fev 14, 2026 | Colunistas
*Bosco Martins é escritor e jornalista
O assassinato dos filhos de Sarah Araújo, em Itumbiara, seguido do suicídio do ex-marido, não foi um surto. Foi a face cruel do machismo estrutural: a violência como punição final pela ousadia de uma mulher de recomeçar. Thales Machado não aceitou o fim. E, na lógica perversa da posse, decidiu que, se não podia ter a família, ninguém teria. Usou os filhos para ferir a mãe para sempre.
Mas o que choca ainda mais é a reação social. Enquanto Sarah tenta sobreviver à perda — enterrar os filhos, lidar com a ausência, aprender a respirar de novo — a internet a julga. Comentários cruéis questionam suas roupas, suas escolhas, sua vida. Espalham a insinuação de que “ela provocou”, como se terminar um relacionamento justificasse assassinato. Como se uma mulher não tivesse o direito de sair de um casamento que não queria mais.
Esse comportamento escancara o quanto o machismo ainda dita as regras. A mesma cultura que criou o homem que mata é a que agora busca uma culpada: a mulher que sobrevive. Sarah é punida duas vezes: pela perda dos filhos e pela condenação pública. Perguntam “por que não ficou?”, como se a permanência em um relacionamento fosse obrigação. Como se a vida dela pertencesse a ele.
Não existe mágoa que autorize um pai a matar. Não existe separação que transforme assassinato em algo compreensível. O que houve foi sentimento de posse, foi ego ferido, foi a recusa em aceitar que uma mulher pode, sim, recomeçar.
Enquanto a sociedade continuar tratando ameaças como “desespero” e não como alerta, enquanto mulheres forem culpadas por existir, continuaremos alimentando a lógica cruel de que o amor justifica a violência.
Hoje, o que existe é a dor de uma mãe. E a revolta de saber que tudo foi anunciado — e mesmo assim ninguém impediu. Que Sarah encontre forças para se reconstruir. E que a culpa, essa, fique com quem realmente a merece.
fev 13, 2026 | Colunistas
NA PASSARELA: “O desfile da Acadêmicos de Niterói pode não influir no resultado da eleição, mas exibe a desigualdade de armas na campanha. O presidente atropela regras sem ser impedido, mas isso não evita que seja um infrator do código de ética da vida real…Lula afronta regras e consegue não ser admoestado devido à complacência que protege o mito…”. (Dora Kramer – FSP).
DETALHES: Jana num carro alegórico e Bolsonaro será ironizado pelo ator Marcelo Adnet. A letra do samba diz bem: “em Niterói, o amor venceu o medo ( ) por ironia treze noites, treze dias me guiou Santa Luzia, São José alumiou da esquerda de Deus Pai, da luta sindical à liderança mundial”. E o refrão – “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.
OPOSIÇÃO? Conversa pra boi dormir. Em 2026 o Planalto autorizou a liberação de R$ 1,5 bi em verbas de emendas aos deputados e senadores – mais que o dobro em 2025 Em ano de eleição, isso amansa o pessoal do Centrão (que cria dificuldades para colher facilidades) e vai minando a candidatura de Flavio Bolsonaro. Quem quer dinheiro?
ESQUEMA? Além de eliminar as gorduras dos obesos, as canetas emagrecedoras estariam também diminuindo os lucros das distribuidoras do produto no Brasil. Fala-se que o alerta de riscos de pancreatite faria parte de campanha bem orquestrada para frear a compra do produto no Paraguai e o seu consequente contrabando. Tudo é possível.
MÁ GESTÃO: “Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS…” Promessa de Lula na posse. A fila pulou de 930,6 mil vítimas para mais de 3 milhões. A novidade do INSS petista foi o roubo da grana dos aposentados. Os mutirões prometidos pelo então ministro Carlos Lupi, da Previdência não aconteceram.
DONALD Hitler? Questionado sobre seus limites na entrevista ao Times em 7 de janeiro, o Presidente Trump respondeu: “Sim, existe uma coisa. Minha própria moralidade. Minha própria mente. Esta, a única coisa que pode me conter. Eu não necessito de leis internacionais. ” Os observadores, unânimes: Hitler pensaria igual.
AGORA VAI? Caiado quer ser Presidente. Vale recordar: naquelas eleições de 1989 ele ficou em 10º lugar dentre os 22 postulantes. Obtendo 488 mil votos, ficou atrás de Collor de Mello, Lula, Leonel Brizola, Mário Covas, Paulo Maluf, Guilherme Afif Domingues, Ulisses Guimarães, Roberto Freire e Aureliano Chaves.
O PARAÍSO: Parafraseando o texto bíblico: são vários os pretendentes ao Senado, mas só dois serão ‘chamados’. Hoje fala-se muito sobre as benesses proporcionadas pelo Senado, mas a última que ouvi é genial. Para Darci Ribeiro, “o Senado seria o paraíso dos políticos, com a vantagem de não precisar morrer para nele entrar. ”
PROJEÇÕES-1: Respeitando pesquisas, mas sem desprezar fatores envolvendo uma eleição estadual casada com a sucessão presidencial, há várias projeções sobre as chances dos postulantes ao parlamento estadual. Deve-se atentar à influência da janela partidária (6 de março a 5 de abril), quando poderá mudar de legenda quem tem mandato obtido em pleitos proporcionais.
PROJEÇÕES-2: Com base nos votos de 2022, hoje teríamos em tese como favoritos às 13 primeiras vagas: Paulo Correa (45.183 votos), Zeca do PT (47.193 votos), Jamilson (43.435 votos), Zé Teixeira (39.329 votos), Lídio (32.412 votos), Caravina (31.952 votos), Davi (31.480 votos), Lucas (26.575 votos), Mochi (26.108 votos), Catan (25.914 votos), Gerson (25839 votos), Londres (25.691votos), Vaz (19.395 votos).
PROJEÇÕES-3: Cerca de 8 cadeiras, aproximadamente, seriam disputadas palmo a palmo para a Assembleia Legislativa. Leva-se em conta as candidaturas – principalmente do interior, vistas como potencial de votos e que pouco aparecem nas pesquisas. Também devem influenciar para eventual êxito delas: os rumos da sucessão nacional e a disputa pelo Parque dos Poderes.
BASTIDORES-1: No saguão da Assembleia o assunto desta quinta foi a eventual saída do desembargador Ari Raghiant – indicado pela OAB em 2022 ao TJMS. As razões: não teria se adaptado ao cargo e estaria planejando voltar a sua banca de advocacia na capital. Ao mesmo tempo, especula-se o nome de Fabio Trad para essa vaga.
BASTIDORES-2: A vinculação do nome de Fabio Trad é no mínimo interessante, pois ele integra o mesmo grupo de Raghiant na OAB, havendo portanto identidade entre ambos. Sobre essas especulações em ano de eleições, os dois cidadãos não se manifestaram publicamente, mas nas redes sociais o assunto vai ganhando espaço.
BASTIDORES-3: O deputado Zeca do PT não perde a chance de ironias e venenos. Faz sempre questão de elogiar a postura do colega João H. Catan, vaticinando que se o mesmo for candidato ao Governo, provocaria o segundo turno. Mas sobre eventual desistência de Fabio Trad em disputar o governo, Zeca simplesmente muda de assunto.
BASTIDORES-4: Líder do ‘Republicanos’, o deputado Antonio Vaz se diz preparado para a reeleição, com chapa pronta para superar os 19.395 votos de 2.022. De olho na Câmara Federal, o deputado Roberto Hashioka saiu animado do encontro com Riedel que também abraçou a candidatura de Dione Hashioka à Assembleia Legislativa. Um casal de valor.
BASTIDORES-5: Cautelosos, poucos deputados se arriscam a comentar sobre a futura convivência de lideranças políticas decorrente das federações partidárias. Há mais dúvidas do que certezas. Sobre isso conversei com o ex-deputado capitão Contar, também evasivo nos argumentos. Não convenceu. Será que aprendeu a jogar?
BASTIDORES-6: A aproximação da Senadora Soraya com o PT através do deputado Vander provocando ‘vômito eleitoral’ nas redes sociais. As manifestações unânimes, criticam a trajetória da senadora após sua eleição marcada por um discurso à favor da direita. Na política, o eleitor adora traições, mas odeia e rejeita os traidores.
CONFETES & SERPENTINAS:
E o Toffoli, hein? (na internet)
A vaidade é um princípio de corrupção. (Machado de Assis em D. Casmurro)
O Carnaval tornou-se uma festa coletiva em que o casal não tem função, nem destino. Os pares que se beijam para milhões de telespectadores são falsos casais, fingindo um desejo, representando um amor. (Nelson Rodrigues)
Flavio Bolsonaro. É o que temos?
Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção. (Luiz F. Pondé)
fev 11, 2026 | Colunistas
Você conhece uma igreja sem clero remunerado; que investe bilhões de dólares em projetos sociais e ajuda humanitária; que, nas grandes catástrofes mundiais, costuma estar entre as primeiras a chegar, levando voluntários, alimentos, medicamentos, roupas e abrigo aos necessitados; que mantém fazendas e indústrias destinadas exclusivamente à produção de alimentos para doação a comunidades carentes, especialmente em regiões vulneráveis do planeta; que disponibiliza gratuitamente ao público o maior banco de dados genealógicos do mundo; que criou o programa Mãos que Ajudam, mobilizando milhares de voluntários em ações comunitárias; e que ainda desenvolve inúmeros projetos educacionais e sociais acessíveis à coletividade?
Essa é A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que, segundo sua própria doutrina, é dirigida pelo próprio Salvador e está presente em praticamente todos os continentes, figurando entre as instituições religiosas que mais crescem no mundo. Atualmente, está estabelecida em quase 200 países e territórios, combinando fé, planejamento administrativo e trabalho voluntário para executar programas de assistência social em escala global.
Relatórios oficiais da instituição indicam que somente no ano de 2024 foram investidos cerca de 1,45 bilhão de dólares em iniciativas sociais e humanitárias, com a realização de aproximadamente 3.836 projetos em 192 países e territórios. Essas ações envolveram mais de 6,6 milhões de horas de trabalho voluntário.
Um dos pilares mais estruturados do trabalho social da Igreja é o seu sistema mundial de bem-estar. Diferente de programas assistenciais tradicionais, o modelo combina produção própria de alimentos com distribuição organizada e gratuita. A instituição mantém: 12 fazendas voltadas à assistência social; 3 jardins agrícolas; 3 ranchos pecuários; 4 pomares; Indústrias de processamento de alimentos; Mais de 120 armazéns humanitários ao redor do mundo. Somente em 2022, por exemplo, mais de 21 milhões de quilos de alimentos foram distribuídos diretamente a famílias em situação de vulnerabilidade, além de milhões de quilos repassados a organizações parceiras.
Entre os serviços sociais menos conhecidos, mas de enorme impacto cultural e histórico, está o FamilySearch, (https://www.familysearch.org/pt/brasil/) considerado o maior banco de dados genealógico do mundo. Disponibilizado gratuitamente ao público, o sistema permite que qualquer pessoa pesquise a própria história familiar por meio de documentos como: Certidões de nascimento, casamento e óbito; Registros migratórios; Fotografias históricas; Documentos civis e religiosos.
Em cenários de crise humanitária, a Igreja frequentemente atua em parceria com organizações governamentais e entidades sociais, oferecendo suporte logístico e assistência direta às populações afetadas. Entre as principais ações estão: Distribuição de água potável e alimentos; Doação de medicamentos e equipamentos médicos; Montagem de abrigos emergenciais; Fornecimento de colchões, roupas e cobertores; Mobilização de voluntários para reconstrução de comunidades.
Outro programa emblemático é o “Mãos que Ajudam”, iniciativa que promove o trabalho voluntário coletivo em benefício da sociedade. O projeto mobiliza milhares de voluntários em diversas cidades do Brasil e do mundo, desenvolvendo ações como: Reforma e pintura de escolas públicas; Limpeza de praças e espaços urbanos; Campanhas de doação de sangue; Apoio a hospitais e instituições sociais e Auxílio emergencial em desastres naturais. O programa também possui forte caráter educativo, envolvendo crianças, jovens e adultos em atividades comunitárias.
A instituição mantém diversos programas educacionais e de qualificação profissional. Entre eles destaca-se o Fundo Perpétuo de Educação, criado para auxiliar jovens e adultos a financiar estudos e capacitações técnicas. Desde sua criação, o programa já beneficiou mais de 113 mil pessoas em mais de 80 países, ampliando oportunidades de emprego e mobilidade social.
Além disso, a Igreja oferece cursos gratuitos de idiomas, como o EnglishConnect, ministrados presencialmente em capelas ou por meio de plataformas digitais, ampliando o acesso ao aprendizado e ao mercado de trabalho global.
Os projetos humanitários também abrangem a área médica, com destaque para: Doações de equipamentos hospitalares; Apoio a centros de reabilitação; Programas de nutrição infantil e Distribuição de cadeiras de rodas; Treinamentos em reanimação neonatal.
Outro braço social importante é o apoio à reinserção profissional e social, por meio de centros de emprego, cursos profissionalizantes e programas de recuperação para dependentes químicos, que realizam milhares de reuniões semanais em vários países.
Grande parte das ações sociais da Igreja é financiada por contribuições voluntárias de seus membros, incluindo as chamadas ofertas de jejum, destinadas integralmente ao atendimento de famílias necessitadas.
A instituição não depende de recursos públicos para manter seus programas sociais, reforçando um modelo baseado na solidariedade comunitária.
Mais do que prestar auxílio emergencial, a Igreja enfatiza a autossuficiência familiar e individual. Programas educacionais incentivam planejamento financeiro, armazenamento doméstico de alimentos e organização econômica do lar, preparando famílias para enfrentar crises e instabilidades.
Ao longo das últimas décadas, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias consolidou um modelo singular de atuação social, que integra assistência emergencial, educação, autossuficiência familiar, produção sustentável e voluntariado comunitário.
Mais do que números, estatísticas ou relatórios institucionais, o que se observa é a construção silenciosa de uma rede mundial de solidariedade que transforma vidas diariamente. Em diversas regiões do planeta, milhões de pessoas são beneficiadas por ações que muitas vezes chegam sem distinção de religião, nacionalidade ou condição social, evidenciando um princípio essencial do evangelho de Jesus Cristo: amar e servir ao próximo.
Em um mundo marcado por crises humanitárias, desigualdades sociais e desafios espirituais cada vez mais complexos, o trabalho desenvolvido pela Igreja demonstra que a fé pode — e deve — ser traduzida em ações concretas de amor, compaixão e serviço.
Mais do que uma instituição religiosa, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias apresenta-se como uma organização que busca preparar pessoas e famílias não apenas para enfrentar os desafios terrenos, mas também para construir uma sociedade mais solidária, equilibrada e espiritualmente fortalecida.
Talvez por isso, ao conhecer sua história, sua doutrina e principalmente suas obras, muitos passem a enxergá-la como uma igreja que ultrapassa conceitos tradicionais e revela, na prática, um modelo de fé viva — uma fé que serve, que acolhe, que ensina e que transforma.
Uma igreja como nunca se viu.
*Jornalista, Professor e Escritor
wilsonaquino2012@gmail.com
fev 7, 2026 | Colunistas
‘DE LEVE’: A grandeza moral de uma nação tem seu alicerce na conduta de seus cidadãos. São eles, através de suas ações, que darão sustentação ética para formação do ‘caráter’ nacional. Um povo sem caráter, em que pesem as riquezas que possam advir do progresso econômico, se resume numa triste caricatura do país. ” (Luiz C. V. Prati – Zero Hora-RS);
PÉROLA: Foz de Iguaçu; 300 mil habitantes. também com gafes na Câmara. Vereador Paulo Rocha, ao abordar na tribuna o atraso do repasse do ‘bolsa auxílio’ aos ‘médicos residentes’ do hospital disse surpreso: “Uai, eu não sabia que tinha médico morando no hospital. Eles que durmam em suas salas”. Vale assistir ao episódio no facebook.
GAFE: Candidato em 2010, Serra marcou uma propaganda que fomentou confusão linguística: “Brasileiros como ele, como a mãe dele que eu conheci também, como a Vânia, que é a sua mulher, como o Damião, como a Andreia, como a dona Maria…”. O vídeo ficou conhecido como “Serra como todo mundo ou Serra comedor”.
DESAFIOS: Na política é raro obter omelete sem quebrar ovos. Riedel prova que é possível. Independentemente do futuro político dela, o governador mantém boas relações com a ministra Simone, que tem sido importante na interlocução junto ao Planalto. Portanto, a habilidade de Riedel facilita relações e garante dividendos.
RETROVISOR: Riedel não questionou a decisão de Simone nas eleições presidenciais. E mais, preservou Eduardo Rocha (marido da ministra) na Casa Civil. Um conjunto de fatos que resultou em benefícios como a aprovação do empréstimo bilionário do Planalto ao MS. Aliás, Riedel deve ajudar a viabilizar a volta de Rocha à Assembleia Legislativa.
ESTÍLO: Apenas Harry Amorim (nomeado pelo Governo Federal) pode ser comparado ao governador Riedel. Todos os demais vinculados e comprometidos fortemente com suas agremiações partidárias ou grupos tradicionais. Pedrossian, Wilson, Marcelo, Zeca, André e Reinaldo tiveram em comum a mesma orientação política partidária.
CRÍTICAS: Até ontem o PT participava do Governo Estadual e o governador Riedel sendo alvo de reverência e elogios do deputado Zeca do PT. Por questões ideológicas o partido de Lula entregou alguns cargos como preparativos às eleições deste ano. Mas mesmo assim, o PT está carente de argumentos que possam reverter o quadro.
NO SOFÁ: Alguém já disse que a militância petista se acomodou, precisa sair da sala e voltar às ruas. É voz corrente que a decisão de Simone em deixar nosso estado rumo a São Paulo, fragmentou os planos do PT que sonhava ela ao lado de Fabio Trad. Aliás, ela jamais fez acenos ao PT local. Tem luz própria e provou isso nas últimas eleições.
MUDANÇAS? Geraldo Resende e Mrquinhos Trad perto do PV, na federação com o PT. O mesmo caminho de João C. Krug (PSDB) ex-prefeito de Chapadão do Sul, para viabilizar sua candidatura a deputado estadual. Em 2006 obteve 10.912 votos – hoje a cidade tem perto de 35 mil habitantes e Krug com sua liderança consolidada.
ZECA DO PT: O deputado fala em surpreender com nomes dos mais variados segmentos, além dos militantes de primeira hora. É o caso da candidatura a deputado estadual de Humberto Amaducci ( prefeito 3 vezes de Mundo Novo e candidato do Governo em 2018) e que tentará ocupar o espaço regional – hoje de Mara Caseiro. .
CENÁRIO: Mudou pouco. Lucas de Lima e Lídio Lopes ainda sem partido; Paulo Duarte saindo do PSB; Rinaldo acena para o União Brasil, Marcio Fernandes espera a janela partidária (6 de março/5 de abril) a exemplo de Paulo Correa. Jamilson, Zé Teixeira e Mara não escondem os desejos de mudança de sigla. Beto Pereira de namoro com o PRB.
RESUMINDO: Como sempre vale mais o pragmatismo do que aquela utopia de idealismo e fidelidade partidária. Ao longo da história da política brasileira já tivemos casos de arrepiar. Discursos incoerentes e personagens impensáveis juntos. Cada leitor com seus exemplos domésticos, mas vale citar Lula e Brizola juntos. Aí foi demais!
WILSON FIGUEIREDO: “Ao escolher o candidato ninguém encara as variantes possíveis de infidelidade partidária. Tantas legendas e tão insignificantes diferenças entre os partidos, fazem da escolha uma opção aleatória. Assim se explica o nível das propostas, bem abaixo do que os eleitores merecem. Um discreto pudor impede a confissão do voto, Mais adiante, vem o sentimento de vergonha”.
- MOCHI revela: a folha de 42 mil servidores estaduais está refém de uma dívida de R$9,3 bilhões – equivalente a 15 folhas de pagamento. Os devedores vão empurrando com a barriga, pagam juros caros e sem saída alguma. Esses funcionários vivem sob pressão. Mochi estuda uma solução, mas sabe que não há almoço grátis.
LAMENTÁVEL: Pesquisas mostram que o brasileiro deve até as calças e não se emenda: continua ‘passando o cartão de crédito’ com a mesma suavidade de quem lambe um sorvete. Daí vem o abalo da saúde e até o desarranjo familiar. Na certeza de que no final do mês o salário cairá na conta, o funcionário gasta além do limite.
NA ASSEMBLEIA: Recomeço sem pressa. KEMP pede a regularização do acesso de remédios à base do canabidiol. PAULO CORRÊA quer comissão para tratar da interrupção de energia nos aviários e em várias cidades. LIA NOGUEIRA propõe instituir a ‘Ronda Maria da Penha’ em municípios carentes de estrutura na proteção às mulheres. CRÍTICAS não faltaram a norma recente que obriga o uso de capacete pelos trabalhadores rurais, incompatíveis à lida sob forte calor. LIDERES: Londres Machado e Pedrossian Neto reconduzidos aos cargos de líder e vice-líder do Governo. HASHIOKA apresentou moção de congratulações ao engenheiro Rudi Fiorese pela sua nomeação no cargo de presidente da Agesul. LUCAS DE LIMA é autor de proposição sobre a cassação da CNH dos motoristas flagrados abandonando animais domésticos nas vias urbanas e rurais. CARAVINA quer da Energisa informações sobre estrutura técnica da empresa ( alvo de reclamações) para atender prefeituras, usuários e novas ligações. PESAR: ex-deputado Antonio Braga foi lembrado pela sua atuação como parlamentar, vereador e Secretário de Estado. Deixou boas lembranças na Casa. LÍDIO LOPES: autor de proposta reivindicando a duplicação total da rodovia BR-262. ZÉ TEIXEIRA quer ter acesso aos dados de atendimento do Hospital Regional de Dourados para ter subsídios sobre sua eficiência. MARCIO FERNANDES: atento nas questões envolvendo a manutenção de estradas e de pontes danificadas pelas últimas chuvas. RINALDO MODESTO: moderador nos debates acalorados – tem sido sua marca, atuando também na defesa dos frágeis, da mulher e da educação. PAULO DUARTE: comandou elogiada homenagem ao deputado Londres Machado pelos seus 84 anos de idade.
fev 2, 2026 | Colunistas
O dicionário define como sendo o ato de produzir sons musicais utilizando a voz…expressar-se vocalmente por meio de frases melódicas. Mas e se eu disser que conheço alguém que transpira canto e exala música?
Tudo começou na rua 13 de Maio, em 1995. Lá foi realizado o primeiro Sarau do Zé Geral, na noite de uma quarta-feira. Depois num Casarão, no bairro Amambaí, seguindo por uma casa na Esplanada Ferroviária, AABB e assim foram 15 endereços e mil edições até chegar na rua Pasteur 937, o endereço da cultura. E isso o fez o músico que é referência e ícone no estado e tornou a frase famosa “Sarau do Zé Geral”. Fui apresentado a ele por Zeca do Trombone, meu professor de violão, mas que me viu trocar o dedilhar das cordas por manusear as palavras. José Geraldo Ferreira, “Zé Geral”, é um dos pilares do Morenismo.
O Morenismo surgiu para divulgar e valorizar o que é a Cultura, promovendo ações que contribuíram e ainda o fazem para a autoestima do cidadão da capital sobre a identidade regional que temos. É um movimento de afirmação, e de apreciação da arte sonora que produzimos.
Certamente que para esta nomenclatura não se pensou na criação de modelos e nem linhas, mas sim de afirmar: é de Campo Grande sim. Mesmo que tenha sua origem externa. É como a própria formação da cidade. São pessoas que trouxeram suas contribuições e aqui criaram características próprias e assim aconteceu com o nosso amigo Zé Geral que trouxe a simpaticíssima “Val” de Atibaia para o nosso mundo Neste momento não há como não lembrar e citar o poema do Emmanuel Marinho.
Poesia? Poesia não compra sapato! Mas como andar sem poesia!!! E de poesia e música se instituiu o Morenismo e Zé Geral, é o abraço que permanece no ar e ele abraçou e abarcou toda esta estrutura e tendências, fazendo com que por anos a fio pudesse parecer a única nesga de resistência com fulcro no trabalho deste violonista, compositor e cantor que resiste ao tempo como o cerne de aroeira.
Ele tem estrutura de palco, aparelhagem e pureza de propósitos. Além de uma capacidade intelectual invejável e que pude comprovar quando musicava poemas do livro da escritora Vanda Ferreira. Material literário que foi prefaciado pelo professor de Gramática, Adelino Brandão; residente na época em Paranaíba.
Desbravada por mineiros, Campo Grande acolheu diversos imigrantes e brasileiros de vários estados e a síntese de todas estas questões e nuances estão marcadas na alegria, na poesia e no tom musical de Zé Geral. Assim é Zé Geral: é a sombra da mangueira, é pegadas na grama, são as fotos expostas na parede, é a serenata violão e voz, na porta da amada; é história, música e poesia em fusão e difusão, que mostra a beleza sob todas as formas; e faz parte da nossa própria identidade cultural. Zé Geral, é um músico acumula mais de 20 anos de verdadeiras noites e serviços prestados pela cultura e arte local, da história do evento. Foram mil edições, sendo que na de numero 550, reuniu em uma só noite , 212 músicos misturados a um publico de duas mil pessoas.
E para terminar. Sou apenas um contador de histórias, mas quando se trata de Zé Geral tenho uma grande certeza: Que há tanto nesse coração que ele ainda gostaria de cantar hoje e tantas outras coisas que ele vai querer cantar amanhã. Há tanto em seu coração pra ser cantado. . Há canções que só Deus vai ouvir, há canções que só os mais íntimos ouvirão, há canções que nunca poderão ser cantadas e há canções que toda vizinhança vai ouvir. Entretanto sempre tem uma canção pronta pra ser entoada nesse seu eterno coração de compositor e amante da vida!
*Articulista
fev 2, 2026 | Colunistas
O Sul-mato-grossense, de Ponta Porã, Ilton Silva (1943-2018) é o criador de um imaginário com extrema força pictórica, arrisco afirmar que em suas obras vislumbro uma versão pantaneira e vibrante do cordel, com verdes exuberantes e seres reais e imaginários que integram o cotidiano da região a um universo enigmático e fantástico, em uma expressão ao mesmo tempo ampla e irrestrita.
Relembro uma entrevista do artista, em comento neste artigo, para o meu caríssimo amigo José Eduardo Gallindo Novo, para o “Nossa Música é Assim”, que aniversariou em 11 de janeiro próximo passado e inclusive muito me orgulho de ter sido entrevistado por ele. Introdução e agradecimento feito; num certo episódio o pintor explanava a Zédu , o quanto suas obras foram inspiradas pelo cultivo da erva-mate, Ilton Silva retratou trabalhadoras, benzedeiras e crianças em telas de um estilo alegre e divertido, que revela aspectos dos costumes indígenas, da cultura portuguesa e da própria floresta, personagem sempre presente em seu trabalho.
A simplicidade dos traços e o colorido de suas obras convidam o observador a apreciar figuras e detalhes que provocam a sinergia entre tais elementos, com um resultado emblemático e transcendental.
Lembro outro momento durante meu mandato de Conselheiro de Cultura da Cidade Branca e durante a 13ª edição do Festival América do Sul Pantanal, pude conferir um dos mais conhecidos artistas plásticos sul-mato-grossenses, Ilton Silva, pintando quadros ao vivo em pleno Porto Geral, em Corumbá.
Naquela oportunidade eu conversava e ele me explicava que iria deixar a inspiração o conduzir na escolha dos temas, mas que pretendia dar ênfase a elementos da região, como o casario, barcos, canoas de pescador.
Ilton Antunes da Silva, nascido da união de Conceição Freitas da Silva, a notável artista primitivista que esculpia os “bugres”, hoje elevados à condição de ícones culturais de MS, e de Abílio Antunes, funcionário público federal. Nos primeiros tempos, oferecia suas telas de casa em casa. Mais tarde, instalando seus ateliês em locais em Campo Grande, assistia à popularização desses espaços, que se tornavam referências para comercialização de suas obras e encontros de artistas e amantes das artes plásticas. O conjunto de sua obra revela o peso da presença cultural guarani em Mato Grosso do Sul. (Aliás ZéDu junto com o indefectível Bosco Martins compuseram a música “Alma Guarani” – Aqui o sol se mostra o dia inteiro, E a lua cheia é a mais bonita de assistir, Na longa história: Nativos e Forasteiros,A nossa terra tem a “Alma Guarani”.) musica que ao meu ver tem toda a essência do grandioso Ilton.
Até porque, em tese, seus personagens são trabalhadores da fronteira. As rudes feições de ervateiros e peões produzidos pela miscigenação, seus bigodes finos e alongados, cabelos negros e olhar vivo, uma indumentária que inclui o poncho, às vezes, o revólver e o “machete”, a companhia do cavalo, os vistosos apetrechos de montaria, o exercício das lidas típicas do campo, o churrasco ou a roda de tereré, os bailes, as festas bem como a paisagem são elementos expressivos de composição que expõem as condições de existência dos trabalhadores fronteiriços.
O impacto da obra de Ilton Silva nos sul-mato-grossenses foi profundo. Por seu merecimento, a Câmara Municipal da Capital lhe conferiu o título de Cidadão Campo-Grandense.
Seu nome está gravado na história. Como assevera Aline Figueiredo “ A pintura faz parte de seu cotidiano, como espécie de lenitivo para aclarar as ideias. Não consegue começar ou terminar perfeitamente o dia sem antes ter pintado um quadro. In: FIGUEREDO, Aline. Artes Plásticas no Centro-Oeste. Aline Figueredo.Cuiabá,UFMT, MACP, 1979.
Numa determinada ocasião esbarramos em uma conversa mais uma vez e ele me contou naquela noite que naquela época arriscava, naturalmente, seus dotes artísticos com rabiscos no chão e madeira. “Minha primeira profissão foi engraxate, mas sempre fui muito observador das coisas, pessoas. Em um momento, fui trabalhar com meu tio, que fabricava erva mate, fumo, carne seca, melado e queijos. No chão daquele lugar comecei a fazer alguns desenhos e depois saía na rua tentando vender outras artes que eu fazia”. Ilton Silva morou por duas décadas em Santa Catarina quando enfim partiu para pintar estrelas com suspeita de pneumonia e anemia. Eu com as benção que Deus me deu, hoje durmo abençoado com uma de suas obras na parede do meu minúsculo “kafofo” dividindo o ambiente com uma rede, os jornais, livros, um valente ventilador, os diplomas que certificam meus trinta anos de estudo e as medalhas recebidos de pessoas e instituições que viram em mim, o que faço hoje … conto histórias das personalidades que conheci e que me mostraram uma justa forma de viver e ensinaram a caminhar com fé no Arquiteto do Universo. Não se preocupe prezado Ilton. Aquele quadro só sai da parede quando eu também for escrever histórias no céu. Está ali para corroborar que a amizade pode sim, ser eterna e a cultura perene.
*Articulista