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Bela Vista-MS Sábado, 08 de Agosto de 2026
Leia Coluna Amplavisão: Rumo às urnas: renovando esperanças e promessas

Leia Coluna Amplavisão: Rumo às urnas: renovando esperanças e promessas

‘ PIANO’:  Entre apenas olhar para as suas atraentes teclas e conseguir tocar uma variedade de músicas, a diferença é enorme. Assim vemos pelo Brasil afora os candidatos prometendo um mandato ‘sem desafinar’, comparável a um ‘concerto de ‘ Chopin’ –, para agradar em cheio os ouvidos da ‘plateia’ sempre exigente.

‘SALVADORES’: Como na música – onde o dedo na tecla errada é notado – na administração pública se exige conhecimento para lidar com os desafios.  Sem questionar promessas, demagogias e ingênuas, alerto às falas messiânicas que já se ouve, prometendo ‘resgaste’ da crise econômica e social, ‘ guiando o povo rumo à ‘redenção’.

ABISMO:  É profundo, entre as promessas de soluções rápidas e o mundo real da lenta máquina pública. Nas falas, há soluções para a saúde, educação, segurança, mas ignora-se os números do orçamento, a responsabilidade fiscal e a dependência do Legislativo. Aos candidatos o direito de prometer, ao eleitor a prerrogativa de acreditar ou não.

BOA GARUPA: Sem gastos, eles chegaram ao Senado por períodos e circunstâncias diferentes: Pedro Ubirajara (ex-prefeito de Aquidauana), Valter Pereira, Antônio João, Antônio Russo, Ruben Figueiró e Pedro Chaves. As costuras para a escolha dos dois suplentes de cada candidato, hoje se repetem pelos mesmos interesses. É a política.

SURPRESA BOA: Lembro bem; Pedro Ubirajara levava sua vidinha quando o senador Ramez Tebet, atendeu convite do presidente FHC e assumiu o Ministério da Integração Nacional. Ubirajara tomou posse no dia 20 de junho de 2001 e foi senador pelo período de apenas 3 meses, até o retorno de Ramez ao cargo, para ser eleito presidente da Casa.

MS LÍDER: Dados da Resenha Regional do Banco do Brasil indicam que o nosso PIB agropecuário cresceu 18,6% em 2025, o maior avanço do país. Mato Grosso teve alta de 18,5% – contra 13,4% de Goiás. O ex-governador Reinaldo lembra: “esse desempenho influencia a arrecadação e o financiamento de serviços públicos à população. ”

FÉ & VOTO: Contrariando a visão do ‘Data Folha’, entendemos que a religião ainda continua tendo papel relevante na política brasileira. Padres, pastores e líderes de movimentos religiosos, disputam sim – até com certa vantagem – a influência do voto com outros fatores como família, amigos, redes sociais e a mídia em geral.

RELIGIÃO & POLÍTICA: É visível que a participação da religião continua forte no cenário atual, provando que determinado grupo de eleitores não se deixam levar por outras influencias. A explicação é simples: os pilares das religiões são representados pelos valores da honra, honestidade e moral, que aliás, deveriam nortear a política.

NÚMEROS: 35% da população brasileira é evangélica e isso reflete no Congresso, com 218 deputados federais (42%) e 8 senadores em votações e comissões de pautas importantes. Na outra ponta, vereadores, prefeitos e deputados estaduais vão ocupando espaços locais, em conexão com a doutrina e seus pilares básicos e convincentes.

DESABAFO: “Existe trânsito religioso, mas não uma revolução ética. Deixo de ser católico e me torno evangélico, mas continuo corrupto, pedófilo, adultero, machista, violento. Não existe revolução ética no sentido de compreender noções como solidariedade e compaixão. ” (Ed René Kivitz – teólogo pela Universidade Metodista de São Paulo e pastor)

OPINIÃO: Por acaso, os presidentes eleitos democraticamente da Colômbia e Peru seriam ruins? E o que falar do ‘companheiro’ Daniel Ortega, no poder desde 1979, decretando o fim das eleições na Nicarágua – e do regime cubano vigente desde 1959? Questões que deixam o entorno do Governo Lula de saia justa, de bico calado.

TRÊS LAGOAS: Hoje sem cadeiras nos parlamentos estadual e federal, ela terá 16 candidatos, além de disponibilizar a suplente de Vander ao Senado. O PSDB terá 4 concorrentes a deputado estadual e 1 federal: PT 2 federais; PP 1 estadual, 1 federal; MDB 1 estadual; REP 1 estadual, 1 federal; DC 1 federal; O Novo 1 federal; PRD 1 federal; Avante 1 estadual.

DESAFIOS: Como a Justiça Eleitoral lidará com as questões envolvendo o uso da  ‘inteligência artificial’? Neste início da caminhada, as dúvidas já se multiplicam. A Justiça descobrirá a autoria de disparos em massa gerados por redes de perfis falsos operados de forma oculta? O maior gargalo será desmentir ou remover conteúdos falsos antes do fechamento das urnas.

A PROPÓSITO: O episódio na convenção do PL com uso da IA com imagem e voz do ex-presidente Bolsonaro é o primeiro teste para a Justiça.  Ele está sendo tratado em duas vertentes paralelas: no STF – focado nas restrições pessoais de Bolsonaro e no TSE voltadas às regras de campanha. Decisões que podem pesar no processo sucessório.

TUDO CERTO: Com ambiente oxigenado, atuação relevante e reconhecida, o nosso Tribunal de Contas se prepara para eleger o conselheiro Flavio Kayatt ao cargo de presidente, tendo o conselheiro Osmar Jeronymo de vice. A escolha está designada para o dia 20 de agosto. Devido a sua postura, Kayatt é unanimidade entre os seus pares.

RUMO ÀS URNAS: Adeus ao lendário vermelho ou mera coincidência? Fabio Trad e Gilda usaram roupas na convenção do PT com a cor branca predominante…..É o MDB de sempre: Puccinelli apoia Nelsinho Trad e Reinaldo ao Senado e no primeiro turno votará em Caiado e Flavio no segundo turno…..Hashioka continua firme na estrada pedindo votos para a Câmara Federal. Conhece o caminho…..Democracia Cristã, do polêmico Renato Gomes tem convenção marcada para domingo (2)…..Estava escrito: PDT apoiará o PT na sucessão estadual….. Neste sábado, a convenção para formalizar a chapa majoritária do PL, PP, União Brasil, PSDB, MDB, Podemos e Republicanos. Riedel ao Governo, Reinaldo e Contar para o Senado…..Deputado Lídio Lopes,  presidente do Avante, comanda nesta sexta-feira (31) a convenção para oficializar candidaturas da sigla à Assembleia Legislativa e Câmara Federal.

SINAL DE ALERTA:  Primeiro, foi o estressado deputado Zeca do PT com problemas cardíacos. Agora, o Helio Pellufo recebendo marca-passo, também servindo de aviso aos demais políticos envolvidos neste pleito. Eleições, são comparáveis a partida de futebol e aos atletas envolvidos, que devem estar em forma física.  Eis a pergunta: será que os candidatos tiveram ou terão o cuidado de realizar um ‘check-up’ antes desta ‘batalha eleitoral’? Sempre assim: cuida-se do carro e se esquece do corpo. De leve!

PILULAS  DIGITAIS:

Precisamos cuidar do mundo que não veremos (Bertrand Russel)

Ninguém leva a saúde pública a sério. (dr. Drauzio Varella)

Esforço em equipe é um bando de pessoas fazendo o que eu digo. (Michel Winer)

Geopolítica: Brasília não fica no Brasil. (Millôr)

Meu momento na seleção brasileira, acho que já foi. Fiz história. (Neymar Jr)

Se a gasolina fosse barata, seria etanol. (Internet)

Tenho forte pressentimento de que os aliens já estão entre nós (Steven Spielbeerg)

Meu coração/não sei por quê/Bate feliz/quando tevê. (‘Carinhoso’- Pixinguinha e BraguinhA.

Por favor, não retoque as minhas rugas. Levei muito tempo para ganha-las. (Anna Magnani)

Este é o país onde há a maior possibilidade de se criar um mundo inteiramente novo. Caos não falta. (Millôr)

Devocional Café com Propósito

Devocional Café com Propósito

TEMA: A VISÃO VEM DO ALTO

LEITURA BÍBLICA  –  [Mateus 6:10 | NVI] ¹⁰ venha o teu reino; seja feita a tua vontade na terra como no céu.

REFLEXÃO

Ser cristão é viver com os olhos voltados para os Céus e os pés firmes na terra. Jesus declara uma verdade poderosa: “Ele não veio apenas para nos salvar, mas para nos dar uma vida abundante. Essa abundância não é apenas material, mas espiritual, uma vida cheia de propósito, paz, direção e comunhão com Deus. Porém, viver essa promessa exige uma decisão: seguir os caminhos de Deus! Muitos querem as promessas, mas poucos querem obedecer aos processos. “Viver as promessas de Deus requer seguir os seus conselhos e viver os seus planos.” 

 Discernir a vontade do Senhor é descer com clareza para aplica-la em cada ambiente, cultura e território aonde pisamos a planta de nossos pés. Nossa missão não é amplificar a missão do inimigo, mas proclamar que Jesus está reinando, prosperando e expandindo o seu governo. A vida abundante está diretamente ligada à obediência. Quando seguimos os conselhos do Senhor e caminhamos dentro dos Seus planos, experimentamos aquilo que Ele já preparou para nós. “Não existe plenitude fora da vontade de Deus”.

Querido (a) leitor, há uma boa notícia a ser anunciada: o Reino de Deus chegou! E como manifestantes desse Reino, somos chamados a manifestar luz onde há trevas, ordem onde há caos e vida onde há morte. A oração de Jesus nos ensina que necessitamos, clamar por esta realidade visível: Que a vontade de Deus se cumpra aqui, como já é cumprida no céu. Se somos luz, não devemos esperar aplausos aqui na terra, porém seremos respeitados pela verdade que carregamos, pelas decisões e posturas que honram o nome de Jesus. “A abundância verdadeira nasce de uma vida alinhada com o céu.”

 APLICAÇÃO PRÁTICA

  Escolha obedecer diariamente: mesmo quando for difícil, confie nos caminhos de Deus;

Busque direção na Palavra: antes de tomar decisões, consulte o que Deus já revelou;

Alinhe seus planos com os de Deus: não peça apenas bênçãos, peça direção.

 ORAÇÃO 

 Senhor meu Deus, obrigado pela promessa de vida abundante. Ajuda-me a não buscar apenas as bênçãos, mas a viver segundo a Tua vontade. Ensina-me a seguir os Teus conselhos e confiar nos Teus planos, mesmo quando não entendo. Alinha meu coração ao Teu propósito e guia meus passos todos os dias. Que eu viva plenamente tudo aquilo que o Senhor já preparou para mim. Em nome de Jesus, amém. 

 Seminarista Teologia: Márcio Santos Fuchs

Ser seminarista hoje: os desafios reais da vocação sacerdotal: Padre Marcio Prado

Ser seminarista hoje: os desafios reais da vocação sacerdotal: Padre Marcio Prado

A palavra “seminarista” tem sua origem na palavra “seminário”, da etimologia do latim seminarium, derivado de semen, seminis, que significa semente, viveiro de plantas. Dentro do contexto eclesial, o seminário é o local, a casa, onde se formam os seminaristas tendo em vista o sacerdócio.

Sim, parece óbvio, mas ninguém “nasce padre”. O padre é um homem que respondeu a um chamado para servir a Deus e busca corresponder. O padre, antes de receber o sacramento da ordem, vive um tempo de preparação; é acolhido em uma casa de formação e, como uma planta, o candidato precisa ser cuidado, receber as formações filosóficas e teológicas, mas não somente isso: o seminarista é formado na vivência espiritual, humana e comunitária.

Bom, para todo seminarista — claro que também em outros chamados — existem muitos desafios. Apresento alguns, como, “deixar” a própria vontade e renunciar a bens até lícitos para corresponder à vontade de Deus. “Deixar”: Jesus ensinou que, para ser seu discípulo, era necessário “renunciar” a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mt 16,24; Lc 9,23). O desafio do “deixar” não é tão simples. Imaginemos ou, melhor, olhemos para o mundo: há tantas opções para um jovem se realizar. Há tantos “caminhos” para a felicidade, inclusive saudáveis e lícitos. Quantas ofertas de carreiras, ganhos financeiros, propostas que brilham aos olhos dos nossos jovens. Volto a dizer: coisas até boas, por isso o seminarista tem como desafio “deixar” tantas ofertas para ser uma oferta, entregar sua vida a Deus.

Na “entrega” à vontade de Deus está mais um “deixar”. O seminarista precisa “deixar a pressa”, pois, com muita paciência — por isso o tempo de espera é de 7 a 12 anos, dependendo da diocese ou instituto em que está inserido —, a “semente” cresce com as formações. O candidato cresce com o tempo e, com as renúncias, “faz as contas” (Lc 14,28) para ver se consegue viver uma vida doada a Deus e ao próximo. Assim, o seminarista precisa ser amigo do tempo, entender que não é demorado, mas um tempo de investimento, de receber “água, sol, adubo” noite e dia para crescer e, futuramente, dar frutos.

No mundo em que vivemos, de uma cultura do ter, possuir, acumular, o vocacionado à vida sacerdotal necessita “deixar” a própria vontade para viver um profundo desapego, caso contrário, não dará conta da vida comunitária. Faz parte da formação ter poucas coisas, não ser apegado, e o seminário ajuda nesse desapego. Ali, o candidato aprende e cresce na partilha, em dar e oferecer.

Um último desafio que percebo, está ligado ao que foi partilhado: o desafio do uso adequado das redes sociais, utilizar e promover a Cristo e renunciar à autopromoção. As redes sociais são ferramentas maravilhosas, há um campo enorme de evangelização a ser desbravado, porém, o cuidado deve ser em usar e não ser usado. Pensar sempre na motivação da postagem: “é para exaltar a Cristo?”, “é para ter seguidores ou para fazer seguidores de Jesus?” Os seminaristas (e todos nós) devem vigiar para que as redes não os prendam, mas que sejam ferramentas para chegar aos corações.

Ser seminarista hoje é tão desafiante quanto apaixonante. Sim, toda renúncia traz também recompensas; Jesus prometeu dar o cêntuplo, claro, com provações, e a vida eterna (Mc 10,28-30). Quem sinceramente se decide por Cristo através das mais diversas renúncias por amor a Jesus e à sua Igreja, experimenta o imenso amor do Pai. Quem vive as renúncias imitando o Cristo experimenta uma alegria, uma satisfação e uma liberdade interior que nenhum bem, nenhuma pessoa humana é capaz de oferecer.

* Padre Marcio José do Prado é sacerdote da Comunidade Canção Nova, autor dos livros: “Entender e viver o Ano da Misericórdia” e “Via-sacra do Santuário do Pai das Misericórdias”, pela editora Canção Nova. Instagram: @padremarciocn

Devocional Café com Propósito

Devocional Café com Propósito

TEMA: A MATURIDADE LHE TRAZ O ESPÍRITO DA VERDADE – LEITURA BÍBLICA

[Efésios 4:25 | NVI] ²⁵ portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade uns aos outros, pois todos nós somos membros de um mesmo corpo.

REFLEXÃO

 Eu decidi morrer vazio! Tudo o que Deus depositou em mim, quero entrega-lo de volta. Esta vida me foi dada pelo Senhor, e tudo o que eu puder fazer para servi-lo, farei imediatamente. A maturidade espiritual não está ligada apenas ao tempo de caminhada, mas à transformação do coração. À medida que crescemos em Deus, somos conduzidos pelo Espírito da Verdade, que nos ensina a viver com integridade, transparência e coerência. “A Fé madura nasce da constância, não da euforia”.

 Quando Jesus esteve nesta terra a coisa que ele maus repudiou foi a hipocrisia. Homens que falavam uma coisa e faziam completamente ao contrário. Líderes que colocavam nas costas dos outros o peso que eles jamais conseguiriam carregar. Há muita mais gente desistente do que derrotada. Ser maduro é deixar de lado máscaras, discursos vazios e atitudes incoerentes. É alinhar palavras, pensamentos e ações. É por isso que precisamos cultivar uma memória espiritual ativa, que se alimente da palavra e se sustente na intimidade com o Pai. “É no ordinário que Deus revela o extraordinário.”

 Querido (a) leitor, A verdade liberta, fortalece relacionamentos e nos aproxima de Deus. Já a mentira seja ela explícita ou disfarçada revela imaturidade e distância da essência de Cristo. Quando escolhemos a verdade, mesmo quando é difícil, demonstramos crescimento espiritual. Cristo deixou uma grande lição antes da Cruz: “Que a eternidade começara em uma mesa, Ele nos da permissão para agir, mas se não tivermos o apoio da sua vontade, caminharemos sozinhos. “A vida é um jogo de longo prazo, a verdade te mantém de pé. Quem não é de verdade tem prazo de validade.”

 APLICAÇÃO PRÁTICA

 Pratique a verdade, em pequenas atitudes do dia a dia;

Evite distorções, exageros ou omissões; tudo isso também fere a verdade;

Busque coerência, entre o que você fala, pensa e faz, corrija sua vida continuamente.

ORAÇÃO

 Senhor Deus, eu te agradeço porque és um Deus de verdade e fidelidade. Ajuda-me a crescer em maturidade espiritual, abandonando toda mentira e vivendo de forma íntegra diante de ti e das pessoas. Que o Teu Espírito Santo guie minhas palavras, pensamentos e atitudes, para que eu seja virtude do Senhor. Alinha o meu coração com a Tua vontade e ensina-me a viver com sinceridade e amor. Que a minha vida reflita quem Tu és. Em nome de Jesus, Amém.

Seminarista Teologia: Márcio Santos Fuchs

 

Inteligência Artificial: o desafio de permanecermos plenamente humanos

Inteligência Artificial: o desafio de permanecermos plenamente humanos

Flávio Pinheiro

“O grande desafio do homem contemporâneo será permanecer plenamente humano em uma época em que as máquinas são capazes de imitar muitas de suas capacidades” (Papa Leão XIV, Magnífica Humanitas).

A tecnologia avança em um ritmo cada vez mais acelerado e nos oferece recursos inimagináveis, capazes de facilitar a nossa vida, transformar comportamentos e influenciar profundamente a sociedade. No entanto, esse mesmo avanço pode, em alguns aspectos, nos afastar daquilo que nos torna verdadeiramente humanos.

No mundo da tecnologia, a palavra preponderante é IA, ou seja, Inteligência Artificial. O próprio nome nos lembra que se trata de uma inteligência criada pelo ser humano. Ela não é natural nem possui consciência, mas é capaz de reproduzir muitas capacidades humanas. Quando utilizada sem discernimento, pode ocupar espaços importantes da nossa vida e enfraquecer dons que Deus concedeu ao ser humano, como a criatividade, a espontaneidade, a sensibilidade e a autenticidade.

Por isso, o tema foi abordado pelo Papa Leão XIV em sua primeira encíclica, Magnífica Humanitas. O objetivo do Santo Padre é alertar a humanidade para os riscos e desafios que acompanham uma revolução tecnológica dessa magnitude. Toda grande transformação produz benefícios, mas também consequências que exigem reflexão e responsabilidade. A Igreja, como mãe e mestra, tem o dever de orientar não apenas os católicos, mas toda a humanidade, oferecendo princípios que ajudem a construir uma sociedade mais justa, fraterna e verdadeiramente humana.

Existem muitos interesses envolvidos nos bastidores das grandes empresas que disputam a liderança no mercado tecnológico. Vivemos na era da informação, e quem sair na frente terá grandes chances de estabelecer seus modelos de Inteligência Artificial e exercer enorme influência sobre a economia, a cultura e até mesmo sobre as decisões que moldarão o futuro da humanidade.

A luta pelo poder não é novidade. Ao longo da história, povos, nações, empresas e até pessoas disputaram influência e domínio. Infelizmente, nessa disputa, continua sendo verdadeiro o antigo ditado: “A corda sempre arrebenta para o lado do mais fraco.” São justamente os mais vulneráveis que acabam sofrendo as consequências da ambição humana, como a exclusão, pobreza, fome, desigualdade e tantas outras formas de sofrimento.

Existe também o risco de que a Inteligência Artificial ocupe espaços que deveriam continuar sendo iluminados pela inteligência, pela consciência e pela responsabilidade humanas. Em um mundo que já convive com tantos sinais de artificialidade, poderá tornar-se cada vez mais difícil encontrar autenticidade, naturalidade e originalidade.

Diante desse cenário, qual deve ser o posicionamento do cristão? Não podemos demonizar aquilo que Deus permite ao homem desenvolver por meio da inteligência que Ele próprio concedeu. Ao mesmo tempo, somos chamados a utilizar toda tecnologia com sabedoria, responsabilidade e sempre orientados pelos valores fundamentais da dignidade da pessoa humana, da justiça e do amor.

O Papa Leão XIV nos aponta esse caminho em sua encíclica Magnífica Humanitas, deixando claro que o grande desafio do homem contemporâneo será permanecer plenamente humano em uma época em que as máquinas conseguem imitar muitas de suas capacidades.

O desejo de Deus é que seus filhos e filhas utilizem a Inteligência Artificial e todas as demais tecnologias para promover a vida, aliviar o sofrimento e devolver dignidade às pessoas, criadas à sua imagem e semelhança. Nunca para que as máquinas dominem o ser humano ou o levem a esquecer sua própria humanidade.

Que a Inteligência Artificial seja utilizada para acelerar a descoberta de vacinas e tratamentos para doenças ainda sem cura, e não para aperfeiçoar armas de guerra ou ampliar a destruição entre os povos. Que ela seja uma ferramenta para ampliar o acesso à educação, levando conhecimento às crianças, aos jovens e aos adultos que ainda não tiveram a oportunidade de aprender a ler e a escrever. Que seja colocada a serviço da medicina, da justiça, da paz e da solidariedade.

Enfim, que essa tecnologia jamais nos roube a esperança de construir um mundo novo. Um mundo mais justo, fraterno e humano, que precisa ser edificado por cada um de nós, todos os dias.

“Tudo o que fizerdes, fazei de coração, como para o Senhor e não para os homens.” (Colossenses 3,23)

* Flávio Pinheiro Costa é missionário da Comunidade Canção Nova, analista de sistemas e atua no setor de Tecnologia e Inovação da Associação Internacional Privada de Fiéis (AIPF)
Instagram: @flaviopinheirocn

O grande valor das pequenas coisas: Por Wilson Aquino

O grande valor das pequenas coisas: Por Wilson Aquino

Todos os dias corremos atrás de algo. Metas, prazos, compromissos, conquistas. E, no meio dessa pressa, esquecemos que o endereço da realização e da verdadeira felicidade talvez esteja mais perto do que imaginamos: dentro de casa.

A escritora e poetisa gaúcha Neneca Parreira nos convida a enxergar o lar como um lugar de festa, templo, escola e restaurante. Um espaço criativo de amor. Não porque a casa precise ser perfeita, mas porque ela pode ser tudo — um refúgio onde se canta, se ora, se aprende, se cozinha, se organiza, se doa. Onde a vida acontece no ordinário. E é justamente aí que mora o extraordinário.

Esta semana, o amigo Dalcir Pereira de Carvalho me trouxe uma cena que atravessa o tempo: A lembrança de um adulto, de quando era um menino de nove anos, observando a mãe cantar baixinho enquanto mexia a panela, o pai distraído no rádio, os irmãos correndo como se a tarde fosse infinita. Uma casa simples, mas suficiente para proteger do mundo inteiro. Dalcir encerra com uma chave de ouro: “Você ainda não sabe, mas um dia vai sentir falta exatamente disso.”

E quanta verdade cabe nessa frase. Quantas vezes trocamos um jantar em família por uma reunião com amigos que poderia esperar? Quantas vezes deixamos de sentar no sofá com quem amamos porque estávamos ocupados demais com o urgente? O problema é que o urgente passa, e o que fica são as memórias dos momentos comuns — aqueles que pareciam pequenos demais para serem eternos.

A Bíblia nos ensina isso com sabedoria. No livro de Salmos, capítulo 127, versículo 1, está escrito: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.” Essa passagem nos lembra que o lar verdadeiro não se constrói apenas com tijolos e concreto, mas com presença, amor e cuidado. É na intimidade do lar que aprendemos as primeiras lições sobre perdão, generosidade e fé. É ali que formamos o caráter e a alma de cada membro da família.

O apóstolo Paulo também nos exorta em Efésios 5, versículos 15 e 16: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus.” Remir o tempo significa resgatá-lo, aproveitá-lo com propósito. Não se trata de produzir mais, mas de viver mais intensamente o que realmente importa. Cada refeição compartilhada, cada conversa sem pressa, cada abraço dado antes de dormir — tudo isso é tempo remido, tempo que ninguém poderá tirar de você.

Precisamos resgatar o valor do simples. Não por nostalgia, mas por sabedoria. O pilão velhinho, guardado com carinho, que Dalcir menciona é o símbolo de que a essência não se perde, desde que a gente escolha preservá-la. Aquele menino que levava a irmã como companhia hoje leva a família à igreja e se tornou exemplo. A história continua, mas o coração ainda mora naquela casa.

Que possamos aprender com o livro de Eclesiastes 3, versículo 1: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” Há tempo para trabalhar, sim. Mas há tempo para estar em casa. Há tempo para conquistar, mas há tempo para simplesmente existir ao lado de quem amamos. Não deixe que a correria roube de você aquilo que o dinheiro não pode comprar: a presença, o afeto, a memória viva dos dias simples.

A mensagem que fica é de esperança e segurança: o simples é belo. O lar é o lugar onde crescemos, sorrimos, choramos, oramos e nos fortalecemos. É de lá que saímos para lutar e é para lá que queremos voltar. Valorizar os pequenos momentos com os nossos — agora, não depois — é o antídoto contra o arrependimento.

Não espere a madrugada para fechar os olhos e tentar voltar a uma cena que você não viveu por inteiro. Viva hoje. Valorize agora. Porque o tempo não devolve ninguém intacto — mas nos dá, todos os dias, a chance de escolher o que realmente importa. Que a sua casa seja, acima de tudo, um lar onde o amor habita e a memória se eterniza.

*Jornalista, Professor e Escritor

wilsonaquino2012@gmail.com