ago 4, 2025 | Colunistas
O ministro dos Transportes do governo Lula (PT), Renan Filho (MDB), afirmou que pretende acabar com a obrigatoriedade de aulas em autoescolas para que o cidadão possa obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Assisti sua entrevista aonde ele classificou o processo atual como “caro, trabalhoso e demorado” — o que, segundo ele, impede que milhões de brasileiros obtenham a habilitação. Renan destacou que, atualmente, cerca de 60 milhões de pessoas têm idade para tirar a CNH no Brasil, mas muitas conduzem sem carteira ou simplesmente não dirigem. Um dos principais motivos apontados por ele é o custo elevado, sobretudo entre os mais pobres, pois, conforme afirmou, o valor necessário para tirar a carteira é semelhante ao de uma moto usada. “Se a pessoa tem dinheiro apenas para uma das duas coisas, ela opta por comprar a moto”, disse.
O ministro também mencionou que em algumas regiões do Brasil, quase 40% dos motociclistas circulam sem habilitação, o que evidencia, segundo ele, a ineficiência e o caráter excludente do atual modelo. Renan acrescentou ainda que a demora na obtenção da CNH é um dos principais obstáculos relatados pelo setor produtivo para contratar caminhoneiros. A proposta do governo é eliminar a exigência de carga horária obrigatória em autoescolas, permitindo que o candidato faça a prova de direção sem ter que pagar por aulas. Para o ministro, exigir que a pessoa faça autoescola a fim de tirar carteira é como obrigar o estudante a fazer cursinho para entrar em uma universidade pública.
Atualmente, para obter uma CNH nas Categorias A (motos e triciclos) ou B (carros de passeio), o candidato precisa fazer um curso teórico de ao menos 45 horas-aula, além de aulas práticas com pelo menos 20 horas-aula. Essa exigência é regulamentada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), bem como prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Lei 9.503 de 1997. Há ainda exigência de taxas e três exames: Aptidão Física e Mental, Teórico-técnico e prova Prática Veicular. Fui procurado por instrutores de autoescolas que perguntaram desta possibilidade. Respondi que existem textos no Congresso Nacional sobre o tema. O projeto de Lei 4474/2020, proposto pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) busca fazer a mesma alteração proposta pelo governo. Ele tramita em conjunto ao PL 3781/19 e outros 182 que também alteram o Código de Trânsito. Esse processo custa, em média, R$ 3.200, sendo cerca de R$ 2.500 destinados à autoescola e R$ 700 em taxas.
O novo modelo se baseia em experiências de países como Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e Uruguai, onde a formação é mais autônoma e centrada nas avaliações finais. O candidato poderá estudar por conta própria, contratar um instrutor autônomo credenciado ou seguir com o modelo tradicional das autoescolas. sobretudo pelo anúncio sem debate. “Se o governo alega que o motivo é o alto custo para aquisição da CNH, não há nenhuma movimentação para que taxas de serviços que compõem o valor final para o usuário sejam reduzidas. Um projeto de lei apresentado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, Gerson Claro (PP) pretende garantir mais recursos para o Programa CNH MS Social, que oferece a primeira habilitação gratuita para pessoas de baixa renda em Mato Grosso do Sul.
A proposta prevê a alteração da lei para permitir que parte da arrecadação com multas de trânsito seja usada para custear o programa. Na justificativa, o deputado destaca que a mudança ajusta a legislação estadual à nova Lei Federal nº 15.153, sancionada no fim de junho deste ano, e que começa a valer em 12 de agosto, que autoriza o uso das multas para esse tipo de finalidade social. Neste particular desde 2021, já foram beneficiados 1.039 pessoas, que tiveram a habilitação custeada pelo Programa CNH MS Social.
O Detran-MS concede a isenção das taxas devidas à autarquia (que somam em torno de R$ 700,00) e paga com recursos próprios o processo de formação dos futuros motoristas (aulas práticas e teóricas), além do exame médico e psicotécnico. Se for desta forma melhor segui as condições mexicanas. Uma das melhores coisas sobre tirar a carteira de motorista no México é que você não precisa planejar muito.
Na verdade, você pode acordar uma manhã e decidir que vai conseguir. Basta ir à delegacia de polícia estadual, onde ficam os cartórios de registro e licenciamento de veículos. Os cartórios de registro e licenciamento podem estar localizados separadamente em alguns lugares, como em Mérida. Observação: os custos de inscrição variam entre 600 e 1.000 pesos (US$ 32 a US$ 55). Leve dinheiro em espécie caso não aceitem pagamento com cartão.
E pronto, no mesmo dia consegue sua habilitação. Eu apenas aproveito o ensejo para lembrar que melhorias no trânsito não se faz por decreto. Inicia, por exemplo em um razoável pavimento nas ruas, e depois as questões de trânsito são nacionais, apesar de cada canto do Brasil ter as suas peculiaridades. Devem ser chamados tanto os especialistas em trânsito como a população. Afinal o trânsito é direito de todos.
Para finalizar, quero recordar que inicialmente o homem só andava a pé e só levava consigo o que podia carregar. Desta forma, um homem sadio e forte transitava por 30 quilômetros em um dia, carregando ao redor de 40 quilos, no máximo. Após dominar os primeiros animais, o homem passou a deslocar-se montado, mais veloz, com maior alcance que anteriormente e capaz de levar mais carga a cada vez. Somente após inventar a roda foi que o homem construiu, na China, o seu primeiro carrinho de mão. Adiante, foi feita a primeira carroça com tração ainda humana, substituída depois pela tração animal. Hoje, veículos movidos a óleo diesel emitem gás carbônico, monóxido de carbono, sólidos em suspensão (fumaça) e a diasina, uma substância tóxica que irrita as mucosas, com efeitos prejudiciais para a saúde. Ou seja o trânsito envolve todos os setores da sociedade, direitos trabalhistas a meio ambiente, e sendo assim em nenhuma hipótese pode ser apontada qualquer definição sem um amplo debate com a sociedade e para isso existe inclusive as câmaras temáticas do Contran..
*Articulista
jul 28, 2025 | Colunistas
O que é mais seguro para uma família com filhos pequenos e piscina em casa: cercar a área ou ensinar as crianças a nadar? Cercar pode parecer mais fácil, mas ensinar a nadar é, sem dúvida, o caminho mais seguro e duradouro. É por isso que, nas famílias em que as crianças sabem nadar, os acidentes são raríssimos.
Foi com essa visão de prevenção e sabedoria que meu querido pai, então um jovem marinheiro baiano, de carreira, em Corumbá, nos anos 60, decidiu nos ensinar desde cedo a nadar com segurança nas águas do Rio Paraguai e de sua vasta bacia — onde passávamos muitos finais de semana em família, em meio à natureza e à alegria simples da vida.
Mas ele foi além. Quando percebeu que eu gostava da rua, da bola, da pandorga, do pião e da disputa da bolita com os meninos da 21 de Setembro, onde morávamos, e que, vez ou outra, me envolvia em brigas de menino, decidiu nos ensinar, a mim e ao meu irmão Rubens, a lutar. Mas não para brigar — e sim, para evitar a briga.
Acordávamos às quatro da manhã. Nosso “campo de treino” era o quintal de casa, onde praticávamos socos e chutes em sacos de areia, em sessões orientadas por ele, que dizia sempre: “Quero que aprendam a lutar para que nunca precisem brigar.” Depois, banho gelado para despertar o corpo e o espírito, e em seguida íamos para a mesa de estudo e leitura.
No começo, confesso, era difícil compreender. Mas com o tempo percebi: ao saber que tinha força, autocontrole, habilidade e, acima de tudo, humildade, ensinados por ele, nunca mais precisei provar isso a ninguém. A segurança que aquilo me dava era suficiente para afastar qualquer confronto.
E funcionou. Raramente me envolvia em brigas, e nunca as provocava. Ao contrário, tornei-me aquele que buscava acalmar os ânimos, separar discussões, evitar conflitos. Como ensina a Escritura: “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro; mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade.” (Provérbios 16:32)
Esse aprendizado ganhou ainda mais força quando, mesmo ainda jovem, comecei a me fortalecer espiritualmente. Entendi que a violência — assim como a desonestidade e outras atitudes nocivas — não agradam a Deus. “Porque eis que aquele que tem o espírito de contenda não é meu; mas é do diabo, que é o pai da contenda.” (3 Néfi 11:29)
Desde cedo passei a orientar outras pessoas, muitas vezes mais velhas do que eu. Sentia como um dever oferecer conselhos, conforto e esperança — especialmente àqueles que atravessavam momentos difíceis.
Recordo, com carinho, de um episódio marcante da juventude. Uma amiga teve uma discussão séria com a mãe. Magoadas por questões antigas mal resolvidas e que se arrastavam há muito tempo, trocaram palavras duras. A filha, impulsiva e ferida, fez as malas e se mudou temporariamente para a casa de uma vizinha, também nossa amiga, até decidir que rumo daria à sua vida.
Vi ali duas mulheres que se amavam profundamente, mas estavam separadas por mágoas profundas e orgulho. Senti, naquele momento, um chamado. Conversei com ela de forma sincera, direta, inspirada por Deus. No final, sugeri que escrevesse uma carta para a mãe, expressando seu verdadeiro amor, arrependimento pelas palavras ditas e o desejo de ter a sua bênção para sua nova jornada. Enquanto isso, fui a uma floricultura e comprei um grande buquê de rosas.
No fim daquela tarde, ela voltou à casa da mãe com a carta e as flores. Ao recebê-las, a mãe caiu em lágrimas. As duas se abraçaram chorando, como se o tempo tivesse parado. A barreira que as separava desmoronou. O amor venceu.
Como ensina o Salvador: “Se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão.” (Mateus 5:23-24)
Até hoje, essa amiga relembra aquele momento com gratidão. Foi um ponto de virada na relação delas e em sua própria jornada.
A vida é uma luta diária. Mas aprendi que não se luta com os punhos, e sim com o coração. E principalmente com a ajuda do Senhor, que nunca nos deixa sós. “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.” (Salmo 46:1). Ele nos sussurra o que fazer, nos momentos certos, se estivermos dispostos a ouvir.
Desde jovem, o Senhor tem sido meu mestre na luta contra o mal, contra as injustiças e tudo o que afasta as pessoas do bem. É na Sua palavra que encontro forças para consolar os aflitos, cuidar dos feridos da alma e ajudar os que sofrem. “Portanto, armai-vos com toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau.” (Alma 37:33)
Sou profundamente grato por esse poder divino que atua em nossas vidas. Porque, por maiores que sejam os desafios, feridas e decepções que enfrentamos no dia a dia, o Senhor nos consola e nos cura. “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5:9)
E é por isso que faço questão de falar Dele. Para que mais pessoas O conheçam, se aproximem Dele e encontrem essa mesma paz e força que transformam vidas.
*Jornalista e Professor
wilsonaquino2012@gmail.com
jul 26, 2025 | Colunistas
O Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha é celebrado dia 25 de julho. Nessa mesma data, também é comemorado o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Em 1992, um grupo de mulheres negras oriundas dos países da América Latina reuniu-se em Santo Domingos, na República Dominicana, para a realização do primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas. Foi um momento em que discutiram problemas que afetam a todas as mulheres em geral, como: formação educacional, profissional e maternidade.
Não obstante, no entanto, também trataram de questões específicas, como o racismo, preconceito e a situação de inferioridade que se encontram em relação às mulheres brancas. A fim de chamar a atenção para esta problemática, a data de 25 de julho ficou estabelecida como o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. Em 2014, de acordo com a Lei Nº 12.987, de 2 de junho, 25 de julho foi instituído o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Símbolo de resistência e liderança na luta contra a escravização, Tereza de Benguela, ou ‘‘Rainha Tereza”, viveu no século 18 e assumiu a liderança do Quilombo de Quaritetê chefiado pelo marido, José Piolho, depois que ele foi assassinado, em Mato Grosso. Tereza apoiou a luta da comunidade negra e indígena contra a escravidão por duas décadas. A data ficou para lembrar a luta das mulheres contra a escravização. E assim inúmeras outras mulheres se engajaram nessa luta e são lembradas. É o caso, em Corumbá das mulheres que lutaram muito para o reconhecimento das três Comunidades Quilombolas, a Campos Correia, Ozório e Maria Tenório. Além de, Cristina Souza Ramos, do Hospital Rosa Pedrossian, homenageada pelo atuante vereador André Luis, justificado pelos atos proativos de distribuir trechos impressos do livro: “Pequeno Principe- Um olhar Poético”, para que as mães das crianças submetidas ao tratamento quimioterápico, tivessem momentos de enlevo e alento durante sua submissão.
Em Três Lagoas, Cidolina de Fátima da Silva Souza, que aos seis meses de idade perdeu sua mãe. Após discussão, o pai de Cidolina esfaqueou sua mãe que morreu na segunda facada, mas não contente ainda a esfaqueou sete vezes, sem piedade. Teve problemas com o marido, quando se casou aos 18 anos e hoje diz ser a historia viva do feminicídio e da violência doméstica. Atualmente, professora aposentada é membro do Conselho Municipal dos Direitos do Negro. Outro exemplo; foi dado no dia do meu aniversário, em abril. “Parecia até mentira. Aretha, 37 anos de idade, nove de montanhismo, teve que se beliscar. Foi dentro do avião da Qatar Airways que ela, pela primeira vez em um ano de trabalho árduo, fechou os olhos e disse a si mesma: Uau, está acontecendo!’” O trecho acima faz parte da biografia “Da Sucata ao Everest” – A Saga de Aretha Duarte (Dialogar), escrita por Débora Rubin e Rodrigo Grilo. A obra narra de forma envolvente a trajetória do Jardim Capivari, bairro da periferia de Campinas onde Aretha Duarte cresceu, até o cume do Everest, em uma saga inspiradora realizada em 2021.
Para chegar no alto dos 8.849 metros da montanha mais alta do mundo, a paulista decidiu coletar materiais recicláveis para juntar recursos durante a pandemia. Ela passou a separar e levar para o ferro-velho papel e plástico descartados de uma fábrica, para que a montanhista chegasse no topo do mundo. E da mesma forma Valéria Almeida, indicada para o Oscar Tributo 2025. Um prêmio de reconhecimento do que se faz com amor e arte pelas tradições culturais e apoio as causas dos vulneráveis. Isto posto, a partir do sobredito, não há dúvida de que enfrentar o epistemicídio, é essencial para fortalecer a existência das diferenças.
*Articulista
jul 18, 2025 | Colunistas
Vivemos dias sombrios no Brasil, em que a desonestidade se banalizou de tal maneira que até mesmo autoridades — aquelas que deveriam ser o exemplo máximo de integridade e honradez — protagonizam escândalos de corrupção, lesando o patrimônio público em benefício próprio e alimentando esquemas que favorecem grupos restritos, em detrimento da coletividade. Diante disso, me pego muitas vezes refletindo: onde tudo isso começa? Como é que jovens e adultos, inclusive vindos de famílias aparentemente bem estruturadas, caem na tentação de furtar, roubar e enganar? Que tipo de educação moral receberam?
Não é possível dissociar essa crise de caráter da falência, em muitos lares, da formação ética. A escola tem seu papel, sem dúvida, mas a base é o lar. É no seio da família que o senso de certo e errado deve ser ensinado com firmeza e exemplo. E a honestidade não se aprende com discursos genéricos, mas com atitudes concretas, repetidas no cotidiano. O que se planta no coração de uma criança, germina no comportamento do adulto.
Lembro-me de uma recomendação que sempre dou aos pais, inclusive a mim mesmo: ao chegar da escola, revisem a mochila dos seus filhos. Verifiquem se os objetos que ali estão — mesmo os mais simples, como lápis e borracha — são os mesmos que vocês compraram. Parece exagero, mas é nesse nível que se molda o caráter. Um simples lápis “trazido por engano” pode ser o primeiro passo para a normalização do furto. Se esse ato não for corrigido com diálogo firme e carinhoso, pode se enraizar e se tornar hábito.
O campo fértil da desonestidade ainda se amplia quando a educação, em vez de ensinar responsabilidade e mérito, instila ressentimentos sociais, promovendo uma visão de “nós contra eles” — pobres contra ricos — como se a injustiça social justificasse o erro individual. Nada justifica a desonestidade. Nenhuma ideologia redime o roubo, o engano ou o abuso de poder.
A honestidade é uma virtude que nasce no espírito e é nutrida pelo exemplo. Mesmo os que não tiveram pais presentes ou uma formação religiosa sólida podem desenvolver um caráter íntegro se forem expostos a boas influências, exemplos corretos e escolhas conscientes. Mas para a maioria, o lar é a escola onde a consciência moral é moldada. Como dizia meu pai: “Você pode ensinar o certo com palavras, mas só forma caráter com o exemplo.” Não adianta exigir de um filho que seja honesto, se dentro de casa ele presencia pequenos atos de engano, mentira ou desrespeito à propriedade alheia.
A Palavra de Deus confirma essa verdade com clareza. Em Provérbios 22:6, lemos: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” Essa instrução não é apenas ensinar o que está certo, mas mostrar com ações, com o que se vive. Jesus Cristo também foi firme ao ensinar a integridade: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não” (Mateus 5:37). O Filho de Deus, em sua vida mortal, jamais cedeu à tentação de tirar vantagem de ninguém — e foi por isso que se tornou o exemplo perfeito de retidão.
A desonestidade nunca é um pecado isolado — ela contamina, corrói e destrói. Um político que desvia verba da saúde não está apenas cometendo um crime técnico, mas tirando a vida de pessoas que ficaram sem atendimento. Um empresário que frauda impostos, um servidor que aceita propina ou um cidadão que mente para se beneficiar de programas sociais está ferindo o pacto coletivo de justiça e equidade. O pequeno ato desonesto de hoje é a injustiça institucionalizada de amanhã.
Por isso, é urgente que nossos líderes — sejam eles políticos, religiosos, educadores ou formadores de opinião — entendam a responsabilidade de seu exemplo. Não há sociedade que prospere onde os que deveriam guiar se entregam à mentira e ao roubo. Como disse certa vez o profeta Isaías: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal” (Isaías 5:20). Quando a sociedade perde a capacidade de se indignar com o errado, e até o justifica, instala-se o caos moral.
Cabe a cada um de nós a missão de ser um guardião da honestidade. Que não aceitemos o “jeitinho” como desculpa, nem o silêncio como conivência. Que formemos nossos filhos como homens e mulheres de verdade, capazes de devolver uma moeda caída, de resistir à tentação de mentir, de honrar cada compromisso assumido. A reconstrução do Brasil não se fará apenas com reformas econômicas ou políticas — mas com uma reforma moral nas famílias, nas escolas, nas igrejas e em cada coração.
Nunca me esqueço da primeira grande lição prática que recebi de meu pai, Manoel Dantas de Oliveira — um baiano honrado e aventureiro que deixou sua terra natal para servir à Pátria na Marinha do Brasil, na cidade de Corumbá-MS, na década de 50. Eu tinha menos de 10 anos quando encontrei, no caminho da escola, uma bola de futebol perdida em meio a arbustos. Voltei para casa empolgado, acreditando que havia sido premiado pela sorte. Mas meu pai, com aquele olhar firme e ao mesmo tempo sereno, me chamou, olhou nos meus olhos e me disse com voz calma, porém inegociável: “Essa bola não é sua. Volte e coloque-a exatamente onde a encontrou. O que não é seu, não deve estar com você.”
Naquele momento, entendi — não com palavras, mas com a força do exemplo — o verdadeiro sentido da honestidade. Ele me explicou que, exceto por documentos ou objetos que permitissem identificar e localizar o dono, nada deveria ser levado para casa. E completou: “Nunca aceite recompensa por fazer o certo. Fazer o certo é nossa obrigação.”
Essas lições me acompanharam por toda a vida. Já encontrei celulares, carteiras recheadas de dinheiro, objetos de valor — e mesmo em momentos difíceis, em que os recursos escasseavam — jamais hesitei em devolver ao legítimo dono. O eco da voz do meu pai sempre falou mais alto: “Quem rouba um tostão, rouba um milhão.”
Esse velho ditado, que ele repetia com firmeza, resume bem o que hoje vemos nos escândalos que envergonham o país. O hábito de furtar começa pequeno, silencioso, e cresce em escala quando encontra justificativas, cumplicidade e impunidade. É por isso que nunca será exagero educar com rigor moral desde cedo.
Meu pai foi um homem simples, mas extraordinário. Ele compreendia que a maior herança que poderia deixar aos filhos era o caráter. E deixou. Que possamos, como sociedade, entender que a reconstrução moral do Brasil começa dentro de casa — com pais presentes, exemplos vivos e coragem para dizer “não” quando for preciso. Afinal, um Brasil mais honesto começa com lares mais comprometidos com a verdade.
*Jornalista e Professor
jul 13, 2025 | Colunistas
‘RÓTULOS’: Do discurso à pratica. Amigo da esquerda, defensor da igualdade social, é refém de vicio do Cohiba, charuto cubano, sinônimo de sofisticação das elites, ao custo de R$150,00 cada e R$4.500,00 ao mês. Enfim, comparando a postura dos governantes da esquerda com da oposição, veremos mais identidade do que diferença.
BOM OU RUIM? Envio da ação penal do TJMS ao STJ envolvendo o ex-governador Puccinelli coça cabeças. É a nova linha do STF calcada na decisão do HC 232/ 1627 de que o envio do processo para outra instancia, quando o mandato se encerra prejudica à investigação. O foro permanece o mesmo após o afastamento ou ainda quando a investigação ou ação se iniciem após o fim do mandato.
ALÍVIO: São 32 mil produtores de 45 municípios, beneficiados pela aprovação do PL do senador Nelsinho Trad e relatado pela senadora Tereza Cristina, prorrogando por mais 5 anos o prazo para regularização fundiária na fronteira de MS e de outros estados. Além do fator social – politicamente foi um golaço de placa de ambos senadores.
O MESMO!: Na entrevista à Rede Top de Rádio, o ex-prefeito Alcides Bernal mostrou que o fator tempo não o ajudou a refletir sobre sua caminhada política. Fez a narrativa vitimizada de sua trajetória, onde faltou habilidade para agregar e evitar crises. Claro, ainda sonha com a volta à política, onde não tem mais espaço. Perdeu o bonde!
TARDE DEMAIS: ‘Outro naufrago’ que veio à tona nas ondas do rádio foi o ex-senador Delcídio. Falou dos embates; admitiu O pecado da soberba; aposta no PRD junto com o Solidariedade e outra sigla nestas eleições. Ainda é excelente entrevistado; um exemplo que na política não há espaço para sonhadores que não ouvem o despertador.
‘VAPT – VUPT’: Tudo muito rápido. O que hoje é imprescindível será descartável amanhã. A dinâmica dos fatos, de situações em todos os segmentos da vida passa por mutações e influências imprevisíveis. Na vida pública não é diferente: líderes políticos ontem aclamados, hoje estão simplesmente esquecidos. “C’est la vie”.
‘REVELAÇÃO’: “Estamos dizendo para aqueles que não pagam, ou pagam 3% ou 4%, que eles paguem 10%. Se isso não for justiça tributária, se isso for ser de esquerda, eu, que nunca fui de esquerda, tenho que me considerar de esquerda. ” (Simone Tebet, ministra do Planejamento)
PORTA ABERTA: Como se diz – ‘todo mundo sabia’- mas agora ela anunciou que é lésbica e casada com mulher. A postura da vereadora Ana Portela (PL), filha do Tenente Portela, atraiu os holofotes. Mas hoje a prioridade é outra: a opinião pública questiona por exemplo se a vereança da capital faz jus a essa gastança. O resto é nhénhénhém.
OUSADO: Com bala na agulha o ex-governador Reinaldo Azambuja preparado para assumir o comando do PL local. Ao seu estilo, vai tomando a iniciativa de quebrar resistências internas no firme propósito de somar. Como as lideranças são mais importantes do que os partidos, Azambuja não terá grandes dificuldades.
VIGILANTE: Graças aos 39.329 votos recebidos em 2018, o deputado Zé Teixeira é um exemplo do exercício produtivo no 6º mandato parlamentar. É reconhecido pelo seu estilo simples mas objetivo no trato de assuntos pertinentes à vida das comunidades de seus eleitores. Pasmem; no último pleito ele só não foi votado em Rochedo.
NO COLO: Se bastasse a seu favor o embate com o Congresso Nacional, de imagem desgastada perante a opinião pública por conta dos gastos e emendas, agora ‘cai do céu’ a carta oficial do Governo Trump. Sorte do Governo Lula que vai adicionar ao seu discurso esses dois temas. O novo lema ‘Governo Soberano’ não é obra do acaso.
EDITORIAL: “…Se a manifestação foi pensada para ajudar Jair Bolsonaro (PL) no julgamento em que é acusado de tramar um golpe, ela, na melhor hipótese para o ex-presidente terá efeito nulo. Se tentou fortalecer o deputado fugitivo Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para a disputa de 2026, acabará tornando o seu caso na justiça brasileira ainda mais complicado. ” (Folha de São Paulo)
ECOS DA TAXA: Mirando as eleições de 2026, cada liderança política emite sua opinião sobre a decisão do Governo Trump. Sem dúvida que o fato já começou a ser debatido por lideranças políticas e da sociedade civil. Parte se reporta apenas ao aspecto econômico e eventuais consequências sociais; outra parte mira o lado político e eleitoral. Veja as reações de deputados na Assembleia Legislativa.
GERSON CLARO: “…Ele (Trump) encerra a carta de uma maneira com abertura para o diálogo. Isso pode ser mudado, o que precisa é de equilíbrio, tratar com responsabilidade, tanto do governo brasileiro, quando do americano. Não é um assunto novo, a responsabilidade é do presidente Lula de tocar essa política; essa balança comercial será equilibrada no bom senso, independente do posicionamento político ideológico…”
JOÃO HENRIQUE: “…Sobre a carta norte-americana, a direita a nível internacional tomou essa postura, não por conta de uma posição isolada, mas talvez por apoios a algumas instituições e países que não respeitam a democracia – uma delas é o Irâ. Acordos internacionais permitiram que ditaduras progredisse e tivessem um orçamento próximo aos EUA. O presidente Trump, como o presidente Gerson Claro disse, tocou nessa questão, mas o início da carta é importante, a liberdade de expressão…”
PEDRO KEMP: “,,,Uma verdadeira e ridícula afronta a soberania nacional, ver nos noticiários, que o presidente dos Estados Unidos havia mandado uma carta ao governo brasileiro, dizendo que taxaria todos os produtos brasileiros em 50%, porque o Brasil estaria fazendo uma perseguição injusta ao ex-presidente Bolsonaro e às big tech,,,”
PEDROSSIAN NETO: “…Acordei preocupado, o que está em jogo aqui é a relação entre os dois maiores países do hemisfério americano, historicamente amigos, aliados e parceiros, sabotada pela imposição de uma tarifa de 50%, altíssima para todos os padrões internacionais e que ferem acordos dos quais o Brasil e EUA são signatários desde 1947…”
EM BRASÍLIA: Nossa senadora Tereza Cristina, ao seu estilo ponderado, defende a linha diplomática para busca da solução pacífica deste conflito. Lembra que os povos não podem ser penalizados e que Estados Unidos e Brasil tem uma longa história de parceria. “ Nossas instituições precisam ter calma nessa hora”, arrematou a ex-ministra de Bolsonaro.
SIMONE TEBET: “É hora de diplomacia, de senso e de consenso, sim, na defesa do Brasil, mas é hora de fazermos isso juntos, unidos, como uma única família, deixando de lado as diferenças políticas e de ideologia, na defesa, intransigente, do nosso país. Isto sim é que é ser patriota. Dar luz e vida soberana ao Brasil, a favor dos brasileiros. ”
PILULAS DIGITAIS:
Quando estou triste, as pessoas acham que é devido a relacionamento. Gente, eu só preciso de 100 mil reais! ( internet)
Por que todos lutam ferozmente por terra se, assim que têm terra, mudam pra cidade? (Millôr)
O Brasil, afinal, é um enigma que está longe de ser decifrado. (Mario Montanha)
Cidadão bebeu, a ressaca é 2 dias. Se votou errado, a ressaca é de 4 anos. (governador Caiado)
jul 7, 2025 | Colunistas
Gosto muito da história de amor de meus pais. Ele, Manoel Dantas de Oliveira, então um jovem aventureiro, cheio de vida e de sonhos, deixou a Bahia rumo ao Rio de Janeiro, na década de 50, onde se alistou na Marinha Brasileira. Não hesitou quando surgiu a chance de servir ainda mais longe: na fronteira do Brasil com a Bolívia, na próspera Corumbá, então parte do grande Mato Grosso (hoje, do MS).
Anos depois, um marinheiro amigo o convidou para passar o Natal e o Ano Novo numa fazenda em Bataguassu, onde morava sua família: os Aquino — gente de raiz forte e tradicional, fundadores da cidade de Anaurilândia. Foi nessa noite natalina, sob as luzes simples da fazenda e o calor da hospitalidade interiorana, que aquele jovem baiano conheceu a filha primogênita do velho Sebastião Aquino Barbosa e de Maurícia de Souza Barbosa. Seu nome era Dair Aquino. Bastou um olhar para que Manoel soubesse que era a mulher de sua vida.
Naquela época, quando o coração falava, a atitude não tardava. Manoel, cheio de amor, confiante, dirigiu-se ao patriarca da família e, com respeito e firmeza, pediu a mão de Dair em casamento. Prometeu voltar em um ano, com as alianças. O tempo, no entanto, tratou de impor suas provas. Missões longas pela Bacia do Rio Paraguai e operações marítimas de segurança nacional o impediram de cumprir o prazo combinado. E, com o passar dos meses, vieram as dúvidas, os boatos: “Ele não volta mais”. Um filho de fazendeiro rico da vizinhança surgiu como pretendente. A pressão era grande, mas o coração de Dair permanecia firme, pois já havia escolhido o seu eterno companheiro.
Quase dois anos depois, numa semana de festas preparada estrategicamente por membros das duas famílias para oficializar o pedido oficial do tal pretendente, eis que surge, pela estrada de terra, todo de branco, montado em um cavalo baio (pena que não era branco, como nos contos de fadas), o jovem marinheiro. Nas mãos, as alianças. No coração, o amor intacto. Foi direto ao velho “Bastião” para justificar o atraso e reafirmar o compromisso assumido. Naquele instante, o tempo pareceu parar. Os olhares se cruzaram com a mesma intensidade do primeiro encontro — mas agora carregados de saudade, expectativa e um amor provado pela espera. Dair, firme em sua decisão de seguir o coração, viu sua fé ser recompensada.
O gesto do jovem marinheiro — atravessar o país não só para cumprir uma promessa, mas para consolidar um sonho — emocionou não só a ela, mas a todos que presenciaram aquele reencontro. Foi como se Deus, que conhece o íntimo de cada coração, tivesse escrito esse capítulo com tinta invisível, revelada apenas aos que creem no poder da verdadeira fidelidade. Casaram-se pouco depois e partiram juntos para Corumbá, onde nascemos: eu e meus irmãos Rubens (primogênito), Edson e Edna.
Alguns anos depois, ele deixou a Marinha. Ingressou no Ministério dos Transportes, onde trabalhou no Serviço de Navegação da Bacia do Prata. Depois, mudou-se com a família para Campo Grande onde assumiu a direção da Campanha Nacional de Alimentação Escolar – CNAE, e permaneceu ali até a sua aposentadoria. Nunca deixou de cultivar o amor por nossa mãe — aquela que foi, e sempre será, a melhor que este mundo já viu.
Infelizmente, ambos partiram precocemente. Ela, em 1981, aos 46 anos; ele, em 1996, aos 66 anos — vítimas das consequências do (maldito) cigarro. Mas partiram depois de cumprirem, com honra e dignidade, o papel mais importante que se pode ter na vida: o de pai e mãe. Foram mestres da vida, que, com firmeza, amor e exemplo, nos ensinaram a caminhar neste mundo com retidão, perseverança e coragem.
Hoje, ao completar mais um ciclo de vida neste 3 de julho, percebo, com espanto e reverência, que sou mais velho do que meus pais chegaram a ser. E essa constatação me leva a uma profunda reflexão. Me vejo, muitas vezes, pensando neles — nos conselhos, nas broncas, nas orações. Nos gestos de carinho e nos olhares de aprovação que tanto marcaram minha infância e juventude. Eles não apenas nos deram a vida — a mim, ao meu querido irmão Rubens, ao Edson, à Edna e à nossa caçula, Márcia Christinne, que nasceu em Campo Grande — como nos ensinaram a vivê-la com dignidade.
Tornar-me mais velho do que meus pais viveram é, por si só, um presente e uma responsabilidade. É como se o tempo me tivesse dado um papel duplo: o de seguir adiante com a própria vida, mas também o de continuar, em cada gesto, a história que eles começaram. Cada manhã em que me levanto para trabalhar, cada conselho que dou aos meus filhos e às pessoas, cada escolha que faço com ética e respeito ao próximo, carrego neles a essência de Manoel e Dair. Eles me deixaram não apenas memórias, mas um modo de viver — e esse é o tipo de herança que nenhuma ferrugem corrói, nenhum tempo apaga.
Certamente, muito antes de eu nascer, já existia uma história de amor sendo escrita para me preparar o caminho. E ela tem nomes: Manoel e Dair.
E acima desses dois nomes tão especiais, está o nome de Deus — o Autor da vida, que confiou a esse casal a missão sagrada de trazer ao mundo filhos especiais, para serem moldados em princípios, fé e amor. Foi Ele quem costurou os encontros, sustentou os sonhos e abençoou cada passo dessa união. E é a Ele que elevo agora minha mais profunda gratidão, por ter me dado pais tão extraordinários. Que honra ter vindo ao mundo por meio de mãos tão nobres, orientadas por um amor que começou no Céu.
*Jornalista e Professor