fev 14, 2025 | Colunistas
Introdução
Vivemos em um mundo cheio de cores, formas, sons e jeitos de ser. Cada pessoa é uma combinação única de sonhos, talentos, medos e desejos. No entanto, em uma sociedade que muitas vezes quer que todos sigam as mesmas regras, tenham os mesmos gostos e pareçam iguais, ser diferente pode ser um desafio.
As diferenças são o que tornam o mundo mais rico e interessante. As próximas linhas são um convite para refletir sobre o valor da inclusão, embarcar em uma jornada de empatia, compreensão e respeito à diversidade. Em breve o leitor vai conhecer personagens que, mesmo enfrentando olhares críticos, palavras duras e momentos difíceis, encontram formas de mostrar ao mundo a beleza de serem quem realmente são, nos mostra o poder da amizade e a beleza das diferenças. Bento e seus amigos nos ensina que, mesmo enfrentando desafios, é possível encontrar nosso lugar no mundo – um lugar onde a diversidade é celebrada e onde cada um pode brilhar com sua luz especial.
Prepare-se para descobrir como a coragem de ser diferente pode mudar o mundo e como, juntos, podemos construir uma sociedade mais acolhedora e justa, onde cada um possa ser respeitado e valorizado por quem é.
Espero que a presente leitura inspire você a olhar para o próximo com mais empatia e a lembrar que juntos somos mais fortes.
Bem-vindo a esta aventura de respeito, inclusão e amor ao próximo!
Prefácio
Querido leitor,
Já se sentiu diferente ou fora de lugar? Já se perguntou se existe um cantinho especial no mundo onde todos podem ser aceitos exatamente como são? Então, Bento, é um besouro que carregava não apenas o peso de suas asas, mas também o de se sentir excluído.
Nesta jornada, Bento encontra outros amigos únicos: Lia, uma joaninha cheia de coragem que luta para ser aceita como ela realmente é; Mel, uma abelhinha talentosa que nunca desistiu de seus sonhos, mesmo enfrentando a desconfiança de sua família; e Guto e Teca, irmãos formigas que desafiaram a injustiça e encontraram força na amizade.
Apresento um convite para refletir sobre o valor da inclusão, o poder da amizade e a beleza das diferenças. Bento e seus amigos nos ensina que, mesmo enfrentando desafios, é possível encontrar nosso lugar no mundo – um lugar onde a diversidade é celebrada e onde cada um pode brilhar com sua luz especial.
Inspire-se a olhar para o próximo com mais empatia e a lembrar que juntos somos mais fortes.
Com carinho, Fernanda Vieira
Dedicatória
Dedico as próximas linhas a todo ser humano que é diferente, que ousa ser único, e ao meu melhor amigo Teodorico Boa Morte (in memoriam) que mesmo tendo partido, continua me inspirando.
Capítulo 1: Bento, o Besouro Solitário
Era uma vez um besouro chamado Bento. Ele era grande e forte, com asas brilhantes, mas seu coração estava triste. Bento havia perdido sua família em uma grande tempestade e, desde então, vagava sozinho pelos campos e florestas.
Bento também era de estrutura robusta e não conseguia voar, o que fazia com que ele sofresse entre os outros besouros. Cansado das provocações e da exclusão, ele resolveu deixar o grupo e partir em busca de um lugar onde pudesse ser feliz. De alguma forma feliz.
Capítulo 2: A Joaninha Especial
Em uma manhã tranquila, Bento encontrou uma joaninha chamada Lia. Ela tinha lindas pintinhas negras nas asas e um sorriso que iluminava tudo ao redor.
Enquanto conversavam, caminhavam por um campo coberto de margaridas brancas e girassóis altos que balançavam com o vento. Uma brisa suave trazia o perfume das flores, e pequenas borboletas dançavam ao redor.
“Oi, besouro! Meu nome é Lia. Por que está tão triste?”
Bento contou sua história, e Lia, com carinho, disse:
“Eu também passei por muitas dificuldades. Sou uma joaninha que nasceu diferente e não me identifico no que esperam de mim na comunidade, mas lutei para ser quem sou hoje. Infelizmente, não fui bem aceita na sociedade das joaninhas e nunca tive filhos.
Sempre que tentava ser eu mesma, sofria discriminação e menções jocosas.”
Lia também explicou que era pequena demais para ser uma fêmea, já que, normalmente, as joaninhas fêmeas são maiores que os machos. Além disso, ela não podia voar porque uma de suas asas estava quebrada, resultado de uma agressão física que sofreu em seu antigo bando, agressão … apenas pelo seu jeito de ser.
Bento ficou impressionado com a coragem de Lia e convidou-a para viajar com ele. Lia aceitou, feliz por ter encontrado um novo amigo.
Capítulo 3: A Abelhinha Aventureira
Os dois amigos estavam caminhando por uma trilha de terra cercada de árvores frutíferas, cujos galhos pendiam com maçãs e peras maduras. O som da água de um riacho próximo misturava-se ao canto de pássaros e ao zumbido de insetos. Foi ali que ouviram um zumbido animado. Era uma abelhinha chamada Mel!
“Oi! Para onde estão indo?” perguntou Mel, curiosa.
“Estamos procurando um lugar onde possamos ser felizes”, respondeu Bento.
“Posso ir com vocês? Quero explorar o mundo e fugir das regras rígidas da minha colmeia!”
Mel contou que era cantora e adorava se apresentar para outros insetos, mas sua família não apoiava seu sonho. Além disso, ela era uma abelha nativa, e muitos diziam que ela devia se concentrar em preservar tradições, não em seguir sua paixão artística.
Ela também revelou que não conseguia mais voar. Durante uma de suas apresentações, enquanto cantava no galho seco de uma árvore, um jenipapo maduro caiu em cima dela. Além da dor do acidente, Mel teve que lidar com o desprezo de sua colmeia. As outras abelhas riram dela, dizendo que, em vez de trabalhar, ela estava perdendo tempo com cantorias. Esse episódio foi a gota d’água para que Mel decidisse sair do bando.
“Eles diziam que ser cantora não levaria a nada, que eu devia estar na colmeia trabalhando como as outras. Mas cantar é minha paixão, e não vou desistir!”
Bento e Lia deram risada e disseram: “Claro, Mel! Junte-se a nós!” E assim, os três continuaram juntos, agora uma equipe ainda maior.
Capítulo 4: Os Irmãos Formiga
Enquanto caminhavam por um campo florido, onde as flores formavam um verdadeiro tapete colorido, encontraram duas formigas, Guto e Teca, que pareciam cansados e tristes.
“Por que estão sozinhos?” perguntou Lia.
Tito suspirou e começou a contar: “Nós enfrentamos problemas desde que nascemos.
Sempre fomos justos, não aceitamos que ninguém seja tratado com indiferença. Mas isso nos trouxe muitas dificuldades. Já estamos velhos e não conseguimos fazer muita coisa no formigueiro. Por isso, a rainha autorizou nossa expulsão.”
“Por que ela faria isso? Isso é terrível!”, exclamou Mel. “Nós apenas causávamos problemas, segundo eles”, continuou Teca. “Aconteceu depois que defendemos uma formiguinha que era meio lerda. Ela tinha algo chamado TDAH e era frequentemente maltratada pelo chefe.”
“Não era justo o que ele fazia com ela”, acrescentou Guto. “Um dia, ele começou a falar alto e humilhar a pobre formiguinha na frente de todos.”
Teca, com lágrimas nos olhos, relembrou o momento:
“Eu disse: Não. Ela não merece isso!’
Guto completou: “E eu disse: ‘Se não parar, você terá que lidar conosco!’”
“Mas o chefe não gostou nada disso”, continuou Teca. “Ele nos acusou de causar revoltas e disse à rainha que éramos inúteis e velhos demais para trabalhar. Foi assim que fomos expulsos.”
Lia, indignada, respondeu: “Vocês fizeram a coisa certa! Esse chefe era cruel, muito cruel.”
“Exato- também vejo assim”, disse Bento. “Venham conosco! Não precisamos de um formigueiro para sermos fortes. Somos uma família agora.”
Guto e Teca sorriram, emocionados, e subiram nas costas de Bento, sentindo-se finalmente acolhidos.
Capítulo 5: A Aventura na Floresta
Em uma manhã clara, os amigos chegaram a uma floresta densa e sombria. A luz do sol mal atravessava as copas das árvores, criando sombras que dançavam ao redor deles.
Enquanto exploravam, ouviram um barulho estranho. Um grupo de insetos maiores estava bloqueando o caminho.
“O que vocês querem aqui?” perguntou um louva-a-deus com voz ameaçadora.
“Estamos apenas passando”, respondeu Bento educadamente.
“Não queremos gente diferente por aqui. Vão embora!”, disse outro inseto.
Os amigos se entreolharam com medo, mas Lia tomou a frente.
“Nós não queremos problemas. Não pretendemos atrapalhar ou incomodar. Só estamos buscando nosso lugar no mundo! Que mal há nisso?”
Os insetos começaram a zombar deles, mas Mel, com sua voz firme, começou a cantar. Sua música era tão bela que até os insetos mais hostis, pararam para ouvir. A melodia transmitia força e união, e isso fez com que o grupo recuasse. Um deles até estava batendo a patinha no chão seguindo o ritmo. A musica encantou e aos poucs foi permitido que os amigos seguissem seu caminho.
Capítulo 6: Enfrentando o Preconceito
Durante a jornada, o grupo passou por momentos difíceis. À medida que atravessavam bosques densos, onde os raios de sol, mal conseguiam atravessar as folhas, e campos abertos com grama alta, que balançava ao vento, encontraram insetos que não aceitavam a diversidade do grupo. Comentários daqui e dali, eram ouvidos ao longo do caminho.
“Olhem só esse besouro pesadão! Nem consegue voar, mas carrega um monte de gente nas costas!”, zombou um gafanhoto.
“E aquela joaninha? Que tipo de joaninha é essa, que não tem filhos e não se comporta como as outras?”, disse uma borboleta, rindo.
Mel também ouviu críticas: “Uma abelha cantora? Isso é ridículo! Você devia estar na colmeia trabalhando como as outras!”
Apesar disso, o grupo se apoiava mutuamente. Mel enfrentava as críticas cantando com mais força e alegria, e Lia, mais comedida, sempre lembrava a todos da importância de serem fiéis a si mesmos. Bento, com sua força e bondade, inspirava o grupo a seguir em frente.
Capítulo 7: O Canto de Mel
Enfim em uma tarde destas cheias de sol, Mel decidiu visitar sua antiga colmeia. Ao chegar lá, encontrou um cenário preocupante. Um gás tóxico, vindo de uma máquina deixada por humanos, havia se espalhado pelo local. Muitas abelhas estavam fracas e desorientadas.
“Minha família!” exclamou Mel, correndo até elas.
Sem saber o que fazer, Mel começou a cantar suavemente. Sua melodia era cheia de esperança e amor. Algo mágico aconteceu: o som de sua voz parecia limpar o ar, dissipando o gás e trazendo alívio às abelhas. Uma a uma, elas começaram a se recuperar.
“Mel, você nos salvou!” disse uma abelha mais velha, emocionada, ainda se levantando.
Foi naquele momento que a família de Mel percebeu o quanto sua filha era especial. “Nunca devíamos ter duvidado de você, Mel. Sua voz é um presente divino e salva vidas.”
“Obrigada, mãe”, respondeu Mel com lágrimas nos olhos. “E agora, eu quero apresentar meus amigos. Eles me ensinaram que ser diferente é incrível e que juntos podemos superar qualquer coisa!”
Mel, no entanto, decidiu continuar sua jornada com Bento, Lia, Guto e Teca. Ela explicou à sua família: “Eu amo vocês, mas preciso seguir com meus amigos para inspirar outros lugares. O mundo precisa saber que ser diferente é uma força, não uma fraqueza.” Sua família, agora orgulhosa, e emocionada, abençoou sua partida, pedindo que voltasse assim que pudesse. E assim continuaram até Mel se apresentar em um programa de rádio, finalmente sendo reconhecida seu valor. Isso era um lindo dia de 13 de fevereiro. E em todas as rádios de formigas do mundo Mel era ouvida.
Assim, Bento e seus amigos seguiram sua jornada através da música, provando que a união, a coragem e o respeito pelas diferenças podiam e podem; superar os grandes desafios da vida e que cada um de nós, pode voar…além das asas!
THE END
Nota da autora: O dia 13 de fevereiro é o dia mundial do Rádio, uma data para celebrar uma diversidade de vozes sendo propagada e ouvida em todos os recantos do mundo. O rádio é o meio de comunicação em massa, que alcança amplos públicos, é crucial em situações de emergência, desastres e pandemias, como foi a do Covid-19. Sempre foi e continuará sendo um tradicional meio de informar, divulgar e levar alegria aos ouvintes.
Além de se adaptar às mudanças, o rádio promove interações significativas, promovendo debates, provocando e estimulando a população, empresas e o poder público para crescer e buscar o desenvolvimento. Difere, na maioria dos aspectos de redes sociais, pois busca unir e não segmentar a sociedade em torno de um bem comum. As rádios comunitárias ainda tem o diferencial de proporcionar a liberdade de gênero e expressão e ampliar o debate sobre todos os assuntos.
fev 14, 2025 | Colunistas
Neste mundo competitivo, onde o sucesso exige preparo e desempenho cada vez maiores, o esforço individual é o grande diferencial para alcançar realizações tanto materiais quanto espirituais. Ainda que o talento natural possa facilitar certos caminhos, é a dedicação constante que conduz à verdadeira excelência. Como ensina a Escritura: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Eclesiastes 9:10). Deus não concede sucesso sem esforço; Ele nos capacita para trabalharmos com diligência e persistência em nossos objetivos.
A história tem mostrado repetidamente que a perseverança e o esforço contínuo são mais decisivos para o sucesso do que qualquer habilidade inata. Mesmo aqueles que não se destacam inicialmente em determinada área podem superá-la através da disciplina, aprendizado e trabalho constante. A capacidade de evoluir, de se reinventar e de persistir diante das dificuldades é o que separa aqueles que alcançam grandes conquistas daqueles que desistem no meio do caminho. Se a dedicação for sincera e acompanhada de ações consistentes, não há obstáculo que não possa ser superado.
Ao longo da história, vemos que aqueles que superaram desafios não foram necessariamente os mais talentosos, mas sim os mais dedicados. A própria Bíblia nos apresenta o exemplo de José do Egito, que, mesmo vendido como escravo, manteve-se firme em seu trabalho e fidelidade a Deus, tornando-se governador do Egito (Gênesis 41:39-41). Sua história prova que o esforço, aliado à fé, pode elevar qualquer pessoa a grandes alturas. “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão” (Isaías 40:31). Esse ensinamento nos lembra que a persistência sustentada pela confiança em Deus torna possível o inalcançável.
Outro grande exemplo é o do apóstolo Paulo. Antes perseguidor dos cristãos, tornou-se um dos maiores missionários do Evangelho. Seu crescimento espiritual e intelectual não veio apenas de um talento inato, mas de seu esforço incansável em aprender, ensinar e servir. “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4:7). Essa declaração resume a essência da superação pelo esforço: não importa o ponto de partida, mas sim a dedicação em trilhar um caminho de crescimento e realização.
Thomas S. Monson, ex-presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, reforçou essa verdade ao afirmar: “O futuro é tão brilhante quanto a sua fé.” A fé nos impulsiona a seguir em frente, mesmo quando os desafios parecem intransponíveis. Já o Élder Jeffrey R. Holland ensinou: “Não desista. Não ceda. A despeito de todos os fracassos e quedas, continue se esforçando.” Essas palavras ressaltam que o verdadeiro sucesso está na constância e na capacidade de perseverar diante das dificuldades.
No Brasil temos incontáveis exemplos de pessoas (famosas e anônimas) cuja dedicação e esforço superaram o talento e os levaram a grandes conquistas, como:
Silvio Santos, um dos maiores comunicadores e empresários do Brasil. Nascido em uma família humilde, começou a trabalhar ainda jovem como camelô, vendendo canetas nas ruas do Rio de Janeiro. Sem qualquer talento inicial para negócios ou televisão, foi seu esforço incansável que o levou a aprimorar suas habilidades em comunicação e empreendedorismo.
Outro grande exemplo de superação pelo esforço é o de Ayrton Senna, um dos maiores pilotos de Fórmula 1 da história. Senna não nasceu com o talento absoluto de um campeão, mas desde cedo demonstrou uma dedicação fora do comum para aperfeiçoar sua pilotagem. Passava horas estudando cada detalhe das pistas, treinando sua resistência física e mental e buscando sempre evoluir. Sua obsessão pelo aprimoramento fez com que ele superasse pilotos com talentos naturais, tornando-se tricampeão mundial e um dos esportistas mais respeitados da história do Brasil.
No campo da ciência, Drauzio Varella é outro exemplo de como o esforço pode superar o talento inato. Criado em uma família simples, ele enfrentou dificuldades financeiras e desafios para se formar em Medicina. Sem privilégios ou facilidades, tornou-se um dos médicos mais respeitados do Brasil.
Portanto, qualquer um que sonha em realizar grandes feitos deve lembrar que não é o talento que determina a vitória, mas sim a força do esforço empregado. Deus nos dotou de uma capacidade infinita de aprendizado, superação e crescimento. O trabalho dedicado, sustentado pela fé, transforma limitações em conquistas e sonhos em realidade. Nunca duvide do poder do esforço; ele é a chave que abre todas as portas para o sucesso verdadeiro.
*Jornalista e Professor
fev 12, 2025 | Colunistas
“Quando uma mãe perde um filho, todas as mães do mundo perdem um pouco também.” Começo esta reflexão com a fala da personagem Dona Hermínia, no filme Minha Mãe é Uma Peça, ao vivenciar o luto pela morte do sobrinho e imaginar a dor de sua irmã. Na dinâmica da vida, todos os dias há pessoas passando por momentos de felicidade e de tristeza. Isso nos toca com maior ou menor intensidade pela proximidade desses eventos em nossas vidas.
Refletir sobre as situações delicadas pelas quais passamos, ou as pessoas passam, sempre nos provoca e imprime em nós emoções diversas. Diariamente, somos convidados para sermos atores protagonistas, coadjuvantes, figurantes ou apenas telespectadores do episódio que chamamos de hoje. Na maioria dos episódios, a cena luto não nos ocorre diária e diretamente. Talvez por isso, ou para sobrevivermos sem maiores angústias, evitamos o desconforto de pensar na morte e no luto, o que não nos torna menos sensíveis a esses eventos quando eles ocorrem.
Mas, em um hoje ou outro, o episódio morte ocorre, e somos convidados a experienciar o luto. Um em especial arrebata-me sempre: o luto dos pais que se despedem de um filho — sobretudo o luto da mãe. Sempre me soou desconfortável naturalmente. Ora, há quem não concorde que é naturalmente mais justo que os mais velhos partam antes? Na série vida, não há controle nem leis naturais que garantam esse direito aos pais e às mães, mas sim uma sequência de presentes inevitáveis e incontroláveis que recebemos, sem muitas opções de escolha ou troca.
A verdade é que pouquíssimas são as escolhas, mas as potencializamos para nos ancorar minimamente num mar de infinitas incertezas. Dessas incertezas, o luto materno é a que me arrebata de forma avassaladora, especialmente a partir da temporada em que a maternidade passou a fazer parte da minha vida. A sensação é que passamos a integrar uma grande comunidade universal de conhecidos e desconhecidos compartilhando as mesmas emoções, certezas e incertezas.

O Portal do Paraiso
E quando a emoção é a dor e a tristeza pela despedida de um filho, os integrantes da comunidade experimentam juntos, e de forma mais patente, o dissabor. De forma ainda mais visceral, o luto da mãe é compartilhado quase que automaticamente com todas as outras mães que tomam conhecimento. Certa vez, ao externar essa angústia ao psicanalista, ele, talvez tão angustiado quanto eu, disse: “Quando casais são separados pela morte, chamamos o que fica de viúvo ou viúva; quando filhos são separados dos pais, nós os chamamos órfãos; mas, quando os pais são separados dos filhos pelo evento morte, nem nome ousamos dar.” Calei-me.
E, como membro dessa grande comunidade universal de mães e pais, quando sou convidada ao evento tão desconfortável que sequer nos substantifica, adentro no luto compartilhado. É uma espécie de cláusula irrevogável. O luto dos pais pelos filhos é compartilhado por todos os membros — quem experienciou ou quem jamais deseja experimentar. Não há muitos recursos linguísticos para explicar o luto dos pais, sobretudo o das mães. Como mãe, utilizo-me novamente das palavras da personagem para explicar o inexplicável: “Quando uma mãe perde um filho, todas as mães perdem um pouco também.”
fev 10, 2025 | Colunistas
A tecnologia está cada vez mais presente na nossa vida e no nosso dia a dia. Entre elas, os aplicativos de jogos se destacam, atraindo todas as idades. Contudo, enquanto proporcionam diversão e momentos de distração, eles podem cruzar uma linha tênue e se tornarem um vício, com consequências preocupantes. A questão que frequentemente surge é: Quando a diversão deixa de ser saudável e se torna prejudicial?
Tenho atendido com mais frequência casos de jogadores e familiares preocupados com a perda de controle e que estão buscando ajuda para lutar contra a dependência dos games e dos aplicativos.
De acordo com a ciência, o vício é uma compulsão que prejudica a rotina e o bem-estar do indivíduo. Quando falamos de jogos, ele está associado à busca incessante por recompensas rápidas e constantes, que ativam o sistema de recompensa do cérebro. Essa ativação libera dopamina, o neurotransmissor do prazer e da alegria, levando o jogador a desejar repetir a experiência continuamente.
Com o tempo, o cérebro começa a exigir estímulos cada vez maiores para sentir o mesmo nível de prazer. É aí que a diversão se transforma em uma armadilha, e o jogador pode perder a noção do tempo, negligenciar tarefas importantes ou até comprometer relações pessoais.

Impactos Tecnológicos Vício em aplicativos e jogos: (Imagem Pexels – Foto de Cottonbro Studio)
Para identificar se há um problema é necessário estar atento a alguns sinais de alerta como perda de controle, onde existe uma dificuldade em parar de jogar, mesmo quando há outras prioridades, isolamento social, que é quando a pessoa começa a evitar interações com amigos e familiares para permanecer conectado aos jogos, comprometimento da rotina, começam a acontecer atrasos ou ausência no trabalho, na escola ou em atividades importantes.
Também é importante perceber se a pessoa que está jogando está tendo alterações emocionais, demonstrando irritação, ansiedade ou depressão quando não está jogando, além de ter o desempenho prejudicado queda na produtividade ou rendimento escolar devido ao uso excessivo de jogos.
Reconhecer que precisa de ajuda é o primeiro passo. Buscar apoio de um profissional qualificado é essencial para retomar o equilíbrio. Indico que procure por ajuda de psicólogos, que auxiliam a identificar e tratar padrões comportamentais associados ao vício. Já os psiquiatras, em casos mais graves, podem avaliar a necessidade de intervenções medicamentosas. Os grupos de apoio oferecem suporte coletivo.
É importante lembrar que aplicativos e jogos não são inimigos, mas seu uso precisa ser consciente. A linha entre diversão e vício é tênue. Reflita, observe e busque o equilíbrio. Afinal, a tecnologia foi feita para servir ao ser humano, e não o contrário.
(*) Alessandra Augusto é Psicóloga, Palestrante, Pós-Graduada em Terapia Cognitiva Comportamental e Neuropsicopedagogia. Atualmente, é Mestranda em Psicologia Forense e Criminal e autora do capítulo “Como um familiar ou amigo pode ajudar?” no livro “É possível sonhar. O Câncer não é maior que você”.
Por – Psicóloga Alessandra Augusto
fev 7, 2025 | Colunistas
Para o homem, a palavra se constitui no mais poderoso recurso de ação e interação, pois expressar envolve a forma de organizar, de interpretar, de vivenciar, de julgar e de ler o mundo. Uma vez que o mundo de hoje é caracterizado por diferentes tipos de tensões: a econômica, a cultural, a tensão tecnológica e a tensão do coração. O coração, dentro da cultura, é símbolo da sensibilidade e da luta, da fragilidade e da força. O coração ama e sente-se amado, acolhe e sente-se acolhido. Em meio a esse jogo recíproco de relações, encontra-se a pessoa.
E este artigo trata de uma pessoa incansável na arte de educar. Ao lado de Cimara Fernandes Oliveira Cabral que foi secretária de educação do município de Anastácio/MS vem visitado todos os cantos ada cidade mostrando a poesia e trazendo a imaginação poética com oficinas de declamação inclusive em aldeias. A imaginação não é uma evasão, uma fuga, um refúgio fora do real, mas sim, um olhar diferente sobre o real .A imaginação é uma energia transformadora, uma fábrica que transforma a realidade, decanta-a, enriquece-a, assim como se transforma uma matéria-prima em um sentimento de carinho e afeto. Quando amamos uma pessoa ela tange o real e o imaginário e vão compor o despertar da curiosidade, a aquisição de novas ideias, o enriquecimento do vocabulário, o pensar reflexivo e a expansão e expressão de sentimentos através do fazer poético.

Casa do Artesanato
No Caso do escritor Silas Cabral que está preparando uma sequencia de mais de cem poemas em forma de livro para ser lançado no aniversário da cidade de Aquidauana/MS ele não tem medido esforços para mostrar a importância da poesia no âmbito escolar, pois a poesia nada mais é do que o retrato da nossa imaginação, da nossa autenticidade, beleza e emoção. Ela nos dá uma visão geral de que as crianças devem ser estimuladas desde pequenas para o seu fazer poético, que elas são capazes de transmitir todas as sensações sem pensar, e que, desde cedo, podem e devem ser consideradas poetas de verdade. Era o que me contava em uma almoço especial na casa do Artesanato. Local as margens da BR 262 km 482 próximo 5 quilômetro do trevo de anastácio seguindo a Campo Grande/MS. Ali com a simpatia do tempero especial do amigo Ney, popularmente chamado de Gaúcho, foi degustado uma costelinha frita de peixe “à moda da casa”, único na região.
Além da poesia A linguagem poética é uma das mais interessantes, porque mexe com nosso sentimento, nossa sensibilidade. Com o Pastor Cabral (in memoriam) aprendeu que se as crianças forem estimuladas à leitura desde a infância e o ambiente onde iniciamos for carregado de magia, será possível uma relação entre o pensar e o sentir, um jogo de palavras sedutor que chamamos de poesia, pois esse mundo é fascinante e imprevisível.
Afinal desde pequenos convivemos com a poesia: as músicas que a mãe cantava, as brincadeiras de roda, as parlendas… acostumaram os ouvidos com a graça e o ritmo da poesia. Porém, isso nos parece ter ficado mais no plano sensorial e intuitivo e pouco no plano lógico e racional. Como a poesia toca os sentidos e as emoções, logo pode estimular o aluno a produzir bons textos poéticos.
A poesia tem grande importância no âmbito escolar, pois ela pode apresentar experiências humanas que podem ser consideradas no que se refere ao conhecimento. Sendo a escola o local que tem o papel de formar o homem integral, composto de razão e emoção, ela também é lugar de poesia. Com isso, não se quer fazer dos alunos, poetas; mas sim possibilitá-los ao contato com a beleza, a brincadeira com as palavras, significados e formas. Por derradeiro, ressalto que foi homenageado pelo vereador Lívio, na capital do Estado e por ser citado no próximo livro do educador Silas Cabral, nos trechos que contei sobre Porto Canuto, relembro a frase “O ontem não nos pertence e o amanha é incerto, pois até o amanha não nos pertence , mas pertence ao REI DA GLÓRIA, se amanha estivermos aqui e fazendo a obra de DEUS, será sinal que estamos dando frutos e isso é bom e agrada ao Criador” Vida longa a Silas Cabral e sua poesia e que cada vez mais possam ser conhecidas as histórias, os lugares e as saudades de Aquidauana.
*Articulista
fev 5, 2025 | Colunistas
Desde os primórdios da humanidade, a luta contra nossa própria natureza tem sido um dos desafios mais profundos da existência. Somos seres imperfeitos, dotados de fraquezas, inclinações egoístas e falhas morais. No entanto, para aqueles que desejam seguir uma vida íntegra, digna e reta, a exemplo de Cristo — como todos nós propusemos um dia no mundo espiritual, ao aceitarmos o Plano de Salvação de Deus — existe um chamado inegável para uma transformação espiritual genuína.
Essa mudança, porém, não é superficial nem automática. Requer esforço diário, submissão à vontade do Senhor e o poder da expiação de Jesus Cristo. O próprio Salvador nos alertou sobre essa necessidade: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se TORNEM como crianças, jamais entrarão no Reino dos Céus” (Mateus 18:3).
O convite de Cristo não é apenas para mudar nossas ações, mas para transformar nosso ser. E essa é a maior batalha que um ser humano enfrenta, especialmente os cristãos: deixar para trás o “homem natural” e TORNAR-SE uma nova criatura Nele.
O rei Benjamim, há mais de dois mil anos, em sua pregação ao povo nefita, no Livro de Mórmon, explicou a condição humana com clareza: “Porque o homem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a queda de Adão e sê-lo-á para sempre, a não ser que ceda ao influxo do Santo Espírito e despoje-se do homem natural e torne-se santo pela expiação de Cristo, o Senhor; e torne-se como uma criança: submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai” (Mosias 3:19).
O “homem natural” representa tudo aquilo que nos distancia de Deus: o orgulho, a impaciência, a ganância, o egoísmo e a resistência em seguir a vontade do Pai.
No entanto, há uma saída: o Espírito Santo. Somente por meio Dele podemos vencer nossas tendências naturais e trilhar o caminho da retidão. Como afirmou o apóstolo Paulo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).
Essa transformação não acontece de um dia para o outro. Exige comprometimento, arrependimento e esforço contínuo para abandonar velhos hábitos e desenvolver qualidades cristãs.
Durante uma Conferência de Estaca de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, realizada recentemente em Campo Grande, o Élder Roberto Leite, Setenta de Área, enfatizou a importância do verbo “TORNAR-SE” na jornada Cristã. Ele ressaltou que o convite de Cristo e do rei Benjamim não é apenas para mudar superficialmente, mas para assumir uma nova identidade espiritual.
Élder Leite destacou que cada um de nós precisa mudar sua natureza: “Cada um de nós precisa se despir do homem natural e nos tornarmos novas criaturas em Cristo Jesus, como nos ensina o apóstolo Paulo (2 Coríntios 5:17; Efésios 2:10), ou como nos ensina Alma, nascer espiritualmente de Deus, ter sua imagem gravada em nosso semblante.”
Em sua explanação, ele enfatizou que essa mudança precisa ser real e perceptível, citando as palavras de Alma, no Livro de Mórmon: “E agora, eis que vos pergunto, meus irmãos da igreja: Haveis nascido espiritualmente de Deus? Haveis recebido sua imagem em vosso semblante? Haveis experimentado esta poderosa mudança em vosso coração?” (Alma 5:14).
Não basta apenas frequentar reuniões ou professar verbalmente nossa fé; precisamos demonstrar essa transformação em nossas atitudes diárias. Como destacou o Élder Leite: “Como parte do caminho do discipulado, todos precisamos mudar, todos precisamos mudar nossa vida. Na linguagem do cotidiano, todos precisamos mudar nosso ‘jeitinho’. Todos precisamos nos tornar mais semelhantes a Jesus Cristo. Este é o desafio da mortalidade: mudar nossa natureza e nos tornarmos pessoas melhores por causa da expiação de Jesus Cristo.”
A pergunta que fica é: estamos dispostos a pagar o preço da mudança? Estamos prontos para ceder ao Espírito e nos despir do homem natural?
Que cada um de nós aceite esse chamado sagrado. Que possamos buscar diariamente sermos moldados pelo Salvador e nos tornarmos verdadeiros discípulos Dele.
*Jornalista e Professor