LEITURA: Aqui, a dor uniu os adversários do PT. Eles superaram as divergências e viabilizaram espaços ao Senado e Câmara. A exceção foi Catan, pregando no deserto. No PT, a aposta em Fábio Trad gorou e o projeto de Vander implodiu. Zeca do PT se salvou, mas sob os irônicos olhares vitoriosos de Riedel, Reinaldo e do capitão Contar.
INTERROGAÇÕES: Flávio Bolsonaro será beneficiado pelo voto antissistema? Pelo voto de protesto contra a continuidade? A oposição conseguiu associar o PT ao STF? Lula representaria a continuidade e Flávio a ruptura? O reajuste do Bolsa Família e o fim das Bets, ajudam ou atrapalham Lula? A crise no STF afeta mais quem?
MESMICE: Francamente, o que vimos realmente de novo nestas eleições? Efeitos gráficos, inteligência artificial, montagens digitais e outros mecanismos trazidos pela internet? Convenhamos que apenas esse isso não basta. Estamos nos referindo as propostas realmente palpáveis, diferente aos discursos teóricos, eleitoreiros.
PREOCUPA: O 1º turno chegou e logo vem a preocupação quanto a influência do seu resultado nas eleições para a presidência da república. Os leitores desatentos poderiam indagar sobre os reais motivos para esse questionamento carregado até de certa dose de preocupação. De forma mais simples possível, tentarei explicar.
EXPLICAÇÃO: Exemplos em vários estados mostram que a vitória antecipada (1° turno) de candidatos ao governo, altera o ritmo de engajamento do eleitorado e até a infraestrutura das campanhas locais. Neste caso, os prefeitos, vereadores, deputados e senadores recém-eleitos tendem a desmobilizar os comitês e dispensar os seus cabos eleitorais.
MOTIVAÇÃO: É fácil constatar; a falta de atração local (ou regional) esvazia a chamada polarização e afeta o ânimo do eleitor comparecer para votar. Pesquisas comprovam; muitos eleitores simplesmente aproveitam o feriado do dia da eleição para viajar ou para pegar uma praia. Daí que o índice de abstenção aumenta no 2º turno.
OUTRO LADO: Há um argumento ou tese de que resolvida a eleição no primeiro turno, o governador eleito estaria motivado para concentrar exclusivamente no seu candidato presidencial. Portanto, as lideranças vitoriosas se transformariam em cabos eleitorais vigorosos para atuar em agendas e concentrações na busca de votos.
ALERTANDO: Estresse na cabine? Em 2018, cerca de 26,9% (um quarto) dos votos possíveis para a segunda vaga ao Senado não foram aproveitados no país. Em muitos casos o eleitor votou duas vezes num só candidato e seu voto foi considerado nulo. Falta neste sentido uma campanha eficiente da Justiça Eleitoral. São votos que fazem falta.
CANDIDATAS: Das 20.958 candidaturas, 7.357 (35,1%) são femininas. Só 17,4% ao Governo e 21,9% ao Senado. Em 7 estados (inclusive MS) só candidaturas masculinas ao Executivo. Ao Senado há recorde de candidatas: 69. Para a Câmara caiu em 27% (em relação a 2022) o número de candidatas. No debate presidencial ‘esqueceram’ a maioria, pois 52,8% do eleitorado do país é de mulheres.
A PROPÓSITO: Embora o estado tenha 53% do seu eleitorado de mulheres, elas estão pouco representadas. Neste pleito são 139 candidatas; sendo 40 à Câmara Federal, 90 à Assembleia Legislativa, 4 à vice-governadora e uma postulante ao Senado. A inserção feminina vai avançando aos poucos, um ritmo incompatível com a realidade social.
DEBATE: Com temas repetitivos e tempo escasso aos participantes, o debate da TV Morena deixou a desejar sob vários aspectos. Para os observadores, o mesmo formato das eleições passadas, engessando os candidatos, tornou o programa pastoso e desinteressante. Presume-se que não deva alterar o resultado do pleito no MS.
ARREDIO: Enfastiado pelo noticiário pecaminoso sobre política e pela mesmice do programa eleitoral gratuito, o eleitor ficou desmotivado para assistir ao citado debate. Apenas uma parcela pequena se sujeitou a esse verdadeiro ‘teste de paciência’. Afinal, o eleitor já tinha ideia e opinião sobre o cenário e seus protagonistas.
OPINIÃO: “Em eleições apertadas, não vence necessariamente quem desperta maior admiração. Muitas vezes, vence quem administra melhor a própria rejeição, oferece a segurança mais crível e convence o eleitor de que o outro lado representa o maior perigo. No dia 4 der outubro, a urna poderá registrar menos um voto de amor do que um voto de necessidade, prevenção ou medo”. (Gaudêncio Torquato)
VIRA-CASACAS: Assisto os vídeos antigos do Alckmin esbravejando contra o Lula e o PT. Um político de Brasília, justificou a ‘mudança de ares’ dizendo ‘eu estava do lado errado’. Aqui, a senadora Soraya trocou de partido e o Fábio Trad bandeou para o PT. Sobre os casos eu diria: ‘eles não mudaram de lado, só mudaram de endereço. Helpy.
DESACREDITADA: A OAB nacional frente aos casos no STF difere dos tempos do brilhante Raymundo Faoro. Seus dirigentes (leia-se grandes escritórios) evitam atritos priorizando as boas relações com os ‘capas pretas’. Por coincidência, os advogados daqui com saudades da época em que a entidade era presidida pelo Carmelino Resende.
LOUCURA: No cenário eleitoral, a inteligência artificial (IA) revolucionou a dinâmica das campanhas, transformando a desinformação numa ameaça letal. A proliferação de conteúdos mentirosos faz com que o eleitor passe a desconfiar até mesmo de notícias e canais oficiais. Não se sabe mais o que é falso – e o que é verdadeiro. Gato por lebre.
HORA AGÁ: Tem político por aí temendo retornar à planície, perdendo o poder e benesses institucionais. Findo o mandato perde-se o foro privilegiado, os amigos de ocasião, os telefones emudecem e a caixa de e-mail esvazia. Encarar essa abstinência do prestígio público, longe dos holofotes é uma fase ruim. Enfim, volta-se a ser mortal.
EQUÍVOCOS O correto seria que o mandato fosse encarado como um exercício de prestação de serviços à sociedade e não como uma porta de bons negócios. Concluído esse período, o parlamentar – que deveria voltar à sua atividade profissional de origem, orgulhoso pela missão cumprida, carrega sim as marcas do inconformismo pela perda do status.
PÍLULAS DIGITAIS:
Merecer o sucesso é mais importante do que conquistá-lo. (Lester B. Pearson)
A liberdade de eleições permite que você escolha o molho com o qual será devorado. (Eduardo Galeano)
Debates eleitorais nunca foram sobre propostas; sempre sobre caráter. (Internet)
Pena que todas as pessoas que sabem governar o país estejam ocupadas dirigindo táxis ou cortando o cabelo. (George Burns)
Do lado esquerdo carrego meus mortos/ Por isso caminho um pouco de banda. (Carlos D. de Andrade)
Se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de comida seria eleito sempre, não importa quantos porcos ele tenha abatido no recinto ao lado. (Orson Scott Card)