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Afinal, quem é essa tal de Marielle? Por Marco Asa

Marielle

(Marco ASA) – Hoje ouvi a seguinte frase: “até ontem ninguém sabia quem era essa tal de Marielle. Hoje, tá todo mundo chorando a morte dela”. Olhando “de fora”, a pessoa tem razão. Ela era uma vereadora do Rio de Janeiro e sua vida política era dedicada à cidade… Mas, o que Marielle representa (sim, continua representando, além de seu passamento)? Bem, aí já é outra coisa.

Marielle representa uma ideia de país igualitário que está sendo destruído sistematicamente há dois anos. Uma mulher, negra, LGBT, que nasceu e se criou em uma das favelas mais violentas do Rio de Janeiro, que fez cursinho na própria favela e cursou Sociologia com bolsa integral por seus méritos. Chegou a ser mestre em Administração Pública em uma universidade pública, elegeu-se vereadora, sendo a quinta mais votada no Rio.

Ela é um exemplo perfeito de uma geração que teve ferramentas pra fugir dos trabalhos destinados aos favelados. Ela conseguiu não ser empregada, babá, atendente de loja, tudo por méritos próprios. Ela viajava de avião ao lado dos bem-nascidos. Ela tinha um motorista para ajudar em seu trabalho na cidade. Ela não ficava mandando cartas para o Luciano Huck para reformar seu barraco pra depois chorar a caridade do branco rico.

Ele era o exemplo perfeito de uma população que, talvez em algumas décadas, seria igualitária, como na Europa. Ou seja, todo mundo ganhando mais ou menos a mesma coisa e tendo as mesmas oportunidades.

Marielle era o exemplo de pessoa que poderia ser o que quisesse, não o que a casa grande impunha à senzala.

Marielle é o exemplo de país que uma grande maioria de brasileiros pensantes quer para si e que estava sendo construída. Gente que sabia analisar.

Marielle é o exemplo de líder político engajado, que não ficava viajando e fazendo campanha com dinheiro público e dizendo, na propaganda mentirosa na TV que “trabalha, trabalha, trabalha”.

Marielle não defendia bandido. Ela denunciava bandidos, fardados ou não, que chegam atirando aonde a mídia não chega (porque não quer chegar). Ironicamente, um dos últimos contatos de trabalho que ela estava investigando era da família de um policial morto por assaltantes quando descobriram sua profissão.

Marielle é um exemplo do Brasil que muita gente queria (EU TAMBÉM), onde todo mundo tem as mesmas oportunidades e não há “castas”. Em a competição do “eu tenho e você não tem”, a violência diminuiria drasticamente. Afinal, se todo adolescente pudesse comprar um tênis, pra que roubar?

Bem, essa foi Marielle. Essa É MARIELLE. PRESENTE!

Marco ASA é jornalista, publicitários e escritor. Contatos pelo portalautoasa@gmail.com