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Bela Vista-MS Sábado, 08 de Agosto de 2026
Leia Coluna Amplavisão: Senado: como o eleitor analisa os candidatos?

Leia Coluna Amplavisão: Senado: como o eleitor analisa os candidatos?

NO FACEBOOK: A concorrência ressuscitou o debate entre Riedel e Contar (2022). Nele, dois aspectos para reflexão: a dinâmica da política que une hoje esses dois ex-adversários e a avaliação da capacidade e preparo do capitão em lidar com questões administrativas, como a importância do orçamento na gestão pública.

SENADO:  Nelsinho, Contar, Reinaldo e Vander: os principais concorrentes. Cada palpite ou previsão baseado em argumentos diversos; currículo pessoal, grupo político de apoio, engajamento ideológico ou partidário e confiabilidade nas mais diferentes situações apresentadas. Mas apenas dois deles serão vencedores. Vejamos:

NELSINHO: Passou pela Câmara Municipal, prefeitura da capital, Assembleia Legislativa e chegou ao Senado. Habilidoso, tem construído uma notável teia de relações no interior, distribuindo emendas às prefeituras e tem se mostrado equilibrado em temas políticos delicados. Pesquisas apontam como postulante forte à reeleição.

CONTAR: Militante radical do movimento bolsonarista, tem a maioria de seus discursos centrados na defesa do ex-presidente. Na Assembleia Legislativa deixou a desejar, sua imagem apegada ao militarismo atrai, mas também afugenta alguns segmentos do eleitorado. Precisa mostrar maior embasamento que o senado exige.

REINALDO: Quer colher os frutos do movimento municipalista que semeou ao longo dos dois mandatos na governadoria. Filiando-se ao PL espera facilitar a identificação com os simpatizantes do bolsonarismo. Habilmente, tem mantido proximidade com prefeitos e vereadores- garantindo a notável preferência nas pesquisas.

VANDER: Ao seu estilo, confia na velha fidelidade do eleitorado que o acompanha ao longo de sua trajetória como dirigente e parlamentar. Seu raciocínio é que será beneficiado pelo eventual crescimento da candidatura de Lula no estado. Assim, trabalha com o raciocínio de que a disputa presidencial será decisiva a seu favor.

CONCLUSÃO: Vários fatores, ainda incipientes no cenário atual, serão decisivos. Passa pela pessoalidade dos candidatos, recursos financeiros legais, relações na classe política, atuação convincente nos debates, manifestações na mídia e engajamento em causas partidárias simpáticas. É no decorrer do caminho que se conhece o caminhante.

ALERTA: Como mostram os números das pesquisas, é considerável grupo de eleitores consultados que ainda não definiram os nomes ao senado. Seriam dois os motivos: a data ainda distante das eleições e aproveitar esse espaço de tempo para melhor análise dos postulantes. Quem hoje é patinho feio, pode surpreender na linha de chegada.

ANIMADO:  Considerado veterano na Assembleia Legislativa, o deputado Marcio Fernandes continua frequentando o interior, onde cultiva boas relações com lideranças  das comunidades. Segundo ele, tem bases em mais de 40 municípios, aos quais tem proporcionado benefícios diversos ao longo de seus mandatos. Confiante na reeleição.

PATERNIDADE: Deputados do PT denunciaram e o Planalto está fazendo propaganda da sua participação em várias obras em nosso estado. entre elas as reformas de hospitais e da ponte sobre o rio Paraguai ( BR-262). De olho nas eleições, quer minimizar os efeitos da mídia patrocinada pelo Governo Estadual e registrar as suas atuações.

DEBATE: No papel a campanha eleitoral inicia só após as convenções. Na pratica é diferente; já tem gente em pré-campanha, nas ruas, em eventos e na internet que se apresenta como pré-candidato com posturas eleitoreiras. Aí questiona-se: a diferença entre pré-campanha e campanha ficaria apenas no nome? ´Só pra inglês ver’?

EXEMPLO: Após a fala do deputado Rodolfo Nogueira (PL), no evento em Nioaque, criticando o Governo Federal, o pré-candidato Tiago Botelho (PT), usou as redes sociais    para acusar Rodolfo de campanha antecipada Mas questiona-se: proibir o direito da livre manifestação, prevista na Constituição, não seria retornar aos tempos da censura?

EVIDENTE: Novos casos ocorrerão até as convenções. O TSE entende que o pedido de voto não precisa ser explicito (tipo ‘vote em’). O uso de frases, termos e mensagens equivalentes ao pedido indireto de apoio, pode ser penalizado. Espera-se que a justiça tenha o bom senso de separar a liberdade de expressão da propaganda antecipada.

É GUERRA: Disfarçada, a campanha já começou com churrascos, feijoadas, etc. Difícil prever o sucesso das impugnações. Os prejudicados recorrerão naturalmente à justiça, como foi no caso da carona até Dourados do ex-governador Reinaldo no avião oficial do Governo. Esses ‘ingredientes’ é que dão o tempero às eleições.

NO RETROVISOR: Ainda na memória de todos a homenagem da ‘Acadêmicos de Niterói’ ao presidente Lula no carnaval. Embora críticos e partidos da oposição tenham alegado abuso do poder político pela visível exaltação eleitoral, a justiça eleitoral ‘abriu a porteira’ ao entender que não houve pedido de voto. ‘Aos amigos do rei…’.

ANOTE: As ‘águas eleitorais’ são perigosas. Favoritos acabam se afogando. Em 2002, ao discorrer sobre o papel da mulher (Patrícia Pilar) na campanha, o favorito Ciro Gomes disparou: “A minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental”. E aí perdeu a eleição.

CUIDADO!  Essa deve ser a recomendação da assessoria aos candidatos junto ao público e imprensa. Uma frase ou um gesto podem ser mal interpretados, gerando uma fonte de desgastes com comentários diversos. Vale lembrar que o advento do celular com recursos admiráveis será uma arma de grande valia nestas situações. Portanto…

INTERROGAÇÕES: A divisão entre direita e esquerda que norteia a sucessão ao Planalto respingará até que ponto nas eleições em Mato Grosso do Sul? Prevalecerá exclusivamente a questão ideológica? O eleitor escolherá seus candidatos levando em   conta os currículos dos mesmos, o potencial para os cargos que pleiteiam? Ou…

PÉROLAS DOURADAS DO ENEM:

 A encíclica é uma bicicleta inventada pelos padres.

Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigênio.

Exemplo de cultura grega: o ‘sanduiche grego’.

A ética pode ser adquirida e consumida.

Um septuagenário é um losango de 7 lados.

A corrente alternada é a que se usa no pisca pisca dos carros.

Hepatite é uma doença terrível, pois danifica as veias imobiliárias.

A sociedade anônima objetiva ter muitas fabricas desconhecidas.

Pena que todo jovem fique velho, deixando de ser jovem.

A fundação do ‘Titanic’ mostrou a agressividade dos Ice-Bergs.

Os comunistas mataram o Czar para ele aprender.

Toda virgula é precedida de uma palavra, pode ser qualquer uma.

O povo coreano tem tanta energia que acabou virando nuclear.

A densidade é o mesmo que a velhice.

A lua é um planeta similar à Terra, só que mais morta.

Arquimedes foi o primeiro a provar que a banheira pode flutuar.

O teste carbono 14 permite provar se antigamente alguém morreu

Leia Coluna Amplavisão: Eleições: a ignorada classe média paga a conta

Leia Coluna Amplavisão: Eleições: a ignorada classe média paga a conta

‘POR UNA CABEZA’:  Assim cantava Carlos Gardel. Dagoberto, Rose, Ovando e Geraldo são bons de votos, mas dois deles deverão sobrar para a Câmara Federal. Por circunstâncias da política estão na Federação União Brasil-PP. Os analistas apostam; a diferença entre os quatro será mínima, ‘por uma cabeça’, como se diz nos hipódromos.

VALE TUDO: É legal, e daí? Dando o que falar o contrato entre o PL Nacional e a agência de publicidade de Iara Diniz Contas, mulher do capitão Contar, do PL. Firmado em dezembro de 2025, ela recebe R$ 150 mil mensais do Fundo Partidário pelos serviços profissionais.  Na análise do episódio não se pode esquecer o protagonismo dele, o inigualável Valdemar Costa Neto. Negócios da política.

SOBERBA: Incomodado com o som sertanejo numa churrascaria em Coxim, onde almoçava com um político, o jornalista da capital, indagou ao gerente qual o valor do cachê da dupla – ‘ mil reais’ revelou. Incontinenti, ofereceu e pagou dois mil – e o show ‘C’est fini’; Por ironia, tempos depois a dupla (humilhada) – João Bosco e Vinicius – viraria sucesso nacional. Voltas que a vida da.

A IGNORADA: Será que os candidatos ao Planalto, também, ignorarão o valor da classe média nos seus projetos e discursos? Ela que paga a conta e se sustenta por seus próprios méritos e esforços, mas permanece quase invisível aos olhos da classe política, que opta pelos mais pobres devido a quantidade e pelos ricos por interesse financeiro.

CONVENHAMOS: Combater a miséria é preciso, mas um país não pode e nem deve se sustentar simplesmente com medidas paliativas ou emergenciais acompanhadas de posturas e falas demagógicas. O país, precisa de projeto ou base econômica estável que se sustente a médio e longo prazo através da produção e consumo estável. Certo?

DEFINIÇÕES:  A classe média paga a conta do baile, mas não é convidada para dançar. Ela seria a avalista da democracia, mas é vista e tratada como mero detalhe burocrático. Nos palanques, é cortejada com promessas genéricas e depois é descartada. Ela é o pilar entre ricos e pobres, a espinha dorsal da sociedade e da estabilidade.

A PROPÓSITO: “A classe média está mal representada proporcionalmente no STF. Dos atuais dez integrantes do tribunal, apenas dois parecem viver nos limites do seu atual salário, de acordo com o noticiário: Carmem Lúcia e Edson Fachin. Os outros ministros são ricos ou flertam com a riqueza, e boa parte deles passou a sê-lo ou a fazê-lo depois de assumir uma cadeira no Supremo. ” (Mario Sabino – Metrópoles)

TERCEIRA VIA?   “A ventania das campanhas desarruma previsões baseadas só em pesquisas…(-) Em1989 aguardava-se o segundo turno entre Collor e Brizola. Em agosto, Lula tinha apenas 5% das preferências, com viés de queda. Em setembro, ele chegou a 16%, ultrapassando Brizola. Dois meses depois, Lula foi para o segundo turno, quando viria a ser batido por Collor”. (Elio Gaspari)

FAKE NEWS:  Assunto em voga em ano eleitoral, a influência de notícias falsas ainda é matéria nova para a maioria. Sobre o caso existem muitos textos de alerta. Mas falta-lhes pragmatismo pedagógico no passo a passo para identificar o que é falso. A Justiça Eleitoral, continuará presa à velha burocracia sem decidir a tempo? Pelo visto, SIM!

DEU NISSO! O endividamento das famílias é um dos motivos pela queda da popularidade do Governo Lula. E uma das causas é a liberação das apostas eletrônicas autorizadas pelo Governo para aumentar a arrecadação. Agora, o Planalto precisa parar  com esse cassino ancorado no futebol em ano de Copa. E conseguirá?

VOANDO ALTO: Na Assembleia falou-se do desempenho de Simone Tebet nas pesquisas do PT como vice de Haddad em São Paulo. Ela bate os ministros Marcio França (PSB), Marina Silva (Rede), Tabata Amaral (deputada do PSB) e Marcelo Barbieri (ex-deputado do PDT). Há quem diga; ela seria melhor candidata do que o próprio Haddad – lento e desgastado.

PREPARE-SE:  A campanha eleitoral nem começou (oficialmente) e o seu nível tende a ser o mais baixo possível. O efeito do que vai rolar nas redes sociais será ‘profundo’, irá muito além das questões políticas e administrativas. Denúncias chulas, sexo, drogas, escândalos, corrupção e temas afins no ‘pacote’. Retrato da classe política.

CHURCHILL: Disse que, ao contrário dos homens, os animais não elegem os piores para liderá-los. O processo é simples, pela supremacia física do escolhido, um sobrevivente vencedor da manada ou espécie.  Já entre os homens valem a malícia, a dissimulação, manipulação, falsidade e combinações de fatores complexos invisíveis à primeira vista.

CONFIRA: Lista atualizada dos 13 municípios com menos de 6 mil eleitores: Figueirão – 2.751, Novo Horizonte do Sul –  3.599, Alcinópolis -3.727, Taguarussu – 3.929, Rio Negro – 4.104, Paraíso das Águas – 4.284, Jatei – 4.360, Corguinho – 4.379, Caracol – 4.751, Douradina – 4.880, Rochedo – 4.976, Juti – 5.862, Jaraguari –  5.961.

UM PERIGO!  Quando perguntaram-lhe se existiam limites no seu poder global,  Donald Trump foi claro: “Sim, existe uma coisa. Minha própria moralidade. Minha própria mente. Esta é a única coisa que pode me conter. Eu não necessito de leis internacionais”. Manifestação que desrespeita instituições e nos faz lembrar de Hitler.

DO LEITOR:  “ Estamos vivendo sob o regime da ‘Democracia dos Cemitérios’, onde a oposição é mantida em rédeas curtas, para não ameaçar o Poder. Como diz o jornalista Mario Sabino: “o povo deve se comportar como massa de mortos-vivos, que vaga sem destino próprio sob as ordens dos coveiros da plena e necessariamente buliçosa vida democrática”.

‘COMPANHEIROS’:  Manchete nacional: “Prejuízo dos Correios triplica e chega a R$ 8,5 bi em 2025” – mais do que o triplo em 2024.  O seu teor revela a situação pecaminosa da estatal petista que chegou ao fundo do poço pelos inúmeros tropeços e   ‘equívocos’ administrativos. Nem a demissão de 3.181 funcionários resolveu a situação.

A QUESTÃO:  No Brasil, das pequenas às metrópoles, é visível a presença de empresas tipo ‘Mercado Livre’, atuando cada vez mais e com progressividade nos lucros. A diferença está no comprometimento, na capacidade gerencial da iniciativa privada, ousada, aguerrida, vencendo desafios e deixando empresas públicas (Correios) na poeira. Privatizar é o caminho! Basta de cabides inoperantes

PILULAS  DIGITAIS:

Só no exercício do poder é que o caráter do governante se revela. (internet)

Não há quem não cometa erros, e grandes homens cometem grandes erros. (Paulo Francis)

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem. (Mario Quintana)

Não atrapalhe o seu inimigo quando ele estiver cometendo erros. (Napoleão Bonaparte)

Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo. (Mark Twain)

67% dos brasileiros estão endividados e 21% com parcelas em atraso. (na internet)

Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. (João Guimarães Rosa)

Aqui, a disputa local pelo Senado será mais emocionante do que a do Governo.

O STF converteu-se, aos olhos do público, em símbolo da ilegalidade impune. Quem nos salvará dos nossos salvadores. (Demétrio Magnoli)

Estamos imersos em uma crise. (Ministro Fachin – presidente do STF)

A esquerda cansou. Acredito que vivemos uma mudança de valores na sociedade. (Joel P. da Fonseca – FSP)

O diabo é um otimista, acha que pode tornar as pessoas piores do que são. (Karl Kraus)

 

Diagnóstico de TEA: como lidar e por onde começar

Diagnóstico de TEA: como lidar e por onde começar

* Ellen Moraes Senra é Psicóloga

O Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça o aumento na busca por diagnóstico e tratamento, especialmente entre adultos. Estima-se que cerca de uma em cada 100 pessoas esteja no espectro, mas muitos recebem o diagnóstico apenas tardiamente, sobretudo aqueles com menores necessidades de suporte.

A descoberta costuma vir acompanhada de sentimentos ambivalentes. Para alguns, há alívio ao se compreender, para outros surgem dúvidas. Na prática clínica, é comum que esses indivíduos relatem dificuldades no trabalho, nos relacionamentos e na saúde mental, além de sensação de inadequação, desafios na comunicação social e esgotamento emocional.

Um dos fatores associados ao diagnóstico tardio é o “mascaramento”, esforço contínuo para se adaptar a padrões sociais. Embora favoreça a integração, pode gerar altos níveis de ansiedade, depressão e burnout. A sobreposição com TDAH e transtornos de ansiedade também contribui para atrasos na identificação do TEA.

O diagnóstico é um ponto de partida, não uma solução imediata. Ele não elimina dificuldades, mas permite compreendê-las e desenvolver estratégias mais adaptativas. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por diferenças na comunicação, na interação social e por padrões comportamentais mais rígidos. Não se trata de incapacidade, mas de um funcionamento diferente.

Sentimentos como alívio, confusão e insegurança fazem parte do processo. Por isso, desenvolver a autorregulação emocional é fundamental, já que dificuldades nessa área impactam diretamente a vida cotidiana e os relacionamentos.

A família também exerce papel central. Embora sentimento de culpa seja comum, o foco deve estar no acolhimento e no suporte. Em muitos casos, familiares também precisam de acompanhamento psicológico para lidar com o impacto do diagnóstico e com os desafios do cotidiano.

Mais do que um rótulo, o diagnóstico representa um ponto de virada. A Terapia Cognitivo-Comportamental, aliada à psicoeducação, auxilia no manejo emocional, na organização da rotina e no desenvolvimento de habilidades sociais, promovendo mais qualidade de vida e segurança para os próximos passos.(*)

 Ellen de O. Moraes Senra é Psicóloga Clínica (CRP 05/42764), Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e Terapia do Esquema, Formação em TDAH adulto e Pós-graduação em TDAH avaliação e intervenção. Ellen também é CEO do Espaço Psicontemplando, autora de livros infantis na área da psicologia e coordenadora editorial de títulos diversos.

Diagnóstico de TEA – (Imagem Freepik)

Num país de não leitores, a leitura é um ato de resistência

Num país de não leitores, a leitura é um ato de resistência

Bosco Martins é escritor e jornalista

Há livros que só precisamos provar; outros, que devemos devorar; e alguns poucos, indispensáveis, que exigem ser mastigados e digeridos. Essa lição de Francis Bacon me acompanha.

O prazer da leitura é insubstituível. Um dos livros mais impactantes que li foi Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Demorei semanas para digeri-lo. Ele muda nossa visão de mundo sem percebemos de imediato, mostrando a natureza humana mais crua, sem filtros.

Venho do jornalismo. Minha formação literária me ensinou que escrever bem exige ler bem. Li Guimarães Rosa e sua obra-prima Grande Sertão: Veredas; Gilberto Freyre para entender o Brasil; Clarice Lispector (A Hora da Estrela previu o cardápio do brasileiro); Vargas Llosa; Autran Dourado (que só entendi dez anos depois). Li Dostoiévski: Os Irmãos Karamazov mostra a grandeza dos simples, a sabedoria sem escolaridade. E Tolstói, em Anna Kariênina: “Desceu, evitando olhar para Kitty como se evita olhar para o sol, mas a via, como se vê o sol, sem olhar.” Deleite divino.

Infelizmente, o hábito da leitura caiu no Brasil. Hoje há mais não leitores (53%) do que leitores (47%). Palestro em escolas e universidades sobre a necessidade do livro físico, preferido por 83% dos que leem.

Minha dica: ler rápido não é ler bem. Se o livro é só para provar, acelere. Mas se é para mastigar e digerir — como Shakespeare, Dante, Machado de Assis, Montaigne —, então leia, pare, pense, volte, entenda. Livros assim pedem reflexão, não pressa: mastigue e digira o que vale a pena.

Leia Coluna Amplavisão: Deputados: muitos serão chamados, poucos os escolhidos

Leia Coluna Amplavisão: Deputados: muitos serão chamados, poucos os escolhidos

ANIMADOS: Em 2022 o professor Juari surpreendeu: 20.634 votos para deputado federal (11.090 na capital); em 2024 obteve 5.050 votos para vereador. De novo, tentará a Câmara. Outro vereador tucano, dr. Vitor Rocha, eleito com 5.353 votos disputará o parlamento estadual. Seu colega Silvio Pitu (PSDB), (6.409 votos) também sonha com a Assembleia. No papo passam boa impressão.

CANDIDATOS:  A tradição da Câmara da capital de oferecer elevado número de candidatos deve se repetir. Até aqui seriam 18 vereadores postulantes à Câmara Federal e Assembleia. Reflexo de seu colégio eleitoral por volta de 650 mil eleitores, atraindo  muitos vereadores interessados em mudar de patamar na política.

TODOS ELES:  André Salineiro (PL), Ana Portela (PL), Fábio Rocha (U.B), Herculano Borges (REP), Silvio Pitu (PSDB), Vitor Rocha (PSDB), Rafael Tavares (PL), Leinha (Avante), Veterinário Francisco (U.B), Neto Santos (REP), Junior Coringa (MDB), Luiza Ribeiro (PT), Flavio Cabo Almi (PSDB), Marquinhos Trad (PV), Jean Ferreira (PT), Malcon Nogueira (PP), Wilson Lands (Avante), Prof. Juari (PSDB).

DO LEITOR: Ontem, ‘ os companheiros’ empunhavam o megafone e faixas nas ruas; hoje usam crachá e batem o ponto em cargos comissionados do Governo. Feliz, esse pessoal acomodou-se no ar condicionado e nas benesses do poder. Protestos de rua nunca mais! Ora! É mais cômodo defender as ‘instituições. “Novos tempos. ”

CARLO BERNARDO: Quer representar a fronteira pelo União Brasil.  Oscar Goldoni foi o último deputado federal da região, eleito em 1994. Empresário conceituado no ramo educacional (faculdades de medicina), Carlo Bernardo tem boas credenciais para a missão, tendo inclusive obtido em 2022 mais de 31 mil votos para a Câmara Federal.

RESSURREIÇÃO:  O PSDB deu a volta por cima com a nova diretoria regional. A presidência ficou com o deputado Caravina, a deputada Lia Nogueira como vice presidente e o deputado Paulo Duarte na secretaria. No papo com a imprensa eles demonstraram muito otimismo quanto ao desempenho da sigla nestas eleições.

BASTIDORES: As lideranças partidárias costurando suas chapas, procurando nomes que acrescentem ganhos. O deputado João Catan – por exemplo – postulante ao Governo pelo Partido Novo’ foca neste sentido. A filiação de Roberto Oshiro, ex-candidato a vice-prefeito de Rose Modesto, sinaliza chances dele concorrer ao Senado.

LAMENTÁVEL: Esse termo define, resume bem a situação do ex-colega de rádio e ex-prefeito Alcides Bernal-figurando agora como protagonista no cenário policial. Longe de opinar sobre o homicídio por ele praticado, a intenção visa apenas ressaltar a linha tênue e também cruel no ser humano, que separa a glória da desventura.

‘FIM DA FESTA?’  Agora a bronca do Ministério Público Estadual é contra a Prefeitura de São Gabriel do Oeste por contratar uma banda (Traia Véia) para a festa do aniversário da cidade no valor de R$340 mil. Gostos a parte, há dois aspectos a analisar: o legal e o moral. Aliás, o MPE tem sido alvo de críticas pelas gastanças exacerbadas.

NO BRASIL! Só 10 anos após – é que a Justiça (STF) decidiu anulando a condenação de Antony Garotinho por denuncia de compra de votos nas eleições de 2016 em Campos dos Goytacazes (RJ). Sem questionar o mérito, o caso mostra como o nosso sistema judicial é ineficiente. Justiça lenta não pode ser considerada justa.

TARTARUGA: Sob o manto da ‘ampla defesa’, a legislação permite que casos como esse percam seu objetivo ou prescrevam. Outro caso: o ex-governador carioca Claudio de Castro, governou até agora, enquanto não se julgava o processo contra ele por abuso de poder econômico na sua eleição.  Culpa da lei que permite esse festival de recursos.

CACIFES: Questiona-se muito sobre o peso dos candidatos ao Planalto com base no apoio de prefeituras dos respectivos partidos.  Só para ilustrar: nas eleições de 2024 o PT de Lula saiu vitorioso em apenas 262 cidades – enquanto o PSD de Ronaldo Caiado foi o campeão de prefeitos vitoriosos. Venceu em nada menos que 885 cidades.

VEJA BEM!  É grande a diferença entre o número das cidades vitoriosas do PSD e aquelas vencidas pelos candidatos petistas. Entretanto, essa maioria pessedista não reflete proporcionalmente nas pesquisas que aferem o potencial do seu postulante a presidência.  Apostar numa virada sensacional parece ainda muito improvável.

PARTIDOS & PREFEITURAS: Em 2024 o PSD elegeu nada menos que 885 prefeitos – MDB 853 – PP 746 – União Brasil 583 – PL 516 –  REP 433 – PSB 309 – PSDB 273 – PT 262 – PDT 151 – Avante 136 – Podemos 127- PRD 76 – Solidariedade 62. Não elegeram nenhum prefeito; AGIR, Rede, DC, PMB, PRTB.

CAMALEÃO:  Como se comportará Gilberto Kassab na sucessão presidencial? Lula ou Flavio Bolsonaro? Refresco de memória: no Governo Dilma ele foi o Ministro das Cidades (Minha Casa…) e quando Temer assumiu comandou o Ministério da Ciência e Tecnologia. Em 2028 apoiou Alckmin; e neste Governo Lula o PSD tem 3 ministérios.

INCOERÊNCIA: Candidato ao Planalto pelo Partido ovo, o médico psiquiatra ‘best seller’ Augusto Cury não imitará Enéas. Só quer elevar o debate com temas como ‘desesperança dos jovens, feminicídio, o tsunami do IA e alimentação. ’. Cury alega: “não ama o poder, não precisa do poder, é contra o culto à personalidade. ”  Só quer massagear o ego?

“REVISTA OESTE”: A percepção de omissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) diante de escândalos no Judiciário tem sido um tema de forte debate público e institucional em 2026. Críticos e setores da própria advocacia apontam que a entidade, historicamente conhecida como a “reserva moral” do país, adotou um silêncio que beira a complacência frente a abusos de poder e irregularidades em cortes superiores”.

A CONFERIR:  Essa visita do candidato Flavio Bolsonaro à Campo Grande, deve se constituir numa fonte formidável de comentários, fofocas e interpretações bem ao gosto do tempero político.  Só depois saberemos de fatos ocorridos nos bastidores, inclusive a disputa de espaço para fotos com as lideranças do PL. Isso faz parte do receituário.

PILULAS DIGITAIS:

Cadê a indignação? ( Lea Oksenberg)

Daniel Vorcaro é um contêiner de surpresas.  (Elio Gaspari)

Tenho medo de morrer; e se a minha vida não tiver valido a pena? (Miriam Goldenberg)

Qual o melhor governo? O que nos ensina a governar a nós mesmos. (Goethe)

A ressurreição não existe para quem comete suicídio político. (internet)

Hoje não existem mais malandros, somente bandidos. (Moreira da Silva)

Levante a mão quem não viajou no jato do Vorcaro (Master). (Internet)

Adivinhe porque o Ratinho JR. desistiu de concorrer a presidência?

Quem diz saber o que vai acontecer é porque está mal-informado. (Noblat)

A classe média está mal representada no STF (jornalista Mario Sabino)

A direita trata suas diferenças em público; o PT em sala fechada. (Internet)

Será que ainda tenho tempo? Ou já é tarde demais? Por Mirian Goldenberg, na FSP

Será que ainda tenho tempo? Ou já é tarde demais? Por Mirian Goldenberg, na FSP

Tenho medo de morrer; e se a minha vida não tiver valido a pena? São três os medos ligados ao envelhecimento: um material, outro simbólico e um terceiro existencial

Em dois momentos da vida tive medo da minha velhice.

Aos 40, quando descobri que estava ficando velha, por meio de uma consulta com uma dermatologista. Com uma lente de aumento, ela me obrigou a enxergar todas as minhas rugas, manchas, defeitos e imperfeições.

Ela me fez ter pânico da decrepitude do meu corpo. E foi assim que começaram as minhas pesquisas sobre envelhecimento, autonomia e felicidade.

Agora, muitos anos depois, meu medo é diferente: medo de morrer e da minha vida não ter tido significado.

Se eu tentar racionalizar, meu medo é porque minha mãe morreu aos 62, meu pai, aos 68, meu irmão, aos 50.

Tenho muito medo de ter câncer como eles tiveram. E cada notícia que leio me mostra que, sim, posso ter câncer.

Também estou com medo de Alzheimer, medo que nunca tive, mas que surgiu porque minha melhor amiga desde os 16 anos está com a doença. E tenho testemunhado, desde 2020, todo o sofrimento que ela sente.

Não tenho filhos e outro medo está me consumindo. Para quem vai ficar tudo o que conquistei na minha vida? E as centenas de diários que escrevi? Vão para o lixo? Vão ser queimados? Comidos pelas traças?
Qual será o meu legado?

Sempre tive muito medo. E, paradoxalmente, sempre precisei de muita coragem para caminhar sozinha e construir o meu destino.

Hoje, sou tudo o que jamais imaginei que poderia ser: professora, pesquisadora, escritora e uma antropóloga malcomportada.

Será que sou mesmo? Aquela menininha magrinha, apelidada de Olivia Palito, apavorada com a violência familiar, escondida dentro do armário para não apanhar e ouvir os gritos e as brigas, conseguiu, sozinha, ser a Mirian Goldenberg que é hoje?

Eu mesma não acredito que consegui. Por isso a urgência de responder tantas perguntas que me angustiam.

Agora, que consegui ser quem eu sou, será que vou ficar doente, morrer, perder tudo o que conquistei? De que adiantou lutar tanto?

Será que não vou ter tempo para saborear tudo o que conquistei? Amor, amizade, escrita, minha própria voz?

Será que desperdicei toda a minha vida tentando provar que tenho algum valor, que não sou a “bosta” que meu pai dizia que eu era?

Será que, apesar do reconhecimento que já tenho, ainda não consegui provar o meu valor nem para mim mesma?

E agora, que já poderia enxergar, aceitar e amar a mulher corajosa e potente que nunca imaginei que poderia ser, será que estou muito velha para gozar a minha vida?

Será que não vou conseguir viver a “bela velhice” que eu tanto enxergo nos meus melhores amigos nonagenários e centenários?

Por que tenho tanto medo de morrer e de tudo o que mais amo ir para o lixo? Ou será que não é só medo da morte?

Será que o medo é de perder tudo, de não ter mais tempo, de não ter conseguido provar o meu valor, nem para mim mesma?

Será que é o medo de ver tudo o que construí com muito trabalho e paixão ir para o lixo?

São três medos muito fortes. Um medo mais material: o que vai acontecer com meus diários e meus bens? Um medo simbólico: o que vou deixar de legado? Um medo existencial: será que minha vida tem algum significado?

Aos 40, o medo era o da decadência do meu corpo: manchas, rugas, bigode chinês, cabelos brancos, pálpebras caídas, pescoço enrugado, pelancas.

Hoje, o medo é de que a minha vida não tenha valido a pena. Medo de não ter conseguido provar ao meu pai –e a mim mesma– que não sou e nunca fui uma “bosta”.

Será que ainda tenho tempo? Ou será que já é tarde demais?