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Bela Vista-MS Sábado, 07 de Março de 2026
Campo Grande: 126 anos sendo a capital dos encontros, oportunidades e acolhimento

Campo Grande: 126 anos sendo a capital dos encontros, oportunidades e acolhimento

Artigo escrito pelo Renato Saravy Diacopulos, professor de geografia no Marista Alexander Fleming

Desde seu nascimento em 1872 (Arraial de Santo Antônio), no encontro dos córregos Prosa e Segredo, Campo Grande carrega sua vocação para unir caminhos. José Antônio Pereira, ao estabelecer seu arraial neste cruzamento de águas, talvez não imaginasse que estava fundando o que se tornaria o maior hub de conexões do Centro-Oeste. A posição geográfica privilegiada , no exato divisor das bacias do Paraná e Paraguai, predestinava esta terra a ser muito mais que um ponto no mapa: seria uma encruzilhada de destinos, oportunidades e possibilidades para quem aqui chegasse.

O século XX consolidou essa promessa geográfica. Com a chegada da Ferrovia Noroeste do Brasil, em 1914, a pequena vila transformou-se e cresceu. Os trilhos não traziam apenas mercadorias: traziam progresso em vagões e colônias do mundo inteiro, como Okinawa, Japão, sírios, libaneses, turcos e armênios, cada grupo acrescentando novas cores ao mosaico cultural da cidade. A Estação Ferroviária, hoje um patrimônio histórico, foi o desembarque de um novo mundo, em que Campo Grande se projetava para o moderno, transformando o antigo arraial num importante entroncamento comercial.

Nos anos 1970, outro marco: a divisão do antigo estado de Mato Grosso; agora surge Mato Grosso do Sul, efetivamente em 1979, quando Campo Grande foi elevada à condição de capital, coroando sua ascensão como pólo político e administrativo. As rodovias que convergem para a cidade, BR-163, BR-262, BR-060, transformaram-na no principal nó viário da região. E agora, no século XXI, a cidade assume papel estratégico continental como eixo central da Rota Bioceânica, o corredor que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, posicionando Campo Grande no mapa logístico global.

Neste cenário dinâmico, o Colégio Alexander Fleming emerge no ano de 1981. Guiado pelos diretores Dulce Botelho Ferreira, “Tia Dolly”, e Sr. Vítor Hugo Bordignon, ao longo desses 44 anos, formaram gerações de grandes profissionais e cidadãos do mundo. Assim como a cidade transformou entroncamentos em oportunidades, a escola transforma potencial humano em realização. Sua evolução — do Colégio Alexander Fleming à incorporação pela Rede Marista — espelha o próprio desenvolvimento da capital: mantendo suas raízes, mas sempre se renovando para enfrentar novos desafios. Como gerações de famílias que se repetem no colégio, pois querem manter a qualidade de ensino, o compromisso com o futuro e as tradições maristas.

Os números atuais impressionam: com mais de 900 mil habitantes, a cidade cresce em ritmo acelerado, mas sem perder seu planejamento característico. O setor de serviços responde por 80% da economia local, com destaque para saúde, educação e tecnologia — um perfil urbano e moderno.

Com o título de “Cidade mais arborizada do mundo” pela 6ª vez consecutiva — prêmio concedido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Fundação Arbor Day —, destaca-se pelas áreas verdes que exemplificam a qualidade de vida. Segundo o Instituto de Progresso Social (IPS), dentre as capitais brasileiras, Campo Grande aparece em 2º lugar como a cidade de melhor qualidade de vida.

O aniversário de Campo Grande (MS) é celebrado em 26 de agosto, marcando a data de fundação da cidade. Às vésperas de completar 126 anos desde sua emancipação, em 1899, Campo Grande, “nossa terra morena”, consolida-se como síntese do melhor do Brasil Central: acolhedora como uma cidade do interior, mas dinâmica como metrópole; enraizada em suas tradições, mas com os olhos voltados para o futuro. Uma capital que nasceu para conectar — pessoas, culturas, economias — e que segue escrevendo sua história no cruzamento de todos os caminhos.

Sobre Renato Saravy Diacopulos

Geógrafo e licenciado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), com mestrado em Desenvolvimento Local (UCDB) e especialização em Mobilidade Urbana e Trânsito. Complementou sua formação em Engenharia Urbana na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atua como docente na Rede Marista e na Rede Municipal de Ensino de Campo Grande desde 2015, com ampla experiência em educação básica. Foi colaborador no Programa Internacional Erasmus Mundus STeDe e assessor técnico em programas de mobilidade acadêmica. Palestrante internacional sobre cultura, território e diversidade, integra o Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Territorial Sustentável da UCDB, focando em mobilidade urbana, desenvolvimento regional e políticas públicas.

Saiba mais:

O Colégio Marista Alexander Fleming faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 20 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 96 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/

Créditos: Divulgação/Marista Brasil

 

Dr. Victor Rocha homenageia Dr. Rosildo Barcellos com Medalha do Mérito Legislativo

Dr. Victor Rocha homenageia Dr. Rosildo Barcellos com Medalha do Mérito Legislativo

Durante Sessão Solene pelos 126 anos de Campo Grande, vereador destaca legado de Dr. Rosildo Barcellos e entrega a Medalha “José Antônio Pereira” por sua contribuição à cultura e memória histórica.

Em uma das mais emocionantes homenagens da Sessão Solene em comemoração aos 126 anos de Campo Grande, o vereador Dr. Victor Rocha entregou a Medalha do Mérito Legislativo “José Antônio Pereira” ao Dr. Rosildo Gomes Barcellos Júnior, referência nacional e internacional na preservação da história e da literatura.

A honraria foi concedida em reconhecimento à trajetória marcante de Barcellos, imortal da Academia Brasileira de História e Literatura, autor de dezenas de obras e defensor ativo da memória cultural brasileira. Ao longo de sua carreira, ele conquistou títulos de cidadão honorário em seis municípios de Mato Grosso do Sul e recebeu comendas de prestígio no Brasil e no exterior.

Na cerimônia, Dr. Victor Rocha ressaltou a importância da homenagem: “Rosildo é um patrimônio vivo da nossa cultura”. Já o homenageado emocionou o público com palavras poéticas, exaltando seus vínculos com Campo Grande.

A entrega da medalha reforça o compromisso do vereador com a valorização de personalidades que contribuem significativamente para a identidade cultural e intelectual do município.

 

 

Jornalismo, do chumbo ao digital: Wilson Aquino

Jornalismo, do chumbo ao digital: Wilson Aquino

Assim como acontece na vida, em que olhar para trás nos ajuda a valorizar o que somos e o que temos hoje, o jornalismo também se enriquece quando resgata sua própria história. Quem vê um repórter nos dias atuais cobrindo fatos em tempo real com um iPhone ou smartphone — fotografando, filmando, gravando entrevistas, editando o material ali mesmo e postando em sites de notícias, redes sociais ou enviando tudo por WhatsApp, e-mail ou plataformas como WeTransfer para as redações — dificilmente imagina como era a prática jornalística há meio século e muito menos todo o caminho percorrido até chegarmos aqui.

Eu, que atuo como jornalista há 47 anos, tenho plena consciência do privilégio de ser testemunha viva e praticante de toda essa transformação.

No início da década de 1970, quando comecei minha trajetória, primeiro como office boy, no jornal Correio Braziliense Diário da Serra, em Campo Grande, as matérias eram escritas em máquinas de escrever manuais. Depois de revisadas por um copy desk — normalmente professores de Língua Portuguesa especializados em linguagem jornalística, como era nosso querido professor Dalton Santiago — eram encaminhadas ao Departamento de Polícia Federal, responsável pela censura imposta pelo regime militar, para aprovação. Só então seguiam para a oficina do jornal, onde os textos eram reproduzidos no sistema de linotipia, em que cada palavra era montada letra por letra, de trás para frente, para formar os “clichês” usados na impressão.

A oficina do jornal era um espetáculo à parte. O cheiro forte da tinta misturado ao calor do chumbo derretido impregnava o ar, enquanto o barulho compassado das linotipos criava uma sinfonia metálica que ecoava noite adentro. Cada profissional tinha sua função precisa, como em uma grande orquestra, e qualquer erro poderia comprometer a página inteira. Para um jovem aprendiz como eu, era fascinante ver como, através de textos datilografados, surgia aos poucos a forma física de um jornal, com colunas, títulos e imagens se transformando em notícia impressa em preto e branco.

A diagramação exigia precisão e talento. Profissionais como Suely Higa, irmã do fotógrafo Roberto Higa, e João Bispo do Nascimento — que descobriu sua vocação para o jornalismo após virar notícia, sobrevivendo a um acidente com um fio de alta tensão de um poste que caiu, transformando-se em um dos melhores profissionais da área — faziam cálculos minuciosos de espaço para textos, títulos e imagens. E não bastava apenas encaixar as peças. Era preciso estética e arte para valorizar a matéria, a página, o jornal. As fotografias, por sua vez, eram transformadas em clichês de metal, arquivados em prateleiras que chegavam ao teto. Havia até um arquivista responsável por localizar rapidamente imagens de autoridades, políticas, obras, esportes e demais editorias.

Naqueles tempos, a censura não era apenas uma palavra, mas uma presença constante nas redações. Lembro-me da aflição de colegas aguardando a liberação de matérias sensíveis, muitas vezes já diagramadas e prontas para impressão. Bastava um carimbo de “vetado” para todo o trabalho ser desfeito em minutos. Alguns repórteres buscavam formas criativas de driblar os censores, trocando palavras, suavizando expressões ou deslocando a crítica para entrelinhas que só o leitor mais atento percebia. Viver sob esse clima de vigilância era um desafio, mas também forjou gerações de jornalistas determinados a não abrir mão da verdade.

Recordo-me da tensão de colegas como Valdir Cardoso (mais tarde vereador), Francisco LagosSílvio MartinsWaldemar Hozano e Guilherme Filho, entre tantos outros, quando aguardavam a aprovação de matérias políticas mais sensíveis. O jornalismo vivia sob vigilância, mas não perdia sua garra.

Do ponto de vista tecnológico, além das entrevistas presenciais ou por telefone, as redações contavam com o telex, que cuspia em longas tiras de papel as notícias nacionais e internacionais. Para as fotografias externas, inicialmente dependíamos de ônibus intermunicipais ou interestaduais para transportar filmes. Alguém do jornal tinha que ir à Estação Rodoviária para esperar a chegada do ônibus para pegar o material com o motorista para então voltar à redação e revelar.

Foi com a mesma surpresa de quem assiste a um milagre que vimos pela primeira vez uma fotografia chegar pela linha telefônica. Demorava longos minutos para que a imagem se revelasse, linha por linha, no papel especial, mas era emocionante presenciar a tecnologia encurtando distâncias. O telex, por sua vez, trazia notícias do mundo em tiras intermináveis de papel perfurado. De repente, uma redação em Campo Grande podia ter acesso quase simultâneo a fatos ocorridos em Brasília, Nova Iorque ou Paris. Aquilo ampliava horizontes e dava a sensação de que o jornalismo local estava conectado ao planeta inteiro.

Pouco depois surgiu o fax, ou “fax símile”, que permitia enviar textos, documentos e imagens em poucos minutos. “Vou te mandar um fax” era, na época, símbolo de modernidade e sofisticação. Assim, passo a passo, o jornalismo foi deixando o chumbo e o clichê metálico para abraçar a informática, os computadores, a diagramação eletrônica, as redações informatizadas e, por fim, o universo digital, que ainda hoje continua em plena transformação.

Comparar aquele tempo com o presente é inevitável. Antes, uma notícia podia levar dias para chegar ao leitor, seja por ônibus, avião ou correio; hoje, ela surge na palma da mão em segundos. O jornalista que antes dependia de linotipos, clichês de chumbo e longos processos de aprovação, agora tem a tecnologia como aliada imediata. Mas é justamente nesse contraste que está a grande lição: embora os instrumentos mudem, a essência permanece. A velocidade não pode se sobrepor à responsabilidade, nem a facilidade substituir a investigação. A missão maior continua a mesma: servir à sociedade com informação de qualidade e, sobretudo, verdadeira.

Olhar para esse passado não é um exercício de nostalgia, mas de valorização. É lembrar que se, por um lado, a tecnologia trouxe velocidade e recursos inimagináveis, por outro, não pode substituir a essência da profissão. Cabe ao jornalista manter o compromisso de investigar, apurar e analisar com rigor, ética e responsabilidade, garantindo que a sociedade receba informação de qualidade e, acima de tudo, verdadeira. Porque, acima de qualquer inovação, o coração do jornalismo continua sendo a verdade dos fatos.

*Jornalista e Professor

wilsonaquino2012@gmail.com

Leia Coluna Amplavisão:  Federações partidárias: pesarão em 2026?

Leia Coluna Amplavisão: Federações partidárias: pesarão em 2026?

SILÊNCIO: Nem uma palavra dos deputados do PT sobre a reação do governador Riedel a respeito da anunciada disposição petista em desembarcar do Governo. Nos bastidores da Assembleia, os comentários é que os cardeais teriam sido pegos de surpresa, pois se achavam imprescindíveis para a atual gestão. Talvez saiam, mas no último minuto do 2º tempo da prorrogação.

FABIO TRAD: Confirmaram-se as previsões com base nas suas postagens nas redes sociais, o ex-deputado acabou ingressando no PT. O evento ocorreu em Brasília. Ele pode ser candidato a deputado federal ou mesmo ao governo, dependendo do cenário nacional, com a intenção de fortalecer a candidatura de Lula no MS. Isso se chama política. 

‘UNIÃO PROGRESSISTA’: A federação terá 109 deputados federais, 14 senadores, 6 governadores, 1.400 prefeitos e 12.450 vereadores, e 20% do tempo de TV e orçamento de R$ 1 bilhão. No MS terá a senadora Tereza Cristina, 17 prefeitos, os deputados Luiz Ovando (PP), Londres (PP), Gerson Claro (PP), Hashioka (União) e 17 prefeitos.

GRANDEZA: Do ponto de vista numérico essa federação nasce grande com o desafio de chegar ao poder. Como tudo na vida, nem sempre ‘tamanho é documento’. Para isso seus integrantes terão que focar no objetivo maior deste projeto político, cedendo em algumas pautas pessoais, eliminando inclusive aquelas velhas picuinhas regionais.

EXEMPLO: Tereza Cristina e Rose Modesto, respectivamente presidentes estaduais do PP e União Brasil, foram adversárias no último pleito da capital. Hoje, juntas nesta federação, mas com cada qual preservando seus projetos pessoais. Presume-se que as federações sejam de verdade, ao contrário das relações de mera aparência.

PREOCUPAÇÃO: Na Assembleia Legislativa os deputados admitem que a disputa em 2026 será difícil por conta do fator ‘federação’. Mas nenhum deles admite desistir da reeleição; nem mesmo o veterano Londres Machado. Detalhe: até aqui apenas Neno Razuk e Mara Caseiro planejam trocar a Assembleia pela Câmara Federal.

LEMBRANDO: Devido o critério eleitoral, nem sempre os candidatos mais votados são os eleitos. No pleito de 2.022 Rinaldo Modesto (PODE) se elegeu com apenas 14.017 votos; Pedrossian Neto (PSD) com 15.994 votos e Roberto Hashioka (UNIÃO)  com 13.662votos.  Mas Herculano Borges (Rep.) obteve 17.786 votos e não se elegeu.

CASAMENTOS:   PSDB e Cidadania também planejam se juntar numa federação que terá 3 senadores e 17 deputados federais.  Outro caso já acertado é a Federação PSÓL e Rede que totalizará 14 deputados federais.  Também o PT, PV e PCdoB se juntaram na Federação Esperança: são 9 senadores e 81 deputados federais.

EM CASA: Políticos inteligentes sabem se comportar durante o período do chamado ‘sereno’ – aquela fase sem mandato. O ideal é administrar a ausência, evitando declarações opinativas, que possam servir de combustível aos adversários, É mau negócio tentar polemizar com quem tem nas mãos o poder do mandato.

POLÊMICA: Os partidos obrigados a reservar 30% das cadeiras para as mulheres. Mas pela redação do Código Eleitoral, se na campanha houver desistência de candidaturas femininas, não haverá necessidade de retirar proporcionalmente as candidaturas masculinas. Valeria o numero das candidaturas femininas no registro da chapa.

AVANÇOS: Uma conquista das mulheres aprovado agora pela CCJ do Senado foi a definição da reserva mínima de 20% de cadeiras em todos parlamentos. Ainda que seja relativo baixo, trata-se de um mecanismo que representa mais um avanço concreto que pode aumentar a presença feminina na política.

LUIZ F. VERÍSSIMO:  “Cinema é melhor pra saúde do que pipoca! Conversa é melhor do que piada. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Economia é melhor do que dívida. Amigos são melhores do que gente influente. Pergunta é melhor do que dúvida. Sonhar é melhor do que nada. ”

PORTO MURTINHO: Papo leve com Miriam dos Santos na Assembleia. Ex-prefeita, viúva do ex-prefeito Heitor Miranda tem um relato especial do polêmico cenário político daquela cidade. Cá entre nós; só morando lá, curtindo seu dia a dia e conhecendo seus personagens, para entender essa velha guerra – sem fim pelo poder.

ESTRANHO: Assim pode ser definido o universo da política. A mídia tem trazido declarações críticas do vereador Marcos Trad contra a prefeita Adriana Lopes. Seria um fato absolutamente normal se o ex-prefeito não tivesse sido o padrinho responsável pelo ingresso dela na política como sua candidata a vice-prefeita. Coisas da política…

A PROPÓSITO:  O PDT e a Democracia Cristã (DC) interpuseram no último dia 18  Recurso Especial junto ao Tribunal Superior Eleitoral pedindo a cassação dos diplomas da prefeita Adriane Lopes e da vice-prefeita Camila N. Oliveira  A peça recursal de 19 páginas é assinada pelo advogado Newley Amarilla e colegas do seu escritório.

DISPUTA: Ouço de deputados elogios sobre a capacidade de articulação do presidente Gerson Claro em suas pretensões de viabilizar a candidatura ao Senado. Há uma série de fatores nos bastidores que precisam ser levados em conta nestas horas. Mas suas relações com os colegas, independentemente de partido, são as melhores possíveis.

SEM CENSURA: Se a priori, a primeira vaga do Senado estaria destinada ao ex-governador Reinaldo, a disputa pela segunda cadeira teria dois pretendentes: o atual senador Nelsinho e o deputado Gerson. Aliás, pesquisas tem sinalizado isso. Mas não se pode ignorar que é cedo para afirmativa absoluta. Aviões caem, navios afundam.

INTERROGAÇÃO: Com os novos capítulos na justiça envolvendo o ex-presidente Bolsonaro é de questionar as reações dos seus eleitores aqui no Mato Grosso do Sul. Na Assembleia os deputados se dividem: uns acham que haveria a tendência de radicalizar (mas a favor de quem?) – outros optariam por alternativas moderadas.

CORAJOSOS:  A disposição de Puccinelli em disputar as eleições do próximo ano contaminou Girotto, seu fiel pupilo. Sem questionar o mérito e suas chances de êxito nas urnas, é de se admitir que, após aqueles episódios degradantes pelos quais passaram, a decisão de ambos é uma amostra, no mínimo de ousadia.

 

PILULAS DIGITAIS:

 

Abandonando o ateísmo porque eu preciso acreditar que alguns de vocês vão para o inferno. ((internet)

Não dê palpite. Daqui cuidamos nós. (de Lula para Trump)

A ânsia para salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la. ( H.L. Mencken)

O mundo se divide entre os que acham e os que não sabem onde botaram. (Millôr)

Um liberal é um sujeito que deixa o recinto quando a briga começa. (Heywood Broun)

Malafaia se comportou bem na oitiva da PF. Pensou em muitos palavrões, mas preferiu ficar em silêncio. (Dr. Zuretta)

Esse seu filho Eduardo é um babaca. (Malafaia para Bolsonaro)

Você nunca é ganancioso demais. (Donald Trump)

Leia Coluna Amplavisão: Imagem: o maior patrimônio do político

Leia Coluna Amplavisão: Imagem: o maior patrimônio do político

AUTISTA OU ARTISTA?  A opinião pública curte esse episódio que envolveu o deputado Marcos Pollon com repercussão nacional.  Mais uma pérola, dentre tantas que a classe política nos brinda, recheada com o argumento inédito (autismo) usado pelo parlamentar para justificar sua recente postura na Câmara Federal. Onde chegamos!

MAIS UM: Esse fato remete-nos ao caso folclórico envolvendo o então deputado  federal Loester Truts, indiciado por falsa comunicação de crime. Virou piada nacional  sua versão nebulosa de que fora alvo de atentado a tiros numa estrada vicinal. É pena que representantes nossos em Brasília ganhem notoriedade por motivos absurdos.

IMAGEM: Ela é tudo, decisiva para a credibilidade e influência do homem público. Ela não é só produto de marketing profissional. Precisa ser o resultado da sua conduta, baseada na ética e coerência, binômio que sustenta sua reputação. Mas infelizmente, nem todos que galgam cargos públicos, tem a consciência da responsabilidade.

DESCRENÇA: ”A prática do “toma-lá-dá-cá” se institucionalizou de tal forma que cargos, verbas e emendas secretas tornaram-se moeda corrente para a manutenção do apoio do governo da vez, independentemente de ideologias. A governabilidade passa pela barganha e não pelo convencimento democrático”. (Gaudêncio Torquato)

‘COINCIDÊNCIA’:  Após trabalhar 23 anos no jornal ‘O Estadão’, o fotógrafo Alex Silva foi demitido sob o pretexto da política de redução dos quadros.  Mas a razão seria outra: Alex foi o autor daquela foto flagrando o ministro Alexandre de Moraes fazendo gesto obsceno no jogo do Corinthians e Palmeiras. O jornal se vergou ao poder.

ENTÃO TÁ!  Esse caso do Sidney de Oliveira (leia-se Ultrafarma) é apenas mais um ‘peixe’ neste oceano de mutretas. Imagine quantos empresários se utilizam de variadas formulas para sonegar impostos. Presume-se que agora desnudado, o vaidoso Sidney recolherá o ‘flap’ como garoto propaganda na tevê. Num país sério ficaria em cana.

ENCRUZILHADA:  É do Governo Federal ou dos Estados e municípios o poder para liberar as polêmicas licenças ambientais sem restrições?  Essa é a questão mais delicada e a mais debatida entre congressistas, Governo e ambientalistas. Muitos interesses em jogo e as movimentações de bastidores sinalizam uma guerra. Essa missa será longa.

TEREZA CRISTINA: Relatora do PL da Licença Ambiental no Senado, é questionada pelo seu parecer. Lula já vetou 63 itens que deverão merecer réplicas da senadora. O Planalto, quer limitar as competências estadual e municipal alegando riscos de influências locais impróprias em questões técnicas na liberação de projetos voltados   ao meio ambiente.

EM CAMPANHA: As propagandas do Governo Goiano retratam as pretensões do governador Caiado em 2026. Uma delas num site de notícias: “Só dois negócios não prosperam em Goiás – blindagem de automóvel e segurança privada – Se seu negócio é outro, o estado mais seguro do Brasil está pronto para te receber. ”

JUÍZO:  Pelas manifestações de petistas na administração, o PT não conseguirá pôr em pratica suas ameaças de deixar o governo Riedel. Para um deputado é fácil a pregação, mas para o petista, com família e boletos para quitar, será difícil encontrar outro emprego de R$7 mil a R$15 mil. Entre o partido e o emprego, o pessoal opta pelo último.

CAUTELA: Os R$ 30 bilhões de crédito do Governo para amenizar o tarifaço são vistos com ceticismo pelos ruralistas. Para a senadora Tereza Cristina o anúncio veio tarde. Já Marcelo Bertoni, ‘cap’ da Famasul, questiona as taxas de juros nestas operações. Por via de dúvidas, Bertoni defende a negociação direta com os ‘gringos’

PRÓS E CONTRAS: Os deputados concordam que a internet facilitou a vida, mas citam os perigos que trouxe. Um deles é servir de canal para os crimes sexuais contra crianças e adolescentes. A deputada Mara Caseiro foi fundo no tema –  e o deputado Rinaldo Modesto pede a criação da Delegacia Especializada Contra Crimes Cibernéticos no MS. Preço do progresso.

CONQUISTAS:  A chamada ‘Missão Ásia’ vai conquistando espaços comerciais para nossos produtos como tilapia, soja e carnes em geral. O governador Riedel e o deputado Gerson Claro tem se manifestado otimistas com a receptividade encontrada pela missão, que já virou notícia na grande mídia nacional, servindo de exemplo para outras unidades da federação. Viva o Riedel!

ESTRATÉGIA:  Tarcísio não quer repetir o erro de Serra e Dória que deixaram os cargos para disputar outras eleições. Também quer adiar o anuncio da candidatura para evitar desgastes. A oposição ao Planalto sabe que o governador paulista seria o nome com maior musculatura para 2026. Isso hoje, amanhã é outra história.

MATANÇA: Qualquer cidadão do povo, independente de posição social, demonstra perplexidade pelo aumento dos casos de violência no país, notadamente nas regiões urbanas. O noticiário na mídia justifica o temor de todos nós. A ação da polícia e da justiça, insuficiente para conter essa onda sanguinária. Onde vamos parar?

CARAS NOVAS: Como já estava previsto, os futuros candidatos à deputado estadual – principalmente – estão dando as caras nas redes sociais em nome da popularidade.  Cada qual com seu estilo ou técnica de tentar vender uma boa imagem, colher apoios ou ao menos elogios que poderão se transformar em votos. Faz parte.

DESPREPARO: Os números divulgados não deixam dúvidas de que nosso estado ainda sem condições de suprir as necessidades de mão de obra na atual fase. Vejam bem: são 24 mil vagas sem preencher por falta de mão de obra qualificada. O fato acaba sendo uma barreira para o crescimento e que preocupa as empresas.

OUSADIA: A pratica da corrupção espalhada pelo interior tendo como foco prefeituras e câmaras. Prova isso a notícia envolvendo o caso de Sidrolândia onde foram desviados R$ 20 milhões da municipalidade e com sentença condenando os envolvidos. Fatos como esse pioram a imagem da gestão pública junto à população. Descredito geral.

PILULAS DIGITAIS:

Fui ver o valor da terapia e resolvi endoidar de vez. (internet)

A polícia prendendo bicheiros? Não é possível. Respeitem nossas instituições. (Stanislaw Ponte Preta)

Capitalismo: O problema do sistema de lucro é o de que ele dá prejuízo à maioria das pessoas (internet)

Uma feijoada só é realmente completa quando ´há ambulância de plantão. (internet)

Ser herói é fácil. A maior dificuldade é a resistência dia a dia. E essa o homem comum pode fazer. (Millôr)

O trabalho faz parte da vida, e não a vida faz parte do trabalho. (Amanda Graciano)

Esperanto: língua universal que não se fala em lugar nenhum. (internet)

 

 

Como me tornei jornalista: Por Wilson Aquino

Como me tornei jornalista: Por Wilson Aquino

Minha história no jornalismo começou em 1973, graças à indicação de meu irmão, o jornalista Rubens Aquino. Fui trabalhar no jornal S/A Correio Braziliense Diário da Serra, em Campo Grande, como contínuo — ou, no popular, office boy. O prédio ficava na Avenida Afonso Pena, quase esquina com a Rua 14 de Julho, onde hoje funciona uma ótica, ao lado da Galeria Dona Neta.

Meu dia começava às 4h30 da manhã. Sozinho, limpava todo o prédio — administração, comercial e redação —, inclusive banheiros e cozinha, e enquanto fazia isso, ainda atendia crianças e adultos que chegavam para a compra do diário para revenda na rua, ainda na madrugada. Depois, preparava o café para os mais de 40 funcionários e por volta das 7h30, tudo estava limpo. Às 8h, banho tomado na própria empresa e roupa limpa, assumia o balcão de atendimento. Depois vinham os serviços bancários e toda tarefa que aparecesse.

Mesmo com tantas funções, o que me encantava era acompanhar o trabalho dos jornalistas. Sempre que podia, permanecia na redação observando aquele ambiente eletrizante — telefonemas urgentes, máquinas de escrever tilintando, correria de repórteres entrando e saindo em busca da notícia. O interesse por aquele trabalho me levou a receber de alguns profissionais dali, dicas preciosas de como fazer entrevistas e buscar informações. Com esse conhecimento, passei a sair para buscar “dados e informações” solicitadas por um ou outro jornalista, para complementar suas matérias. Aos poucos, comecei a não apenas entregar dados manuscritos, mas também a redigi-los na máquina de escrever e depois, dando os primeiros traços de uma redação final.

Nessa época estavam pela redação: Francisco Lagos, Guilherme Filho, Silvio Martins Martinez, Valdir Cardoso, Silvio de Andrade (começando no Esportes), Roberto Higa, Raimundinho,  João Bispo do Nascimento, Rubens Aquino, Waldemar Hozano; na administração: Aluizio Villa Maior, Alcindo Miranda, Yone Uehara… e outros grandes profissionais em suas respectivas áreas da empresa, sob a direção de Edilson Varela.

No final de 1974, deixei o jornal para conhecer um pouco o Brasil. Passei pelo Paraná, Minas Gerais e São Paulo, onde trabalhei como apontador na construção de uma grande usina siderúrgica em Pindamonhangaba/SP. Nos alojamentos, ganhei dinheiro de operários (analfabetos e semianalfabetos), lendo e escrevendo cartas familiares.  Mas em pouco tempo precisei voltar: minha mãe, Dair Aquino, estava internada, lutando contra um câncer.

Em 1978, mais uma vez com o apoio de Rubens, voltei ao Diário da Serra, agora como “foca” — repórter iniciante. Tive a sorte de encontrar no editor-chefe Silvio Martins Martinez um mestre generoso, grande jornalista, que pacientemente corrigia meus textos e me ensinava a escrever com qualidade jornalística. Foi no prédio da Rua Cândido Mariano, entre as ruas 13 de Maio e Rui Barbosa, que vivi intensamente aquele início, cercado de colegas que guardo no coração: Sebastião Jorge Góes de Souza, Jorge Franco, Marco Eusébio, Nilson Pereira, Ademar Cardoso, Adilson Trindade, Alex Fraga, Guilherme Filho, e tantos outros. Na fotografia, Zurutuza, Narcizo Silva, Paulo Ribas, Renan Silva e André; na diagramação, Tânia Jabour, Bernardete e Ico Victório. E tantos outros nos demais departamentos, e na direção, Dr. César Quintas Guimarães, que foi um ótimo administrador e amigo.

O faro jornalístico logo se manifestou. Uma das primeiras matérias que produzi surgiu de uma conversa casual: um amigo, guarda-mirim, reclamava que não recebia o salário justo. Investigando, descobri um esquema em que centenas de jovens ganhavam menos de um salário mínimo, enquanto o convênio firmado entre a “Guarda”, dirigida por apenas um cidadão, com dezenas de empresas e principalmente o Banco Financial, que empregava mais de 100 jovens, pagava três ou  mais salários mínimos à direção, por cada mirim. Ou seja, recebia 3 e pagava menos de 1. Minhas reportagens provocaram a desativação da instituição, que mais tarde foi reorganizada pela primeira-dama do município, esposa do prefeito Lúdio Coelho.

Outra série marcante de reportagens foi contra a instalação de usinas de açúcar e álcool na bacia pantaneira, que poderiam jogar o poluente vinhoto diretamente nos rios, causando mortandade de peixes e destruição da vegetação. Em um caso específico, investiguei um grave vazamento desse produto ocorrido na usina instalada no distrito de Quebra Coco, em Sidrolândia.

Descobri que um dos tanques de contenção, com milhares de litros, havia se rompido, apesar da negação da usina, liberando milhares de litros de vinhoto que escorreram pelo córrego Belchior, atingindo o córrego Canastrão, que deságua no Cachoeirão e este no Rio Aquidauana. As consequências foram marcantes devido à mortandade de milhares de peixes principalmente no Cachoeirão.

Depois desse período de aprendizagem e aperfeiçoamento no Diário da Serra, trabalhei também nos jornais Folha do Povo, Jornal da Manhã, Diário do Pantanal e O Estado MS, onde hoje sou colaborador, com a publicação semanal de artigos, há mais de 5 anos. Gratidão ao diretor Jaime Valler por tão precioso espaço. Também exerci a chefia de Reportagem da TV Educativa de Mato Grosso do Sul nos governos de Pedro Pedrossian e Wilson Barbosa Martins.

Com o tempo, especializei-me como editor de economia, acreditando que poderia ajudar as famílias a melhorar sua qualidade de vida, orientando sobre preços de alimentos, saúde e educação. Também atuei como Assessor de Imprensa para instituições importantes como Petrobras, Acrissul, Famasul, Uniderp, Creci-MS, Secovi, Sista, Sindjufe, Sintrae, Fetagri, Feintramag e Fetracom, entre outras. Hoje sigo com algumas assessorias e na MV Agência, atendendo prefeituras e campanhas políticas em Mato Grosso do Sul.

Sou grato a Deus pelo dom da comunicação — não apenas para informar, mas para inspirar. Sempre procurei levar mensagens que apontassem o melhor caminho, sobretudo material e espiritual, porque só o Senhor é capaz de nos conduzir ao verdadeiro bem-estar pessoal e familiar.

*Jornalista e Professor

wilsonaquino2012@gmail.com