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Bela Vista-MS Sábado, 07 de Março de 2026
4 Dias no mato sem cachorro: Por Wilson Aquino

4 Dias no mato sem cachorro: Por Wilson Aquino

Em meados dos anos 80 — julho de 1984, salvo engano — estourou um violento conflito entre índios e fazendeiros na região de Miranda, em Mato Grosso do Sul. Houve tiroteio, mortos e feridos, além de incêndios em aldeias e propriedades rurais. O clima era de guerra. Para conter a situação, deslocaram-se para lá policiais civis, militares e federais.

Na redação do Diário da Serra, nosso editor-chefe, Silvio Martins Martinez, decidiu enviar uma equipe para cobrir os fatos na manhã do dia seguinte. A missão coube a mim e ao fotógrafo Paulo Ribas, conduzidos pelo mais habilidoso, responsável e companheiro motorista com quem já trabalhei: meu xará, Wilson Rosa. O plano era simples: chegarmos cedo ao local, colher informações, registrar imagens e retornar a Campo Grande no final da tarde.

Não foi o que aconteceu.

Depois de chegarmos a Miranda, seguimos por um longo trecho de estradas vicinais até o acampamento das forças policiais, instalado em plena mata. A tensão era perceptível até entre os próprios policiais, pois os ataques podiam acontecer a qualquer momento, de qualquer dos lados. Sem possibilidade de manter contato com a redação, e diante da gravidade dos fatos, reuni minha equipe e tomamos juntos a decisão de permanecermos por mais tempo ali. A responsabilidade da notícia falou mais alto. Estávamos sem roupas extras, sem preparo para uma permanência longa, mas com a consciência de que não podíamos simplesmente voltar sem levar aos leitores a dimensão real do que se passava. Dormimos nos bancos do nosso velho Fusca, partilhamos refeições dos policiais, que nos receberam muito bem e aguardamos, sempre alertas. O Diário da Serra era o único veículo de imprensa do Estado fazendo a cobertura.

O clima, em vez de melhorar, piorou. Houve novos confrontos e a tensão cresceu ainda mais. A chuva torrencial e o frio não foram suficientes para arrefecer os ânimos. Assim, ficamos ali por quatro dias, sem direito sequer a um banho — quente ou frio. O jornalismo nos cobrava, e permanecemos firmes. A decisão de permanecer até ali foi dura, mas tomada em nome da verdade que tínhamos o dever de registrar.

Foram dias de sobrevivência. Dividíamos pequenas porções de comida com policiais, usávamos jornais como cobertores improvisados dentro do Fusca e enfrentávamos noites longas e frias. A cada estalo na mata, a incerteza de um possível ataque nos tirava o sono. O corpo sofria com o cansaço, mas o espírito permanecia aceso pela convicção de que estávamos ali para cumprir uma missão.

Não nego que em alguns momentos me questionei sobre até onde valia arriscar tanto em nome da notícia. Mas a resposta sempre vinha: o jornalismo não se faz à distância, nem com versões incompletas. Permanecemos porque sabíamos que, se recuássemos, a história seria contada por outros, talvez sem a fidelidade e a coragem necessárias.

A decisão de resistir também foi um exercício de coleguismo. Paulo Ribas, com sua câmera sempre pronta, e Wilson Rosa, com sua calma no volante e no trato, foram companheiros de trincheira. Havia entre nós um pacto silencioso, como ocorre ainda hoje nas equipes de jornalismo, principalmente os impressos e TV, quando se formam equipes que se tornam afinadas para as coberturas: não deixaríamos a verdade escapar, mesmo que isso custasse mais dias de sacrifício. Essa união foi essencial para suportarmos a pressão psicológica e física do ambiente hostil.

Ao final do quarto dia, a situação começou a dar sinais de controle, permitindo nossa saída do local, com um bom acervo fotográfico e de informações. Quando enfim retornamos, já em Miranda, deparamo-nos com outro grande caso policial. Conseguimos as primeiras fotos de quatro jovens turistas que viajavam pelo Pantanal e que foram brutalmente assassinados por coureiros — caçadores de jacarés que atuavam no tráfico de peles. Os rapazes e uma moça foram covardemente transformados em “tiro ao alvo” por puro divertimento dos caçadores. Enviamos os filmes e as informações a Campo Grande por meio de um motorista de ônibus interestadual e ficamos mais um dia em Miranda, acompanhando a caçada policial aos criminosos. A prisão só ocorreu dias depois, após troca de tiros: alguns caíram, outros fugiram e, salvo engano, apenas dois foram presos.

O então “major Rabelo”, hoje coronel da reserva Ângelo Rabelo, foi considerado herói nesses enfrentamentos. Corajoso, ele não hesitava em desafiar os bandos fortemente armados de coureiros que infestavam os rios e lagoas do Pantanal. Em um desses embates, seu piloteiro foi morto e ele recebeu um tiro que atravessou o ombro, deixando como sequela uma leve atrofia em sua mão. Nada disso, porém, foi suficiente para afastá-lo da luta.

Os coureiros eram temidos nacionalmente pela violência e pela destruição da fauna pantaneira. Além do tráfico, espalhavam carnificina e desrespeito à vida. Mas a persistência da polícia sul-mato-grossense, reforçada em homens e equipamentos, acabou prevalecendo e enfraquecendo a prática criminosa.

Quanto a mim, ainda guardo vívida a lembrança do retorno à minha casa, na noite do quinto dia. Ao sentir a água cair durante um longo e merecido banho, festejei em silêncio a sensação de missão cumprida. Mais do que higienizar o corpo, aquele banho simbolizou o alívio de ter atravessado dias de tensão e incerteza. Foram 4 dias no mato sem cachorro, mas com o coração cheio do compromisso que sempre guiou o meu ofício: contar a verdade, custe o que custar.

*Jornalista e Professor

 wilsonaquino2012@gmail.com

Leia Coluna Amplavisão: Simone & Lula? Mochi admite deixar o MDB

Leia Coluna Amplavisão: Simone & Lula? Mochi admite deixar o MDB

FICHA LIMPA: A lei contra os políticos que ‘avançaram o sinal’ ficará mais suave. Hoje, parlamentares federais, estaduais ou municipais que perdem o mandato ficam inelegíveis pelo resto do mandato e nos 8 anos seguintes. No futuro, a ilegibilidade contará da data da perda do mandato, reduzindo o prazo que o político estará impedido de concorrer.

OPINIÕES: Divididas, porque a sociedade civil se mobilizou pela ‘Lei da Ficha Limpa’ que detonou 5.000 candidaturas em 10 anos. Alguns casos da sua aplicação ficaram gravados na memória – como do ex-governador Garotinho, do ex-deputado Eduardo Cunha e do ex-senador Delcídio do Amaral. E você, aprova ou não?

PERA LÁ! Pelo perfil dos 513 deputados federais, vamos encontrar apenas a minoria  realmente vocacionada para os desafios do cargo. A situação financeira do candidato não garante um mandato de qualidade. A tese vale inclusive para as eleições no Mato Grosso do Sul, onde alguns nomes já são ventilados para a Câmara Federal.

LEMBRANDO:  Numa de suas passagens pela presidência da Assembleia Legislativa  Londres Machado era cobrado para tentar a Câmara Federal. Ele sempre se esquivava argumentando: ‘ Em Brasília, é preciso que o parlamentar seja um especialista em determinada área, participando de comissões inclusive. Sou mais útil aqui.

PREOCUPA: O advento das federações partidárias preocupa os deputados estaduais. Cada qual com sua contabilidade nas projeções e de olho nos acertos com prefeitos, vereadores e as lideranças que rendem votos. Confira abaixo a relação dos deputados e respectiva votação em 2022.

ELEIÇÕES 2022:  Mara Caseiro 49.512, Paulo Corrêa 49.184, Zeca do PT 47.193, Jamilson 43.435, Zé Teixeira 39.329, Lídio 32.412, Caravina 31.952, Coronel Davi 31.480, Kemp 27.969, Lucas 26.575, Mochi 26.108, J. Catan 25.914, Gerson 25.839, Londres 25.691, A. Vaz 19.395, R. Câmara 17.756, Neno 17.023, Marcio 16.111, Pedrossian 15.994, Lia N. 15.153, Hashioka 13.662, Rinaldo 12.800, Glaucia Jane 16.918, Paulo Duarte 16.663.

VEJA BEM: Em muitos casos não bastará só repetir a votação para garantir a vaga. O jogo em 2026 será diferente de 2022. Além das ‘federações partidárias’, haverá a concorrência de candidatos estreantes com ‘bala na agulha’. E não se pode ignorar a influência do pleito presidencial. Afinal, vivemos num estado conservador.

MARCOS POLLON: Para o deputado federal, o enfrentamento faz parte da democracia; a função do parlamento não é de levar obras, mas sim debater ideias; hoje haveria muitos discursos eloquentes, mas incoerentes; inadmissível discutir a anistia sem incluir Bolsonaro; a anistia está nas mãos de Hugo Mota.

E MAIS… Pollon reconhece a capacidade política de Azambuja, mas defende uma candidatura ao senado exclusivamente ligada à direita. Lembra que foi o mais votado na capital com 38.410 votos do total de 103.111 votos, sem apoio de prefeitos, vereadores e governo, além de não contar com recursos financeiros. E agora?

‘DESCONFORTO’:  No saguão da Assembleia especula-se como serão as relações entre o deputado João H. Catan e o ex-governador Reinaldo no PL. As razões: Catan é  um crítico mordaz da administração estadual  e são notórios os laços fraternais que unem o ex-governador a Eduardo Riedel. ‘Mexeu com um, mexeu com o outro’.

BALA NA AGULHA: Experiente, Azambuja tem a leitura do quadro que o espera no PL. Para ganhar maior confiança levará como ‘dote eleitoral’ a filiação de 18 prefeitos interioranos, além de contar com a presença do presidente Valdemar C. Neto, Mas até o dia 21 poderemos ter novidades, inclusive a filiação de outros personagens.

MEMÓRIA: Para os eleitores bolsonaristas são inevitáveis as comparações entre o processo contra Lula e aquelas decisões da justiça beneficiando empresários e políticos implicados na ‘Lava Jato’.  Há é claro, um sentimento oceânico contra a postura de alguns ministros do STF. Como sugere o título novelesco da Globo: Vale tudo!

COMPARANDO:  Lula só foi preso após condenado em primeira e segunda instancia, num processo marcado pelo contraditório e ampla defesa. A justiça usou de equilíbrio. Agora, questiona-se no campo jurídico, se mesmo sem condenação em primeira ou segunda instância, justifica-se a imposição das duras medidas contra Bolsonaro? Pesos e medidas adversas, sem dúvida.

DO LEITOR: “ O PT precisou buscar um nome de fora para tentar ganhar musculatura em 2026. O sucesso do partido em nível nacional não se repetiu aqui como mostram, por exemplo, as derrotas de Teruel, Vander, Alex e Delcídio. No fundo, a agremiação ficou ao longo dos anos circunscrita ao mando de alguns poucos. ”

COERÊNCIA: É a marca do deputado Junior Mochi.  Em 2018, apesar das condições adversas, foi fiel ao MDB como postulante ao Governo. Agora no 4º mandato, faz sérias restrições as pretensões da ministra Simone Tebet como candidata ao Senado, uma força auxiliar da candidatura Lula. Neste caso, Mochi até admite deixar o MDB.

LÍDIO LOPES: Após passar pela Câmara da capital, o deputado Lídio Lopes chegou à Assembleia após disputar o pleito de 2010. Eleito para o 4º mandato em 2022 com 32.412 votos, ele não esconde seu otimismo nas projeções para 2026. Ao colunista revelou: visitou todos os municípios e foi votado em todos eles nas últimas eleições.

PETISTAS: Como manda a tradição, adoram ‘boquinhas’ no serviço público. Aqui não é diferente, mesmo após a propalada reunião e declaração de dirigentes. Foi exatamente sobre a esperada demora de petistas em deixar o Governo Estadual, é que o deputado Neno Razuk teceu finas ironias na Assembleia. Curioso Zeca e Kemp calados.

JUSTIÇA: Princípio elementar: a lei assegura a todos cidadãos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, princípios que devem ser obedecidos em todos os julgamentos. O que não é permitido, é transformar o STF num palco de revanchismo político, sob o risco de ser visto como ator político neste processo contra Bolsonaro.

NA INTERNET: “ Mesmo dura, a crítica é própria da democracia. Vivemos em tempos de tensão: a liberdade de manifestação se cruza com a atuação da justiça. A criminalização desmedida das opiniões sufoca a liberdade de expressão.  O direito penal não pode servir de instrumento para sufocar ou intimidar a manifestação dos cidadãos. ”

‘SACADAS’ DO LUIS FERNANDO VERÍSSIMO:

No Brasil, o fundo do poço é apenas uma etapa.

O futuro era muito melhor antigamente.

Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.

O que separa o homem dos bichos, é que o homem sabe que é irracional.

Se o mundo está correndo para o abismo, fique de lado e deixe ele passar.

Aposentado é o vagabundo sem culpa e com renda ainda que seja insuficiente.

Após certa idade, é temerário fazer aniversário. Todo “Parabéns” soa como ironia.

A corrupção é antiga no Brasil. As “contas” que o Cabral trocou com os índios já não fechavam.

Máxima usada no futebol e por políticos investigados: a melhor defesa é o ataque.

Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido.

Não sei para onde caminha a humanidade. Mas quando souber vou para o outro lado.

Quando você acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.

O fantasma da redação do Diário da Serra: Por Wilson Aquino

O fantasma da redação do Diário da Serra: Por Wilson Aquino

Durante décadas, desde os anos 60, o Diário da Serra, de Campo Grande –Fundado em 29/05/68 por Assis Chateaubriand – fez história no jornalismo sul-mato-grossense (então Mato Grosso uno), como parte do poderoso grupo Diários Associados, que reunia veículos de comunicação em todo o país. Foi um berço de grandes profissionais, que imprimiam talento, coragem e dedicação em cada edição, até seu encerramento, no dia 15 de novembro de 1998, três anos depois de vendido para o empresário e jornalista Antônio João Hugo Rodrigues, um dos donos do principal concorrente, o Correio do Estado.

Entre as décadas de 70 e 90, a disputa entre os dois jornais lembrava os eternos clássicos Operário X Comercial ou até mesmo um Fla X Flu: cada manchete, cada capa, cada reportagem era um embate palmo a palmo. A política e o esporte eram as editorias mais disputadas, mas em todas as áreas havia o empenho de vencer o concorrente na corrida pelo furo de reportagem.

Eram tempos de jornalistas aguerridos, que cultivavam fontes estratégicas tanto na esfera pública quanto na privada. Cada repórter vivia a adrenalina da notícia e, no dia seguinte, corria cedo às bancas de revista ou à redação para ver sua matéria impressa, comparando imediatamente com a cobertura do “adversário”. Esse duelo silencioso era combustível para o aperfeiçoamento constante.

A concorrência, no entanto, era saudável. Longe de enfraquecer o jornalismo local, fortalecia-o. Quem mais ganhava era o leitor, que recebia informação de qualidade, análises aprofundadas e ampla cobertura dos fatos que moldavam a vida política, econômica e cultural da cidade e do Estado, que se dividiu em 1977, com a criação do Estado de Mato Grosso do Sul naquele ano. Cada edição era uma espécie de prestação de contas à sociedade, que, por sua vez, alimentava o hábito de acompanhar de perto os acontecimentos e de formar opinião.

Essa disputa editorial também obrigava as redações a inovarem. O esforço para publicar reportagens exclusivas, trazer entrevistas inéditas e explorar novos formatos era constante. O jornalismo, assim, não se acomodava: vivia em ebulição, sempre em busca de oferecer ao público algo a mais. O trabalho coletivo, somado ao orgulho de vestir a camisa de um veículo, transformava repórteres, fotógrafos, diagramadores e editores em verdadeiros operários da notícia.

O Diário da Serra, onde comecei e atuei por muitos anos, buscava modernizar-se nos processos de impressão, que evoluiram mais rapidamente, enquanto a redação ainda preservava o charme barulhento das Remington, Olivetti e Lexicon. Ao cair da tarde, quando todas as editorias se apressavam para fechar os textos do dia, o ambiente virava uma sinfonia única. O tilintar das máquinas de escrever formava uma orquestra sem maestro, mas com um som inconfundível: o som da notícia nascendo.

Foi nesse cenário vibrante que, em meados dos anos 80, apareceu um novo vigilante noturno do jornal, de nome Adelson. Caberia a ele cuidar do prédio da Rua Engenheiro Roberto Mange, das 18h às 6h da manhã seguinte. Em seu primeiro dia, ficou impressionado com a velocidade com que repórteres transformavam ideias em palavras, batendo forte nas teclas, como se cada matéria fosse um combate contra o tempo.

À noite, porém, a cena mudou radicalmente. Após as 21h, a redação mergulhou em um silêncio absoluto. Adelson, sozinho em sua guarita, percorria o prédio para usar a copa ou o banheiro. E, numa dessas idas e vindas, na madrugada desse primeiro dia, decidiu novamente atravessar a redação que tanto o havia encantado algumas horas antes.

Acendeu as luzes. Caminhou entre as mesas alinhadas, agora imóveis. Tudo estava quieto demais. Por alguns instantes sentiu falta daquela sinfonia das máquinas em pleno tilintar como testemunhara algumas horas antes. Foi quando divagava nessas lembranças que o improvável aconteceu, rompendo o silêncio absoluto daquela sala: uma máquina de escrever começou a datilografar sozinha.

As teclas batiam rápidas, o papel rolava, palavras se formavam sem que houvesse alguém diante dela. Adelson, paralisado, sentiu o corpo gelar. Seu coração acelerou, os pelos se eriçaram, as pernas simplesmente se recusavam a obedecê-lo. Ele assistia, incrédulo, àquela cena de puro assombro: a redação estava vazia, mas o som da datilografia ecoava vivo e ele vendo tudo, imóvel.

Com esforço, conseguiu recuar e, trêmulo, correu de volta à guarita. Passou o resto da madrugada ali, em estado de choque, esperando a manhã chegar. Às 6 horas abandonou o posto decidido: nunca mais voltaria àquele jornal mal-assombrado.

No dia seguinte, comunicou à empresa de segurança em que trabalhava, que não iria mais retornar ao prédio, por conta do fantasma da redação. A notícia se espalhou rapidamente e deu muito o que falar entre os jornalistas e funcionários, que deram muitas risadas pois o que Adelson não sabia e a direção da empresa de segurança também não, era que o que fora ativado naquela noite e que assombrou o segurança foi o revolucionário Telex que entrava em operação a qualquer momento, trazendo notícias e informações de centrais de outros Estados.

Adelson nunca mais voltou. Para ele, não havia explicação técnica que desfizesse a cena presenciada: a máquina datilografando sozinha, como se guiada por mãos invisíveis de um fantasma na redação do Diário da Serra.

*Jornalista e Professor

Ladário, Palco de Histórias e de Amores! Por Rosildo Barcellos

Ladário, Palco de Histórias e de Amores! Por Rosildo Barcellos

Há de se considerar que existe uma razoável produção sobre a História de Mato Grosso (Uno), entretanto nota-se que a cidade de Ladário ficou relegada ao esquecimento, neste quesito. Poucos estudiosos elegeram a cidade como cenário ou objeto de suas obras ou, ainda, como campo de indagação histórica. A maioria dos textos sobre a história do estado, ao abordar o município de Ladário, limita-se ao período de sua fundação em 1778, por conta da política geoestratégica de ocupação lusitana, e ao período de sua emancipação político-administrativa, em 1954.

Todavia, a cidade de Ladário apresenta um conjunto de valores que, automaticamente a torna para mim uma das maiores possibilidades de Patrimônio Turístico potencial, de nosso Estado.  Certamente que a cidade desfruta de uma situação privilegiada onde se equilibram com o mesmo peso os aspectos naturais, históricos e culturais.

Prefeito de Ladario e esposa

Inclusive ressalto que no dia 07 de setembro, para o desfile cívico-militar a interdição de ruas começará às 07h, na Avenida 14 de Março entre as Ruas Almirante Frontin, Riachuelo, Cunha e Couto, além das Ruas Dom Pedro II e Saldanha da Gama. Durante a semana toda, teremos eventos a começar por Jariston lima.  O cantor gospel Jariston Lima vem mostrando cada vez mais força no cenário musical, o artista traz ao público a faixa “Acalma aí”, que chega nas plataformas digitais pela gravadora Hineni Records. O single conta com a produção musical do sul-mato-grossense Flávio Guedes. “Acalma aí” é uma composição do sul-mato-grossense Thales Belchior, que eu admiro pela homenagem que fez a Airo Barcellos. Por outro lado o atual prefeito teve 58,52% dos votos dados a todos os candidatos, Munir Sadeq Ramunieh; que ao lado da prestigiada Roberta Ramunieh, vereadora mais votada de Ladário, atuando como  Secretária de Assistência Social do município, e Chico de Siqueira, na Fundação de Cultura, estão cuidando pessoalmente, da recuperação do brilho cultural da cidade.

Vereador Jonil

Podemos ainda, encontrar como local de visitação a Praça Almirante Gastão Brasil, onde se encontra a máquina locomotiva que desbravou a região trazendo o minério do Urucum ao Porto de embarque, trazida pelos ingleses que faziam a exploração no início do século. Também temos a estátua da Irmã Maria Regula Huber, nascida na Alemanha Ocidental em 1911 chegou em Ladário em 26/06 de 1942 a bordo do navio Fernandes Vieira e fundou a escola São Miguel trazendo um novo impulso ao conhecimento na cidade.

Outro ponto de visitação interessante é o mirante Pantaneiro inaugurado a 02 de setembro de 1993 próximo a barranca do Rio Paraguai e também está eternizado através de um busto, a homenagem ao maior escultor de todos os tempos da cidade de Ladário, João Lemos de Barcellos, frase essa dita pelo ex- prefeito José Assad, que lembrou que era ele que quando criança molhava a rua, com balde d‘água, antes de João Lemos vir caminhando com seu violão, para fazer serenata pelas ruas. Por derradeiro, de presente, neste aniversário da Pérola do Pantanal, resta-nos sonhar que ela não se solte dos trilhos do desenvolvimento e possa fomentar de forma equânime: o turismo, o trânsito, na pessoa da estimada Rosalina Damiana; a educação, o esporte e cultura para que o futuro possa resplandecer glorioso, doravante. O vereador Jonil, um dos descendentes, participa desta legislatura e estará auxiliando neste trabalho de soerguimento. A pessoa que agradeço pela indicação ao título de Cidadão Ladarense a receber em  setembro de 2025.

*Articulista

 

Leia Coluna Amplavisão: Candidato perfeito? Nem no ‘Mercado Livre’

Leia Coluna Amplavisão: Candidato perfeito? Nem no ‘Mercado Livre’

‘COISA DE DOIDO’: Basta consultar o ‘google’ e sabemos tudo. Aí ficamos sábios, damos show de conhecimento. Esse ‘poço de sabedoria’ ajuda a todos nós: do mecânico ao médico em dúvida. Para arrematar, a fantástica ‘inteligência artificial’ espalha a preguiça para a gente não pensar mais. Onde é que vamos parar?

CONCEITOS:  Política é a atividade exercida pelo cidadão quando exerce seus direitos versando sobre assuntos públicos através da sua opinião e do seu voto. A política vai além dos debates parlamentares e das disputas eleitorais. Ela se faz presente em todos aspectos do nosso cotidiano, na família e no grupo social.

UM INSTANTE! É preciso dosar os elogios aos políticos tidos como tecnocratas sob pena de execrarmos o político raiz, responsável pela ação de ouvir as comunidades. Cabe lembrar que os técnicos chegam ao poder tendo os políticos tradicionais como aliados de primeira hora. Mas nem sempre os argumentos técnicos seduzem o eleitor.

COITADINHOS? A União ajuda muito mais os pequenos municípios do que as metrópoles: R$1.816,21 (per capita) e R$ 392,77 respectivamente. Além das transferências obrigatórias como o FPM, o Fundeb na educação e os repasses do SUS na saúde, houve também a explosão de emendas direcionadas as cidades de porte menor.

DISTORÇÕES: Às vezes pequenas localidades ganham recursos e que são aplicados sem o devido planejamento. Exemplo: instalar um posto de saúde sem ter verba para  contratar médicos ou adquirir equipamentos sem técnicos para operá-los. Falta análise de como a verba está sendo repassada/aplicada e quais as consequências de tudo isso.

CONCLUSÃO: O sistema federativo acaba sendo prejudicado diante destas distorções na aplicação do dinheiro público. Percebe-se: o olhar político só interessado no retorno eleitoral, não leva em conta vários aspectos. Um deles: a falta de projetos qualificados  para atender esse e aquele setor da administração. Aí, gasta-se mal a verba carimbada.

TARCÍSIO DE FREITAS: “…Eu sei eu tudo isso aqui vai passar…os amigos por interesse vão embora…esse glamour de governador vai acabar…morar no palácio vai acabar. E a gente vai voltar a vida que nós tínhamos e nós vamos ser felizes…Eu não me importo em nenhum momento de voltar pra onde a gente veio…” (em 17/junho/2024)

MUDANÇAS: Esse trecho do discurso retrata a posição dele naquele momento. Mas o cenário mudou e ele também. O caso Bolsonaro, sua atuação como gestor e seu nome em destaque nas pesquisas são fatores que influenciam a nova postura de Tarcísio. Suas declarações na Festa do Peão em Barretos mostram bem isso. Portanto…

APEGO AO PODER: Questiona se os filhos de Bolsonaro teriam interesse em fomentar a sobrevivência do bolsonarismo sem o ex-presidente ou alguns deles no comando? Essa situação nos remete a época da conturbada França de Luiz XV e com a pretensiosa frase de sua amante Madame de Pompadour: “Depois de nós, o dilúvio”.

LEMBRETE 1: Em 2026 o tempo poderá ser o maior adversário dos candidatos. Mais letal que os adversários. A tese se aplica aos cenários estadual/nacional. Os políticos são comparáveis aos aviões com tempo fixo de voo: os equipamentos se desgastam e devem ser trocados. Mas os políticos rejeitam a recomendação e são ‘abatidos’ em pleno voo.

LEMBRETE 2:  “Nada existe de permanente, a não ser a mudança” – dizia Heráclito  bem antes de Cristo. Basta o leitor exercitar a memória e identificará em sua cidade e estado, – a cada eleição – políticos derrotados pelo ‘excesso de horas de voo’. Tem políticos que até tentam maquiar os sinais da fadiga, mas acabam despachados.

LEMBRETE 3:  Candidato perfeito? Nem por encomenda no ‘Mercado Livre’. Hoje a internet permite profunda investigação sobre o currículo do político. O eleitor cada vez mais cético, tende adotar outro olhar nas relações com os políticos. Quais os vínculos que o prenderiam? Favores, empregos? Os cabrestos cada vez mais raros.

CONFIANÇA: Pelo que tenho ouvido de deputados na Assembleia, a candidatura de Gerson Claro ao Senado segue firme e forte, com espaço para consolidar.  O presidente da Assembleia Legislativa vem se revelando artesão político aplicado nesta fase delicada e decisiva de costuras que exige habilidade e também coragem. É claro!

DÚVIDAS: Não faltam nos papos do saguão da Assembleia, onde os políticos são dissecados um a um. ‘Como Reinaldo será recebido no PL de Bolsonaro? Conseguirá ser o líder como no PSDB? Atravessará sem desgastes o período nebuloso envolvendo seu nome na justiça? O excesso de exposição na mídia não resultará em fadiga eleitoral?

APOSTAS: Apenas duas candidaturas competitivas ao Governo em 2026?  O que antes parecia questão resolvida vai apresentando mais dúvidas do que certeza. Essa prisão de Bolsonaro tende a aumentar a ferida eleitoral, dando espaço ao grupo mais identificado com a direita radical. Isso sem contar a animação do PT devido ao fator Lula.

DIVÓRCIO:  Nem sempre o termo ‘amigável’ condiz com a realidade das partes. A saída (futura) do PT do Governo Riedel, por mais tranquila que seria na versão petista, deve ter desdobramentos no embate eleitoral.  As críticas sutis de hoje dos petistas na Assembleia ganharão outra dimensão em breve. Um ‘casamento’ por interesses.

REAÇÕES: Nos corredores da Assembleia fala-se que o Governo Riedel já estaria preparando munição para se defender das futuras críticas petistas. No fundo, ele sempre soube que essa ‘convivência’ fora por interesses mútuos e que em 2026 terá que medir forças com os apoiadores de Lula. Aliás, até as crianças sabiam.

A PARTILHA:  Sem entrar no mérito em respeito ‘in memoriam’ ao saudoso Nelson Trad, ouço observações sutis sobre o uso referencial pelos filhos e a disputa pelo seu espólio político. Cada um deles, por interesse próprio, em cada ocasião, com citações sobre o elogiado currículo do pai. Mas convém lembrar: O Nelson era político.

PILULAS DIGITAIS: 

Garotinho, Eduardo Cunha e José R, Arruda de volta? O Brasil merece!

Eleições: quem tem dinheiro ganha. Quem não tem, apanha! (internet)

Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza. (Oscar Wilde)

Se os porcos votassem, o tratador deles seria eleito, não importa quantos suínos ele já abatera no recinto ao lado. (Orson S. Card)

Incoerência chamar eleições de festa democrática, se o voto é obrigatório. (internet)

Todo cego moral se julga um guia dos povos. (Millôr)

 

Ah!  Manda… Por Rosildo Barcellos

Ah! Manda… Por Rosildo Barcellos

Desde que o presidente Michel Temer sancionou a lei 13407/16, a data de 27 de agosto, se tornou o Dia Nacional do Psicólogo, por proposição do Deputado Jorge Silva (PHS/ES), que escolheu esta data porque a profissão foi regulamentada em 27 de agosto de 1962, no Brasil. No Equador 14 de agosto, no Paraguai 22 de maio e assim cada país vai celebrando seu dia. Existem atualmente com os dados do Conselho Federal de Psicologia, 258 mil profissionais em todo o país. O profissional de psicologia é tecnicamente um conhecedor da mente humana. A palavra deriva do grego e significa psyche (mente ou alma) e logos (conhecimento), ou seja, “ciência da alma”:  Os filósofos foram os precursores das  especulações em relação a problemas psicológicos, em busca de respostas sobre a natureza da alma e de sua relação com o corpo. Entretanto Freud, em “O mal-estar na civilização” (1929), indagava se o progresso civilizatório e tecnológico não teria cobrado preço alto demais do indivíduo. Propôs que a renúncia à agressividade /esforço do desenvolvimento civilizatório/ produziu seu retorno em forma de sentimento de culpa..  Ele deixa ao encargo dos futuros psicanalistas a investigação sobre as formas de sofrimentos vindouros, posto que a civilização e suas constantes transformações que substancialmente continuariam a impor, ao homem, coerções e maneiras de viver e pensar.

Assim a crise da realidade, ou de achar que não e amada é um conceito vindo da literatura e da psicanálise contemporânea, e que  delineiam aspectos históricos e culturais da organização social e da psique humana desde a modernidade, até os dias de hoje. Desta feita, apesar de muitos filósofos e pensadores terem se ocupado da mente humana em seus estudos, foi apenas no século XVI que apareceu pela primeira vez o termo psicologia, quando o humanista croata Marco Marulik  publicou “A psicologia do pensamento humano”. Hoje, a definição da psicologia caminha em uma outra estrada: o psicólogo estuda os fenômenos da mente e do comportamento do homem com o objetivo de compreender e orientar os indivíduos a enfrentar suas dificuldades emocionais e ajudá-los a encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção.

Neste momento, “kamau” vislumbra uma boa definição do  indefinível e mais perigoso sentimento, e ao mesmo tempo tão necessário, e que tantos psicólogos tentaram perscrutar:

Momentos vão e a história fica  Ninguém explica de onde vem, pra onde vai. O sentimento que atrai do pensamento não sai, e o envolvimento, “quer mais”, No esquecimento não cai. Eu cai fácil nessas armadilhas. Quando o olho brilha ele não mente e por mais que a mente se negue; enganar o que o coração sente, quem consegue?

Pra que evitar se é verdadeiro? Por que tentar lidar se é passageiro?  Como encontrar o que vá durar? Que seja o mais perfeito, eterno e derradeiro.  O meu, foi confundido, iludido, dividido,  mal – entendido, despercebido, e ás vezes nem sequer correspondido. Mas se o cupido resolver acertar. A gente fica sem saber se portar e nem se comportar. Então quem sou eu pra falar? E muito menos julgar? E se alguém disser que manda no coração eu retruco. Ah! … Manda.

*Articulista