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Bela Vista-MS Terça-Feira, 30 de Junho de 2026
Elenilson: Há exatos 20 anos, Bela-vistense ganhava Ouro no Canadá

Elenilson: Há exatos 20 anos, Bela-vistense ganhava Ouro no Canadá

Elenilson: Há exatos 20 anos, Bela-vistense ganhava Ouro no Canadá

Dia 27 de julho de 1999. Fim de tarde em Winnipeg, no Canadá. Começo de noite no Brasil. Coração inquieto só ansiava explosão; seus olhos focavam exclusivamente a chegada de uma prova que ainda nem havia saído. Com seu mundo nas costas ele se alongava como para espantar pensamentos que não fossem os passos ligeiros que tinha que deixar para trás. Indiferente a tudo, dava passos curtos para todos os lados, como que para apressar o relógio, e nem percebia que estava nos olhares de muitas outras nacionalidades.

Perfilam-se os atletas. Vai começar a prova. É dada a largada. O coração daquele corpo de 59 quilos se acalmou naquele instante e transferiu sua explosão para as pernas que faziam seu 1 metro e 77 de altura riscar a pista como se buscasse o último abraço do mundo. A alegria e o fôlego, naquele dia, eram os mesmos do guri de pés descalços que há tempos já corria pelas estradas de terra da fronteiriça Bela Vista, no Mato Grosso do Sul. Os últimos metros da prova pareciam ser somente seus e já o aguardavam para um mesmo sorriso.

A torcida vibrava em muitos outros idiomas os passos largos do jovem corredor de origem humilde, coração sofisticado e que despontava como um predestinado a escrever seu nome na eternidade dos Jogos Pan-americanos. A poucos passos da medalha de ouro, Elenilson separa uma piscada do tempo, dobra o olhar para o lado para conferir os que ficaram para trás, acaricia o relógio que testemunhou seu tempo e discretamente desenha um sorriso que carregava um pouquinho de cada sul-mato-grossense e, principalmente, de cada alma bela-vistense.

Esse texto faz parte da biografia do ex-atleta, que está sendo escrita pelo jornalista Josyel Carvalho e deve ser lançada em 2020.

Com investimentos de mais de R$ 114 milhões em obras, Reinaldo abre Festival em Bonito

Com investimentos de mais de R$ 114 milhões em obras, Reinaldo abre Festival em Bonito

Reconhecido internacionalmente como recanto ecológico, o município de Bonito será a capital da cultura de Mato Grosso do Sul a partir desta quinta-feira, 25 de julho. A data marca a abertura do 20° Festival de Inverno de Bonito, que apresenta atrações nacionais e locais da música, do teatro, da dança e do cinema.

Organizado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura de MS (FMCS), o Festival ainda vai exibir entre os dias 25 e 28 de julho atrações de circo, artes visuais, gastronomia, literatura e astronomia. A cerimônia de abertura será realizada a partir das 19 horas de quinta, na Praça da Liberdade, com a presença do governador Reinaldo Azambuja.

Antes disso, durante o dia, serão oferecidas atividades de contação de histórias, exibição de filmes, apresentações artísticas e oficinas de cinema e artesanato. Todas as atrações são gratuitas à população. O grande show musical da noite, que tradicionalmente reúne milhares de pessoas na Praça da Liberdade, será da dupla Chrystian e Ralf.

Além de nutrir a veia cultural de Bonito há 20 anos com o Festival de Inverno, o Governo do Estado contribuiu com a estruturação da cidade que tem vocação turística. São mais de R$ 114 milhões em investimentos. Recentemente entregou o asfalto da Estrada do Curé, que liga Bonito a Jardim, e concluiu a revitalização da MS-178, na entrada da cidade.

Outra obra importante, a pavimentação da MS-382, no trecho que liga Bonito a Gruta do Lago Azul, passa por levantamento de custos. A expectativa é de que a intervenção seja concluída até o fim deste ano. Já a construção do quartel do Corpo de Bombeiros, que vai encurtar em 55 quilômetros a distância para salvamento, será iniciada em agosto.

Bela Vista sediou a abertura oficial da temporada do laço comprido no MS

Bela Vista sediou a abertura oficial da temporada do laço comprido no MS

A festa superou as expectativas de todos os laçadores. Foto: Tião Prado (Pontaporainforma)

Na quinta-feira, dia 18 até 21 de junho, a cidade de Bela Vista sediou no Clube de Laço a abertura da temporada 2019/2020 das festas de laço comprido no estado, e a população atendeu o chamado do patrão Marcelo Melo e compareceu para prestigiar o grandioso evento.

No sábado pela manhã o presidente da Federação dos Clubes de Laço do Mato Grosso do Sul, o engenheiro-agrônomo Pompílio Cabral de Jesus Júnior, como é feito em todas as festas da Federação, se reuniu com os demais patrões dos Clubes de Laço que compõem o grupo A e falou a respeito do calendário de festas do grupo para a temporada 2019/2020.

Pompilio fez questão de parabenizar todos os patrões pelo retorno do grupo A à federação e disse que, sendo patrão do Clube do Laço Lino do Amaral Cardinal de Ponta Porã que agora começa a participar das festas desse grupo, alem de um grande desafio para todos, será um grande honra, uma vez que o laço comprido começou a ser realizado no estado através dos clubes dessa importante região. Pompílio ainda fez questão de salientar que todos os clubes podem contar com o apoio da Federação que estará lado a lado com todos.

Em todos os dias da festa em Bela Vista, teve baile carapé e na sexta-feira, a dupla César e Paulinho e o baile com o Canto da Terra encerraram a noite com louvor.

A festa transcorreu durante todo o dia de sábado e teve seu ponto máximo do domingo, sendo que nas disputas das taças principais, que é bronze, prata e ouro todos os laçadores puderam demonstrar as suas habilidades com o laço comprido.

As disputas pela taça de Ouro se encerraram pouco antes da meia noite, e só foi decidida na ultima rodada, sendo que a equipe do Clube de Laço Retiro Caracol foi perfeita, fechando a rodada com 15 armadas e levando o troféu máximo da festa.

Fotos: Tião Prado (Assessoria de Imprensa)

O presidente da Federação Pompílio Júnior com os patrões dos clubes do grupo A. Foto: Tião Prado (Pontaporainforma)

Confira os resultado da festa de laço em Bela Vista:

  • Vice Campeão Mirim, João Guilherme Antunes de do clube de Laço de Jardim; Campeão Mirim, Pedro Mota do clube de Laço Florêncio.
  • Lucas Arnaldo, do Lino do amaral Cardinal, foi o vice campeão Bandeira e João Pedro Palmiere, de Bela Vista, sagrou-se campeão Bandeira.
  • Natali Borges foi a vice campeã amazonas Mirim e Clara Sanches, a campeã, ambas do Nabileque.
  • Joice Branco, de Bela Vista, foi a vice campeã Amazonas Adulta e o título de campeã ficou com Majorie, do C. Pantaneiro.
  • O vice campeão Letrado foi para Maikel Zorzete, de Caracol e o grande campeão Letrado foi Leonardo Vieira, do Acatama.
  • Renato Almeida, do Florêncio, conquistou o lugar de vice campeão público e Diogo Murano, de Bela Vista, foi o campeão peão público.
  • João Boneca, do Florêncio, foi o vice campeão Veterano 60 e o campeão foi João Cristaldo, de Jardim.
  • Delcir Cavalheiro, do Florêncio, conquistou o título de Campeão Veterano 70.
  • O vice campeão Capataz foi cassio Chavier, do Nabileque e Sandro Cardoso, de Jardim, sagrou-se o Campeão Capataz.
  • Eudo Pinheiro e Eudo Neto conquistaram o título de vice campeão Pai e Filho Adulto; Daniel Godoy e Daniel Filho foram os campeões nessa categoria. Ambas as duplas são de Bela Vista.
  • Alfredo Cardinal e Vitor cardinal, do Lino do amamral Cardinal, sagraram-se vice campeão Pai e Filho Bandeira; Alceu Escobar e Gabriel Escobar, de Bela Vista, conquistaram a vaga de campeão Pai e Filho Bandeira.
  • O vice campeão Pai e filho Mirim ficou com Onofre Filho e Onofre Neto de Bela Vista; já Cláudio Mota e Pedro Mota, do Florêncio, foram os campeões Pai e Filho Mirim.
  • Delcir Cavalheiro e Eduardo Cavalheiro, do Florêncio e Lino do Amaral Cardinal, foram vice campeão Avô e Neto; Delcir Cavalheiro e Danilo Cavalheiro, do Florêncio, foram os campeões Avô e Neto.
  • O vice campeão Capitão foi para Maikel Zorzete de Caracol e o campeão Capitão ficou com Daniel Filho, de Bela Vista.
  • Chiquinho Ramires de Bela Vista foi Vice Campeão Presilha; o campeão dessa modalidade foi Marco Antônio, do C. Pantaneiro.
  • Tales Marques, Júnior Barbosa e João Vitor, do Florêncio, foram os vice campeões de trio; Duda Ocariz, Patrick Barcelos e Juninho Leite, de Bela Vista, foram os campeões.
  • Chiquinho Ramires e Timtim Candado, de Bela Vista, foram vice campeão Bagualhada; o título de campeão ficou com Alan e Alcindo, do C. Pantaneiro.
  • Beto Vargas, do Nabileque foi o vice campeão Patrão e Luiz Henrique, do C. Pantaneiro, o campeão.
  • Vice Campeão Esposo e Esposa ficou com Alcindo e Milena e o título de campeões foi para o casal Luiz Henrique e Majorie, todos do C. Pantaneiro.
  • Mariluce Barbosa e Jucieli Soares, ambas do Florêncio, conquistaram o título de vice campeã e campeã Amazonas de equipe.
  • Chiquinho Ramires, de Bela Vista, foi vice campeão Individual e Lucas Arnaldo, do Lino do Amaral Cardinal, Campeão Individual.
  • Tiago Pradela, Morcego, Maison Rocha, Nino Pradela e Poera, de Bela Vista, foram os vice campeões da Taça de Bronze. João Brasil, Bruno Garcia, Veloir, Eladio Chaves E Odilon, do Lino do Amaral cardinal conquistaram a Taça de Bronze, sagrando-se campeões.
    • Os vices campeões da Taça de Bronze Especial foram : Alexandre Matos, Luiz Alexandre, Leonardo de Jesus, Felipe Matoso e Luiz Guilherme, do Lino do Amaral Cardinal. Bela Vista sagrou-se campeão da Taça de Bronze Especial com: Marcio Passone, Lucas Falcão, Mersiates, Joaquim Pizani e Jari.
  • O Clube de Laço Lino do Amaral Cardinal foi campeão e vice campeão da Taça de Prata. O vice ficou com: Pompilio Jr, Alexandre Cardinal, Alfredo Cardinal, Claudio Siqueira e Rogerio Chaves. Já o lugar de campeão foi com: Paulo Jr, Mateus Cardinal, Eduardo Cavalheiro, Paulo Neto e Rodolfo Cardinal.
  • Joaldo Vieira, Thales Marques, Junior Barbosa, João Vitor Vieira e Wilian Magno, do Florêncio José Pereira da cidade de Antônio João, foram vice campeão da Taça de Ouro. O Clube de Laço Retiro Caracol sagrou-se Campeão da Taça de Ouro com: Maikel Zorzete, Pedro Henrique, Davi Cavalheiro, Lucas Godoy e Preguinho.

    As fotos foram feitas por: João Cabelho e Juliana Penha

MS é cenário de reunião entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul para discutir agricultura

MS é cenário de reunião entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul para discutir agricultura

No encontro que acontecerá em setembro, em Bonito, o grupo assinará uma declaração que trata de inovação e o princípio científico

Bonito (MS) – O grupo composto pelas cinco maiores economias emergentes do mundo – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – o BRICS, irá se reunir no Brasil em setembro e o destino escolhido será o município de Bonito, no Mato Grosso do Sul.

Para tanto o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SCRI/Mapa), embaixador Orlando Leite Ribeiro, contando com a parceria e auxilio do Secretário de Estado Jaime Verruck, da Semagro, esteve em Bonito, junto de sua equipe, na última segunda-feira, dia 22.

O intuito da visita foi de conhecer os espaços que o município oferece para a realização do evento, propriedades onde as atividades produtivas são realizadas de forma integrada, tendo lavoura, pecuária, floresta e atividades turísticas, evidenciando o uso de tecnologia e inovação e o que o estado tem de mais dinâmico, competitivo e sustentável nesses setores.

Com ajuda ainda do Secretário de Turismo, Industria e Comércio de Bonito, Augusto Mariano, a comitiva conheceu alguns pontos turísticos que deverão entrar na agenda dos participantes do encontro, que deve durar dois dias.

Na agenda devem ser incluídas visitas a propriedades rurais com atividade integrada

Sobre a escolha de um dos principais pontos turístico de Mato Grosso do Sul para realização do encontro, o Secretário Jaime Verruck, comemorou ao destacar que ‘os olhos do mundo’ estarão voltados para Bonito durante esse período. “Bonito será visto por representantes de países que, juntos, somam 40% da economia mundial. Alguns de nossos principais destinos turísticos serão divulgados nesses países, em grandes canais de comunicação, o que torna a escolha da agenda, algo estratégico para que possamos extrair o máximo dessa visita”.

O apoio do Prefeito Odilson Soares, através da atuação do Secretário Augusto e a parceria com o sistema ‘S’, o trade turístico e as instituições ligadas ao comércio e ao setor produtivo, também foram destacadas por Verruck que acredita que além da economia local ganhar muito com a realização do evento em Bonito, o Brasil ganha ao colocar em evidência um destino consolidado e que está entre os mais belos de todo mundo.

O Embaixador Orlando disse que a missão é das mais difíceis, fazendo referência em especial a tarefa de escolher apenas dois ou três pontos turísticos para incluir na agenda dos Ministros. “Eu acredito que a agenda em Bonito será inesquecível para todos”. Completou.

Sobre as pautas do encontro, Orlando destacou como sendo uma das principais, a assinatura de uma declaração que inclui especialmente temas como a inovação, e o princípio científico – que é a oposição do princípio da precaução.  “Nós conseguimos fechar um documento prévio que agrada a todos os membros do grupo”. A proposta a que se refere contém 27 parágrafos.

Propriedades com atividades integradas foram visitadas

Para a reunião que terá como tema a ‘Promoção da Inovação e Ações para o Desenvolvimento de Novas Soluções para Sistemas de Produção de Alimentos’ Orlando espera que sejam dedicados um pouco mais de tempo as questões bilaterais. Ele explicou que os países reunidos têm realidades muito heterogêneas, e ter uma agenda comum na discussão de temas ligados a produção abre caminho para maior aproximação. “Lembrando que temos nações que são exportadoras de alimentos, como é o caso do Brasil. Temos países importadores de alimentos, caso da África do Sul, e temos países que são os dois como é o caso da China, um dos maiores exportadores e também um dos maiores importadores de alimentos”.

“Todos os assuntos que serão tratados são extremamente relevantes: o acesso dos lácteos brasileiros à Rússia, questões envolvendo frutas para Índia. No caso da China, haverá uma agenda enorme que vai de frutas a proteínas animais e, com a África do Sul, temos a questão das carnes de aves”, exemplificou.

Fizeram parte da comitiva que visitou a Fazenda Serradinho, do ex-Prefeito Nercy Soares dos Santos, o Centro de Convenções, o espaço do ‘ECOSESI’ e a Fazenda São Geraldo, além do Embaixador Orlando e o Secretário Jaime Verruck, a Coordenadora Geral de Adidos da Agricultura, do MAPA), Alessandra Beig Jordão, e os Assessores Internacionais do MAPA, Aurélio Rocha e Giovanni Coelho, além do Assessor Legislativo da Semagro, Marcus Vinícius Perez, o Markito.

BRICS

Formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo é atualmente presidido pelo Brasil.  Na presidência de turno do grupo, o Brasil é responsável por coordenar atividades, apresentar iniciativas de cooperação e organizar cerca de cem reuniões, entre elas a que irá acontecer no Mato Grosso do Sul.

Os grandes temas prioritários da presidência brasileira são: ciência e tecnologia e inovação, saúde – que é um tema importante para a população de todos países participantes – e o tema da maior aproximação dos empresários do setor privado com o Novo Banco de Desenvolvimento, que é a primeira e única instituição financeira de vocação global criada e controlada não por países desenvolvidos, mas por economias emergentes.

Também estão entre as prioridades da presidência do Brasil a cooperação intra-agrupamento e as iniciativas que possam fazer diferença na vida dos cidadãos dos países dos BRICS.

Histórico

O acrônimo “BRICs” originou-se em estudo da Goldman Sachs de 2001 intitulado “Building Better Global Economic BRICs” e se referia a Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2006, os quatro países decidiram dar ao conceito expressão política e iniciaram coordenação sobre temas da agenda econômica internacional, o que se intensificou depois da crise econômica de 2008. A primeira Cúpula do BRICs realizou-se em 2009, em Ecaterimburgo (Rússia). Desde então, os encontros têm sido realizados anualmente. A África do Sul juntou-se em 2011, quando foi incorporado o “S” maiúsculo (BRICS) no nome do grupo.

Texto e fotos de Kelly Ventorim, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (SEMAGRO), com informações do Ministério das Relações Exteriores

Novos investimentos já produzem  efeito em Porto Murtinho

Novos investimentos já produzem efeito em Porto Murtinho

Novos investimentos já produzem efeito em Porto Murtinho

Um dos últimos municípios do Estado a ter o acesso pavimentado – em 2003 foi inaugurado o trecho final da BR-267, de 213 km -, Porto Murtinho rompe o isolamento histórico para se tornar um dos principais entrepostos comerciais do país. Ao promover o fomento ao transporte fluvial, como estratégia para escoamento de grãos, o Governo do Estado transformou Murtinho no caminho natural para se chegar ao mercado asiático. Os investimentos que a cidade receberá nos próximos anos, quando se tornará um centro portuário do interior brasileiro, já produzem resultados no presente: os imóveis na cidade já valorizaram até 400%.

O extremo sudoeste, na fronteira com o Paraguai, saiu da condição de fim de linha para centro de uma rota rodo-fluvial que barateia os custos e potencializa a produção primária de Mato Grosso do Sul no competitivo centro consumidor mundial. Porto Murtinho terá, em dois anos, quatro portos operando na Hidrovia do Paraguai e, em 2023, será o eixo do Corredor Bioceânico (Atlântico-Pacífico) por rodovia, com a construção da ponte sobre o mesmo rio.

“Porto Murtinho será um novo centro portuário brasileiro”, projeta Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar. “O desenvolvimento da região é algo concreto, tem cronograma e está acontecendo, impulsionado pelos incentivos fiscais do Programa de Estímulo às Exportações e Importações, criado pelo governo em 2015, e pelos investimentos públicos para viabilizar a Rota Bioceânica.”
Competitividade

A resposta do setor privado foi imediata com os incentivos do Estado para eliminar os gargalos da hidrovia – retirando a obrigatoriedade da paridade de exportação para grãos, isentando-a, na prática, de tarifa. Com a construção de três novos portos e a perspectiva de um quarto, de um grupo paranaense, mais de R$ 450 milhões serão injetados em Murtinho em dois anos. Somando os investimentos do Estado e da União em infraestrutura, chega-se ao valor expressivo de R$ 650 milhões.

A capacidade de escoamento fluvial de commodities do município, hoje de 460 mil toneladas/ano, será ampliada para seis milhões de toneladas/ano a médio prazo, segundo cenário desenhado pelo Estado. “Mato Grosso do Sul será o novo hub logístico para a América do Sul”, afirma o governador Reinaldo Azambuja. “É fundamental essa expansão logística porque o Estado deve aumentar para 1,5 milhão de hectares a área plantada em 10 anos”.

O impulso econômico ao município e o cenário favorável ao agronegócio confirmaram uma tendência mundial: a hidrovia barateia o custo Brasil. A atratividade do Rio Paraguai para os grãos gerou um ganho aos produtores rural da região serrana do Estado. As empresas de trade pagam hoje até R$ 2,00 a mais por saca em função da redução do frete das cargas, que eram levadas por grandes distâncias até os portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP).

Com a implantação do corredor rodoviário bioceânico, a partir de 2023, prazo para conclusão da ponte sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta (Paraguai), Mato Grosso do Sul reduzirá em 8 mil km a distância marítima para chegar os produtos ao principal mercado, o asiático. Partindo de Campo Grande, são 1.900 km até os portos do Chile, no Oceano Pacífico. Um novo caminho, mais ganhos, empregos e competitividade.

Preço da terra saltou com novo “boom” 

Fundado há 107 anos, Porto Murtinho foi, até há alguns anos, a região mais abandonada e isolada de Mato Grosso do Sul, depois de passar por vários ciclos econômicos enquanto palco da erva mate, tanino e charque, testemunhado pelo seu patrimônio arquitetônico. Foi também, até início dos anos de 1980, castigada pelas enchentes doRio Paraguai, que inundavam a cidade, obrigando a mudança da população para a chamada Cidade de Lona.

Um cenário de decadência e pobreza que se expandia pelo outro lado da fronteira, o Alto Paraguai, por falta de perspectivas de desenvolvimento e ausência dos governos. A chegada do asfalto pela BR-267, em 2013, vislumbrou mudanças, fomentou o turismo e o olhar do setor produtivo mirou Murtinho com a implantação do porto público-privado, em operação.

A partir de 2015, o Programa de Estímulo à Exportação ou Importação (Proeip), criado pelo Governo do Estado, turbinou o escoamento de grãos pelo Rio Paraguai e viabilizou o terminal portuário, fechado por oito anos por demandas judiciais e má gestão. A iniciativa deu certo e mudou a realidade da região.

Novos horizontes

Porto Murtinho se prepara para ser o principal polo exportador da região Centro-Oeste com a implantação de uma infraestrutura intermodal hidro-rodoviária, com quatro novos portos e a ponte internacional. Esse “boom” já reflete na cidade, onde o preço dos terrenos urbanos aumentou em 400%, e tem atraído empreendedores dos de calcário, cerâmica, comércio e hoteleiro, além da expansão da agricultura com a facilidade de escoamento.

A expansão imobiliária já é uma realidade com o lançamento de loteamento com 625 lotes a R$ 25 mil.

Empresariado aposta na “cereja do bolo” 

“A região está se tornando uma nova fronteira agrícola”, aposta o empresário Peter Ferter, 47, um dos sócios da FV Cereais, que pretende operar em abril de 2020 o porto em construção ao lado do dique de contenção de enchentes. O grupo foi um dos primeiros a acreditar no potencial da região com os incentivos fiscais concedidos pelo Estado. “As dificuldades de logística eram extremas, enquanto temos um rio de riquezas pouco exploradas”, diz.

Um dos maiores exportadores do Estado (1,2 milhão de toneladas/ano de soja e milho), a FV Cereais, com sede em Dourados, investe R$ 110 milhões no terminal, que terá capacidade para movimentar dois milhões de toneladas/ano de grãos e açúcar. O grupo também vai importar fertilizantes do Uruguai, de onde já embarcou uma carga experimental de duas mil toneladas em 2018, com valor 8% mais barato em relação ao custo de transporte via Paranaguá.

“Consideramos a região a cereja do bolo”, afirma o empresário Neodi Vicari, da Mécari Distribuidora. O grupo investe R$ 16 milhões na construção de um terminal para estacionamento para rodotrens, com capacidade inicial para 400 caminhões, dobrando na fase seguinte, quando a estrutura vai dispor de hotel com 120 leitos, minishopping e posto de combustível. Situada no km 679 da BR-267, a estação vai regular o fluxo de caminhões aos portos.

O potencial logístico valorizou as terras da Fazenda Santa Carmen, que possui 14 mil hectares e cinco mil cabeças de gado e tem 15 km margeando o rio para serem explorados. Já vendeu 50 hectares para a FV Cereais e negocia mais 50 hectares com um grupo paranaense. “Pedimos R$ 12 milhões pela área e eles nem questionaram”, afirma o gerente Mário Roberto Miolle, 65. “A fazenda também quer investir em porto para exportar boi confinado em pé”, anunciou.

Bioceânica: pavimentação do Chaco Paraguaio é uma realidade e deverá ser concluída em 2022

Bioceânica: pavimentação do Chaco Paraguaio é uma realidade e deverá ser concluída em 2022

Bioceânica: pavimentação do Chaco Paraguaio é uma realidade e deverá ser concluída em 2022

Campo Grande (MS) – Com previsão de conclusão em 2022, avança pela região do Chaco (Pantanal paraguaio) a pavimentação da rodovia que integrará o Corredor Bioceânico Atlântico-Pacífico. A obra garantida pelo Paraguai consolida o projeto de integração comercial, em discussão há décadas, do qual faz parte a construção da ponte de concreto sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, também financiada pelo vizinho país.

A implantação da rodovia, que totaliza 497 km – Carmelo Peralta a Marechal Estigarribia, na fronteira com a Argentina – corresponde ao único trecho da Bioceânica não asfaltado. Da Argentina aos portos de Iquiqui e Antofagasta, no Chile, o corredor conta com pavimento de qualidade, percorrido em 2017 pela expedição realizada por empresários do setor de transportes de Mato Grosso do Sul. A nova rota tem 1.900 km, a partir de Campo Grande.

Ao participar do lançamento da licitação para elaboração do projeto executivo da ponte, em ato realizado no dia 20 de julho em Carmelo Peralta, com a presença do presidente do Paraguai Mário Abdo Benítez, o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, destacou a importância da arrojada infraestrutura rodoviária para ligar o Estado à costa do Pacífico. Também realçou o compromisso do Paraguai em concluir o conjunto de obras até 2023.

Trecho da Rodovia do Chaco, em Carmelo Peralta, sendo preparado para pavimentação

Novo Canal de Integração

“Todos ganharão com a abertura desse corredor, o Brasil, o Paraguai, a Bolívia, a Argentina e o Chile, com o incremento das exportações e importações entre os países e a competitividade dos nossos produtos”, disse o governador. Ele também citou o fomento ao turismo e a integração cultural, além da geração de mais empregos e o desenvolvimento da região fronteiriça. “São iniciativas que também fortalecem as relações entre Brasil e Paraguai.”

Para José Alberto Alderete, diretor-presidente da Itaipu Paraguai, “estamos construindo um novo Canal de Panamá da América do Sul, unindo Atlântico e Pacífico”. A multinacional investirá R$ 290 milhões na construção da travessia no Rio Paraguai. O presidente do Paraguai, Mário Benítez, declarou emocionado, ao lançar a licitação da ponte, que a integração física será “o motor de desenvolvimento do meu país, que não tem litoral, e se conectará ao mundo”.

Superar o Chaco é desafio

O grau de dificuldades para pavimentar a rodovia do Chaco Paraguaio, devido às condições de solo e clima e distância do material de compactação, se assemelha ao desafio enfrentado pela engenharia brasileira para implantar 220 km da BR-262, cortando o Pantanal de Miranda a Corumbá, nos anos de 1980. Segundo o engenheiro Paulo Soares, da Queiróz Galvão, empresa que integra o consórcio contratado para executá-la, cumprir prazos é “um combate diário”.

Paulo Soares, engenheiro responsável pelo primeiro trecho da obra

Soares informou, no entanto, que o primeiro trecho, de 227 km, segue seu cronograma em duas frentes – Carmelo Peralta e Loma Plata -, com previsão de conclusão do primeiro lote em setembro, de 24 km. Esse é o total a ser pavimentado a cada três meses, conforme o contrato. “Estamos transportando pedra de uma distância de 400 km. O material existente é muito úmido e de baixa qualidade, que está sendo melhorado com uma composição com cal e cimento”, disse.

A obra executada pelo Consórcio Corredor Vial Oceânico (Queiróz Galvão e Ocho A, esta empreiteira paraguaia) tem 20 trechos nessa primeira etapa e custará U$ 420 milhões. O primeiro trecho em Carmelo Peralta está com 42% concluído, e de Loma Plata, 39%, incluindo quatro pontes. O serviço está sendo executado na região de maior fluxo de água e conta com 600 operários e 400 equipamentos. A segunda fase, de 220 km, deverá ser licitada ainda esse ano.

Texto: Sílvio de Andrade – Subsecretaria de Comunicação (Subcom)

Fotos: Chico Ribeiro/Governo do Paraguai