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Bela Vista-MS Quarta-Feira, 24 de Junho de 2026
Uma igreja como nunca se viu: Por Wilson Aquino

Uma igreja como nunca se viu: Por Wilson Aquino

Você conhece uma igreja sem clero remunerado; que investe bilhões de dólares em projetos sociais e ajuda humanitária; que, nas grandes catástrofes mundiais, costuma estar entre as primeiras a chegar, levando voluntários, alimentos, medicamentos, roupas e abrigo aos necessitados; que mantém fazendas e indústrias destinadas exclusivamente à produção de alimentos para doação a comunidades carentes, especialmente em regiões vulneráveis do planeta; que disponibiliza gratuitamente ao público o maior banco de dados genealógicos do mundo; que criou o programa Mãos que Ajudam, mobilizando milhares de voluntários em ações comunitárias; e que ainda desenvolve inúmeros projetos educacionais e sociais acessíveis à coletividade?

Essa é A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que, segundo sua própria doutrina, é dirigida pelo próprio Salvador e está presente em praticamente todos os continentes, figurando entre as instituições religiosas que mais crescem no mundo. Atualmente, está estabelecida em quase 200 países e territórios, combinando fé, planejamento administrativo e trabalho voluntário para executar programas de assistência social em escala global.

Relatórios oficiais da instituição indicam que somente no ano de 2024 foram investidos cerca de 1,45 bilhão de dólares em iniciativas sociais e humanitárias, com a realização de aproximadamente 3.836 projetos em 192 países e territórios. Essas ações envolveram mais de 6,6 milhões de horas de trabalho voluntário.

Um dos pilares mais estruturados do trabalho social da Igreja é o seu sistema mundial de bem-estar. Diferente de programas assistenciais tradicionais, o modelo combina produção própria de alimentos com distribuição organizada e gratuita. A instituição mantém: 12 fazendas voltadas à assistência social; 3 jardins agrícolas; 3 ranchos pecuários; 4 pomares; Indústrias de processamento de alimentos; Mais de 120 armazéns humanitários ao redor do mundo. Somente em 2022, por exemplo, mais de 21 milhões de quilos de alimentos foram distribuídos diretamente a famílias em situação de vulnerabilidade, além de milhões de quilos repassados a organizações parceiras.

Entre os serviços sociais menos conhecidos, mas de enorme impacto cultural e histórico, está o FamilySearch,  (https://www.familysearch.org/pt/brasil/) considerado o maior banco de dados genealógico do mundo. Disponibilizado gratuitamente ao público, o sistema permite que qualquer pessoa pesquise a própria história familiar por meio de documentos como: Certidões de nascimento, casamento e óbito; Registros migratórios; Fotografias históricas; Documentos civis e religiosos.

Em cenários de crise humanitária, a Igreja frequentemente atua em parceria com organizações governamentais e entidades sociais, oferecendo suporte logístico e assistência direta às populações afetadas. Entre as principais ações estão: Distribuição de água potável e alimentos; Doação de medicamentos e equipamentos médicos; Montagem de abrigos emergenciais; Fornecimento de colchões, roupas e cobertores; Mobilização de voluntários para reconstrução de comunidades.

Outro programa emblemático é o “Mãos que Ajudam”, iniciativa que promove o trabalho voluntário coletivo em benefício da sociedade. O projeto mobiliza milhares de voluntários em diversas cidades do Brasil e do mundo, desenvolvendo ações como: Reforma e pintura de escolas públicas; Limpeza de praças e espaços urbanos; Campanhas de doação de sangue; Apoio a hospitais e instituições sociais e Auxílio emergencial em desastres naturais. O programa também possui forte caráter educativo, envolvendo crianças, jovens e adultos em atividades comunitárias.

A instituição mantém diversos programas educacionais e de qualificação profissional. Entre eles destaca-se o Fundo Perpétuo de Educação, criado para auxiliar jovens e adultos a financiar estudos e capacitações técnicas. Desde sua criação, o programa já beneficiou mais de 113 mil pessoas em mais de 80 países, ampliando oportunidades de emprego e mobilidade social.

Além disso, a Igreja oferece cursos gratuitos de idiomas, como o EnglishConnect, ministrados presencialmente em capelas ou por meio de plataformas digitais, ampliando o acesso ao aprendizado e ao mercado de trabalho global.

Os projetos humanitários também abrangem a área médica, com destaque para: Doações de equipamentos hospitalares; Apoio a centros de reabilitação; Programas de nutrição infantil e Distribuição de cadeiras de rodas; Treinamentos em reanimação neonatal.

Outro braço social importante é o apoio à reinserção profissional e social, por meio de centros de emprego, cursos profissionalizantes e programas de recuperação para dependentes químicos, que realizam milhares de reuniões semanais em vários países.

Grande parte das ações sociais da Igreja é financiada por contribuições voluntárias de seus membros, incluindo as chamadas ofertas de jejum, destinadas integralmente ao atendimento de famílias necessitadas.

A instituição não depende de recursos públicos para manter seus programas sociais, reforçando um modelo baseado na solidariedade comunitária.

Mais do que prestar auxílio emergencial, a Igreja enfatiza a autossuficiência familiar e individual. Programas educacionais incentivam planejamento financeiro, armazenamento doméstico de alimentos e organização econômica do lar, preparando famílias para enfrentar crises e instabilidades.

Ao longo das últimas décadas, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias consolidou um modelo singular de atuação social, que integra assistência emergencial, educação, autossuficiência familiar, produção sustentável e voluntariado comunitário.

Mais do que números, estatísticas ou relatórios institucionais, o que se observa é a construção silenciosa de uma rede mundial de solidariedade que transforma vidas diariamente. Em diversas regiões do planeta, milhões de pessoas são beneficiadas por ações que muitas vezes chegam sem distinção de religião, nacionalidade ou condição social, evidenciando um princípio essencial do evangelho de Jesus Cristo: amar e servir ao próximo.

Em um mundo marcado por crises humanitárias, desigualdades sociais e desafios espirituais cada vez mais complexos, o trabalho desenvolvido pela Igreja demonstra que a fé pode — e deve — ser traduzida em ações concretas de amor, compaixão e serviço.

Mais do que uma instituição religiosa, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias apresenta-se como uma organização que busca preparar pessoas e famílias não apenas para enfrentar os desafios terrenos, mas também para construir uma sociedade mais solidária, equilibrada e espiritualmente fortalecida.

Talvez por isso, ao conhecer sua história, sua doutrina e principalmente suas obras, muitos passem a enxergá-la como uma igreja que ultrapassa conceitos tradicionais e revela, na prática, um modelo de fé viva — uma fé que serve, que acolhe, que ensina e que transforma.

Uma igreja como nunca se viu.

*Jornalista, Professor e Escritor

wilsonaquino2012@gmail.com

Leia Coluna Amplavisão: Vale o pragmatismo ou a fidelidade partidária?

Leia Coluna Amplavisão: Vale o pragmatismo ou a fidelidade partidária?

‘DE LEVE’: A grandeza moral de uma nação tem seu alicerce na conduta de seus cidadãos. São eles, através de suas ações, que darão sustentação ética para formação do ‘caráter’ nacional. Um povo sem caráter, em que pesem as riquezas que possam advir do progresso econômico, se resume numa triste caricatura do país. ” (Luiz C. V. Prati – Zero Hora-RS);

PÉROLA: Foz de Iguaçu; 300 mil habitantes. também com gafes na Câmara. Vereador Paulo Rocha, ao abordar na tribuna o atraso do repasse do ‘bolsa auxílio’ aos ‘médicos residentes’ do hospital disse surpreso: “Uai, eu não sabia que tinha médico morando no hospital. Eles que durmam em suas salas”. Vale assistir ao episódio no facebook.

GAFE: Candidato em 2010, Serra marcou uma propaganda que fomentou confusão linguística: “Brasileiros como ele, como a mãe dele que eu conheci também, como a Vânia, que é a sua mulher, como o Damião, como a Andreia, como a dona Maria…”. O vídeo ficou conhecido como “Serra como todo mundo ou Serra comedor”.

DESAFIOS: Na política é raro obter omelete sem quebrar ovos. Riedel prova que é possível. Independentemente do futuro político dela, o governador mantém boas relações com a ministra Simone, que tem sido importante na interlocução junto ao Planalto. Portanto, a habilidade de Riedel facilita relações e garante dividendos.

RETROVISOR: Riedel não questionou a decisão de Simone nas eleições presidenciais. E mais, preservou Eduardo Rocha (marido da ministra) na Casa Civil.  Um conjunto de fatos que resultou em benefícios como a aprovação do empréstimo bilionário do Planalto ao MS. Aliás, Riedel deve ajudar a viabilizar a volta de Rocha à Assembleia Legislativa.

ESTÍLO: Apenas Harry Amorim (nomeado pelo Governo Federal) pode ser comparado ao governador Riedel. Todos os demais vinculados e comprometidos fortemente com suas agremiações partidárias ou grupos tradicionais. Pedrossian, Wilson, Marcelo, Zeca, André e Reinaldo tiveram em comum a mesma orientação política partidária.

CRÍTICAS: Até ontem o PT participava do Governo Estadual e o governador Riedel sendo alvo de reverência e elogios do deputado Zeca do PT. Por questões ideológicas o partido de Lula entregou alguns cargos como preparativos às eleições deste ano. Mas mesmo assim, o PT está carente de argumentos que possam reverter o quadro.

NO SOFÁ: Alguém já disse que a militância petista se acomodou, precisa sair da sala e voltar às ruas. É voz corrente que a decisão de Simone em deixar nosso estado rumo a São Paulo, fragmentou os planos do PT que sonhava ela ao lado de Fabio Trad. Aliás, ela jamais fez acenos ao PT local. Tem luz própria e provou isso nas últimas eleições.

MUDANÇAS?  Geraldo Resende e Mrquinhos Trad perto do PV, na federação com o PT. O mesmo caminho de João C. Krug (PSDB) ex-prefeito de Chapadão do Sul, para viabilizar sua candidatura a deputado estadual. Em 2006 obteve 10.912 votos – hoje a cidade tem perto de 35 mil habitantes e Krug com sua liderança consolidada.

ZECA DO PT: O deputado fala em surpreender com nomes dos mais variados segmentos, além dos militantes de primeira hora. É o caso da candidatura a deputado estadual de Humberto Amaducci  ( prefeito 3 vezes de Mundo Novo e candidato do Governo em 2018) e que tentará ocupar o espaço regional – hoje de Mara Caseiro. .

CENÁRIO: Mudou pouco. Lucas de Lima e Lídio Lopes ainda sem partido; Paulo Duarte saindo do PSB; Rinaldo acena para o União Brasil, Marcio Fernandes espera a janela partidária (6 de março/5 de abril) a exemplo de Paulo Correa. Jamilson, Zé Teixeira e Mara não escondem os desejos de mudança de sigla. Beto Pereira de namoro com o PRB.

RESUMINDO: Como sempre vale mais o pragmatismo do que aquela utopia de idealismo e fidelidade partidária. Ao longo da história da política brasileira já tivemos casos de arrepiar. Discursos incoerentes e personagens impensáveis juntos. Cada leitor  com seus exemplos domésticos, mas vale citar Lula e Brizola juntos. Aí foi demais!

WILSON FIGUEIREDO: “Ao escolher o candidato ninguém encara as variantes possíveis de infidelidade partidária. Tantas legendas e tão insignificantes diferenças entre os partidos, fazem da escolha uma opção aleatória. Assim se explica o nível das propostas, bem abaixo do que os eleitores merecem. Um discreto pudor impede a confissão do voto, Mais adiante, vem o sentimento de vergonha”.

  1. MOCHI revela: a folha de 42 mil servidores estaduais está refém de uma dívida de R$9,3 bilhões – equivalente a 15 folhas de pagamento. Os devedores vão empurrando com a barriga, pagam juros caros e sem saída alguma. Esses funcionários vivem sob pressão. Mochi estuda uma solução, mas sabe que não há almoço grátis.

LAMENTÁVEL: Pesquisas mostram que o brasileiro deve até as calças e não se emenda: continua ‘passando o cartão de crédito’ com a mesma suavidade de quem lambe um sorvete. Daí vem o abalo da saúde e até o desarranjo familiar. Na certeza de que no final do mês o salário cairá na conta, o funcionário gasta além do limite.

NA ASSEMBLEIA:  Recomeço sem pressa. KEMP pede a regularização do acesso de remédios à base do canabidiol. PAULO CORRÊA quer comissão para tratar da interrupção de energia nos aviários e em várias cidades. LIA NOGUEIRA propõe instituir a ‘Ronda Maria da Penha’ em municípios carentes de estrutura na proteção às mulheres. CRÍTICAS não faltaram a norma recente que obriga o uso de capacete pelos trabalhadores rurais, incompatíveis à lida sob forte calor. LIDERES: Londres Machado e Pedrossian Neto reconduzidos aos cargos de líder e vice-líder do Governo. HASHIOKA apresentou moção de congratulações ao engenheiro Rudi Fiorese  pela sua nomeação no cargo de presidente da Agesul. LUCAS DE LIMA é autor de proposição sobre a cassação da CNH dos motoristas flagrados abandonando animais domésticos nas vias urbanas e rurais. CARAVINA quer da Energisa informações sobre  estrutura técnica da empresa ( alvo de reclamações) para atender prefeituras, usuários e novas ligações. PESAR: ex-deputado Antonio Braga foi lembrado pela sua atuação como parlamentar, vereador e Secretário de Estado. Deixou boas lembranças na Casa. LÍDIO LOPES: autor de proposta reivindicando a duplicação total da rodovia BR-262. ZÉ TEIXEIRA quer ter acesso aos dados de atendimento do Hospital Regional de Dourados para ter subsídios sobre sua eficiência. MARCIO FERNANDES: atento nas questões envolvendo a manutenção de estradas e de pontes danificadas pelas últimas chuvas. RINALDO MODESTO: moderador nos debates acalorados – tem sido sua marca, atuando também na defesa dos frágeis, da mulher e da educação. PAULO DUARTE: comandou elogiada homenagem ao deputado Londres Machado pelos seus 84 anos de idade.

 

 

 

 

 

 

 

Zé Geral: Por Rosildo Barcellos

Zé Geral: Por Rosildo Barcellos

O dicionário define como sendo o ato de produzir sons musicais utilizando a voz…expressar-se vocalmente por meio de frases melódicas. Mas e se eu disser que conheço alguém que transpira canto e exala música?

Tudo começou na rua 13 de Maio, em 1995. Lá foi realizado o primeiro Sarau do Zé Geral, na noite de uma quarta-feira. Depois num Casarão, no bairro Amambaí, seguindo por uma casa na Esplanada Ferroviária, AABB e assim foram 15 endereços e mil edições até chegar na rua Pasteur 937, o endereço da cultura. E isso o fez o músico que é referência e ícone no estado e tornou a frase famosa “Sarau do Zé Geral”. Fui apresentado a ele por Zeca do Trombone, meu professor de violão, mas que me viu trocar o dedilhar das cordas por manusear as palavras. José Geraldo Ferreira, “Zé Geral”,  é um dos pilares do Morenismo.

O Morenismo surgiu para divulgar e valorizar o que é a Cultura, promovendo ações que contribuíram e ainda o fazem para a autoestima do cidadão da capital sobre a identidade regional que temos. É um movimento de afirmação, e de apreciação da arte sonora que produzimos.

Certamente que para esta nomenclatura não se pensou na criação de modelos e nem linhas, mas sim de afirmar: é de Campo Grande sim. Mesmo que tenha sua origem externa. É como a própria formação da cidade. São pessoas que trouxeram suas contribuições e aqui criaram características próprias e assim aconteceu com o nosso amigo Zé Geral que trouxe a simpaticíssima “Val” de Atibaia para o nosso mundo Neste momento não há como não lembrar e citar o poema do Emmanuel Marinho.

Poesia? Poesia não compra sapato! Mas como andar sem poesia!!! E de poesia e música se instituiu o Morenismo e Zé Geral, é o abraço que permanece no ar e ele abraçou e abarcou toda esta estrutura e tendências, fazendo com que por anos a fio pudesse parecer a única nesga de resistência com fulcro no trabalho deste violonista, compositor e cantor que resiste ao tempo como o cerne de aroeira.

Ele tem estrutura de palco, aparelhagem e pureza de propósitos. Além de uma capacidade intelectual invejável e que pude comprovar quando musicava poemas do livro da escritora Vanda Ferreira. Material literário que foi prefaciado pelo professor de Gramática, Adelino Brandão; residente na época em Paranaíba.

Desbravada por mineiros, Campo Grande acolheu diversos imigrantes e brasileiros de vários estados e a síntese de todas estas questões e nuances estão marcadas na alegria, na poesia e no tom musical de Zé Geral.   Assim é Zé Geral: é a sombra da mangueira, é pegadas na grama, são as fotos expostas na parede, é a serenata violão e voz, na porta da amada; é história, música e poesia em fusão e difusão, que mostra a beleza sob todas as formas; e faz parte da nossa própria identidade cultural. Zé Geral, é um músico acumula mais de 20 anos de verdadeiras noites e serviços prestados pela cultura e arte local, da história do evento. Foram  mil edições, sendo que na de numero 550, reuniu em uma só noite , 212 músicos  misturados a um publico de duas mil pessoas.

E para terminar. Sou apenas um contador de histórias, mas quando se trata de Zé Geral tenho uma grande  certeza: Que há tanto nesse coração  que ele ainda gostaria de cantar hoje e tantas outras coisas que ele vai querer cantar amanhã.  Há tanto em seu coração  pra ser cantado. . Há canções que só Deus vai ouvir, há canções que só os mais íntimos ouvirão, há canções que nunca poderão ser  cantadas  e há canções que toda vizinhança vai ouvir. Entretanto sempre tem uma canção pronta pra ser entoada nesse seu eterno coração de compositor e amante da vida!

*Articulista

A incrível arte de Ilton Silva: Por Rosildo Barcellos

A incrível arte de Ilton Silva: Por Rosildo Barcellos

O Sul-mato-grossense, de Ponta Porã, Ilton Silva (1943-2018) é o criador de um imaginário com extrema força pictórica, arrisco afirmar que em suas obras vislumbro uma versão pantaneira e vibrante do cordel, com verdes exuberantes e seres reais e imaginários que integram o cotidiano da região a um universo enigmático e fantástico, em uma expressão ao mesmo tempo ampla e irrestrita.

Relembro uma entrevista do artista, em comento neste artigo, para o meu caríssimo amigo José Eduardo Gallindo Novo, para o “Nossa Música é Assim”, que aniversariou em 11 de janeiro próximo passado e inclusive muito me orgulho de ter sido entrevistado por ele. Introdução e  agradecimento feito; num certo  episódio o pintor explanava a Zédu , o quanto suas obras foram inspiradas pelo cultivo da erva-mate, Ilton Silva retratou trabalhadoras, benzedeiras e crianças em telas de um estilo alegre e divertido, que revela aspectos dos costumes indígenas, da cultura portuguesa e da própria floresta, personagem sempre presente em seu trabalho.

A simplicidade dos traços e o colorido de suas obras convidam o observador a apreciar figuras e detalhes que provocam a sinergia entre tais elementos, com um resultado emblemático e transcendental.

Lembro outro momento durante meu mandato de Conselheiro de Cultura da Cidade Branca e durante a 13ª edição do Festival América do Sul Pantanal, pude conferir um dos mais conhecidos artistas plásticos sul-mato-grossenses, Ilton Silva, pintando quadros ao vivo em pleno  Porto Geral, em Corumbá.

Naquela oportunidade eu conversava e ele me explicava que iria deixar a inspiração o conduzir na escolha dos temas, mas que pretendia dar ênfase a elementos da região, como o casario, barcos, canoas de pescador.
Ilton Antunes da Silva, nascido da união de Conceição Freitas da Silva, a notável artista primitivista que esculpia os “bugres”, hoje elevados à condição de ícones culturais de MS, e de Abílio Antunes, funcionário público federal. Nos primeiros tempos, oferecia suas telas de casa em casa. Mais tarde, instalando seus ateliês em  locais em Campo Grande, assistia à popularização desses espaços, que se tornavam referências para comercialização de suas obras e encontros de artistas e amantes das artes plásticas. O conjunto de sua obra revela o peso da presença cultural guarani em Mato Grosso do Sul. (Aliás ZéDu junto com o indefectível Bosco Martins compuseram a música “Alma Guarani” Aqui o sol se mostra o dia inteiro, E a lua cheia é a mais bonita de assistir, Na longa história: Nativos e Forasteiros,A nossa terra tem a “Alma Guarani”.) musica que ao meu ver tem toda a essência do grandioso Ilton.

Até porque, em tese, seus personagens são trabalhadores  da fronteira. As rudes feições de ervateiros e peões produzidos pela miscigenação, seus bigodes finos e alongados, cabelos negros e olhar vivo, uma indumentária que inclui o  poncho,   às vezes, o revólver e o “machete”, a companhia do cavalo, os vistosos apetrechos de montaria, o exercício das lidas típicas do campo, o churrasco ou a roda de tereré, os bailes, as festas bem como a paisagem são elementos expressivos de composição que expõem as condições de existência dos trabalhadores fronteiriços.

O impacto da obra de Ilton Silva nos sul-mato-grossenses foi profundo. Por seu merecimento, a Câmara Municipal da Capital lhe conferiu o título de Cidadão Campo-Grandense.

Seu nome está gravado na história. Como assevera Aline Figueiredo “  A pintura faz parte de seu cotidiano, como espécie de lenitivo para aclarar as ideias. Não consegue começar ou terminar perfeitamente o dia sem antes ter pintado um quadro. In: FIGUEREDO, Aline. Artes Plásticas no Centro-Oeste. Aline Figueredo.Cuiabá,UFMT, MACP, 1979. 

Numa determinada ocasião esbarramos em uma conversa mais uma vez e ele me contou naquela noite que  naquela época arriscava, naturalmente, seus dotes artísticos com rabiscos no chão e madeira. “Minha primeira profissão foi engraxate, mas sempre fui muito observador das coisas, pessoas. Em um momento, fui trabalhar com meu tio, que fabricava erva mate, fumo, carne seca, melado e queijos. No chão daquele lugar comecei a fazer alguns desenhos e depois saía na rua tentando vender outras artes que eu fazia”.  Ilton Silva  morou por duas décadas em Santa Catarina   quando enfim partiu para  pintar estrelas com suspeita de pneumonia e anemia. Eu com as benção  que Deus me deu, hoje durmo abençoado com uma de suas obras na parede do meu minúsculo “kafofo”  dividindo o ambiente com uma rede, os jornais, livros, um valente ventilador, os diplomas que certificam meus trinta anos de estudo e as medalhas recebidos de pessoas e instituições que viram em mim, o que faço hoje … conto histórias das personalidades  que conheci e que me mostraram uma justa forma de viver e ensinaram a caminhar com fé no Arquiteto do Universo. Não se preocupe prezado Ilton. Aquele quadro só sai da parede quando eu também for escrever histórias no céu. Está ali para corroborar que a amizade pode sim, ser eterna e a cultura perene.

*Articulista

 

A toga, o poder e o limite: Por Bosco Martins

A toga, o poder e o limite: Por Bosco Martins

A proposta de Código de Conduta encaminhada pela OAB de São Paulo ao presidente do STF não é apenas um debate ético. É um gesto político, calculado e carregado de simbolismo num momento em que o Supremo deixou de ser apenas árbitro para se tornar protagonista do jogo de poder.

Ao defender regras duras sobre impedimentos, agendas públicas, eventos patrocinados, manifestações externas e uma quarentena pós-mandato, a OAB escancara o desconforto institucional com práticas que, embora não ilegais, corroem a percepção de imparcialidade da Corte. No Judiciário, a confiança não se sustenta só nas decisões — depende também da postura.

A inspiração nos Princípios de Bangalore e a ênfase na aparência de neutralidade atingem em cheio a rotina recente do Supremo, marcada por exposição midiática, discursos fora dos autos e trânsito frequente entre o mundo jurídico, político e empresarial. O recado é claro: juiz não pode parecer parte, muito menos ator político.

A quarentena de três anos para o retorno à advocacia é o ponto mais explosivo da proposta e tende a enfrentar resistência interna. Ainda assim, toca numa ferida antiga: a porta giratória entre o plenário e os grandes escritórios, sempre tratada com naturalidade corporativa.

Em ano pré-eleitoral, com tensões abertas entre STF, Congresso e Executivo, a iniciativa da OAB antecipa um debate inevitável: até onde vai a independência judicial e onde começa o poder sem freios? Se o Supremo não estabelecer seus próprios limites, outros o farão — no Legislativo, nas urnas ou na pressão da opinião pública.

Leia Coluna Amplavisão: BÔNUS E ÔNUS DA CLASSE POLÍTICA

Leia Coluna Amplavisão: BÔNUS E ÔNUS DA CLASSE POLÍTICA

BÔNUS E ÔNUS DA CLASSE POLÍTICA

BÔNUS: Ou, custos e benefícios que a classe política está sujeita a sedução pelo poder. A visibilidade massageia o ego, eleva o status, proporciona relações que proporcionam vantagens e prestígio favorecendo amigos e parentes. São raros os casos em que o político deixa o cargo e a política por se sentir desconfortável. Conhece algum?

ÔNUS: O outro lado do poder. Devido ao excesso de exposição pública os políticos são reféns do sistema e às vezes até fragilizam suas relações familiares. A priori não podem errar, seus atos vigiados, perdem a privacidade em todas situações. É o preço, as vezes alto que os políticos pagam. Mas, a maioria oceânica deles aceitam o desafio.

NOVIDADES? Riedel interioriza a gestão com lançamentos e inaugurações de obras. Barbosinha e Verruck deixam o PSD, rumo respectivamente ao Republicanos e PP. O primeiro prepara-se para a reeleição com Riedel e o segundo disputará a Câmara pelo PP ao lado de Waltinho Carneiro e Luiz Ovando. Até 4 de Abril muita coisa deve acontecer.

QUESTÕES: Na escolha dos dois senadores há dúvidas: prevalecerá a ideologia partidária – pura e simples – ou pesarão os perfis dos postulantes? Contar aposta no primeiro critério, enquanto Reinaldo e Nelsinho apostam as fichas na segunda opção. O programa eleitoral deve ser um componente importante para o eleitor se decidir.

‘CHUTES’: Os dados e números nos discursos de Ciro Gomes sem sustentação. Lula é outro ‘inventor’ de fatos. Disse que a nossa primeira universidade data de 1920, mas Rui Barbosa se formou em 1870 pela Faculdade de São Paulo. E em 1810 já havia as faculdades de Medicina de Salvador, Engenharia do Rio e de Minas em Ouro Preto.

ESCROTO: O ex-Primeiro Ministro da Itália Silvio Berlusconi marcou pela falta de respeito, gafes, piadas e termos chulos ao se conectar com o público. Chamou Barack Obama de “jovem, bonito e bronzeado. Em outra ocasião pulou de trás de um monumento e gritou “cucu” (esconde-esconde) para a ex-chanceler alemã Ângela Merkel.

FANFARRÃO: Hugo Chaves usava o humor para atacar adversários e se comunicar com apoiadores. Chegou ao cúmulo de apelidar Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos Estados Unidos de “Condolência” e referindo-se a ela como “menininha”, acompanhado de gestos irônicos como mandar beijos em seus programas de TV.

DANÇOU: Senador, Collor convidou o colega malufista Júlio Campos (MT) para ser seu candidato a vice-presidente. Ele recusou e indicou a deputada Maria Kubischek que também disse não. Presente, dona Sara Kubischek sugeriu o senador Itamar Franco que aceitou no ato. Quem conta é o próprio Julinho admitindo: “fiquei chupando o dedo”.

A PROPÓSITO: Complicada a situação dos irmãos Júlio (deputado estadual) e Jaime Campos (senador). O governador Mauro Mendes quer o Senado, apoia seu vice Otávio Pivetta (RP) ao governo e o senador Wellington Fagundes (PL) é o concorrente mais forte. Júlio até se reelegeria, mas Jaime precisa costurar acordos para sobreviver. A Família Campos está na política há 60 anos.

SEM NOÇÃO: Em 1994 Valdemar da Costa Neto (ele!) estava no camarote dos bicheiro no carnaval do Rio, onde Itamar era o convidado de honra. Em seguida, Lilia Ramos, após posar para a Playboy e desfilado com os seios à mostra na ‘Viradouro’ é saudada com beijinhos por Itamar e deu no que deu. Manchete na República e lá fora.

GOZADOR: Ronald Reagan fazia piadas sobre o atraso dos russos. Uma de1988: “Na Rússia o cidadão vai à revenda comprar um carro OK e o vendedor diz: ‘Em 10 anos você vem buscar seu carro’ – “ De manhã ou a tarde”? ‘Que diferença faz? – indaga o cliente. O vendedor justifica: ‘É que de manhã nesta data, está agendada a visita do encanador à empresa”.

INCOERÊNCIA: Nunca, Lula tentou interferir pela libertação dos presos políticos nos governos de Chaves e Maduro. Logo ele que prega liberdade e direitos humanos por aí. Essa reclamação ouvi de um marceneiro venezuelano que trabalha como repositor num supermercado de Campo Grande. O que os petistas têm a dizer sobre o fato?

‘CAMARADA’: Nicalae Ceausescu, comunista. Mandou 24 anos na Romênia. O povo com fome e ele construiu um palácio de 80 quartos, 12 andares acima do solo e 8 subterrâneos com abrigo nuclear. Para isso deslocou 60 mil pessoas da área onde fica o palácio. Ele e a mulher foram presos pelo povo e executados no Natal de 1989.

ATRITAR ? JAMAIS! A Ordem dos Advogados do Brasil, antes atuante em defesa da sociedade, simplesmente saiu de cena neste escândalo do Banco Master respingando no STF e no Governo. Os dirigentes priorizam preservar as relações com o Judiciário. Ora! Onde existem crimes sem criminosos, todos acabam suspeitos. O que diria Ruy Barbosa!?

LEWANDOWSKI: Não leu as obras de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a ética. As notícias que envolvem recebimento de dinheiro do Banco Master quando era Ministro da Justiça são graves, precisam ser apuradas. Sua saída abrupta do cargo deixou pegadas escabrosas. O caso remete-nos ao programa do Silvio Santos com “Quem Quer Dinheiro?!”

NO BRASIL: Falta gente para trabalhar. Sobram vagas na capital. Sorte dos haitianos e venezuelanos. Temos 40 mil com carteira assinada; aposentados, pensionistas e 50 mil vivendo com o Bolsa Família e outros programas sociais. Com fins eleitorais o Governo mantém esse curral que trará problemas no futuro. Só os idiotas não enxergam.

UMA EPOPEIA: Proprietários rurais reclamam das dificuldades para se conseguir funcionários. Apesar dos bons salários, habitação com conforto (internet e celular), não é fácil ‘segurar’ funcionários por muito tempo. Isso se verifica na sojicultora, pecuária e extração do látex. O sonho de consumo ainda é a cidade grande. Baita ilusão!

BARBARIE: Coitado de quem precisa dos préstimos do INSS. Só no MS, no final de 2025, cerca de 41.775 pessoas estavam na fila de espera de benefícios. Enquanto isso a fila única (nacional) do órgão chega a 41,7 mil ‘sofredores’. Sai governo, entra governo e não se resolve o problema tão delicado. INSS lembra um ‘circo de horrores’.

PONTO FINAL:

Na política, a vingança, (não a esperança), é a última que morre.