Campo Grande (MS) – Quando ainda era província do império brasileiro, Mato Grosso foi palco do episódio mais dramático da Guerra do Paraguai – a Retirada da Laguna.
É descrita nos livros de história, virou tema clássico na literatura; porém, pode ser considerada assunto ainda em aberto, assim como o grande conflito que a motivou.
Em 2017, o evento histórico completa 150 anos, bem como inspira novas pesquisas e até a ideia da criação de um museu da guerra em Mato Grosso do Sul.
A Retirada da Laguna foi uma tentativa de tirar a província mato-grossense dos domínios paraguaios. Liderada pelo coronel Carlos de Moraes Camisão, a expedição contou com 3 mil homens do lado brasileiro e terminou com apenas 700 deles vivos. Chegou a adentrar o território do país vizinho, mas fracassou na missão inicial. Ainda assim, é considerada um ato heroico – sobretudo pelos combatentes terem enfrentado doenças e fome.
Ela é tema principal da terceira edição do Congresso Internacional de História, que acontece no campus de Aquidauana da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de hoje até quinta-feira. Pesquisadores daqui, de outros estados brasileiros e do Paraguai vão apresentar produções recentes sobre a guerra e debater novas visões sobre ela.
O idealizador e coordenador do congresso é o professor e doutor em História Paulo Esselin. Ele afirma ser importante discutir esse episódio do passado para ampliar o conhecimento sobre a história de Mato Grosso do Sul e a Guerra do Paraguai; abrir canal entre pesquisadores; criar novas reflexões; recontar episódios mal contados; e instigar a busca por documentos sobre o conflito que ainda não vieram à tona.
Já o Comando Militar do Oeste, segmento do Exército em Mato Grosso do Sul, vai realizar a Jornada Cultural da Retirada da Laguna, nos dias 12 e 13 de julho, para lembrar os 150 anos do episódio.
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