set 19, 2026 | Bonito
Da pressão por resultados à necessidade de estabelecer metas, superar desafios e entender que nenhuma conquista acontece sozinha. Aprendizados construídos por Hortência Marcari ao longo de uma das trajetórias mais marcantes do esporte brasileiro ganharam novos significados para mais de 350 pessoas que participaram, nesta quarta-feira (16), em Bonito, da palestra “Lições de uma vida: atitudes e estratégias de uma campeã”.
Promovido pelo Sebrae/MS, o encontro realizado no Wetiga Hotel foi voltado para os empreendedores do município e integrou o Circuito Sebrae Conexões Regionais, iniciativa que leva conhecimento e inspiração a quem empreende em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
Para o gerente da Regional Oeste do Sebrae/MS, Matheus Oliveira, trazer referências nacionais para o interior do Estado amplia o acesso ao conhecimento e cria oportunidades para que empresários e lideranças reflitam sobre atitudes que fazem diferença na vida profissional. “A Hortência trouxe toda a experiência construída ao longo da carreira e provocou reflexões sobre persistência, disciplina e trabalho em equipe. São aprendizados que podem ser levados para o dia a dia e ajudar cada pessoa a buscar melhores resultados, tanto individualmente quanto nos negócios”, destacou.
Das quadras para os negócios
Campeã mundial em 1994, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e primeira brasileira a integrar o Hall da Fama do Basquete, Hortência compartilhou experiências de sua trajetória para mostrar como comportamentos desenvolvidos no esporte de alta performance também podem ajudar os empreendedores a tomarem decisões, trabalharem em equipe e buscarem resultados nos negócios.
Ao conversar com o público, a ex-atleta mostrou que os desafios de uma partida guardam semelhanças com aqueles enfrentados por quem empreende. Metas, concorrência, pressão, preparação e capacidade de reagir diante das dificuldades fizeram parte de uma palestra construída a partir de experiências vividas dentro e fora das quadras.
Para ela, antes de formar uma equipe de alta performance, é preciso entender a responsabilidade individual de cada pessoa. Depois, entra em cena uma das principais lições aprendidas no esporte: ninguém alcança grandes resultados sozinho. “O esporte traz força, dedicação, trabalho em equipe, companheirismo, concorrência, pressão, metas e objetivos, tudo o que uma empresa também precisa enfrentar. Eu trabalho primeiro a parte individual e depois a equipe. Procuro mostrar quais caminhos tomei, quais dificuldades enfrentei e como passei por elas”, afirmou Hortência.
A ex-jogadora também comparou os altos e baixos de uma partida às mudanças que fazem parte da rotina de empresas e da própria vida. Em determinados momentos, é preciso buscar o resultado; em outros, administrar uma vantagem conquistada. O importante, segundo ela, é desenvolver preparo para enfrentar os desafios e continuar avançando.

Inspiração para o dia a dia
As lições trazidas por Hortência Marcari, inspiraram quem assistiu a palestra. Dentre os participantes, esteve Junior Rodrigues que encontrou nas experiências da campeã um incentivo para olhar de outra forma para os obstáculos enfrentados no cotidiano. “A palestra foi maravilhosa e muito motivadora. Ela mostrou, a partir das próprias batalhas, como é importante continuar seguindo em frente e não permitir que os obstáculos nos façam parar. Foi uma experiência que inspira a gente a persistir”, relatou.
Mais do que atrair quem vive em Bonito, o evento também chamou a atenção de turistas presentes no município. Suziane Oliveira, da Secretaria de Inovação e ESG do município de Novo Airão, no Amazonas, foi até o município em uma missão-técnica promovida pelo Sebrae, e encontrou na palestra mais uma experiência para levar de volta ao seu território.
“Viemos do Amazonas para conhecer Bonito, aprender e voltar para o nosso município inspirados. Temos muitos desafios, inclusive no turismo, e a palestra mostrou que precisamos mudar atitudes, aceitar os desafios e persistir. Se desistirmos, nunca vamos experimentar o gosto de alcançar uma conquista. É essa mensagem que levamos para o nosso território”, contou.
Circuito Sebrae Conexões Regionais
Com palestras ministradas por convidados de renome nacional, o Circuito Sebrae Conexões Regionais percorre, no mês de setembro, cinco municípios sul-mato-grossenses com programação voltada para levar conhecimento e inspirar empreendedores. Além de Bonito, o evento já foi realizado em Campo Grande e Coxim, e agora passa por Dourados (25/09) e Três Lagoas (30/09).
As inscrições para as palestras previstas nos municípios já estão abertas e podem ser feitas de forma gratuita no link ms.loja.sebrae.com.br/circuito. Mais informações sobre o Circuito Sebrae: Conexões Regionais podem ser obtidas por meio do site ms.sebrae.com.br ou pela Central de Relacionamento por meio do número 0800 570 0800.
ago 31, 2026 | Bonito
Entre peças que carregam as cores da terra, saberes indígenas transformados em cerâmica e criações autorais que ganharam a passarela, a economia criativa foi protagonista no Festival de Inverno de Bonito (FIB) 2026. Durante os cinco dias de programação, empreendedores de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul encontraram no evento uma vitrine para apresentar trabalhos, comercializar produtos, trocar experiências e criar conexões com o mercado.
Realizado pelo Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Bonito, o festival contou com ações do Sebrae/MS voltadas à moda e ao artesanato. Um espaço de comercialização reuniu 30 expositores, enquanto 12 marcas participaram de um desfile de moda autoral na Praça da Liberdade. A programação também marcou o encerramento da Jornada Criativa, com a entrega de 26 certificados aos participantes da capacitação realizada em preparação para o festival.
Para a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, a presença dos pequenos negócios em um dos principais eventos culturais do Estado reforça uma relação que já faz parte da vocação de Bonito: a união entre cultura e turismo. “Bonito é um ícone da cultura associada ao turismo, e acreditamos que os pequenos negócios encontram nessa relação um mercado importante para gerar boas vendas. Temos comunidades indígenas, artesanato e diferentes expressões da economia criativa reunidas em uma grande celebração da cultura sul-mato-grossense”, destacou.
A moda foi uma das expressões dessa diversidade. Na Praça da Liberdade, a passarela levou ao público criações que transformaram referências do território, técnicas artesanais e diferentes identidades em roupas e acessórios. Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes, colocar essa produção em evidência também significa reconhecer a cultura como fonte de trabalho e renda.
“A moda e o artesanato mostram a força e a diversidade da nossa cultura. Quando damos visibilidade a essa produção, também criamos condições para que essas pessoas façam negócios, gerem renda, sustentem suas famílias e mantenham vivas as tradições e identidades de Mato Grosso do Sul”, afirmou Eduardo.
Identidade que veste
O desfile reuniu 12 marcas autorais, evidenciando a diversidade e a criatividade da moda produzida em Mato Grosso do Sul. Participaram Inspirae (@inspirae_), de Ana Mirian e Selma Brito; Anderson Bosh (@andersonboshmoda), de Anderson Bernardes Sanches; Espaço FNK (@espacofnk), de Edson Clair; Emilinha Leal Arte Nativa (@emilialealartenativa), de Emilia Cordeiro Leal; Touché (@touche.original), de Fábio Castro de Brito; F. Maurício (@f.mauriciobr), de Fábio Maurício da Silva; Laafazzi (@laafazzi), de Lara Fazzi; Hígor Euzébio Crochê (@higoreuzebio_croche), de Hígor Euzébio; C4 Criações (@c4_criacoes), de Janete Maria Cella; Ayele Tissu (@ayeletissu), de Kossi Ezou; Natasha Constantino Moda Africana (@natashaconstantino_modaafro), de Natasha Constantino; e Pure Extract (@purextractbr), de Willian da Silva Santos.
Mais do que colocar peças sobre uma passarela, o desfile permitiu que pequenos negócios vivenciassem etapas próprias do mercado da moda, da preparação dos looks e dos bastidores à apresentação das coleções diante de um público formado por moradores e visitantes de diferentes lugares.
Segundo a analista-técnica do Sebrae/MS Penelope Herradon, experiências como essa ajudam a transformar criatividade em posicionamento de mercado e contribuem para a profissionalização de uma cadeia que reúne estilistas, marcas autorais, costureiras, brechós e outros profissionais. “O desfile reconhece a moda como expressão cultural e criativa, mas também como oportunidade de negócios. Além da visibilidade, as marcas vivenciam as exigências do mercado, apresentam seus produtos de forma profissional, estabelecem conexões e percebem a importância do planejamento e da qualidade para crescer”, explicou.
Foi justamente a possibilidade de apresentar seu trabalho a novos públicos que levou Fábio Castro, da marca Touché, à passarela. Com a coleção Terra Null, o criador apostou em tons terrosos, modelagens amplas e sobreposições para apresentar sua leitura da moda autoral e do slow fashion.
Para ele, estar no Festival de Inverno amplia o alcance de marcas que produzem em pequena escala e dependem de espaços capazes de aproximá-las de novos consumidores. “É uma grande vitrine porque encontramos pessoas de várias cidades e estados. Para quem trabalha com moda autoral e pequena produção, essa visibilidade é muito importante. É também uma forma de apresentar os diferentes estilos, formar público e estimular as pessoas a conhecerem e consumirem nossas marcas”, contou Fábio.
Se algumas peças encontraram novos olhares na passarela, outras terminaram o festival prontas para atravessar fronteiras. Na coleção Casca Barro Mato Sul, Anderson Bosch trabalha com cores extraídas de elementos naturais, como terra, cascas e urucum, em uma pesquisa que procura levar para a roupa a identidade do território sul-mato-grossense.
Durante o FIB, peças da marca foram adquiridas por visitantes de outros estados e até de outros países. Duas delas, segundo Anderson, seguiram com uma visitante grega, levando para o outro lado do oceano uma criação tingida com elementos naturais do território.
“O festival abre portas para outros mundos. Ele traz visibilidade, venda, networking e encontros que podem gerar novas conexões. Ver uma peça feita com pigmentos da nossa terra seguindo para a Grécia é perceber que estamos mostrando o nosso território e conquistando outros territórios por meio da moda”, celebrou Anderson.
Criatividade que também movimenta a economia
A movimentação não ficou restrita à passarela. Ao longo do festival, o espaço de comercialização reuniu 30 expositores de moda e artesanato, criando uma oportunidade para que produtos carregados de identidade regional chegassem diretamente às mãos do público.
De acordo com a analista-técnica do Sebrae/MS, Daniele Muniz, responsável pelas ações de economia criativa, a participação aproxima os pequenos negócios de novos públicos. “As ações do Sebrae durante o Festival de Inverno de Bonito fortalecem a economia criativa ao dar visibilidade à produção local e aproximar pequenos empreendedores de um público amplo e diverso. Na moda e no artesanato, essa presença valoriza a identidade cultural de Mato Grosso do Sul, amplia oportunidades de comercialização, gera renda e cria conexões de mercado”, destacou.
Na avaliação do gestor de Mercado do Sebrae/MS, Luís Sandro Lima Ferreira Júnior, o fluxo de visitantes proporcionado pelo Festival de Inverno cria um ambiente especialmente favorável para que os pequenos negócios testem produtos, conquistem consumidores e fortaleçam suas marcas. “O FIB é uma importante vitrine para os empreendedores da economia criativa. Além de apresentar e comercializar seus produtos, eles podem conquistar novos clientes e fortalecer suas marcas. Dessa forma, o festival também se consolida como uma oportunidade de geração de negócios e renda, valorizando a criatividade, a produção local e a identidade cultural”, pontuou.
Pela primeira vez no Festival de Inverno, a artesã Terena Elida Fátima Júlio Antônio apresentou a produção do Núcleo Ceramista da Associação das Mulheres Artesãs Terena, de Campo Grande. Além das vendas, ela encontrou algo que considera igualmente importante: pessoas que ainda não conheciam o trabalho do grupo passaram pelo estande, perguntaram sobre a origem das peças e levaram contatos para manter a conexão depois do festival.
“Para uma primeira participação, vendemos bem, mas o mais importante também é sermos conhecidas. Muitas pessoas perguntaram de onde somos e pegaram nosso contato. Estamos conhecendo outros artesãos, visitando os espaços e criando relações”, pontuou.
A troca também marcou a participação de Solange de Souza Ledesma da Silva, presidente da Associação de Artesãos em Argila de Rio Verde (Riverarte). Em sua segunda participação no evento, ela levou peças de cerâmica que chegaram ao festival com novidades no acabamento e encontrou no contato direto com o público uma oportunidade para ouvir sugestões e aperfeiçoar a produção.
“Já no primeiro dia conseguimos comercializar peças, mas também recebemos sugestões e trocamos contatos. É uma experiência que permite aprender com outros artesãos e com o próprio público, agregar valor ao nosso trabalho e abrir possibilidades para novos pedidos depois do festival”, afirmou Solange.
A participação dos empreendedores no FIB também foi precedida por preparação. Durante o festival, 26 participantes receberam os certificados de conclusão da Jornada Criativa, capacitação voltada ao desenvolvimento dos empreendedores da economia criativa. A jornada foi estruturada em quatro etapas e trabalhou aspectos relacionados ao mercado, posicionamento, apresentação de produtos, atendimento e vendas, preparando os participantes para aproveitar melhor oportunidades de comercialização como a proporcionada pelo Festival de Inverno.
Mais informações aos empreendedores podem ser obtidas por meio da Central de Relacionamento do Sebrae, no número 0800 570 0800, ou pelo site: ms.sebrae.com.br.
ago 7, 2026 | Bonito
Empresários, gestores e profissionais do turismo de Bonito terão a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre gestão de riscos e segurança em atividades de ecoturismo e turismo de aventura durante a palestra gratuita “Gestão da Segurança no Turismo de Bonito”, promovida pelo Sebrae/MS, por meio do Polo Sebrae de Ecoturismo, em parceria com a Prefeitura Municipal. O encontro será realizado no dia 11 de agosto, às 19h, no prédio da instituição em Bonito (Rua Cel. Pílad Rébua, nº 2480).
A iniciativa visa fortalecer a cultura da segurança nos empreendimentos turísticos, promovendo a prevenção de riscos e a melhoria contínua das operações. Para tanto, a palestra será conduzida por Alexandre Garrido, consultor internacional em normalização e certificação, especialista em turismo sustentável, gestão de riscos e infraestrutura da qualidade. Reconhecido pela atuação na implementação de sistemas de gestão da segurança, o profissional trabalha com metodologias baseadas na norma ABNT NBR ISO 21101, referência internacional para operações de turismo de aventura.
Segundo a analista-técnica do Sebrae/MS, Lorrany Vendramel de Godoy Pickler, o encontro é voltado a empresários, gestores e profissionais de toda a cadeia do turismo, especialmente ecoturismo e turismo de aventura.
“Convidamos todo o trade turístico para participar desse momento de atualização. A gestão da segurança já integra a rotina das atividades de ecoturismo e turismo de aventura e representa um diferencial para as empresas e para o destino. Será uma oportunidade de conhecer as tendências nacionais e internacionais, compreender como a gestão da segurança fortalece os empreendimentos e contribui para que Bonito siga como referência em turismo de natureza”, disse a analista.
Para participar, os interessados devem se inscrever na Loja Virtual do Sebrae. Mais informações estão disponíveis na Central de Relacionamento da instituição, no número 0800 570 0800.
Serviço – Gestão da Segurança no Turismo de Bonito
Data: 11 de agosto (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Sebrae em Bonito (R. Cel. Pílad Rébua, 2480)
Inscrições: Loja Virtual do Sebrae
Investimento: Gratuito
ago 5, 2026 | Bonito
Levando para os palcos o universo apresentado na animação, o espetáculo, criado por Ana Castela e pela Agroplay, reúne personagens conhecidos pelas crianças, música, coreografias, momentos de interação com o público e mensagens educativas.
Durante o show, as crianças são convidadas a cantar, dançar e participar das brincadeiras conduzidas pelos seis personagens: Boiadeirinha, Pereirinha, Professora Maria Rosa, Blake, Pierre e Vovô.
A apresentação em Bonito integra a programação do Festival de Inverno, um dos principais eventos culturais de Mato Grosso do Sul. Neste ano, o evento conta com grandes nomes da música brasileira como Ferrugem, Léo Foguete e Seu Jorge nos dias 27, 28 e 29 de agosto, respectivamente.
Fonte: Campo Grande News.
ago 3, 2026 | Bonito
O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? foi escolhido pelo júri oficial como o grande vencedor da categoria de melhor longa sul-americano do festival de cinema Bonito CineSur. A cerimônia de encerramento do festival foi realizada na noite de sábado (1º) no Centro de Convenções, na cidade de Bonito (MS).
¿Quién Mató a Narciso? é um filme dirigido por Marcelo Martinessi e baseado no livro Narciso, escrito pelo jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá.
Narciso é inspirado no assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959, um locutor de rádio homossexual que amava o rock and roll e que foi queimado enquanto dormia. O crime jamais foi solucionado, mas, para a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia, o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar.
Considerado a ditadura mais longa da América do Sul, o governo militar comandado pelo general Alfredo Stroessner promoveu quase 20 mil prisões arbitrárias ou ilegais, 59 execuções, 336 desaparecimentos e torturou quase 19 mil pessoas durante os 35 anos em que ele permaneceu no poder. Além disso, 3.470 pessoas precisaram ser exiladas, segundo dados divulgados em 2003 pela comissão. Entre os grupos que mais sofreram violações nesse período estavam os formados por pessoas LGBT+, como Aranda.
“De verdade, este prêmio proporciona um desfecho mais do que lindo”, disse o ator Diro Romero, que interpreta Narciso no cinema. “Todos queremos colaborar e continuar contando histórias. Valorizamos nossas narrativas e acreditamos que é preciso contá-las e mostrá-las ao mundo. Temos muito a contar, muitas mensagens a transmitir.”
Em entrevista à Agência Brasil logo após a premiação, o ator reforçou que é preciso contar a história sobre as ditaduras sul-americanas para que elas jamais voltem a se repetir.
“Dizemos que a ditadura terminou há vários anos, mas não somente sentimos que há indícios de que ela segue entre nós, como também estamos começando a ter certos sinais no mundo para os quais temos que estar alertas. Então, este é o momento de abrir os olhos e nós, através do cinema, vamos fazer com que isso não chegue novamente no futuro”, destacou.
Três estatuetas
Outro grande premiado da noite pelo Bonito Cinesur foi o diretor colombiano Alejandro Calderón, que levou três estatuetas para casa. O primeiro troféu conquistado por ele foi por Hipopótamos, el Arca de Escobar, selecionado como melhor curta-metragem de cinema ambiental escolhido pelo júri.
Além disso, ele conquistou mais duas estatuetas pelo longa-metragem Páramos II: El Origen, escolhido tanto pelo público quanto pelo júri oficial como o melhor filme de cinema ambiental. No documentário, Alejandro Calderón reúne um grupo de especialistas para explicar a formação desses ecossistemas e sua importância para o ciclo hídrico, citando os riscos que esse bioma corre por causa da exploração de seus recursos para a mineração, a monocultura e a pecuária.
“Isso é incrível [ser premiado]. Sinceramente, nunca imaginei que isso aconteceria. Estou muito empolgado e isso é também uma recompensa pelos anos de esforço da equipe viajando pela Colômbia, atravessando montanhas, páramos e rios, enfrentando muitas dificuldades e perigos, pois esse é um trabalho de alto risco”, disse ele à reportagem.
Ao receber os prêmios, Calderón prestou uma homenagem especial a 150 ativistas ambientais colombianos que foram assassinados nos últimos três anos. “A Colômbia é o país com o maior número de assassinatos de líderes ambientais – pessoas que dependem do meio ambiente”, citou ele, ao discursar.
“Muitos dos diversos líderes ambientais retratados em nossos filmes sofreram ameaças e alguns deles nos pediram para que déssemos mais visibilidade ao seu trabalho. Eles encaram a visibilidade como uma forma de proteção: em vez de permanecerem ocultos, querem que o mundo saiba quem são e o que fazem, para que todos possamos trabalhar juntos em sua proteção”, disse o diretor à reportagem.
O festival
Na quarta edição, o Bonito CineSur apresentou 32 filmes de dez países sul-americanos entre curtas e longas. Além disso, o festival promoveu aulas, debates, atividades de formação, encontros com realizadores e sessões especiais em homenagens à atriz Paulina Garcia e aos cineastas Vincent Carelli e Luiz Puenzo.
Já para as próximas edições, destacou o diretor do festival Nilson Rodrigues, a expectativa é conseguir reunir ainda mais países sul-americanos, de modo que se forme um bloco para produção e divulgação audiovisual.
“Nós precisamos ser um bloco, precisamos criar condições para circular os nossos produtos entre nossos vizinhos. Se a Europa se transformou em um bloco, quando circulam produtos, pessoas e a economia se desenvolve, nós também haveremos de ser um bloco, na América do Sul. Mas cedo ou mais tarde nós seremos”, disse ele, durante a cerimônia de premiação.
“O festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, pode celebrar, pode trocar ideias, pode criar conexões, mas ele não resolve as coisas. Nós queremos mais coproduções, nós queremos codireção. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem nós queremos trazer aqui para o festival os ministérios da Cultura desses países e suas organizações para criar programas bilaterais ou multilaterais para que a gente possa se conhecer mais e para que a gente possa ter o direito de se ver nas telas de cinema”, acrescentou Rodrigues.
Confira a lista com todos os filmes premiados pelo festival Bonito CineSur:
Melhor filme sul-mato-grossense
- Higa Ke – Olho por Olho (escolhido pelo júri popular)
- Natasha (escolhido pelo júri oficial)
Melhor curta de cinema ambiental
- Buen Vivir – Ñutse Canseye, do Equador (escolhido pelo júri popular)
- Hipopótamos, el Arca de Escobar, da Colômbia (escolhido pelo júri oficial)
Melhor longa de cinema ambiental
- Páramos II: El Origen, da Colômbia (escolhido pelo júri popular)
- Páramos II: El Origen, da Colômbia (escolhido pelo júri oficial)
Melhor curta sul-americano
- A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca, do Brasil (escolhido pelo júri popular)
- Sukua, da Colômbia (escolhido pelo júri oficial)
Melhor longa sul-americano
- Naira, do Peru (escolhido pelo júri popular)
- ¿Quién Mató a Narciso?, do Paraguai (escolhido pelo júri oficial)
*A repórter viajou a convite do Bonito CineSur
Fonte: Agência Brasil – Foto: © Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil
jul 31, 2026 | Bonito
Dados divulgados pelo Observatório do Turismo e Eventos de Bonito (OTEB) apontam que o município recebeu 127.078 turistas entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026.
O número é 11,04% menor em relação ao mesmo período de 2025, quando 142.854 turistas visitaram o município. Até então, o primeiro semestre do ano passado foi considerado o melhor em 10 anos.
Confira os números detalhados, por semestre, ano a ano:


* Dados: Observatório do Turismo e Eventos de Bonito (OTEB)
Confira o número de turistas, mês a mês, em 2026:



Números indicam que os atrativos turísticos do município receberam 402.515 visitas no primeiro semestre deste ano, o que indica uma queda de 7,98 % em comparação ao mesmo período de 2025, que teve 437.447 visitações.
A taxa de ocupação hoteleira ficou em 28% em junho de 2026. A Gruta do Lago Azul teve ocupação de 45% no mês passado.
Os números demonstram redução da estimativa de turistas, nas visitações aos atrativos turísticos e na taxa de ocupação de hotéis, em relação ao mesmo período de 2025.
Por coincidência, a queda ocorre no semestre em que a Taxa de Conservação Ambiental (TCA) começou a valer de fato.
Mas, de acordo com o diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), Bruno Wendling, não se pode atribuir a queda à taxa ambiental, pois, ela impacta mais o público sul-mato-grossense e não turistas de outros estados.
“A gente não pode atribuir a queda do primeiro semestre desse ano com o ano passado por conta da taxa de turismo. Ela pode ter algum impacto mais para o público sul-mato-grossense, mas para o público nacional não, tanto que os dados mostram um crescimento muito alto do fluxo aéreo de desembarques em Bonito, em relação ao ano passado. É um crescimento de todos os meses. É um público que tem maior tempo de permanência e maior gasto médio”, explicou Wendling em entrevista ao Correio do Estado.
Segundo Wendling, crescimento ou redução entre 5%-10% no número de turistas é normal.
“A queda também pode ser natural, já que outros destinos como Fernando de Noronha, apontaram que tiveram um fluxo menor do que o esperado em comparação com o ano passado. Então isso pode acontecer, uma variação de 5 a 10% para mais ou para menos em relação a questões econômicas”, detalhou.
Conforme o levantamento, a maioria dos turistas brasileiros que visitaram Bonito são dos estados de São Paulo (29,51%), Mato Grosso do Sul (18.18%), Paraná (7,82%), Rio de Janeiro (6,43%), Rio Grande do Sul (5,75%), entre outros.
As regiões do Brasil que mais visitaram a cidade são Sudeste (48,26%), Centro Oeste (24,14%), Sul (21,96%), Nordeste (4,51%) e Norte (1,13%).
Já os turistas estrangeiros que visitaram o município são dos países do Paraguai (4,94%), Argentina (0,89%), Holanda (0,77%), Alemanha (0,74%), Estados Unidos (0,72%), entre outros.
Wendling destacou que medidas precisam ser tomadas para frear a queda e recuperar o fluxo de turistas no município.
“É claro que a queda é um indicador que a gente precisa também trabalhar novas estratégias de comercialização, ou seja, ter novos canais de comercialização, já que nossa pesquisa interna aqui indicou que a procura por Bonito cresceu muito em relação ao ano passado, muito mesmo, só que a conversão para vendas não acompanha esse crescimento. Então, tem uma série de fatores que a gente está analisando, de ações cooperadas com operadoras online, operadoras também offline que vendem um produto, para que a gente possa incentivar o reforço de vendas e cada vez mais participar de ações que possam auxiliar nesse processo de recuperação desse fluxo por conta dessa queda”, explicou.
TAXA DE TURISMO
Visitantes brasileiros e estrangeiros devem pagar Taxa de Conservação Ambiental (TCA) ao visitarem o município de Bonito, em Mato Grosso do Sul.
A taxa é de R$ 15, por pessoa, por dia e começou a ser cobrada a partir de 20 de dezembro de 2025.
Segundo o município, a taxa foi criada para fortalecer políticas públicas voltadas à conservação ambiental, diante do aumento da demanda turística e da necessidade de investimentos constantes em infraestrutura e monitoramento, essenciais para manter a experiência de visitação segura e sustentável.
Além de Bonito (MS), outras cidades brasileiras também cobram taxa diária de visitação, como Fernando de Noronha (PE), Jericoacora (CE), Morro de São Paulo (BA), Bombinhas (SC), Ilhabela (SP) e Ubatuba (SP).
Esse tipo de cobrança tem se tornado comum em destinos de ecoturismo e em cidades que recebem um grande volume de visitantes durante feriados e férias.
Fonte: Correio do Estado.