Cidades
Mato Grosso do Sul investiga alimentação e nutrição infantil em domicílios de 5 cidades

Levantamento coleta informações detalhadas sobre hábitos alimentares, peso e altura de mães e crianças de até cinco anos. (Foto de Pedro Gorender)

Com apoio do Estado e municípios, inquérito do Ministério da Saúde vai  avaliar estatura, peso e exames de sangue de crianças de até cinco anos

Mato Grosso do Sul é um dos estados brasileiros que sedia o Enani (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil), com o objetivo de obter dados inéditos sobre o crescimento e o desenvolvimento infantil para compor um retrato da nutrição infantil no Brasil. A proposta é obter subsídios para a elaboração de políticas públicas na área de saúde e nutrição.

Para tanto, desde abril, estão sendo realizadas visitas em 540 domicílios nas cidades de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Nova Andradina e Três Lagoas, para coletar informações detalhadas sobre hábitos alimentares, peso e altura de crianças de até cinco anos. Também estão sendo coletadas amostras de sangue nos participantes com mais de seis meses de vida. As visitas domiciliares serão realizadas até o fim de maio.

Os exames de sangue possibilitarão o mapeamento sanguíneo de 14 micronutrientes, como os minerais zinco e selênio, e vitaminas do complexo B, além de investigadas informações sobre amamentação, doação de leite humano, consumo de suplementos de vitaminas e minerais, habilidades culinárias, ambiente alimentar e condições sociais da família.

Apoio

O Enani está sendo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob encomenda do Ministério da Saúde. O governo estadual, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES) tem prestado total apoio à iniciativa, aprovada CIB – Comissão Intergestores Bipartite, que conta com a participação de secretários municipais de saúde todos os municípios do Estado.

Para o secretário estadual de Saúde Geraldo Resende, a iniciativa do Ministério da Saúde é altamente louvável. “Esse estudo irá municiar a nós, gestores da saúde pública tanto em âmbito federal quanto estadual e municipal, de informações que possibilitarão saber se a desnutrição no Brasil, em cada Estado ou nos principais municípios está diminuindo como um problema epidemiológico. A prevenção da obesidade é outra medida que o levantamento poderá indicar”.

Segundo o coordenador do Enani em Mato Grosso do Sul João Paulo Santos Azambuja, o estudo vem obtendo boa aceitação nos municípios uma vez que os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) preparam o campo de trabalho para os pesquisadores. Ele explica que as residências visitadas pelo método de amostragem estão situadas em bairros previamente determinados com base nos dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística.

Até essa semana, cerca de 220 crianças foram pesquisadas pela equipe sul-mato-grossense. A previsão para o Estado é de abranger 590 crianças nos municípios de Campo Grande (390), Corumbá (50), Dourados (50), Nova Andradina (50) e Três Lagoas (50).

“É importante o apoio dos municípios e do Estado, para que não haja rejeição das famílias visitadas, pois somente podemos colher os dados antropométricos e coletar sangue com a autorização dos pais ou responsáveis. Mas até o momento não estamos tendo problemas, e o  trabalho de campo está fluindo normalmente”, salienta o coordenador.

Metodologia

Todas as etapas são realizadas por pesquisadores identificados com camisas e crachás contendo o nome e a fotografia do entrevistador, além do logotipo do Ministério da Saúde. Os dados informados são sigilosos e, em hipótese alguma, os nomes das crianças ou dos seus responsáveis serão identificados.

A participação dos indivíduos é voluntária. No início da pesquisa, o entrevistador explica todos os procedimentos e entrega aos participantes um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Esse documento informa sobre todos os detalhes do estudo e orienta como o selecionado pode entrar em contato com a central do estudo para tirar quaisquer dúvidas que surjam, incluindo a opção gratuita de ligar para o número 0800 808 0990. A realização da pesquisa segue rigorosa metodologia científica e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFRJ.

Reportagem: Ricardo Minella