set 26, 2025 | Colunistas
Em meados dos anos 80, o Rio Cachoeirão, que deságua no Aquidauana, sofreu pelo menos dois grandes desastres ambientais em intervalos de pouco mais de um ano. Foram episódios de mortandade de milhares de peixes, que amanheceram boiando por quilômetros, chegando até o Aquidauana e ameaçando o Pantanal.
A cena era chocante. Ribeirinhos apavorados, pecuaristas e pequenos produtores tentando impedir que suas criações bebessem daquela água. Na primeira vez, o caso ficou no campo das teorias. Na segunda, também surgiram explicações inusitadas: alguns especialistas falavam em excesso de folhas em decomposição no fundo do leito, que teria reduzido o oxigênio da água; outros, no rigor do inverno. A versão virou até piada em colunas de jornal: houve quem sugerisse distribuir casacos e cachecóis aos peixes, para que não morressem mais de frio. Mas a realidade não tinha nada de engraçada: dourados, pintados, surubins, piás, corimbas e até jaús jaziam mortos sobre as águas.
Naqueles anos eu vivia o auge da carreira, iniciada no fim da década de 70. Rumores apontavam para a Usina de Álcool Quebra Coco, em Sidrolândia. Ao lado do fotógrafo Paulo Ribas, segui para investigar, com a anuência do nosso editor-chefe, Silvio Martins Martinez. Fomos barrados na entrada, mas não me dei por vencido: conversei com funcionários que entravam e saíam da usina, além de moradores do entorno, que confirmaram o que já se comentava — a usina teria sido a responsável pelos desastres. De volta ao jornal, trouxe à tona essa suspeita, que virou manchete principal.
Dois dias depois, o INAMB — Instituto de Preservação e Controle Ambiental (extinto em 1978 para dar origem ao atual IMASUL) — nos convidou para acompanhar uma vistoria, da usina até as comunidades ribeirinhas. Éramos apenas eu e Paulo Ribas, diante de quatro fiscais e funcionários da usina. Sugeri visitar os tanques de vinhoto, reservatórios do dejeto altamente tóxico gerado pelo processo de fabricação do álcool. Percebi, porém, que a presença de empregados na comitiva poderia comprometer a apuração: funcionários ficariam intimidados, e havia risco de sermos conduzidos a locais previamente escolhidos.
Foi então que, ao adentrarmos uma mata fechada, senti que era a chance de me apartar do grupo. Usei a agilidade e a resistência física que sempre tive, e rapidamente despistei fiscais e seguranças, que vestiam coturnos e uniformes pesados. Segui sozinho pela mata, guiado apenas pelo instinto de repórter.
Pouco adiante, encontrei um improvisado acampamento de trabalhadores da usina. Ganhei sua confiança e ouvi a verdade: dois tanques de vinhoto haviam se rompido dias antes, exatamente na data da mortandade. Relataram ainda que acidentes semelhantes já tinham ocorrido em outras ocasiões. Pedi que me mostrassem o caminho. Ao chegar, o cenário falava por si: a vegetação estava queimada, morta, como se um ácido tivesse varrido a vida. Não havia dúvida. A causa estava diante de mim. Descobri também tubulações que despejavam, de forma contínua, uma água escura em um pequeno córrego que passava pela usina, o Belchior. Funcionários disseram tratar-se da água de lavagem da usina.
Retornei à sede da empresa apenas horas depois, reencontrando o grupo com naturalidade. Para proteger a mim e ao fotógrafo — já que dormiríamos na usina, partindo apenas na manhã seguinte para conversar com ribeirinhos — omiti o que havia descoberto, alegando apenas que me perdera pela mata e pelos canaviais. Durante o jantar, sob olhares desconfiados, procurei agir com naturalidade.
Após a refeição, um diretor do grupo econômico — vindo de São Paulo especialmente para acompanhar a vistoria — chamou-me para uma conversa reservada. Reclamou que nossas matérias traziam prejuízos à imagem da usina. O tom da conversa insinuava algum tipo de “acordo”. Ao perceber a tentativa de conduzir a conversa para um possível suborno, cortei o rumo da prosa, ressaltando que a presença dos fiscais deixaria tudo muito claro.
No dia seguinte, seguimos apenas com os fiscais. Ribeirinhos confirmaram mudanças na cor e na temperatura das águas, provavelmente pelo despejo constante de dejetos pelas tubulações, relatando que já evitavam que seus animais bebessem dali. As evidências estavam todas diante de nós. Percorremos as margens do Córrego Belchior, até formar o Córrego Canastrão, que recebia volume de outras paragens até desaguar no Rio Cachoeirão, onde o maior número de peixes apareceu morto. Todos os depoimentos apontavam para a usina.
De volta à redação do Diário da Serra, publicamos a denúncia em manchetes de impacto: a Usina Quebra Coco era a responsável pelos desastres ambientais, conforme os próprios funcionários. Foram três ou quatro dias seguidos de destaque, alertando para o perigo do vinhoto e para a negligência com nossos rios.
O desfecho, porém, foi o mais previsível — e o mais lamentável. O INAMB se limitou ao burocrático “estamos investigando”. A usina, por sua vez, respondeu com publicidade paga em jornais semanais, de páginas inteiras, tentando desqualificar nosso trabalho e posar de empresa cuidadosa e geradora de empregos. Nenhuma punição exemplar. Nenhuma reparação. Nenhuma justiça.
Para mim, restou a consciência limpa. Cumpri o dever de jornalista: busquei a verdade, enfrentei obstáculos, resisti a pressões e não me deixei seduzir pelo poder econômico. Mas ficou também o gosto amargo da impunidade. Um retrato de um Brasil em que a força do dinheiro e do poder político, quase sempre, fala mais alto do que a defesa do meio ambiente e da vida.
*Jornalista e Professor
wilsonaquino2012@gmail.com
set 23, 2025 | Colunistas
No final de 2021, uma professora reconhecida por sua proatividade e dinamismo dedicava-se com paixão ao ensino, promovendo um ambiente de pertencimento e inclusão em sua sala de aula. Seu compromisso com os alunos e a comunidade escolar era evidente, e seu trabalho inspirava colegas e estudantes.
No entanto, a partir do final de 2021 até 31 de agosto de 2022, essa trajetória promissora foi marcada por um grave episódio de assédio moral no ambiente de trabalho. A constante pressão, humilhações e desrespeito afetaram profundamente sua saúde mental e física, levando-a a um estado grave de sofrimento.
Em agosto de 2022, infelizmente, sua carreira profissional foi encerrada de forma trágica, resultado direto do ambiente tóxico que enfrentou. Essa história serve como um alerta social urgente: é imprescindível que instituições educacionais e a sociedade em geral reconheçam e combatam o assédio moral, garantindo ambientes de trabalho saudáveis e respeitosos, onde profissionais possam exercer suas funções com dignidade e segurança. A preservação da saúde mental e do bem-estar no trabalho deve ser prioridade para evitar que talentos e vidas sejam destruídos por práticas abusivas.
Essa professora SOU EU. Escritora & Poetisa – Professora – Psicopedagoga e Ms. em Ciência, Tecnologia e Educação.
MÍDIAS SOCIAIS
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QUEM SOU EU:
MINI BIOGRAFIA
LIMA, CRISTIANA ANA Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Faculdade Integrada do Espírito Santo – FAESA/ES; Experiência em Educação com ênfase em Educação Infantil e EJA e Ensino Religioso; Pós Graduada em Educação Infantil; Pós Graduada em Psicopedagogia Institucional; Pós Graduada em Gestão Escolar: Habilitação em Supervisão Escolar, Inspeção e Coordenação; Pós graduada em Teologia e Ensino religioso; Pós graduada em Alfabetização e Letramento nas séries Iniciais e EJA; Pós graduada em Arte na Educação; Participante do congresso internacional de Educação em Buenos Aires, Argentina BA; autora de vários artigos científicos publicados, Mestre em Ciências, Tecnologia e Educação, pelo Centro Universitário Vale do Cricaré/São Mateus/ES. Primeiro período do Doutorado pela UFES – Homenageada por mais de cinquentas comenda – Fiquei entre os 100 melhores escritores do ano de 2023, participante de várias antologias e revista – inclusiva de três edições da revista beija flor da ACLAPTCTC, Ganhadora do prêmio – sexto lugar na Academia de Letras Maçônica de Caratinga MG, ganhadora do primeiro lugar no concurso de poesia da Ilha de Paquetá RJ. Autora dos livros I: Assédio Moral Nos Bastidores da Educação: as Lágrimas Ocultas que Nos Obrigam a Engolir; livro II: Assédio Moral e suas múltiplas facetas, Livro III: “Diário de uma Professora Assediada: Coragem de Romper o Silêncio — A Cicatriz Invisível Neste Labirinto do Assédio Moral. Eu não fui a única vítima. Relatos Impactantes e Emocionantes”: Membra da ACLAPCTC cadeira 121 – membro da ALAV -ES- Cadeira 23 Professora, Psicopedagoga, Ms. em Ciências, Tecnologia e Educação.
ATENÇÃO ESTE LIVRO TEM O SELO O “Cognoscere”que é um selo editorial exclusivo da Editora Illuminare dedicado à publicação de livros de não ficção e científicos, como teses, monografias e artigos. Observe o meu livro ele tem esse selo ele é científico!
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set 19, 2025 | Colunistas
PEC DA BLINDAGEM: Ela não cita taxativamente a situação deles, mas beneficia também os deputados estaduais e do Distrito Federal. O próprio STF já decidiu que as imunidades previstas na Constituição estendem aos deputados locais. Seus defensores alegam: a medida garante o exercício do mandato contra perseguições do Judiciário.
ALERTAS: Os críticos lembram dos riscos da infiltração do crime organizado na política dos estados, dificultando as investigações. A Transparência Internacional mostra que 253 investigações contra parlamentares acabaram inviabilizadas (contra só uma permitida) entre os anos de 1988 e 2001, quando a legislação da época permitia.
AMPARO: Com base no parágrafo 1º do art. 27 da Constituição, o STF decidiu em 2023 na ação da AMB: “Será de 4 anos o mandato dos deputados estaduais, aplicando-lhes as regras desta Constituição sobre o sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidade, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas”
POLÊMICA: Seria ingenuidade não admitir que o episódio contém ingredientes altamente explosivos num ano véspera de eleições presidenciais. Se as pesquisas do dia a dia têm mostrado o país politicamente dividido, nada mais natural que situacionistas e oposicionistas se digladiem em defesa de suas ideias e interesses partidários.
A PROPÓSITO: O deputado Rodolfo Nogueira vem ganhando visibilidade nestas escaramuças entre Governo e oposicionistas. Ativista de primeira hora, é visto pela oposição como coordenador nacional de mobilização popular em defesa da anistia. Hábil, não hesita em manifestar sua posição como militante da direita. Em alta.
OPINIÃO: “Eu vou manifestar o meu sentimento de indignação com a aprovação dessa PEC da Blindagem aprovada pela Câmara Federal. É um absurdo, é um retrocesso o que esse país tem que enfrentar. Espero que o Senado Federal tenha um pouco mais de juízo e pense no Brasil como um todo rejeitando essa PEC”. (deputado Junior Mochi)
LIBEROU GERAL: A saída do PT da administração vem apresentando reações na pessoa de seu líder maior: o deputado Zeca do PT. Sempre que se apresenta assunto correlato, ele faz referências a situação financeira do estado, provocando reações da base aliada. Mas até pouco tempo, Zeca rasgava elogios à gestão Riedel.
‘APERITIVO’: A temperatura das eleições subindo, a julgar pela postagem recente no face book envolvendo o apresentador Tata Marques (SBT) e o advogado Tiago Botelho, de Dourados. Tatá criticou o lado eleitoreiro do programa ‘Vale Gás, atraindo a defesa do petista. Pela repercussão do episódio já se questiona: ‘teremos 2º round? ’
‘MALUCOS’: “Dias atrás, ouvi do meu pai, o ex-deputado estadual Walter Carneiro, aos 83 anos, resumir a tragédia nacional: “Vivemos tempos em que cada um terá de escolher o seu ‘maluco’ favorito. Tem o maluco de direita, o maluco de esquerda, o maluco do judiciário, o maluco internacional…( )”. (Walter Carneiro Jr.)
ANÁLISE: “(…) O diagnóstico de meu pai é emblemático, duro, mas certeiro. O país parece refém de um concurso de radicalismo. No lugar de estadistas, surgem personagens que se vendem como encarnações da pátria, mas que, no fundo, apenas disputam a primazia de gritar mais alto. (…)”.
MALUQUICES: Os trechos acima do artigo ‘Malucos Favoritos’ retrata o cenário das opções do eleitor nas últimas décadas em todos os níveis. Tudo começou com a eleição do oscilante Jânio Quadros. De lá pra cá, tivemos um festival de ‘desencontros’ no congresso, assembleias, prefeituras e câmaras. Enfim, malucos para todos os gostos.
MARCO SANTULLO: “( )…Ganhar eleições é apenas a largada. O exercício do poder exige, diálogo, articulações e clareza de projeto. Quando a política se resume a cargos, o Estado se torna refém de interesses imediatos. Mas guiado por ideias e compromissos coletivos, ela cumpre sua missão maior: ser instrumento de transformação social e de fortalecimento da democracia brasileira”. (o autor é cientista político)
DUPLO EFEITO: As emendas parlamentares sempre pesam na avaliação eleitoral. Numa ponta elas fortalecem os laços com municípios – na outra melhoram as relações com o Governo Federal, o provedor dos recursos. As emendas melhoram a qualidade de vida da população em todas as áreas, notadamente da educação e saúde.
EXEMPLOS: Dos R$153,1 milhões destinados pelo Planalto ao nosso estado neste ano, cerca de R$35 milhões foram para as emendas do senador Nelsinho Trad e R$28,2 milhões para as emendas do deputado federal Rodolfo Nogueira. Aliás, dentre todos nossos representantes, ambos foram os campeões em matéria de emendas.
CALA-TE BOCA! Como pode um líder partidário ser tão imprudente em pautas tão delicadas? É o caso do Valdemar Costa Neto, ‘cap’ do PL. Recentemente ele fez confissões e deu opiniões contraditórias sobre o evento de 8 de janeiro, alimentando a tese que compromete Bolsonaro. Pessoal do PL quer o Valdemar de boca fechada.
FILHOS DA PAUTA: Se lá atrás, a pauta ou bandeira da anistia estava nas mãos do pessoal da esquerda, pedindo que ela fosse ampla e irrestrita (lembram?) – agora são os resistentes da direita que fazem uso dela. Nas últimas votações, os observadores são unânimes: a esquerda esteve pálida, desunida e desatenta. E literalmente dançou!
A NOVIDADE: “A política contemporânea já não é encenada apenas nos palanques, nos plenários ou nos telejornais. A proliferação dos vídeos curtos, em formato vertical sinaliza uma transformação estrutural na mediação entre representes e representados. É uma linguagem concebida para o Celular, para ocupar a palma da mão e infiltrar-se na intimidade da nossa rotina. “ (Hubert Alqueres)
INSÔNIA: O escândalo da prefeitura da ‘bucólica’ Terenos alimenta a imaginação dos frequentadores do saguão da Assembleia Legislativa. Há expectativa, ativada por boatos, sobre possíveis delações (‘dedadas’) de implicados para salvar a própria pele. Preso, o prefeito Henrique Bucke vai aguentando a pressão. Mas até quando?
PARA PENSAR:
“Desconto em aposentadoria não voltará a ser autorizado”. (Ministro da Previdência)
“Crime organizado infiltrado na política? Pura maldade! ” ( internet)
“Haverá gás para todos? ” ( internet)
“ Revogada prisão de Claudinho Serra: o Brasil respira, vive! ”. (internet)
set 15, 2025 | Colunistas
Em junho deste ano, a imigração japonesa a Campo Grande completou 117 anos. Os primeiros chegaram em 1909, vindos para trabalhar na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Desde então, sua cultura passou a fazer parte da identidade da cidade, enriquecendo-a em vários aspectos, especialmente por meio da sua culinária. Hoje, com muito orgulho, temos a terceira maior comunidade japonesa do Brasil, o que revela a força desta presença no Mato Grosso do Sul e no país.
Minha primeira lembrança com essa cultura, curiosamente, não veio dos livros nem do convívio com famílias de origem japonesa. Ela nasceu no cinema. Eu tinha apenas oito anos, em meados da década de 1960, quando assisti a um filme em preto e branco numa sala de exibição em Corumbá, minha cidade natal. Naquele tempo, a televisão ainda não havia chegado por lá, e aquela sessão marcou para sempre o coração de um menino que descobriu a beleza e a intensidade da alma oriental. O título do filme? Não tenho a menor ideia.
Porém, me lembro muito bem da trama, que narrava a história de uma princesa japonesa que vivia em um castelo rodeado de esplendor. Seu lugar favorito era o jardim real, repleto de flores, árvores frondosas e pássaros que pareciam cantar para ela. De rara beleza e delicadeza, a jovem corria entre as flores perseguindo uma borboleta, até cair, acidentalmente, em um chafariz. Molhada e vulnerável, torcia o vestido quando foi surpreendida por um jovem aventureiro e irreverente que invadira o jardim, por pura curiosidade. Apavorada, gritou, atraindo guardas e criados, que o prenderam após uma perseguição cinematográfica. Mas o destino mudaria suas vidas: havia um voto de que o primeiro homem a vê-la despida seria seu marido, o homem de sua vida. Tocada por esse juramento e por um amor nascente, a princesa lutou pela vida do rapaz acusado de ser um ladrão. Ele, por sua vez, descobriu, depois de algumas visitas dela que recebeu na prisão, que também a amava. Assim nasceu um drama de amor impossível, tão comovente quanto Romeu e Julieta, que também terminou em tragédia, mas deixou em minha alma infantil uma marca eterna.
Hoje percebo que talvez minha sensibilidade diante do amor tenha começado naquela tarde distante, numa sala de cinema em Corumbá. Para muitos, foi apenas um filme; para mim, foi a semente de um encantamento pela cultura japonesa, que floresceu com o tempo e se transformou em respeito, admiração e afinidade pelos seus valores de sabedoria, perseverança, beleza e humildade.
A arte japonesa tem essa força: contar histórias simples com uma delicadeza capaz de tocar o coração humano em sua essência. Nos gestos contidos, nos cenários que exaltam a natureza e nos silêncios que falam mais que palavras, o cinema japonês e sua cultura em geral nos ensinam que o amor, a honra e o respeito estão acima das circunstâncias. É por isso que aquela obra marcou tanto minha infância, mesmo sem eu conhecer, à época, a profundidade de seus símbolos.
Esse fascínio aumentou ainda mais quando compreendi que os japoneses levaram sua disciplina e sua cultura muito além das ilhas do Pacífico. No início do século XX, milhares de famílias migraram para diversos países, entre eles o Brasil, trazendo não apenas sua força de trabalho, mas também sua tradição, sua alma e sua capacidade de enriquecer os lugares que os acolheram. Campo Grande tornou-se um dos grandes pólos dessa presença nipônica. Suas famílias integraram-se à vida local sem perder o vínculo com suas raízes, deixando um legado de disciplina, respeito e progresso que fortalece a identidade da cidade.
Além da culinária, há também outras marcas dessa presença em nossa terra. As festas típicas, como o Bon Odori, os campeonatos de judô e beisebol, e a valorização da educação e do estudo, são heranças preciosas que a comunidade japonesa trouxe consigo e compartilhou com todos. São contribuições que ultrapassam os limites da tradição e se transformam em valores coletivos, fortalecendo ainda mais a alma sul-mato-grossense.
Entre tantas contribuições, a culinária é uma das mais queridas. Quem, em Campo Grande, nunca se deliciou com um sobá bem preparado? Esse prato, de raízes japonesas, foi incorporado de tal forma ao cotidiano da cidade que hoje é considerado um dos símbolos de sua própria cultura. Cada receita é uma memória afetiva, um laço de amizade entre povos que aprenderam a conviver e a se respeitar.
Ao recordar aquele filme visto aos oito anos, percebo que ele não foi apenas uma história de amor impossível, mas o início de uma jornada interior. A mesma emoção que senti diante da princesa e do jovem aventureiro reencontro hoje na convivência com nossos irmãos japoneses, que entrelaçam suas vidas às nossas. Assim como no jardim daquela princesa, onde flores e pássaros celebravam a vida, também em Campo Grande floresce o encontro de culturas que nos ensina a viver com mais respeito, beleza e, sobretudo, amor.
Obs.: Este Artigo é dedicado à minha colega de trabalho, YONE UEHARA, Gerente Comercial do Jornal Diário da Serra nos anos 70, à sua família e a todas as famílias nipônicas que com trabalho, cultura e amor, fincaram raízes em Campo Grande e ajudaram a florescer sua história.
*Jornalista e Professor
set 12, 2025 | Colunistas
REFLEXÃO: Com Bolsonaro condenado e preso, como seus seguidores reagirão? Unidos, motivados como estavam antes do julgamento ou se dispersarão pouco a pouco por motivos diversos? E quanto ao país, dividido entre ‘eles e nós’? Questões que irão motivar debates entre os formadores de opinião. Penso que a vida seguirá seu curso – os boletos continuarão chegando. ”
A PARTILHA: Os atritos havidos pela herança nos inventários servem de inspiração com a futura luta pelo comando do bolsonarismo. Michele, Malafaia, os filhos do ex-presidente, Valdemar da Costa Neto, o governador Tarcísio e outros personagens neste entorno. Será que a disputa não acabará sendo motivo de desgaste eleitoral para 2026?
A PROPÓSITO: Enquanto a oposição se debate Lula segue ao seu estilo: bota e tira o chapéu, distribui botijão de gás, libera verbas, viaja, faz discursos, critica Trump e até se mete em conflitos mundiais. Resultado: tem conseguido diminuir os índices de rejeição e melhorado sua aprovação. Isso se chama política. Vale absolutamente tudo.
PESQUISAS: Confiar ou não? Depende! Mas convém sempre comparar seus números para se ter uma ideia do cenário atual e também para fazer projeções. Toda pesquisa traz detalhes, algo a merecer um olhar mais apurado que influência nas conclusões finais. Daqui pra frente, as pesquisas terão audiência e como os horóscopos, poderão ou não acertar.
MUDANÇAS: Vão ocorrendo como consequências de fatos próprios das relações políticas e de sua gama de interesses que envolvem a luta pelo poder. Há de levar em conta por exemplo, as indefinições partidárias por causa das federações e os reflexos das eleições presidenciais que respingarão alterando os quadros políticos estaduais.
NOVIDADES: Pelos números de recente pesquisa efetuada pela ‘Big Data’, os nomes da ministra Simone Tebet e do ex-deputado Fabio Trad são relevantes, chamando a atenção para projeções. Outro nome em idêntica situação é do ex-deputado Capitão Contar (filiado ao PRTB) que alcança percentuais notáveis.
CONTAR: Sua fidelidade ao ex-presidente Bolsonaro é o combustível principal para seu projeto de disputar o senado. Desconfiado, não deve trocar o PRTB por outra agremiação. Teme ser rifado pelos cardeais partidários. Aposta no processo de vitimização de Bolsonaro para atrair os votos contra a esquerda. Tem coragem!
FOGO AMIGO: Contar mantem boas relações com a senadora Tereza Cristina (PP). Cada qual com seu projeto. Ambos são bolsonaristas, mas com o chefe preso a tendência é de mudanças e problemas também por causa do comportamento de seus filhos. Essa luta prevista pelo comando do espólio bolsonarista pode ser um desastre.
POSSIBILIDADES: Há quem aposte nas chances de crescimento de Simone, ‘abençoada’ por Lula. O mesmo raciocínio se aplica a Fabio Trad como candidato à Câmara Federal. Quanto a Contar, é notória sua identificação com o ‘bolsonarismo raiz’, o que lhe garantiria respaldo nas urnas. A condenação de Bolsonaro poderá fortalecer seu discurso.
‘COLISÕES’: Questiona-se muito o nível das futuras relações do ex-governador Reinaldo com a parte considerada raiz do PL. Por consequência, questiona-se também o posicionamento daqueles eleitores ‘bolsonaristas de primeira hora, certamente inconformados com o resultado do julgamento do ex-presidente. Isso pode pesar sim.
NO NINHO: As saídas de Zé Teixeira, Jamilson Name e Mara Caseiro rumo ao PL não abalam o deputado Caravina e Lia Nogueira que continuarão no PSDB. O deputado entende que a sigla pecou ao não se renovar em nível nacional. Perdeu o protagonismo. Ambos prometem investir em novas lideranças. E só com a janela partidária em Abril o cenário estará definido.
EQUÍVOCOS: Aqui e nos quatro cantos do mundo a competência perde para quem acena com propostas fantasiosas. É a postura comedida dos preparados, responsáveis para governar, derrotada pelo chamado histrionismo. Vence quem acena com mais benefícios imediatos, mesmo que venha a produzir resultados inconsequentes.
EXEMPLOS: O desprezo pelas consequências do voto equivocado não é exclusividade do Brasil. Verifica-se o ‘fenômeno’ desde a pequena Terenos (MS) até a Casa Branca, onde o controverso Trump causa notória desordem política e econômica, decepcionando seus eleitores conservadores e independentes – que já se sentem lubridiados.
TERENOS: O escândalo exposto pela mídia leva o eleitor – o cidadão comum, a questionar com razão, sobre as possibilidades da corrupção que estaria gravitando sobre outras administrações pelo Brasil afora. O raciocínio é simples: se na pacata Terenos as cifras desviadas assustam, imagine em cidades maiores! De leve…
EX-BANCÁRIOS: Tentam se adaptarem a amarga realidade. O avanço da tecnologia colocou a classe na zona da degola. Mais de 70 mil deles demitidos nos últimos 10 anos e o estresse ocupacional provocou o afastamento temporário de 15 mil trabalhadores por transtorno mental. Agências fechando e os sindicatos da classe sem força para reagir.
LEMBRA? A força dos bancários era tal que paravam o país com suas ações. O sistema econômico ficava refém desta política classista, incentivada e manipulada por partidos políticos da esquerda. Hoje tudo mudou com a internet e os novos conceitos de gestão financeira derrotaram aquela conhecida política sindicalista. Sem saída.
DEFINIÇÕES: Não vale mentir. Quem não se beneficiou do ‘jeitinho brasileiro’? Ele caracteriza a nossa capacidade de arrumar soluções céleres para problemas imprevistos através de ações que transgredem as normas de comportamento. Através da criatividade e da falta de pudor, vale a solução encontrada para alcançar o objetivo desejado.
‘O JEITINHO’: “ Se manifesta em algumas características da alma nacional: uma certa leveza de ser, que combina afetividade, bom humor, alegria de viver e uma dose de criatividade. Este é o lado bom a ser preservado. O jeitinho constitui também, um meio de enfrentar as adversidades da vida. ” (Luiz R. Barros, ministro do STF)
‘LÍVIA BARBOSA’: “(…) o jeitinho é sempre uma forma “especial” de se resolver algum problema ou situação difícil ou proibida; ou uma solução criativa para alguma emergência, seja sob a forma de conciliação, esperteza ou habilidade. (…) Para resolvê-la, é necessária uma maneira especial, isto é, eficiente, rápida, para tratar do problema”
PONTO FINAL:
Anistia não é paz. (ministro Flávio Dino – do STF)
set 10, 2025 | Colunistas
Há alguns meses quando ele assumiu a presidência do Poder Legislativo bela-vistense, eu o parabenizei e disse que ele tinha tudo para marcar história no comando da Casa de Leis. Primeiro, pela sua capacidade intelectual, depois pelo seu espírito humanitário, sua espiritualidade e, essencialmente, sua capacidade apaziguadora e personalidade diplomática.
E a Sessão Legislativa de ontem (8/9), uma das mais tensas que já presenciei na Princesa do Apa, confirmou o que eu já acreditava. Em meio a um clima de bate-bocas, trocas de acusações, ânimos exaltados e princípios de desordem, Jota.Tê conseguiu manter a ordem com firmeza e racionalidade de quem sabe a importância da Casa que comanda e dos parlamentares que ele lidera.
Não à toa, recentemente Jota.Tê foi reeleito presidente da Câmara Municipal de Bela Vista para o biênio 2027/28, com o voto de todos os vereadores. Retrato da sua capacidade de dialogar com os outros Poderes, comunidade, autoridades e todas as correntes políticas e ideológicas do município.
Ele ouve e dá o mesmo espaço e importância para governistas e oposição. Isso quer dizer que ele é perfeito e vou sempre concordar e apoiar suas ações? Claro que não! Mas tenho certeza que sempre haverá o diálogo como a principal e primeira possibilidade! Parabéns, Jota.Tê e força! Sei também que não é fácil!
Por: Josyel Carvalho