar a viver exige condições materiais. Exige benefício. Exige terapia. Exige Estado presente.

Há poucos dias, Milei desembarcou no Brasil. Sua primeira visita ao país como presidente argentino não foi uma visita de Estado. Foi um ato político-partidário em 24 de julho, segundo a Reuters. O homem que brande a motosserra contra os gastos públicos utiliza recursos do Estado argentino para cruzar fronteiras e participar de um rally eleitoral no exterior. O corte sempre recai sobre os mais vulneráveis. A regalia, sobre os poderosos. Esta é a lógica estrutural da austeridade.

Há, no Brasil atual, candidatos e lideranças políticas que batem palmas para Javier Milei. Há quem o apresente como modelo de coragem fiscal. Há, inclusive entre setores desavisados do próprio movimento de pessoas com deficiência, quem veja na retórica da austeridade uma promessa sedutora de modernidade. É preciso abrir os olhos. Pau que bate em Chico também bate em Francisco. A motosserra não tem pátria. O que acontece hoje em Buenos Aires pode acontecer amanhã em Brasília.

O Brasil possui uma legislação protetiva robusta — a Lei Brasileira de Inclusão, a Convenção da ONU com status de emenda constitucional. Mas leis não se sustentam sozinhas. Precisam de verbas, de instituições funcionais, de vontade política e de vigilância cívica. Quando candidatos enaltecem o modelo de um governante que vetou leis de proteção à deficiência e travou sua implementação mesmo após o Legislativo rejeitar o veto, que vilipendiou publicamente crianças autistas, estão dizendo onde sua tesoura cortará.

O equilíbrio fiscal é objetivo legítimo. Mas a questão não é entre austeridade e prodigalidade. É sobre que vidas a tesoura está disposta a sacrificar no altar dos números. A motosserra que corta verbas de pessoas com deficiência não está apenas mutilando orçamentos. Está mutilando o tecido social, reduzindo o potencial criativo de uma nação e ensinando a crueldade como método de governo.

Que todos aqueles que lutam pela Justiça e pela Inclusão Social saibam: a distância entre Buenos Aires e Brasília, em matéria de Direitos Humanos, é menor do que parece.

*André Naves — Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social. Mestre em Economia Política. Membro dos Grupos de Trabalho de Pessoas em Situação de Rua, Pessoas Idosas e Pessoas com Deficiência. Comendador Cultural. Escritor e Professor. www.andrenaves.com.