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Bela Vista-MS Sábado, 27 de Junho de 2026
Neto

Calote do governo federal causa impacto de R$ 479,8 milhões aos municípios de MS

Desse total, R$ 378,1 milhões não tiveram sequer a primeira medição das obras

Os prefeitos de Mato Grosso do Sul desembarcam em Brasília nesta segunda-feira (9) levando na bagagem uma conta assustadora devida pelo governo federal em “restos a pagar”. O calote causa um impacto de R$ 479,8 milhões aos cofres das prefeituras.

Liderados pelo presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), Juvenal Neto (PSDB), os prefeitos participam da XIX Marcha a Brasília em Defensa dos Municípios, organizada pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) desta segunda (9) até quinta-feira (12).

O governo federal deve aos municípios brasileiros R$ 43,1 bilhões, dos quais R$ 479,8 milhões para Mato Grosso do Sul.

Dos R$ 479,8 milhões, R$ 378,1 milhões estão classificados como não processados, ou seja, não tiveram sequer a primeira medição da obra.

Os “restos a pagar” não processados são  majoritariamente de exercícios anteriores.

Para Neto, a mobilização é justa e democrática como forma de sensibilizar o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto mesmo diante da crise institucional que abala o país em decorrência de graves denúncias de corrupção.

O dirigente avalia que maioria das prefeituras sobrevive com suas finanças combalidas graças a uma política econômica malsucedida do governo federal, sobretudo perversa com quem mora principalmente nos “grotões”.

“Digo isso com conhecimento de causa, tirando como exemplo a situação dos municípios de Mato Grosso do Sul. É triste você se planejar com um orçamento dentro do exercício financeiro e ter de desembolsar valores que não tem em decorrência da incompetência do governo federal, que criou despesas de monta para nós prefeitos pagarem a conta”, comentou Neto, no Aeroporto Internacional de Campo Grande, minutos antes de embarcar para Brasília.

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Além das quedas constantes nos repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), entre outros fatores que penalizam a administração pública, o  dirigente reclama principalmente da falta de recursos destinados a bancar os programas sociais.

Segundo ele, os programas sociais, criados nos governos do presidente Lula e Dilma são o principal vilão dos municípios.

“Os atrasos nos repasses federais prejudicam os gestores públicos, que ficam de mãos atadas diante dessa situação crítica. Como resultado, ficamos com a imagem aranhada perante a população, que muitas vezes não sabe de quem é a culpa por esse descaso”, acrescentou Neto, que é prefeito de Nova Alvorada do Sul.

CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS

O presidente da Assomasul lembra que, por causa disso, a entidade foi obrigada a fazer campanhas publicitárias visando esclarecer à população sobre de quem é a responsabilidade de cada um, governos federal, estadual e prefeituras.

Falando de um modo global, na área de saúde, 3.329 municípios (59.7% do total) executaram o NASF (Núcleos de Apoio à Saúde da Família) em 2015, conforme levantamento feito pela CNM.

No ano de 2015, houve 38.233 ordens bancárias de transferências aos municípios, destas, 29.270 (76,8%) dos pagamentos foram realizados com atrasos de 31 a 60 dias e 1 (0,2%) acima de 90 dias.

Já no ESF (Estratégia Saúde da Família), foram 5.463 (98%) em (2015).

Para a ESF foram identificadas 65.080 ordens bancárias para o ano de 2015, destas, 48.707 (74,8%) foram transferidas com atrasos de 31 a 60 dias e 1 (0,2%) acima de 90 dias.

De acordo com os dados da Confederação, o repasse do recurso para a gestão do Bolsa Família está pelo menos cinco parcelas em atraso, deixando de repassar aos municípios mensalmente um valor aproximado de R$ 40 milhões.

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Com a redução dos repasses para a Assistência Social, o MDS criou um índice para definir quais os municípios elegíveis para o recebimento dos recursos. Esse índice penaliza as gestões municipais que possuem recursos em caixa.

O PDDE  (Programa Dinheiro Direto na Escola) sofreu atrasos em 2014, mas teve os repasses normalizados em 2015.

“Nos dias de hoje temos ainda alguns problemas como o atraso na liberação de recursos para as creches do programa Proinfância”, queixa-se o dirigente.

Outro problema, segundo elem, são as alterações no sistema do PAR (Plano de Ações Articuladas) e mudança dos critérios do Programa Brasil Carinhoso, entre outros.

“Portanto, temos de nos unir, pressionar a bancada federal na tentativa de alcançar nossos objetivos, a exemplo das marchas anteriores nas quais obtivemos algumas conquistas consideráveis em favor de nossos municípios”, sugeriu Neto.

Willams Araújo – De Campo Grande