mar 6, 2026 | Colunistas
PORTEIRA ABERTA: Foi só abrir a janela partidária e temos sinais de que muita coisa vai acontecer no cenário estadual. Aliás, o encontro do Flavio Bolsonaro e Valdemar C. Neto com Riedel e Reinaldo em Brasília, lembra o criticado episódio de 2024, com o candidato Beto Pereira avistando-se com Bolsonaro e Valdemar em busca de apoio.
PROJETO: No encontro de 2024 Valdemar disse que entre a candidata do PP da senadora Tereza Cristina – Bolsonaro decidira caminhar com Riedel. Valdemar revelou que após as eleições, formaria um único partido da direita no Estado com as participações de Riedel e Reinaldo. Mas com a derrota, o sonho derreteu.
ÁGUA ABAIXO: No lugar de sanar as arestas, aumentaram as rusgas entre o pessoal ‘direita raiz’ e o grupo do governador e de Reinaldo. Aliás, as votações de Pollon para deputado federal (103.111 votos), de João H. Catan para deputado estadual (25.914 votos) e de Rodolfo Nogueira para a Câmara Federal (41.73 votos) fomentam esse desejo por autonomia política.
PREOCUPADO: Por mais que tente, o experiente Azambuja sabe o que o espera ao longo dos próximos meses. Suas dúvidas são as mesmas que a opinião pública cultiva. Esse episódio do bilhete, a divisão no ‘Grupo Bolsonaro’, as declarações contraditórias de lideranças bolsonaristas formam um caldo de nitroglicerina. Traições a vista.
MICHELLE: Todos sabem das divergências entre a ex-primeira dama e os filhos ‘instáveis’ do ex-presidente Bolsonaro. Primeiro é o ciúme pelo poder de influência dela nas decisões do marido – segundo – a inveja – pelo espaço que ela tem conseguido no campo da política nacional e notadamente no prestigio através do PL Mulher.
GUERRA: Michelle tem seu próprio projeto político. O caminho seria disputar o Senado pelo Distrito Federal. Mas de vez em quando solta pitacos sobre a situação de candidaturas em alguns estados. Com isso gera desconforto nas lideranças regionais do PL. A manifestação apoiando a candidatura de Pollon ao Senado foi um desastre.
QUEM MANDA? Fatos desgastantes envolvendo membros da Família Bolsonaro e as declarações incríveis de Valdemar Costa Neto tem provocado espanto na classe política principalmente. Com esse quadro confuso no partido, pode haver problemas mais sérios que comprometam o projeto de governar o pais. Muito amadorismo.
NA ARQUIBANCADA: Percebe-se que o pessoal do PT local está adorando esse clima que paira no recanto adversário. Na Assembleia, os deputados petistas tem ironizado esse episódio e Zeca faz questão de frisar que o Governo do MS governa só para os fazendeiros. Enfim, o clima eleitoral chegou pra valer naquela Casa de Leis.
RADICALIZAÇÃO: É notória a postura hostil ao Governo pelo deputado Catan na Assembleia Legislativa – diferente de seu colega de PL coronel David – discreto nas manifestações. Catar caminha para viabilizar seu projeto pessoal. Sua saída do PL sinaliza isso: disputar o governo agora e a prefeitura da capital depois. Quem viver verá!
PRECAVIDOS: Pesquisas emitem sinais de alerta para alguns e animam os políticos da direita radical. Bem nas pesquisas, o ex-deputado capitão Contar tem assumido a postura de candidato ao Senado com as bênçãos de Brasília. Mas não há unidade neste grupo da direita e como sempre, a vaidade pessoal e a sede de poder atrapalham.
DÚVIDAS: Ingressando no partido NOVO, como se comportarão esses políticos ‘rebeldes’? Estarão efetivamente unidos? Qual tipo de novas lideranças conseguirão atrair para esse grupo ou partido, visando formar chapa competitiva? Vale lembrar da obrigatoriedade da proporção de 30% de candidaturas femininas e o quociente eleitoral entre 55 mil a 60 mil votos.
BATALHA: Se naquelas eleições vencidas por Riedel o número de candidatos a deputado estadual chegou a 368, no pleito deste ano, em função de vários fatores e mudanças na legislação, a previsão é que tenhamos apenas 250. Muito ou pouco? Muitos destes ‘sonhadores’ passarão despercebidos do eleitorado.
A ESPERA: A provável participação de Marquinhos Trad nestas eleições como candidato, abriria as portas para a ascensão política do contador Salah Hassan – primeiro suplente do PDT a vereança e que obteve por volta de 2.400 votos. Nesta fase de especulações de toda ordem, Hassan cuida de sua vida profissional. É ‘ brimo.’
E NA VIDA REAL? “É preciso reconhecer que o eleitor enfrenta uma dificuldade real ao tentar diagnosticar o caráter dos candidatos. No esforço pela conquista do voto, eles escondem suas fraquezas com perícia. Seus discursos são sempre altruístas, generosos, bem-intencionados. Na retórica, todos são estadistas, na prática, poucos resistem ao teste da vida real”. (Jorge Wilson S. Jacob)
É BEM ASSIM: Candidato a vereança na capital promoveu churrasco no distrito de Anhandui: 200 pessoas, duas duplas sertanejas, dois traseiros bovinos, 10 caixas de garrafas de cerveja, duas leitoas e 4 carneiros. Festão ! Na urna só um voto. Explicado: Dias após o evento, outros candidatos andaram distribuíndo notinhas de 100 reais.
VERDADES: “O Congresso Nacional transformou-se num enorme mercado. É uma instituição que não tem valor, tem preço. Locuções relativamente novas no vocabulário político, como emenda parlamentar e fundo partidário escondem valores fabulosos de dinheiro público manejado por senadores e deputados, e destinos inconfessáveis. ” (Irapuan Costa Junior – ex-governador de Goiás)
RESISTENTE: De olho na janela partidária, o deputado Dagoberto respira confiante em mais uma vitória. Aliás, derrota mesmo ele sofreu apenas ao Senado em 2010 com 60 mil votos a menos do que o candidato eleito (Moka). Ele admite que mais uma vez a concorrência para as 8 vagas será ferrenha. Mas até aqui vai bem nas pesquisas.
CATINGA: Não se trata de perseguição ou coisa que o valha, mas a advogada Viviane Barci, mulher do poderoso ministro Alexandre de Moraes (leia-se STF) está faturando R$128.571 todo santo dia, segundo contrato com o Banco Master, aquele. Apenas para lembrar o leitor amigo, o total a ser recebido é de R$ 129 milhões.
PILULAS DIGITAIS:
A facada nas costas não dói, mas quando você se vira e descobre quem deu…aí sim.
A maneira mais rápida de acabar com a guerra é perde-la. (George Orwell)
A história é a soma de coisas que poderiam ser evitadas. (Konrad Adenauer)
Todo o homem tem seu preço, poucos, porém, têm valor. (Solda)
Passa pelo psicanalista e cumprimenta: “Olá, como vou?” (Millôr)
Quer acabar com alagamentos e enchentes? Não jogue lixo nas urnas. (Internet)
Ladrão julgado ladrão. 500 anos de corrupção. (internet)
Quanto mais corrupta a República, mais leis. (Rui Barbosa)
A corrupção do melhor é a pior. (Padre Antônio Vieira)
A corrução oculta é igual a pública. A diferença é que na pública fede mais. (Machado de Assis).
Qual o futuro de um país no qual a lei é interpretada ao sabor de conveniências e grande parte da população já não acredita na Justiça? (Sérgio Rosenthal)
fev 27, 2026 | Colunistas
DESTAQUE: Pelas publicações na mídia, a atenção volta-se para a disputa pelas duas vagas ao Senado. Questiona-se: quem ficará de fora? Contar, Nelsinho, Azambuja, Vander ou Soraya? Cada matéria aborda um ângulo diferente ao explorar esse ou aquele fator que ainda possa influenciar no resultado final das eleições senatoriais.
CONTAR: Terá se livrado da imagem negativa que passou à opinião pública por ocasião daquele debate frente ao oponente Riedel? O que de novo ele tem mostrado em termos de preparo ou evolução política? Se ficar no mesmo partido de Reinaldo, como será sua postura na campanha? E num inevitável debate, como se comportará?
NELSINHO: Convenhamos; é um equilibrista digno de atravessar as Cataratas de Iguaçu num cabo de aço. Evita polêmicas ideológicas e mostra suas boas relações com o Palácio do Planalto e com o Parque dos Poderes. Adota o pragmatismo nas relações com prefeitos e entidades na contemplação de emendas. Do ‘ Trio Trad’, é o mais hábil.
AZAMBUJA: Fora do poder, mas continua no palanque de Riedel. Mas o excesso de exposição pública e a candidatura derrotada de Beto Pereira na capital, não respingou na sua imagem? Elucubrações à parte, ele se declara municipalista ligado a prefeitos e vereadores. Mas qual a imagem que o eleitor ‘bolsonarista raiz’ tem de Reinaldo?
VANDER: Os petistas tem ele como grande articulador por seus contatos no Governo e suas emendas preciosas. Isso é fato. Mas isso basta? Vander converteu Fabio Trad e negociou com a senadora Soraya. Está apostando num desempenho crescente de Lula no Estado para sair beneficiado. Desta vez, saltará de coadjuvante para protagonista?
SORAYA: Desnecessário falar de sua eleição na carona de Bolsonaro. Ao longo destes anos no Senado não se firmou e nem conseguiu formar um grupo político. Líder dela mesmo. Sua mudança partidária não deve agregar grupos de peso e nem mudar sua imagem junto a opinião pública. Sem argumentos para conter a pecha de traidora.
A TRAIÇÃO: Na política, a traição é tida como um grave pecado, através da quebra de acordos, alianças em troca de interesses pessoais ou fisiologismo. Associada a falta de caráter e credibilidade ínfima, a traição é vista como um instrumento a impulsionar início de trajetórias que terminam no isolamento e consequente fim de carreira.
LEMBRANDO: “A política é um palco iluminado por promessas, mas cercado de bastidores sombrios. Ali, onde os abraços são largos e as palavra soam doces, muitas vezes escondem-se punhais invisíveis. Traição na política não é acidente: é quase regra escrita nas entrelinhas da ambição humana. ”(Anderson Alarcom)
GERSON CLARO: Politicamente tem conseguido alçar voos notáveis. Hábil, convive bem com colegas e políticos de diferentes partidos e na presidência da Assembleia é unanimidade, inclusive entre os funcionários. Suas intervenções no prédio já recebem elogios ao resolver o crônico desafio do estacionamento de veículos. Nota 10.
TRAPALHÕES: Esse episódio recente do bilhete que supostamente registraria a reserva de R$15 milhões do deputado Pollon para desistir da candidatura e da vice-prefeita de Dourados Gianni Nogueira (R$5 milhões) caiu como uma bomba. Piores as explicações de Flavio Bolsonaro, numa demonstração evidente de despreparo. Quanta bobagem!
ÉTICA: Excessos, promessas absurdas, a obsessão de deixar a marca pessoal nas redes sociais, presentes nas categorias profissionais, inclusive na medicina. Médicos travam a guerra no universo digital que fere o Código de Ética, passando à opinião pública um sentimento de desconfiança. Se vivesse, o que pensaria Hipócrates, o Pai da Medicina?
INFORMALIDADE, é a saída das empresas sufocadas pelos impostos. Dos 20 milhões de CNPJ, apenas 8 milhões e.500 mil são responsáveis por 70% de toda arrecadação. Dos 110 milhões de pessoas aptas ao trabalho, só 12 milhões pagam imposto. Não por acaso empresas brasileiras, inclusive do MS, estão se instalando no vizinho Paraguai.
JÚLIO CAMPOS (78): Eleito prefeito de Várzea Grande (MT) (1972); deputado federal (1978); governador (1982), deputado federal (1986); senador (1990); deputado federal (2010); deputado estadual (2022), Conselheiro do T. de Contas (2002 /2007). Após 3 anos de espera, submeteu-se (2017) ao transplante de fígado em Fortaleza (CE).
JAYME CAMPOS: Senador e irmão de Júlio, ele pode disputar o governo de Mato Grosso aos 75 anos de idade. Seu currículo é invejável: Eleito prefeito de Várzea Grande em 1982; governador de 1991/1995; prefeito eleito e reeleito de Varzea Grande de 1996/2005; senador em 2006; reeleito em 2019. O poder motiva o homem.
AÇÕES & DEPUTADOS: MARCIO FERNANDES; Requer implantação de ciclovia em Água Clara; eleito líder do Bloco Parlamentar nº 1 (12 membros); CARAVINA: requereu o título de utilidade pública da Creche Menino Jesus, em Camapuã; Autor do PL incluindo o ’Pantanal Tech’ no Calendário Oficial de Eventos de MS; MARA CASEIRO: pediu bicicletas elétricas para os agentes de saúde de Paranaíba; requereu reforço policial para Inocência; LUCAS de LIMA: presidiu audiência de prestação de contas da Comissão de Saúde, propôs a Semana de Conscientização e Valorização do Pantanal: GERSON CLARO: Defensor do programa ‘Regularize Já’; autor de moção de apoio à árbitra de futebol Daiane Muniz, vítima de racismo; ZÉ TEIXEIRA: pediu a reforma do prédio do Detran em Alcinópolis; liberou emenda para a Saúde do município de Caracol; HASHIOKA: registrou a aprovação dos estudos de viabilidade para nova ponte Paraná-MS; entregou emendas para Glória de Dourados e visitou Ivinhema;
DEPUTADOS & AÇÕES: MOCHI: requereu o reconhecimento de utilidade pública da Associação Modelo Coxim de Ciclismo; pediu recuperação de estradas rurais de Nioaque e de uma ponte em assentamento; RINALDO: eleito membro efetivo da CCJR e homenageou a pesquisadora Letícia C. Garcia, da UFMS pela premiação “Mulheres e Ciência’; PEDROSSIAN: pediu a declaração de Utilidade Pública da Associação dos Feirantes de Nioaque: defensor fiel do Governo Riedel no programa ‘Regularize Já’; LÍDIO LOPES: pediu o reconhecimento do chapéu rural pantaneiro como patrimônio histórico e cultural de MS; defensor dos direitos das causas mulheres e das crianças; LIA NOGUEIRA: requereu uma UBS para combater a superlotação do posto de saúde do distrito de Nova Itamarati: parlamentar ligada aos movimentos femininos e das crianças. Antonio Vaz: implementado em Terenos a ‘Sala de Autismo 2026’, um projeto de alto valor social aplaudido pela comunidade terenense.
PEROLAS DIGITAIS:
O ateísmo é uma religião anônima.
A perspicácia é a dor doída da picada de abelha.
A fé é uma graça que podemos ver o que não vemos.
Antes de ser criada a justiça, todo mundo era injusto.
O vento é uma quantidade de ar que passa com muita pressa.
A arpa é a asa que toca. Quanto ao trombone de vara ‘ melhor nem falar’
Animais vegetarianos são aqueles que não vivem. Vegetam!
Os hermafroditas são humanos nascem unidos pelo corpo.
O coração é o órgão que não para de funcionar 24 horas por dia.
A maioria dos crustáceos funcionam como podem fora da água.
O terremoto é um movimento de terras provocado por vulcões inativos.
fev 23, 2026 | Colunistas
A medicina moderna é uma das maiores conquistas da humanidade. Vacinas, antibióticos, cirurgias, terapias avançadas e diagnósticos cada vez mais precisos salvaram milhões de vidas. É impossível negar: a ciência médica é, em muitos sentidos, um milagre construído com estudo, método e dedicação. O paradoxo é que, mesmo com tanto avanço, nunca convivemos com tantas doenças crônicas ao mesmo tempo — e, pior, cada vez mais cedo.
Os números do Brasil chamam atenção. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde com base no Vigitel (2006–2024), a prevalência de diabetes entre adultos mais que dobrou, passando de 5,5% para 12,9%. No mesmo período, a obesidade avançou 118%, e o excesso de peso atingiu patamares alarmantes. (Serviços e Informações do Brasil)
Em termos práticos, isso significa uma sociedade que se torna, aos poucos, dependente de um modelo de sobrevivência: um comprimido para controlar, outro para compensar, outro para “equilibrar os efeitos colaterais”. E a vida segue… não necessariamente curada, mas “administrada”.
Não é conspiração. É estrutura. Aqui entra o ponto central: o modelo econômico atual premia mais o tratamento do que a prevenção. Ao mesmo tempo em que a medicina se fortaleceu, a alimentação foi sendo sequestrada pela lógica industrial. Alimentos deixaram de ser alimento e se tornaram produtos: ultraprocessados desenhados para durar mais, viciar mais, vender mais — e custar menos no caixa, mas muito mais no corpo.
A ciência tem reforçado esse alerta. Estudos e análises apontam associação entre maior consumo de ultraprocessados e piores desfechos de saúde; uma meta-análise divulgada e comentada por pesquisadores ligados à USP destacou uma relação dose–resposta, em que aumentos no consumo se associam a aumento no risco de mortalidade por todas as causas. (Jornal USP)
E o custo social desse padrão não é abstrato. Ele aparece no orçamento público. Um estudo publicado na literatura científica de saúde pública estimou que, no Brasil, os custos diretos atribuíveis a hipertensão, diabetes e obesidade somaram R$ 3,45 bilhões (dados referentes a 2018). (SciELO SP). Em outra comunicação do próprio Ministério da Saúde, há referência de que, dos R$ 6 bilhões usados em 2019 no tratamento de doenças crônicas, cerca de R$ 1,5 bilhão foi atribuído ao excesso de peso e à obesidade. (Serviços e Informações do Brasil). Ou seja: paga-se caro para tratar, e investe-se pouco para evitar.
O mais inquietante é que a prevenção, embora seja amplamente defendida em discursos oficiais, raramente ocupa o centro das políticas públicas e das estratégias comerciais. Educar para escolhas saudáveis exige tempo, transformação cultural e, sobretudo, menor rentabilidade imediata. Investir em alimentos naturais, urbanismo que favoreça caminhada, esporte nas escolas e campanhas permanentes de orientação nutricional produz resultados a longo prazo — mas o mercado opera, em geral, na lógica do curto prazo. E nessa engrenagem, o adoecimento constante mantém a máquina girando.
Diante disso, a pergunta ética não é “quem inventou tudo isso?”, mas sim: Que sistema é esse que lucra mais quando a população adoece?
Porque há um círculo vicioso em pleno funcionamento:
1. Ultraprocessados se popularizam (por preço, praticidade e marketing).
2. Crescem obesidade, diabetes, hipertensão.
3. Aumenta a medicalização cotidiana.
4. Dispara o custo do tratamento.
5. A prevenção continua sendo a parte mais fraca da equação.
E o que deveria ser exceção vira rotina. A doença crônica vira “normal”. E a vida vira uma agenda de receitas, exames e renovações.
No artigo “Tire o plástico dos pés”, falamos, na semana passada, em sentido literal e simbólico, sobre o quanto nos afastamos da natureza. A ideia do “isolamento” pode ser lida para além da sola do sapato emborrachado. Estamos isolados do simples: do alimento de verdade, do preparo caseiro, do tempo da mesa, do corpo em movimento, do sol, do chão, do ritmo natural da vida.
E quanto mais a vida se industrializa, mais a saúde se torna dependente de correções artificiais. Talvez a grande revolução não esteja apenas em descobrir novos remédios, mas em reduzir a necessidade deles.
Comida de verdade, atividade física, sono, vínculo social, contato com a natureza, prevenção séria — isso não rende manchetes diárias, mas sustenta o que a medicina, depois, precisa resgatar.
Não se trata de demonizar a indústria farmacêutica nem de negar a medicina — ambas são essenciais. Trata-se de reconhecer que saúde não pode ser apenas mercadoria.
Se o lucro cresce na proporção da dependência, então estamos diante de um dilema civilizatório. Não basta discutir remédios mais modernos ou hospitais mais equipados; é preciso repensar o modelo que transforma comida em produto químico e transforma pessoas em consumidores crônicos de tratamentos. Uma sociedade saudável não é aquela que tem mais farmácias por esquina, mas aquela que precisa menos delas.
Se queremos um país com menos doença crônica, precisamos de um modelo que valorize mais o que sustenta a vida do que o que apenas remedia seus danos. Vamos continuar vivendo “administrados”… ou teremos coragem de reaprender a viver de verdade?
*Jornalista, Professor e Escritor
fev 21, 2026 | Colunistas
CONFETES & VOTOS: Apesar de carioca, o ‘samba no pé’ não faz o estilo de Riedel. Mas encarou fácil os ambientes carnavalescos distribuindo sorrisos e abraços. Por outro lado, não há notícias se Fabio Trad tenha saído de sua clausura ou preferiu o aconchego do lar vendo o desfile das escolas de samba do carnaval carioca.
SEM RUMO: Político que não lidera não forma grupo político e se vê obrigado a pegar carona em outras agremiações. É o caso da senadora Soraya sem identificação partidária e que pode ingressar no PSB para apoiar Fabio Trad. Nos corredores da Assembleia comenta-se que ela sonha com um cargo de Lula como compensação em 2027.
DÚVIDAS: Nos bastidores comenta-se sobre a possibilidade de aflorar durante a campanha eleitoral temas relacionados aos escândalos envolvendo alguns políticos. Com as redes sociais exercendo crescente influência nas eleições, há quem aposte que o pleito estadual possa se transformar numa grande lavanderia. Haja sabão!
VALE TUDO: A pratica da ‘desinformação’ deixou de ser fenômeno episódico para se tornar um risco ao processo eleitoral deste ano graças a velocidade da disseminação. Questiona-se: os Tribunais Regionais Eleitorais e mesmo o TSE estarão preparados para decidir rapidamente se aquela publicação estaria fora da legalidade?
LADO SOMBRIO: O avanço da tecnologia proporciona a capacidade ilimitada de criar vídeos, áudios e imagens com elevado grau de realismo, simulando discursos e posturas de candidatos, por exemplo. Parte do eleitorado poderá ser enganado ao não separar o que é real e artificial (conteúdo manipulado) na internet.
A GUERRA: Ela já existe através de narrativas enviesadas e informação massiva nas redes sociais, criando terreno fértil para a desinformação. Há quem aposte na vitória da agilidade da inteligência artificial contra os padrões burocráticos de quem, deveria estar municiado de tecnologia a serviço da lei. É como um fusca contra um BMW.
HUMOR: Na campanha presidencial, John Kennedy enfrentou críticas de que seu pai milionário Joseph estaria comprando a eleição. Ele teria respondido lendo um suposto telegrama do pai durante um jantar: “ Caro Jack: Não compre nem um único a mais do que o necessário. Eu serei condenado se for pagar por uma vitória esmagadora. ”
‘PADINHO’: Contam em tom folclórico que várias famílias do interior da Paraíba escreveram cartas para a Casa Branca pedindo que Kennedy fosse padrinho de seus filhos. Em sua elegância ele chegou a responder, aceitando o pedido por procuração, o que gerou orgulho local, mas se tornou uma piada trágica com o assassinato de 1963.
RONALD REAGAN: O presidente era craque em piadas. Uma delas sobre a chegada do político e o padre ao céu. São Pedro oferecera ao religioso uma casa simples e ao político uma mansão. Surpreso, o político questionou as razões do privilégio, ao que São Pedro explicou: “religioso é comum aqui, mas quanto aos políticos, você é o primeiro.
JIMMY CARTER: Só falava inglês. Em viagem ao Japão, ele resolveu contar uma piada para ‘quebrar o gelo’ para a plateia monolíngue. Riso geral. Depois surpreso, Carter indagou o motivo da reação tão calorosa – e o interprete revelou o que havia recomendado aos presentes: “A piada contada pelo presidente é engraçada. Todos devem rir. ”
REVIRAVOLTA: Na noite da posse de Ulysses, Sarney estava deprimido e confessou “com medo do fim inglório de sua carreira política. ” Ele sabia que no Brasil o vice é esquecido, enquanto nos ‘U.S.A’ acaba líder no Senado. Mas como na política tudo pode acontecer, veio o óbito de Tancredo e a consequente posse de Sarney.
O PERDEDOR: “Vote no brigadeiro, bonito e solteiro”. Mas apesar de carismático e elegante, Eduardo Gomes perdeu as eleições de 1945 para o gal. Eurico G. Dutra com 34% dos votos e de 1950 para Getúlio Vargas, obtendo só 29% dos votos. Ao brigadeiro restou o título de Patrono da Força Aérea Brasileira e por ter inspirado o nome do chocolate batizado de ‘brigadeiro’.
O TURISTA: Poeta e escritor, Epitácio Pessoa teve uma eleição surreal em 1919. Ele estava em Paris na Conferência de Versalhes, após a Primeira Guerra e não participou da campanha eleitoral. Com 71% dos votos derrotou Rui Barbosa. As eleições foram realizadas em abril, e ele só retornou ao país em julho, uma semana antes da posse.
TEMPORONA: O presidente Rodrigues Alves morreu em janeiro de 1919 (de gripe espanhola) antes de assumir o 2º mandato. Desde novembro de 1918, quando Rodrigues deveria ter tomado posse, o país era governado interinamente pelo vice Delfim Moreira. Rodrigues Alves recebeu em Paris a notícia de que seria o candidato e aceitou, é claro.
AMOR E ÓDIO: O ditador Stalin odiava o ator americano John Wayne pela sua postura anticomunista liderada pelo senador Joseph McCarthy. Por conta disso, Stalin colocou o ator na sua lista negra para ser assassinado pela KGB. Mas por essas ironias, o ditador russo assistia a todos os faroestes do famoso cowboy. Era fã de carteirinha.
A VIAJANTE: A rainha Elizabeth visitou mais de 120 países; inaugurou o MASP (São Paulo) em 1968; na 2ª. Guerra treinou como motorista e mecânica; no seu reinado esteve com 13 dos 14 presidentes dos Estados Unidos, desde Harry Truman até Joe Biden; também conheceu 5 Papas – de Pio XII em 1951 ao Papa Francisco em 2014.
E ADIANTA? A Lei 5.991/73 obriga o médico de adotar palavras legíveis nas receitas como alertam cartazes afixados nos postos e unidades de saúde. Hoje alguns médicos já usam o receituário impresso do computador, facilitando a sua leitura, enquanto outros ainda insistem com ‘garranchos’ indecifráveis para desespero dos farmacêuticos.
REMÉDIO: Princípio elementar de economia: não se gasta mais do que se ganha. Daí que o Governo Estadual é obrigado a cortar as despesas neste ano, mesmo com as eleições batendo a porta. Claro, teremos habituais ‘chiadeiras’ e até certo desgaste eleitoral, mas o governante precisa ter coragem para adotar medidas impopulares.
PEROLAS ESCOLARES.
A Alemanha é o país da Europa onde melhor se fala o alemão.
Tem uma planta em extinção nas Ilhas Virgens: as trepadeiras!
A Rússia foi atacada na 2ª. Guerra pelo general nazista Napoleão Bomdaparte.
O maior produto de exportação de Angola é a galinha.
Tarântula é uma variação ritmada da tarantela.
Transitividade verbal é a opção sexual do verbo.
A função do cerebelo é fazer criar cabelo.
Complexo de Édipo é um bairro carioca vizinho do Complexo do Alemão.
Eva e Cleópatra foram as primeiras mulheres a sentir prazer com cobras.
A tartaruga, o bicho preguiça e os funcionários públicos insatisfeitos são os animais mais lentos do Brasil. .
O que é manada? É a forma junta de mais-nada.
Cremação é passar creme na pele – depois de morto, é claro!
Todos os lados do triangulo escaleno são iguais, porque a área quadrada da circunferência da pirâmide é maior que ‘o raio que o parta’.
fev 19, 2026 | Colunistas
O homem moderno se orgulha do progresso. Nunca tivemos tanta tecnologia, tanta praticidade e tanta oferta de produtos. Mas uma pergunta incômoda precisa ser feita: estamos realmente mais saudáveis e mais livres… ou apenas mais dependentes da indústria?
Quem já levou uma pequena descarga elétrica ao tocar outra pessoa ou encostar em um objeto metálico talvez nunca tenha parado para pensar que o próprio estilo de vida moderno pode estar nos isolando da natureza. Pesquisadores vêm estudando o chamado ‘Grounding’, ou ‘Aterramento corporal’, que analisa benefícios do contato direto do corpo com o solo natural. Ainda que as pesquisas estejam em desenvolvimento, já apresentam resultados promissores e levantam uma reflexão inquietante: há poucas décadas, o ser humano mantinha muito mais contato com a terra, com a grama e com o ambiente natural e não enfrentava tantos problemas de saúde como agora.
Hoje, usamos calçados com solados sintéticos, isolantes, praticamente o tempo todo. Não se trata de condenar a tecnologia, mas de questionar se cada avanço realmente representa evolução para a saúde e o bem-estar humano — ou apenas para o mercado consumidor. Ao longo do tempo, fomos perdendo algo essencial: a capacidade de questionar.
A alimentação talvez seja o exemplo mais evidente dessa transformação cultural silenciosa. A chamada “comida de verdade” vem sendo substituída por produtos ultraprocessados, formulações industriais criadas para durar mais, vender mais e estimular o consumo contínuo. Pesquisas da Universidade de São Paulo associam o consumo elevado desses produtos ao aumento da obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e até alguns tipos de câncer.
Dados do Ministério da Saúde mostram que mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso, realidade fortemente ligada ao padrão alimentar moderno. O consumidor raramente percebe que está inserido em uma engrenagem econômica que estimula o consumo constante. Muitos alimentos apresentam rótulos extensos, com ingredientes que grande parte da população sequer reconhece. O alimento deixa de ser nutrição e passa a ser produto.
Outro fenômeno crescente é o surgimento de alimentos que imitam produtos tradicionais, mas que, na prática, são formulações industriais carregadas de aditivos. O iogurte é um exemplo emblemático. Tradicionalmente produzido pela fermentação natural do leite e reconhecido por seus benefícios intestinais, hoje muitas versões industrializadas apresentam elevados índices de açúcar, espessantes, corantes e os chamados “aromatizantes sintéticos idênticos ao natural”. Descrição que deveria nos deixar apavorados.
E o iogurte não está sozinho. Cremes e requeijões industrializados, queijos processados, achocolatados ricos em açúcar, sucos industrializados, margarinas ultraprocessadas e carnes embutidas representam apenas algumas versões artificiais de alimentos tradicionais, muitas delas associadas por estudos internacionais ao aumento do risco de doenças crônicas.
A história recente da alimentação mostra como percepções podem ser moldadas por interesses econômicos. O ovo já foi tratado como vilão do colesterol e hoje integra uma alimentação equilibrada. A banha animal foi retirada das cozinhas para dar espaço aos óleos vegetais industrializados, que agora também passam por revisões e críticas científicas quanto ao grau de processamento e impactos metabólicos.
O sal refinado, presente em praticamente todas as cozinhas brasileiras, é composto basicamente por cloreto de sódio, enquanto sais naturais (sal grosso) preservam até mais de 80 minerais benéficos para a saúde humana.
Talvez o maior risco da sociedade atual não esteja apenas nos produtos que consumimos, mas na passividade com que aceitamos padrões impostos. Somos influenciados diariamente por campanhas publicitárias sofisticadas, embalagens sedutoras e discursos que associam praticidade à felicidade, enquanto pouco se discute sobre os efeitos silenciosos dessas escolhas ao longo dos anos.
O ser humano passou a confiar mais na propaganda do que na própria natureza. Não se trata de negar o progresso, mas de compreender que crescimento econômico não pode ser confundido com evolução humana.
E quanto ao plástico nos pés, surge uma reflexão inevitável: se estudos começam a indicar que a redução dos isolantes pode favorecer o equilíbrio do organismo pela maior integração com o ambiente natural, será que a própria indústria não passará a desenvolver calçados capazes de resgatar essa conexão perdida? Quem sabe misturas inteligentes de materiais naturais, como o couro, associadas a componentes sintéticos, possam surgir, inclusive no universo esportivo, onde atletas produzem enormes cargas de energia durante provas de alto rendimento, como as maratonas?
Talvez estejamos diante de uma nova fronteira do desempenho humano. Não seria exagero imaginar que, ao permitir que o corpo humano mantenha maior harmonia com as forças naturais que regem a vida, novos limites físicos possam ser superados. Acredito nisso. Acredito até em novos e incríveis recordes no mundo dos esportes. Afinal, o ser humano não é apenas matéria, mas também energia em constante interação com o ambiente que o cerca.
Quando essa interação acontece de forma plena, o corpo tende a encontrar maior equilíbrio, fluidez e eficiência. Permitir que essa energia circule livremente, sem os bloqueios artificiais impostos pelo isolamento excessivo, pode significar não apenas ganhos de desempenho esportivo, mas também um reencontro natural com a energia universal que sustenta e conecta toda a criação — uma energia que representa a própria manifestação de Deus na natureza.
*Jornalista, Professor e Escritor.
fev 16, 2026 | Colunistas
O Duo Vozmecê, artistas da música em Campo Grande-MS, farão uma série de apresentações em escolas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na capital. O projeto é uma iniciativa social de Pedro Fattori e Namaria Schneider, que anunciaram a circulação do show “Tropicapolca” em quatro escolas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande. O projeto, intitulado “Tropicapolca: Vozmecê Circuito EJA CG”, tem como objetivo principal democratizar o acesso à cultura e valorizar a identidade regional, levando a música autoral do duo a um público historicamente afastado dos grandes eventos culturais. As apresentações ocorrerão em bairros periféricos Estrela Dalva I, Guanandi, Portal Caiobá e no Parque Novo Século, onde estão localizadas as escolas EJA.
O show “Tropicapolca” é baseado no álbum audiovisual mais recente do Vozmecê, lançado em 2024. A sonoridade do duo mistura ritmos fronteiriços e pantaneiros, como a Polca Paraguaia, Guarânia e Chamamé, com influências de diversas regiões do Brasil, como a MPB, Samba,
Baião, afoxé, além da universalidade do rock. Essa fusão é o que o duo chama de música neo-pantaneira. As canções do Vozmecê se destacam não só pela estética contemporânea ao mesmo tempo que de raiz, mas também pelas letras de forte teor social. Temas como a igualdade de gênero (presente na guarânia “Pantaneira”) e a crítica ao imperialismo norte-americano (destacada na canção “Tio Sam”, vencedora de prêmio no Festival Universitário da Canção) prometem gerar reflexões entre os estudantes.
Além da música, o projeto adota uma abordagem transversal para enriquecer a experiência dos alunos. Será exibido o documentário “CenAlternativa: MS Geração 20”, que apresenta a nova geração de artistas autorais de Mato Grosso do Sul, seguido de rodas de conversa mediadas pelos integrantes do Vozmecê. Também, em cada show, o duo receberá a artista Beca Rodrigues, outro nome da nova música do Mato Grosso do Sul, reforçando a integração da cena cultural local.
“A escolha do público EJA se dá pela urgência em atender a uma população muitas vezes privada do direito à fruição artística por conta da rotina intensa entre trabalho e estudos, propondo cultura como um direito humano essencial e fortalecendo vínculos com a identidade cultural do Mato Grosso do Sul”, afirma o duo.O projeto garante a acessibilidade para o público PcD com a presença de um Intérprete de Libras em todas as apresentações, além de janela de Libras e audiodescrição no documentário, consolidando o compromisso com a inclusão. O espetáculo tem duração
prevista de 40 minutos e será adaptado à rotina noturna dos alunos, sendo realizado em intervalos estendidos.
O “Tropicapolca: Vozmecê Circuito EJA CG” busca atingir cerca de 1000 estudantes da EJA, majoritariamente de classes de baixa renda e moradores de regiões periféricas, muitos dos quais são trabalhadores, mães solo ou pessoas em processo de reintegração social. Com essa iniciativa, o Vozmecê visa valorizar o público EJA e suas vivências, aproximando-os da produção cultural local. Outra necessidade é a de difundir gêneros musicais regionais e latino-americanos, promovendo a preservação desse patrimônio imaterial. O projeto se preocupa em produzir reflexões críticas sobre questões sociais, ambientais e de identidade cultural, fortalecendo o sentimento de pertencimento e também promover a integração da cena musical e gerar representatividade no palco.
O projeto é um marco na trajetória do Duo Vozmecê, consolidando-os como um nome de destaque no cenário autoral do MS, e reforça o papel estratégico da música na formação de público e na transformação social.

Da Assessoria