maio 31, 2024 | Colunistas
COMPLEMENTO: Na coluna anterior falamos do poder eleitoral e político de Campo Grande, lembrando que vários de seus ex-prefeitos chegaram ao senado. Principalmente ao leitor jovem e àquele que chegou ao MS após a sua criação, vamos enumerar os ex-prefeitos que viraram senadores. As datas se referem ao período no Senado.
VESPASIANO B. Martins: prefeito duas vezes, deputado federal, senador de 1935 a 1937 e de 1946 a 1955. Fernando Corrêa da Costa: senador de 1959 a 1961 e de 1967 a 1975. Wilson B. Martins: de 15 de março de 1987 a 1º de janeiro de 1955. Antônio M. Canale: Deixou a prefeitura em 1973 e se elegeusenador em 1975; no cargo até 1983.
LEVY DIAS: Senador de 1º de fevereiro de 1991 a 1º de fevereiro de 1999 após 3 mandatos na Câmara Federal e antes prefeito da capital. Marcelo Miranda: prefeito eleito de 1977 a junho de 1979 quando foi nomeado governador. Virou senador em 1982. Lúdio Coelho: exerceu todo o mandato de senador entre 1995 a 2003.
JUVÊNCIO C. da Fonseca: Ex-prefeito eleito senador, seu mandato foi de 1999 a 2007. Nelsinho Trad: Nas eleições de 2018 foi o último dos ex-prefeitos eleitos ao Senado. Pelos nomes e datas a relação envolve também o período anterior a criação de MS. Apesar de Cuiabá ser a capital do MT, Campo Grande já era importante no contexto político.
NO FACEBOOK: Após 27 anos a fala do ex-ministro Roberto Campos ainda é atual sobre a postura antiempresarial do Governo. Campos dizia lá atrás: “dos vários ‘arios’ que temos por aí; o missionário, o operário e o funcionário – o empresário é o mais importante. ” Em 2023 dois milhões de empresas fecharam no país; aumento de 25% em relação a 2022.
FUTEBOL: A conivência por interesses imperou ao longo dos anos em que Francisco Cesário mandou em nosso futebol. Extensão do esquema da CBF, desde J.Havelange, Ricardo Teixeira, José Marin e outros de igual perfil. Parte da grana de patrocinadores e de outras fontes usada para bancar os gastos da entidade e ‘amansar’ presidentes de clubes e outros dirigentes com direitos a voto na federação.
E AGORA? A classe política e outros segmentos não podem se omitir diante do quadro. O indicado pela CBF para a presidência possui os predicados necessários? Só a convivência dele com Cesáriojá motiva suspeitas. Tem o perfil que o cargo exige? Basta! A Federação não pode continuar sendo propriedade de apaniguados do Cesário.
COMPARANDO: A ascensão do time de Cuiabá aumentou o questionamento do campo-grandense: Porque os cuiabanos podem e nós não? Felizmente agora com o GAECO no caso, aumentam as esperanças de que os ocupantes da federação deixem seus cargos e sob nova direção, prevaleçam os reais interesses do futebol.
JOESLEY BATISTA-1: (Entrevista em 2017 ao jornalista Diego Escosteguy da revista Época) )“O Lula e o PT institucionalizaram a corrupção. Houve essa criação de núcleos com divisão de tarefas entre os integrantes, em estados, ministérios, fundos de pensão, bancos, BNDES. O resultado é que hoje o Estado brasileiro está dominado por organizações criminosas. O modelo do PT foi reproduzido por outros partidos”
JOESLEY BATISTA-2:“(Guido Mantega) Resolvia. Então pronto. Para que ter outro? Não estou protegendo ninguém, mas só posso falar do que fiz e do que posso provar. Não estou entregando pessoas. Entreguei provas aos procuradores. E o PT tinhao maior saldo de propina. O que posso fazer se a interlocução era com o Guido?”
DÚVIDAS: Elas superam a certeza sobre a decisão da Petrobras quanto a Unidade de Fertilizantes Hidrogenados em Três Lagoas. Será concluída ou vira sucata de vez? Se aquela visita do ex-presidente da Petrobras preocupou, essa troca da presidência da empresa é uma ducha fria.Nem mais uma palavra da ministra Simone Tebetsobre o caso. Sei não…
OPINIÃO: Sobre a escolha do companheiro (a) de chapa, o pré-candidato Beto Pereira (PSDB) lembra que os critérios são relativos nesta hora. Não há preconceitos quanto ao perfil, raça, cor, posição social e religião. Ele citou vários exemplos de vices em chapas vitoriosas e diz estar aberto para troca de opiniões. Por enquanto nada definido.
NO RETROVISOR: O passado ajuda o presente a iluminar o futuro. Na política a regra é válida. A escolha do vice não decide a eleição, mas ajuda a dar credibilidade a chapa – apesar das ironias quanto ao seu papel na administração. O nome do vice não consta da placa de inauguração e ele não corta ou desata a fita.
RELAÇÃO de vices dos prefeitos da capital a partir de 1947: Arthur Vasconcelos (vice de Fernando C. Costa); Dinamerico Inácio de Souza (vice de Oliveira Lima); Nelson Trad (vice de Antônio Canale); HelioMandeta (vice de Plínio Martins); Mario Caldas (vice de Antônio Canale); Alberto Cubel (vice de Levy Dias); Heráclito Figueiredo (vice de Juvêncio); Marilu Guimarães/Chico Maia, (vices de Lúdio Coelho); Osvaldo Possari (vice de André Puccinelli); Marisa Serrano/Edyl Albuquerque (vices de Nelson Trad); Gilmar Olarte (vice de Alcides Bernal) e Adriane Lopes (vice de Marcos Trad).
REFLEXOS: As eleições de 2022 refletirão agora? Na capital: Bolsonaro obteve 54,56% e Lula 34.57%. Contar 26,64%; Puccinelli 21,82%; Marcos Trad 15,48%; Eduardo Riedel 14,66%; Rose Modesto 13,96%. Marcos Pollon liderou com 38.410 votos para a Câmara e ao senado Tereza Cristina 52,56%. Esses patrimônios eleitorais vão se manter influentescom mudança de cenário?
DE FORA: O ex-ministro Luiz H. Mandetta até discursou no evento recente de Rose Modesto. Apesar de seus 92.401votos (20,08%) obtidos para o senado na capital, ele está fora destas eleições. Morando no Rio de Janeiro e atuando numa grande empresa do setor de saúde, a política não consta de seu projeto de vida. Saiu – perdeu o espaço.
‘STATES’: Condições para ocupar a Casa Branca: ter nascido nos EUA; idade mínima de 35 anos; ter morado nos EUA por 14 anos. Curiosamente não há proibição de uma pessoa condenada criminalmente ser presidente; casos de Eugene Debs e Lyndon La Rouche. Portanto, a sentença condenando Trump não o impede de concorrer ao pleito. Lá – como cá – a imoralidade impera na política.
DESGASTES: Essa novela, com pitadas escandalosas, sobre o direito de ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Campo Grande ajuda a denegrir a imagem dos políticos de um modo geral. Certamente, desde o início, existem muitos interesses em jogo. Esse é pelo menos o resumo da opinião pública. Quando você pensa ter visto tudo…
SEM ILUSÕES: Apesar das leis que parecem rígidas, os financiadores de campanha ainda terão papel de destaque nas eleições deste’ Brasil de Meu Deus’. Neste cenário o eleitor ‘indeciso’ receberá seu ‘pro-labore’ estimulante em dinheiro vivo que não entrará na prestação de contas do candidato perante a justiça eleitoral. É assim que funciona.
FLECHADA CERTEIRA:
São três as análises básicas das “pesquisas de opinião”: Uma para orientar os candidatos. Outra pra orientar os financiadores. Outra pra desorientar o público. (Millôr)
maio 25, 2024 | Colunistas
VANDER LOUBET: Obstinado pelo Senado, o deputado quer se fortalecer na capital (33% dos eleitores do MS). Quem não vencer aqui, não leva! Por vários fatores Vander tem problemas. Além da prevenção do eleitorado conservador, sofre de cruel estigma, apesar de inocentado por suspeita de corrupção. Não sei se a harmonização facial e o implante capilar aliviam.
APOSTAS: A capital é a porta de entrada do Senado. Vander adota estratégias para colocá-lo ao lado de postulante com chances de vitória. A candidatura, por exemplo, da deputada Camila Jara (PT) não traria novos eleitores, não beneficiaria Vander. Mas se apoiando Rose Modesto (União Brasil) teria sim maiores chances de futuros benefícios eleitorais em 2026.
A CAMINHO: Prestigiada pela cúpula do União Brasil, Rose Modesto ainda não escolheu seu companheiro de chapa. Merece destaque o fato de Ronaldo Caiado e ACM Neto – duas lideranças da sigla e que a prestigiam, serem apontados como nomes de peso na sucessão presidencial. Caiado é citado pelo senador Sergio Moro como eventual candidato ao Planalto
LIÇÃO-1: Querido das crianças, Macaco Tião jogava objetos nos visitantes no ‘Zoo do Rio’. Graças a revista’ Casseta Popular’ e pela falta de boas opções nas eleições para prefeito (vencidas por Marcelo Alencar) em 1988 – Tião obteve 400 mil votos (3º lugar). Seu slogan “O único candidato que já está preso”. Tião morreu em 1996 e mereceu luto oficial por 3 dias.
LIÇÃO-2: Em 1959, dentre 10.214 candidatos a vereança em São Paulo, o rinoceronte Cacareco obteve 100 mil votos, suficientes para eleger 1/3 da câmara. O candidato 2º mais votado foi Manoel Vaz (10.214 votos) genro do prefeito Ademar de Barros. Tião inspirou a marchinha: “Cansados de tanto sofrer/e de levar peteleco/vamos agora responder, votando no cacareco”.
LIÇÃO-3: Em1987, nas eleições municipais de Vila Velha (ES), a população indignada encontrou outra fórmula ‘sui generis’ de protestar contra os desmandos e escândalos de corrupção local. Optou em votar no mosquito da dengue – vencedor com 29.667 votos – 3 vezes mais do que a votação do candidato vencedor.
SUGESTÃO: 3 casos de políticos nossos egressos do xilindró: o ex-prefeito, ex-governador Puccinelli (MDB), o ex-prefeito Gilmar Olarte e o vereador Claudinho Serra (PSDB). Aliás, se candidatassem nestas eleições, eles poderiam inclusive aproveitar parte do slogan do macaco Tião, ou seja: “Os candidatos que já foram presos”.
MUDANÇAS: As urnas eletrônicas impedem que o eleitor proteste de modo mais usual e visível, como antes nas cédulas de papel. Mas ele ainda pode protestar nas redes sociais. A corrupção evoluiu, sofisticada com a tecnologia. Os documentos falsificados ainda resistem, apesar da atuação do Ministério Público. O noticiário prova isso.
‘NO LIMITE’: O Governo gasta 90% do orçamento com pensões/aposentadorias, salários, seguro-desemprego, idosos, Bolsa Família, educação e saúde. Pasmem! Resta só 10% para investir, em subsídios, créditos carimbados e nos PACs. Sem chances de melhora, pois os gastos obrigatórios crescem mais rápido do que a arrecadação e o PIB.
DIRETO AO PONTO: Defino assim a fala do deputado Paulo Duarte (PSB) sobre as consequências da nebulosa reforma tributária. Expert na área, focou firme nos pontos que tendem a prejudicar nosso MS – inviabilizando inclusive os projetos econômicos do atual governo pela perda da receita que estima na faixa de 20%.
TRAGÉDIA: Paulo Duarte lembra que os 5.568 municípios terão o futuro atrelados aos 27 integrantes do futuro Comitê Gestor, que irão priorizar os interesses dos estados mais desenvolvidos. Precavido, sugere um comitê local estudando o caso a fundo para fornecer subsídios técnicos aos nossos senadores e deputados federais nos debates do Congresso Nacional.
CAPITAL: Ouvi no saguão da Assembleia Legislativa que na hora certa o PL se unirá ao PP da prefeita Adriane e da senadora Tereza Cristina. Assim evitaria atritos entre outros nomes, pois o tenente Portela tem livre transito nos grupos de centro e direita. A dúvida é se ele passará ou não o bastão lá na frente, pois o ego humano é indomável.
PERA-LÁ: Essa tese é contestada pelo deputado João Catan que defende candidatura própria do PL na capital como alternativa legítima da direita liberal, numa hora em que há ambiente para o debate com o PSDB, PT e MDB. Aliás, a posição vigorosa de Catan nas sessões nos remete ao personagem do energético ‘Red Bull’. Força total!
ELOGIOS: Eles não faltaram ao governador Riedel pela sua ousada e promissora viagem aos Estados Unidos com objetivo de expor nosso potencial econômico. Analistas e especialistas do mercado internacional ancorados em Nova Iorque gostaram desta iniciativa com luz própria, longe das bênçãos de Brasília.
CONTABILIDADE: Em 2020 o MDB elegeu 772 prefeitos – PP 680 – PSD 649 – PSDB e DEM, hoje União Brasil – 459. Enquanto isso o PT elegeu apenas 183 prefeitos e 258 vice-prefeitos. Hoje o partido de Lula já conta com 265 prefeitos. Os maiores índices de migração após o início do 3º mandato dele, ocorreram no Nordeste.
É O JOGO: Absolvido ou condenado. Qualquer hipótese seria pertinente. Mas o senador Rodrigo Pacheco (PSD) fez o meio de campo junto ao ministro Alexandre de Moraes e o senador Sergio Moro (União Brasil) absolvido. Aliviou o clima entre Judiciário e Congresso e favoreceu politicamente o Governo para as eleições de 2026.
ALÍVIO: Ficando no Senado Moro ficará mais distante de Bolsonaro e fortalecerá menos o discurso da direita no pleito de 2026. Isso foi levado em conta nas articulações do senador Rodrigo Pacheco (PSD) junto ao ministro Alexandre de Moraes, amainando o clima de revanchismo. Quem não gostou foi a deputada Cleise Hoffmann (PT), que sonhava disputar a vaga de Moro pelo Paraná. Ficou de bico quebrado.
SÓ DE LONGE: Gosto de ouvir a opinião de observadores sobre a postura do governador Riedel (PSDB) nestas eleições. É consenso no saguão da Assembleia de que ele não se envolverá na disputa, preservando sua autoridade e mantendo a boa imagem atual. Os vencedores, seja eles quais forem, irão manter boas relações com o Governo.
POLARIZAÇÃO? Na capital, pelo menos, não há clima para tal. Em outros tempos acontecia em função das posições dos partidos e de grupos políticos. Analisando o quadro atual conclui-se de que há mais identidade do que diferença entre os futuros candidatos. O multipartidarismo praticamente uniformizou o discurso e a cara deles.
COMPARANDO: Parece até que os programas dos partidos foram produzidos pelos mesmos personagens. Basta ler alguns deles para essa conclusão. Todos se inspiram em Deus, no respeito à sociedade, na convivência harmônica, prometendo o bem estar, obediência a democracia em nome do progresso, do direito e por um futuro melhor.
‘ ESTRANHO’: A opinião pública arrepiada com a decisão do ministro Tófoli que beneficiou o empresário Marcelo Odebrecht, mantendo válida a deleção premiada na ‘Lava Jato’. Assim Marcelo não poderá pedir de volta o dinheiro já pago como multa. Seria comparado ao caso imaginário do juiz que anulou o flagrante do traficante e ficou sem saber o que fazer com a cocaína apreendida. Devolveria ou não ao traficante?
FINALMENTE..
STF reconhece: ‘o uso abusivo de ações judiciais compromete a liberdade de imprensa’.
maio 23, 2024 | Colunistas
Em seus 252 anos, Porto Alegre e outros municípios do Rio Grande do Sul, afetados pelas cheias dos corpos hídricos, decorrentes das chuvas intensas, neste momento enfrentam tragédias humanas consequentes do modelo de desenvolvimento negligente às dinâmicas naturais de cheias e secas dos corpos hídricos em seus territórios municipais.
Desde 2015, o Relatório Brasil 2040 do Governo Federal alerta para a urgência de adaptação às mudanças climáticas, visando um modelo de desenvolvimento que considere as questões climáticas e as consequências socioambientais e socioeconômicas em todas as esferas territoriais ambientais, urbanas e rurais, desde os bairros planejados até as periferias e áreas informais, bem como nos setores da economia industrial e agrícola, dentre outros correlacionados.
No ambiente construído – edificação e cidades, do desenho urbano às infraestruturas incidentes nas decisões de planejamento, observa-se inadequação e obsolescência, intensificando o impacto e agravamento sobre a ocorrência e consequências dos eventos climáticos hidrológicos extremos, sejam no excesso ou na escassez.
Torna-se evidente a urgência em dar início aos processos de adaptação ao clima e ao desastre decorrente do evento extremo, exigindo a readequação e renovação das técnicas de infraestrutura multiescalares, na dimensão do edifício ao macro e microplanejamento e gestão territorial regional (intra e intermunicipais) e metropolitana.
É insustentável não tratar da interrelação entre as questões da natureza sobre o desenvolvimento urbano – soluções baseadas na natureza e o território sensível à água, especialmente no que diz respeito à dinâmica hídrica na microescala do desenho. O transbordamento do volume do rio Guaíba é uma demonstração evidente dessas relações.
Tomando como referência a experiência da Austrália diante da “Seca do Milênio” em 2010, uma década de seca contínua, é possível desenvolver e implementar alternativas de governança socioecológica que efetivem a transição para cidades sensíveis à água.
O modelo de planejamento atrelado ao território sensível à água parte de uma compreensão do território, especialmente pelas bacias hidrográficas como unidade primária de planejamento territorial, com ênfase no valor da infraestrutura de manutenção dos serviços ecossistêmicos, além de promover a formação de comunidades sensíveis à água por meio do engajamento social.
É urgente tomar medidas emergenciais para preservar vidas contra enchentes no Rio Grande do Sul, mas é igualmente fundamental implementar ações de transição em direção ao território – cidade e campo sensíveis à água, a fim de evitar um futuro de tragédias e garantir a permanência humana nos territórios.
*Diogo Sakai é professor de arquitetura e urbanismo da Estácio e doutor em planejamento e projeto urbano e regional.
maio 23, 2024 | Colunistas
O Brasil, infelizmente, enfrenta sérios desafios em sua capacidade de gerir grandes catástrofes naturais. As enchentes no Rio Grande do Sul expuseram a falta de preparo e a ineficácia das medidas preventivas e reativas por parte dos governos, especialmente no âmbito federal. Essa falha na resposta governamental destaca uma desconexão entre a capacidade de previsão e a execução de ações eficazes para minimizar o sofrimento humano e os danos materiais.
Ao contrário do que se observa no poder público, a população demonstrou grande resiliência e nobre espírito de solidariedade. Comunidades locais e de outros estados se organizaram de forma admirável, participando ativamente do resgate de pessoas e animais, além de coordenar a distribuição de mantimentos essenciais para as famílias desabrigadas. Essa mobilização popular é um exemplo claro de como a sociedade pode se unir em momentos de crise, suprindo enormemente as lacunas deixadas pelo Estado.
As intervenções tanto do governo federal quanto do estadual foram marcadas por ineficiências, principalmente no resgate de pessoas e animais e na distribuição de recursos básicos como alimentos, água e agasalhos. Relatos de entraves burocráticos que dificultaram as ações de voluntários, vindos de várias partes do país, são especialmente preocupantes e indicam uma necessidade urgente de revisão nos protocolos de atuação em emergências.
Outra questão crítica é a ausência de um fundo financeiro destinado especificamente para o socorro imediato em catástrofes. Enquanto isso, observa-se uma disparidade nas prioridades de alocação de recursos públicos, com somas de bilhões de reais direcionadas a eventos eleitorais e incentivos culturais, cuja distribuição não atende às necessidades básicas da população mais vulnerável.
A necessidade de uma política nacional de gestão de riscos e desastres é evidente e urgente no Brasil. Essa política deve começar com a criação de um sistema de alerta precoce que seja capaz de detectar sinais de desastres naturais com antecedência suficiente para permitir a evacuação segura e a preparação das comunidades. Esse sistema deveria ser integrado com plataformas de comunicação modernas para disseminar alertas de forma eficiente e acessível, alcançando a população por múltiplos canais.
A capacitação e o treinamento contínuo do pessoal da Defesa Civil também são aspectos cruciais. É necessário que esses profissionais estejam equipados não apenas com conhecimentos técnicos, mas também com equipamentos de última geração para resgate, comunicação e logística. Investimentos em veículos especiais, embarcações e aeronaves adaptadas para resgate, sistemas de comunicação avançados e equipamentos de proteção pessoal devem ser priorizados para garantir uma resposta rápida e eficaz durante as emergências.
A logística de ação em resposta a desastres também precisa ser meticulosamente planejada e executada. Isso inclui a definição de rotas de evacuação claras, a criação de centros de abrigo temporário bem equipados, seguros e o estabelecimento de estoques de recursos críticos, como alimentos, água potável, medicamentos e agasalhos, em pontos estratégicos para rápida distribuição. A colaboração entre o governo federal, estaduais, municipais e agências não governamentais é essencial para coordenar esses esforços e garantir que os recursos sejam utilizados de maneira otimizada e não permitir como ocorreu em diversos pontos onde houve conflitos devido à falta de organização governamental.
Por fim, uma estratégia eficaz de mitigação de desastres deve incluir um componente de revisão e melhoria contínua. Após cada desastre, é vital conduzir análises detalhadas do que funcionou e do que não funcionou na resposta à emergência. Aprender com cada evento e adaptar a estratégia de gestão de riscos é fundamental para aprimorar constantemente as capacidades do país em lidar com catástrofes naturais, tornando cada resposta subsequente mais eficiente e menos impactante para a população. Implementar essas medidas pode transformar profundamente a maneira como o Brasil enfrenta suas frequentes e variadas emergências naturais.
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fundada há 200 anos e que não possui clero remunerado, é um bom exemplo ao Governo Brasileiro de ajuda humanitária. Com sede em quase todo o mundo, ela desenvolve um dos maiores programas de ajuda ao próximo – principalmente em situação de calamidade – do mundo.
Não é à toa que seus membros, voluntários, estão entre os primeiros a chegarem em locais onde ocorrem sinistros como esse no Rio Grande do Sul. Chega com auxílio de mão de obra e toneladas de alimentos, roupas, agasalhos, cobertores, água e outros materiais e equipamentos para o resgate e o acolhimento das vítimas.
A igreja mantém grandes depósitos de produtos e materiais para as mais variadas situações de catástrofe, para utilização em qualquer lugar do mundo. Ela freta aviões e carretas para conduzir esses materiais para os locais necessários de forma extremamente organizada. Seus membros recebem treinamentos, inclusive de primeiros socorros, para serem mais úteis durante as operações que realizam.
A situação do Rio Grande do Sul é crítica e as coisas ficarão muito mais delicadas depois que as águas baixarem e as famílias terem que voltar para reconstruir absolutamente tudo. Elas precisam muito da ajuda de todos e o poder público tem grande responsabilidade nessa reconstrução. Espera-se, no entanto, que no final, as cidades gaúchas arrasadas e as famílias desabrigadas não fiquem no esquecimento como o judiciário e o executivo federal fizeram com as famílias de Brumadinho.
*Jornalista e Professor.
maio 20, 2024 | Colunistas
Empreender envolve correr riscos e encontrar soluções para os problemas das pessoas. Identificar uma necessidade, ou falta no mercado, e trabalhar para oferecer uma solução são a essência do empreendedorismo. Focar em resolver problemas e atender às necessidades do público-alvo é uma abordagem sólida para quem deseja empreender com sucesso.
Sempre tive a mentalidade empreendedora presente em todas as fases da minha vida, desde as atividades iniciais até o momento em que compartilhei conhecimento e experiência em sala de aula. Minha preocupação sempre foi em oferecer o melhor serviço, resolver problemas e gerar bem-estar nas pessoas.
Agora na minha transição de carreira busco sempre ter a abordagem centrada no cliente e no impacto positivo. Isso é fundamental para o sucesso em diversas áreas, desde o empreendedorismo até a educação.
Já pensando na minha equipe, uma dica é comunique-se eficazmente! Acho fundamental dar adeus às reuniões longas e ineficientes. Opte por encontros breves, claros e objetivos. Alinhe-se, crie briefings e certifique-se que seu time entendeu e está tudo claro para as metas estarem alinhadas. Lembre-se de que a comunicação é a chave para o sucesso empresarial.
Compreendo a importância da comunicação eficaz nas empresas e como reuniões claras e concisas podem contribuir para melhorar esse aspecto. É essencial que as interações entre as pessoas sejam diretas e alinhadas com objetivos específicos, evitando desperdício de tempo e garantindo que todos estejam em sintonia.
Logo, a comunicação clara é fundamental para o bom funcionamento de uma empresa e para o alcance dos objetivos propostos. Fique atento! Resolva problemas dos seus clientes e tenha mais sucesso como empreendedor.
(*) Leonardo Chucrute CEO do Zerohum, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.
*Leonardo Chucrute é Gestor em Educação e CEO do Zerohum
Agência Drumond – Assessoria de Comunicação – Joyce Nogueira
maio 18, 2024 | Colunistas
Maio Roxo é o mês de conscientização das doenças inflamatórias intestinais (DIIs), grupo de doenças inflamatórias do trato digestivo, de caráter imunomediado, cujos principais representantes são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), as DII afetam mais de 5 milhões de pessoas no mundo, com os casos no Brasil em ascensão, atingindo 100 a cada 100 mil habitantes, com maiores concentrações no Sul e no Sudeste do país.
As DIIs são caracterizadas por inflamações no revestimento intestinal, que podem se manifestar de diferentes maneiras. A doença de Crohn, por exemplo, provoca inflamações em todo o trato digestivo, desde a boca até o ânus, enquanto a colite ulcerativa causa inflamações e úlceras no reto e intestino grosso. É essencial diferenciar as DIIs da Síndrome do Intestino Irritável (SII), que não prejudica as paredes do intestino e não evolui para quadros clínicos mais graves, apesar de apresentar sintomas semelhantes, como dores intestinais, diarreia e constipação.
Os com DIIs enfrentam desafios adicionais, podendo enfrentar complicações graves e até necessidades cirúrgicas. De acordo com a Organização Brasileira da Doença Crohn e Colite, esses pacientes têm um risco aumentado de desenvolver câncer colorretal, especialmente com o passar do tempo desde o diagnóstico. Esse risco destaca a importância da monitoração regular para prevenir o desenvolvimento da doença ou permitir intervenções precoces e mais efetivas em caso de diagnóstico de câncer.
Além disso, o tratamento das DIIs visa controlar a inflamação intestinal e aliviar os sintomas. Isso pode envolver o uso de medicamentos, como anti-inflamatórios, imunossupressores e biológicos, dependendo da gravidade e da extensão da doença. Em casos graves, pode ser necessária a intervenção cirúrgica para remover partes do intestino afetadas pela doença.
É fundamental que os pacientes com DIIs recebam acompanhamento médico regular e sigam as orientações do profissional de saúde para gerenciar a doença de forma eficaz e minimizar o impacto na qualidade de vida. A conscientização sobre as DIIs durante o Maio Roxo é essencial para promover a compreensão e o apoio a esses pacientes, além de incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de novas terapias para melhorar o tratamento dessas condições.
*Liliane Trivellato Grassi é doutora em engenharia biomédica e professora do IDOMED. Liliane Trivellato Grassi*