Após protestos, vereadores farão reunião para decidir sobre nova audiência pública ou até revogação da medida
Com a Câmara Municipal lotada por moradores, empresários e trabalhadores do setor turístico, os vereadores de Bonito, a 297 km de Campo Grande, discutiram na manhã desta segunda-feira (24) a cobrança da taxa de R$ 15 por dia para turistas que visitarem a cidade a partir de 20 de dezembro de 2025. Entre os 11 parlamentares, surgiram propostas para realização de uma audiência pública e até mesmo para revogar a medida.
A Câmara Municipal de Bonito, Mato Grosso do Sul, foi palco de intenso debate sobre a Taxa de Conservação Ambiental (TCA) de R$ 15, que será cobrada de turistas a partir de dezembro de 2025. A sessão contou com forte presença de moradores, empresários e trabalhadores do setor turístico, que se manifestaram contra a medida. Vereadores propuseram a revogação da taxa, instituída pela Lei Municipal nº 162/2021, argumentando falta de diálogo com o setor. A prefeitura defende que a cobrança seguirá modelos de outros destinos turísticos e financiará ações ambientais. Crianças até 7 anos, moradores e trabalhadores locais serão isentos.
A taxa, chamada TCA (Taxa de Conservação Ambiental), foi instituída pela Lei Municipal nº 162/2021, ajustada pela Lei nº 169/2022, e regulamentada por decreto do prefeito Josmail Rodrigues (PSDB).
A cobrança será destinada ao financiamento de ações ambientais, como coleta e destinação de lixo, monitoramento, infraestrutura de acesso e educação ambiental. A prefeitura afirma que segue modelos adotados em destinos como Jericoacoara, Chapada dos Veadeiros e Lençóis Maranhenses.
Segundo o decreto, turistas deverão emitir e pagar a guia pelo site da prefeitura, apresentando a comprovação nas agências de turismo antes de acessar os atrativos. Crianças de até 7 anos, moradores e trabalhadores em serviço nos atrativos serão isentos, e a fiscalização ficará sob responsabilidade das Secretarias de Turismo e Administração.
Mesmo assim, a medida provocou forte reação do setor turístico, que compareceu em peso à sessão. O vereador André Luiz Ocampos Xavier (PSDB) afirmou à reportagem que apresentará ainda esta semana um projeto de lei para revogar a taxa e foi aplaudido pela plateia. “A Comtur (Conselho Municipal de Turismo), que é responsável por isso, não realizou uma audiência com o trade turístico. Não há nenhum registro em ata dessa reunião”, afirmou.
Ex-funcionário do setor por dez anos, André classificou a cobrança como “extremamente negativa”. “Quem comprou passeios antes não sabia da taxa. Isso pareceu uma sabotagem ao setor”, disse. Ele relatou que a sessão teve ânimos exaltados e até presença policial ao final. “Eu e o vereador Alemão iremos apresentar um projeto para revogar a taxa”, declarou.
Na sessão, o vereador Angelo Carlos P. Cheres, o Alemão (PL), também defendeu o fim da cobrança. “A grande maioria dessa cidade vive do turismo”, afirmou, citando o impacto financeiro para famílias. “Você chega e tem que pagar 75 reais de taxa para uma família de cinco pessoas.”
A vereadora Ramona de Lima Aquino, a Professora Ramona (PSB), reforçou o posicionamento contra a taxa e destacou a rara lotação do plenário. “A gente sempre tem público reduzido nas sessões. Hoje é uma sessão especial”, disse. Para ela, a cobrança prejudica turismo, comércio e geração de empregos. “Vamos propor a revogação do decreto.”
Na defesa da medida, o líder do prefeito, vereador Adão Carlos Duarte (União Brasil), argumentou que a lei foi votada em outra gestão e discutida com representantes do setor. “Foram feitas várias reuniões com o trade turístico. É uma lei que já foi homologada”, declarou, sob vaias. Ele explicou que a cobrança é por pessoa, e não por passeio, mas admitiu possibilidade de diálogo. “Se o Executivo aceitar uma reunião para abaixar, nós podemos. A gente precisa de consenso.”
Durante a sessão, o presidente da Câmara, Paulo Henrique Breda Santos, o Professor PH (PSB), pediu silêncio ao público enquanto o líder do prefeito falava e, posteriormente, afirmou que os vereadores estão abertos a ouvir a população.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio da TV ALEMS, apresenta um especial dedicado a cidade de Bonito-MS, um dos principais destinos turísticos do Brasil e referência mundial em preservação ambiental. O conteúdo reforça o compromisso do Parlamento com a valorização das riquezas naturais do Estado e com o incentivo a políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
Ao longo do programa, a equipe percorre rios de águas cristalinas, trilhas e atrações que fazem de Bonito um patrimônio ecológico reconhecido mundialmente. Além da beleza natural, o material destaca iniciativas que fortalecem a economia local, ampliam a geração de empregos e estimulam um turismo responsável, pautas que têm recebido atenção constante dos deputados estaduais.
O conteúdo completo estará na programação da TV ALEMS, no youtube do legislativo estadual e nas redes oficiais da Assembleia Legislativa de MS. Confira:
Em mais uma ação voltada ao fortalecimento do turismo sustentável e seguro em Bonito, o deputado estadual Paulo Corrêa, 1º secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, articulou junto ao Corpo de Bombeiros Militar a realização de um curso de formação e atualização para guarda-vidas e guias turísticos que atuam no município.
O treinamento, que teve início nesta terça-feira (4), é resultado de uma solicitação conjunta do prefeito Josmail Rodrigues, da vice-prefeita e secretária de Turismo Juliane Salvadori, e da empresária Luiza Coelho, do Grupo Rio da Prata. A proposta foi discutida em reunião realizada no gabinete de Paulo Corrêa, em Campo Grande, no dia 12 de setembro, com a presença do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Frederico dos Reis Pouso Salas.
Para Paulo Corrêa, ações fortalecem o turismo seguro e impulsionam a geração de renda no município.
Nesta primeira etapa do curso, 18 alunos participam da formação inicial e 10 da atualização profissional. De acordo com a Prefeitura de Bonito, devido à grande procura, uma nova turma já está prevista para o período de 24 a 28 de novembro, com 43 inscritos na lista de espera.
“Nosso compromisso é fortalecer o turismo responsável e seguro em Bonito. Tenho orgulho de ser o deputado de Bonito e de contribuir para que o município continue sendo referência em preservação ambiental e qualidade na experiência turística”, afirmou Paulo Corrêa.
O prefeito Josmail Rodrigues destacou a importância da parceria entre as instituições. “Unir forças entre o poder público e a iniciativa privada é fundamental para garantir que nossos visitantes tenham uma experiência de segurança e organização em nossos destinos turísticos”, pontuou.
Para Paulo Corrêa, ações como essa reforçam o compromisso de Bonito com a segurança e a qualificação profissional, fortalecendo o turismo e impulsionando a geração de renda local.
“Bonito é um orgulho para Mato Grosso do Sul e para o Brasil. Nosso papel é apoiar quem trabalha todos os dias para cuidar desse patrimônio natural e fazer o turismo crescer com responsabilidade”, concluiu Paulo Corrêa.
O secretário municipal de Administração e Finanças de Bonito, Edilberto Cruz Gonçalves, conhecido como “Beto Caveira”, de 46 anos, teve a prisão preventiva decretada, suspeito de liderar um esquema de corrupção e fraudes em licitações no município, localizado a 259 quilômetros de Campo Grande.
A ordem de prisão partiu da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, e foi cumprida nesta terça-feira (7), durante a operação denominada “Águas Turvas”, que faz alusão às águas cristalinas da região.
Além do secretário de Finanças do município, também foram presos o arquiteto e urbanista Carlos Henrique Sanches Corrêa, 45 anos, proprietário da empresa Sanches e Corrêa que atua como fiscal de finanças, e Luciene Cíntia Pazette, responsável pelo setor de licitações e contratos.
Um empresário, que até o momento não foi identificado e é apontado como o quarto integrante da quadrilha, também recebeu ordem de prisão, mas ainda não foi localizado. No esquema, ele é apontado como beneficiário direto dos contratos fraudulentos.
A operação foi deflagrada pela 1ª Promotoria de Justiça de Bonito, com apoio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)
Além de Bonito, a força-tarefa cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Terenos e Curitiba (PR), em endereços ligados aos suspeitos e às empresas envolvidas no esquema.
No início da tarde, a reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura Municipal de Bonito, que informou que vai aguardar o transcorrer dos fatos e, a princípio, não vai emitir nota oficial comentando o ocorrido.
Participação na gestão
A nomeação para assumir a Secretaria de Finanças do município ocorreu quando o prefeito Jusmail Rodrigues, em dezembro de 2020, anunciou a equipe que acompanharia sua gestão pelos próximos quatro anos.
Essa não é a primeira vez que “Beto Caveira” termina preso. No dia 6 de abril de 2024, o secretário de Finanças foi flagrado dirigindo embriagado pela rodovia MS-178. Na ocasião, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro e, além de apresentar fortes sinais de embriaguez, acabou detido por desacato.
Durante a audiência de custódia, Edilberto Cruz Gonçalves pagou fiança no valor de três salários mínimos, que, à época, correspondiam a R$ 4.236,00, e foi liberado com medidas cautelares, como a proibição de frequentar bares e de consumir bebida alcoólica em público.
Entre as medidas cautelares impostas pela juíza Paulline Simões de Souza durante a audiência de custódia por dirigir embriagado, o secretário ficou proibido de deixar Bonito por mais de 30 dias ou mudar de residência sem comunicar a Justiça.
Operação
O Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS), após investigação por meio de investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), deflagrou nesta terça-feira (7) a operação Águas Turvas, em Bonito, município conhecido como principal roteiro turístico de Mato Grosso do Sul.
No total foram cumpridos quatro mandados de prisão, entre eles dentro da gestão do município, na Secretaria de Administração de Finanças, assim como 15 de busca e apreensão no município e em Campo Grande Terenos e Curitiba.
A investigação aponta que as fraudes estariam acontecendo desde 2021, ano em que Josmail Rodrigues assumiu o comando da prefeitura. No último dia 21 de setembro ele trocou o PSDB pelo PL.
Batizada de “Operação Águas Turvas”, em contraste às águas cristalinas que fizeram de Bonito um dos maiores polos de turismo natural do mundo, atuou com base em decisão judicial proferida no bojo de procedimento que apura os crimes de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, dentre outros delitos correlatos.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, licitações de obras e serviços de engenharia no Município de Bonito, desde 2021, assim como ocorria em Terenos, onde o prefeito chegou a ser preso no mês passado.
De acordo com o Ministério Público “são inúmeras licitações fraudadas mediante simulação de concorrência e previsão de exigências específicas estipuladas para direcionar o objeto do certame às empresas pertencentes ao grupo criminoso”.
De acordo com o MP, “o papel dos agentes públicos, em conluio com os empresários, consistia em fornecer informações privilegiadas e organizar a fraude procedimental, com vistas ao sucesso do grupo criminoso, em contrapartida ao constante recebimento de vantagens indevidas. O valor dos contratos apurados até o momento atinge o valor de R$ 4.397.966,86.”
A responsável pelo setor de licitações da Prefeitura de Bonito, Luciane Cintia Pazette, também está entre os presos durante Operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), realizada nesta terça-feira, em Bonito.
Luciane é esposa do vereador Pedrinho da Marambaia (PP), que inclusive lhe homenageou com moção congratulação na Câmara, no dia 29 de setembro deste ano.
“ O setor de licitações é o coração pulsante da administração pública, responsável por garantir a legalidade, transparência e a eficiência na aquisição de bens e serviços essenciais para a população… A dedicação, o profissionalismo e o rigor técnico demonstrado na condução dos trabalhos servem como exemplo e inspiração, sendo inestimáveis para o Município”, dizia o texto, com homenagem a outros servidores, além da esposa.
Também foram presos o secretário de Finanças, Edilberto Cruz, e Carlos Henrique Sanches Corrêa. Outro quarto preso não teve o nome divulgado e não havia sido localizado durante a operação.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, nos Municípios de Campo Grande, Bonito, Terenos e Curitiba (PR).
A reportagem apurou que entre os presos está o secretário de Finanças, Edilberto Cruz, Carlos Henrique Sanches Corrêa, e Luciene Cintia Pazette.
A reportagem entrou em contato com Josmail, mas ele disse que só vai se pronunciar depois. Ele não quis comentar a prisão do secretário e chefes da gestão dele.
O caso
O Gecoc constatou uma organização criminosa que fraudava licitações, praticando corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, dentre outros delitos correlatos.
“A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, licitações de obras e serviços de engenharia no Município de Bonito, desde 2021”, diz nota do MPE.
Segundo a investigação, são inúmeras licitações fraudadas mediante simulação de concorrência e previsão de exigências específicas estipuladas para direcionar o objeto do certame às empresas pertencentes ao grupo criminoso.
Os agentes públicos, em conluio com os empresários, forneciam informações privilegiadas e organizavam a fraude procedimental, com vistas ao sucesso do grupo criminoso, mediante recebimento de vantagens indevidas.
Os contratos apurados até o momento atinge o valor de R$ 4.397.966,86. Segundo o MPE, “Águas Turvas”, termo que dá nome à operação, faz alusão a algo que perdeu a transparência ou limpidez, e contrasta com a imagem do Município de Bonito, reconhecido por suas belezas naturais e águas cristalinas, que, contudo, vêm sendo maculada pela atuação ilícita dos investigados.
Um esquema de fraudes em licitações dentro da Prefeitura de Bonito levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a deflagrar, nesta terça-feira (7), a operação “Águas Turvas”. A ação é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com apoio do Gaeco (Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado), e cumpre 19 ordens judiciais em Bonito, Campo Grande, Terenos e Curitiba (PR).
Um esquema de fraudes em licitações dentro da Prefeitura de Bonito levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a deflagrar, nesta terça-feira (7), a operação “Águas Turvas”. A ação é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com apoio do Gaeco (Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado), e cumpre 19 ordens judiciais em Bonito, Campo Grande, Terenos e Curitiba (PR).
A reportagem do Campo Grande News procurou o prefeito Josmail Rodrigues (PSDB), mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.