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Bela Vista-MS Segunda-Feira, 22 de Junho de 2026

* “É inconcebível. É falta de planejamento estratégico, é falta de bom senso, é falta até de humanidade com o povo brasileiro, que está passando fome”*

 A senadora Simone Tebet (MDB-MS) apresentou requerimento de informações ao Ministério de Minas e Energia para que a Petrobras responda questionamentos sobre o destino da fábrica de fertilizantes (UFN3) em Três Lagoas, MS.

Ela afirma que o Brasil não pode aceitar que o alto investimento já canalizado para a produção de fertilizantes nacionais seja transformado em uma estrutura fabril de uma “misturadora de insumos”, como noticiado recentemente.  “A maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina, que é nosso patrimônio, está sendo vendida para uma empresa russa, não para produzir fertilizantes no Brasil, mas para misturar o fertilizante da Rússia. É inconcebível. É falta de planejamento estratégico, é falta de bom senso, é falta até de humanidade com o povo brasileiro, que está passando fome. Alguém tem que dar uma explicação sobre isso. Em oito meses, essa fábrica tem condições de ficar pronta. Em oito meses, nós podemos ficar menos dependentes da Rússia em pelo menos 50% dos fertilizantes nitrogenados”, disse.

Simone lembrou que enquanto prefeita de Três Lagoas, em 2010, doou uma área para a construção da fábrica que já está 83% pronta, mas teve a obra paralisada após a crise do Petrolão. Na época, a expectativa era de que tal fábrica reduziria em reduzir 50% a necessidade de importação de fertilizantes hidrogenados.  “A decisão (de transformar a fábrica em misturadora) desvirtua a eficiência do gasto público, prejudica o agronegócio brasileiro, impacta severamente o investimento de capital e de tecnologia de ponta, bem como aumenta a dependência de importação de fertilizantes com reflexos no custo da comida que chega ao prato do povo brasileiro”, diz Simone em seu requerimento de informações, no qual pede esclarecimentos sobre as medidas a serem adotadas quanto à perspectiva de investimentos na produção de fertilizantes no país, especialmente, sobre a venda da UFN-3 para o grupo russo Acron.

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Em Plenário, a senadora disse que a guerra da Rússia com a Ucrânia produziu um rearranjo das relações geoeconômicas e atinge fortemente as economias do mundo. Ressaltou que o Brasil, apesar de ser um dos maiores exportadores do mundo de grãos, ainda não é autossuficiente em fertilizantes, o que prejudica a redução dos preços dos alimentos e da comida mais barata na mesa do trabalhador brasileiro.

A senadora relatou que após três leilões, a Petrobras resolveu vender o empreendimento de Três Lagoas para a maior fábrica de fertilizantes da Rússia. “Para quê? Não é para fertilizante no Brasil. É para fazer misturadora com fertilizantes da Rússia, ou seja, nós estamos entregando um patrimônio nacional, dinheiro público que foi investido, nosso, para continuar dependentes da Rússia, de fertilizantes. Ou alguém acha que o Presidente Putin vai autorizar a maior fábrica dele a fazer fertilizantes no Brasil? Até porque não está no contrato dela”, alertou.

 A senadora encontrou-se com o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna,  na semana passada e disse que o Brasil não pode admitir tal negociação. Para ela, mais do que uma questão de soberania, está a preocupação com a possível falta de fertilizantes para a próxima safra de outubro, novembro e dezembro no Brasil. “Uma fábrica que pode ser construída em oito meses, pela própria Petrobras, talvez com 2 bilhões, que pode ser vendida por 5 bilhões para qualquer cooperativa no Brasil, para qualquer empresa no Brasil, para poder colocar na nossa lavoura. O que eu quero dizer com isso é que o assunto é muito sério”, disse.

 A senadora Simone recebeu a adesão dos colegas que subscreveram seu requerimento de informações sobre a produção de fertilizantes no Brasil.

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Vídeo: Simone Tebet apresentar pedido de informação à Petrobras sobre transformar fábrica de fertilizantes UFN3 em misturadora