ago 29, 2025 | Colunistas
Há de se considerar que existe uma razoável produção sobre a História de Mato Grosso (Uno), entretanto nota-se que a cidade de Ladário ficou relegada ao esquecimento, neste quesito. Poucos estudiosos elegeram a cidade como cenário ou objeto de suas obras ou, ainda, como campo de indagação histórica. A maioria dos textos sobre a história do estado, ao abordar o município de Ladário, limita-se ao período de sua fundação em 1778, por conta da política geoestratégica de ocupação lusitana, e ao período de sua emancipação político-administrativa, em 1954.
Todavia, a cidade de Ladário apresenta um conjunto de valores que, automaticamente a torna para mim uma das maiores possibilidades de Patrimônio Turístico potencial, de nosso Estado. Certamente que a cidade desfruta de uma situação privilegiada onde se equilibram com o mesmo peso os aspectos naturais, históricos e culturais.

Prefeito de Ladario e esposa
Inclusive ressalto que no dia 07 de setembro, para o desfile cívico-militar a interdição de ruas começará às 07h, na Avenida 14 de Março entre as Ruas Almirante Frontin, Riachuelo, Cunha e Couto, além das Ruas Dom Pedro II e Saldanha da Gama. Durante a semana toda, teremos eventos a começar por Jariston lima. O cantor gospel Jariston Lima vem mostrando cada vez mais força no cenário musical, o artista traz ao público a faixa “Acalma aí”, que chega nas plataformas digitais pela gravadora Hineni Records. O single conta com a produção musical do sul-mato-grossense Flávio Guedes. “Acalma aí” é uma composição do sul-mato-grossense Thales Belchior, que eu admiro pela homenagem que fez a Airo Barcellos. Por outro lado o atual prefeito teve 58,52% dos votos dados a todos os candidatos, Munir Sadeq Ramunieh; que ao lado da prestigiada Roberta Ramunieh, vereadora mais votada de Ladário, atuando como Secretária de Assistência Social do município, e Chico de Siqueira, na Fundação de Cultura, estão cuidando pessoalmente, da recuperação do brilho cultural da cidade.

Vereador Jonil
Podemos ainda, encontrar como local de visitação a Praça Almirante Gastão Brasil, onde se encontra a máquina locomotiva que desbravou a região trazendo o minério do Urucum ao Porto de embarque, trazida pelos ingleses que faziam a exploração no início do século. Também temos a estátua da Irmã Maria Regula Huber, nascida na Alemanha Ocidental em 1911 chegou em Ladário em 26/06 de 1942 a bordo do navio Fernandes Vieira e fundou a escola São Miguel trazendo um novo impulso ao conhecimento na cidade.
Outro ponto de visitação interessante é o mirante Pantaneiro inaugurado a 02 de setembro de 1993 próximo a barranca do Rio Paraguai e também está eternizado através de um busto, a homenagem ao maior escultor de todos os tempos da cidade de Ladário, João Lemos de Barcellos, frase essa dita pelo ex- prefeito José Assad, que lembrou que era ele que quando criança molhava a rua, com balde d‘água, antes de João Lemos vir caminhando com seu violão, para fazer serenata pelas ruas. Por derradeiro, de presente, neste aniversário da Pérola do Pantanal, resta-nos sonhar que ela não se solte dos trilhos do desenvolvimento e possa fomentar de forma equânime: o turismo, o trânsito, na pessoa da estimada Rosalina Damiana; a educação, o esporte e cultura para que o futuro possa resplandecer glorioso, doravante. O vereador Jonil, um dos descendentes, participa desta legislatura e estará auxiliando neste trabalho de soerguimento. A pessoa que agradeço pela indicação ao título de Cidadão Ladarense a receber em setembro de 2025.


*Articulista
ago 29, 2025 | Colunistas
‘COISA DE DOIDO’: Basta consultar o ‘google’ e sabemos tudo. Aí ficamos sábios, damos show de conhecimento. Esse ‘poço de sabedoria’ ajuda a todos nós: do mecânico ao médico em dúvida. Para arrematar, a fantástica ‘inteligência artificial’ espalha a preguiça para a gente não pensar mais. Onde é que vamos parar?
CONCEITOS: Política é a atividade exercida pelo cidadão quando exerce seus direitos versando sobre assuntos públicos através da sua opinião e do seu voto. A política vai além dos debates parlamentares e das disputas eleitorais. Ela se faz presente em todos aspectos do nosso cotidiano, na família e no grupo social.
UM INSTANTE! É preciso dosar os elogios aos políticos tidos como tecnocratas sob pena de execrarmos o político raiz, responsável pela ação de ouvir as comunidades. Cabe lembrar que os técnicos chegam ao poder tendo os políticos tradicionais como aliados de primeira hora. Mas nem sempre os argumentos técnicos seduzem o eleitor.
COITADINHOS? A União ajuda muito mais os pequenos municípios do que as metrópoles: R$1.816,21 (per capita) e R$ 392,77 respectivamente. Além das transferências obrigatórias como o FPM, o Fundeb na educação e os repasses do SUS na saúde, houve também a explosão de emendas direcionadas as cidades de porte menor.
DISTORÇÕES: Às vezes pequenas localidades ganham recursos e que são aplicados sem o devido planejamento. Exemplo: instalar um posto de saúde sem ter verba para contratar médicos ou adquirir equipamentos sem técnicos para operá-los. Falta análise de como a verba está sendo repassada/aplicada e quais as consequências de tudo isso.
CONCLUSÃO: O sistema federativo acaba sendo prejudicado diante destas distorções na aplicação do dinheiro público. Percebe-se: o olhar político só interessado no retorno eleitoral, não leva em conta vários aspectos. Um deles: a falta de projetos qualificados para atender esse e aquele setor da administração. Aí, gasta-se mal a verba carimbada.
TARCÍSIO DE FREITAS: “…Eu sei eu tudo isso aqui vai passar…os amigos por interesse vão embora…esse glamour de governador vai acabar…morar no palácio vai acabar. E a gente vai voltar a vida que nós tínhamos e nós vamos ser felizes…Eu não me importo em nenhum momento de voltar pra onde a gente veio…” (em 17/junho/2024)
MUDANÇAS: Esse trecho do discurso retrata a posição dele naquele momento. Mas o cenário mudou e ele também. O caso Bolsonaro, sua atuação como gestor e seu nome em destaque nas pesquisas são fatores que influenciam a nova postura de Tarcísio. Suas declarações na Festa do Peão em Barretos mostram bem isso. Portanto…
APEGO AO PODER: Questiona se os filhos de Bolsonaro teriam interesse em fomentar a sobrevivência do bolsonarismo sem o ex-presidente ou alguns deles no comando? Essa situação nos remete a época da conturbada França de Luiz XV e com a pretensiosa frase de sua amante Madame de Pompadour: “Depois de nós, o dilúvio”.
LEMBRETE 1: Em 2026 o tempo poderá ser o maior adversário dos candidatos. Mais letal que os adversários. A tese se aplica aos cenários estadual/nacional. Os políticos são comparáveis aos aviões com tempo fixo de voo: os equipamentos se desgastam e devem ser trocados. Mas os políticos rejeitam a recomendação e são ‘abatidos’ em pleno voo.
LEMBRETE 2: “Nada existe de permanente, a não ser a mudança” – dizia Heráclito bem antes de Cristo. Basta o leitor exercitar a memória e identificará em sua cidade e estado, – a cada eleição – políticos derrotados pelo ‘excesso de horas de voo’. Tem políticos que até tentam maquiar os sinais da fadiga, mas acabam despachados.
LEMBRETE 3: Candidato perfeito? Nem por encomenda no ‘Mercado Livre’. Hoje a internet permite profunda investigação sobre o currículo do político. O eleitor cada vez mais cético, tende adotar outro olhar nas relações com os políticos. Quais os vínculos que o prenderiam? Favores, empregos? Os cabrestos cada vez mais raros.
CONFIANÇA: Pelo que tenho ouvido de deputados na Assembleia, a candidatura de Gerson Claro ao Senado segue firme e forte, com espaço para consolidar. O presidente da Assembleia Legislativa vem se revelando artesão político aplicado nesta fase delicada e decisiva de costuras que exige habilidade e também coragem. É claro!
DÚVIDAS: Não faltam nos papos do saguão da Assembleia, onde os políticos são dissecados um a um. ‘Como Reinaldo será recebido no PL de Bolsonaro? Conseguirá ser o líder como no PSDB? Atravessará sem desgastes o período nebuloso envolvendo seu nome na justiça? O excesso de exposição na mídia não resultará em fadiga eleitoral?
APOSTAS: Apenas duas candidaturas competitivas ao Governo em 2026? O que antes parecia questão resolvida vai apresentando mais dúvidas do que certeza. Essa prisão de Bolsonaro tende a aumentar a ferida eleitoral, dando espaço ao grupo mais identificado com a direita radical. Isso sem contar a animação do PT devido ao fator Lula.
DIVÓRCIO: Nem sempre o termo ‘amigável’ condiz com a realidade das partes. A saída (futura) do PT do Governo Riedel, por mais tranquila que seria na versão petista, deve ter desdobramentos no embate eleitoral. As críticas sutis de hoje dos petistas na Assembleia ganharão outra dimensão em breve. Um ‘casamento’ por interesses.
REAÇÕES: Nos corredores da Assembleia fala-se que o Governo Riedel já estaria preparando munição para se defender das futuras críticas petistas. No fundo, ele sempre soube que essa ‘convivência’ fora por interesses mútuos e que em 2026 terá que medir forças com os apoiadores de Lula. Aliás, até as crianças sabiam.
A PARTILHA: Sem entrar no mérito em respeito ‘in memoriam’ ao saudoso Nelson Trad, ouço observações sutis sobre o uso referencial pelos filhos e a disputa pelo seu espólio político. Cada um deles, por interesse próprio, em cada ocasião, com citações sobre o elogiado currículo do pai. Mas convém lembrar: O Nelson era político.
PILULAS DIGITAIS:
Garotinho, Eduardo Cunha e José R, Arruda de volta? O Brasil merece!
Eleições: quem tem dinheiro ganha. Quem não tem, apanha! (internet)
Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza. (Oscar Wilde)
Se os porcos votassem, o tratador deles seria eleito, não importa quantos suínos ele já abatera no recinto ao lado. (Orson S. Card)
Incoerência chamar eleições de festa democrática, se o voto é obrigatório. (internet)
Todo cego moral se julga um guia dos povos. (Millôr)
ago 27, 2025 | Colunistas
Desde que o presidente Michel Temer sancionou a lei 13407/16, a data de 27 de agosto, se tornou o Dia Nacional do Psicólogo, por proposição do Deputado Jorge Silva (PHS/ES), que escolheu esta data porque a profissão foi regulamentada em 27 de agosto de 1962, no Brasil. No Equador 14 de agosto, no Paraguai 22 de maio e assim cada país vai celebrando seu dia. Existem atualmente com os dados do Conselho Federal de Psicologia, 258 mil profissionais em todo o país. O profissional de psicologia é tecnicamente um conhecedor da mente humana. A palavra deriva do grego e significa psyche (mente ou alma) e logos (conhecimento), ou seja, “ciência da alma”: Os filósofos foram os precursores das especulações em relação a problemas psicológicos, em busca de respostas sobre a natureza da alma e de sua relação com o corpo. Entretanto Freud, em “O mal-estar na civilização” (1929), indagava se o progresso civilizatório e tecnológico não teria cobrado preço alto demais do indivíduo. Propôs que a renúncia à agressividade /esforço do desenvolvimento civilizatório/ produziu seu retorno em forma de sentimento de culpa.. Ele deixa ao encargo dos futuros psicanalistas a investigação sobre as formas de sofrimentos vindouros, posto que a civilização e suas constantes transformações que substancialmente continuariam a impor, ao homem, coerções e maneiras de viver e pensar.
Assim a crise da realidade, ou de achar que não e amada é um conceito vindo da literatura e da psicanálise contemporânea, e que delineiam aspectos históricos e culturais da organização social e da psique humana desde a modernidade, até os dias de hoje. Desta feita, apesar de muitos filósofos e pensadores terem se ocupado da mente humana em seus estudos, foi apenas no século XVI que apareceu pela primeira vez o termo psicologia, quando o humanista croata Marco Marulik publicou “A psicologia do pensamento humano”. Hoje, a definição da psicologia caminha em uma outra estrada: o psicólogo estuda os fenômenos da mente e do comportamento do homem com o objetivo de compreender e orientar os indivíduos a enfrentar suas dificuldades emocionais e ajudá-los a encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção.
Neste momento, “kamau” vislumbra uma boa definição do indefinível e mais perigoso sentimento, e ao mesmo tempo tão necessário, e que tantos psicólogos tentaram perscrutar:
Momentos vão e a história fica Ninguém explica de onde vem, pra onde vai. O sentimento que atrai do pensamento não sai, e o envolvimento, “quer mais”, No esquecimento não cai. Eu cai fácil nessas armadilhas. Quando o olho brilha ele não mente e por mais que a mente se negue; enganar o que o coração sente, quem consegue?
Pra que evitar se é verdadeiro? Por que tentar lidar se é passageiro? Como encontrar o que vá durar? Que seja o mais perfeito, eterno e derradeiro. O meu, foi confundido, iludido, dividido, mal – entendido, despercebido, e ás vezes nem sequer correspondido. Mas se o cupido resolver acertar. A gente fica sem saber se portar e nem se comportar. Então quem sou eu pra falar? E muito menos julgar? E se alguém disser que manda no coração eu retruco. Ah! … Manda.
*Articulista
ago 26, 2025 | Colunistas
Artigo escrito pelo Renato Saravy Diacopulos, professor de geografia no Marista Alexander Fleming
Desde seu nascimento em 1872 (Arraial de Santo Antônio), no encontro dos córregos Prosa e Segredo, Campo Grande carrega sua vocação para unir caminhos. José Antônio Pereira, ao estabelecer seu arraial neste cruzamento de águas, talvez não imaginasse que estava fundando o que se tornaria o maior hub de conexões do Centro-Oeste. A posição geográfica privilegiada , no exato divisor das bacias do Paraná e Paraguai, predestinava esta terra a ser muito mais que um ponto no mapa: seria uma encruzilhada de destinos, oportunidades e possibilidades para quem aqui chegasse.
O século XX consolidou essa promessa geográfica. Com a chegada da Ferrovia Noroeste do Brasil, em 1914, a pequena vila transformou-se e cresceu. Os trilhos não traziam apenas mercadorias: traziam progresso em vagões e colônias do mundo inteiro, como Okinawa, Japão, sírios, libaneses, turcos e armênios, cada grupo acrescentando novas cores ao mosaico cultural da cidade. A Estação Ferroviária, hoje um patrimônio histórico, foi o desembarque de um novo mundo, em que Campo Grande se projetava para o moderno, transformando o antigo arraial num importante entroncamento comercial.
Nos anos 1970, outro marco: a divisão do antigo estado de Mato Grosso; agora surge Mato Grosso do Sul, efetivamente em 1979, quando Campo Grande foi elevada à condição de capital, coroando sua ascensão como pólo político e administrativo. As rodovias que convergem para a cidade, BR-163, BR-262, BR-060, transformaram-na no principal nó viário da região. E agora, no século XXI, a cidade assume papel estratégico continental como eixo central da Rota Bioceânica, o corredor que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, posicionando Campo Grande no mapa logístico global.
Neste cenário dinâmico, o Colégio Alexander Fleming emerge no ano de 1981. Guiado pelos diretores Dulce Botelho Ferreira, “Tia Dolly”, e Sr. Vítor Hugo Bordignon, ao longo desses 44 anos, formaram gerações de grandes profissionais e cidadãos do mundo. Assim como a cidade transformou entroncamentos em oportunidades, a escola transforma potencial humano em realização. Sua evolução — do Colégio Alexander Fleming à incorporação pela Rede Marista — espelha o próprio desenvolvimento da capital: mantendo suas raízes, mas sempre se renovando para enfrentar novos desafios. Como gerações de famílias que se repetem no colégio, pois querem manter a qualidade de ensino, o compromisso com o futuro e as tradições maristas.
Os números atuais impressionam: com mais de 900 mil habitantes, a cidade cresce em ritmo acelerado, mas sem perder seu planejamento característico. O setor de serviços responde por 80% da economia local, com destaque para saúde, educação e tecnologia — um perfil urbano e moderno.
Com o título de “Cidade mais arborizada do mundo” pela 6ª vez consecutiva — prêmio concedido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Fundação Arbor Day —, destaca-se pelas áreas verdes que exemplificam a qualidade de vida. Segundo o Instituto de Progresso Social (IPS), dentre as capitais brasileiras, Campo Grande aparece em 2º lugar como a cidade de melhor qualidade de vida.
O aniversário de Campo Grande (MS) é celebrado em 26 de agosto, marcando a data de fundação da cidade. Às vésperas de completar 126 anos desde sua emancipação, em 1899, Campo Grande, “nossa terra morena”, consolida-se como síntese do melhor do Brasil Central: acolhedora como uma cidade do interior, mas dinâmica como metrópole; enraizada em suas tradições, mas com os olhos voltados para o futuro. Uma capital que nasceu para conectar — pessoas, culturas, economias — e que segue escrevendo sua história no cruzamento de todos os caminhos.
Sobre Renato Saravy Diacopulos
Geógrafo e licenciado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), com mestrado em Desenvolvimento Local (UCDB) e especialização em Mobilidade Urbana e Trânsito. Complementou sua formação em Engenharia Urbana na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atua como docente na Rede Marista e na Rede Municipal de Ensino de Campo Grande desde 2015, com ampla experiência em educação básica. Foi colaborador no Programa Internacional Erasmus Mundus STeDe e assessor técnico em programas de mobilidade acadêmica. Palestrante internacional sobre cultura, território e diversidade, integra o Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Territorial Sustentável da UCDB, focando em mobilidade urbana, desenvolvimento regional e políticas públicas.
Saiba mais:
O Colégio Marista Alexander Fleming faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 20 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 96 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/
Créditos: Divulgação/Marista Brasil
ago 25, 2025 | Colunistas
Durante Sessão Solene pelos 126 anos de Campo Grande, vereador destaca legado de Dr. Rosildo Barcellos e entrega a Medalha “José Antônio Pereira” por sua contribuição à cultura e memória histórica.
Em uma das mais emocionantes homenagens da Sessão Solene em comemoração aos 126 anos de Campo Grande, o vereador Dr. Victor Rocha entregou a Medalha do Mérito Legislativo “José Antônio Pereira” ao Dr. Rosildo Gomes Barcellos Júnior, referência nacional e internacional na preservação da história e da literatura.
A honraria foi concedida em reconhecimento à trajetória marcante de Barcellos, imortal da Academia Brasileira de História e Literatura, autor de dezenas de obras e defensor ativo da memória cultural brasileira. Ao longo de sua carreira, ele conquistou títulos de cidadão honorário em seis municípios de Mato Grosso do Sul e recebeu comendas de prestígio no Brasil e no exterior.
Na cerimônia, Dr. Victor Rocha ressaltou a importância da homenagem: “Rosildo é um patrimônio vivo da nossa cultura”. Já o homenageado emocionou o público com palavras poéticas, exaltando seus vínculos com Campo Grande.
A entrega da medalha reforça o compromisso do vereador com a valorização de personalidades que contribuem significativamente para a identidade cultural e intelectual do município.
ago 25, 2025 | Colunistas
Assim como acontece na vida, em que olhar para trás nos ajuda a valorizar o que somos e o que temos hoje, o jornalismo também se enriquece quando resgata sua própria história. Quem vê um repórter nos dias atuais cobrindo fatos em tempo real com um iPhone ou smartphone — fotografando, filmando, gravando entrevistas, editando o material ali mesmo e postando em sites de notícias, redes sociais ou enviando tudo por WhatsApp, e-mail ou plataformas como WeTransfer para as redações — dificilmente imagina como era a prática jornalística há meio século e muito menos todo o caminho percorrido até chegarmos aqui.
Eu, que atuo como jornalista há 47 anos, tenho plena consciência do privilégio de ser testemunha viva e praticante de toda essa transformação.
No início da década de 1970, quando comecei minha trajetória, primeiro como office boy, no jornal Correio Braziliense Diário da Serra, em Campo Grande, as matérias eram escritas em máquinas de escrever manuais. Depois de revisadas por um copy desk — normalmente professores de Língua Portuguesa especializados em linguagem jornalística, como era nosso querido professor Dalton Santiago — eram encaminhadas ao Departamento de Polícia Federal, responsável pela censura imposta pelo regime militar, para aprovação. Só então seguiam para a oficina do jornal, onde os textos eram reproduzidos no sistema de linotipia, em que cada palavra era montada letra por letra, de trás para frente, para formar os “clichês” usados na impressão.
A oficina do jornal era um espetáculo à parte. O cheiro forte da tinta misturado ao calor do chumbo derretido impregnava o ar, enquanto o barulho compassado das linotipos criava uma sinfonia metálica que ecoava noite adentro. Cada profissional tinha sua função precisa, como em uma grande orquestra, e qualquer erro poderia comprometer a página inteira. Para um jovem aprendiz como eu, era fascinante ver como, através de textos datilografados, surgia aos poucos a forma física de um jornal, com colunas, títulos e imagens se transformando em notícia impressa em preto e branco.
A diagramação exigia precisão e talento. Profissionais como Suely Higa, irmã do fotógrafo Roberto Higa, e João Bispo do Nascimento — que descobriu sua vocação para o jornalismo após virar notícia, sobrevivendo a um acidente com um fio de alta tensão de um poste que caiu, transformando-se em um dos melhores profissionais da área — faziam cálculos minuciosos de espaço para textos, títulos e imagens. E não bastava apenas encaixar as peças. Era preciso estética e arte para valorizar a matéria, a página, o jornal. As fotografias, por sua vez, eram transformadas em clichês de metal, arquivados em prateleiras que chegavam ao teto. Havia até um arquivista responsável por localizar rapidamente imagens de autoridades, políticas, obras, esportes e demais editorias.
Naqueles tempos, a censura não era apenas uma palavra, mas uma presença constante nas redações. Lembro-me da aflição de colegas aguardando a liberação de matérias sensíveis, muitas vezes já diagramadas e prontas para impressão. Bastava um carimbo de “vetado” para todo o trabalho ser desfeito em minutos. Alguns repórteres buscavam formas criativas de driblar os censores, trocando palavras, suavizando expressões ou deslocando a crítica para entrelinhas que só o leitor mais atento percebia. Viver sob esse clima de vigilância era um desafio, mas também forjou gerações de jornalistas determinados a não abrir mão da verdade.
Recordo-me da tensão de colegas como Valdir Cardoso (mais tarde vereador), Francisco Lagos, Sílvio Martins, Waldemar Hozano e Guilherme Filho, entre tantos outros, quando aguardavam a aprovação de matérias políticas mais sensíveis. O jornalismo vivia sob vigilância, mas não perdia sua garra.
Do ponto de vista tecnológico, além das entrevistas presenciais ou por telefone, as redações contavam com o telex, que cuspia em longas tiras de papel as notícias nacionais e internacionais. Para as fotografias externas, inicialmente dependíamos de ônibus intermunicipais ou interestaduais para transportar filmes. Alguém do jornal tinha que ir à Estação Rodoviária para esperar a chegada do ônibus para pegar o material com o motorista para então voltar à redação e revelar.
Foi com a mesma surpresa de quem assiste a um milagre que vimos pela primeira vez uma fotografia chegar pela linha telefônica. Demorava longos minutos para que a imagem se revelasse, linha por linha, no papel especial, mas era emocionante presenciar a tecnologia encurtando distâncias. O telex, por sua vez, trazia notícias do mundo em tiras intermináveis de papel perfurado. De repente, uma redação em Campo Grande podia ter acesso quase simultâneo a fatos ocorridos em Brasília, Nova Iorque ou Paris. Aquilo ampliava horizontes e dava a sensação de que o jornalismo local estava conectado ao planeta inteiro.
Pouco depois surgiu o fax, ou “fax símile”, que permitia enviar textos, documentos e imagens em poucos minutos. “Vou te mandar um fax” era, na época, símbolo de modernidade e sofisticação. Assim, passo a passo, o jornalismo foi deixando o chumbo e o clichê metálico para abraçar a informática, os computadores, a diagramação eletrônica, as redações informatizadas e, por fim, o universo digital, que ainda hoje continua em plena transformação.
Comparar aquele tempo com o presente é inevitável. Antes, uma notícia podia levar dias para chegar ao leitor, seja por ônibus, avião ou correio; hoje, ela surge na palma da mão em segundos. O jornalista que antes dependia de linotipos, clichês de chumbo e longos processos de aprovação, agora tem a tecnologia como aliada imediata. Mas é justamente nesse contraste que está a grande lição: embora os instrumentos mudem, a essência permanece. A velocidade não pode se sobrepor à responsabilidade, nem a facilidade substituir a investigação. A missão maior continua a mesma: servir à sociedade com informação de qualidade e, sobretudo, verdadeira.
Olhar para esse passado não é um exercício de nostalgia, mas de valorização. É lembrar que se, por um lado, a tecnologia trouxe velocidade e recursos inimagináveis, por outro, não pode substituir a essência da profissão. Cabe ao jornalista manter o compromisso de investigar, apurar e analisar com rigor, ética e responsabilidade, garantindo que a sociedade receba informação de qualidade e, acima de tudo, verdadeira. Porque, acima de qualquer inovação, o coração do jornalismo continua sendo a verdade dos fatos.
*Jornalista e Professor
wilsonaquino2012@gmail.com