set 24, 2015 | Economia

Frigorífico de Anastácio ativa setor de desossa e emprega mais 250 pessoas
A unidade de Anastácio da JBS deu início nesta quarta-feira (26) à atividade de desossa, demanda que provocou a contratação de mais 250 trabalhadores. Agora, a unidade já dá emprego direto a 520 pessoas. Reaberto há um ano e quatro meses, o frigorífico de Anastácio restringia-se apenas ao abate de até 700 cabeças ao dia; as carcaças eram enviadas a outras unidades para serem desossadas e embaladas, explica o gerente industrial Júlio Nascimento.
As boas notícias não param por aí. Até o fim do ano, a intenção é começar a exportação direta a Israel, o que deve abrir mais vagas de trabalho já que a unidade tem capacidade para desossar um volume três vezes superior ao que abate, portanto vai passar a absorver a produção de outras localidades e direcionar tudo para o mercado exterior.
Na contramão do momento delicado da economia nacional, a JBS de Anastácio anima a economia local e reacende a esperança em uma multidão, que já conseguiu ou que ainda aguarda emprego. E não é para menos: se a notícia do fechamento do frigorífico, em 2009, foi capaz de jogar Anastácio e também Aquidauana num ambiente sombrio de retração econômica, a volta das atividades, em junho de 2014, surtiu o tão aguardado efeito contrário.
Testemunha próxima e protagonista dos fatos que culminaram na reabertura do frigorífico, o deputado estadual Felipe Orro (PDT) esteve presente na solenidade simples que marcou o início das atividades de desossa e falou para os funcionários (os antigos e os novos) e também para autoridades e diretores da empresa.
“Enquanto o Brasil se prepara para enfrentar a crise, aqui em Anastácio se abrem oportunidades de trabalho. Isso é muito bom, o pai, a mãe de família ter a garantia do salário no fim do mês, a tranquilidade da carteira assinada, os direitos trabalhistas, a segurança da família. Parabéns à JBS, que acreditou e apostou no potencial da região, e parabéns aos trabalhadores e trabalhadoras que tiveram de volta seus empregos”, disse o deputado.
A luta para reabrir a planta do frigorífico de Anastácio começou em 2009, logo após o anúncio do fechamento da unidade, então sob a bandeira do Grupo Kaiowa. Felipe Orro liderou comitivas a Campo Grande e Brasília, em tratativas com as autoridades sanitárias, governo do Estado, Ministério da Agricultura, parlamentares, enfim, todos que pudessem contribuir para solucionar o imbróglio que envolvia a falência do grupo Kaiowa e abreviasse o tempo de espera dos trabalhadores desempregados.
“Foi uma luta difícil, e como toda boa luta envolveu muita gente e a vitória está garantida. Mas eu quero aqui parabenizar e cumprimentar o Ministério da Agricultura, na pessoa do Amélio Ocampos, agente sanitário, que fizeram o impossível para preservar intactas as instalações, o maquinário, e garantir a validade do SIF (Serviço de Inspeção Federal, um selo de garantia da qualidade dos produtos emitido pelo Ministério e sem o qual a unidade não pode exportar).
Com a ativação do setor de desossa, sobe para 520 o número de empregados diretos da unidade de Anastácio da JBS, segundo o gerente industrial Júlio Nascimento. Nos próximos quatro meses a intenção é desossar e embalar todo o volume abatido, de 700 cabeças. E para o próximo ano a unidade pode receber carcaças de outras localidades onde o setor de desossa ainda não esteja funcionando. “Nossa capacidade total é para desossar 2.500 cabeças/dia”, disse.
Estavam presentes na solenidade, além do deputado Felipe Orro (PDT), o prefeito de Anastácio, Douglas Figueiredo; vereadores, secretários municipais e diretores da empresa.
João Prestes
set 4, 2015 | Economia

Apesar da queda, índice supera mesmo período de 2014 e inflação acumulada chega a 9,47%.
Depois de registrar elevação no mês de julho, a inflação de Campo Grande voltou a cair. Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), divulgado mensalmente pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas (NEPES) da Universidade Uniderp, ficou em 0,31%, abaixo do índice de julho, que foi de 0,51%. O índice do mês passado superou em 0,08% o mesmo período de 2014, quando o indicador registrado foi de 0,23%.
O grupo Habitação atingiu 0,38%, sendo o que mais contribuiu para a elevação da inflação na capital. Ainda, com inflações positivas estão Saúde, com 0,76%, Despesas Pessoais 0,64%, Vestuário 0,46% e Transportes, com 0,32%. O grupo Alimentação teve índice negativo de -0,18%, algo muito esperado pela comunidade.
Segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas da Uniderp, Celso Correia de Souza, a inflação acumulada, que atualmente é de 9,47% pode atingir os dois dígitos, ou seja, se tornar maior que 10%, um impacto negativo na vida das famílias campo-grandenses. “Certamente, as medidas heterodoxas até agora adotadas pelo atual governo, com crédito fácil a juros baratos subsidiados pelo governo para incentivar o consumo fez com que o endividamento crescesse muito. É hora do retorno à ortodoxia, mantendo os juros mais elevados, reduzindo o papel dos bancos oficiais, diminuindo a quantidade de créditos por eles ofertadas, fazendo diminuir o consumo. Com isso, a inflação deve ceder”, acredita o professor.
Inflação acumulada – A inflação acumulada nos últimos doze meses, em Campo Grande, é de 9,47%, muito acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 6,5%. As maiores inflações no período, por grupo, foram: Habitação 12,43%, Despesas Pessoais 11,49%, Alimentação 11,26% e Transportes 10,63%.
Ponderando os oito meses de 2015 a inflação acumulada já ultrapassou o teto da meta, chegando a 7,57%. Destacam-se com as maiores inflações acumuladas os grupos:Habitação 11,92%, Despesas Pessoais 10,18% e Educação 8,07%. O grupo Vestuário está com deflação acumulada em 2015, de (-0,51%).
Em análise do cenário, o professor Celso Correia acredita que só haverá contenção da inflação acumulada caso os próximos índices sejam menores que os registrados nos últimos meses de 2014. Se essa expectativa se concretizar “a partir de outubro pode até ocorrer que a inflação acumulada deste ano não ultrapasse os 10%, resultado que seria muito interessante às autoridades governamentais. Se, realmente, as medidas do CMN surtirem os devidos efeitos, o retorno ao centro da meta, que é de 4,5%, com bastante otimismo, só acontecerá durante o ano de 2016”, diz o pesquisador.
Os dez mais e os dez menos do IPC/CG – Os responsáveis pelas maiores contribuições para a inflação do mês de agosto foram: Sabão em pó (0,08%), tênis(0,07%), gasolina (0,07%), acém (0,06%), bebidas alcoólicas (0,04%), papelaria (0,03%), pão francês (0,03%), sabonete (0,03%), aluguel apartamento (0,02%) e esponja de aço (0,02%).
Já os dez itens que mais ajudaram a segurar a inflação nesse período com contribuições negativas foram: batata (-0,09%), impressora (-0,08%), pescado fresco(-0,04%), arroz (-0,03%), óleo de soja (-0,03%), laranja pêra (-0,03%), papel higiênico (-0,02%), tomate (-0,02%), alface (-0,02%) e linguiça fresca (-0,02%).
Segmentos
Com índice bem menor que o mês anterior, o grupo Habitação apresentou uma moderada elevação de 0,38%. Alguns produtos/serviços deste grupo que sofreram majorações de preços foram: esponja de aço (8,59%), sabão em pó (7,14%), forno micro-ondas (6,07%), entre outros com menores aumentos. Quedas de preços ocorreram com: impressora (-6,82%), carvão (-6,22%), desinfetante (-1,75%), entre outros.
Considerada a vilã da inflação na maior parte do ano, em agosto a Alimentação fechou o período com índice negativo: -0,18%. Os produtos desse grupo que obtiveram elevação de preços foram: sopa desidratada (18,15%), goiaba (15,50%), cebola (13,14%), melancia (11,90%), entre outros com menores aumentos. Fortes quedas de preços ocorreram com os seguintes produtos: batata (-24,50%), chuchu (-19,41%), salsa (-17,55%), laranja pera (-14,26%), entre outros.
O pesquisador da Anhanguera-Uniderp explica os motivos da variação. “O grupo Alimentação sofre muita influência de fatores climáticos e da sazonalidade de alguns de seus produtos, principalmente, verduras, frutas e legumes. Alguns produtos aumentam de preços ao término da safra, outros diminuem de preços quando entram na safra. Quando o clima é desfavorável há aumentos de preços, ocorrendo quedas quando o clima se torna favorável”, diz Correia.
Quando o assunto é carne,dos quinze cortes bovinos pesquisados, treze deles sofreram aumentos de preços. São eles, acém (5,87%), cupim (4,80%), lagarto (4,68%), ponta de peito (4,58%), paleta (4,47%)patinho (4,33%), filé mignon (3,99%), costela (2,95%), músculo (2,65%), contrafilé (1,43%), alcatra, picanha (0,46%), vísceras de boi (0,18%). As quedas de preços foram registradas no coxão mole (-0,35%) e no fígado (-0,30%).
O frango resfriado também teve aumento de 1,08% e os miúdos 6,61% de reajuste. A carne suína registrou o mesmo comportamento em dois cortes: costeleta, com 5,94% de elevação no preço, e pernil com aumento de 1,48%. A bisteca teve deflação de -4,77%.
“A valorização da carne bovina está atrelada principalmente à baixa oferta de boi gordo para o abate e a entrada de boi de confinamento, que historicamente tem um preço mais elevado do que o boi de engorda a pasto. Ao mesmo tempo, a demanda no varejo deve ter sido maior. Está havendo uma migração de consumidores dos cortes mais caros para cortes mais baratos. Por outro lado, a exportação de carne bovina tem aumentado, favorecida pela desvalorização do real frente ao dólar”, analisa o pesquisador da Uniderp, Celso Correia.
Apresentando moderada inflação estão os grupos Transportes, com índice da ordem de 0,32%, devido aumentos nos preços da gasolina (1,83%), e pneu novo (0,08%); e Educação com 0,35%, resultante de elevações em produtos de papelaria (4,45%).
O grupo Vestuário também não teve grande elevação, em torno de 0,46%. Itens com maiores aumentos foram: tênis (7,36%), short e bermuda masculina (1,72%), camiseta masculina (1,51%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com: saia (-4,39%), bermuda e short feminino (-4,17%), lingerie (-2,17%), entre outros.
O grupo Despesas Pessoais apresentou uma forte alta em seu índice, da ordem de 0,64%. Alguns produtos/serviços desse grupo que tiveram aumentos de preços foram: absorvente higiênico (8,39%), xampu (5,44%), sabonete (5%), entre outros. Reduções de preços ocorreram com papel higiênico (-5,31%), creme dental (-2,26%) e produto para limpeza de pele (-0,76%).
Sem nenhuma queda de preço registrada em agosto, o grupo Saúde também fechou em alta com o índice de 0,76%. Entre os itens pesquisados com reajustes mais expressivos estão: material para curativo (5,26%), vitamina e fortificante (3,94%), antidiabético (3,93%), antigripal e antitussígeno (3,58%), entre outros.
IPC/CG – O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC / CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O Índice busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Universidade Anhanguera-Uniderp divulga mensalmente o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande.
Sobre a Anhanguera Educacional
A Anhanguera já transformou a vida de mais de um milhão de alunos e, há mais de 20 anos, ajuda a mudar o futuro do nosso país. Alinhada à nova fase de desenvolvimento do Brasil, a Instituição oferece conveniência e conteúdo compatível com o mercado de trabalho em seus cursos de graduação, pós-graduação, extensão e ensino técnico, contribuindo com o projeto de vida de crescimento e ascensão profissional dos alunos.
A Anhanguera está presente em todos os estados brasileiros, com 70 campi e mais de 500 unidades de educação a distância. A instituição mantém mais de 1.100 projetos de responsabilidade social e, em 2013, realizou mais de 1,6 milhão de atendimentos gratuitos à comunidade com apoio de professores, alunos e voluntários.
Com um índice de 94% dos cursos com conceito positivos no Ministério da Educação (MEC), a Anhanguera conta com 337 cursos estrelados pelo Guia do Estudante (edição 2015). Também é a marca mais valiosa do setor de educação no país, segundo o ranking BrandZ Top 50, divulgado anualmente pela Millward Brown.
Em 2014, passou a integrar o grupo Kroton, empresa brasileira com quase 50 anos de tradição que se tornou referência mundial no setor da educação pelo valor de mercado e pela quantidade de alunos. A Kroton é responsável por prover educação de qualidade a mais de um milhão de estudantes em 550 cidades por todo o Brasil. Inovadora e líder no desenvolvimento e aplicação de tecnologias educacionais, estimula a realização de projetos com impactos sociais, ambientais e econômicos, seja no âmbito corporativo ou educacional. O padrão de governança corporativa da companhia permite o desenvolvimento de processos que colaboram com a tomada de decisão ágil, dinâmica, responsável e sustentável.
ago 31, 2015 | Economia

Indústria estadual tem o 5º mês consecutivo com redução de empregos
O setor industrial de Mato Grosso do Sul, composto pelas indústrias de transformação, de extrativismo mineral, de construção civil e de serviços de utilidade pública, encerrou julho com mais uma redução líquida de postos de trabalho, sendo o 5º mês consecutivo de queda na abertura de empregos, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. No mês, o saldo negativo para o conjunto das atividades industriais foi de 2.071 vagas, enquanto no acumulado do ano o total de vagas encerradas nas atividades industriais do Estado sobe para 3.783.
Segundo o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, os segmentos industriais que apresentaram as maiores reduções no mês de julho foram indústria de produtos alimentícios e bebidas (-1.307), indústria têxtil e do vestuário (-290), indústria da construção (-189) e indústria mecânica (-168). “No acumulado de janeiro a julho, as maiores reduções ocorreram na indústria da construção (-1.592), indústria de produtos alimentícios e bebidas (-1.318), indústria têxtil e do vestuário (-617), indústria metalúrgica (-368) e indústria mecânica (-273)”, enumerou.
Ele acrescenta que, considerando o conjunto da economia estadual, no mês de julho foram fechadas 2.068 vagas, enquanto no acumulado do ano o resultado aponta a abertura de 914 postos de trabalho. “Contudo, a média para o período, considerando o intervalo de 2005 a 2015, é 16.806 vagas abertas. Ou seja, o desempenho de janeiro a julho deste ano é 95% menor que o resultado médio historicamente obtido para o mesmo intervalo”, explicou.
Ezequiel Resende destaca que o conjunto das atividades industriais em Mato Grosso do Sul encerrou julho de 2015 com um contingente de 129.832 trabalhadores formalmente empregados, queda de 1,56% em relação a junho. “Indústria segue respondendo pelo 2º maior contingente de trabalhadores formais empregados no Estado, com participação de 20,3% sobre o total, ficando atrás somente do setor de serviços, que emprega formalmente 185.726 trabalhadores com participação equivalente a 29,1%”, detalhou.
Especificações
Em Mato Grosso do Sul, conforme o Radar Industrial da Fiems, no período de janeiro a julho de 2015, ao todo ao todo 98 atividades industriais apresentaram saldo positivo de contratação, proporcionando a abertura de 3.385 vagas. Entre as atividades industriais com saldo positivo de pelo menos 100 vagas, destacaram-se fabricação de açúcar em bruto (+544), abate de suínos, aves e outros pequenos animais (+390), distribuição de energia elétrica (+240), construção de obras de arte especiais (+205), fabricação de calçados de material sintético (+153), fabricação de alimentos para animais (+151), obras para geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações (+130), fabricação de álcool (+115) e fabricação de produtos de pastas celulósicas, papel, cartolina, papel-cartão e papelão ondulado (+110).
Por outro lado, no mesmo período, 119 atividades industriais apresentaram saldo negativo em Mato Grosso do Sul, proporcionando o fechamento de 7.168 vagas. Entre as atividades industriais com saldo negativo de pelo menos 100 vagas, destacaram-se abate de reses, exceto suínos (-2.128), obras de engenharia civil não especificadas anteriormente (-658), construção de edifícios (-549), construção de rodovias e ferrovias (-478), catering, bufê e comida preparada (-201), confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas (-198), fabricação de fogões, refrigeradores e máquinas de lavar e secar para uso doméstico (-180), confecção de roupas íntimas (-177), produção de ferro-gusa (-136), captação, tratamento e distribuição de água (-135), extração de minério de ferro (-128), fabricação de produtos de carne (-126), fabricação de biscoitos e bolachas (-120) e fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico (-111).
Em relação aos municípios, constata-se que em 43 deles as atividades industriais registraram saldo positivo de contratação no período de janeiro a julho de 2015, proporcionando a abertura de 2.518 vagas. Entre as cidades com saldo positivo de pelo menos 100 vagas, destacaram-se São Gabriel do Oeste (+544), Angélica (+340), Nova Andradina (+241), Rio Brilhante (+238), Itaquiraí (+161), Maracaju (+136) e Chapadão do Sul (+114). Por outro lado, no mesmo período, em 34 municípios as atividades industriais registraram saldo negativo, proporcionando a fechamento de 6.301 vagas. Entre as cidades com saldo negativo de pelo menos 100 vagas, destacaram-se Campo Grande (-1.510), Três Lagoas (-1.089), Bataiporã (-649); Paranaíba (-537), Caarapó (-409), Nova Alvorada do Sul (-304), Naviraí (-291), Aparecida do Taboado (-226), Dourados (-202), Corumbá (-158), Bataguassu (-136) e Ribas do Rio Pardo (-112).
Reportagem – Daniel Pedra
ago 25, 2015 | Economia

Agraer garante mais dignidade a 110 famílias do assentamento São Tomé
Campo Grande (MS) – O sonho de 110 famílias agrícolas, do município de Santa Rita do Pardo, de terem a situação regularizada quanto às suas terras está cada vez mais perto de se tornar realidade. Isso graças as autorizações de ocupação dos lotes da comunidade agrícola São Tomé, que foram entregues pelo governo do Estado, por meio da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), em parceria com a prefeitura da cidade e a União.
Para a produtora rural e mãe solteira Jaqueline Leite, de 25 anos, a documentação é sinônimo de segurança para ela e o filho de 9 meses, Nicola Emanuel. “Agora, eu tenho um papel que diz que aquilo lá é meu. Em casa, quando você tem que tomar conta de tudo sozinha há uma necessidade de maior certeza e o documento me dá isso. No futuro, deixarei meu filho seguro”, afirmou com um sorriso.
Com 15 anos de existência, o assentamento de 25 hectares de extensão é dividido em 110 pequenas propriedades que produzem os mais diversos tipos de produtos, como: maracujá, colorau, hortaliças, leite, carne bovina e suína, café, mandioca, entre outros.
Das mãos do diretor-presidente da Agraer, Enelvo Felini, o casal de agricultores Adélia e Domicio Leal, recebeu toda a papelada que dá início ao processo de regularização definitiva da terra, ocupada por há 15 anos. “Temos 53 anos de casados e lembro que em 1999 chegamos aqui para morar em um barraco. Depois construímos a nossa casinha, mas nesses anos todos não tínhamos a sensação de que ela era nossa de verdade e, hoje, isso muda”, disse o senhor de 72 anos.
A próxima etapa para a legalização definitiva do São Tomé é a entrega dos títulos dos terrenos. Até o final do ano, a Agraer pretende assentar pelo menos 400 famílias em todo o Estado. “Queremos dar valor a terra e ter um estado com a força da agricultura familiar. Já estamos estudando a possibilidade de trazer mais um técnico agrícola ou engenheiro agrônomo para a Santa Rita do Pardo. Assim teremos mais alguém para elaborar projetos que tragam mais recursos do Pronaf à região”, afirmou Enelvo Felini.
Na cidade, os produtores conseguiram movimentar só este ano R$ 1,8 milhão em recursos do Plano Safra 2014/15. Montante esse que teve um aumento de R$ 300 mil, se comparado a edição de 2013/14 que foi de R$ 1,5 milhão. “Todo esse dinheiro ajuda a aquecer a economia do município. Em parte, devemos esses valores ao trabalho dos escritórios locais da Agraer”, lembrou o diretor-presidente.
A cerimônia de assinatura do Termo de Ocupação dos lotes foi realizada no barracão do assentamento, na última quinta-feira (20). Participaram da solenidade o prefeito do Município, Cacildo Dagno, o vice-prefeito, José Milton, o presidente do assentamento São Tomé, Adir Bispo, o delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA/MS), Gerson Faccina, o gerente da Regularização Fundiária e Cartografia da Agência, Humberto Maciel, o coordenador regional da Agraer de Três Lagoas, José Américo Boscaine, além de vereadores e autoridades locais.
Também estiveram presentes na solenidade, os profissionais da Agraer que atuaram no processo de legalização dos lotes, entre eles: Cláudio Roberto Nunes, Luiz Marcelo Verão, André Borges e Ilse Junges (engenheiros agrimensores), Orlando Cintra (engenheiro agrônomo), Gorette Aparecida Bento (assistente social) e André Silva (técnico agrícola da Agência de Santa Rita do Pardo).
Patrulha Mecanizada
Em apoio a agricultura familiar de Santa Rita, a Agraer ainda assinou, no dia 20 de agosto, um termo de cedência de uso de uma patrulha mecanizada. O acordo firmado com a prefeitura e o assentamento Avaré determina que a gerência do equipamento ficará sob responsabilidade do Município, contudo, sem sair das dependências da comunidade agrícola.
“Não tínhamos condições de bancar todas as despesas de manutenção, salário do tratorista e combustível. Daí a ideia de firmar essa aliança para que agricultores tenham uma ajuda”, explica a presidente do Avaré, Raquel dos Santos.
Assessoria de Comunicação – Agraer
ago 24, 2015 | Economia

No Centro-Oeste valorização de touros permanecerá até 2017
O baixo estoque de bovinos machos em Mato Grosso se estabilizará só em 2017, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). De acordo com entidades e criadores de Mato Grosso do Sul e Goiás, a previsão também se aplica ao rebanho de reprodutores, o que tem estimulado a valorização dos touros em até 30% na região Centro-Oeste. Além do estoque baixista, a previsão se baseia nos preços praticados em leilões e na grande procura, que aumenta com a proximidade da estação de monta.
A alta demanda por reprodutores em Crixás (GO) fez com que o presidente da Associação Goiana dos Criadores de Zebu (AGCZ), Clarismino Luiz Pereira Júnior, comercializasse touros com 19 meses de idade. “Geralmente vendo quando o animal atinge 24 meses, mas a expressiva demanda fez com que eu entregasse 10 touros bastante jovens. O que observo é o medo dos pecuaristas de não ter touros na estação de monta”, detalha Pereira Júnior referindo-se ao período de acasalamento dos animais, que inicia em novembro.
A Associação Sul-Mato-Grossense de Criadores de Nelore (Nelore MS) estima que a valorização dos touros Puros de Origem (PO), chegue a 20% no Estado, em relação ao mesmo período do ano passado. “Em Mato Grosso do Sul verificamos que a falta de fêmeas e de bezerros puxa o preço dos touros, e o animal de 30 meses que comprávamos por cerca de R$ 11 mil, atualmente chega a custar R$ 14 mil”, destaca o diretor da entidade, José Pedro Budib.
Atrelada às altas cotações do complexo agroindustrial da carne, a precificação dos touros, responsáveis por mais da metade do potencial genético de um rebanho, é vista como natural pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). “É natural que uma mercadoria se valorize quando tem a demanda aquecida. A pecuária mato-grossense e brasileira estão demandando bezerros e bezerras para aumentar a oferta de animais acabados”, pontua o consultor técnico da Acrimat, Amado de Oliveira. “Com a redução do abate de fêmeas e a valorização do preço do bezerro o segmento de cria busca aumentar a oferta e, assim, vemos o touro valorizado. Este aumento de preços tende a se estabilizar em Mato Grosso, em função de que os criadores que produzem genética são altamente especializados e ofertam anualmente touros em quantidade e qualidade que o mercado exige”, completa.
Mesmo com a valorização, Pereira Júnior, afirma que não existe ferramenta mais barata que um bom reprodutor. “Um touro é capaz de melhorar um rebanho inteiro por meio da genética multiplicada na progênie, o que faz dele uma ferramenta eficaz e de baixo custo, se levado em consideração os benefícios”, enfatiza.
De olho neste mercado que amplia a comercialização de touros conforme se aproxima a estação de monta, em Cáceres (MT), a Agropecuária Grendene se prepara anualmente e disponibilizará aos produtores rurais 1000 touros de uma só vez, no dia 30 agosto. “Nesta época do ano é estratégica a comercialização de animais que vão impactar positivamente no rebanho de outros criadores. Mas para mantermos a valorização, desenvolvemos uma seleção genética apurada, oferecendo animais com diferencial no que diz respeito à produtividade e precocidade, itens desejados por todos pecuaristas”, destaca o diretor da Fazenda, Ilson Corrêa.
Segundo o técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Fábio Ferreira, neste momento, segurar as matrizes e investir em touros é uma estratégia sábia. “O mercado de cria se mantém firme, mas com oferta restrita, com isso os pecuaristas precisam aumentar o número de matrizes e investir em touros com genética comprovada, que acabam por se valorizar pela seleção genética, chegando a 30 ou 40% a mais quanto ao valor pago em 2014”, finaliza.