jun 12, 2026 | Colunistas
UM INSTANTE! Pelo visto terão que aumentar de 24 para 33 (ou mais) as cadeiras na Assembleia Legislativa. A explicação está justificada pelo excesso de confiança e otimismo nas projeções das federações e partidos. É hora do pessoal recalcular seu potencial, pois a ‘caça’ aos eleitores promete ser concorrida. Alguns vão sobrar.
BEM ASSIM: Em todas as eleições existem os tais candidatos do sistema, tidos como favoritos; os aventureiros sem nada a perder – e aqueles conscientes do papel de meros coadjuvantes em troca de recompensas futuras. Mas cada qual tem importância na somatória final dos votos. Como se diz: não se ganha eleição sozinho.
COMPARANDO: Na pesquisa da Ranking na mídia, Lula tem 32% de bom/ ótimo e seu governo aprovado por 42% no MS. Mas seu fiel companheiro Vander, patina nos 10% de intenção de votos ao Senado. Portanto, o prestígio de Lula é pessoal e nem sempre reflete em terceiros. Comenta-se que pela sua lealdade, Vander seria recompensado com cargo na Itaipu Binacional.
ALERTA: Pesquisas mostram que 32% do eleitorado é avesso a polarização atual. São eleitores críticos do quadro nacional, não tem paixões partidárias e ideológicas. Fiéis da balança, eles deixam para decidir na última hora; também num reflexo da falta de novos personagens com propostas confiáveis, sem os tais apelos eleitoreiros de sempre.
LEITURA: A deputada estadual Gleice Jane (PT), tem visão sensata da influência do fator ‘bairrismo’ no processo eleitoral das cidades e argumenta: se trata de fato natural. Ela cita Dourados, Corumbá e Ladário como exemplos de eleitores com fortes vínculos voltados prioritariamente aos interesses locais, priorizando os candidatos da terra.
CÂMERA LENTA: Ano de eleições é sempre assim. Os deputados priorizam as viagens aos redutos interioranos principalmente e as pautas da Assembleia murcham. Até mesmo a disputada tribuna, normalmente palco de contundentes pronunciamentos, está em baixa. Esse cenário é parte do roteiro eleitoral. Sem novidades.
GOL DE PLACA: Repercute a aprovação no Senado do Projeto de Lei elevando o piso salarial nacional de médicos e dentistas de R$ 3.636,00 para R$ 13.662,00 para jornada de 20 horas semanais. Relator do texto, o senador Nelsinho Trad comemora e espera a aprovação na Câmara, além é claro, da repercussão positiva nas urnas.
LEMBRETE-1: Candidato precisa abraçar! Não aquele abraço mecânico. Abraço é um forte estimulante de conexão emocional, melhor que as mensagens de redes sociais. Abraço quebra barreiras, aproxima pessoas, tornando-as mais próximas e iguais; cria um clima de cumplicidade. E mais: o eleitor se sente valorizado pelo político ilustre.
A PROPÓSITO: No recente congresso de vereadores, Contar, Nelsinho e Reinaldo não perderam tempo. Animados, distribuíam abraços e sorrisos para a plateia decisiva em termos de eleições. Diferem apenas no estilo pessoal, mas se equivalem nas propostas. As pesquisas têm mostrado o potencial de cada um deles rumo ao Senado. Pedreira!
LEMBRETE-2: Trilha sonora transforma lembrança em voto; eleitor até esquece os discursos, mas canta os refrãos. Na política quem é lembrado é escolhido. Daí o valor da música símbolo na campanha. Quanto mais o povo canta, mais o nome cresce e se fortalece. Os sucessos de ‘Varre …Varre Vassourinha…’ de Jânio Quadros – e de ‘Lula Lá’ mostram isso.
VISITAS: Prefeito de cidade interiorana diz que não é de reclamar. Mas quase todo santo dia recebe visita de candidatos. Após aquele longo papo sobre os mais variados temas, vem o sutil pedido de apoio. O legal no jogo político é que todos os envolvidos têm completa noção de comportamento nas mais diferentes situações. Um dia juntos, outro dia separados.
SÓ O COMEÇO: Pelas amostras iniciais, a Justiça Eleitoral jogará pesado nestas eleições. São os casos do deputado Rodolfo Nogueira multado em R$15 mil pela pratica da propaganda antecipada e a decisão que determinou ao deputado João H. Catan a retirada de vídeo com IA da rede social. Decisões que devem frear os ânimos.
OUTRO LADO: Como das outras vezes, apenas os usuários ficaram no prejuízo com o ‘singular’ aumento de 39% nas tarifas do pedágio da BR 163. Na outra ponta, os prefeitos de todos os municípios servidos pela rodovia, estão comemorando o aumento da fatia mensal que tem direito pelo chamado Imposto Sobre Serviços.
COMPLEXO: Assim defino o debate sobre a redução da maioridade penal, É difícil equilibrar a punição por delitos graves com o sucesso da reabilitação dos jovens. Os argumentos das duas correntes (a favor / contra) são válidos e devem ser levados em conta no debate que já sacode a opinião pública. Mais razão e menos emoção!
BEM NOSSA! Tomar como exemplo a maioridade penal de outros países, diferentes da nossa realidade sociocultural é errado. Cada país com suas peculiaridades. Os senhores do crime organizado, que hoje usam os menores de 18 anos em suas ações, passariam a recrutar adolescentes menores de 16, sem prejuízo aos seus resultados ilícitos desejados.
RISCOS: Existem sim ao propor essa pauta delicada num ano eleitoral. Políticos podem incluir essa matéria no rol de suas proposituras sob risco dividir o eleitorado entre os ‘a favor’ e ‘os contra’. Prepare-se para ouvir bazófias de candidatos – mais interessados em desfrutar do poder – do que resolver a questão da segurança e combate a criminalidade.
REFERÊNCIA: Em defesa da candidatura do irmão Jaime (senador) ao Governo de Mato Grosso, o deputado Júlio Campos lembra no facebook: “Na convenção da UDN em Três Lagoas (1965), Lúdio derrotou os deputados Fragelli e Garcia Neto. Apesar do apoio do governador Fernando C. da Costa e da campanha rica de Lúdio (com 200 peruas kombis) – foi derrotado pelo então desconhecido engenheiro Pedrossian da N.O.B ”.
PILULAS DIGITAIS:
O eleitor é pré-histórico, mas a urna é eletrônica. (Sponholz)
Trate com carinho a sua liberdade de escolha. (Chick Corea)
Os tais ‘influenciadores’, influenciam quem mesmo? (internet)
Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação. (Nelson Rodrigues)
O povo é aquela parte do Estado que não sabe o que quer. (Hegel)
A regra não falha em qualquer país do terceiro mundo que tenha dois líderes. Um está no poder e o outro na cadeia. (Millôr)
Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. (João G. Rosa)
No futebol, o pior tipo de cego é o que só vê a bola. (Nelson Rodrigues)
Tô bem, mas se eu pensar muito eu choro. ( Pedro Vinício)
A vida é um sopro. Aproveite!
Seja obcecado por soluções, não por problemas. (Donald Trump)
jun 8, 2026 | Colunistas
Vivemos tempos estranhos. As cidades estão cada vez mais cheias, mas as pessoas parecem cada vez mais distantes umas das outras. Há pressa demais, preocupação demais, irritação demais. Em meio a buzinas, celulares, cobranças, contas e problemas pessoais, muita gente vai endurecendo por dentro sem perceber. E talvez seja justamente por isso que pequenos gestos de gentileza tenham se tornado tão valiosos.
Muitas vezes me pego imaginando como seria o mundo se a gentileza imperasse verdadeiramente no coração das pessoas. Um mundo onde o respeito, a educação, a paciência e a bondade fossem atitudes naturais no cotidiano. Não como algo forçado ou ensaiado, mas espontâneo, vindo da alma. E sempre que penso nisso, enxergo uma realidade mais leve, mais colorida e muito mais humana.
Um simples “bom dia” dado com sinceridade a um desconhecido na rua pode parecer insignificante para alguns, mas pode representar muito para quem o recebe. Talvez aquela pessoa esteja enfrentando uma luta silenciosa, carregando dores que ninguém imagina. Talvez esteja precisando apenas de um pequeno sinal de que ainda existe humanidade no mundo. Gestos simples possuem uma força extraordinária.
Quando alguém segura a porta do elevador para outra pessoa entrar; quando um motorista reduz a velocidade e permite que alguém atravesse a rua; quando uma pessoa cede lugar numa fila; quando alguém ajuda um idoso a carregar uma sacola; quando um jovem se levanta para oferecer assento a uma pessoa mais velha; quando uma criança sorri espontaneamente para alguém triste; quando alguém pega do chão um objeto que você deixou cair sem sequer conhecê-lo… tudo isso pode parecer pequeno, mas não é. São atitudes silenciosas que restauram nossa esperança nas pessoas.
A verdade é que o ser humano não precisa apenas de comida, dinheiro ou sucesso para viver bem. Precisa também sentir que é visto, respeitado e valorizado. E a gentileza tem exatamente esse poder: ela humaniza os relacionamentos, aproxima corações e quebra a frieza que tantas vezes domina a convivência moderna.
No fundo, o que muita gente deseja é simplesmente passar pela vida sem esbarrar o tempo inteiro na indiferença. Porque a indiferença machuca. O desprezo silencioso machuca. O egoísmo constante machuca. Há pessoas que carregam tamanha solidão emocional que um simples sorriso recebido num momento difícil pode mudar completamente o rumo de um dia inteiro.
Gosto muito de observar as pessoas. Talvez seja o olhar curioso de jornalista que nunca me abandonou. Em shoppings, aeroportos, supermercados, igrejas, praças, restaurantes, hospitais ou calçadas, fico atento aos pequenos detalhes do comportamento humano. Observo os casais, os pais com seus filhos, os idosos caminhando devagar, os jovens apressados, os trabalhadores cansados voltando para casa. E confesso que muitas vezes sou surpreendido pelas mais belas cenas de humanidade.
Um marido sendo extremamente atencioso e amoroso com a esposa. Uma mãe limpando o rosto do filho com carinho. Um rapaz ajudando um cadeirante a atravessar a rua. Uma senhora dividindo seu guarda-chuva com alguém na chuva. Um desconhecido oferecendo ajuda sem esperar nada em troca. Quanto mais espontâneo é o gesto, mais bonito ele se torna. Porque a verdadeira gentileza nasce do coração e não do interesse.
Infelizmente, estamos vivendo uma época em que muitas pessoas se acostumaram a olhar apenas para si mesmas. Há quem passe por alguém caído na rua e siga adiante. Há quem trate mal garçons, atendentes, motoristas, idosos e trabalhadores humildes como se fossem invisíveis. Há quem tenha perdido a capacidade de ouvir, compreender e respeitar o próximo. Isso é triste. O mundo já possui violência demais, ódio demais, agressividade demais. Talvez esteja faltando exatamente aquilo que parece simples, mas é profundamente transformador: mais humanidade.
A gentileza não exige dinheiro. Não exige riqueza, posição social ou diploma universitário. Qualquer pessoa pode praticá-la. Um sorriso, uma palavra de incentivo, um abraço, um elogio sincero, um pedido de desculpas, um “com licença”, um “por favor” e um “muito obrigado” continuam sendo capazes de iluminar ambientes e aquecer corações.
E o mais interessante é que a gentileza faz bem também para quem a pratica. Pessoas gentis vivem mais leves. Alimentam menos ódio, menos amargura e menos ressentimento. Tornam-se instrumentos de paz em meio ao caos diário. E isso não passa despercebido diante de Deus.
Jesus Cristo, o maior exemplo de amor e bondade que a humanidade já conheceu, dedicou Sua vida justamente aos pequenos gestos de compaixão, acolhimento e misericórdia. Tratava com dignidade os pobres, os enfermos, os rejeitados e os pecadores. Demonstrava que ninguém é pequeno demais para merecer respeito e amor.
Talvez o mundo não mude de uma vez. Mas pequenas mudanças individuais podem transformar ambientes inteiros. Uma família mais gentil transforma um lar. Um professor gentil transforma alunos. Um patrão gentil transforma o ambiente de trabalho. Um governante gentil humaniza a política. Um cidadão gentil melhora sua cidade.
E talvez tudo comece exatamente assim: com um simples “bom dia” dito com sinceridade a alguém que Deus colocou em nosso caminho. Porque, no final das contas, são as pequenas gentilezas que tornam a vida verdadeiramente grande.
*Jornalista, Professor e Escritor
wilsonaquino2012@gmail.com
jun 5, 2026 | Colunistas
por Carlos Castelo –
Certos jogadores passam pelo campo. Outros passam pela vida da gente. Leivinha pertence à segunda categoria.
Na adolescência, quando o mundo ainda era um lugar provisório e os heróis moravam a poucos quilômetros de casa, eu o via entrar em campo com aquela leveza que parecia desafiar a gravidade. Tinha algo de pássaro em seus movimentos.
Os cronistas esportivos falavam de técnica, oportunismo, visão de jogo. Tudo isso era verdade. Mas me parece insuficiente. Estatísticas servem para analisar gols. Não servem para explicar encantamentos.
Leivinha conhecia atalhos secretos dentro do gramado. A bola vinha alta e ele já estava no lugar onde ela iria cair. O cruzamento surgia de repente e, antes que os zagueiros percebessem, sua cabeça encontrava a bola com a naturalidade de um encontro marcado.
Num tempo em que muitos atacantes avançavam como tanques de guerra, Leivinha era um poeta infiltrado entre os operários da bola. Talvez por isso tenha permanecido tão vivo na memória.
Os jogadores que admiramos quando adolescentes não envelhecem conosco. Ficam guardados numa espécie de cápsula. Continuam correndo para sempre em tardes de domingo, sob céus que já não existem.
Morre o homem. Mas o jogador que habitava a imaginação do menino continua intacto.
A notícia de sua morte me fez perceber algo curioso: uma parte da minha adolescência também recebeu o apito final.
Não apenas porque ele partiu. Mas porque certos ídolos funcionam como marcos geográficos da alma. Quando desaparecem, somos obrigados a revisitar o território onde os conhecemos.
Voltei então às arquibancadas da memória. Vi novamente o velho Palmeiras. Ouvi o rumor da torcida antes do jogo. Senti o cheiro do amendoim, da grama cortada, das tardes que eram intermináveis. E lá estava ele outra vez, usando a camisa verde que, aos meus olhos de garoto, tinha algo de uniforme mitológico.
Leivinha.
Nome de craque e de passarinho.
Hoje percebo que admirar alguém no futebol é uma forma disfarçada de aprender a sonhar. O adolescente que eu fui não queria apenas fazer gols nas peladas. Queria possuir aquela elegância, aquela facilidade diante das dificuldades, a capacidade de surgir onde ninguém esperava.
Os anos passaram. Vieram outros atacantes, outros campeonatos, outras glórias e decepções. Mas alguns jogadores não pertencem ao tempo, vivem mais na memória afetiva. E ela tem regras próprias. Não respeita certidões de óbito.
Por isso, enquanto os jornais registram que Leivinha morreu, alguma coisa dentro de mim insiste em desmenti-los.
Porque nesse exato instante ele continua correndo por um campo verde como a Academia, recebendo um cruzamento impossível, antecipando-se aos zagueiros e cabeceando para o gol.
E um menino, perdido em alguma tarde distante da década de 70, levanta os braços na arquibancada.
Esse menino ainda sou eu. E esse gol ainda não acabou de acontecer.
(Publicado no Crônicas da Copa)
jun 5, 2026 | Colunistas
O incentivo à leitura na infância é um dos maiores presentes que os pais podem oferecer aos filhos. Muito além da formação escolar, o hábito de ler ajuda a moldar o caráter, desperta a criatividade, amplia horizontes e influencia diretamente o futuro profissional e humano das pessoas.
Num país onde os índices de leitura ainda estão entre os menores da América Latina, é urgente que famílias, escolas, igrejas e instituições sociais compreendam a importância dessa missão. O gosto pelos livros não nasce por acaso. Ele é cultivado dentro de casa, pelo exemplo, pelo incentivo e pelo ambiente criado pelos pais.
As crianças são naturalmente abertas ao conhecimento, aos valores morais e aos princípios espirituais. Cabe aos adultos aproveitar essa fase preciosa da vida para apresentar-lhes o universo da leitura, da reflexão e do aprendizado. Pequenos hábitos adquiridos na infância podem fazer enorme diferença no futuro, inclusive na linha tênue que muitas vezes separa o sucesso do fracasso.
Quando volto meus pensamentos para os anos dourados de nossa infância em Corumbá, a querida Cidade Branca, reencontro com nitidez dois irmãos inseparáveis sentados diante de livros ainda antes do amanhecer, enquanto a cidade permanecia mergulhada no silêncio da madrugada.
Rubens Aquino e eu fomos privilegiados pelo exemplo de nossos pais, Manoel Dantas de Oliveira e Dair Aquino de Oliveira. Nosso pai, militar da Marinha do Brasil, um baiano corajoso que escolheu Corumbá para construir sua história e formar sua família, ensinou-nos desde cedo o valor da disciplina, da honestidade e do conhecimento.
Todos os dias, rigorosamente às quatro horas da manhã, o velho despertador tocava. Nosso pai se levantava conosco e nos acompanhava à mesa de estudos para ler seus jornais e livros preferidos. Enquanto muitos ainda dormiam, lá estávamos nós, ainda meninos, mergulhados nas páginas da Barsa, em livros de aventuras, romances, ficção e histórias que alimentavam nossa imaginação.
Antes disso, porém, vinham os exercícios físicos no quintal e o tradicional banho gelado para despertar o corpo e a mente. O aprendizado deixava de ser obrigação e passava a ser prazer na medida em que descobríamos novos mundos, personagens e aventuras.
Talvez, sem percebermos, ali estivessem nascendo o jornalista, o professor e o escritor que ambos nos tornaríamos anos depois.
Nosso pai possuía hábitos simples, mas grandiosos. Religiosamente, às 18 horas, sentava-se para ouvir “A Voz do Brasil”. O rádio era uma verdadeira janela para o mundo. E foi justamente naquele velho aparelho que Rubens e eu descobrimos as historinhas infantis transmitidas diariamente, aventuras que mexiam profundamente com nossa criatividade.
Naquele tempo, anos 60, a televisão ainda não havia chegado à nossa querida Corumbá. Hoje percebo que talvez isso tenha sido uma bênção. Sem telas aprisionando nossa atenção, nossa imaginação ganhou asas.
O rádio, os livros e o cinema tornaram-se ferramentas poderosas para libertar nossas mentes e ensinar-nos a criar mundos inteiros dentro da cabeça. Com muito esforço e economizando cada moeda possível, conseguimos montar um pequeno acervo de livros adquiridos pelo antigo sistema de Reembolso Postal.
E como sonhávamos…
Na Rua 21 de Setembro, número 350, nossa casa transformava-se todas as noites num verdadeiro ponto de encontro. Nossos pais e os vizinhos sentavam-se nas cadeiras da calçada interna para conversar sobre a vida, enquanto nós, as crianças, brincávamos e dávamos asas à imaginação.
Meninos e meninas da rua queriam mesmo era ouvir nossas histórias.
Rubens sempre foi extraordinário nisso. Muito melhor do que eu na criação de personagens, nos diálogos, nos mistérios e nos enredos emocionantes. Ele conseguia transformar qualquer pequena ideia em aventuras fantásticas. Bastava ouvir algo no rádio, assistir a um filme no cinema ou ler algumas páginas de um livro para que sua mente criativa começasse imediatamente a construir novos universos.
E eu, fascinado, acompanhava tudo aquilo, aprendendo também a sonhar através das palavras.
Hoje compreendo que não eram apenas brincadeiras de infância. Eram ensaios silenciosos para aquilo que nos tornaríamos na vida adulta: dois irmãos apaixonados pela leitura, pela comunicação e pelas histórias humanas.
A literatura entrou em nossas vidas muito antes de entendermos seu verdadeiro valor. Ela chegou pela disciplina de um pai simples e sábio. Pelo amor de uma mãe dedicada. Pelos livros manuseados ainda com mãos infantis. Pelo rádio que encantava nossas noites. Pelo cinema que ampliava nossos horizontes. E pelas rodas de crianças da Rua 21 de Setembro, onde aprendemos que contar histórias também é uma forma de tocar corações.
Hoje, olhando para trás, percebo que nossa infância foi rica não pelos bens materiais, mas pela abundância de sonhos, princípios, valores e imaginação.
E talvez seja justamente por isso que as lembranças daquela época continuem tão vivas, tão doces e tão eternas dentro de nós.
Mais do que recordar o passado, escrevo este artigo como um apelo aos pais desta geração. Leiam para seus filhos. Incentivem-nos a descobrir o prazer dos livros. Contem histórias. Desliguem um pouco as telas. Criem momentos de convivência, diálogo e imaginação dentro de casa.
Porque crianças que aprendem a amar a leitura dificilmente caminharão vazias por dentro.
Os livros não apenas informam. Eles iluminam caminhos, despertam sonhos e ajudam a construir seres humanos melhores.
*Jornalista, Professor e Escritor
wilsonaquino2012@gmail.com
jun 5, 2026 | Colunistas
MARATONA: Além de se reeleger, Geraldo Resende quer eleger a filha advogada Barbara a deputada estadual. Desafio para quem começou como vereador (1991) em Dourados, deputado estadual, deputado federal, passando pelo PMDB, PSDB, PPS e União Brasil. Ainda: Geraldo foi Secretário Estadual de Saúde por duas vezes.
PARAÍSO: Segundo o Portal da Transparência o custo mensal do deputado federal gira em torno de R$ 291.000,00, assim discriminado: salário de R$ 46.366,19 – verba de gabinete até R$ 165.806,07 e mais R$ 45.000,00 com passagens, combustíveis, aluguel de escritório, etc. O custo anual de um deputado é de R$ 3,5 milhões. Como se diz: a democracia é boa e cara!
ENFIM… Pelas cifras acima não é preciso ter cursado a Universidade de Harvad para entender o apego ao mandato, que é a própria identidade do político, tal qual o artista que não sobrevive sem público. Os políticos não podem esquecer: o poder é como águas que passam pelo moinho; os discursos cansam e motivam a concorrência pelo poder.
A PROPÓSITO: “…(-) Saber sair de cena e, talvez, a mais rara das virtudes públicas. Exige lucidez, desapego e senso de medida. Poucos a possuem. Só os melhores – os que sabem perder a proeminência sem perder a dignidade. ” (Jorge W. Simeira Jacob)
RENOVAÇÃO: Boa pergunta; o eleitor vota tendo o passado do seu candidato como referência, ou apenas decide olhando para o futuro? Ora! É próprio do ser humano, a expectativa atrai, seduz e pode até vencer a boa biografia da concorrência. Por mais agradáveis que sejam as atitudes e os discursos, cansam e dão combustível à oposição.
NO FACEBOOK: Os adversários do senador Flavio Bolsonaro estão alimentando as redes sociais com farto material crítico alusivo as bobagens e absurdos cometidos pelo seu pai, como deputado federal, candidato e presidente do Brasil. Levando-se em conta que ainda estamos no início da disputa, as previsões sinalizam chumbo grosso por aí.
SEGUNDO ATO: Bolsonarista de carteira registrada, o deputado coronel David admite sua candidatura a prefeitura da capital em 2028. As previsões é que ele tenha a concorrência de candidatos participantes do pleito deste ano, como o vereador Marcos Trad, do deputado João H. Catan e da ex-deputada Rose Modesto.
SERENO: É o fantasma terrível que sempre ameaça os políticos sem mandato até que as próximas eleições aconteçam. Os maiores desafios: a sobrevivência financeira, a perda do foro privilegiado e da visibilidade midiática. E mais: cabos eleitorais e aliados tendem naturalmente a migrar para quem está no poder em troca de benesses.
TEMORES: Em curso a PEC prevendo o mandato de 6 anos para os prefeitos eleitos em 2028, o fim da reeleição e a unificação dos pleitos a partir de 2034. Daí que vencer o pleito de 2028 garantirá estabilidade maior (até 2034), do que os mandatos atuais de 4 anos. E quem perder o pleito de 2028 correrá risco de ver os rivais consolidados no poder local por um período mais longo e difícil de vencer.
SEM RODEIOS: O tempo não passa para o político fora do poder. É parecido com a situação de quem cumpre pena prisional. Como sobreviver até lá? O rol de relações murcha; os convites sociais diminuem. E como construir estrutura de grupo político sem sustentabilidade financeira? Portanto, perder o pleito de 2026 é risco para 2028. Quem viver, verá!
GENTE BOA! Na sua primeira passagem pela Assembleia Legislativa, o deputado João Cesar Mattogrosso já tinha deixado boa impressão pela sua postura ética, atuação parlamentar e relação com colegas, funcionários e jornalistas. Seu retorno está sendo marcado pela reprise, embora não seja candidato a reeleição por força da lei eleitoral.
VIDA NOVA: Marcio Fernandes e Renato Câmara, deputados que trocaram o MDB pelo PL e Republicanos respectivamente, caminhando com os próprios pés, longe da sombra de Puccinelli. Ambos se mostram confiantes nesta nova fase. Marcio tem esquemas em 31 cidades e Renato tem em Dourados sua principal base eleitoral.
NA BATALHA: As redes sociais tem mostrado as incursões dos pré-candidatos na busca de votos. Eles estão em rodeios, ‘nat’ de cidades, jogos de futebol, eventos religiosos, feijoadas e ensaios de escola de samba. O ex-conselheiro Jerson Domingos, por exemplo, faz sucesso e garante visibilidade no facebook com receitas da cozinha árabe.
FINALMENTE: Após anos de insônia, o STF livrou Reinaldo Azambuja daquela ‘Espada de Dâmocles’ decorrente da Operação Vostok. Certamente que ele irá incorporar a decisão judicial ao seu discurso de candidato ao Senado. Mais um caso em que nossa justiça merece críticas pelo ritmo ‘ em câmera lenta’. ‘Segue a galopeira’.
METEORO: De vereador (2005) a ministro da república. É a síntese da trajetória de Carlos Marun. Deputado estadual, candidato (PT ao Governo Estadual (2002), Deputado federal, defensor de Temer. Pragmático, aproveitou com coragem os desafios na política. Hoje como advogado, usufrui das benesses de sua ousadia vitoriosa.
DO LEITOR: “…Gera desconfiança esse dilúvio adesista ao time da direita aqui no estado. Um exemplo é o deputado Beto Pereira, historicamente e umbilicalmente ligado as propostas da esquerda como foi seu pai ex-senador Valter Pereira, expoente da esquerda antes mesmo da criação do Mato Grosso do Sul. É muita gente no mesmo caminhão que pode sofrer acidentes de percurso até as eleições”
REALIDADE: Brasil, o paraíso dos bancos. Aproveitam o cenário e a desorganização financeira do brasileiro. A notícia de que 80,9% das famílias (8 em cada 10 lares possuem dívidas) preocupa. As tais apostas online (bets) tem ajudado. E aí pergunta-se: o programa ‘Desenrola’ resolverá definitivamente esse velho drama que nos assola?
ARIEL PALÁCIOS: O jornalista paranaense, correspondente da Globo em Buenos Aires lançando seu livro “Futebol lado B” , Vale conferir um trecho do seu conteúdo: “A paixão futebolística é uma das formas mais sofisticadas e socialmente aceitas de (ir)racionalidade coletiva. Ela permite que adultos ajam como crianças, que estranhos se abracem ou se odeiem instantaneamente e que uma bola defina humores nacionais”.
.FILOSOFIA DE ESTRADA:
Deus é joia. O resto é bijuteria.
Para comprar caminhão e usar sutiã precisa ter peito.
Amo a sogra,,, de minha mulher.
A saudade é a memória do coração.
Dinheiro não traz felicidade, mas acalma o nervosismo.
Para quem está se afogando, jacaré é tronco.
Eu sonhava em ter um caminhão. Agora nem durmo.
Nasci pelado, careca e sem dente. O que vier é lucro.
Para quem não tem nada, metade é o dobro.
A humildade é o último degrau da sabedoria.
O ‘Espirito Santo’ aumenta a distância entre o Rio e a Bahia.
jun 1, 2026 | Colunistas
É chocante e revoltante assistir, praticamente todos os dias, notícias de mulheres assassinadas por maridos, companheiros, ex-companheiros, noivos ou até namorados de poucas semanas. Crimes bárbaros que se repetem em todo o Brasil e deixam um rastro de dor, lágrimas, famílias destruídas e crianças marcadas para sempre pela violência.
O mais assustador é perceber que, em muitos desses casos, o motivo principal é um sentimento doentio de posse. Homens que acreditam ter o direito de controlar a vida da mulher, decidir seus passos, vigiar suas escolhas e, principalmente, não aceitar um “não”, uma separação ou o fim de um relacionamento.
Quando a mulher decide seguir outro caminho, muitos desses homens transformam amor em ódio, carinho em agressividade e convivência em ameaça. E então surgem as tragédias que estampam jornais, telejornais e redes sociais diariamente.
O Brasil segue registrando números alarmantes de feminicídio. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que milhares de mulheres são vítimas de violência todos os anos, muitas delas assassinadas dentro da própria casa — justamente o lugar onde deveriam encontrar proteção, segurança e amor. Em grande parte dos casos, o agressor é alguém próximo, alguém que dizia amar aquela mulher.
Mais do que endurecer leis — o que também é necessário —, o país precisa enfrentar as raízes desse problema. É preciso agir com medidas imediatas, mas também construir soluções de médio e longo prazos.
E tudo começa dentro de casa. A educação dos filhos, especialmente das crianças e adolescentes do sexo masculino, é fundamental para mudarmos essa realidade no futuro. Meninos precisam crescer aprendendo que mulher não é propriedade de ninguém. Precisam entender, desde cedo, o valor do respeito, da gentileza, do autocontrole, do diálogo e da dignidade humana.
Pais e mães têm responsabilidade decisiva nessa formação. É dentro do lar que a criança aprende como tratar as pessoas. É observando o comportamento do pai com a mãe, dos irmãos entre si e das palavras usadas no cotidiano que se formam valores morais e emocionais. Um menino que cresce vendo agressões, humilhações, gritos e ameaças pode acabar naturalizando esse comportamento. Por isso, é urgente ensinar aos filhos, desde pequenos, que jamais devem levantar a mão contra uma mulher. Nunca. Em hipótese alguma.
As escolas também precisam participar desse processo educativo, trabalhando valores humanos, respeito mútuo, empatia, inteligência emocional e solução pacífica de conflitos. A formação acadêmica é importante, mas a formação moral e emocional é indispensável.
Infelizmente, essa cultura machista vem de muito longe. Ainda me recordo, na infância, de episódios absurdos em bailes de fim de semana, quando algumas mulheres eram ameaçadas simplesmente porque se recusavam a dançar com determinado homem. Muitos se sentiam “donos” da vontade feminina. Diziam, diante de todos, que aquela mulher não dançaria com mais ninguém naquela noite. Era o orgulho masculino ferido se transformando em intimidação pública.
Décadas se passaram, mas o comportamento de muitos continua parecido. Mudam apenas os cenários. Hoje, homens matam porque não aceitam o término de um namoro, a separação de um casamento ou a liberdade da mulher de reconstruir a própria vida. Confundem amor com domínio. Confundem relacionamento com posse.
Isso precisa acabar. A sociedade inteira precisa reagir: famílias, igrejas, escolas, autoridades, Poder Judiciário, Legislativo, Executivo, forças de segurança, meios de comunicação e organizações comunitárias. Todos devem atuar unidos para combater essa violência cruel e crescente.
É necessário ampliar campanhas educativas, fortalecer redes de proteção às mulheres, garantir punições rápidas e exemplares aos agressores, oferecer apoio psicológico às vítimas e criar mecanismos preventivos capazes de identificar sinais de violência antes que o pior aconteça.
Mas, acima de tudo, precisamos reconstruir consciências. Nenhum homem é superior a uma mulher. Nenhum relacionamento dá direito à violência. Nenhuma frustração justifica agressão. E nenhum sentimento de posse pode valer mais do que uma vida.
Basta de feminicídio. Que o Brasil aprenda, de uma vez por todas, que amar jamais será controlar, humilhar, ameaçar ou matar. Amar é respeitar, proteger, compreender e permitir que o outro tenha liberdade para viver sua própria história.
A Palavra de Deus é clara ao ensinar que homens e mulheres são filhos amados do Pai Celestial e merecem ser tratados com dignidade, respeito e amor. Em Efésios 5:25, o Senhor orienta: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Cristo jamais ensinou violência, humilhação ou domínio pela força. Seu exemplo sempre foi de amor, proteção, paciência e serviço.
Da mesma forma, em Colossenses 3:19, lemos: “Vós, maridos, amai vossas mulheres e não as trateis asperamente”. Infelizmente, muitos homens se afastaram desses princípios divinos e passaram a agir movidos pelo orgulho, pela ira, pelo egoísmo e pelo sentimento maligno de posse.
Talvez esteja na hora de o mundo entender que a solução para muitos dos dramas da humanidade não está apenas nas leis dos homens, mas também no retorno sincero aos ensinamentos de Deus dentro do lar. Famílias que oram juntas, dialogam, cultivam respeito e vivem princípios cristãos tendem a formar filhos mais equilibrados, amorosos e preparados para construir relacionamentos saudáveis.
Que Deus toque o coração dos homens violentos antes que destruam vidas e famílias. E que nossas futuras gerações aprendam que a verdadeira força do homem não está na agressividade, mas na capacidade de amar, respeitar, proteger e honrar as mulheres que caminham ao seu lado.
*Jornalista, Professor e Escritor
wilsonaquino2012@gmail.com