jan 27, 2026 | Colunistas
Boa parte do povo brasileiro — talvez a maioria — utiliza integralmente os recursos de seus salários mensais para o próprio sustento ou o da família. Os baixos vencimentos, o alto custo de vida, a pesada carga tributária e a ausência de educação financeira fazem com que milhões de pessoas vivam permanentemente no chamado “fio da navalha”, sem qualquer reserva para enfrentar imprevistos.
Essa realidade torna-se ainda mais preocupante diante das constantes incertezas econômicas do país. A inflação que insiste em corroer o poder de compra, o encarecimento dos alimentos, dos medicamentos e dos serviços essenciais, além da instabilidade no mercado de trabalho, impõem às famílias um cenário de permanente insegurança.
Somado a isso, existe um fator cultural profundamente enraizado. Muitos aprendem desde cedo a gastar tudo o que ganham, sem planejamento, sem organização e sem disciplina financeira. Poupar ainda é visto como algo impossível, quando, na verdade, trata-se de um hábito que pode começar com valores pequenos, mas constantes.
Em algumas culturas, como a japonesa, existe um princípio amplamente difundido: viver com cerca de 70% da renda mensal e reservar os outros 30% para o futuro. Não se trata de privilégio financeiro, mas de disciplina. É essa mentalidade que protege famílias em momentos de crise, doenças, desemprego ou dificuldades inesperadas.
É verdade que o salário mínimo brasileiro, atualmente em R$ 1.621,00, está muito aquém do ideal para garantir dignidade plena a uma família. Nesse contexto, o governo precisa rever sua participação excessiva na renda do trabalhador, já que parcela significativa do salário é consumida por impostos diretos e indiretos. O empregador também é onerado por encargos elevados, que muitas vezes mais do que duplicam o custo real de cada funcionário.
Ao mesmo tempo, é necessário afirmar com clareza: o empregador possui não apenas responsabilidade legal, mas também moral. Não basta cumprir o mínimo exigido pela lei. Funcionários que ajudam a construir resultados, lucros e patrimônio precisam ser valorizados com salários mais justos e humanos.
Ainda assim, independentemente do cenário político ou econômico, cabe ao trabalhador e às famílias exercerem controle rigoroso de seus gastos. Adequar o padrão de vida à renda real, evitar dívidas desnecessárias e buscar separar mensalmente uma pequena quantia para reserva ou poupança é uma atitude de sabedoria. Ser previdente não é sinal de medo. É sinal de maturidade.
Deus, em Sua infinita sabedoria, jamais deixou Seus filhos sem orientação. As Escrituras Sagradas ensinam, de forma clara, o valor da preparação e da prudência. Na parábola das dez virgens, contada por Jesus Cristo, apenas cinco estavam preparadas, com azeite suficiente para o momento decisivo. As demais, despreparadas, sofreram as consequências da negligência.
A lição é direta: quem se antecipa atravessa os momentos difíceis com mais serenidade. A Bíblia reforça esse princípio ao ensinar: “Os planos do diligente conduzem à fartura.” (Provérbios 21:5) E ainda: “Na casa do sábio há tesouro e azeite, mas o insensato tudo desperdiça.” (Provérbios 21:20)
O Livro de Mórmon também orienta com clareza: “Não corrais mais depressa do que vossas forças permitem.” (Mosias 4:27) E adverte: “Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias.” (Doutrina e Convênios 88:119)
Dentro dessa mesma visão de responsabilidade e autossuficiência, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina há décadas seus membros a praticarem o armazenamento familiar. A orientação é simples e profundamente sábia: preparar-se nos tempos de tranquilidade para enfrentar, com dignidade, possíveis tempos de escassez.
Esse armazenamento não nasce do medo nem do alarmismo, mas da prudência. Trata-se de manter reservas básicas de alimentos e itens essenciais, de forma organizada, equilibrada e usando um sistema que permite a conservação de grãos e outros produtos, por vários anos, conforme a realidade de cada família. O objetivo é evitar o desespero em situações como desemprego, crises econômicas mais severas ou eventuais falhas no abastecimento.
Ter uma pequena reserva não é exagero; é responsabilidade. Planejar não significa desconfiar do amanhã, mas demonstrar gratidão pelo hoje.
Esse princípio caminha lado a lado com outro igualmente essencial: o hábito da poupança mensal. Ainda que o valor seja modesto, o ato de separar regularmente uma quantia desenvolve disciplina, autocontrole e visão de futuro. Poupar não é privilégio de quem ganha muito, mas decisão consciente de quem aprende a administrar bem o que tem.
Infelizmente, essa cultura econômica saudável raramente é ensinada nos bancos escolares. Crianças e jovens aprendem conteúdos complexos, mas não aprendem a organizar um orçamento doméstico, diferenciar necessidade de desejo, planejar gastos ou compreender os riscos do consumo impulsivo.
Muitos lares, por falta de orientação, acabam repetindo erros de geração em geração. O resultado é um ciclo de endividamento, ansiedade, conflitos familiares e dependência constante de empréstimos e juros abusivos.
Promover educação financeira dentro do lar é, portanto, um ato de amor. Ensinar a gastar apenas com o necessário, evitar desperdícios, planejar compras e valorizar cada recurso recebido fortalece o ambiente familiar e gera segurança emocional.
Quando a família aprende a viver com simplicidade e organização, cria-se um lar mais leve, onde há diálogo, cooperação e paz. Os filhos crescem entendendo que o dinheiro não é um fim em si mesmo, mas um meio para viver com dignidade e servir melhor ao próximo.
No fim, ser previdente é muito mais do que uma escolha econômica. É um princípio espiritual. É compreender que Deus espera de nós responsabilidade, equilíbrio e gratidão. Ele provê, sim — mas também nos ensina a administrar.
A fé verdadeira não dispensa o planejamento; ela o inspira. E quando unimos confiança em Deus com prudência nas decisões, o futuro deixa de ser motivo de medo e passa a ser um caminho de esperança, segurança e paz.
*Jornalista, Professor e Escritor
wilsonaquino2012@gmail.com
jan 23, 2026 | Colunistas
“Canta tua aldeia e serás universal”, ensinou Tolstói. A frase ajuda a compreender o sentido das eleições de 2026, que deveriam ser guiadas por propostas e compromissos públicos, não pela radicalização do discurso político.
Em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel buscará a reeleição. No plano nacional, o presidente Lula tentará novo mandato. Mas o contexto dessa disputa extrapola a política local e se conecta a um cenário internacional cada vez mais instável.
O próximo ciclo eleitoral será decisivo para medir a resistência das democracias. No Brasil e no mundo, cresce a pressão de forças extremistas, impulsionadas pela desinformação digital e pelo enfraquecimento do debate público. Nos Estados Unidos, a possibilidade de retorno de Donald Trump ao poder reforça estratégias de apoio a agendas ultraconservadoras, especialmente na Europa.
Ao longo de 2026, eleições em diferentes países funcionarão como termômetro desse embate, marcado por tensão institucional e questionamentos às regras do jogo democrático. Em outubro, o Brasil estará no centro dessa observação.
Cantar a própria aldeia, com responsabilidade, diálogo e compromisso democrático, segue sendo o melhor caminho para enfrentar um mundo em ebulição.
jan 23, 2026 | Colunistas
PERRENGUE? Ao custo diário de R$400 mil, a Câmara Municipal de Guarulhos encontra espaço para humor que faz sucesso na internet. Ao meio de gargalhadas dos vereadores, foi aprovado o PL incluindo no calendário de eventos culturais da cidade o bloco “Unidos dos Meus Ovos” que estreará neste carnaval. Ovos de quem ?
CABELOS BRANCOS: Com seu nome nas pesquisas ao governo do Paraná, o ex-senador Álvaro Dias; 81 anos, tem um argumento resumido na frase: “Renovação e inovação – se medem pelas ideais e não pela idade”. Aliás, Puccinelli, Londres e Gerson Domingos, candidatos ao parlamento estadual, se encaixariam neste perfil.
REFERÊNCIA: Pela fidelidade ao PL, ao Bolsonaro e sua exposição combativa na Câmara, o deputado Rodolfo Nogueira é visto como uma figura emblemática do bolsonarismo no MS. As amostras eleitorais revelam que o ’Gordinho’ transita bem em todas regiões. Coerente, defende a tese de que o político deve ter lado. É por aí…
DIFICULDADES: Onde e como conseguir 25 candidatos a deputado estadual? E não é só. A lei exige a participação feminina em um terço deste total. Diferente de antes – em que partidos apresentavam candidatos e candidatas ‘laranjas’ só para cumprir tabela na chapa proporcional. A perda do mandato do ex-deputado Rafael Tavares é uma lição.
VALE TUDO! Nas campanhas, adversários fiscalizam a concorrência. Aí brotam as denúncias por votação inexpressiva de ‘laranjas’, prestação de contas zeradas, ausência de movimentação financeira e de atos efetivos de campanha. São lembretes que advertem os candidatos, partidos e federações dos riscos de’ tentativas de ‘espertezas.’
NO FACEBOOK: A afirmativa do jornalista Otávio Neto, segundo a qual Fabio Trad, nomeado no Planalto com salário de R$25 mil, atuando hoje como blogueiro defensor do PT, deve derreter aquela sua áurea imaginária de diferenciado, jogando-o na vala dos políticos comuns. A propósito: Para Fábio, o ministro Tóffoli seria inocente?
‘FAKE NEWS’: Como ter certeza que aquela voz é mesmo do candidato da foto? Esse é o primeiro golpe que teremos nesta campanha. Até desmentir e excluir da internet vai tempo, os estragos irreversíveis. Não acredito na agilidade da nossa Justiça Eleitoral contra a tecnologia à serviço da fraude eleitoral. Burocrática demais!
PERIGOS: O uso criminoso da inteligência artificial vai além da manipulação de documentos, sentenças, mandados de soltura e propaganda. Plataformas digitais criam manipulações, induzem o eleitor, criam falsas interações com candidatos, provocando apelo emocional. Daí o eleitor até acaba apoiando um candidato inconscientemente.
É GERAL: Não é só naqueles ‘confins do Judas que ocorrem fatos envolvendo políticos que motivam risos. Dos folclóricos ‘coronéis’ dos currais eleitorais do sertão nordestino – aos personagens de estatura top de potencias, tidos como intocáveis ou infalíveis, a mídia registra gafes, excessos e situações inusitadas. Confira algumas.
HUMOR RUSSO: Noite gelada em Moscou. O guarda avista um homem e grita: “pare, documentos! ”. Nervoso, ele deixa cair um papel, lido com dificuldade pelo guarda: “A.ná.li.se de u.ri.na”… “Hmm…um espião, me parece…” Então ele lê mais: “Proteinas: nenhuma, Açucares: nenhuma, Gordura: nenhuma. ” “Liberado, camarada proletário! Viva a revolução mundial. ”
COMUNISMO: Após horas de espera no Kremlin para falar com Gorbachov, uma velha perguntou-lhe: “Senhor, o comunismo foi criado por políticos ou cientistas? Ao seu estilo ele respondeu prontamente: “Ora, políticos é claro”. Ela retrucou: “Isso explica tudo”. Os cientistas teriam testado em camundongos primeiro”.
MOSCOU: Um homem na fila para comprar vodka, mas a fila não anda. Furioso grita: “Chega! Não aguento mais! É culpa do Gorbachov. Vou até ao Kremilin matá-lo agora mesmo. Duas horas após ele volta para a fila. Alguém indaga: “você conseguiu? ”. Ele responde: “Não. A fila para matar Gorbachev estava ainda maior do que essa”.
BREZHNEV: Trapalhão. Leu o discurso e, questiona o assessor: “Pedi discurso de 15 minutos e esse durou 45! ” O assessor rebate: “Mas eu lhe dei 3 cópias…” Olimpíadas 1980: Brezhnev inicia o discurso. “Ó!” – aplausos. “Ó!” – ovação. O assessor sussurra ao seu ouvido: “Esses são apenas os anéis do logotipo olímpico, desnecessário ler todos eles! ”
HUMOR DO REAGAN: O ex-presidente, famoso pelas gafes; chamou a princesa Diana de ‘princesa David’ – disse que o ex-presidente Ford era ex-comunista no lugar de ex-congressista – criticado ao confundir depressão por recessão, justificou: “recessão é quando o vizinho perde o emprego; depressão é quando você perde o seu.”
COMUNISTAS: Tidos antes como ‘comedor de criancinhas’. Eu diria que apenas gostam do poder. Veja: o pessoal do Fidel manda em Cuba desde 1953; o trôpego Ortega arrasta a perna e não larga o osso na Nicarágua desde 1979. Hugo Chavez abriu a picada em 1999 na Venezuela, sucedido pelo ‘grande’ Maduro. Só boa gente.
ARTHUR MARIO: Vida dedicada a radiofonia, em especial ao setor esportivo por esse, entusiasta do futebol. A comemoração dos 50 anos de microfone, ocorrida na Rádio Hora, oportunizou um debate informal sobre esse esporte. O senador Nelsinho Trad, feliz na saudação, abordou inclusive aspectos do futebol local de ontem e de hoje. Obrigado Arthur!
LAMENTÁVEL: Quantidade ou qualidade? Apenas o jaleco branco, o estetoscópio e o diploma não bastam. A desaprovação de parte das nossas faculdades particulares de medicina mostra empresários focados só no lucro. A classe política tem culpa ao ajudar na autorização destes cursos. Clinicar consultando o ‘ doutor google’ é usual por aí.
REFLEXÃO; “Nada é mais importante que saúde na vida, sou muito grato porque quanto tomei posse no terceiro mandato, eu estava com câncer e consegui vencer. Pessoas deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. Aqui é um lugar para respeitar as diferenças e reaprender os caminhos…” (Paulo Duarte em sua posse na ALEMS em 05/03/2024)
PONTO FINAL:
O contrato da mulher do A. Moraes com o Master é ‘mistério’, sem explicação.
jan 19, 2026 | Colunistas
Filhotes da IA já se enxergam como Chateaubriand sem jornal, Samuel Wainer sem fonte e Roberto Marinho sem história — delírio travestido de jornalismo
Retomo o tema diante do recrudescimento de um fenômeno que, ao que tudo indica, fincou bandeira neste novo modelo de “imprensa”. Falo das redações improvisadas, dos grupos de WhatsApp e das timelines hiperativas onde viceja o jornalista de laboratório digital — o profissional instantâneo. É aquele que nunca sentiu o peso de uma reunião de pauta, jamais levou um furo de reportagem, nunca perdeu o sono por um texto sem gancho. Eis que de repente, acordou numa bela manhã convencido de que a Inteligência Artificial o sagrou, por milagre, um jornalista, mesmo sem as credenciais da FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas).
Esse sujeito opera no vácuo. Nunca levou um “não” seco de uma fonte, nunca voltou de mãos vazias depois de horas de apuração, mas se julga pronto após meia dúzia de comandos em um chat. Acredita, com fé quase religiosa, que o algoritmo substitui a vivência e que o código ocupa o lugar da ética.
O que se vê, na prática, é uma inflação de egos em perfis de rede social, onde a volúpia do post atropela a liturgia da apuração. A máquina entrega a rima, organiza o parágrafo, alinha o texto. Mas o discernimento — esse que gasta sola de sapato, que nasce do erro, do constrangimento e do contexto — continua sendo artigo de luxo que o silício não consegue copiar.
Convém deixar claro: a IA não tem culpa. É educada, paciente, condescendente. Não devolve texto com um “cadê a notícia?”, não pergunta “qual é o gancho?”, não risca parágrafo inútil com caneta vermelha nem manda refazer a abertura. Ela ajuda.
Mas ajudar não é substituir.
No jornalismo aprendido no trecho, não existe passe de mágica. Existe faro, memória, repertório, correção e, sobretudo, tempo de estrada. Texto sem gancho não é artigo — é exercício de vaidade. Texto bonito sem fato é só literatura acidental. Opinião sem lastro vira postagem motivacional com pretensão intelectual.
A IA não pauta. Não apura. Não sente cheiro de problema. Organiza ideias, sugere caminhos, melhora a forma, desde que haja conteúdo do outro lado. Para quem já sabe o pulo do gato, é uma mão na roda. Para quem nunca soube, vira espelho enganoso: devolve um texto elegante, redondo, cheiroso, mas vazio.
Até aqui, o dano é limitado. O máximo que acontece é a proliferação de textos bonitos que não dizem nada. O problema começa quando essa modernidade redentora cai nas mãos erradas. Porque, além dos deslumbrados inofensivos, a Inteligência Artificial tornou-se a ferramenta perfeita para os mal-intencionados.
Nunca foi tão confortável praticar a velha picaretagem sob verniz tecnológico. Com um domínio barato, meia dúzia de prompts e nenhum escrúpulo, surgem “portais de notícias” que não informam: intimidam. Não investigam: achacam. Não publicam reportagem: emitem notas. Sempre em nome do “interesse público”. Sempre com alvo bem definido — o empresariado desavisado e, principalmente, quem segura a chave dos cofres públicos.
É a velha imprensa marrom, agora de fraque, cartola e linguagem pasteurizada. Antes exigia gráfica, contatos e rua. Hoje basta um layout limpo, uma IA condescendente e a completa ausência de caráter. Cria-se o problema no texto para vender o silêncio fora dele. Chantagem com corretor ortográfico. Extorsão com parágrafo bem escrito. Lavagem de dinheiro sob o selo de “opinião”.
A Inteligência Artificial não criou esse tipo de gente. Eles sempre existiram. O que a tecnologia fez foi baratear o golpe, acelerar o processo e ampliar o alcance. Onde antes havia panfleto, agora há “editorial”. Onde antes havia fofoca, agora há “análise”. Onde antes havia ameaça explícita, agora há “nota crítica”.
E aqui o tema deixa de ser folclórico para se tornar perigoso. Não para o jornalismo sério — que sempre soube se defender —, mas para o ambiente público: gestores acuados, empresários honestos pressionados, leitores incapazes de distinguir crítica legítima de banditismo retórico.
Convém repetir, sem romantismo nem ilusão tecnológica: IA é ferramenta. Nas mãos certas, potencializa o bom jornalismo. Nas mãos erradas, vira arma de extorsão em escala industrial.
E não há prompt que resolva isso. O antídoto continua sendo o mesmo de sempre: história, reputação, responsabilidade e coragem para chamar as coisas pelo nome — mesmo quando o texto vem bonito, alinhado e sem erro de português.
Porque tecnologia nenhuma transforma picareta em jornalista. E credibilidade, essa velha senhora exigente, não aceita inteligência artificial como fiadora.
Valfrido Silva, do Contraponto MS –
jan 19, 2026 | Colunistas
Qual é, afinal, o verdadeiro sentido do segundo grande mandamento deixado por Deus: amar o próximo como a si mesmo? Como se traduz esse amor no dia a dia? Como devemos agir, de forma concreta, para obedecer a esse ensinamento que parece simples nas palavras, mas profundo e exigente na prática?
Para que não restassem dúvidas, o Senhor enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para viver entre nós e nos ensinar pelo exemplo. E o que vemos em Sua trajetória? Diante dos erros, das fraquezas e dos pecados humanos, Ele não apontava o dedo, não condenava, não humilhava. Pelo contrário, aproximava-se, conversava, acolhia e incentivava as pessoas a seguirem um caminho melhor. Cristo enxergava além da queda; via o potencial de redenção, crescimento e mudança em cada ser humano.
Amar o próximo, portanto, vai muito além de gestos pontuais ou de ajuda material. É estender a mão também nas dificuldades morais, emocionais, profissionais e, sobretudo, espirituais. É ajudar o outro a reencontrar forças quando o ânimo se esgota, a descobrir propósito quando o sentido da caminhada parece perdido. Afinal, a jornada da vida — sem exceção — é marcada por obstáculos, dores, dúvidas e recomeços. É nesse sentido que o apóstolo Paulo nos ensina: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
O Plano de Deus pode ser comparado a uma grande corrida, uma longa maratona. Nela, cada pessoa é chamada a seguir em frente, mesmo quando os fardos se tornam pesados demais para carregar sozinho. O objetivo dessa corrida não é chegar primeiro, nem ultrapassar os demais, mas completar o percurso com disciplina, honestidade, ética, moral e humildade. E, acima de tudo, sem ignorar aqueles que caminham ao nosso lado: os que enfraquecem e precisam de uma palavra de ânimo; os que tropeçam e necessitam de uma mão estendida; os que ficam para trás, sedentos, e aguardam apenas um gole de água — algo simples, mas que pode salvar toda uma trajetória. A própria Escritura nos orienta a esse cuidado mútuo quando diz: “Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hebreus 10:24).
A história registra inúmeros casos em que o incentivo de alguém foi decisivo para mudar um destino. Um dos exemplos mais emblemáticos é o de Helen Keller. Cega e surda desde a infância, Helen vivia isolada do mundo e sem perspectivas de aprendizado. A mudança ocorreu com a chegada de sua professora, Anne Sullivan, que acreditou em seu potencial quando quase todos já haviam desistido. Com incentivo constante, paciência e persistência, Helen Keller aprendeu a se comunicar, tornou-se escritora, palestrante e ativista reconhecida mundialmente. Sua trajetória comprova que, muitas vezes, não é a limitação que define o futuro de uma pessoa, mas a presença de alguém disposto a caminhar ao seu lado, incentivando-a a seguir em frente.
Lamentavelmente, vivemos tempos acelerados demais. As ruas congestionadas, os veículos em alta velocidade e a pressa constante são reflexos claros de uma sociedade que corre sem olhar para os lados. Muitos seguem apressados, alheios aos caídos pelo caminho. Outros, ainda pior, pisoteiam seus semelhantes para obter vantagens, seja por meio da desonestidade, da imoralidade ou da exploração do mais fraco.
Essa falta de incentivo e de empatia não se limita às ruas ou ao ambiente profissional. Ela tem se infiltrado, de forma preocupante, até mesmo dentro dos lares. Falta incentivo mútuo para que sonhos e metas, especialmente aquelas traçadas no início de um novo ano, sejam alcançadas ao longo da caminhada. Não basta cobrar resultados, exigir desempenho ou criticar a lentidão do outro. Amor verdadeiro não se expressa em cobranças frias, mas na capacidade de reconhecer limites, compreender fragilidades e, com paciência e determinação, ajudar o outro a avançar.
Outro exemplo significativo vem justamente do ambiente familiar. Thomas Edison, um dos maiores inventores da história, foi considerado na infância um aluno com dificuldades de aprendizagem. Em vez de aceitar esse rótulo, sua mãe decidiu incentivá-lo, acreditando em sua curiosidade e capacidade intelectual. Esse apoio foi determinante para que Edison persistisse, mesmo diante de inúmeras tentativas frustradas ao longo da vida. O próprio inventor reconheceu, em diferentes ocasiões, que não teria alcançado seus feitos sem o incentivo recebido em casa. O caso reforça a importância do encorajamento familiar como base para o desenvolvimento humano e profissional.
Todo ser humano, por mais forte que pareça, carrega pontos frágeis. Reconhecer isso não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria. É justamente nesses pontos sensíveis que o apoio do próximo se torna essencial. Muitas vezes, uma palavra certa no momento oportuno, um gesto de compreensão ou um simples “estou aqui com você” pode ser o diferencial entre desistir ou continuar. Por isso, a orientação bíblica permanece atual e necessária: “Exortai-vos e edificai-vos uns aos outros” (1 Tessalonicenses 5:11).
Essas fragilidades que todos carregamos não são um erro do Criador, mas uma concessão sábia do Senhor. Elas existem para nos lembrar de que ninguém se basta sozinho, de que precisamos uns dos outros e de que a busca pela perfeição é um processo coletivo, sustentado pelo amor, pela compaixão e pelo incentivo mútuo.
Incentivar uns aos outros é, portanto, viver o Evangelho de forma prática. É transformar fé em ação, palavras em atitudes e crenças em escolhas diárias. É compreender que ajudar o próximo a levantar-se não nos atrasa na caminhada — ao contrário, nos aproxima ainda mais do propósito divino para nossa vida.
*Jornalista, Professor e Escritor
wilsonaquino2012@gmail.com
jan 16, 2026 | Colunistas
RACHA? Deputado federal por 6 mandatos, Valdemar da Costa Neto é figura política expoente, mas controversa na presidência do Pl. Decisões suas já motivam críticas na sigla e em partidos no entorno do bolsonarismo. É o caso da escolha anunciada dos 2 nomes preferidos da direita (Reinaldo e Contar) para concorrer ao Senado.
ANTECIPADA: O anúncio de Valdemar diz bem qual será o mote desta campanha que visa obter a maioria no Senado para depois ancorar outros embates. Reinaldo, tem toda uma trajetória e vínculos fortes com o municipalismo. Já Nelsinho, aproveita bem as armas do mandato e caminha com luz própria, mas sem radicalizar em nível nacional.
APOSTAS: A saúde de Bolsonaro, a escolha do candidato para enfrentar Lula e as batalhas no Congresso, podem influenciar o eleitor local? Além da saúde, segurança e economia, quais outros temas poderiam fermentar o embate a ponto de reverter a tendência do voto? A corrupção institucionalizada, por exemplo, seria o caso?
REVIRAVOLTA? Outra hipótese, defendida pelo deputado Vander já sacode os bastidores. Nela, o senador Nelsinho (PSD), antevendo sua exclusão da chapa (Reinaldo e Contar) do Parque dos Poderes, integraria uma frente ampla com o PT – sendo candidato a reeleição ao lado do próprio Vander. Uma hipótese interessante.
DETALHES: Alianças desta natureza devem ocorrer em outras eleições regionais. Lideranças do centro, por razões e interesses diversos, caminham para entendimento com o Planalto. Portanto, juridicamente não haveria impedimentos nesta composição entre o PSD e o PT. Mas na política tudo pode acontecer, inclusive nada.
ALÉM DO MAIS… estarão em jogo 54 das 81 cadeiras do Senado, foco maior deste pleito. A oposição quer vencer esse jogo para aprovar certas matérias e o impeachment de ministros do STF, abrindo caminho para reverter decisões daquela corte. Quanto a ministra Simone, Vander Loubet aposta na candidatura dela ao Senado em São Paulo.
UTOPIA? Na política vale tudo para não perder. Circula na mídia aquela que seria uma ousadia aguda. Trata-se de outro plano do deputado Vander: ter a senadora Soraya Thronice como candidata a reeleição ao lado do senador Nelsinho para atrair eleitores do centro e direita. Mas, o que o eleitor pensa de tudo isso?
NOTARAM? Tanto a direita como a esquerda acabaram perdendo o foco nestas eleições com a prisão de Bolsonaro e a falta de um sucessor que encarne a postura do ex-presidente. Com exceção de um fato altamente relevante, capaz de colocar novos aditivos no debate, a campanha caminha para ser diferente do pleito anterior.
O CAMINHO: Pragmático, atento, e com a expressão sorridente. Assim foi o Antônio Braga, vereador, deputado e secretário que conhecemos. Mas um dia sentiu que seu tempo estava se esvaindo; fez uma profunda reflexão existencial, resistiu aos convites políticos e saiu de cena recolhendo-se ao aconchego familiar. E partiu…
PREPARADA? Já se antevê o uso de ‘deepfakes’ nestas eleições onde a inteligência artificial deve centralizar as atenções. Aliás, a evolução dela é assustadora no dia a dia do universo digital. Mas a Justiça Eleitoral estaria mesmo preparada para evitar e combater os abusos? A burocracia de prazos e carimbos pode ser o maior entrave.
TEM JEITO? Todos (eu disse todos) os governadores do Brasil ganham mais do que o Primeiro Ministro da rica Espanha. Mas a farra não é exclusiva do Executivo. Nossos deputados federais (R$45 mil e gordos penduricalhos) custam muito mais que seus colegas dos Estados Unidos, Portugal, Argentina e Reino Unido.
PESQUISAS: Desde o último dia 1º só podem ser divulgadas as registradas na Justiça Eleitoral, sob pena de pesadas multas (de R$50 mil a R$100 mil). Há uma série de formalidades a serem cumpridas. Antes, as manipulações às vezes até atendiam interesses de políticos e grupos. Enfim, agora as pesquisas serão mais seletivas.
‘BELEZA’: Pelo IBGE, aqui no Mato Grosso do Sul, mais de 15% dos nossos jovens (entre 15 a 29 anos) não estudam e nem trabalham. Aliás, já somos o 8º lugar neste gênero no país. Daí pergunta-se: qual o futuro deles? Irão constituir família? Sobreviverão como na velhice? Quem irá trocar suas fraldas?
O PODER: John Gray, filósofo inglês, defende: “A crença no progresso é uma ilusão. O conhecimento não liberta o homem, apenas aumenta o seu poder, e esse poder pode ser usado tanto para os mais benignos objetivos, quanto aos mais desastrosos. Quando o conceito de progresso é aplicado à ética e a à política, ele é uma ilusão perigosa. “
NA INTERNET: Desabafo de um político veterano: “Não vou mais compactuar com os atos ilícitos de meu partido: corrupção, canalhices, chantagens e manipulação de verbas. Definitivamente pra mim basta. Tô fora! Amanhã mesmo vou colocar meu mandato a venda. A origem do dinheiro não interessa. Quem der mais, leva”.
‘INCOERÊNCIA’: Lula gosta de tentar se meter como mediador em conflitos. Foi assim em Gaza, Ucrânia e agora na Venezuela. ‘Curiosamente’, como fiador do regime do país vizinho, ele não ousa tocar na questão dos cidadãos (mais de mil) presos políticos a mando de seu amigo Maduro. Ambos parecidos, falam muito.
DE LEVE: Os políticos deviam aproveitar o período de recesso para uma reflexão comportamental. Esquecem – o poder é efêmero! Vaidosos, não aceitam críticas e só esperam elogios da mídia. Deveriam lançar um olhar para alguns ex-poderosos de conduta parecida e que hoje são apenas anônimos de uma constelação sem brilho.
FACISMO: O emprego deste termo exige critérios. Mas a esquerda, por exemplo, banalizou seu uso passando a tratar a oposição de fascista. Ora! O fascismo, sob a forma de nacionalismo, prega o controle total do Estado sobre a vida social, econômica e política do cidadão. Foi assim na Itália, Espanha, Portugal e Alemanha.
PILULAS DIGITAIS:
“O comunismo é uma espécie de alfaiate que quando a roupa não fica boa faz alterações no cliente”. ( Millôr)
“A felicidade bate na porta. Mas ela não gira a maçaneta. Faça isso”. (Clarice Lispector)
“O caminho se faz caminhando. !Antonio Machado – poeta espanhol.
“Nada muda com o novo salário mínimo. Nem o ronco da barriga” (internet)
“A única garantia do mundo online é que nunca faltará solidão pra ninguém.” (Mattus)
“Às vezes ouço passar o vento – e só de ouvir, vale a pena ter nascido.” (Fernando Pessoa)
“Tenho o privilégio de não saber quase tudo. E isso explica o resto. ” (Manoel de Barros)
“A gente não quer só comida. Quer também que o garçom pare de errar na conta.” (Fraga)
“O que enriquece o homem não é a experiência. É a observação. ” ( facebook)
“Uma boa cidade não é aquela em que até os pobres andam de carro, mas aquela em que até os ricos usam o transporte público. ” (Enrique Landolfo – prefeito de Bogotá)