fev 2, 2026 | Colunistas
A proposta de Código de Conduta encaminhada pela OAB de São Paulo ao presidente do STF não é apenas um debate ético. É um gesto político, calculado e carregado de simbolismo num momento em que o Supremo deixou de ser apenas árbitro para se tornar protagonista do jogo de poder.
Ao defender regras duras sobre impedimentos, agendas públicas, eventos patrocinados, manifestações externas e uma quarentena pós-mandato, a OAB escancara o desconforto institucional com práticas que, embora não ilegais, corroem a percepção de imparcialidade da Corte. No Judiciário, a confiança não se sustenta só nas decisões — depende também da postura.
A inspiração nos Princípios de Bangalore e a ênfase na aparência de neutralidade atingem em cheio a rotina recente do Supremo, marcada por exposição midiática, discursos fora dos autos e trânsito frequente entre o mundo jurídico, político e empresarial. O recado é claro: juiz não pode parecer parte, muito menos ator político.
A quarentena de três anos para o retorno à advocacia é o ponto mais explosivo da proposta e tende a enfrentar resistência interna. Ainda assim, toca numa ferida antiga: a porta giratória entre o plenário e os grandes escritórios, sempre tratada com naturalidade corporativa.
Em ano pré-eleitoral, com tensões abertas entre STF, Congresso e Executivo, a iniciativa da OAB antecipa um debate inevitável: até onde vai a independência judicial e onde começa o poder sem freios? Se o Supremo não estabelecer seus próprios limites, outros o farão — no Legislativo, nas urnas ou na pressão da opinião pública.
jan 30, 2026 | Colunistas
BÔNUS E ÔNUS DA CLASSE POLÍTICA
BÔNUS: Ou, custos e benefícios que a classe política está sujeita a sedução pelo poder. A visibilidade massageia o ego, eleva o status, proporciona relações que proporcionam vantagens e prestígio favorecendo amigos e parentes. São raros os casos em que o político deixa o cargo e a política por se sentir desconfortável. Conhece algum?
ÔNUS: O outro lado do poder. Devido ao excesso de exposição pública os políticos são reféns do sistema e às vezes até fragilizam suas relações familiares. A priori não podem errar, seus atos vigiados, perdem a privacidade em todas situações. É o preço, as vezes alto que os políticos pagam. Mas, a maioria oceânica deles aceitam o desafio.
NOVIDADES? Riedel interioriza a gestão com lançamentos e inaugurações de obras. Barbosinha e Verruck deixam o PSD, rumo respectivamente ao Republicanos e PP. O primeiro prepara-se para a reeleição com Riedel e o segundo disputará a Câmara pelo PP ao lado de Waltinho Carneiro e Luiz Ovando. Até 4 de Abril muita coisa deve acontecer.
QUESTÕES: Na escolha dos dois senadores há dúvidas: prevalecerá a ideologia partidária – pura e simples – ou pesarão os perfis dos postulantes? Contar aposta no primeiro critério, enquanto Reinaldo e Nelsinho apostam as fichas na segunda opção. O programa eleitoral deve ser um componente importante para o eleitor se decidir.
‘CHUTES’: Os dados e números nos discursos de Ciro Gomes sem sustentação. Lula é outro ‘inventor’ de fatos. Disse que a nossa primeira universidade data de 1920, mas Rui Barbosa se formou em 1870 pela Faculdade de São Paulo. E em 1810 já havia as faculdades de Medicina de Salvador, Engenharia do Rio e de Minas em Ouro Preto.
ESCROTO: O ex-Primeiro Ministro da Itália Silvio Berlusconi marcou pela falta de respeito, gafes, piadas e termos chulos ao se conectar com o público. Chamou Barack Obama de “jovem, bonito e bronzeado. Em outra ocasião pulou de trás de um monumento e gritou “cucu” (esconde-esconde) para a ex-chanceler alemã Ângela Merkel.
FANFARRÃO: Hugo Chaves usava o humor para atacar adversários e se comunicar com apoiadores. Chegou ao cúmulo de apelidar Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos Estados Unidos de “Condolência” e referindo-se a ela como “menininha”, acompanhado de gestos irônicos como mandar beijos em seus programas de TV.
DANÇOU: Senador, Collor convidou o colega malufista Júlio Campos (MT) para ser seu candidato a vice-presidente. Ele recusou e indicou a deputada Maria Kubischek que também disse não. Presente, dona Sara Kubischek sugeriu o senador Itamar Franco que aceitou no ato. Quem conta é o próprio Julinho admitindo: “fiquei chupando o dedo”.
A PROPÓSITO: Complicada a situação dos irmãos Júlio (deputado estadual) e Jaime Campos (senador). O governador Mauro Mendes quer o Senado, apoia seu vice Otávio Pivetta (RP) ao governo e o senador Wellington Fagundes (PL) é o concorrente mais forte. Júlio até se reelegeria, mas Jaime precisa costurar acordos para sobreviver. A Família Campos está na política há 60 anos.
SEM NOÇÃO: Em 1994 Valdemar da Costa Neto (ele!) estava no camarote dos bicheiro no carnaval do Rio, onde Itamar era o convidado de honra. Em seguida, Lilia Ramos, após posar para a Playboy e desfilado com os seios à mostra na ‘Viradouro’ é saudada com beijinhos por Itamar e deu no que deu. Manchete na República e lá fora.
GOZADOR: Ronald Reagan fazia piadas sobre o atraso dos russos. Uma de1988: “Na Rússia o cidadão vai à revenda comprar um carro OK e o vendedor diz: ‘Em 10 anos você vem buscar seu carro’ – “ De manhã ou a tarde”? ‘Que diferença faz? – indaga o cliente. O vendedor justifica: ‘É que de manhã nesta data, está agendada a visita do encanador à empresa”.
INCOERÊNCIA: Nunca, Lula tentou interferir pela libertação dos presos políticos nos governos de Chaves e Maduro. Logo ele que prega liberdade e direitos humanos por aí. Essa reclamação ouvi de um marceneiro venezuelano que trabalha como repositor num supermercado de Campo Grande. O que os petistas têm a dizer sobre o fato?
‘CAMARADA’: Nicalae Ceausescu, comunista. Mandou 24 anos na Romênia. O povo com fome e ele construiu um palácio de 80 quartos, 12 andares acima do solo e 8 subterrâneos com abrigo nuclear. Para isso deslocou 60 mil pessoas da área onde fica o palácio. Ele e a mulher foram presos pelo povo e executados no Natal de 1989.
ATRITAR ? JAMAIS! A Ordem dos Advogados do Brasil, antes atuante em defesa da sociedade, simplesmente saiu de cena neste escândalo do Banco Master respingando no STF e no Governo. Os dirigentes priorizam preservar as relações com o Judiciário. Ora! Onde existem crimes sem criminosos, todos acabam suspeitos. O que diria Ruy Barbosa!?
LEWANDOWSKI: Não leu as obras de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a ética. As notícias que envolvem recebimento de dinheiro do Banco Master quando era Ministro da Justiça são graves, precisam ser apuradas. Sua saída abrupta do cargo deixou pegadas escabrosas. O caso remete-nos ao programa do Silvio Santos com “Quem Quer Dinheiro?!”
NO BRASIL: Falta gente para trabalhar. Sobram vagas na capital. Sorte dos haitianos e venezuelanos. Temos 40 mil com carteira assinada; aposentados, pensionistas e 50 mil vivendo com o Bolsa Família e outros programas sociais. Com fins eleitorais o Governo mantém esse curral que trará problemas no futuro. Só os idiotas não enxergam.
UMA EPOPEIA: Proprietários rurais reclamam das dificuldades para se conseguir funcionários. Apesar dos bons salários, habitação com conforto (internet e celular), não é fácil ‘segurar’ funcionários por muito tempo. Isso se verifica na sojicultora, pecuária e extração do látex. O sonho de consumo ainda é a cidade grande. Baita ilusão!
BARBARIE: Coitado de quem precisa dos préstimos do INSS. Só no MS, no final de 2025, cerca de 41.775 pessoas estavam na fila de espera de benefícios. Enquanto isso a fila única (nacional) do órgão chega a 41,7 mil ‘sofredores’. Sai governo, entra governo e não se resolve o problema tão delicado. INSS lembra um ‘circo de horrores’.
PONTO FINAL:
Na política, a vingança, (não a esperança), é a última que morre.
jan 27, 2026 | Colunistas
Boa parte do povo brasileiro — talvez a maioria — utiliza integralmente os recursos de seus salários mensais para o próprio sustento ou o da família. Os baixos vencimentos, o alto custo de vida, a pesada carga tributária e a ausência de educação financeira fazem com que milhões de pessoas vivam permanentemente no chamado “fio da navalha”, sem qualquer reserva para enfrentar imprevistos.
Essa realidade torna-se ainda mais preocupante diante das constantes incertezas econômicas do país. A inflação que insiste em corroer o poder de compra, o encarecimento dos alimentos, dos medicamentos e dos serviços essenciais, além da instabilidade no mercado de trabalho, impõem às famílias um cenário de permanente insegurança.
Somado a isso, existe um fator cultural profundamente enraizado. Muitos aprendem desde cedo a gastar tudo o que ganham, sem planejamento, sem organização e sem disciplina financeira. Poupar ainda é visto como algo impossível, quando, na verdade, trata-se de um hábito que pode começar com valores pequenos, mas constantes.
Em algumas culturas, como a japonesa, existe um princípio amplamente difundido: viver com cerca de 70% da renda mensal e reservar os outros 30% para o futuro. Não se trata de privilégio financeiro, mas de disciplina. É essa mentalidade que protege famílias em momentos de crise, doenças, desemprego ou dificuldades inesperadas.
É verdade que o salário mínimo brasileiro, atualmente em R$ 1.621,00, está muito aquém do ideal para garantir dignidade plena a uma família. Nesse contexto, o governo precisa rever sua participação excessiva na renda do trabalhador, já que parcela significativa do salário é consumida por impostos diretos e indiretos. O empregador também é onerado por encargos elevados, que muitas vezes mais do que duplicam o custo real de cada funcionário.
Ao mesmo tempo, é necessário afirmar com clareza: o empregador possui não apenas responsabilidade legal, mas também moral. Não basta cumprir o mínimo exigido pela lei. Funcionários que ajudam a construir resultados, lucros e patrimônio precisam ser valorizados com salários mais justos e humanos.
Ainda assim, independentemente do cenário político ou econômico, cabe ao trabalhador e às famílias exercerem controle rigoroso de seus gastos. Adequar o padrão de vida à renda real, evitar dívidas desnecessárias e buscar separar mensalmente uma pequena quantia para reserva ou poupança é uma atitude de sabedoria. Ser previdente não é sinal de medo. É sinal de maturidade.
Deus, em Sua infinita sabedoria, jamais deixou Seus filhos sem orientação. As Escrituras Sagradas ensinam, de forma clara, o valor da preparação e da prudência. Na parábola das dez virgens, contada por Jesus Cristo, apenas cinco estavam preparadas, com azeite suficiente para o momento decisivo. As demais, despreparadas, sofreram as consequências da negligência.
A lição é direta: quem se antecipa atravessa os momentos difíceis com mais serenidade. A Bíblia reforça esse princípio ao ensinar: “Os planos do diligente conduzem à fartura.” (Provérbios 21:5) E ainda: “Na casa do sábio há tesouro e azeite, mas o insensato tudo desperdiça.” (Provérbios 21:20)
O Livro de Mórmon também orienta com clareza: “Não corrais mais depressa do que vossas forças permitem.” (Mosias 4:27) E adverte: “Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias.” (Doutrina e Convênios 88:119)
Dentro dessa mesma visão de responsabilidade e autossuficiência, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina há décadas seus membros a praticarem o armazenamento familiar. A orientação é simples e profundamente sábia: preparar-se nos tempos de tranquilidade para enfrentar, com dignidade, possíveis tempos de escassez.
Esse armazenamento não nasce do medo nem do alarmismo, mas da prudência. Trata-se de manter reservas básicas de alimentos e itens essenciais, de forma organizada, equilibrada e usando um sistema que permite a conservação de grãos e outros produtos, por vários anos, conforme a realidade de cada família. O objetivo é evitar o desespero em situações como desemprego, crises econômicas mais severas ou eventuais falhas no abastecimento.
Ter uma pequena reserva não é exagero; é responsabilidade. Planejar não significa desconfiar do amanhã, mas demonstrar gratidão pelo hoje.
Esse princípio caminha lado a lado com outro igualmente essencial: o hábito da poupança mensal. Ainda que o valor seja modesto, o ato de separar regularmente uma quantia desenvolve disciplina, autocontrole e visão de futuro. Poupar não é privilégio de quem ganha muito, mas decisão consciente de quem aprende a administrar bem o que tem.
Infelizmente, essa cultura econômica saudável raramente é ensinada nos bancos escolares. Crianças e jovens aprendem conteúdos complexos, mas não aprendem a organizar um orçamento doméstico, diferenciar necessidade de desejo, planejar gastos ou compreender os riscos do consumo impulsivo.
Muitos lares, por falta de orientação, acabam repetindo erros de geração em geração. O resultado é um ciclo de endividamento, ansiedade, conflitos familiares e dependência constante de empréstimos e juros abusivos.
Promover educação financeira dentro do lar é, portanto, um ato de amor. Ensinar a gastar apenas com o necessário, evitar desperdícios, planejar compras e valorizar cada recurso recebido fortalece o ambiente familiar e gera segurança emocional.
Quando a família aprende a viver com simplicidade e organização, cria-se um lar mais leve, onde há diálogo, cooperação e paz. Os filhos crescem entendendo que o dinheiro não é um fim em si mesmo, mas um meio para viver com dignidade e servir melhor ao próximo.
No fim, ser previdente é muito mais do que uma escolha econômica. É um princípio espiritual. É compreender que Deus espera de nós responsabilidade, equilíbrio e gratidão. Ele provê, sim — mas também nos ensina a administrar.
A fé verdadeira não dispensa o planejamento; ela o inspira. E quando unimos confiança em Deus com prudência nas decisões, o futuro deixa de ser motivo de medo e passa a ser um caminho de esperança, segurança e paz.
*Jornalista, Professor e Escritor
wilsonaquino2012@gmail.com
jan 23, 2026 | Colunistas
“Canta tua aldeia e serás universal”, ensinou Tolstói. A frase ajuda a compreender o sentido das eleições de 2026, que deveriam ser guiadas por propostas e compromissos públicos, não pela radicalização do discurso político.
Em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel buscará a reeleição. No plano nacional, o presidente Lula tentará novo mandato. Mas o contexto dessa disputa extrapola a política local e se conecta a um cenário internacional cada vez mais instável.
O próximo ciclo eleitoral será decisivo para medir a resistência das democracias. No Brasil e no mundo, cresce a pressão de forças extremistas, impulsionadas pela desinformação digital e pelo enfraquecimento do debate público. Nos Estados Unidos, a possibilidade de retorno de Donald Trump ao poder reforça estratégias de apoio a agendas ultraconservadoras, especialmente na Europa.
Ao longo de 2026, eleições em diferentes países funcionarão como termômetro desse embate, marcado por tensão institucional e questionamentos às regras do jogo democrático. Em outubro, o Brasil estará no centro dessa observação.
Cantar a própria aldeia, com responsabilidade, diálogo e compromisso democrático, segue sendo o melhor caminho para enfrentar um mundo em ebulição.
jan 23, 2026 | Colunistas
PERRENGUE? Ao custo diário de R$400 mil, a Câmara Municipal de Guarulhos encontra espaço para humor que faz sucesso na internet. Ao meio de gargalhadas dos vereadores, foi aprovado o PL incluindo no calendário de eventos culturais da cidade o bloco “Unidos dos Meus Ovos” que estreará neste carnaval. Ovos de quem ?
CABELOS BRANCOS: Com seu nome nas pesquisas ao governo do Paraná, o ex-senador Álvaro Dias; 81 anos, tem um argumento resumido na frase: “Renovação e inovação – se medem pelas ideais e não pela idade”. Aliás, Puccinelli, Londres e Gerson Domingos, candidatos ao parlamento estadual, se encaixariam neste perfil.
REFERÊNCIA: Pela fidelidade ao PL, ao Bolsonaro e sua exposição combativa na Câmara, o deputado Rodolfo Nogueira é visto como uma figura emblemática do bolsonarismo no MS. As amostras eleitorais revelam que o ’Gordinho’ transita bem em todas regiões. Coerente, defende a tese de que o político deve ter lado. É por aí…
DIFICULDADES: Onde e como conseguir 25 candidatos a deputado estadual? E não é só. A lei exige a participação feminina em um terço deste total. Diferente de antes – em que partidos apresentavam candidatos e candidatas ‘laranjas’ só para cumprir tabela na chapa proporcional. A perda do mandato do ex-deputado Rafael Tavares é uma lição.
VALE TUDO! Nas campanhas, adversários fiscalizam a concorrência. Aí brotam as denúncias por votação inexpressiva de ‘laranjas’, prestação de contas zeradas, ausência de movimentação financeira e de atos efetivos de campanha. São lembretes que advertem os candidatos, partidos e federações dos riscos de’ tentativas de ‘espertezas.’
NO FACEBOOK: A afirmativa do jornalista Otávio Neto, segundo a qual Fabio Trad, nomeado no Planalto com salário de R$25 mil, atuando hoje como blogueiro defensor do PT, deve derreter aquela sua áurea imaginária de diferenciado, jogando-o na vala dos políticos comuns. A propósito: Para Fábio, o ministro Tóffoli seria inocente?
‘FAKE NEWS’: Como ter certeza que aquela voz é mesmo do candidato da foto? Esse é o primeiro golpe que teremos nesta campanha. Até desmentir e excluir da internet vai tempo, os estragos irreversíveis. Não acredito na agilidade da nossa Justiça Eleitoral contra a tecnologia à serviço da fraude eleitoral. Burocrática demais!
PERIGOS: O uso criminoso da inteligência artificial vai além da manipulação de documentos, sentenças, mandados de soltura e propaganda. Plataformas digitais criam manipulações, induzem o eleitor, criam falsas interações com candidatos, provocando apelo emocional. Daí o eleitor até acaba apoiando um candidato inconscientemente.
É GERAL: Não é só naqueles ‘confins do Judas que ocorrem fatos envolvendo políticos que motivam risos. Dos folclóricos ‘coronéis’ dos currais eleitorais do sertão nordestino – aos personagens de estatura top de potencias, tidos como intocáveis ou infalíveis, a mídia registra gafes, excessos e situações inusitadas. Confira algumas.
HUMOR RUSSO: Noite gelada em Moscou. O guarda avista um homem e grita: “pare, documentos! ”. Nervoso, ele deixa cair um papel, lido com dificuldade pelo guarda: “A.ná.li.se de u.ri.na”… “Hmm…um espião, me parece…” Então ele lê mais: “Proteinas: nenhuma, Açucares: nenhuma, Gordura: nenhuma. ” “Liberado, camarada proletário! Viva a revolução mundial. ”
COMUNISMO: Após horas de espera no Kremlin para falar com Gorbachov, uma velha perguntou-lhe: “Senhor, o comunismo foi criado por políticos ou cientistas? Ao seu estilo ele respondeu prontamente: “Ora, políticos é claro”. Ela retrucou: “Isso explica tudo”. Os cientistas teriam testado em camundongos primeiro”.
MOSCOU: Um homem na fila para comprar vodka, mas a fila não anda. Furioso grita: “Chega! Não aguento mais! É culpa do Gorbachov. Vou até ao Kremilin matá-lo agora mesmo. Duas horas após ele volta para a fila. Alguém indaga: “você conseguiu? ”. Ele responde: “Não. A fila para matar Gorbachev estava ainda maior do que essa”.
BREZHNEV: Trapalhão. Leu o discurso e, questiona o assessor: “Pedi discurso de 15 minutos e esse durou 45! ” O assessor rebate: “Mas eu lhe dei 3 cópias…” Olimpíadas 1980: Brezhnev inicia o discurso. “Ó!” – aplausos. “Ó!” – ovação. O assessor sussurra ao seu ouvido: “Esses são apenas os anéis do logotipo olímpico, desnecessário ler todos eles! ”
HUMOR DO REAGAN: O ex-presidente, famoso pelas gafes; chamou a princesa Diana de ‘princesa David’ – disse que o ex-presidente Ford era ex-comunista no lugar de ex-congressista – criticado ao confundir depressão por recessão, justificou: “recessão é quando o vizinho perde o emprego; depressão é quando você perde o seu.”
COMUNISTAS: Tidos antes como ‘comedor de criancinhas’. Eu diria que apenas gostam do poder. Veja: o pessoal do Fidel manda em Cuba desde 1953; o trôpego Ortega arrasta a perna e não larga o osso na Nicarágua desde 1979. Hugo Chavez abriu a picada em 1999 na Venezuela, sucedido pelo ‘grande’ Maduro. Só boa gente.
ARTHUR MARIO: Vida dedicada a radiofonia, em especial ao setor esportivo por esse, entusiasta do futebol. A comemoração dos 50 anos de microfone, ocorrida na Rádio Hora, oportunizou um debate informal sobre esse esporte. O senador Nelsinho Trad, feliz na saudação, abordou inclusive aspectos do futebol local de ontem e de hoje. Obrigado Arthur!
LAMENTÁVEL: Quantidade ou qualidade? Apenas o jaleco branco, o estetoscópio e o diploma não bastam. A desaprovação de parte das nossas faculdades particulares de medicina mostra empresários focados só no lucro. A classe política tem culpa ao ajudar na autorização destes cursos. Clinicar consultando o ‘ doutor google’ é usual por aí.
REFLEXÃO; “Nada é mais importante que saúde na vida, sou muito grato porque quanto tomei posse no terceiro mandato, eu estava com câncer e consegui vencer. Pessoas deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. Aqui é um lugar para respeitar as diferenças e reaprender os caminhos…” (Paulo Duarte em sua posse na ALEMS em 05/03/2024)
PONTO FINAL:
O contrato da mulher do A. Moraes com o Master é ‘mistério’, sem explicação.
jan 19, 2026 | Colunistas
Filhotes da IA já se enxergam como Chateaubriand sem jornal, Samuel Wainer sem fonte e Roberto Marinho sem história — delírio travestido de jornalismo
Retomo o tema diante do recrudescimento de um fenômeno que, ao que tudo indica, fincou bandeira neste novo modelo de “imprensa”. Falo das redações improvisadas, dos grupos de WhatsApp e das timelines hiperativas onde viceja o jornalista de laboratório digital — o profissional instantâneo. É aquele que nunca sentiu o peso de uma reunião de pauta, jamais levou um furo de reportagem, nunca perdeu o sono por um texto sem gancho. Eis que de repente, acordou numa bela manhã convencido de que a Inteligência Artificial o sagrou, por milagre, um jornalista, mesmo sem as credenciais da FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas).
Esse sujeito opera no vácuo. Nunca levou um “não” seco de uma fonte, nunca voltou de mãos vazias depois de horas de apuração, mas se julga pronto após meia dúzia de comandos em um chat. Acredita, com fé quase religiosa, que o algoritmo substitui a vivência e que o código ocupa o lugar da ética.
O que se vê, na prática, é uma inflação de egos em perfis de rede social, onde a volúpia do post atropela a liturgia da apuração. A máquina entrega a rima, organiza o parágrafo, alinha o texto. Mas o discernimento — esse que gasta sola de sapato, que nasce do erro, do constrangimento e do contexto — continua sendo artigo de luxo que o silício não consegue copiar.
Convém deixar claro: a IA não tem culpa. É educada, paciente, condescendente. Não devolve texto com um “cadê a notícia?”, não pergunta “qual é o gancho?”, não risca parágrafo inútil com caneta vermelha nem manda refazer a abertura. Ela ajuda.
Mas ajudar não é substituir.
No jornalismo aprendido no trecho, não existe passe de mágica. Existe faro, memória, repertório, correção e, sobretudo, tempo de estrada. Texto sem gancho não é artigo — é exercício de vaidade. Texto bonito sem fato é só literatura acidental. Opinião sem lastro vira postagem motivacional com pretensão intelectual.
A IA não pauta. Não apura. Não sente cheiro de problema. Organiza ideias, sugere caminhos, melhora a forma, desde que haja conteúdo do outro lado. Para quem já sabe o pulo do gato, é uma mão na roda. Para quem nunca soube, vira espelho enganoso: devolve um texto elegante, redondo, cheiroso, mas vazio.
Até aqui, o dano é limitado. O máximo que acontece é a proliferação de textos bonitos que não dizem nada. O problema começa quando essa modernidade redentora cai nas mãos erradas. Porque, além dos deslumbrados inofensivos, a Inteligência Artificial tornou-se a ferramenta perfeita para os mal-intencionados.
Nunca foi tão confortável praticar a velha picaretagem sob verniz tecnológico. Com um domínio barato, meia dúzia de prompts e nenhum escrúpulo, surgem “portais de notícias” que não informam: intimidam. Não investigam: achacam. Não publicam reportagem: emitem notas. Sempre em nome do “interesse público”. Sempre com alvo bem definido — o empresariado desavisado e, principalmente, quem segura a chave dos cofres públicos.
É a velha imprensa marrom, agora de fraque, cartola e linguagem pasteurizada. Antes exigia gráfica, contatos e rua. Hoje basta um layout limpo, uma IA condescendente e a completa ausência de caráter. Cria-se o problema no texto para vender o silêncio fora dele. Chantagem com corretor ortográfico. Extorsão com parágrafo bem escrito. Lavagem de dinheiro sob o selo de “opinião”.
A Inteligência Artificial não criou esse tipo de gente. Eles sempre existiram. O que a tecnologia fez foi baratear o golpe, acelerar o processo e ampliar o alcance. Onde antes havia panfleto, agora há “editorial”. Onde antes havia fofoca, agora há “análise”. Onde antes havia ameaça explícita, agora há “nota crítica”.
E aqui o tema deixa de ser folclórico para se tornar perigoso. Não para o jornalismo sério — que sempre soube se defender —, mas para o ambiente público: gestores acuados, empresários honestos pressionados, leitores incapazes de distinguir crítica legítima de banditismo retórico.
Convém repetir, sem romantismo nem ilusão tecnológica: IA é ferramenta. Nas mãos certas, potencializa o bom jornalismo. Nas mãos erradas, vira arma de extorsão em escala industrial.
E não há prompt que resolva isso. O antídoto continua sendo o mesmo de sempre: história, reputação, responsabilidade e coragem para chamar as coisas pelo nome — mesmo quando o texto vem bonito, alinhado e sem erro de português.
Porque tecnologia nenhuma transforma picareta em jornalista. E credibilidade, essa velha senhora exigente, não aceita inteligência artificial como fiadora.
Valfrido Silva, do Contraponto MS –