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Bela Vista-MS Segunda-Feira, 22 de Junho de 2026

Paulo Guedes: Auxílio emergencial virou transferência de riqueza turbinando a casa própria

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que uma lição importante da pandemia foi o aumento da renda das famílias que começaram a receber auxílio emergencial, que se configurou em uma ação de “transferência de riqueza”, não apenas de renda.

Guedes disse que o governo constatou que as famílias recebiam R$ 180 do Bolsa Família e que viram sua renda saltando para R$ 600 ou até R$ 1.800 com o recebimento do auxílio emergencial.

O Ministro ainda comentou, “Você sai de R$ 60 para R$ 600. Uma família sai de R$ 180 para R$ 1.800. Isso não é mais uma transferência de renda, isso é uma transferência de riqueza”.

De certa forma, com a pandemia e sem o benefício do auxílio emergencial, a pobreza no Brasil aumentaria.

“A família se sentiu rica. Comprava material de construção, ampliaram a sua casa, uns compraram a casa própria, compraram geladeira. Foram ao supermercado e melhoraram a pauta alimentar. Um resultado espetacular, foi muito bom ver isso”, disse Paulo Guedes.

No período anterior à pandemia, o preço médio do ticket do bolsa família era de R$ 190 por família. O programa permite customizar o valor da bolsa: há um benefício básico, de R$ 89 por família, e outras variáveis, de R$ 41 a R$ 48, para crianças, adolescentes, gestantes e lactantes.

Entretanto, caso a família ainda não ultrapasse a linha de pobreza, que é fixada em R$ 89, é calculado um auxílio adicional, com o valor necessário para que a renda per capita seja superior a esse valor.

Por outro lado, o auxílio emergencial para grupos vulneráveis e trabalhadores informais durante a pandemia tiveram diferentes estágios. O benefício nos primeiros cinco meses foi de R$ 600.

Além disso, mulheres chefes de família poderiam acumular dois auxílios e não havia limitação de pagamento por famílias. Por isso, algumas famílias chegaram a receber 1.800 reais em um mês.

A segunda fase do plano reduziu o valor do auxílio para R$ 300 e restringiu o pagamento a um familiar. Agora em 2021, houve nova redução, mantendo o valor médio do benefício de R$ 250. Enquanto, as mulheres chefes de família recebem R$ 375 e pessoas que moram sozinhas, R$ 175.

Declarações do Ministro

Este ano, o Ministro comparou o tamanho de um prato de alimento da classe média brasileira com o dos europeus para ilustrar a gravidade do problema de desperdício de comida no país.

Ele sugeriu que as sobras limpas do restaurante fossem distribuídas às pessoas mais pobres e vulneráveis.

O ministro também criticou o FIES 2022, dizendo que o governo destina muitas bolsas para o ensino superior, e que enriquece somente alguns empresários, beneficiando inclusive aqueles que não têm capacidade de estar na universidade.

Na ocasião, contou que o filho de seu porteiro já havia recebido uma bolsa de estudos mesmo após ter zerado no vestibular.

Em 2020, antes da pandemia, o ministro também comentou sobre a elevação cambial, afirmando que o dólar mais alto era bom para todo mundo e disse que quando a moeda americana estava mais baixa, “todo mundo” estava indo para a Disney, nos Estados Unidos, incluindo “empregada doméstica”.

Sicredi é destaque no ranking Top 100 Open Corps 2021

Sicredi é destaque no ranking Top 100 Open Corps 2021

Instituição financeira cooperativa conquista reconhecimento em premiação da 100 Open Startups que reconhece as corporações mais abertas à inovação no Brasil

O Sicredi, instituição financeira cooperativa com mais de 5 milhões de associados, teve destaque pelo segundo ano consecutivo no Top 100 Open Corps 2021, levantamento anual da 100 Open Startups que mapeia e reconhece as corporações mais abertas à inovação no Brasil. O reconhecimento está alinhado com a estratégia da instituição, que sempre apostou no poder da relação de cooperação para apoiar o desenvolvimento das regiões onde está presente e acredita na conexão com startups para promover inovações que gerem valor aos associados – o centro da operação – e à sociedade.

“Temos tradição em inovar e nosso modelo de negócio regional impulsiona a colaboração. Procuramos soluções que permitam expandir a nossa essência e solucionar desafios, com essepensamentobuscamos apoio de startups para gerar valor para o associado que está sempre no centro das nossas entregas, seja em ações corporativas, seja em ações das nossas Cooperativas. A pandemia se apresentou comomais um desafio, mas novamente o Sicredi encontrounovas perspectivas através de iniciativas empreendedoras e tecnológicas.Ficamos muito felizes com este reconhecimentoao Sicredi e com a sensação de que estamos no caminho certo de fortalecer as parcerias para entregar cada vez maior valor aos nossos associados”, afirma Cesar Gioda Bochi, Diretor Executivo de Administraçãodo Sicredi.

Hoje, o Sicredicontacom várias iniciativas para ampliar suas conexões com startups conduzidas por nossas Cooperativas. Corporativamente o programa Inovar Juntos que estimula o desenvolvimento de soluções aos projetos da empresa voltados a proporcionar benefícios para colaboradores e associados da instituição e agreguem valor aos seus negócios, e a presença e parceria com o Agtech Garage, um dos maiores hubs de inovação da América Latina, voltado à conexão de empresas e startups para o Agro.

Segundo o levantamento da 100 Open Startups, o número de relacionamentos declarados entre empresas e startups passou de 13.433, em 2020, para 26.348, em 2021, um aumento de 96%. Em relação às corporações que tiveram contratos de open innovation com startups, o crescimento foi de 69%, enquanto o número de startups que se relacionaram com corporações subiu de 1.310, em 2020, para 2.344, em 2021, um salto de 79%.

Sobre o Sicredi

O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento dos seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. O modelo de gestão do Sicredi valoriza a participação dos mais de 5 milhões de associados, os quais exercem papel de donos do negócio. Com presença nacional, o Sicredi está em 24 estados* e no Distrito Federal, com mais de 2.000 agências, e oferece mais de 300 produtos e serviços financeiros (www.sicredi.com.br). 

*Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

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Prazo para solicitar a reaplicação do Encceja 2020 termina nesta sexta-feira (27)

Os participantes com sintomas de COVID-19 ou outras doenças infecciosas não devem ir ao local do exame do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2020, marcado para o próximo domingo (29).

A instrução é do (Inep), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, que pede para os participantes solicitarem a reaplicação do exame.

Os pedidos para reaplicação da prova devem ser realizados pelo Sistema da Encceja até as 12h desta sexta-feira (27), por meio da comprovação da condição de saúde.

Nesta edição, o Encceja será aplicado a mais de 1,6 milhão de pessoas em 622 cidades brasileiras.

O exame é direcionado para aqueles que não concluíram seus estudos na idade apropriada. Por meio do Encceja, os participantes têm a oportunidade de obter certificação  tanto para o ensino fundamental quanto para o ensino médio.

Os participantes com sintomas de Covid-19 ou outras doenças infecciosas como coqueluche, difteria, doença invasiva causada por Haemophilus influenzae, doença meningocócica e outras meningites, varíola, influenza A e B, poliomielite por poliovírus selvagem, sarampo, rubéola, ou varicela, podem solicitar o benefício da reaplicação do exame.

O Inep analisará esses casos individualmente, e o resultado será publicado no sistema do exame no sábado (28).

A reaplicação será feita na mesma data da aplicação do Encceja para pessoas privadas de liberdade ou sob medida socioeducativa em 2020: 13 e 14 de outubro

O participante que perder o prazo de sexta-feira (27), para solicitar a reaplicação da prova, não poderá mais realizar a prova deste ano, ou seja, só conseguirá obter o certificado de conclusão do ensino médio no ENCCEJA 2022.

Documentos

Para que o Inep possa analisar o pedido, o interessado deve inserir um documento legível no momento do pedido que comprove as condições. No caso de covid-19, um resultado positivo do novo teste de coronavírus pode ser usado como prova.

Quanto à documentação que comprova as demais doenças especificadas no edital, além da assinatura, também é necessário incluir o nome completo do participante, o diagnóstico com a descrição da condição e o código da Classificação Internacional de Doença (CID 10).

Além disso, é necessário a assinatura e a identificação do profissional que realizou o diagnóstico, com o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM), do Ministério da Saúde (RMS) ou de órgão competente, assim como a data do atendimento.

O arquivo deve ser anexado em formato PDF, PNG ou JPG, com tamanho máximo de 2 MB.

Plenário da Câmara aprova Marco Legal da Energia Renovável de autoria de Beto Pereira

Plenário da Câmara aprova Marco Legal da Energia Renovável de autoria de Beto Pereira

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (18) o projeto de lei (PL) 2.215/20, que foi apensado ao PL 5829/19. O PL 2.215/20 é de autoria do deputado Beto Pereira (PSDB) e estabelece um sistema de compensação de energia elétrica entre micro e miniprodutores de energia renovável e a rede elétrica. O parlamentar propôs uma regra para essa compensação referente ao fluxo de energia repassada para rede e a consumida pela unidade de produção e define quem são os micros e minigeradores de energia.

Para o deputado, a aprovação emergencial deste projeto era fundamental para contrapor a crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19. “O PL foi construído em conjunto com o setor de energia limpa que, além de sustentável, conta com alta tecnologia e empregabilidade para também ser uma oportunidade neste momento de crise”, defendeu Beto Pereira.

O parlamentar também defendeu a proposição em um momento de crise hídrica, que afeta a produção de energia. “Estamos em uma situação extremamente crítica na produção de energia. Termoelétricas estão acionadas encarecendo em muito a conta para o consumidor. Aprovar um marco legal da energia renovável é garantir segurança jurídica para a alternativa mais sustentável e correta de produção de energia”.

A proposta surgiu para se opor à iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que pretendia compensar menos da metade da energia produzida e colocada à disposição na rede elétrica pelos produtores de energia solar. “Essa medida da Aneel ia na contramão das políticas energéticas do mundo inteiro, causando insegurança jurídica ao setor, que tinha a projeção de gerar 240 mil empregos no ano passado”, explicou o deputado.

O PL define o microgerador de energia renovável, os produtores de até 75 KW e minigeradores, os produtores de até 5 MW. A proposta ainda explica todos os tipos de geração por energia solar como geração junto a carga, autoconsumo remoto, geração compartilhada, além dos direitos e deveres de minis e microgeradores de energia solar, criando assim o Sistema de Compensação de Energia Elétrica.

Segundo Beto Pereira, a Califórnia, por exemplo, começou a taxar a energia solar depois de 20 anos de normatização com taxas de 10,5%. Na Alemanha, 87% da energia utilizada é eólica ou solar. O país europeu subsidia a produção de energia por painéis solares, e com as produções individuais, em alguns períodos do ano, o valor da energia é negativo, ou seja, há um excedente na produção. O excedente é leiloado e o arrecadado distribuído.

 “A produção de energia solar durante o dia ajuda a poupar água nos reservatórios das hidrelétricas, evita o acionamento das termoelétricas movidas a Diesel, Carvão e Gás, evitando as bandeiras tarifárias para os consumidores e poluentes ao meio ambiente”, afirma o deputado.

Na visão de Beto, a energia emprestada pelo micro e miniprodutor é vendida à vista para os vizinhos mais próximos com preço cheio, como se fosse energia produzida nas usinas centralizadas a milhares de quilômetros de distância do consumo. “Foi uma vitória muito importante porque regulamenta de forma moderna a produção de energia solar colocando o país em consonância com as melhores práticas do mundo”, disse. A proposição segue para o Senado.

Confundida com liberdade de expressão, apologia ao nazismo cresce no Brasil desde 2019

Confundida com liberdade de expressão, apologia ao nazismo cresce no Brasil desde 2019

Em junho, um adolescente de 17 anos foi expulso de um shopping center de Caruaru (PE) após ser flagrado ostentando uma suástica (a cruz gamada do nazismo) no braço. No dia seguinte, o secretário de Turismo de Maceió, Ricardo Santa Ritta, foi às redes sociais e expressou surpresa com o tratamento dado ao jovem: “Pensava que a liberdade de expressão existisse”. A prefeitura rapidamente demitiu o secretário municipal.

O shopping de Caruaru e a prefeitura de Maceió não agiram de forma arbitrária. A lei federal antirracismo (Lei 7.716, de 1989) afirma que é crime “veicular símbolos” do nazismo “para fins de divulgação”. Em caso de condenação, a pena é de multa e prisão de dois a cinco anos.

O mesmo artigo enquadra como criminosas as pessoas que produzem, vendem ou distribuem material que contenha símbolos nazistas e também as que utilizam publicações e meios de comunicação para disseminar as ideias do nazismo. Diversos países têm leis semelhantes.

O advogado Luiz Kignel, que é presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, compara:

— Quando um indivíduo decide sair em público vestindo a camiseta de um time de futebol, ele está deixando claro, sem precisar dizer uma só palavra, que admira aquele time, que o respeita, que o apoia, que concorda com ele. A mesma coisa acontece quando um indivíduo ostenta algum símbolo nazista. Um ato desses não é inocente. Os símbolos do nazismo trazem consigo as ideias de intolerância, ódio, racismo e extermínio do outro, que não podem ser admitidas.

Grosso modo, o nazismo prega a destruição de todos os povos e indivíduos que possam contaminar a presumida pureza da raça ariana. Essa ideologia foi posta em prática por Adolf Hitler nas décadas de 1930 e 1940, como política de Estado, na Alemanha e nos países invadidos pelo ditador.

Entre as vítimas dos nazistas, estiveram judeus, negros, gays, pessoas com deficiência física ou mental, ciganos, comunistas e testemunhas de Jeová.

Apenas entre 1941 e 1945, 6 milhões de judeus foram executados nos campos de extermínio nazistas. Para efeitos de comparação, esse é quase o mesmo número de habitantes da cidade do Rio de Janeiro hoje. O genocídio do povo judeu ficou conhecido como Holocausto e é reconhecido como um dos episódios mais traumáticos da história da humanidade.

A lei brasileira de 1989 que elenca os crimes de racismo se baseia no artigo da Constituição que os descreve como inafiançáveis e imprescritíveis. Originalmente, contudo, a lei se concentrava no racismo sofrido pela população negra e não tocava de forma explícita no nazismo e na sua ideologia racista.

A primeira referência à apologia do nazismo foi incluída nessa lei apenas em 1994, por meio de um projeto do deputado Alberto Goldman (PSDB-SP). A segunda referência, em 1997, com uma proposta do então deputado e hoje senador Paulo Paim (PT-RS).

Quem na época achou exagerados os acréscimos à lei e argumentou que os preceitos extremistas de Hitler jamais encontrariam solo fértil no Brasil, tão pacífico e distante da Europa, acabaria sendo surpreendido pela realidade.

Prisioneiros em campo de concentração nazista (foto: Enciclopédia do Holocausto)
A ONG Safernet, que defende os direitos humanos na internet, identificou um recente aumento no número de sites com conteúdo nazista. Em junho de 2020, conseguiu a remoção de 7,8 mil páginas com essa temática. Em junho de 2019, havia conseguido derrubar 1,5 mil. A ONG recebe denúncias e as encaminha para o Ministério Público.

Estudos acadêmicos apontam um crescimento no número de células neonazistas (grupos organizados de pelo menos três pessoas) no Brasil. Atualmente existem em torno de 530, espalhadas por todas as regiões do país, de acordo com a antropóloga Adriana Dias, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

As denúncias apuradas pela Polícia Federal também explodiram. Até pouco tempo atrás, eram poucos os inquéritos, entre 4 e 20 a cada ano. A virada se deu em 2019, quando foram abertas 69 investigações de apologia do nazismo. A situação piorou em 2020, quando os policiais federais investigaram 110 casos — um novo inquérito a cada três dias, em média.

Levando em conta as 36 ocorrências investigadas pela PF nos cinco primeiros meses de 2021, é possível esperar que este ano mantenha a tendência de alta dos dois anteriores. Na semana passada, a Polícia Federal prendeu em São José do Rio Preto (SP) um jovem de 21 anos que fazia na internet publicações discriminatórias contra judeus, católicos, nordestinos, negros e gays. Na casa dele, foram apreendidos desenhos e fotos de Hitler.

Em julho, uma juíza do Rio de Janeiro ordenou a apreensão de um quadro com símbolos nazistas que seria posto à venda num leilão on-line.

 

A Agência Senado perguntou à Polícia Federal a razão da explosão de inquéritos a partir de 2019, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

A Safernet apresenta uma explicação: “É inegável que as reiteradas manifestações de ódio contra minorias por membros do governo Bolsonaro têm empoderado as células neonazistas no Brasil”.

Luiz Kignel, da Federação Israelita do Brasil, afirma:

— Pessoas que até há algum tempo estavam escondidas e caladas agora começam a achar que têm espaço para cuspir o seu veneno. Isso é muito perigoso.

Os sinais desse ambiente favorável a demonstrações de simpatia por ideologias de extrema-direita apareceram em diferentes momentos ao longo dos dois últimos anos e meio. No mais recente, em julho, o presidente Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial, a deputada alemã Beatrix von Storch, neta de um ministro de Hitler, com quem se deixou fotografar. A foto foi divulgada nas redes sociais da deputada.

Em março, o assessor presidencial Filipe Martins foi gravado fazendo com os dedos um sinal de ódio utilizado por supremacistas brancos dos Estados Unidos. Ele estava atrás do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que discursava durante uma sessão para ouvir o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a participação do Itamaraty na aquisição de vacinas contra a Covid.

Em seguida, por sugestão do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), o Plenário da Casa aprovou um voto de censura a Martins.

A silenciosa manifestação do assessor palaciano foi precedida, em janeiro de 2020, por um ato espetaculoso do então secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim. Ele gravou e divulgou um vídeo em que copiou falas do ministro nazista Joseph Goebbels e utilizou como trilha sonora uma das músicas favoritas de Hitler. Após protestos da sociedade e do meio político, Alvim foi demitido.

No Senado, a aventura extremista de Alvim foi repudiada por vários parlamentares. Na época, o senador Major Olímpio (PSL-SP), que morreu em março deste ano, classificou a declaração do secretário como “propaganda nazista”. Depois de observar que “a inteligência é limitada, a ignorância não”, ele cobrou de Bolsonaro: “Demite já o Alvim!”.

A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada

Goebbels: a Biography, de Peter Longerich

A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada

Presidente Bolsonaro recebe deputada alemã Beatrix von Storch, neta de ministro de Hitler; e secretário Roberto Alvim grava vídeo com referências nazistas (fotos: reprodução/Instagram e reprodução/YouTube)

Na visão da advogada Milena Gordon Baker, autora do livro Criminalização da Negação do Holocausto no Direito Penal Brasileiro (Thoth Editora), todos esses indicativos de aumento das ideias nazistas no Brasil deveriam acender um sinal de alerta:

— Os estudos do genocídio mostram que existe uma pirâmide do ódio. Tudo começa de maneira sutil e vai piorando pouco a pouco. Primeiro, na base da pirâmide, constrói-se uma imagem estereotipada de determinado grupo oprimido. Depois começam o preconceito generalizado, a discriminação, o discurso de ódio. Em seguida, vem a supressão de direitos. Mais tarde, surgem os ataques físicos. Por fim, já no topo da pirâmide, assentado sobre todos os estágios anteriores, vem o genocídio. Normalmente passa-se de uma etapa para a outra sem que se perceba. É por isso que não podemos baixar a guarda.

De acordo com ela, o direito constitucional da liberdade de expressão não engloba a apologia das ideias nazistas:

— Os direitos não são absolutos e ilimitados. Um direito ganha limites quando ele atropela outros direitos. A própria Constituição, ao proibir o anonimato, já impõe um limite explícito no direito à liberdade de expressão. A manifestação de um pensamento deixa de ser protegida pela liberdade de expressão quando há abuso e ele incita o ódio e a violência contra determinados grupos.

A decisão judicial mais emblemática contra a divulgação do nazismo Brasil foi dada em 2003, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a condenação do editor gaúcho Siegfried Ellwanger pelo crime de racismo. Ele foi processado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul e sentenciado à prisão por publicar livros antissemitas, entre os quais um de sua autoria intitulado Holocausto Judeu ou Alemão? – Nos bastidores da mentira do século. O STF entendeu que ele não estava protegido pelo direito à liberdade de expressão.

— Não se pode atribuir primazia à liberdade de expressão, no contexto de uma sociedade pluralista, em face de valores outros como os da igualdade e da dignidade humana — argumentou na época o ministro Gilmar Mendes.

As redes sociais não aceitam a publicação de discursos de ódio. Em obediência à legislação brasileira, elas consideram tanto a Lei 7.716, que trata do racismo, quanto o artigo do Código Penal que reconhece a injúria racial como crime. A Confederação Israelita do Brasil elaborou uma cartilha em que ensina os usuários a denunciar postagens de cunho racista às diferentes plataformas, como Facebook, Instagram e Twitter (veja no link no final da reportagem).

Congresso recebe iluminação especial no Dia do Holocausto e do Heroísmo, em abril (foto: Roque de Sá/Agência Senado)
O advogado Rony Vainzof, secretário da Confederação Israelita do Brasil, diz que o poder público precisa investir em campanhas de esclarecimento e as escolas devem ir a fundo no ensino dos episódios históricos do nazismo e do Holocausto:

— O tempo vai passando e o nosso receio é que o mundo vá se esquecendo da gravidade do Holocausto e que, por isso, algo semelhante aconteça. O conhecimento do passado é fundamental para impedir novas atrocidades.

O tema está permanentemente na pauta do Senado. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou dois projetos de lei que buscam coibir a divulgação de ideias nazistas. Um deles (PL 3.054/2020) eleva as penas previstas na lei antirracismo de 1989. A condenação mínima sobe de dois para três anos de prisão. A máxima, de cinco para seis anos.

O outro projeto (PL 1.044/2020) criminaliza a negação do Holocausto. A pena prevista é de multa e prisão de quatro a oito anos. Caso o negacionismo seja difundido por meio de livro, revista, jornal, TV, rádio ou internet, o tempo de encarceramento é duplicado.

Segundo Randolfe, trata-se de “comportamentos criminosos que precisam ser extirpados da nossa cultura”.

O senador Fabiano Contarato redigiu um projeto que proíbe a veiculação de anúncios publicitários em sites que promovem fake news e discursos de ódio (PL 2.922/2020). Como os anunciantes nem sempre têm controle sobre os sites em que a propaganda será publicada, seriam multadas as empresas responsáveis por distribuir os anúncios, como Google, YouTube, Facebook e Instagram.

A proposta de Contarato define como discurso de ódio o “ato de comunicação que incite violência contra pessoa ou grupo em razão de sua raça, gênero, orientação sexual, origem ou quaisquer outras formas de discriminação”.

O senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou um projeto que cria a Instituição Independente de Acompanhamento das Mídias Sociais (PRS 56/2019). A entidade, que funcionaria dentro do Senado, estudaria o comportamento das redes e proporia eventuais regras de modo a conter as fake news sem afetar a liberdade de expressão.

“O órgão proposto deverá ser um instrumento da sociedade brasileira contra o abuso cometido por grupos na promoção de campanhas de desinformação que destroem reputações e disseminam o discurso de ódio”, justifica Humberto.

Senadores Randolfe Rodrigues, Fabiano Contarato, Humberto Costa e Omar Aziz: contrários à divulgação das ideias do nazismo (fotos: Leopoldo Silva/Agência Senado, Jefferson Rudy/Agência Senado e Pedro França/Agência Senado)

Assim como o repúdio dos senadores ao vídeo do ex-secretário Roberto Alvim e ao gesto do assessor Filipe Martins, o encontro de Bolsonaro com a deputada alemã também mereceu resposta na Casa. O senador Omar Aziz (PSD-AM) protestou numa sessão da CPI da Pandemia:

— Quando recebe uma deputada nazista, o presidente afronta o Holocausto, o povo judeu, a Constituição brasileira, a nossa democracia e o Exército brasileiro, que lutou contra o nazismo [na Segunda Guerra Mundial]. Quando é para pedir ajuda, o presidente liga para o primeiro-ministro de Israel, mas às escondidas tira foto sorrindo com uma deputada nazista. Não podemos permitir isso. Somos solidários com os judeus e todos aqueles que morreram na Segunda Guerra para salvar o mundo do nazismo.

Fonte: Agência Senado

Sicredi está entre os finalistas do prêmio de inovação AgTech Garage Awards

Parcerias realizadas no programa Intensive Connection entre Sicredi e Elysios rendem reconhecimento em um dos maiores hubs de inovação da América Latina

O Sicredi está entre os três finalistas da AgTech Garage Awards – primeira edição da premiação realizada por um dos maiores hubs de inovação da América Latina para o agrobusiness –, após parcerias realizadas pela instituição com a startup Elysios na primeira edição do programa de potencialização de startups Intensive Connection. A escolha se deu após avaliação do comitê de pré-seleção do evento, dentre 29 projetos inscritos na primeira etapa e 11 selecionados na segunda, e a premiação ocorre no próximo dia 27 de agosto.

Em 2019, o Sicredi selecionou duas startups com base no desafio “Empoderamento do produtor rural com acesso a novas tecnologias”, para que fossem desenvolvidas soluções tecnológicas aplicáveis no campo. A Elysios foi uma das startups que apoiou na construção de ferramentas como aplicativos e softwares que ajudam agricultores a modernizar seus processos levando tecnologia para o campo. A iniciativa já beneficiou diversos produtores rurais, associados do Sicredi, por meio da implementação de um caderno de campo digital com a finalidade de armazenar dados de manejo que antes ficavam em blocos de papel e planilhas.

Alinhado com a estratégia de incentivar ações e iniciativas tecnológicas para o agro, o Sicredi também apoiou outros programas pilotos, o que afirma o posicionamento da instituição nesse setor. O programa Intensive Connection, onde surgiu a parceria, é equity free, ou seja, não prevê investimento financeiro inicial das startups e não requer que o empreendedor inscrito venda ações de seu negócio por um valor pré-determinado. Nada impede, contudo, que durante ou ao final do programa seja negociado um investimento diretamente entre as partes interessadas.

Sobre o Sicredi

O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento dos seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. O modelo de gestão do Sicredi valoriza a participação dos mais de 5 milhões de associados, os quais exercem papel de donos do negócio. Com presença nacional, o Sicredi está em 24 estados* e no Distrito Federal, com mais de 2.000 agências, e oferece mais de 300 produtos e serviços financeiros (www.sicredi.com.br).

 *Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

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 Sobre o AgTech Garage

O AgTech Garage é um hub de inovação especializado no agronegócio. Criado em 2017, conta hoje com mais de 40 grandes empresas parceiras, líderes em seus segmentos e mais de 750 startups conectadas em sua comunidade virtual. Pioneiro em fomentar a prática da inovação aberta no agronegócio, suas iniciativas, práticas e ferramentas são responsáveis por impulsionar a competitividade de seus parceiros na construção de produtos e serviços inovadores para uma cadeia agroalimentar cada vez mais digital e sustentável.