Falar de Fernanda de Oliveira Vieira é falar de cultura. Produtora cultural há 30 anos, é moradora e vem atuando na Serra há 25 anos, Realizadora de 7 edições do Festival da Canção, realizado em Nova Almeida/ES, nos anos 2006, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2022 (essa última edição na modalidade virtual), atingindo um público estimado em 20.000 pessoas. Artista autodidata, é mosaicista no campo das artes visuais tendo coordenado a restauração da Estátua de Chico Prego, na praça da Serra -Sede e o Banco de Reis, no Sítio histórico Reis Magos. Como produtora artística atua no desenvolvimento de carreiras musicais de diversos gêneros. Profissionalmente atua como produtora executiva em eventos e projetos em todo o território capixaba e já alcançando todos os cantos do Brasil. Mas falar da restauração da estátua de Chico Prego e reviver a história.
Chico Prego é a representação de uma das maiores revoluções que aconteceram no Espírito Santo. Chico, que era escravo, foi líder da revolução em Queimado, morto por enforcamento no município em 11 de janeiro de 1850. Em 19 de março de 1849, escravos da localidade de São José do Queimado, hoje distrito de Queimado, se revoltaram por causa de uma promessa do frei italiano Gregório José Maria de Bene. Se os escravos construíssem a igreja de São José, teriam alforria, mas isso não aconteceu.
Mais de 300 homens, mulheres e até crianças participaram dessa rebelião capitaneada por Chico Prego, João da Viúva, Elisiário entre outros líderes que articularam seu povo para tomar a liberdade com as próprias mãos. A insurreição foi um movimento tão forte que para contê-la foram necessárias forças vindas do estado vizinho.
Os rebelados foram presos e julgados, cinco deles condenados à morte. Um dos líderes da Revolta, Elisiário, escapou da cadeia e refugiou-se nas matas do Morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi recapturado. Chico Prego foi capturado e enforcado, em 11 de janeiro de 1850. Hoje, ele nomeia a Lei de Incentivo Cultural do Município.
O sítio histórico do Queimado, que foi palco do principal movimento contra a escravidão no Espírito Santo: a Insurreição do Queimado, fica localizado a cerca de 25 quilômetros da capital do Estado, Vitória. De acordo com o historiador Clério Borges, no documentário ‘Queimado – A luta pela Liberdade’, do diretor Rogério Martins, o extermínio vitimou mais de 100 negros logo nos dois primeiros dias, que tiveram seus cadáveres jogados em que lagoa, que na época recebeu o sombrio apelido de ‘Lagoa das Almas’
Nascido em 1655, Zumbi dos Palmares foi batizado com o nome “Francisco”; foi letrado em português e latim. Aos 15, fugiu para Palmares, local em que mais tarde lideraria a resistência negra, marcando seu nome para sempre na história do país. Mas a Serra, hoje lar de quase 600 mil habitantes, também teve um escravo insurgente, guerreiro corajoso e tenaz, de nome Francisco, assim como o nome de batismo de Zumbi.

Fernanda registra o encontro de dois importantes representantes da cultura em nossa região: à esquerda, Leonardo, coordenador cultural do nosso ponto de cultura, e à direita, Eleazar, prefeito de Fundão. Um dia especial que ficará na memória, marcado por discussões significativas sobre o desenvolvimento cultural e o intercâmbio entre Nova Almeida e Praia Grande. Uma reunião extremamente produtiva, que reforçou laços e promete grandes avanços no futuro.
No século XIX, Francisco era escravo em uma fazenda que pertencia à Ana Maria de São José, localizada na região circunvizinha de Serra Sede. Francisco era popularmente conhecido como Chico Prego, um homem negro, descrito como forte, robusto e corajoso.
Palco de uma insurreição de escravos liderada pelos heróis Chico Prego, João da Viúva e Elisiário, em 1849, o local foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1993. Na época a cidade tinha como prefeito Audifax Barcelos.
Mas a altivez de Fernanda não é só na história. O 8º Festival da Canção de Serra – ES está chegando! O talento musical será mostrado nos dias 21 e 23 de fevereiro de 2025, na encantadora Praça dos Pescadores, em Nova Almeida. E assim falar de Fernanda Vieira é falar de Arte, de Musica e Cultura. É falar de Festival de Canção é falar de Teodorico Boa Morte , é falar de mim. Fernanda transpôs magistralmente poemas de minha lavra como a premiada “O prélio do amor sem fim” e “ O que eu sei do amor” transformou-as em música realizando um trabalho extraordinário e incrível.
Aliás, Teodorico Boa Morte foi uma importante figura no cenário cultural da cidade da Serra, escreveu mais de 600 poesias, trabalhou por muitos anos como guardião da Igreja de Reis Magos, em Nova Almeida. Boa Morte era fundador da Aleas (Academia de Artes e Letras de Serra), ocupante da cadeira número 15. Entre os 15 livros que publicou. destacamos: “Borbulhar de Cantares” (2011, poesias), “A Igreja dos Reis Magos de Nova Almeida” (2013, história, poesia e fotografias), “Serra, Serra, Serrador” (2014), “Histórias para crianças e lendas da Serra”. Outrossim, ao falar sobre a cultura e tradição de determinado território, estamos resgatando a memória coletiva de um povo, reconhecendo e valorizando as suas raízes. É por meio do conhecimento das tradições e costumes locais que podemos entender melhor a história e a formação de uma comunidade, compreendendo as influências que moldam a cultura local.
Além disso, estamos proporcionando uma oportunidade para que as novas gerações conheçam e se orgulhem da sua herança cultural. A importância de falar sobre a cultura local e tradicional do território em que vivemos é tamanha, é nossas raízes que falam sobre nossa essência, sobre o que acreditamos e pelo o que lutamos. É possível garantir a continuidade e a valorização da história que nos precedeu, possibilitando também que as futuras gerações prosperem com base nas conquistas e saberes do passado Não se omita a falar sobre a história que escreve a sua história porque nossa cultura e nossa tradição, nosso lugar, é também nossa identidade. Ao transmitir esses conhecimentos aos mais jovens, estamos garantindo a preservação de memórias que podem refletir na construção de uma nova realidade. Vida longa a Fernanda Vieira.

Foto 3 Em postagem de Fernanda ela assevera “Na terra onde o rio abraça o mar, Nova Almeida é raiz e futuro, do céu vem a força e seu chão é seguro. Teu povo é puro, tua alma é poesia. És vila encantada cheia de magia. Parabéns Nova Almeida! Gratidão eterna por esse paraíso que me acolheu e me permitiu ser quem eu queria ser. NOVA ALMEIDA 468 anos de História .”

Foto 4 Etapa de renovação. Após enfrentarem os desafios das fortes chuvas e problemas com a climatização, retornam com muito carinho para revitalizar o espaço cultural, que é como uma segunda casa para os artistas de Nova Almeida. Essa reforma traz conforto e segurança para todos os frequentadores.
* Articulista