ago 5, 2025 | Colunistas
Era início dos anos 90. Jovem repórter, com sonhos efervescentes e planos a perder de vista, eu havia acabado de receber uma quantia significativa por um trabalho jornalístico extra. Caminhava feliz pela Rua 26 de Agosto, em Campo Grande, com a mente tomada por ideias sobre como aproveitar aquele dinheiro num feriado prolongado de Carnaval que se anunciava. Sentia-me realizado. Mas a vida, com sua maneira peculiar de ensinar, colocou diante de mim uma cena que interrompeu bruscamente aqueles pensamentos festivos e abriu em mim uma ferida doce: o despertar da compaixão.
Foi numa esquina com a Rua 13 de Maio que os vi. Uma família inteira — pai, mãe e quatro crianças — avançava lentamente pela calçada, carregando nas mãos sacolas, malas e no corpo o peso visível de uma vida sofrida. A mãe levava ao colo um bebê visivelmente enfermo, e mesmo exausta, equilibrava com o outro braço uma bagagem pesada. As crianças, todas pequenas, se esforçavam para ajudar. A imagem parecia ter saído de um livro de realismo dolorido: roupas surradas, rostos pálidos, olhos fundos, mas… nenhum murmúrio, nenhuma reclamação. Apenas a dignidade silenciosa dos que já nasceram em luta.
A cena ficou ainda mais angustiante quando o bebê, em meio ao esforço da caminhada, lançou um jato de vômito ao chão. A mãe mal teve tempo de reagir. Apenas parou. Foi quando me aproximei, chocado e comovido, e ofereci ajuda. Pararam a caminhada e as crianças, aproveitaram para descansar. Conversamos. Eram do Nordeste brasileiro. Haviam sido contratados para trabalhar numa propriedade rural no interior de Mato Grosso do Sul, mas foram dispensados sem aviso, sem recursos, sem acolhimento. O capataz os deixou próximos à rodoviária com alguns trocados e nenhum destino. Campo Grande era apenas mais uma cidade no meio de um caminho incerto.
Enquanto escutava aquele relato, olhava para os pequenos. Um deles, o mais velho, devia ter uns 10 anos. A expressão do seu rosto não era a de uma criança, mas de um adulto calejado. Sustentava com firmeza a sacola que carregava e parecia determinado a não fraquejar diante dos pais e dos irmãos menores. Era como se já soubesse que a vida não lhe daria tréguas. Nunca mais esqueci aquele olhar — firme, silencioso, responsável. Aquela criança, naquele instante, parecia mais madura do que muitos adultos que conheci na vida.
Sem pensar duas vezes, tirei do bolso todo o valor que havia recebido e entreguei ao pai da família. Ele recusou de imediato. Disse que era muito dinheiro. Mas insisti, pedi que usassem para resolver as necessidades mais urgentes, sobretudo o tratamento da criança. A mãe, em lágrimas contidas, me agradeceu. Eu me afastei, com o coração apertado, tentando evitar que devolvessem. Mas ao andar algumas quadras, fui tomado por um sentimento de arrependimento. Eu deveria ter feito mais. Poderia tê-los levado a algum abrigo, buscado uma instituição, indicado um trabalho. Voltei ao local. Procurei em vão. Eles haviam desaparecido pelas ruas da cidade. E eu fiquei com aquela cena gravada na alma para sempre. Ajudar é necessário. Mas ajudar com planejamento e responsabilidade é ainda mais valioso.
Esses sentimentos não nasceram por acaso. Desde pequeno fui levado a observar o outro com os olhos da empatia. Lembro de um episódio da infância, em Corumbá. Certo dia, fui chamar um colega para irmos juntos à escola. Ao chegar à sua casa, vi seus irmãos à mesa, almoçando apenas arroz branco. Aquilo me cortou o coração. Não era um acaso, percebi depois. A escassez ali era rotina.
Naquela época, meu pai, Manoel Dantas de Oliveira, que já havia deixado a Marinha, trabalhava agora comandando navios do Serviço de Navegação da Bacia do Prata, costumava trazer muitos alimentos quando voltava das viagens: sacos de charque, arroz, feijão, farinha, rapadura, frutas, legumes, queijo… Nossa casa era farta. Diante da cena de miséria, não hesitei: peguei uma sacola, escondido, e juntei alguns alimentos para levar à família do meu amigo. Minha mãe, Dair Aquino, ao perceber meu movimento, me deteve para conversar. Não me censurou. Mas me ensinou. Deu-me um longo e firme sermão sobre a importância da honestidade, mesmo diante de causas nobres. Disse que ser honesto com os pais era também uma forma de ser digno diante de Deus. E, ao final, me ajudou a completar a sacola e me acompanhou no gesto de doação.
Aquela foi apenas uma variação de uma lição anterior que meu pai me ensinara quando eu tinha cerca de oito anos. Certo dia, no caminho de volta da escola, encontrei uma bola de futebol novinha entre uns arbustos. Corri para casa com ela, feliz da vida. Mas a alegria durou pouco. Meu Pai me olhou nos olhos e disse, com a calma dos homens justos: “Essa bola não é sua. Ela tem dono. E se tem dono, você não pode ficar com ela.” E me fez voltar ao local e deixá-la onde a havia encontrado. Aquilo me custou lágrimas e frustração, mas foi uma das maiores lições de retidão que recebi na vida.
Hoje, olhando para essas e tantas outras histórias ao longo de minha jornada, percebo o quanto somos moldados pelas dores nossas e dos outros — e também pelas lições dos nossos pais. O sofrimento alheio é uma escola que não cobra matrícula, mas exige sensibilidade para aprender. Ele nos humaniza, nos tira do centro do mundo e nos lembra que sempre há quem precise de nós — de nossa atenção, de nosso tempo, de nosso olhar, de nossa ação.
Que possamos, todos nós, aprender a olhar para o próximo com mais empatia. Que não passemos indiferentes pelos que sofrem à nossa volta. Às vezes, a maior bênção que podemos oferecer não é o que damos, mas o modo como nos envolvemos. O mundo precisa de mais mãos estendidas, corações atentos e gestos concretos de amor.
Como ensinou o Senhor Jesus Cristo: “Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:40). E ainda: “Quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus.”
(Mosias 2:17 — O Livro de Mórmon)
Que essas palavras nos inspirem a sermos mais sensíveis, generosos e prontos a agir. Se cada um de nós fizer um pouco, esse pouco pode se tornar tudo na vida de alguém.
*Jornalista e Professor
wilsonaquino2012@gmail.com
ago 4, 2025 | Colunistas
CONCORDA? Nunca tivemos período eleitoral tão longo. Parece que o pleito de 2022 ainda não acabou e por outro lado, as eleições de 2026 já vivem um clima efervescente contra um adversário fantasma e por cima inelegível. Independentemente da ideologia de quem vença, o país continua assombrado por desigualdade, corrupção e violência.
EXPLICO: Uma sucessão de fatos tem ocorrido, acentuando a visível divisão do eleitorado nos últimos anos. O que era apenas o livre arbítrio de escolha, transformou-se numa espécie de vingança temperada com ódio. A oposição ao Planalto, inconformada, se recusa a baixar a guarda e pode radicalizar ainda mais. Tempos nervosos.
ALÉM FRONTEIRAS: Os casos da deputada Carla Zambelli, do deputado Carlos Bolsonaro nos ‘U.S.A’ e a batalha diplomática das tarifas comerciais da Casa Branca são ingredientes do pacote eleitoral. Não há como desassociá-los, a exemplo da decisão do STF quanto ao futuro do ex-presidente Bolsonaro. Uma coisa é ligada a outra.
PRATO CHEIO: Politicamente Lula não tem do que reclamar. Aproveita da situação como paladino defendendo o país contra sanções recomendadas por adversários locais. Aliás, o deputado Carlos Bolsonaro, nos Estados Unidos, tem tornado público suas ações para penalizar o Brasil com altas tarifas de importação. Um tiro no pé dele e ‘picanha para todos’.
SORTE DELE: Lula ampliou sua imagem eleitoreira de caráter nacionalista como retratou um jornal americano com o título: “Ninguém desafia Trump como o presidente do Brasil”. Se para nós a ousadia dele não passaria de blefe, pode ter efeito ao contrário junto a comunidade internacional. É como no truco: as vezes vence pelo alto tom do grito que intimida.
SAIA JUSTA: Qual o argumento para destruir ou amenizar os estragos à nossa economia justamente por conta deste imbróglio das tarifas? Convenhamos – essa ‘empreitada’ do deputado Carlos Bolsonaro como ‘conselheiro’ na Casa Branca, já é comparável as obras do ‘Amigo da Onça’ criada pelo cartunista Péricles.
CANHÃO: Em qualquer eleição, a força do mandato pode ser determinante para a vitória. Estamos vendo nas últimas pesquisas, e comparando com as anteriores, de que o governo atual vem se recuperando em várias classes sociais exatamente pelo discurso de ‘defender a soberania’ que anda mexendo com a sensibilidade do brasileiro.
DONALD TRUMP: Sua imagem está diluindo como uma nuvem em céu azul. Sua credibilidade em baixa por declarações e posturas contraditórias. Comete equívocos criticados inclusive em seu país. Nestas horas, percebe-se a escassez de líderes do porte de um Franklin D. Roosevelt e Theodore Roosevelt. A mediocridade em alta.
RETALIAÇÕES: Nos debates, não há opiniões seguras que embasem apoio às medidas do Governo americano contra o ministro Alexandre de Moraes. O que se conclui é que esse fato não ajuda eleitoralmente a oposição ao Planalto. Pelo contrário: transformou-se em munição ao presidente Lula. Bobagem atrás de bobagem.
BENEFÍCIOS: Para os observadores alguns personagens acabaram se beneficiando com a novela das tarifas. Se no plano nacional o vice presidente Alckmin ressurgiu com ações, pronunciamentos e entrevistas, aqui os senadores Nelsinho Trad e Tereza Cristina – também saíram no ganho com a intensa exposição na mídia. Bônus do cargo.
OPINIÕES: Uma delas é que os oposicionistas ao Palácio do Planalto, até agora não conseguiram uma postura única, desprendida do discurso e ações do ex-presidente Bolsonaro. Seria o chamado ‘voo solo’, acrescido de falas e projetos diferenciados. Essa dependência, uma espécie de cordão umbilical, já é visto como prejudicial.
SEM RODEIOS: Ao seu estilo moderado, o prefeito de Dourados Marçal Filho (PSDB) discorreu ao colunista sobre o semestre inicial de gestão. Reconheceu as dificuldades (já previstas) e mostrou as conquistas. Sobre a sua postura em 2026, alerta: retribuirá com seu apoio só os políticos que estão direcionando recursos para Dourados.
SAÚDE: Marçal reconhece A gravidade. A prefeitura ‘banca’ um hospital que atende mais de 30 cidades da região populosa. Político sensato, o prefeito sabe; reclamar não ajuda e até usa da criatividade para solucionar antigos desafios. Elogiando a Câmara, lembrou ter encontrado a ‘casa’ perto do limite permitido com gastos de funcionários.
OTIMISMO: O aspecto da paisagem urbana de Dourados agrada: vimos ruas limpas, praças bem cuidadas e o clima de bem estar coletivo. Aliás, das pessoas consultadas informalmente na comunidade sobre o desempenho da administração – só ouvimos manifestações positivas, o que representa credibilidade da atual gestão.
DESEMPENHO: Prefeita Adriane Lopes (PP) anunciará no dia 4 de agosto a relação das 100 obras concluídas na capital. Aliás, depois de 33 anos foram retomadas as obras de contenção do Córrego Anhandui (Av. Ernesto Geisel) e 65% delas já concluídas. A prefeita vetou vários trechos da LDO para 2026, definindo prioridades de Campo Grande. Vida que segue.
DANÇARAM: A perda do mandato de 7 deputados federais por fraudes das sobras eleitorais, alerta para 2026. As sobras eleitorais correspondem aos votos que ‘restam’ quando, após a distribuição das cadeiras na Câmara, faltam vagas a serem preenchidas. Ocorre porque os pleitos para vereador e deputado são proporcionais, seguem a regras do quociente eleitoral e quociente partidário – o total de votos no partido decide a quantos assentos ele terá direito, e estes divididos de acordo os mais votados.
REFLEXÃO: “…Gente que gosta de viver se abre, se mostra, se assume. Não tem vergonha em não caber nos roteiros já estabelecidos, conta a história como quer, risca cenários cansados e escreve seus próprios atos com tina fluorescente. Abre caminhos e leva os outros pela mão. É generosa porque sabe que a vida é partilha. ” (Maríliz Pereira Jorge – FSP).
POLÍTICA E RELIGIÃO: “…A religião é imposta e usada como joguete político, desconsiderando até mesmo a imperfeição dos líderes religiosos todos dias expostos a toda forma de crimes. Impor Deus nunca foi a vontade de Jesus. Jesus usava parábolas como reflexão. Não usava palavras impositivas ou de ódio. Tantos países e povos não professam a fé cristã e nem por isso são sociedades melhores ou piores que a gente…”. (João A. Parra)
CONCLUSÃO:
Se 89% dos brasileiros acham que o tarifaço do Trump vai prejudicar a nossa economia, 99,9% não sabem explicar o que é economia.
ago 4, 2025 | Colunistas
O ministro dos Transportes do governo Lula (PT), Renan Filho (MDB), afirmou que pretende acabar com a obrigatoriedade de aulas em autoescolas para que o cidadão possa obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Assisti sua entrevista aonde ele classificou o processo atual como “caro, trabalhoso e demorado” — o que, segundo ele, impede que milhões de brasileiros obtenham a habilitação. Renan destacou que, atualmente, cerca de 60 milhões de pessoas têm idade para tirar a CNH no Brasil, mas muitas conduzem sem carteira ou simplesmente não dirigem. Um dos principais motivos apontados por ele é o custo elevado, sobretudo entre os mais pobres, pois, conforme afirmou, o valor necessário para tirar a carteira é semelhante ao de uma moto usada. “Se a pessoa tem dinheiro apenas para uma das duas coisas, ela opta por comprar a moto”, disse.
O ministro também mencionou que em algumas regiões do Brasil, quase 40% dos motociclistas circulam sem habilitação, o que evidencia, segundo ele, a ineficiência e o caráter excludente do atual modelo. Renan acrescentou ainda que a demora na obtenção da CNH é um dos principais obstáculos relatados pelo setor produtivo para contratar caminhoneiros. A proposta do governo é eliminar a exigência de carga horária obrigatória em autoescolas, permitindo que o candidato faça a prova de direção sem ter que pagar por aulas. Para o ministro, exigir que a pessoa faça autoescola a fim de tirar carteira é como obrigar o estudante a fazer cursinho para entrar em uma universidade pública.
Atualmente, para obter uma CNH nas Categorias A (motos e triciclos) ou B (carros de passeio), o candidato precisa fazer um curso teórico de ao menos 45 horas-aula, além de aulas práticas com pelo menos 20 horas-aula. Essa exigência é regulamentada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), bem como prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Lei 9.503 de 1997. Há ainda exigência de taxas e três exames: Aptidão Física e Mental, Teórico-técnico e prova Prática Veicular. Fui procurado por instrutores de autoescolas que perguntaram desta possibilidade. Respondi que existem textos no Congresso Nacional sobre o tema. O projeto de Lei 4474/2020, proposto pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) busca fazer a mesma alteração proposta pelo governo. Ele tramita em conjunto ao PL 3781/19 e outros 182 que também alteram o Código de Trânsito. Esse processo custa, em média, R$ 3.200, sendo cerca de R$ 2.500 destinados à autoescola e R$ 700 em taxas.
O novo modelo se baseia em experiências de países como Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e Uruguai, onde a formação é mais autônoma e centrada nas avaliações finais. O candidato poderá estudar por conta própria, contratar um instrutor autônomo credenciado ou seguir com o modelo tradicional das autoescolas. sobretudo pelo anúncio sem debate. “Se o governo alega que o motivo é o alto custo para aquisição da CNH, não há nenhuma movimentação para que taxas de serviços que compõem o valor final para o usuário sejam reduzidas. Um projeto de lei apresentado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, Gerson Claro (PP) pretende garantir mais recursos para o Programa CNH MS Social, que oferece a primeira habilitação gratuita para pessoas de baixa renda em Mato Grosso do Sul.
A proposta prevê a alteração da lei para permitir que parte da arrecadação com multas de trânsito seja usada para custear o programa. Na justificativa, o deputado destaca que a mudança ajusta a legislação estadual à nova Lei Federal nº 15.153, sancionada no fim de junho deste ano, e que começa a valer em 12 de agosto, que autoriza o uso das multas para esse tipo de finalidade social. Neste particular desde 2021, já foram beneficiados 1.039 pessoas, que tiveram a habilitação custeada pelo Programa CNH MS Social.
O Detran-MS concede a isenção das taxas devidas à autarquia (que somam em torno de R$ 700,00) e paga com recursos próprios o processo de formação dos futuros motoristas (aulas práticas e teóricas), além do exame médico e psicotécnico. Se for desta forma melhor segui as condições mexicanas. Uma das melhores coisas sobre tirar a carteira de motorista no México é que você não precisa planejar muito.
Na verdade, você pode acordar uma manhã e decidir que vai conseguir. Basta ir à delegacia de polícia estadual, onde ficam os cartórios de registro e licenciamento de veículos. Os cartórios de registro e licenciamento podem estar localizados separadamente em alguns lugares, como em Mérida. Observação: os custos de inscrição variam entre 600 e 1.000 pesos (US$ 32 a US$ 55). Leve dinheiro em espécie caso não aceitem pagamento com cartão.
E pronto, no mesmo dia consegue sua habilitação. Eu apenas aproveito o ensejo para lembrar que melhorias no trânsito não se faz por decreto. Inicia, por exemplo em um razoável pavimento nas ruas, e depois as questões de trânsito são nacionais, apesar de cada canto do Brasil ter as suas peculiaridades. Devem ser chamados tanto os especialistas em trânsito como a população. Afinal o trânsito é direito de todos.
Para finalizar, quero recordar que inicialmente o homem só andava a pé e só levava consigo o que podia carregar. Desta forma, um homem sadio e forte transitava por 30 quilômetros em um dia, carregando ao redor de 40 quilos, no máximo. Após dominar os primeiros animais, o homem passou a deslocar-se montado, mais veloz, com maior alcance que anteriormente e capaz de levar mais carga a cada vez. Somente após inventar a roda foi que o homem construiu, na China, o seu primeiro carrinho de mão. Adiante, foi feita a primeira carroça com tração ainda humana, substituída depois pela tração animal. Hoje, veículos movidos a óleo diesel emitem gás carbônico, monóxido de carbono, sólidos em suspensão (fumaça) e a diasina, uma substância tóxica que irrita as mucosas, com efeitos prejudiciais para a saúde. Ou seja o trânsito envolve todos os setores da sociedade, direitos trabalhistas a meio ambiente, e sendo assim em nenhuma hipótese pode ser apontada qualquer definição sem um amplo debate com a sociedade e para isso existe inclusive as câmaras temáticas do Contran..
*Articulista
jul 28, 2025 | Colunistas
O que é mais seguro para uma família com filhos pequenos e piscina em casa: cercar a área ou ensinar as crianças a nadar? Cercar pode parecer mais fácil, mas ensinar a nadar é, sem dúvida, o caminho mais seguro e duradouro. É por isso que, nas famílias em que as crianças sabem nadar, os acidentes são raríssimos.
Foi com essa visão de prevenção e sabedoria que meu querido pai, então um jovem marinheiro baiano, de carreira, em Corumbá, nos anos 60, decidiu nos ensinar desde cedo a nadar com segurança nas águas do Rio Paraguai e de sua vasta bacia — onde passávamos muitos finais de semana em família, em meio à natureza e à alegria simples da vida.
Mas ele foi além. Quando percebeu que eu gostava da rua, da bola, da pandorga, do pião e da disputa da bolita com os meninos da 21 de Setembro, onde morávamos, e que, vez ou outra, me envolvia em brigas de menino, decidiu nos ensinar, a mim e ao meu irmão Rubens, a lutar. Mas não para brigar — e sim, para evitar a briga.
Acordávamos às quatro da manhã. Nosso “campo de treino” era o quintal de casa, onde praticávamos socos e chutes em sacos de areia, em sessões orientadas por ele, que dizia sempre: “Quero que aprendam a lutar para que nunca precisem brigar.” Depois, banho gelado para despertar o corpo e o espírito, e em seguida íamos para a mesa de estudo e leitura.
No começo, confesso, era difícil compreender. Mas com o tempo percebi: ao saber que tinha força, autocontrole, habilidade e, acima de tudo, humildade, ensinados por ele, nunca mais precisei provar isso a ninguém. A segurança que aquilo me dava era suficiente para afastar qualquer confronto.
E funcionou. Raramente me envolvia em brigas, e nunca as provocava. Ao contrário, tornei-me aquele que buscava acalmar os ânimos, separar discussões, evitar conflitos. Como ensina a Escritura: “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro; mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade.” (Provérbios 16:32)
Esse aprendizado ganhou ainda mais força quando, mesmo ainda jovem, comecei a me fortalecer espiritualmente. Entendi que a violência — assim como a desonestidade e outras atitudes nocivas — não agradam a Deus. “Porque eis que aquele que tem o espírito de contenda não é meu; mas é do diabo, que é o pai da contenda.” (3 Néfi 11:29)
Desde cedo passei a orientar outras pessoas, muitas vezes mais velhas do que eu. Sentia como um dever oferecer conselhos, conforto e esperança — especialmente àqueles que atravessavam momentos difíceis.
Recordo, com carinho, de um episódio marcante da juventude. Uma amiga teve uma discussão séria com a mãe. Magoadas por questões antigas mal resolvidas e que se arrastavam há muito tempo, trocaram palavras duras. A filha, impulsiva e ferida, fez as malas e se mudou temporariamente para a casa de uma vizinha, também nossa amiga, até decidir que rumo daria à sua vida.
Vi ali duas mulheres que se amavam profundamente, mas estavam separadas por mágoas profundas e orgulho. Senti, naquele momento, um chamado. Conversei com ela de forma sincera, direta, inspirada por Deus. No final, sugeri que escrevesse uma carta para a mãe, expressando seu verdadeiro amor, arrependimento pelas palavras ditas e o desejo de ter a sua bênção para sua nova jornada. Enquanto isso, fui a uma floricultura e comprei um grande buquê de rosas.
No fim daquela tarde, ela voltou à casa da mãe com a carta e as flores. Ao recebê-las, a mãe caiu em lágrimas. As duas se abraçaram chorando, como se o tempo tivesse parado. A barreira que as separava desmoronou. O amor venceu.
Como ensina o Salvador: “Se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão.” (Mateus 5:23-24)
Até hoje, essa amiga relembra aquele momento com gratidão. Foi um ponto de virada na relação delas e em sua própria jornada.
A vida é uma luta diária. Mas aprendi que não se luta com os punhos, e sim com o coração. E principalmente com a ajuda do Senhor, que nunca nos deixa sós. “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.” (Salmo 46:1). Ele nos sussurra o que fazer, nos momentos certos, se estivermos dispostos a ouvir.
Desde jovem, o Senhor tem sido meu mestre na luta contra o mal, contra as injustiças e tudo o que afasta as pessoas do bem. É na Sua palavra que encontro forças para consolar os aflitos, cuidar dos feridos da alma e ajudar os que sofrem. “Portanto, armai-vos com toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau.” (Alma 37:33)
Sou profundamente grato por esse poder divino que atua em nossas vidas. Porque, por maiores que sejam os desafios, feridas e decepções que enfrentamos no dia a dia, o Senhor nos consola e nos cura. “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5:9)
E é por isso que faço questão de falar Dele. Para que mais pessoas O conheçam, se aproximem Dele e encontrem essa mesma paz e força que transformam vidas.
*Jornalista e Professor
wilsonaquino2012@gmail.com
jul 26, 2025 | Colunistas
O Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha é celebrado dia 25 de julho. Nessa mesma data, também é comemorado o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Em 1992, um grupo de mulheres negras oriundas dos países da América Latina reuniu-se em Santo Domingos, na República Dominicana, para a realização do primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas. Foi um momento em que discutiram problemas que afetam a todas as mulheres em geral, como: formação educacional, profissional e maternidade.
Não obstante, no entanto, também trataram de questões específicas, como o racismo, preconceito e a situação de inferioridade que se encontram em relação às mulheres brancas. A fim de chamar a atenção para esta problemática, a data de 25 de julho ficou estabelecida como o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. Em 2014, de acordo com a Lei Nº 12.987, de 2 de junho, 25 de julho foi instituído o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Símbolo de resistência e liderança na luta contra a escravização, Tereza de Benguela, ou ‘‘Rainha Tereza”, viveu no século 18 e assumiu a liderança do Quilombo de Quaritetê chefiado pelo marido, José Piolho, depois que ele foi assassinado, em Mato Grosso. Tereza apoiou a luta da comunidade negra e indígena contra a escravidão por duas décadas. A data ficou para lembrar a luta das mulheres contra a escravização. E assim inúmeras outras mulheres se engajaram nessa luta e são lembradas. É o caso, em Corumbá das mulheres que lutaram muito para o reconhecimento das três Comunidades Quilombolas, a Campos Correia, Ozório e Maria Tenório. Além de, Cristina Souza Ramos, do Hospital Rosa Pedrossian, homenageada pelo atuante vereador André Luis, justificado pelos atos proativos de distribuir trechos impressos do livro: “Pequeno Principe- Um olhar Poético”, para que as mães das crianças submetidas ao tratamento quimioterápico, tivessem momentos de enlevo e alento durante sua submissão.
Em Três Lagoas, Cidolina de Fátima da Silva Souza, que aos seis meses de idade perdeu sua mãe. Após discussão, o pai de Cidolina esfaqueou sua mãe que morreu na segunda facada, mas não contente ainda a esfaqueou sete vezes, sem piedade. Teve problemas com o marido, quando se casou aos 18 anos e hoje diz ser a historia viva do feminicídio e da violência doméstica. Atualmente, professora aposentada é membro do Conselho Municipal dos Direitos do Negro. Outro exemplo; foi dado no dia do meu aniversário, em abril. “Parecia até mentira. Aretha, 37 anos de idade, nove de montanhismo, teve que se beliscar. Foi dentro do avião da Qatar Airways que ela, pela primeira vez em um ano de trabalho árduo, fechou os olhos e disse a si mesma: Uau, está acontecendo!’” O trecho acima faz parte da biografia “Da Sucata ao Everest” – A Saga de Aretha Duarte (Dialogar), escrita por Débora Rubin e Rodrigo Grilo. A obra narra de forma envolvente a trajetória do Jardim Capivari, bairro da periferia de Campinas onde Aretha Duarte cresceu, até o cume do Everest, em uma saga inspiradora realizada em 2021.
Para chegar no alto dos 8.849 metros da montanha mais alta do mundo, a paulista decidiu coletar materiais recicláveis para juntar recursos durante a pandemia. Ela passou a separar e levar para o ferro-velho papel e plástico descartados de uma fábrica, para que a montanhista chegasse no topo do mundo. E da mesma forma Valéria Almeida, indicada para o Oscar Tributo 2025. Um prêmio de reconhecimento do que se faz com amor e arte pelas tradições culturais e apoio as causas dos vulneráveis. Isto posto, a partir do sobredito, não há dúvida de que enfrentar o epistemicídio, é essencial para fortalecer a existência das diferenças.
*Articulista
jul 18, 2025 | Colunistas
Vivemos dias sombrios no Brasil, em que a desonestidade se banalizou de tal maneira que até mesmo autoridades — aquelas que deveriam ser o exemplo máximo de integridade e honradez — protagonizam escândalos de corrupção, lesando o patrimônio público em benefício próprio e alimentando esquemas que favorecem grupos restritos, em detrimento da coletividade. Diante disso, me pego muitas vezes refletindo: onde tudo isso começa? Como é que jovens e adultos, inclusive vindos de famílias aparentemente bem estruturadas, caem na tentação de furtar, roubar e enganar? Que tipo de educação moral receberam?
Não é possível dissociar essa crise de caráter da falência, em muitos lares, da formação ética. A escola tem seu papel, sem dúvida, mas a base é o lar. É no seio da família que o senso de certo e errado deve ser ensinado com firmeza e exemplo. E a honestidade não se aprende com discursos genéricos, mas com atitudes concretas, repetidas no cotidiano. O que se planta no coração de uma criança, germina no comportamento do adulto.
Lembro-me de uma recomendação que sempre dou aos pais, inclusive a mim mesmo: ao chegar da escola, revisem a mochila dos seus filhos. Verifiquem se os objetos que ali estão — mesmo os mais simples, como lápis e borracha — são os mesmos que vocês compraram. Parece exagero, mas é nesse nível que se molda o caráter. Um simples lápis “trazido por engano” pode ser o primeiro passo para a normalização do furto. Se esse ato não for corrigido com diálogo firme e carinhoso, pode se enraizar e se tornar hábito.
O campo fértil da desonestidade ainda se amplia quando a educação, em vez de ensinar responsabilidade e mérito, instila ressentimentos sociais, promovendo uma visão de “nós contra eles” — pobres contra ricos — como se a injustiça social justificasse o erro individual. Nada justifica a desonestidade. Nenhuma ideologia redime o roubo, o engano ou o abuso de poder.
A honestidade é uma virtude que nasce no espírito e é nutrida pelo exemplo. Mesmo os que não tiveram pais presentes ou uma formação religiosa sólida podem desenvolver um caráter íntegro se forem expostos a boas influências, exemplos corretos e escolhas conscientes. Mas para a maioria, o lar é a escola onde a consciência moral é moldada. Como dizia meu pai: “Você pode ensinar o certo com palavras, mas só forma caráter com o exemplo.” Não adianta exigir de um filho que seja honesto, se dentro de casa ele presencia pequenos atos de engano, mentira ou desrespeito à propriedade alheia.
A Palavra de Deus confirma essa verdade com clareza. Em Provérbios 22:6, lemos: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” Essa instrução não é apenas ensinar o que está certo, mas mostrar com ações, com o que se vive. Jesus Cristo também foi firme ao ensinar a integridade: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não” (Mateus 5:37). O Filho de Deus, em sua vida mortal, jamais cedeu à tentação de tirar vantagem de ninguém — e foi por isso que se tornou o exemplo perfeito de retidão.
A desonestidade nunca é um pecado isolado — ela contamina, corrói e destrói. Um político que desvia verba da saúde não está apenas cometendo um crime técnico, mas tirando a vida de pessoas que ficaram sem atendimento. Um empresário que frauda impostos, um servidor que aceita propina ou um cidadão que mente para se beneficiar de programas sociais está ferindo o pacto coletivo de justiça e equidade. O pequeno ato desonesto de hoje é a injustiça institucionalizada de amanhã.
Por isso, é urgente que nossos líderes — sejam eles políticos, religiosos, educadores ou formadores de opinião — entendam a responsabilidade de seu exemplo. Não há sociedade que prospere onde os que deveriam guiar se entregam à mentira e ao roubo. Como disse certa vez o profeta Isaías: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal” (Isaías 5:20). Quando a sociedade perde a capacidade de se indignar com o errado, e até o justifica, instala-se o caos moral.
Cabe a cada um de nós a missão de ser um guardião da honestidade. Que não aceitemos o “jeitinho” como desculpa, nem o silêncio como conivência. Que formemos nossos filhos como homens e mulheres de verdade, capazes de devolver uma moeda caída, de resistir à tentação de mentir, de honrar cada compromisso assumido. A reconstrução do Brasil não se fará apenas com reformas econômicas ou políticas — mas com uma reforma moral nas famílias, nas escolas, nas igrejas e em cada coração.
Nunca me esqueço da primeira grande lição prática que recebi de meu pai, Manoel Dantas de Oliveira — um baiano honrado e aventureiro que deixou sua terra natal para servir à Pátria na Marinha do Brasil, na cidade de Corumbá-MS, na década de 50. Eu tinha menos de 10 anos quando encontrei, no caminho da escola, uma bola de futebol perdida em meio a arbustos. Voltei para casa empolgado, acreditando que havia sido premiado pela sorte. Mas meu pai, com aquele olhar firme e ao mesmo tempo sereno, me chamou, olhou nos meus olhos e me disse com voz calma, porém inegociável: “Essa bola não é sua. Volte e coloque-a exatamente onde a encontrou. O que não é seu, não deve estar com você.”
Naquele momento, entendi — não com palavras, mas com a força do exemplo — o verdadeiro sentido da honestidade. Ele me explicou que, exceto por documentos ou objetos que permitissem identificar e localizar o dono, nada deveria ser levado para casa. E completou: “Nunca aceite recompensa por fazer o certo. Fazer o certo é nossa obrigação.”
Essas lições me acompanharam por toda a vida. Já encontrei celulares, carteiras recheadas de dinheiro, objetos de valor — e mesmo em momentos difíceis, em que os recursos escasseavam — jamais hesitei em devolver ao legítimo dono. O eco da voz do meu pai sempre falou mais alto: “Quem rouba um tostão, rouba um milhão.”
Esse velho ditado, que ele repetia com firmeza, resume bem o que hoje vemos nos escândalos que envergonham o país. O hábito de furtar começa pequeno, silencioso, e cresce em escala quando encontra justificativas, cumplicidade e impunidade. É por isso que nunca será exagero educar com rigor moral desde cedo.
Meu pai foi um homem simples, mas extraordinário. Ele compreendia que a maior herança que poderia deixar aos filhos era o caráter. E deixou. Que possamos, como sociedade, entender que a reconstrução moral do Brasil começa dentro de casa — com pais presentes, exemplos vivos e coragem para dizer “não” quando for preciso. Afinal, um Brasil mais honesto começa com lares mais comprometidos com a verdade.
*Jornalista e Professor