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Bela Vista-MS Quarta-Feira, 24 de Junho de 2026
Quem lucra com as doenças? Por Wilson Aquino

Quem lucra com as doenças? Por Wilson Aquino

A medicina moderna é uma das maiores conquistas da humanidade. Vacinas, antibióticos, cirurgias, terapias avançadas e diagnósticos cada vez mais precisos salvaram milhões de vidas. É impossível negar: a ciência médica é, em muitos sentidos, um milagre construído com estudo, método e dedicação. O paradoxo é que, mesmo com tanto avanço, nunca convivemos com tantas doenças crônicas ao mesmo tempo — e, pior, cada vez mais cedo.

Os números do Brasil chamam atenção. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde com base no Vigitel (2006–2024), a prevalência de diabetes entre adultos mais que dobrou, passando de 5,5% para 12,9%. No mesmo período, a obesidade avançou 118%, e o excesso de peso atingiu patamares alarmantes. (Serviços e Informações do Brasil)

Em termos práticos, isso significa uma sociedade que se torna, aos poucos, dependente de um modelo de sobrevivência: um comprimido para controlar, outro para compensar, outro para “equilibrar os efeitos colaterais”. E a vida segue… não necessariamente curada, mas “administrada”.

Não é conspiração. É estrutura. Aqui entra o ponto central: o modelo econômico atual premia mais o tratamento do que a prevenção. Ao mesmo tempo em que a medicina se fortaleceu, a alimentação foi sendo sequestrada pela lógica industrial. Alimentos deixaram de ser alimento e se tornaram produtos: ultraprocessados desenhados para durar mais, viciar mais, vender mais — e custar menos no caixa, mas muito mais no corpo.

A ciência tem reforçado esse alerta. Estudos e análises apontam associação entre maior consumo de ultraprocessados e piores desfechos de saúde; uma meta-análise divulgada e comentada por pesquisadores ligados à USP destacou uma relação dose–resposta, em que aumentos no consumo se associam a aumento no risco de mortalidade por todas as causas. (Jornal USP)

E o custo social desse padrão não é abstrato. Ele aparece no orçamento público. Um estudo publicado na literatura científica de saúde pública estimou que, no Brasil, os custos diretos atribuíveis a hipertensão, diabetes e obesidade somaram R$ 3,45 bilhões (dados referentes a 2018). (SciELO SP). Em outra comunicação do próprio Ministério da Saúde, há referência de que, dos R$ 6 bilhões usados em 2019 no tratamento de doenças crônicas, cerca de R$ 1,5 bilhão foi atribuído ao excesso de peso e à obesidade. (Serviços e Informações do Brasil). Ou seja: paga-se caro para tratar, e investe-se pouco para evitar.

O mais inquietante é que a prevenção, embora seja amplamente defendida em discursos oficiais, raramente ocupa o centro das políticas públicas e das estratégias comerciais. Educar para escolhas saudáveis exige tempo, transformação cultural e, sobretudo, menor rentabilidade imediata. Investir em alimentos naturais, urbanismo que favoreça caminhada, esporte nas escolas e campanhas permanentes de orientação nutricional produz resultados a longo prazo — mas o mercado opera, em geral, na lógica do curto prazo. E nessa engrenagem, o adoecimento constante mantém a máquina girando.

Diante disso, a pergunta ética não é “quem inventou tudo isso?”, mas sim: Que sistema é esse que lucra mais quando a população adoece?

Porque há um círculo vicioso em pleno funcionamento:

1.     Ultraprocessados se popularizam (por preço, praticidade e marketing).

2.     Crescem obesidade, diabetes, hipertensão.

3.     Aumenta a medicalização cotidiana.

4.     Dispara o custo do tratamento.

5.     A prevenção continua sendo a parte mais fraca da equação.

E o que deveria ser exceção vira rotina. A doença crônica vira “normal”. E a vida vira uma agenda de receitas, exames e renovações.

No artigo “Tire o plástico dos pés”, falamos, na semana passada, em sentido literal e simbólico, sobre o quanto nos afastamos da natureza. A ideia do “isolamento” pode ser lida para além da sola do sapato emborrachado. Estamos isolados do simples: do alimento de verdade, do preparo caseiro, do tempo da mesa, do corpo em movimento, do sol, do chão, do ritmo natural da vida.

E quanto mais a vida se industrializa, mais a saúde se torna dependente de correções artificiais. Talvez a grande revolução não esteja apenas em descobrir novos remédios, mas em reduzir a necessidade deles.

Comida de verdade, atividade física, sono, vínculo social, contato com a natureza, prevenção séria — isso não rende manchetes diárias, mas sustenta o que a medicina, depois, precisa resgatar.

Não se trata de demonizar a indústria farmacêutica nem de negar a medicina — ambas são essenciais. Trata-se de reconhecer que saúde não pode ser apenas mercadoria.

Se o lucro cresce na proporção da dependência, então estamos diante de um dilema civilizatório. Não basta discutir remédios mais modernos ou hospitais mais equipados; é preciso repensar o modelo que transforma comida em produto químico e transforma pessoas em consumidores crônicos de tratamentos. Uma sociedade saudável não é aquela que tem mais farmácias por esquina, mas aquela que precisa menos delas.

Se queremos um país com menos doença crônica, precisamos de um modelo que valorize mais o que sustenta a vida do que o que apenas remedia seus danos. Vamos continuar vivendo “administrados”… ou teremos coragem de reaprender a viver de verdade?

*Jornalista, Professor e Escritor

 

Leia Coluna Amplavisão: Inteligência artificial: riscos e danos eleitorais

Leia Coluna Amplavisão: Inteligência artificial: riscos e danos eleitorais

CONFETES & VOTOS:  Apesar de carioca, o ‘samba no pé’ não faz o estilo de Riedel.  Mas encarou fácil os ambientes carnavalescos distribuindo sorrisos e abraços. Por outro lado, não há notícias se Fabio Trad tenha saído de sua clausura ou preferiu o aconchego do lar vendo o desfile das escolas de samba do carnaval carioca.

SEM RUMO: Político que não lidera não forma grupo político e se vê obrigado a pegar carona em outras agremiações. É o caso da senadora Soraya sem identificação partidária e que pode ingressar no PSB para apoiar Fabio Trad.  Nos corredores da Assembleia comenta-se que ela sonha com um cargo de Lula como compensação em 2027.

DÚVIDAS: Nos bastidores comenta-se sobre a possibilidade de aflorar durante a campanha eleitoral temas relacionados aos escândalos envolvendo alguns políticos. Com as redes sociais exercendo crescente influência nas eleições, há quem aposte que o pleito estadual possa se transformar numa grande lavanderia. Haja sabão!

VALE TUDO:  A pratica da ‘desinformação’ deixou de ser fenômeno episódico para se tornar um risco ao processo eleitoral deste ano graças a velocidade da disseminação. Questiona-se:  os Tribunais Regionais Eleitorais e mesmo o TSE estarão preparados para decidir rapidamente se aquela publicação estaria fora da legalidade?

LADO SOMBRIO: O avanço da tecnologia proporciona a capacidade ilimitada de criar vídeos, áudios e imagens com elevado grau de realismo, simulando discursos e posturas de candidatos, por exemplo. Parte do eleitorado poderá ser enganado ao não separar o que é real e artificial (conteúdo manipulado) na internet.

A GUERRA: Ela já existe através de narrativas enviesadas e informação massiva nas redes sociais, criando terreno fértil para a desinformação. Há quem aposte na vitória da agilidade da inteligência artificial contra os padrões burocráticos de quem, deveria estar municiado de tecnologia a serviço da lei. É como um fusca contra um BMW.

HUMOR: Na campanha presidencial, John Kennedy enfrentou críticas de que seu pai milionário Joseph estaria comprando a eleição. Ele teria respondido lendo um suposto telegrama do pai durante um jantar: “ Caro Jack: Não compre nem um único a mais do que o necessário. Eu serei condenado se for pagar por uma vitória esmagadora. ”

‘PADINHO’:  Contam em tom folclórico que várias famílias do interior da Paraíba escreveram cartas para a Casa Branca pedindo que Kennedy fosse padrinho de seus filhos. Em sua elegância ele chegou a responder, aceitando o pedido por procuração, o que gerou orgulho local, mas se tornou uma piada trágica com o assassinato de 1963.

RONALD REAGAN: O presidente era craque em piadas. Uma delas sobre a chegada do político e o padre ao céu. São Pedro oferecera ao religioso uma casa simples e ao político uma mansão. Surpreso, o político questionou as razões do privilégio, ao que São Pedro explicou: “religioso é comum aqui, mas quanto aos políticos, você é o primeiro.

JIMMY CARTER: Só falava inglês. Em viagem ao Japão, ele resolveu contar uma piada para ‘quebrar o gelo’ para a plateia monolíngue. Riso geral. Depois surpreso, Carter indagou o motivo da reação tão calorosa –  e o interprete revelou o que havia recomendado aos presentes: “A piada contada pelo presidente é engraçada. Todos devem rir

REVIRAVOLTA: Na noite da posse de Ulysses, Sarney estava deprimido e confessou “com medo do fim inglório de sua carreira política. ” Ele sabia que no Brasil o vice é esquecido, enquanto nos ‘U.S.A’ acaba líder no Senado. Mas como na política tudo pode acontecer, veio o óbito de Tancredo e a consequente posse de Sarney.

O PERDEDOR: “Vote no brigadeiro, bonito e solteiro”.  Mas apesar de carismático e elegante, Eduardo Gomes perdeu as eleições de 1945 para o gal. Eurico G. Dutra com 34% dos votos e de 1950 para Getúlio Vargas, obtendo só 29% dos votos. Ao brigadeiro restou o título de Patrono da Força Aérea Brasileira e por ter inspirado o nome do chocolate batizado de ‘brigadeiro’.

O TURISTA: Poeta e escritor, Epitácio Pessoa teve uma eleição surreal em 1919. Ele estava em Paris na Conferência de Versalhes, após a Primeira Guerra e não participou da campanha eleitoral. Com 71% dos votos derrotou Rui Barbosa. As eleições foram realizadas em abril, e ele só retornou ao país em julho, uma semana antes da posse.

TEMPORONA: O presidente Rodrigues Alves morreu em janeiro de 1919 (de gripe espanhola) antes de assumir o 2º mandato. Desde novembro de 1918, quando Rodrigues deveria ter tomado posse, o país era governado interinamente pelo vice Delfim Moreira. Rodrigues Alves recebeu em Paris a notícia de que seria o candidato e aceitou, é claro.

AMOR E ÓDIO: O ditador Stalin odiava o ator americano John Wayne pela sua postura anticomunista liderada pelo senador Joseph McCarthy. Por conta disso, Stalin colocou o ator na sua lista negra para ser assassinado pela KGB. Mas por essas ironias, o ditador russo assistia a todos os faroestes do famoso cowboy. Era fã de carteirinha.

A VIAJANTE:  A rainha Elizabeth visitou mais de 120 países; inaugurou o MASP (São Paulo) em 1968; na 2ª. Guerra treinou como motorista e mecânica; no seu reinado esteve com 13 dos 14 presidentes dos Estados Unidos, desde Harry Truman até Joe Biden; também conheceu 5 Papas – de Pio XII em 1951 ao Papa Francisco em 2014.

E ADIANTA?  A Lei 5.991/73 obriga o médico de adotar palavras legíveis nas receitas como alertam cartazes afixados nos postos e unidades de saúde. Hoje alguns médicos já usam o receituário impresso do computador, facilitando a sua leitura, enquanto outros ainda insistem com ‘garranchos’ indecifráveis para desespero dos farmacêuticos.

REMÉDIO: Princípio elementar de economia: não se gasta mais do que se ganha. Daí que o Governo Estadual é obrigado a cortar as despesas neste ano, mesmo com as eleições batendo a porta. Claro, teremos habituais ‘chiadeiras’ e até certo desgaste eleitoral, mas o governante precisa ter coragem para adotar medidas impopulares.

PEROLAS ESCOLARES.

A Alemanha é o país da Europa onde melhor se fala o alemão.

Tem uma planta em extinção nas Ilhas Virgens: as trepadeiras!

A Rússia foi atacada na 2ª. Guerra pelo general nazista Napoleão Bomdaparte.

O maior produto de exportação de Angola é a galinha.

Tarântula é uma variação ritmada da tarantela.

Transitividade verbal é a opção sexual do verbo.

A função do cerebelo é fazer criar cabelo.

Complexo de Édipo é um bairro carioca vizinho do Complexo do Alemão.

Eva e Cleópatra foram as primeiras mulheres a sentir prazer com cobras.

A tartaruga, o bicho preguiça e os funcionários públicos insatisfeitos são os animais mais lentos do Brasil. .

O que é manada? É a forma junta de mais-nada.

Cremação é passar creme na pele – depois de morto, é claro!

Todos os lados do triangulo escaleno são iguais, porque a área quadrada da circunferência da pirâmide é maior que ‘o raio que o parta’.

Tire o plástico dos pés: Por Wilson Aquino

Tire o plástico dos pés: Por Wilson Aquino

O homem moderno se orgulha do progresso. Nunca tivemos tanta tecnologia, tanta praticidade e tanta oferta de produtos. Mas uma pergunta incômoda precisa ser feita: estamos realmente mais saudáveis e mais livres… ou apenas mais dependentes da indústria?

Quem já levou uma pequena descarga elétrica ao tocar outra pessoa ou encostar em um objeto metálico talvez nunca tenha parado para pensar que o próprio estilo de vida moderno pode estar nos isolando da natureza. Pesquisadores vêm estudando o chamado ‘Grounding’, ou ‘Aterramento corporal’, que analisa benefícios do contato direto do corpo com o solo natural. Ainda que as pesquisas estejam em desenvolvimento, já apresentam resultados promissores e levantam uma reflexão inquietante: há poucas décadas, o ser humano mantinha muito mais contato com a terra, com a grama e com o ambiente natural e não enfrentava tantos problemas de saúde como agora.

Hoje, usamos calçados com solados sintéticos, isolantes, praticamente o tempo todo. Não se trata de condenar a tecnologia, mas de questionar se cada avanço realmente representa evolução para a saúde e o bem-estar humano — ou apenas para o mercado consumidor. Ao longo do tempo, fomos perdendo algo essencial: a capacidade de questionar.

A alimentação talvez seja o exemplo mais evidente dessa transformação cultural silenciosa. A chamada “comida de verdade” vem sendo substituída por produtos ultraprocessados, formulações industriais criadas para durar mais, vender mais e estimular o consumo contínuo. Pesquisas da Universidade de São Paulo associam o consumo elevado desses produtos ao aumento da obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e até alguns tipos de câncer.

Dados do Ministério da Saúde mostram que mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso, realidade fortemente ligada ao padrão alimentar moderno. O consumidor raramente percebe que está inserido em uma engrenagem econômica que estimula o consumo constante. Muitos alimentos apresentam rótulos extensos, com ingredientes que grande parte da população sequer reconhece. O alimento deixa de ser nutrição e passa a ser produto.

Outro fenômeno crescente é o surgimento de alimentos que imitam produtos tradicionais, mas que, na prática, são formulações industriais carregadas de aditivos. O iogurte é um exemplo emblemático. Tradicionalmente produzido pela fermentação natural do leite e reconhecido por seus benefícios intestinais, hoje muitas versões industrializadas apresentam elevados índices de açúcar, espessantes, corantes e os chamados “aromatizantes sintéticos idênticos ao natural”. Descrição que deveria nos deixar apavorados.

E o iogurte não está sozinho. Cremes e requeijões industrializados, queijos processados, achocolatados ricos em açúcar, sucos industrializados, margarinas ultraprocessadas e carnes embutidas representam apenas algumas versões artificiais de alimentos tradicionais, muitas delas associadas por estudos internacionais ao aumento do risco de doenças crônicas.

A história recente da alimentação mostra como percepções podem ser moldadas por interesses econômicos. O ovo já foi tratado como vilão do colesterol e hoje integra uma alimentação equilibrada. A banha animal foi retirada das cozinhas para dar espaço aos óleos vegetais industrializados, que agora também passam por revisões e críticas científicas quanto ao grau de processamento e impactos metabólicos.

O sal refinado, presente em praticamente todas as cozinhas brasileiras, é composto basicamente por cloreto de sódio, enquanto sais naturais (sal grosso) preservam até mais de 80 minerais benéficos para a saúde humana.

Talvez o maior risco da sociedade atual não esteja apenas nos produtos que consumimos, mas na passividade com que aceitamos padrões impostos. Somos influenciados diariamente por campanhas publicitárias sofisticadas, embalagens sedutoras e discursos que associam praticidade à felicidade, enquanto pouco se discute sobre os efeitos silenciosos dessas escolhas ao longo dos anos.

O ser humano passou a confiar mais na propaganda do que na própria natureza. Não se trata de negar o progresso, mas de compreender que crescimento econômico não pode ser confundido com evolução humana.

E quanto ao plástico nos pés, surge uma reflexão inevitável: se estudos começam a indicar que a redução dos isolantes pode favorecer o equilíbrio do organismo pela maior integração com o ambiente natural, será que a própria indústria não passará a desenvolver calçados capazes de resgatar essa conexão perdida? Quem sabe misturas inteligentes de materiais naturais, como o couro, associadas a componentes sintéticos, possam surgir, inclusive no universo esportivo, onde atletas produzem enormes cargas de energia durante provas de alto rendimento, como as maratonas?

Talvez estejamos diante de uma nova fronteira do desempenho humano. Não seria exagero imaginar que, ao permitir que o corpo humano mantenha maior harmonia com as forças naturais que regem a vida, novos limites físicos possam ser superados. Acredito nisso. Acredito até em novos e incríveis recordes no mundo dos esportes. Afinal, o ser humano não é apenas matéria, mas também energia em constante interação com o ambiente que o cerca.

Quando essa interação acontece de forma plena, o corpo tende a encontrar maior equilíbrio, fluidez e eficiência. Permitir que essa energia circule livremente, sem os bloqueios artificiais impostos pelo isolamento excessivo, pode significar não apenas ganhos de desempenho esportivo, mas também um reencontro natural com a energia universal que sustenta e conecta toda a criação — uma energia que representa a própria manifestação de Deus na natureza.

*Jornalista, Professor e Escritor.

Vozmecê leva show “Tropicapolca” para as Escolas EJA da Capital Sul-matogrossense.

Vozmecê leva show “Tropicapolca” para as Escolas EJA da Capital Sul-matogrossense.

O Duo Vozmecê, artistas da música em Campo Grande-MS, farão uma série de apresentações em escolas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na capital. O projeto é uma iniciativa social de Pedro Fattori e Namaria Schneider, que anunciaram a circulação do show “Tropicapolca” em quatro escolas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande. O projeto, intitulado “Tropicapolca: Vozmecê Circuito EJA CG”, tem como objetivo principal democratizar o acesso à cultura e valorizar a identidade regional, levando a música autoral do duo a um público historicamente afastado dos grandes eventos culturais. As apresentações ocorrerão em bairros periféricos Estrela Dalva I, Guanandi, Portal Caiobá e no Parque Novo Século, onde estão localizadas as escolas EJA.

O show “Tropicapolca” é baseado no álbum audiovisual mais recente do Vozmecê, lançado em 2024. A sonoridade do duo mistura ritmos fronteiriços e pantaneiros, como a Polca Paraguaia, Guarânia e Chamamé, com influências de diversas regiões do Brasil, como a MPB, Samba, Baião, afoxé, além da universalidade do rock. Essa fusão é o que o duo chama de música neo-pantaneira. As canções do Vozmecê se destacam não só pela estética contemporânea ao mesmo tempo que de raiz, mas também pelas letras de forte teor social. Temas como a igualdade de gênero (presente na guarânia “Pantaneira”) e a crítica ao imperialismo norte-americano (destacada na canção “Tio Sam”, vencedora de prêmio no Festival Universitário da Canção) prometem gerar reflexões entre os estudantes.

Além da música, o projeto adota uma abordagem transversal para enriquecer a experiência dos alunos. Será exibido o documentário “CenAlternativa: MS Geração 20”, que apresenta a nova geração de artistas autorais de Mato Grosso do Sul, seguido de rodas de conversa mediadas pelos integrantes do Vozmecê. Também, em cada show, o duo receberá a artista Beca Rodrigues, outro nome da nova música do Mato Grosso do Sul, reforçando a integração da cena cultural local.

“A escolha do público EJA se dá pela urgência em atender a uma população muitas vezes privada do direito à fruição artística por conta da rotina intensa entre trabalho e estudos, propondo cultura como um direito humano essencial e fortalecendo vínculos com a identidade cultural do Mato Grosso do Sul”, afirma o duo.O projeto garante a acessibilidade para o público PcD com a presença de um Intérprete de Libras em todas as apresentações, além de janela de Libras e audiodescrição no documentário, consolidando o compromisso com a inclusão. O espetáculo tem duração prevista de 40 minutos e será adaptado à rotina noturna dos alunos, sendo realizado em intervalos estendidos.

O “Tropicapolca: Vozmecê Circuito EJA CG” busca atingir cerca de 1000 estudantes da EJA, majoritariamente de classes de baixa renda e moradores de regiões periféricas, muitos dos quais são trabalhadores, mães solo ou pessoas em processo de reintegração social. Com essa iniciativa, o Vozmecê visa valorizar o público EJA e suas vivências, aproximando-os da produção cultural local. Outra necessidade é a de difundir gêneros musicais regionais e latino-americanos, promovendo a preservação desse patrimônio imaterial. O projeto se preocupa em produzir reflexões críticas sobre questões sociais, ambientais e de identidade cultural, fortalecendo o sentimento de pertencimento e também promover a integração da cena musical e gerar representatividade no palco.

O projeto é um marco na trajetória do Duo Vozmecê, consolidando-os como um nome de destaque no cenário autoral do MS, e reforça o papel estratégico da música na formação de público e na transformação social.

Da Assessoria

Sarah e a Culpabilização da Mãe  como Expressões do Machismo Estrutural em Itumbiara

Sarah e a Culpabilização da Mãe como Expressões do Machismo Estrutural em Itumbiara

*Bosco Martins é escritor e jornalista

O assassinato dos filhos de Sarah Araújo, em Itumbiara, seguido do suicídio do ex-marido, não foi um surto. Foi a face cruel do machismo estrutural: a violência como punição final pela ousadia de uma mulher de recomeçar. Thales Machado não aceitou o fim. E, na lógica perversa da posse, decidiu que, se não podia ter a família, ninguém teria. Usou os filhos para ferir a mãe para sempre.

Mas o que choca ainda mais é a reação social. Enquanto Sarah tenta sobreviver à perda — enterrar os filhos, lidar com a ausência, aprender a respirar de novo — a internet a julga. Comentários cruéis questionam suas roupas, suas escolhas, sua vida. Espalham a insinuação de que “ela provocou”, como se terminar um relacionamento justificasse assassinato. Como se uma mulher não tivesse o direito de sair de um casamento que não queria mais.

Esse comportamento escancara o quanto o machismo ainda dita as regras. A mesma cultura que criou o homem que mata é a que agora busca uma culpada: a mulher que sobrevive. Sarah é punida duas vezes: pela perda dos filhos e pela condenação pública. Perguntam “por que não ficou?”, como se a permanência em um relacionamento fosse obrigação. Como se a vida dela pertencesse a ele.

Não existe mágoa que autorize um pai a matar. Não existe separação que transforme assassinato em algo compreensível. O que houve foi sentimento de posse, foi ego ferido, foi a recusa em aceitar que uma mulher pode, sim, recomeçar.

Enquanto a sociedade continuar tratando ameaças como “desespero” e não como alerta, enquanto mulheres forem culpadas por existir, continuaremos alimentando a lógica cruel de que o amor justifica a violência.

Hoje, o que existe é a dor de uma mãe. E a revolta de saber que tudo foi anunciado — e mesmo assim ninguém impediu. Que Sarah encontre forças para se reconstruir. E que a culpa, essa, fique com quem realmente a merece.

Leia Coluna Amplavisão: Carnaval e política: próximos e tão parecidos!

Leia Coluna Amplavisão: Carnaval e política: próximos e tão parecidos!

NA PASSARELA: “O desfile da Acadêmicos de Niterói pode não influir no resultado da eleição, mas exibe a desigualdade de armas na campanha. O presidente atropela regras sem ser impedido, mas isso não evita que seja um infrator do código de ética da vida real…Lula afronta regras e consegue não ser admoestado devido à complacência que protege o mito…”. (Dora Kramer – FSP).

DETALHES: Jana num carro alegórico e Bolsonaro será ironizado pelo ator Marcelo Adnet. A letra do samba diz bem: “em Niterói, o amor venceu o medo (  ) por ironia treze noites, treze dias me guiou Santa Luzia, São José alumiou da esquerda de Deus Pai, da luta sindical à liderança mundial”. E o refrão – “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.

OPOSIÇÃO?  Conversa pra boi dormir. Em 2026 o Planalto autorizou a liberação de R$ 1,5 bi em verbas de emendas aos deputados e senadores – mais que o dobro em 2025  Em ano de eleição, isso amansa o pessoal do Centrão (que cria dificuldades para colher facilidades) e vai minando a candidatura de Flavio Bolsonaro. Quem quer dinheiro?

ESQUEMA?  Além de eliminar as gorduras dos obesos, as canetas emagrecedoras estariam também diminuindo os lucros das distribuidoras do produto no Brasil. Fala-se que o alerta de riscos de pancreatite faria parte de campanha bem orquestrada para frear a compra do produto no Paraguai e o seu consequente contrabando. Tudo é possível.

MÁ GESTÃO: “Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS…” Promessa de Lula na posse. A fila pulou de 930,6 mil vítimas para mais de 3 milhões. A novidade do INSS petista foi o roubo da grana dos aposentados. Os mutirões prometidos pelo então ministro Carlos Lupi, da Previdência não aconteceram.

DONALD Hitler? Questionado sobre seus limites na entrevista ao Times em 7 de janeiro, o Presidente Trump respondeu: “Sim, existe uma coisa. Minha própria moralidade. Minha própria mente. Esta, a única coisa que pode me conter. Eu não necessito de leis internacionais. ”  Os observadores, unânimes: Hitler pensaria igual.

AGORA VAI?  Caiado quer ser Presidente. Vale recordar: naquelas eleições de 1989 ele ficou em 10º lugar dentre os 22 postulantes. Obtendo 488 mil votos, ficou atrás de Collor de Mello, Lula, Leonel Brizola, Mário Covas, Paulo Maluf, Guilherme Afif Domingues, Ulisses Guimarães, Roberto Freire e Aureliano Chaves.

O PARAÍSO:  Parafraseando o texto bíblico: são vários os pretendentes ao Senado, mas só dois serão ‘chamados’. Hoje fala-se muito sobre as benesses proporcionadas pelo Senado, mas a última que ouvi é genial. Para Darci Ribeiro, “o Senado seria o paraíso dos políticos, com a vantagem de não precisar morrer para nele entrar. ”

PROJEÇÕES-1: Respeitando pesquisas, mas sem desprezar fatores envolvendo uma eleição estadual casada com a sucessão presidencial, há várias projeções sobre as chances dos postulantes ao parlamento estadual. Deve-se atentar à influência da janela partidária (6 de março a 5 de abril), quando poderá mudar de legenda quem tem mandato obtido em pleitos proporcionais.

PROJEÇÕES-2: Com base nos votos de 2022, hoje teríamos em tese como favoritos às 13 primeiras vagas: Paulo Correa (45.183 votos), Zeca do PT (47.193 votos), Jamilson (43.435 votos), Zé Teixeira (39.329 votos), Lídio (32.412 votos), Caravina (31.952 votos), Davi (31.480 votos), Lucas (26.575 votos), Mochi (26.108 votos), Catan (25.914 votos), Gerson (25839 votos), Londres (25.691votos), Vaz (19.395 votos).

PROJEÇÕES-3: Cerca de 8 cadeiras, aproximadamente, seriam disputadas palmo a palmo para a Assembleia Legislativa. Leva-se em conta as candidaturas – principalmente do interior, vistas como potencial de votos e que pouco aparecem nas pesquisas. Também devem influenciar para eventual êxito delas: os rumos da sucessão nacional e a disputa pelo Parque dos Poderes.

BASTIDORES-1: No saguão da Assembleia o assunto desta quinta foi a eventual saída do desembargador Ari Raghiant – indicado pela OAB em 2022 ao TJMS. As razões: não teria se adaptado ao cargo e estaria planejando voltar a sua banca de advocacia na capital. Ao mesmo tempo, especula-se o nome de Fabio Trad para essa vaga.

BASTIDORES-2:  A vinculação do nome de Fabio Trad é no mínimo interessante, pois ele integra o mesmo grupo de Raghiant na OAB, havendo portanto identidade entre ambos. Sobre essas especulações em ano de eleições, os dois cidadãos não se manifestaram publicamente, mas nas redes sociais o assunto vai ganhando espaço.

BASTIDORES-3:  O deputado Zeca do PT não perde a chance de ironias e venenos. Faz sempre questão de elogiar a postura do colega João H. Catan, vaticinando que se o mesmo for candidato ao Governo, provocaria o segundo turno. Mas sobre eventual desistência de Fabio Trad em disputar o governo, Zeca simplesmente muda de assunto.

BASTIDORES-4: Líder do ‘Republicanos’, o deputado Antonio Vaz se diz preparado para a reeleição, com chapa pronta para superar os 19.395 votos de 2.022. De olho na Câmara Federal, o deputado Roberto Hashioka saiu animado do encontro com Riedel que também abraçou a candidatura de Dione Hashioka à Assembleia Legislativa. Um casal de valor.  

BASTIDORES-5: Cautelosos, poucos deputados se arriscam a comentar sobre a futura convivência de lideranças políticas decorrente das federações partidárias. Há mais dúvidas do que certezas. Sobre isso conversei com o ex-deputado capitão Contar, também evasivo nos argumentos. Não convenceu.  Será que aprendeu a jogar?

BASTIDORES-6:  A aproximação da Senadora Soraya com o PT através do deputado Vander provocando ‘vômito eleitoral’ nas redes sociais. As manifestações unânimes, criticam a trajetória da senadora após sua eleição marcada por um discurso à favor da direita. Na política, o eleitor adora traições, mas odeia e rejeita os traidores.

CONFETES & SERPENTINAS:

E o Toffoli, hein? (na internet)

A vaidade é um princípio de corrupção. (Machado de Assis em D. Casmurro)

O Carnaval tornou-se uma festa coletiva em que o casal não tem função, nem destino. Os pares que se beijam para milhões de telespectadores são falsos casais, fingindo um desejo, representando um amor. (Nelson Rodrigues)

Flavio Bolsonaro. É o que temos?

Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção. (Luiz F. Pondé)