abr 21, 2025 | Colunistas
Muito além dos ovos de chocolate e das celebrações simbólicas, a Páscoa representa o evento mais grandioso e transformador da história da humanidade: a Expiação e a Ressurreição de Jesus Cristo. Através de Seu sofrimento voluntário, morte e gloriosa ressurreição, o Salvador quebrou os grilhões do pecado e da morte, oferecendo a todos a chance de renascer espiritualmente e viver eternamente ao lado de Deus.
Jesus Cristo, o Filho do Pai Eterno, entregou-Se por amor a cada um de nós. Seu sofrimento no Getsêmani e Sua crucificação no Gólgota pagaram o preço de nossos pecados. E ao terceiro dia, Sua ressurreição selou a vitória sobre a morte física. Como Ele mesmo declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).
Essas verdades são reafirmadas com clareza pelas escrituras modernas e pelos profetas vivos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O autor e estudioso Cleon Skousen, membro fiel da Igreja, em seu estudo “A Expiação”, destaca que o plano de salvação exigia um resgate justo, capaz de satisfazer as leis eternas reconhecidas pelas inteligências — seres espirituais que só seguem Aquele que é perfeitamente justo. Foi por isso que Jesus se ofereceu voluntariamente, cumprindo perfeitamente o plano do Pai e garantindo, com Sua ressurreição, que todos também ressuscitarão.
O Livro de Mórmon confirma essa promessa: Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos, e levou consigo os vínculos da morte, que é o sepulcro, e os vínculos do inferno (Mórmon 7:5). Ele abriu o caminho para que toda a humanidade, sem exceção, ressuscite e seja julgada com justiça e misericórdia.
A doutrina restaurada em nossos dias também é clara ao ensinar que esse sacrifício foi completo, eterno e pessoal. Como declarou o Presidente Russell M. Nelson, profeta atual da Igreja: “A Expiação do Salvador é o maior exemplo de amor que este mundo já conheceu. Não há sofrimento físico, ferida espiritual, provação, angústia, fraqueza ou desgosto que não possam ser curados pela Expiação do Senhor Jesus Cristo.”
O Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, afirmou: “A ressurreição de Jesus foi a maior de todas as vitórias possíveis. Ela garantiu que a morte não é o fim e que, graças a Ele, todos viveremos de novo.”
A Presidente Camille N. Johnson, da presidência geral da Sociedade de Socorro, ensinou:“A Páscoa é o lembrete de que Cristo vive — e porque Ele vive, nossas dores podem ser aliviadas, nossos pecados perdoados e nossos corações transformados.”
E o Élder Dieter F. Uchtdorf reforçou:“A ressurreição de Cristo transformou uma tragédia em triunfo. Ele não apenas morreu por nós, mas vive por nós, guia-nos hoje e nos chama a segui-Lo. “Essas declarações reforçam que a Páscoa não é apenas uma lembrança simbólica, mas uma realidade viva. Jesus Cristo ressuscitou. Ele venceu a morte. E por meio dEle, todos nós venceremos também.
Neste tempo sagrado da Páscoa, somos convidados a mais do que apenas lembrar do Salvador. Somos convidados a refletir profundamente sobre o significado pessoal de Sua Expiação e Ressurreição. O que tudo isso representa para mim? O que estou fazendo, de forma prática, com esse presente infinito de amor e perdão? Essas perguntas, quando feitas com sinceridade, despertam em nosso coração um sentimento de gratidão e o desejo de viver à altura desse sacrifício.
Cristo não sofreu e morreu por uma humanidade abstrata. Ele passou por cada dor, angústia e humilhação por mim, por você, por cada filho de Deus individualmente. Ele conhece nossas lutas, nossas quedas, nossos medos. E mesmo assim, nos estende a mão, oferecendo cura, esperança e uma nova chance. A Expiação não é apenas para os que “já mudaram”, mas para os que ainda estão lutando, tropeçando e tentando acertar o passo no caminho do discipulado.
É essa consciência que deve nos impulsionar a continuar, mesmo quando falhamos. A graça de Cristo não elimina a necessidade de esforço, mas nos ampara em cada tentativa. Quando caímos, Ele não nos rejeita. Ele nos ergue, sussurra que somos capazes e nos dá força para tentar de novo. Por isso, a Páscoa deve ser também um tempo de renovação de propósitos, de esforço sincero para abandonar o pecado e viver de acordo com os mandamentos que Ele nos deu.
Seus mandamentos não são fardos — são diretrizes amorosas para uma vida mais plena e feliz. Quando decidimos obedecer, ainda que com dificuldade, mostramos que compreendemos, mesmo que parcialmente, o preço que Ele pagou por nós. Nosso progresso espiritual será sempre gradual, mas precisa ser constante. E mesmo que a jornada seja árdua, a certeza de que Cristo vive e está conosco torna o caminho mais leve e cheio de sentido.
A Páscoa, portanto, não deve terminar no domingo da Ressurreição. Ela precisa continuar viva em nosso cotidiano, como um alicerce espiritual sobre o qual construímos nossa fé, nossa esperança e nosso compromisso com o bem. Cristo vive. Ele venceu o mundo. E, com Ele, nós também podemos vencer — nossos medos, nossas fraquezas, nossas dores. Sigamos em frente com fé, com coragem e com o coração cheio de gratidão. Porque, graças a Ele, há sempre uma nova manhã, uma nova chance, uma nova vida.
*Jornalista e Professor
abr 19, 2025 | Colunistas
Aproveitando a celebração da Semana Santa e da Páscoa, levo aos meus leitores a reflexão que segue. Falo sobre aquele que foi o julgamento mais infame da história da humanidade: o de Cristo. As pessoas que queriam condená-lo à morte forjaram as provas, pois não se conformavam com os milagres que Cristo fazia e, por isso, resolveram condená-lo à morte.
Fizeram com que o próprio Pôncio Pilatos, governador da Judeia, não tivesse coragem de enfrentar os juízes que condenaram Cristo à morte. Isso nos permite passear pela História e lembrar também outros julgamentos sórdidos.
Josef Stalin, o governante comunista da antiga União Soviética, por exemplo, julgava seus adversários sem lhes dar nenhuma possibilidade de defesa e mandava matá-los. Milhões de pessoas foram mortas por Stalin. Hitler também julgava os judeus sem nenhum direito à defesa e, sempre condenados, eram mortos. Fidel Castro mandava fuzilar seus adversários no paredón, eliminando-os, sem sequer iniciar o processo, por acreditar que eram inimigos do regime comunista.
De rigor, o pior aspecto de um governo no exercício do poder é, certamente, a negação do direito à defesa.
Nunca aceitei cargos no judiciário, nunca prestei nenhum tipo de concurso. Sempre escolhi a advocacia. Sempre quis exercer e exerci a profissão de advogado e de professor universitário. Isso porque considero que o direito de defesa é o mais sagrado direito numa democracia.
Vale ressaltar que, quando os juízes deixam de ser imparciais, quando passam a pretender que a sua opinião prevaleça e não obedecem à lei, procurando fabricar provas, quando isto ocorre em qualquer país do mundo – como aconteceu nas grandes ditaduras e, às vezes, até nas democracias –, nós estamos, efetivamente, numa democracia fragilizada, a caminho de uma ditadura ou em plena ditadura.
Como dizia o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, em recente palestra num congresso em homenagem aos meus 90 anos, “O juiz tem de ser absurdamente imparcial, moderado, justo”. Ele não pode se deixar levar por fatores que apenas confirmem sua opinião quando tiver que condenar. Ele não pode ter uma opinião preconcebida; deve analisar as provas.
A imparcialidade é o elemento mais importante para um julgador.
Porque quando se coloca na cadeia alguém inocente, ou se vem a se arrepender depois da decisão – mas essa pessoa perdeu um, dois, três anos da sua vida –, é evidente que isso deve gerar um problema de consciência ao magistrado. Se eu fosse magistrado e condenasse alguém, e depois percebesse que eu teria de absolvê-lo porque aquilo não correspondia à realidade, eu passaria a vida inteira com um problema de consciência por causa daquele caso isolado. E se alguém morresse em função da minha desídia em examinar um processo em que havia necessidade de atenção, o meu drama seria muito maior.
Por isso, dizia o ministro André Mendonça, na palestra desse congresso, que a imparcialidade, a moderação, a possibilidade de examinar as provas existentes, e não a sua opinião pessoal, anterior ao próprio julgamento, devem ser o maior e mais importante requisito.
Não se limitar à justiça formal, mas, primordialmente, evitar a injustiça: essa é a essência da missão do magistrado.
Tudo isso me veio à mente porque, no Domingo de Ramos, nos preparávamos para o mais infame julgamento da história, aquele que levou Cristo a ser condenado a uma morte dolorosíssima: a crucificação
E sugiro aos meus leitores que pensem muito em suas falhas pessoais e em como estamos vivendo. E que tentemos, finalmente, nos reconciliar com Deus, ver como podemos corrigir nossos erros, enfim, como entramos numa rota que nos permita aproveitar a ressurreição de Cristo de uma maneira em que, efetivamente, vivamos com Deus em nosso coração.
Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).
Informações: Gabriela Romão – RV Comunicação – Fotos: Andreia Tarelow
abr 17, 2025 | Colunistas
DARCY RIBEIRO: “Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando e lutando como um cruzado, pelas causas que me comovem. Elas são muitas: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas. ”
CARÊNCIA: Existem líderes que nos encantam. Sobre o tema, o ex-senador goiano Demóstenes Torres diz que os líderes globais patinam no atraso e arremata: “ Desde a Segunda Guerra, o Reino Unido não produz um Churchill, nem os Estados Unidos um Roosevelt. Pior é a França, que está há dois séculos sem alguém digno do panteão.”
LÍDERES: “Os políticos profissionais são intermediários, representantes, lideranças. Vivem e agem no interior de um sistema. A boa ou a má qualidade deles depende da qualidade dos que são por eles representados, dos valores que prevalecem e da armação institucional em que operam” (professor Marco Aurélio Nogueira)
PROBLEMA: “ No mundo da política, os líderes são frequentemente examinados e julgados com base no seu desempenho político e nas decisões que tomam. No entanto, por trás da personalidade política e das decisões políticas existe um lado humano que é frequentemente negligenciado. ” (Christodoulos Koutsoulianos)
BRASIL-HOJE: O país tem hoje 50 milhões de jovens, mas até o final deste século cairá para 25 milhões. Vai faltar jovens. Se a expectativa de vida subiu, a taxa de fecundidade vem diminuindo como mostra o tamanho de nossas famílias. Nos últimos 50 anos o número de filhos das nossas famílias caiu de entre 5 a 8 para apenas 2.
OBSERVE: Quantos primos e tios seus pais tinham? Aposto que eram muitos, independentemente da classe social. No embalo também indago: já comparou o número de primos seus com o número de primos que seus filhos têm? Por analogia, as futuras gerações conviverão em relações familiares mais enxutas. Poucos irmãos e poucos primos e tios.
A PROPÓSITO: Os asilos chegaram às cidades interioranas. Antes só existiam nas grandes cidades. O país envelheceu, as famílias e as casas diminuíram de tamanho. Os idosos perderam o espaço. Se poucas famílias poderão cuidar dos seus idosos, teremos que assimilar a cultura do asilo, como é no Primeiro Mundo. Não adianta chorar!
VELHICE: É pauta presente na mídia, nos livros e em filmes, retratando dramas e desafios em todos os países. Os preconceitos, as barreiras e a falta de conscientização social como um todo. Pessoalmente admiro muito a postura da colônia japonesa, que de forma gentil, abraça seus velhos com a mesma intensidade dedicada as suas crianças.
MOTIVACIONAL-1: Discurso do coronel Hal More (Mel Gibson) no filme ‘Fomos Heróis’: “Não vou prometer que vocês voltarão para casa vivos. Mas eu juro uma coisa diante de Deus: quando entrarmos em batalha eu serei o primeiro a entrar no campo e o último a sair. Não vou deixar ninguém para trás. Mortos ou vivos, todos voltaremos para casa juntos. Com a ajuda de Deus. ”
MOTIVACIONAL-2: Quem assistiu a ‘Coração Valente’, lembrará de Mel Gibson nesta fala vibrante: “Lutem e talvez morram. Fujam e viverão, ao menos por um tempo. No leito de morte daqui a alguns anos, será que você trocaria todos esses dias a partir de agora por uma chance, só uma chance, de vir aqui e dizer aos nossos inimigos que eles podem nos tirar a vida, mas jamais tirarão a nossa liberdade? ”
PAISAGEM: Nunca é demais registrar nosso olhar em Campo Grande. Em cada esquina farmácia e barbearia, em cada bairro uma igreja, várias academias de ginastica, lojas de colchões e produtos de suplementação alimentar. Ainda enxergo o número crescente de psicólogos e terapeutas nos bairros. Assim caminha a humanidade.
OUTRO LADO: Independentemente da sacanagem da CCR MSVia, 21 municípios são beneficiados com o Imposto Sobre Serviço (ISS) gerados pelo pedágio. Destaques para Rio Verde de MT com R$183 mil mensais (em 2024); Nova Alvorada do Sul R$ 158 mil mensais, Veja o caso da pequena Juti: levou R$1.300 mil em 2024. Um extra que caiu do céu.
COMPARE: Se na Lava Jato a Odebrecht caiu foi beneficiada pela justiça, lá no Peru o ex-presidente Ollanta e sua mulher Nadine foram condenados a 15 anos de prisão cada um, por receberem dinheiro (propina) das empreiteiras OAS e Odebrecht na campanha eleitoral de 2011. O casal usou o velho papo da esqquerda: ‘perseguição política’.
PERGUNTO: Quais os livros, desta lista abaixo dos 10 mais lidos do mundo, você já curtiu? O Livro Vermelho (Mao Tsé-Tung), Harry Potter (J.K.Rowling), O Alquimista ( brasileiro Paulo Coelho), O Código Da Vinci (Dan Brown), A Saga Crepúsculo ( Stephenie Meyer) e o Vento Levou ( Margaret Mitichell. Não vale mentir.
BRONCAS: A Energiza e as empresas do ramo de internet lideram as reclamações de usuários. As desculpas são aquelas que o leitor conhece. A Energiza, em que pese suas propagandas bem produzidas, não tem investido na mesma proporção que a cidade cresce. Quanto ao pessoal da internet, reproduz o atraso do país neste setor. E só…
MALANDRAS: A exemplo da Agencia Nacional de Transportes Terrestres, a Agencia Nacional de Mineração faz o jogo das empresas. A última protege a mineradora (grupo JBS) ativa em Ladário e Corumbá e que não revela às prefeituras a quantidade mensal do produto que extrai e vende. Como saber se o valor do imposto que lhes cabem está correto? O deputado Paulo Duarte quer apurar essa manobra grosseira.
MESMICE: As notícias de que o ex-deputado Fabio Trad seria convidado pelo PT para disputar o senado ou o Governo, prova a falta de renovação do partido. Sempre os mesmos. Outro fato que comprova essa assertiva, é a notícia de que o deputado Vander Loubet conseguiu unir os grupos em torno de seu nome para comandar o diretório. Não largam a picanha.
CONVENHAMOS: Em que pese toda tecnologia, está difícil assistir à maioria dos programas de futebol na televisão. Papos de conteúdos maçantes. Gente que se acha mais importante do que a informação, sem cultura futebolística principalmente. A presença das mulheres, como comentaristas nas transmissões em campo, também não agrada. Não por acaso Galvão Bueno voltou.
RESPINGOS: Para os observadores, o voto do deputado Beto Pereira, ex-PDT e ainda filiado ao PSDB, não foi por acaso. Fiel discípulo do ex-governador Azambuja, o voto mostra a tendência do seu grupo político alinhar-se ao Bolsonarismo para ganhar o voto do eleitorado conservador. Ainda insisto questionar: qual será a reação do ‘distinto eleitor’.
ANOTE: Há pesquisas eleitorais publicáveis e outras destinadas apenas a um grupo seleto de políticos. Essas últimas, mantidas a sete chaves, procuram explorar todas as tendências do eleitor nas mais diferentes situações. Aqui não é diferente, com a volta de nomes estigmatizados e que podem ajudar a fazer a diferença. Portanto, nem tudo é mamão com açúcar.
abr 16, 2025 | Colunistas
Quatro Pontos jurídicos que divergem da decisão do STF que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro réu
A decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro de aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da
República (PGR) e torná-lo réu, entendendo que houve uma tentativa de golpe de Estado com base no que foi, fundamentalmente, encontrado no celular do coronel Mauro Cid e em sua delação premiada, merece algumas breves considerações.
Trata-se de uma mudança na jurisprudência do Supremo, pois, no caso da Lava Jato, apesar do prejuízo de bilhões causado ao Brasil por corruptores confessos, a Suprema Corte não utilizou a delação premiada como fundamento de suas decisões e até entendeu que ela não poderia servir para embasar prisões.
Como um velho advogado, com 68 anos de exercício profissional e 61 de magistério universitário e 90 anos de idade, confesso que ainda tenho muitas dificuldades para compreender a decisão, sem, contudo, fazer qualquer crítica aos Ministros. Aliás, por não criticá-los e, muitas vezes, elogiá-los, sou frequentemente censurado por meus leitores e seguidores das redes sociais.
Fato é que, primeiro, para haver uma tentativa de golpe, seria necessária uma ação concreta, que só poderia ser realizada por militares. No entanto, nenhum militar com comando de tropas saiu às ruas para essa tentativa.
Lecionei durante 33 anos para coronéis que seriam promovidos a generais e, em 2022, creio que aproximadamente 90% dos generais haviam assistido às minhas aulas de Direito Constitucional. Lembro-me perfeitamente de que, durante as aulas, nos momentos de debate, não havia ambiente para que algum deles cogitasse golpes de Estado, até porque minhas aulas eram sobre o respeito à Constituição, jamais sobre sua ruptura.
Reafirmo: para haver tentativa, é necessário que exista um ato de execução do crime. E, nesse caso, as Forças Armadas seriam as únicas que poderiam executar um eventual golpe. No entanto, não houve tentativa, pois sequer houve o início de uma ação.
Em segundo lugar, afirmar que o evento de 8 de janeiro foi um golpe é algo muito difícil de aceitar. Digo isso como historiador da Academia Paulista de História, com livros publicados na área.
Como acadêmico da Academia Paulista de História, nunca vi, ao estudar a história mundial, um golpe de Estado sem a participação das Forças Armadas. Destaco, ainda, que a minha segunda tese acadêmica foi sobre o impacto das despesas militares nos orçamentos públicos, analisando todas as conhecidas batalhas mundiais até o ano 1.200, quando se tornaram tão numerosas a ponto de não ser mais possível citá-las individualmente.
Insisto que o ocorrido em 8 de janeiro não foi um golpe de Estado também porque ninguém estava armado. Foi uma baderna, mas não foi um golpe de Estado. Uma das participantes estava com batom e alguns tinham estilingues. Ora, com batom e estilingues não se faz uma revolução.
O terceiro elemento que me impressiona é chamar de documento golpista um papel sem assinatura, onde constava uma declaração de estado de sítio.
Ora, o estado de sítio é uma figura constitucional que existe para garantir o Estado de Direito e não para rompê-lo. Para ser decretado pelo presidente, o estado de sítio deve ser autorizado por maioria absoluta do Congresso Nacional.
Trata-se, portanto, de um papel sem valor algum, já que o Congresso Nacional jamais autorizaria o estado de sítio. Sendo assim, não vale nada, não é um documento.
Quarto ponto que, como advogado, me parece importante: muitos dos advogados que eu conheço, alguns brilhantes e respeitadíssimos no Brasil, não tiveram acesso completo à delação premiada e a todos documentos.
Como é que eu vou defender o meu cliente sem conhecer todos os elementos que levaram à acusação? A Constituição, no inciso LV do artigo 5º prevê a garantia da “ampla defesa”. A palavra “ampla” é um adjetivo de uma força ôntica impressionante. Não é, portanto, qualquer defesa judicial e processual. Mesmo assim, a defesa queixou-se de ter tido acesso a apenas aquela parte que constava dos autos. Tratou-se, portanto, de uma defesa limitada e cerceada.
Com todo o imenso respeito que tenho aos Ministros, a matéria teria, a meu ver, que ser decidida pelo Plenário da Suprema Corte, dada a importância da discussão.
Uma vez mais, quero deixar muito claro que não faço juízo de valores sobre os Ministros, até porque tenho livros escritos com alguns deles e sempre os admirei como juristas. Embora, nas decisões judiciais, nossa convergência seja muito grande, nossa divergência ocorre quando entendo que eles se transformaram em poder político.
Por essa razão é que, hoje, são obrigados a andar acompanhados de seguranças. Algo que não ocorria quando eu saía com os Ministros Maurício Corrêa, Moreira Alves, Oscar Corrêa, Cordeiro Guerra, Sidney Sanches, enfim, todos aqueles que foram meus amigos de tempos imemoriais, como os de Aliomar Baleeiro, Hahnemann Guimarães ou José Néri da Silveira. Não era necessário uso de seguranças, porque era o STF apenas Poder Judiciário.
Significa dizer que os nossos atuais Ministros recebem um tratamento típico de políticos: quando estão na rua, quem os aprova, aplaude, enquanto quem não gosta, os ataca.
Como um modesto advogado de província e esforçado professor universitário de Direito Constitucional, creio que não foi essa a intenção dos Constituintes, até por conta do que presenciei ser discutido durante a elaboração da nossa Carta Magna. Nos 20 meses em que participei comentando a Constituição, fui ouvido em audiências públicas pelos Constituintes, mantendo contato permanente com Bernardo Cabral e visitando Ulisses Guimarães em sua casa, perto do Jóquei Clube, para discutirmos pontos da Constituição.
Naquele momento, o objetivo era, ao sairmos de um regime de exceção, onde havia um poder dominante, estabelecer três poderes harmônicos e independentes.
Retrato, pois, aquilo que vi na discussão e na formulação de uma Constituição ampla, prolixa, mas que tinha uma espinha dorsal fantástica, baseada na harmonia e independência dos Poderes, além da previsão dos direitos e garantias individuais, que são os dois maiores sustentáculos da Constituição de 1988.
Como um idoso de 90 anos, prisioneiro de São Paulo por conta da dificuldade de locomoção, mas com a cabeça ainda funcionando um pouco, embora não mais como antigamente, gostaria de trazer essas minhas reflexões para aqueles que me lêem e viram a decisão de ilustres Ministros do STF, a quem respeito, mas que têm, entretanto, neste nonagenário, advogado e professor universitário, uma interpretação que, infelizmente, em relação ao direito, é bem diferente daquilo que foi decidido.
Sem ter posição em relação a A, B ou C, mas apenas analisando o julgamento como um advogado com 68 anos de experiência e 61 anos como professor universitário, que passou 20 meses estudando para comentar com Celso Bastos, em 15 volumes e cerca de 10 mil páginas, a Constituição do Brasil, essa é a minha opinião.
Fico muito constrangido de divergir dos meus amigos da Suprema Corte, que tanto admiro. Mas, como cidadão, não poderia me calar.
Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Feco mercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).
Informações Gabriela Romão – Fotos: Andreia Tarelow – Professor Ives Gandra da Silva Martins
abr 14, 2025 | Colunistas
Há momentos na história de um povo que ultrapassam o tempo e o espaço. São ocasiões raras, sublimes, que marcam a alma coletiva de uma comunidade. Assim é o anúncio da construção de um Templo de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na capital de Mato Grosso do Sul. Uma notícia que ecoa como bênção e resposta a décadas de fé, orações e dedicação silenciosa de milhares de fiéis.
O anúncio foi feito no encerramento da 195ª Conferência Geral Anual da Igreja, transmitida mundialmente a partir de Salt Lake City, nos Estados Unidos, pelo presidente Russell M. Nelson — um homem centenário, cuja vida inteira foi consagrada ao serviço do Senhor. Ao revelar a construção de 15 novos Templos ao redor do mundo, entre eles o de Campo Grande, o profeta selou um momento de comoção e gratidão entre os membros da Igreja em todo o estado. Muitos choraram, outros se abraçaram, e todos compartilharam o sentimento profundo de que os céus se abriram sobre Mato Grosso do Sul.
Esse é, sem dúvida, um dos acontecimentos espirituais mais grandiosos da história recente do nosso Estado. Atualmente, os membros sul-mato-grossenses enfrentam longas jornadas de mais de mil quilômetros, em caravanas que duram cerca de 12 horas, para chegar ao Templo mais próximo, em Campinas (SP). A nova Casa do Senhor em Campo Grande encurtará distâncias físicas e espirituais. Ela será um farol de fé não apenas para os fiéis de Mato Grosso do Sul, mas também para irmãos e irmãs de Mato Grosso, de outras regiões do Brasil e até de países vizinhos, como Paraguai e Bolívia.
Os Templos da Igreja não são apenas edifícios religiosos. São locais sagrados, de revelação, paz, consagração e eternidade. Neles são ensinadas verdades profundas e realizadas ordenanças espirituais fundamentais — como o casamento eterno e o selamento das famílias — que unem gerações sob o propósito divino de permanecerem juntas na eternidade.
Como destacou o presidente Russell M. Nelson, “passar mais tempo no Templo vai nos ajudar a nos prepararmos para a Segunda Vinda. Aumentará nossa capacidade de ter caridade e virtude, e nossa confiança diante Dele”. É esse espírito de preparação e santidade que envolve cada detalhe da construção de um Templo do Senhor.
A escolha de Campo Grande como sede de um Templo não foi por acaso. Ela reflete o crescimento constante da Igreja na região, a força espiritual do povo sul-mato-grossense e a dedicação de líderes e membros que, há décadas, semearam a fé com humildade, amor e serviço ao próximo. Cada reunião, cada visita missionária, cada gesto de bondade foi parte desse processo silencioso que agora floresce de forma gloriosa diante dos olhos de todos. É um reconhecimento divino à firmeza de um povo que nunca deixou de acreditar.
Além de seu significado espiritual, o Templo será também um marco arquitetônico e cultural, capaz de atrair visitantes e estudiosos interessados em sua beleza, simbolismo e propósito. Com projetos minuciosamente pensados para refletir a santidade e a ordem celestial, essas construções tornam-se pontos de referência não apenas para os membros da Igreja, mas para todos que buscam entender a fé, a história e a missão de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Campo Grande, nesse sentido, se tornará ainda mais visível no mapa espiritual do mundo.
O impacto da construção do Templo vai além da cidade e do estado. Ele se estende às famílias que se fortalecerão espiritualmente, aos jovens que encontrarão nele direção e propósito, aos missionários que poderão testificar com mais fervor sobre a veracidade do evangelho restaurado. Em tempos de incerteza moral e desafios sociais, o Templo será um refúgio de paz, um espaço onde corações serão curados, laços serão restaurados e vidas serão transformadas pelo poder da fé.
A emoção foi grande também entre os líderes locais. O presidente da Estaca Campo Grande, Vicente Maiorino Júnior, expressou gratidão ao reconhecer que “o Senhor olhou para nossa cidade” e abençoou o povo com esse presente sagrado. Já o bispo Cézar Henrique Bagatoli não conteve as lágrimas: “Não importa quanto tempo levará para ser edificado. O importante é que fomos abençoados pelo Senhor!”
Por sua sacralidade, apenas membros fiéis da Igreja — que estejam em conformidade com seus princípios e compromissos — podem entrar no Templo, ao contrário das capelas, que são abertas a todos. No Templo são realizadas ordenanças eternas, inclusive em favor de pessoas falecidas, seguindo ensinamentos que remontam ao período do Novo Testamento.
Esse anúncio representa muito mais do que uma obra de engenharia. É um testemunho vivo de que o Senhor está atento ao povo sul-mato-grossense. É a materialização do amor de Deus por esta terra. É também um lembrete de que, mesmo em tempos difíceis, a fé verdadeira move montanhas e traz luz aos que perseveram.
O Templo em Campo Grande será uma fonte constante de luz em meio às sombras do mundo, um lembrete de que o céu ainda fala, que Deus continua guiando Seu povo e que as promessas feitas aos justos sempre se cumprem, no tempo e na maneira do Senhor.
Ao todo, já são 382 Templos no mundo, entre os que estão em funcionamento, construção ou com projetos anunciados. Cada um deles traz uma mensagem clara: Cristo vive, ama Seu povo e continua guiando Sua Igreja sobre a Terra.
Que este marco histórico nos inspire a viver com mais fé, servir com mais amor e olhar com mais esperança para o futuro. Mato Grosso do Sul foi escolhido. E isso jamais será esquecido.
*Jornalista e Professor
abr 12, 2025 | Colunistas
Todo ano, no mês de abril, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) intensifica suas ações e mobilizações em defesa do modelo de reforma agrária idealizado por seus organizadores: o chamado “Abril Vermelho”. Trata-se do período onde o dito “movimento social” intensifica os ataques às propriedades rurais sob o guarda-chuva da reforma agrária e, com o cumprimento das invasões criminosas. Celebram, também, o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária a partir de um decreto assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Apesar do “crime anunciado”, quem deveria impedir essas ações, entretanto, age na contramão do direito de propriedade e da segurança jurídica. O governo federal demonstra conivência com as práticas ilegais e disposição em atender às reivindicações desses grupos.
Recentemente, representantes do agronegócio e parlamentares manifestaram preocupação com o número elevado de invasões promovidas pelo MST durante o “Abril Vermelho” de 2025, alertando para os riscos dessas ações.
Mesmo antes do início oficial do conhecido “Abril Vermelho”, o país já registrava propriedades invadidas, produtores rurais expulsos de suas terras e um cenário preocupante de incertezas sobre a responsabilização dos envolvidos. Só entre os dias 14 e 17 de março foram registradas mais de 70 ações, protestos e invasões em várias regiões do Brasil.
É óbvio que movimentos dessa natureza impactam e causam grande preocupação aos produtores rurais, que se sentem ameaçados, ainda mais quando o Estado e suas instituições legais ignoram a gravidade da situação.
Toda a tensão gerada aos produtores rurais e ao agronegócio é causada principalmente pelo uso político da reforma agrária, que conta com o apoio e o favorecimento de decretos, portarias e recursos do governo, que, de algum modo, legitimam as ações do movimento
Importante relembrar a invasão do MST à Embrapa Semiárido na madrugada de 16/4/2023, ocorrida em terras destinadas à agricultura e à preservação da Caatinga. A ocupação resultou em prejuízos significativos para produtores e agricultores da região atendida pela instituição.
Como se não bastassem as inúmeras e nefastas ações do MST, recentemente assistimos à manifestação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que no dia 7 de março, durante cerimônia realizada em Campo do Meio, Minas Gerais, diante de integrantes do movimento, defendeu a reforma agrária e disse: “Todo mundo sabe que eu tenho um lado”.
Também tivemos, em 2023, o Decreto nº 11.637, que modificou as regras para seleção, permanência e titulação de famílias beneficiadas pela reforma agrária no Brasil. A norma dá prioridade a famílias acampadas, envolvidas em invasões, em vez daquelas que aguardam legalmente o acesso à terra. Medida que enfraquece os direitos dos produtores rurais e incentiva ocupações irregulares.
É contraditório e incoerente que, mesmo tendo recebido terras de diversos governos, o MST continue insatisfeito, promovendo desordem e gerando terror. Assombrando os produtores rurais.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) alertou, recentemente, sobre o perigo da escalada das invasões no campo, já antes do mês de abril começar e, apontou ações coordenadas por movimentos como o MST, que já realizou cinco invasões somente nos primeiros meses de 2025.
Em 2024, conforme dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ocorreram 28 ocupações em diversos estados, incluindo Bahia, Pernambuco, Ceará, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo, Sergipe, Paraná, Rio Grande do Norte e Pará.
Vale destacar que o MST não quer terras de difícil cultivo. Não quer fazer o que os grandes produtores rurais, que seus membros hoje chamam de latifundiários, fizeram há décadas. Esses pioneiros do agronegócio e da produção rural enfrentaram condições extremas em regiões remotas e inóspitas, lidando com malária e outras doenças, encarando desafios inimagináveis em Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Tocantins, Rondônia e Goiás, isso há 50 ou 60 anos. Moravam em barracas, sem energia elétrica, sem água potável, sem nada. Semeavam e cultivavam a terra sem sequer saber se ela seria produtiva. Não havia garantia de que o cerrado serviria para o cultivo da soja, por exemplo. Foi com muito sacrifício, martírio, perseverança e sofrimento, aliado ao trabalho da Embrapa, que muitas destas regiões fizeram com que o Brasil se tornasse, hoje, o celeiro do mundo.
Enquanto o MST utiliza táticas de guerrilha, com ações rápidas que espalham terror e instabilidade no campo, produtores rurais e a Frente Parlamentar da Agropecuária articulam um pacote legislativo para combater invasões e proteger o agronegócio das perseguições que sofrem.
Importante lembrar que o setor que produz, alimenta, sustenta a economia brasileira e, se mantém como o principal pilar social do país, recebeu negativas sequenciais do governo Lula para obter o básico e dar tranquilidade aos produtores rurais.
O setor produtivo passou pela suspensão do Plano Safra, a falta do crédito rural, as altas de juros, e claro, as invasões de terras que aumentam consideravelmente à violência no campo.
Sabemos que o objetivo da iniciativa da FPA é estimular a segurança jurídica da propriedade rural, endurecer penalidades aos baderneiros e facilitar a reintegração de posse, visando consolidar o Brasil como uma potência agrícola global.
Para concluir é importante destacar que, o agronegócio que trabalha e, trabalha, de sol a sol, lutando contra inúmeras dificuldades, também tem um lado: fortalecer o Brasil como celeiro do mundo!
Eduardo Berbigier é advogado tributarista, especialista em Agronegócio, membro dos Comitês Juridico e Tributário da Sociedade Rural Brasileira e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.