(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Sábado, 04 de Julho de 2026

A viagem de campo teve como foco reunir indígenas do Território Kadiwéu para discutir o Plano de Vida – andamento de trabalhos e ações futuras em solo pantaneiro.

Por duas semanas uma equipe da Wetlands International Brasil percorreu cinco aldeias do Território Indígena (TI) Kadiwéu (Alves de Barros, Tomazia, São João, Barro Preto e Campina), em Porto Murtinho. Realizada de 2 a 15 de novembro, a viagem teve a finalidade de reunir indígenas e suas lideranças para avaliar os rumos das atividades do Plano de Vida, facilitadas pelo Programa Corredor Azul (PCA).

Criado há dois anos, o Plano de Vida funciona como ferramenta de gestão para promover a autonomia e o protagonismo dos povos originários que vivem na região do Pantanal, como destaca Lilian Pereira , coordenadora do Componente Modos de Vida do PCA (Programa Corredor Azul), da Wetlands International e Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal .

“O Plano de Vida é um documento de gestão da comunidade, ou seja, tudo o que a comunidade anseia para o seu povo está escrito ali. Esta é a segunda viagem realizada com esse propósito nesse ano. Na primeira, verificamos os resultados gerados pelo Plano de Vida e, agora, a gente se reuniu com a comunidade para mapear as ações futuras, ou seja, saber deles quais são as maiores necessidades, principalmente, considerando dois grandes desafios: a pandemia e o fogo que tanto marcaram do ano de 2020 pra cá”.

Todo um contexto enfrentado nesse período tem gerado preocupação em muitos indígenas: a falta d’água, em especial, na aldeia Alves de Barro. Algo inimaginável, considerando que o TI Kadiwéu está inserido em dois biomas: Cerrado e Pantanal. Esse último, considerado a maior área úmida de água doce do mundo.

Leia  Prefeito Nelson Cintra acompanha visita do presidente do Paraguai às obras da Ponte Bioceânica

Contudo, um cenário possível visto que 29% de todo o Pantanal, na parte brasileira, foi consumido pelas chamas no ano passado. Só no TI Kadiwéu o fogo atingiu quase metade (45,9%) de toda sua área de 548 mil hectares, o equivalente a 247,3% reduzidos às cinzas, conforme dados da Lasa/UFRJ (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais).

Um desastre ambiental que, direta ou indiretamente, implica em prejuízos às nascentes de rios e córregos dentro do bioma, como pontua Eliseu Veiga, vice-cacique da Aldeia São João e chefe de brigada na comunidade.

“O Pantanal vem sofrendo muito com as queimadas que prejudicam as nossas nascentes,. Essa decadência de oferta de água nos córregos é percebida por nós que vivemos dentro do bioma. O Plano de Vida vem com estratégias de gestão que beneficiam o povo Kadiwéu, pois promove autonomia para encontrarmos soluções para os problemas que afetam a vida da nossa comunidade e do meio ambiente”.

Uma reunião foi promovida junto à Sesai – Secretaria Especial de Saúde Indígena, no período em que a viagem a campo estava acontecendo. Um pedido dos Kadiwéu para debater toda a problemática em torno da água.. Vale destacar também o trabalho dos brigadistas que, em 2021 e 2020, tiveram um desempenho fundamental no combate ao fogo,

e que tem buscado junto a parceiros melhorias para suas atividades no combate e na qualidade ambiental no território.

Para Lilian Ribeiro a viagem de campo realizada ao lado dos colegas de trabalho – Pedro Cristofori e Rodrigo Silva – trará reflexões coletivas. “Geralmente organizações chegam nos territórios querendo atuar de fora para dentro, com ideias prontas, sem ter a preocupação do que realmente a comunidade quer. Então, para quem está de fora este documento pode ser um espelho das reais demandas do povo Kadiwéu”.

Leia  Prefeito Nelson Cintra acompanha visita do presidente do Paraguai às obras da Ponte Bioceânica

Fortalecimento da Abink, a instalação de um viveiro de mudas, a edificação de uma escola estadual de nível médio e a construção de uma ponte no Rio Aquidabã foram algumas das conquistas geradas após a elaboração do Plano de Vida junto aos indígenas no Pantanal. Hoje, essas demandas já atendidas dão lugar a outras novas e trazem consigo novos desafios vivenciados pelos indígenas do Pantanal.