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Bela Vista-MS Sábado, 25 de Julho de 2026
Falece Geraldo Ferreira, o eterno sanfoneiro que encheu o bela-vistense de encanto e alegria

Falece Geraldo Ferreira, o eterno sanfoneiro que encheu o bela-vistense de encanto e alegria

A cultura bela-vistense amanheceu triste com a partida do sanfoneiro e violeiro Geraldo Ferreira, que faleceu na noite do dia 01 de dezembro, ele que foi muito atuante nas nossas Comunidades e deixa uma saudade enorme em nossos corações.

Hoje a sanfona vai ficar calada, os amigos da velha guarda estarão mais triste e somente a lembrança de um cara que nos deu muitas alegrias. Quantas histórias, piadas e brincadeiras de um bela-vistense que passou para trazer alegria através da musica, sempre tocando com maestria sua sanfona, que embalou muito romances nesta terra fronteiriça.

Conhecido por sua maestria com o instrumento, Geraldo Ferreira era uma fonte inesgotável de alegria, animando festas e celebrando a rica tradição cultural do povo bela-vistense. Sua música contagiante e emocionante era um verdadeiro presente para os ouvidos e corações de quem tinha o privilégio de escutá-lo.

Além de sua genialidade musical, Geraldo Ferreira foi uma figura carismática e respeitada, prestando inestimáveis contribuições à cultura do estado. Sua paixão pela sanfona era evidente em cada acorde que tocava, reafirmando a importância das raízes da fronteira e enaltecendo as tradições que o bela-vistense carrega com orgulho.

A notícia do seu falecimento é recebida com tristeza por todos que tiveram o prazer de conhecê-lo e desfrutar de sua arte. Seu legado é imortal, e sua música continuará ecoando nos corações daqueles que tiveram a sorte de cruzar seu caminho.

Descanse em Paz seu Geraldo Ferreira e tenha certeza que cumpriu sua missão de levar alegria, diversão e principalmente a boa música a todos.

Ademir Mendonça – Fronteira News

 

 

Empretec Indígena chega a aldeia de Bela Vista para despertar projetos do povo kaiowá

Empretec Indígena chega a aldeia de Bela Vista para despertar projetos do povo kaiowá

A placa “Aldeia Pirakuá a 16km” mostra a distância entre a rodovia que liga Antônio João a Bela Vista até a comunidade indígena. A quilometragem é percorrida por estrada de terra e algumas porteiras que terminam na sala de aula onde os sonhos estão se tornando projetos reais.

Entre os dias 18 e 23 de novembro, 25 indígenas – entre homens e mulheres do povo guarani e kaiowá, das mais diversas idades -, se tornaram alunos e protagonistas da própria história durante o Empretec Indígena. Realizado pelo Sebrae em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, esta é a segunda edição do programa voltado especificamente aos povos originários.

Em Bela Vista, seminário formou 25 indígenas entre homens e mulheres. (Fotos: Paula Maciulevicius/Cidadania)

Nas paredes da sala de aula, planos de negócios são descritos passo a passo para cada uma das seis empresas que estão nascendo ali. Tem desde marmitaria, mercearia, peixaria e frutaria à venda de mel. Ideias que vão ganhando corpo e, seus fazedores, autoestima para se enxergar como empreendedores.

“Aqui eles têm uma terra muito produtiva e uma vontade muito grande para que isso aconteça. Com o seminário Empretec, já conseguimos fazer com que muitos deles mudassem suas atitudes”, diz o facilitador Francisco Júnior.

A metodologia desenvolvida pela ONU (Organização das Nações Unidas), e que no Brasil vem sendo aplicada pelo Sebrae há mais de 30 anos, tem sido adaptada para atender às demandas de cada comunidade indígena.

Facilitador do Empretec há 31 anos, o consultor do Sebrae/MS Francisco Júnior foi quem aplicou a formação para empreendedores indígenas Ofaié, em Brasilândia, no mês de abril de 2024.

“É uma cultura aqui, uma cultura lá, e formas de agir totalmente diferentes. Aqui nós encontramos um povo que precisa de muita coisa, precisa de muito auxílio, não auxílio de governo, mas condições para que eles mesmos possam, de alguma forma, utilizar toda essa fortuna que eles têm aqui”, aponta Francisco ao falar sobre a natureza ao redor da comunidade.

Lembrando que em Mato Grosso do Sul, onde nasceu o Empretec Indígena, são oito etnias presentes, com língua, cultura e organizações distintas entre si. Sendo elas: Atikum, Guarani-Kaiowá, Guarani-Nhandeva, Guató, Kadiwéu, Kinikinau, Ofaié e Terena.

Empretec Indígena

Diferentemente de Brasilândia, o Empretec aplicado na aldeia Pirakuá, em Bela Vista, não reuniu apenas mulheres. O público foi o mais distinto de todos, incluindo 13 homens e 12 mulheres, entre 19 até 66 anos.

Agente de saúde, Valmir Franco, de 33 anos, exibe o cocar feito com as próprias mãos. O artesanato chegou à vida dele pelo desejo de ter o acessório que carrega toda cultura e ancestralidade nas penas.

“Paguei uma mulher aqui da aldeia para me ensinar, e hoje estou fazendo. Tem um ano, comecei porque queria e eles são muito caros, né? Como eu não tinha dinheiro para comprar naquele valor, comecei a fazer pra mim e as pessoas começaram a pedir. Esse aqui eu vendi hoje”, explica.

Uma das metas pessoais dele com o Empretec Indígena era justamente se tornar profissional, de fato. “Eu falava pras pessoas: vendo barato porque não me considero ainda como profissional. Mas o dia que eu for profissional mesmo, isso vai ter um valor mais alto. E a partir do dia que eu comecei o Empretec, já mudou. Daqui pra frente, tenho a vida inteira como empreendedor”, diz.

A reflexão que Valmir faz diante da reportagem é o resultado da metodologia, que trabalha a capacidade de mudança e atitude.

A timidez de uma das mais novas participantes do seminário fica pequena diante da apresentação do peixe. Raquel Escalante, de 19 anos, e mais três colegas de curso criaram a “Peixaria dos Amigos”. O negócio não ficou apenas no papel, e o peixe assado no fogão na folha de bananeira à lenha é a prova disso.

“A gente estava pensando em vender esses peixes assados, e o ensinamento do Empretec ajudou muito nós conhecer bastante de revenda e negociação. E já teve gente querendo comprar e experimentar, porque assamos na nossa cultura mesmo”, descreve a menina que sonha em ser engenheira.

Falante do guarani, é na língua materna que Raquel prefere se expressar, e quem a ouve, concorda. As ideias fluem ao comentar com entusiasmo o que foi para ela os dias de aprendizado.

“O que eu aprendi mesmo com o Empretec ao criar a minha empresa com o grupo foi conseguir alcançar a minha meta e a importância de me impor. Agora, mais pra frente, quero alcançar o meu objetivo”, detalha.

Cidadania

Para o cacique da Pirakúa, Fabison Marques Ireno, trazer o Empretec para a comunidade é colocar a aldeia no centro das atenções. “A Pirakuá sempre parece que foi esquecida pelos demais. Onde a gente não tem, pra falar a verdade, coisas boas. Mas nós tentamos alegrar nossos jovens, nossos anciões e tentamos manter a cultura”, contextualiza.

A liderança, que também participou da formação, ressalta o quão importante foi para todos passarem pelo curso. “Vamos agradecer também aqui quem participou até o final. Ter este evento foi demonstrar para a comunidade o quão importante é a gente serTemos que aproveitar cada momento que a gente está vivendo aqui. Creio que daqui a uns dias ou mais um ano, vamos todos mudar”.

Para o subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários, Fernando Souza, é uma alegria retornar à comunidade para o encerramento do curso e ver que toda articulação feita pela Secretaria de Estado da Cidadania está mudando vidas.

“Hoje nós estamos com toda essa estrutura política no sentido de trazer para dentro dos territórios os serviços não só do Governo do Estado, como temos dialogado com instituições e construindo parcerias, como é o exemplo do Empretec junto ao Sebrae”, destaca Fernando.

O subsecretário explica que a Pirakuá foi a segunda comunidade privilegiada ao receber o seminário que trabalha o desenvolvimento local e social por meio das habilidades e da potencialidade dos povos originários.

“O Sebrae vem exatamente aprimorar essas tecnologias, no sentido de dar autonomia e qualificá-los para fazer desse potencial, um instrumento de geração de renda, e para que dessa forma possamos melhorar a qualidade de vida de cada um de vocês, das suas famílias e da futura geração indígena presente no Estado do Mato Grosso do Sul”, ressalta Fernando.

Gerente da Regional Oeste do Sebrae/MS, Matheus Oliveira, completa dizendo que o seminário vem sendo adaptado para a realidade dos povos originários com o intuito de promover a inclusão produtiva das comunidades e o desenvolvimento sustentável da região.

“Nosso intuito ao trazer esse curso aqui, é ajudar a comunidade a identificar alternativas de renda por meio do empreendedorismo e estimular o protagonismo de cada um, a partir dos talentos e potencialidades que eles sempre tiveram, para que possam transformar isso em uma fonte econômica viável. De acordo com o perfil do grupo, a metodologia também pode ajudar a estimular outros fatores, como a união da comunidade, estimulando o associativismo e promovendo o crescimento sustentável da comunidade”, expôs Matheus.

Entusiasmado com tudo o que viveu em uma semana, uma das lideranças mais antigas da aldeia, Jorge Gomes, de 66 anos, já profetizava o que aconteceria na própria vida após o Empretec.

“Depois desse seminário, nosso pensamento anterior vai tudo para vocês da equipe, e o pensamento novo que vocês vão deixar aqui com a gente. Eu falei aqui que eu não saía de 25 vacas, 10 cavalos, 20 porcos, e o que eu poderia fazer? A partir de agora vai ser uma nova luta, e essa é a atitude que eu posso tomar, eu vou multiplicar”.

Os próximos seminários ainda estão sendo desenhados pela Secretaria de Estado da Cidadania junto ao Sebrae. A previsão é de realizar, em 2025, Empretec não só em comunidades indígenas, mas também quilombolas de Mato Grosso do Sul.

Paula Maciulevicius, Comunicação da Cidadania
Fotos: Paula Maciulevicius 

Vereador Villasanti recebe homenagem da Loja Maçônica Luz e Verdade de Bela Vista

Vereador Villasanti recebe homenagem da Loja Maçônica Luz e Verdade de Bela Vista

O Vereador Coronel Villasanti esteve no último sábado (23/11) em Bela Vista (MS), participando de uma Sessão Pública em comemoração aos 30 anos de fundação da Loja Maçônica Luz e Verdade de Bela Vista, como convidado de honra, por fazer parte da história da instituição como um dos fundadores e um dos primeiros iniciados na Loja Maçônica.

O Vereador agradeceu a honra de participar do evento e o reconhecimento ao seu trabalho desempenhado principalmente na época da fundação. “Neste ano tão especial, celebramos os 30 anos de fundação da Loja Maçônica Luz e Verdade, uma jornada marcada por valores, aprendizados e pela busca constante do aperfeiçoamento moral e espiritual. É um momento de recordação, união e gratidão, o qual será motivo de grande alegria e inspiração para todos nós. Relembramos juntos os passos dados, fortalecemos nossos laços fraternos e renovamos nosso compromisso com os princípios que nos guiam há três décadas”, destacou o Coronel Villasanti.

Durante o evento foi destacado que os maçons jamais esquecerão do papel essencial que os fundadores, assim como o Coronel Villasanti, há 30 anos desempenharam com dedicação e compromisso em prol da construção de um ambiente fraternal e harmônico, ecoando em cada pedra erguida e em cada trabalho realizado em nos templos.

Vereador Villasanti recebe homenagem da Loja Maçônica Luz e Verdade de Bela Vista

“Hoje, seguimos firmes em nosso propósito, inspirados nos exemplos e valores sedimentados em nosso coração, que não apenas criou raízes profundas, mas também fortaleceu a nossa colheita de sabedoria, irmandade e luz, que é parte fundamental de um legado que nos orgulha e nos fortalece como Irmandade. Nesta época eu era Comandante da PM em Bela Vista, cidade onde honrosamente trabalhei por seis anos”, lembrou Villasanti.

“A celebração dos 30 anos de fundação da Loja Maçônica Luz e Verdade de Bela Vista é um marco especial em nossa história e foi um momento de alegria e reflexão, no qual homenageamos todos os irmãos que, com dedicação e trabalho incansável, contribuíram para a construção e fortalecimento de nossa Loja, deixando um legado inestimável”, finalizou.

Estiveram presentes na solenidade, o Grão Mestre Estadual do Grande Oriente do Brasil (MS) – (GOB) David da Silva Ribeiro e o Venerável Mestre da Loja Luz e Verdade, Willian Soares de Arruda, além de comitivas de várias cidades.

Missa em Ação de Graças será celebrada na Igreja Matriz Santo Afonso nesta quinta-feira

Missa em Ação de Graças será celebrada na Igreja Matriz Santo Afonso nesta quinta-feira

A Paroquia Santo Afonso Maria de Ligório, em Bela Vista, realizará nesta quinta-feira, 28 de novembro, uma Missa em Ação de Graças. A celebração, conduzida pelo Padre Ezequiel Pedra Martinez, ocorrerá às 19h na Igreja Matriz Santo Afonso.

O evento tem como objetivo agradecer a Deus por todas as bênçãos recebidas ao longo de 2024 e confiar a Ele as vidas dos fiéis para o ano de 2025.

A data é um momento especial de reflexão e gratidão, convidando os cristãos católicos a reconhecerem as graças concedidas e renovarem sua fé. A paróquia convida toda a comunidade a participar desta celebração de fé e esperança.

Ademir Mendonça – Fronteira News

Atletas de Beach Tennis recebem Moção de Aplauso do vereador Geferson Vieira

Atletas de Beach Tennis recebem Moção de Aplauso do vereador Geferson Vieira

Durante sessão ordinária neste dia (25) de novembro o vereador Geferson Vieira entregou homenagem aos atletas de Beach Tennis de Bela Vista com uma Moção de Aplauso em reconhecimento à dedicação e ao talento deles.

Receberam o Moção de Aplauso o atleta, Vinicius Delmiro Lima, Jeferson Morinigo Gaúna Pissurno, Geovana Albuquerque e Isabelly Fernandes, que disputaram o Campeonato Brasileiro de Beach Tennis, na categoria sub-12, em Vitória, Espírito Santo, alcançando a 13 colocação.

Geferson destacou o crescimento do Beach Tennis em Bela Vista, parabenizou cada atleta pelo empenho e dedicação, e disse que esta muito orgulhoso desses novos talentos, essas crianças guerreiras que tão bem representou nossa cidade, numa competição tão importante, o nosso compromisso e continuar apoiando o esporte, comentou Geferson.

Atletas de Beach Tennis Moção de Aplauso do vereador Geferson Vieira

Atletas de Beach Tennis Moção de Aplauso do vereador Geferson Vieira

Atletas de Beach Tennis Moção de Aplauso do vereador Geferson Vieira

Atletas de Beach Tennis Moção de Aplauso do vereador Geferson Vieira

Ademir Mendonça – Assessor de Imprensa

Empretec apoia indígenas da Aldeia Pirakuá na estruturação de negócios a partir de potencialidades locais

Empretec apoia indígenas da Aldeia Pirakuá na estruturação de negócios a partir de potencialidades locais

Mel, frutas e outros alimentos derivados da produção local foram alguns dos produtos apresentados pelos indígenas participantes do Empretec, na Aldeia Pirakuá, em Bela Vista, como fonte de geração de renda a partir da comercialização. Apesar de muitos já fazerem a venda, o grupo teve a oportunidade de pensar na estruturação do negócio e incluir novas alternativas que agreguem valor aos itens: como a utilização de embalagens feitas de forma manual com o uso de matéria-prima natural.

Para o desenvolvimento das ideias de negócio, os participantes foram acompanhados pelo Sebrae/MS entre os dias 18 e 23 de novembro. A realização do Empretec Indígena foi feita pela instituição em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cidadania (SEC), e contou com o apoio da Câmara Municipal e da Prefeitura de Bela Vista, via Sala do Empreendedor.

Por meio da metodologia, os 25 indígenas da etnia Guarani Kaiowá puderam desenvolver competências empreendedoras e consolidar novos negócios a partir das potencialidades locais que envolvem, principalmente, a agricultura familiar e a economia criativa. A conclusão desse trabalho foi celebrada no sábado (23) com a entrega de certificados aos participantes.

Segundo o gerente da Regional Oeste do Sebrae/MS, Matheus Oliveira, essa é a segunda comunidade indígena em Mato Grosso do Sul a receber o Empretec. A metodologia, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) é aplicada no Brasil há mais 30 anos, exclusivamente pelo Sebrae, e foi adaptada para a realidade dos povos originários com o intuito de promover a inclusão produtiva das comunidades e o desenvolvimento sustentável da região.

“Nosso intuito ao trazer esse curso aqui, é ajudar a comunidade a identificar alternativas de renda por meio do empreendedorismo e estimular o protagonismo de cada um, a partir dos talentos e potencialidades que eles sempre tiveram, para que possam transformar isso em uma fonte econômica viável. De acordo com o perfil do grupo, a metodologia também pode ajudar a estimular outros fatores, como a união da comunidade, estimulando o associativismo e promovendo o crescimento sustentável da comunidade”, expôs Matheus.

O subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários da SEC, Fernando Souza, expôs que a realização do Empretec, assim como de outras capacitações que visam o desenvolvimento do empreendedorismo junto aos povos indígenas, fazem parte de uma parceria entre o Governo do Estado e o Sebrae/MS para apoiar o desenvolvimento econômico e social das comunidades, já que o estado possui a terceira maior população indígena do país, com 116 mil pessoas, divididas em 10 etnias, de acordo com o último Censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022.

“Estamos trazendo o Sebrae para dentro dos territórios indígenas, em busca de valorizar cada comunidade, trabalhador e artista. Queremos intensificar todos os serviços e direitos que o nosso povo tem no sentido de valorizar, respeitar e promover a dignidade. Desejamos que quem fez o Empretec inspire a comunidade como um exemplo por sua vontade de crescer e buscar melhorias para o seu futuro”, desejou Fernando.

Inclusão produtiva

Localizada na zona rural, a 58 quilômetros do centro de Bela Vista, a Aldeia Pirakuá abriga cerca de 130 famílias. Com a produção de mel, frutas, legumes e hortaliças, a comunidade tem como uma das principais potencialidades a agricultura familiar e, por isso, essa foi uma das áreas trabalhadas para a geração de negócios.

O grupo de Edimar Araújo, por exemplo, pensou em criar uma frutaria, com frutas nativas da aldeia. Para ele, o desenvolvimento de ideias como essa é importante para trazer novas perspectivas à comunidade. “Acredito que depois desse curso nós, realmente, vamos sair da precariedade e termos mais qualidade de vida. A Aldeia Pirakuá é de difícil acesso e a vinda do curso para cá foi um pontapé para que possamos sair dessa situação. Queremos continuar nessa caminhada com mais parcerias que possam nos conduzir no rumo certo e nos desenvolvermos como cidadãos”, expôs Edimar.

Mais um ponto trabalhado pelo Empretec foi a criação de comércios para atender as demandas dos próprios moradores, devido à distância do local para a área urbana. A necessidade de uma mecânica automotiva, por exemplo, para a manutenção de carros e motos, além da venda produtos alimentícios, seja em mercearias ou restaurantes, foram algumas ideias consolidadas com o curso.

Raquel Escalante fez parte de um grupo que criou a “Peixaria dos Amigos”, com a proposta de vender peixe assado, empanado e ao molho, utilizando ingredientes locais e fogão à lenha. “O curso superou minhas expectativas, foram dias de muito aprendizado e tentativas. Aprendi muito, teve muito conhecimento teórico e prático e quero criar minha empresa e fazer as coisas acontecerem. Na nossa proposta peixe é local e o preparo segue a nossa tradição”, contou Raquel.

Além de estruturar os negócios, os participantes foram estimulados a pensar em formas de agregar valor aos produtos e serviços com o foco na sustentabilidade. O grupo liderado pelo cacique da Aldeia Pirakuá, Fabison Marques Ireno, por exemplo, inovou ao utilizar purungos (cabaças) como embalagens biodegradáveis para o mel, evitando o uso de embalagens de plástico ou vidro.

“Assim não prejudicamos a natureza e ainda agregamos valor ao produto ao apresentá-lo com uma peça de artesanato. Temos sementes para aumentar a produção de purungo e condições para ampliar a produção de mel. Então, enquanto liderança, quero chamar a atenção para o significado dessa qualificação. Este certificado não é só um papel para ficar na parede, é uma oportunidade de fazer a diferença dentro da aldeia. Parece que o Pirakuá foi esquecido e silenciado, e que temos poucos motivos para alegrar nossos jovens e deixar nossos anciãos orgulhosos, mas vamos buscar coisas boas para mostrar, manter nossa cultura e demonstrar para a comunidade o quanto é importante fazer um curso como este”, destacou o cacique.

Transformação

Mais do que trazer conhecimento técnico a respeito de como estruturar um negócio, ao trabalhar as competências empreendedoras, o Empretec trouxe autoconfiança e engajamento para a comunidade. A metodologia possibilitou a integração dos participantes e resgatou a perspectiva de um futuro melhor.

“Quem faz o curso deixa o pensamento anterior e leva um novo pensamento. Como quando trocamos a erva de tereré velha por uma nova e sentimos um novo sabor. A partir de agora vai ser uma nova luta. Como aluno, eu perguntei aos instrutores o que eu podia fazer para ampliar a produção que já tenho de vacas, cavalos, porcos, carneiros e galinhas, porque não estava conseguindo sair da mesma quantidade. Então, aprendi que para ter um resultado diferente, eu tenho que tomar outra atitude, usar uma estratégia nova para multiplicar”, destacou o representante regional da comunidade no Aty Guassu, grande assembleia política dos povos Kaiowá e Guarani, o ancião Jorge Gomes.

Segundo Gerson Lopes Machado, diretor da Escola Municipal Indígena Pirakuá, onde o Empretec foi realizado, a capacitação possibilitou que a comunidade pensasse na construção de um caminho que traga melhorias para todos. “Nós apoiamos a iniciativa pela grandeza do curso e do que ele pode proporcionar para a comunidade. Essa capacitação possibilitou uma visão mais ampla do nosso entorno e das oportunidades que temos para melhorar nossa qualidade de vida. Antes esbarrávamos nos obstáculos e não conseguíamos prosseguir, o que trazia resultados negativos para a comunidade. Agora, tenho certeza de que vamos vencer os desafios vierem pela frente”, concluiu.

De acordo com o analista-técnico do Sebrae/MS, Alex Schmidt, o pensamento coletivo de união esteve presente durante todo o Empretec e a participação das lideranças na capacitação foi algo de suma importância. “Tivemos toda a comunidade envolvida no processo e isso reforçou o espírito de mudança, no sentido, de que é possível construir um futuro melhor com o engajamento de todos. Isso evidenciou o empreendedorismo como um caminho possível, inclusive, para a valorização da cultura local”, expôs.

Mais informações sobre as ações de apoio aos empreendedores estão disponíveis na Central de Relacionamento do Sebrae, no número 0800 570 0800.