jun 26, 2024 | Colunistas
Parto da premissa que a ação dos movimentos sociais consolida pertencimentos de pessoas perceptíveis no movimento que produzem no cotidiano de diversos municípios de Mato Grosso do Sul, reordenando múltiplas dinâmicas – econômicas, políticas, culturais – presentes nas cidades de todo o Estado. Destaca-se a reorganização efetivada nos municípios onde se encontra maior número de assentamentos, dentre eles: Sidrolândia, Itaquiraí, Nioaque, Ponta Porã, e Nova Alvorada do Sul, com nos quais as mudanças são perceptíveis para além da estrutura territorial, produzindo outras transformações, configuradas na sociabilidade. Isso porque em suas relações as pessoas assentadas produzem e comercializam produtos agrícolas, adquirem ferramentas no comércio local, acessam serviços públicos, o que tem aquecido a economia das cidades e fortalecido o diálogo entre pessoas assentadas e aquelas residentes no espaço urbano
Vislumbro que com as informações de João Francisco Neto, o aumento da população dos municípios de Mato Grosso do Sul acima citados, gerou aumento de demandas comerciais e de serviços, bem como de políticas públicas em diversas áreas, como na saúde e na educação. Por isso entendermos que as transformações de partes do nosso Mato Grosso do sul teve encaminhamentos em diversos sentidos, dentre eles: físico, econômico, cultural e de poder.

Na foto Joatan Filha e sobrinha e Joatan atleta
Físico porque impulsionou o crescimento do número de pequenas propriedades assentando famílias que cultivam a agricultura familiar; econômico porque reorganizou e ampliou o comércio urbano; cultural porque promoveu troca de saberes entre as pessoas do local com aquelas que chegam de diferentes lugares do Brasil; e de poderes porque a dinâmica de participação política nos municípios e mesmo no Estado tem sido questionada. Pontuamos, assim, que os assentamentos são espaços que abrem possibilidades de inserção de pessoas excluídas do processo agrícola brasileiro, e que se encontravam. E neste particular quero citar a ação em quase 200 conflitos de terra como mediador de Joatan Loureiro.
Entrementes contado por Tico Cassola; Joatan começou a jogar bola no time do T Maia em Araçatuba juvenil e logo depois seguiu para Garça/SP aonde jogou no rodoviário na época do técnico Mourinha. Logo depois jogou no Ipiranga (Campeão em 76 e 79) e no Frigus, campeão em 77. No futebol de salão foi vice-campeão pelo Quitandinha ganhando o troféu de melhor jogador seguindo para o futebol suiço foi campeão pela auto Mecânica Garça em 85. Depois foi estudar Direito em Bauru seguindo sua carreira até chegar a Diretor Presidente do Idaterra. Recebeu como advogado junto com minha mãe a medalha Jorge Siufu, profissional que advogou por 50 anos e faleceu em 2011.
Aos pioneiros da mediação de conflitos agrários neste rincão homenageio Joatan Loureiro que dotado de liberdade e razão em sua igualdade essencial, entende que não obstante as múltiplas diferenças de sexo, raça, religião ou costumes sociais, emerge a necessidade de reconstruir os direitos humanos, como referencial e paradigma ético que aproxime o direito da moral, ou seja, o direito a ter direitos, ou ainda, o direito a ser sujeito de direitos. Algo que me preocupa neste instante é a afirmação de que “tudo indica que aconteceu” Não se pode abrir mão das nossas garantias de dialogar. Não podemos condenar ninguém sem as provas irrefutáveis do ato e sem a percepção da outra parte. Aceitar que essas garantias sejam vilipendiadas porque simplesmente “não gostamos do acusado”, ou ele não fez a parte dele” é uma enorme falta de comprometimento com a nossa evolução civilizatória e Joatan Loureiro é um destes paladinos a sustentar o “ vamos ouvir o outro lado”!
Na foto de capa – Da esquerda para a direita Joatan, Leonan, Eduardo, Osmar, Ramona, Evaristo com as mãos nos ombros do Lélin, Glacê e Léia
*Articulista
jun 26, 2024 | Colunistas
Era uma vez… José Antônio Pereira, que traçando os limites do povoado, denominou-o ARRAIAL DE SANTO ANTÔNIO DO CAMPO GRANDE, em homenagem ao Santo de sua devoção. Quando de mudança, passando por Santana de Paranaíba, foi obrigado a interromper por alguns meses sua viagem em virtude da malária que estava acometendo a população daquele lugar. Prático de farmácia e adepto da fitoterapia, tido naquela época como um bom “médico”, permaneceu o tempo suficiente para debelar a epidemia, salvando muitas vidas, tanto nessa ocasião como em outras, até o fim de sua existência. Foi lá que fez uma promessa a Santo Antônio de Pádua, cuja imagem já o acompanhava, de construir uma Igreja quando aqui chegasse, caso não perdesse um só dos seus.
Esta foi a origem do abençoado nome da capital do Estado. Mas como a música encarna a paixão, o desejo, as lembranças e as histórias tivemos em pleno 13 de junho, para lembrar o santo de devoção do fundador de nossa cidade, festa na Praça do Rádio, e para abrilhanta-la, aconteceu entre outras atrações a apresentação de Max Henrique, que emocionou todos os presentes cantando as coisas do amor, que nada mais é do que: ter/ de a todo momento escolher/ com acerto e precisão/ a melhor direção. Por isso na música e no amor o melhor é não ter medida.
E assim foi com Max Henrique quando aos cinco anos ganhou de seus pais Bento Josué e Dulce Tereza um violão. Assim em tenra idade com uma envolvência tirada de um sonho, onde a natureza beijava com uma leva brisa os rostos, o som da água que ecoava na mente faziam daquele lugar, daquele minuto, dia,… algo único, intemporal e assim surgiu “Juras de Amor” a primeira música – “ Me diz o que eu te fiz, o que deixei faltar, eu nunca quis te magoar, tenha certeza que não vou negar que eu te amei e sempre vou te amar”.
A música, que é parte da cultura humana desde tempos remotos, é um instrumento de diálogo não verbal. Max Henrique prova e comprova que ela é inata e pode desencadear profundos processos de transformação pessoal, que afeta não só o próprio indivíduo, mas também o universo que o rodeia em todas as suas manifestações e formas.
E assim, do sonho e da inspiração para o papel e para o violão, gravou o primeiro CD “Juras de Amor”, e a aceitação foi tanta que logo em seguida o segundo CD “Já Foi” e emplacou o terceiro CD “Bem Longe Daqui” e o DVD tem o titulo “Quando Abre o Sorriso” e recentemente emplacou “Ex que se Preze”. Certo é, que a música, mais do que qualquer outra arte, tem uma representação neuropsicológica extensa, com acesso direto à afetividade, controle de impulsos, emoções e motivação. Certamente que a motivação do público e dos que gostam da boa música sertaneja, sabem que o caminho a trilhar deste jovem, é longo e duradouro. E Max Henrique, tal qual timoneiro hábil e experiente, segura firmemente o leme, conduzindo a grandiosa barca musical de nossos sonhos e emoções, traduzidas em forma de canção, aportando uma vez mais são e salvo no cais da arte absoluta. História, devoção e música juntos.
*Articulista
jun 21, 2024 | Colunistas
COBRANÇA: Os futuros candidatos a prefeito da capital incluirão em suas propostas medidas de combate ao impacto das mudanças climáticas? A qualidade das águas dos córregos, o zoneamento para construção de prédios, a coleta seletiva, o tratamento de resíduos, arborização e medidas preventivas contra as enchentes devem ser lembrados.
CONVENHAMOS! Os riscos do aumento de inundações causando prejuízos diversos não estão restritos a região próxima ao Shopping Campo Grande. A cidade cresceu nos últimos anos. A malha asfáltica idem. Outras regiões de risco precisam ser alvos de estudos e de respectivas obras. Faltaria vontade política de enfrentar o desafio?
HISTÓRIA: Joaquim Murtinho (1848-1911) nasceu em Cuiabá; aos 13 anos foi para o Rio de Janeiro onde cursou engenharia e medicina. Ministro da Industria/ Comercio, da Fazenda e senador (3 mandatos). Visionário, fundou o Banco Rio-Matogrosso, sócio da Cia Mate Laranjeira, deu início ao Porto de Murtinho. Seu nome batiza escolas e ruas de várias cidades, inclusive a nossa querida ‘Murtinho’.
A PROPÓSITO: Amnésia nos cuiabanos? Logo eles, tão tradicionalistas! Na pesquisa sobre o homenageado deparei com a notícia no ‘Jornal da Notícia’. Na esquina da rua Av. Isaac Póvoas com a rua Joaquim Murtinho, há uma placa com a grafia errada do nome: Joaquim Mortinho em vez de Joaquim Murtinho. Não há informação se a falha foi sanada.
BELEZA! Deputados felizes. São 923 emendas individuais (R$ 71.550,00,00) e duas coletivas (R$450 mil). Cada qual indicou a destinação de R$ 3 milhões, contra os R$2 milhões em 2023. Mais de 50% irão para a Saúde, seguida da Assistência Social, Esportes e lazer, Agricultura Familiar, Projetos Culturais, Cidadania, Segurança Pública e UEMS.
GERSON CLARO: Ao colunista o presidente da Alems destacou as boas relações que a Casa mantém com Executivo, parceira fiel nas mais diferentes situações. Lembrou que essa relação tem possibilitado a aprovação de leis benéficas a governabilidade que implica em melhorias da qualidade de vida da população com mais empregos e renda.
MUDANÇAS: Embora as convenções partidárias sejam entre 20 de junho a 5 agosto; o registro das candidaturas até 15 de agosto – e a propaganda a partir de 30 de agosto, a política vai se integrando ao cardápio das conversas do cotidiano. Também os lembretes de cunho eleitoreiro – com dicas sutis – já aparecem timidamente nos veículos.
O CLIMA: Também vão se tornando frequentes as perguntas de leitores ao colunista sobre o potencial dos pré-candidatos. O surreal é que após questionarem, eles acabam emitindo opiniões sobre o quadro, fazendo inclusive análise e previsões. Lembram o torcedor travestido de técnico da seleção de futebol em tempos de Copa do Mundo.
ELEIÇÕES: Ao longo dos anos vivenciando o ambiente, nunca é demais comparar as eleições ao casamento: A gente sabe apenas como começa! Aposto, cada leitor tem armazenado na memória exemplos inimagináveis do início das campanhas. Candidato derrotado pelo adversário; que tropeçou em si próprio ou mordeu a própria língua.
SEMPRE atual o conselho – ‘é preciso que o candidato não esqueça de combinar com o eleitor, não importa sua classe social e endereço. Quando a campanha ainda está no estágio atual, analistas levam em conta alguns fatores para as previsões. Mas com os deuses enfurecidos, as ‘urnas raivosas’ podem surpreender com resultados irônicos
SEM DÚVIDA: Conta sim o perfil do candidato, os nomes de peso das lideranças apoiadoras, a estrutura de campanha, os nomes da chapa de vereadores e naturalmente sua proposta – que deve ser convincente. Do outro lado, está o eleitor, que pode acreditar ou até se vingar do ‘sistema’, postando-se contra tudo e contra todos.
O EXEMPLO em Campo Grande é apenas mais um dentre tantos – espalhados por esse Brasil, ou aqui mesmo, incluindo a enigmática Dourados. Vale observar a mudança de hábitos do eleitor movido pela internet e celular. Parece até que o eleitor adotou aqueles óculos futuristas com poderes de ‘Raio X’ para analisar os candidatos.
CUIDADOS: Os candidatos terão que se ater às normas que regem a propaganda nos seus 35 dias levada ao ar. Deverão ser cumpridos os percentuais destinados às candidaturas femininas (mínimo de 30%) e de pessoas negras (definidos e cálculos com base no total de pedidos de registros apresentados perante a justiça eleitoral.
PREOCUPA: Como pensa o leitor? Aprovada pela CCJ do Senado a liberação do bingo, jogo do bicho, turfe e cassinos. Pesam contra: aumento da dependência e problemas de saúde mental; Impacto econômico negativo nas famílias; criminalidade, lavagem de dinheiro, problemas sociais ampliados e desigualdade econômica.
ELEIÇÕES: Na capital nada de novo em termos de candidaturas. Nem um nome para vice-prefeito confirmado. Alguns personagens aproveitando os holofotes, enquanto as tratativas de apoio nos bastidores esbarram em exigências incompatíveis com o poder de fogo deles. Não há sinalização segura de como Bolsonaro comandará o PL de mãos dadas com o PP.
BOLSONARO: A cada fala ficam as interrogações para seus comandados no Mato Grosso do Sul. Percebo as dúvidas nas conversas com políticos sobre o caso de Campo Grande, capital pequena no contexto nacional. Questiona-se também a capacidade de liderança da senadora Tereza Cristina (PP) em unir as correntes bolsonaristas do PL.
PUCCINELLI: O ex-governador carrega o estigma e o desgaste desde a sua prisão, uma espécie de tabu em seus pronunciamentos e entrevistas. Sentiu o golpe, não é mais o mesmo, mas se vira como pode para se manter no processo sucessório da capital. Tenta se manter incólume ao fator tempo, mas sua rejeição é alta. Arrivederci?
SOB CONTROLE: Com 79,52% o ICMS é a maior fonte de receitas do MS, seguido pelo IPVA com 11,55% do total recolhido neste último quadrimestre que registrou arrecadação recorde de R$ 6,9 bilhões. Assim o estado recupera o fôlego após a desaceleração em março, garantindo o cumprimento dos compromissos.
ANTÔNIO VAZ: O deputado viabilizando o Republicanos no MS. Ao assumir eram 14 diretórios – após 1 ano e 4 meses são 79. Hoje o partido tem 716 pré-candidatos e 59 chapas para concorrer as eleições de outubro, sendo 15 candidatos a prefeito e 10 postulantes a vice-prefeito. Antes o partido tinha 16 vereadores e hoje são 48.
A VOLTA: Considerado um dos excelente prefeitos da história de Naviraí, Zelmo de Brida (Republicanos) saiu da clausura para anunciar sua pré-candidatura a vice prefeito ao lado do vereador e pré-candidato a prefeito Rodrigo Massuo Sacuno (PSD). Projeto que une juventude e experiência na vida pública.
ERRATA: Na última edição, em alguns dos sites que publicam a coluna, constou como sendo a empresa Eldorado a fábrica de celulose em Ribas do Rio Pardo, quando na verdade é a Suzano S/A. Fica feita portanto a presente retificação.
PILULAS DIGITAIS:
No Brasil, a política se resume em não deixar a onça com fome, nem o cabrito morrer. (Stanilaw Ponte Preta)
O principal problema de nosso tempo é o de que o futuro não é mais o que costumava ser. (Paul Valérv)
É uma pena que todas as pessoas que sabem como governar o país estejam ocupadas dirigindo táxis ou cortando cabelo. (George Burns)
“São bens da União…as praias marítimas; os terrenos de marinha e seus acrescidos”. (art. 20,IV e VII da Constituição)
Se os jogos de azar fossem bons seriam chamados de jogos da sorte. (André De Rose)
jun 19, 2024 | Colunistas
Com o surgimento da puberdade e o início da adolescência, tudo fica diferente nos filhos. Isso vai muito além da fisionomia, altura e a voz. Até a maneira de pensar e agir mudam completamente. Como os pais podem entender essas transformações de humor e sentimentos?
Por exemplo, o filme Divertida Mente 2, produzido pela Pixar, apresenta de maneira lúdica essas alterações na vida dos jovens. A continuidade do desenho mostra a personagem Riley, agora adolescente, vivenciando diferentes sentimentos. Por exemplo, a famosa “sala de controle” também conta com diferentes emoções com uma valência que anteriormente não eram tão percebidas pela personagem.
A ansiedade, a inveja, o tédio e a vergonha se juntam aos companheiros alegria, tristeza, raiva e nojo. Aumentando o repertório emocional da adolescente.
O filme pode ajudar os pais a entenderem a importância de compreender as mudanças nos jovens. Isso também faz refletir sobre os adultos que precisam entrar em contato com suas emoções, além de entender que todas elas fazem parte da vida de cada um de nós.
Por exemplo, a adolescência é marcada por muitas cobranças e julgamentos. Geralmente, nessa fase da vida ouve-se muito: “você já tem tantos anos, se comporte como uma pessoa de sua idade” ou “Pare de agir como adulto [ou criança]”. São as frases clássicas ditas por mais e outros adultos presentes na vida dos adolescentes.
Vale lembrar que os adolescentes estão em uma fase em que as pessoas acreditam que apenas seja a problemática. Na verdade, estão descobrindo e fortalecendo seus valores, além de estarem cheios de criatividade.
A orientação sempre virá dos adultos. Porém, para além disso, eles continuarão desenvolvendo o seu treino de habilidades socioemocionais diante de muitos desafios. Em contrapartida, muitas serão as novidades e as novas preocupações.
A vinda dos novos personagens/emoções, que chegam para compor o longa-metragem, nos mostra que sentir emoção não é ruim. A grande questão que se deve levar em conta é sobre como a valência de cada uma delas impacta nossas vidas. E ainda, como lidamos quando uma determinada emoção está numa valência alta ou muito baixa?
Outro ponto a se pensar é sobre o fator inibição emocional. É um comportamento onde a pessoa não demonstra o que se sente e muito menos se permite sentir. Muitas pessoas acreditam ser um grande erro demonstrar sentimento e entrar em contato com o que se sente. É o resultado de acreditar, por quase uma vida inteira, que sentir emoção é ruim. Quem nunca passou por isso?
A emoção é algo que todos nós podemos sentir e acolher. Também devemos pensar em como serão nossas ações e estratégias para lidar com cada uma delas. Isso é uma forma de aprender a lidar com nosso lado mais vulnerável e com nossos lados mais felizes e mais sérios (ou adulto).
Portanto, que possamos lidar de forma mais saudável com o nosso sentir e viver uma vida que tenha regulação emocional e humanização das nossas vulnerabilidades. Junto disso, refletir que podemos, de forma coletiva e individual, buscar um caminho que não seja de julgamentos e culpas.
(*) Psicóloga Clínica, Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental, Formação em Terapia do Esquema, Estudiosa em relações raciais e saúde mental negra, Palestrante, MBA em Gestão de Pessoas, Coordenadora editorial e autora, além de apaixonada pelo filme Divertida Mente.
*Psicóloga Livia Marques
Transformação de sentimentos da adolescência – Imagem Freepik
jun 17, 2024 | Colunistas
O mês em que se comemora o Dia dos Namorados, é oportuno para refletirmos sobre a natureza dos relacionamentos amorosos, incluindo namoros, noivados e casamentos. Atualmente, vivemos em uma era marcada por desafios significativos que impactam diretamente nossas interações diárias. As Escrituras já alertavam há milênios que o amor entre as pessoas poderia esfriar, e hoje, infelizmente, observamos um aumento preocupante nos índices de divórcios e separações.
Além do crescente número de ‘rompimento de relação’, enfrentamos também uma intolerância alarmante à rejeição e ao término de relacionamentos infrutíferos, que podem ser prejudiciais tanto à saúde física quanto mental. É trágico ver como essas situações de conflito não resolvidas frequentemente resultam em violência e até mesmo em tragédias. As consequências desses rompimentos se estendem para além do casal, afetando profundamente os familiares, especialmente os filhos.
Esses fracassos são, muitas vezes, resultados da incapacidade de gerir o relacionamento com os pilares essenciais como paciência, tolerância, diálogo, empatia e amor. Precisamos entender que não existe conflito que não possa ser superado quando esses valores são praticados consistentemente.
A fé desempenha um papel crucial na união de um casal. A presença e participação de Deus no relacionamento, quando aceita livremente por ambas as partes, podem ser vistas como um suporte fundamental para o sucesso da vida a dois. Deus oferece orientação e conforto àqueles que O procuram em oração e seguem seus ensinamentos com devoção.
É fundamental que cada pessoa, seja homem ou mulher, busque ser criativa e perseverante na construção de um relacionamento saudável. É vital expressar carinho, realçar as qualidades do parceiro, oferecer apoio e exercer paciência ao lidar com as fraquezas do outro. Essa abordagem colaborativa e compreensiva permite que o casal cresça junto, superando desafios e limitações.
A vida a dois é, verdadeiramente, uma forma de arte, uma poesia que deve ser vivida com intensidade. É essencial nutrir o relacionamento constantemente para que ele se mantenha forte e vibrante. No Dia dos Namorados, e em todos os dias, que possamos refletir sobre como fortalecer nossos laços, respeitando e valorizando nosso parceiro, com Deus guiando nossos corações e nosso lar.
Em particular, é vital enfatizar a necessidade de os homens adotarem uma postura de maior carinho e consideração para com as mulheres em suas vidas. Na sociedade contemporânea, muitas vezes ainda se observa uma disparidade na distribuição de responsabilidades emocionais e domésticas entre gêneros, o que pode levar a desequilíbrios e ressentimentos dentro de um relacionamento. Homens devem esforçar-se para serem mais gentis, amorosos e prestativos, não apenas em ocasiões especiais, mas como uma prática constante.
A gentileza masculina expressa em ações diárias fortalece o relacionamento. Pequenos gestos, como agradecimento por uma refeição feita com carinho, oferecer um elogio sincero ou simplesmente ouvir com atenção, são fundamentais. Esses comportamentos demonstram respeito e apreço, além de promoverem uma atmosfera de cooperação e mútuo suporte. A verdadeira força de um homem não é medida pela sua capacidade de impor-se, mas pela sua habilidade de cuidar e se comprometer com o bem-estar da parceira.
Ademais, a prestimosidade é uma qualidade que todos valorizam, especialmente em um relacionamento amoroso. Quando os homens assumem uma parte justa das obrigações domésticas, principalmente no que diz respeito aos filhos, eles não apenas aliviam o estresse de suas parceiras, mas também exemplificam um comportamento positivo para as futuras gerações. Esta atitude contribui para um ambiente doméstico mais equilibrado e harmonioso, onde ambos os parceiros sentem-se valorizados e apoiados.
Portanto, um relacionamento onde o homem se empenha ativamente em ser carinhoso e atencioso promove uma união mais sólida e duradoura. Ao cultivar essas qualidades, os homens podem ajudar a garantir que o amor em seus relacionamentos não apenas sobreviva, mas floresça com o passar dos anos. É através da gentileza e do compromisso mútuo que os relacionamentos encontram a verdadeira harmonia e paz, cumprindo o propósito divino de companheirismo e amor.
*Jornalista e Professor
jun 11, 2024 | Colunistas
Alexander von Humboldt foi um cientista notável cujas ideias pioneiras e perspicácia científica transcendem seu tempo. Já no início do século XIX, Humboldt advertiu sobre as consequências adversas das atividades humanas sobre o meio ambiente, que poderiam provocar impactos imprevisíveis sobre as “futuras gerações”. Ele revolucionou nossa compreensão do mundo natural e foi um dos primeiros a conceber a ideia de um sistema climático global interconectado, um conceito que prenunciava as modernas preocupações com as mudanças climáticas.
Nascido em 1769 em Berlim, Prússia, Humboldt foi dotado de uma curiosidade insaciável que o levou a estudar uma ampla gama de disciplinas científicas. Desde geografia e antropologia até biologia e geologia, ele aplicava uma abordagem holística que era rara em sua época. Humboldt viu a natureza como uma rede interconectada de vida, onde tudo tinha um propósito e estava em harmonia.
Viajou em expedição por todos os continentes e esteve inclusive no Brasil, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Cuba e outras regiões. A expedição à América Latina, que durou de 1799 a 1804, foi um ponto de virada em sua carreira e para a ciência em geral. Durante essa viagem, Humboldt escalou picos andinos, explorou selvas e rios, e coletou uma quantidade sem precedentes de dados científicos. Suas observações detalhadas ajudaram a estabelecer as bases para a biogeografia e despertaram sua preocupação com o impacto humano no ambiente natural.
Humboldt foi particularmente tocado pela devastação ambiental que testemunhou nas plantações coloniais, onde vastas áreas de floresta foram derrubadas e queimadas para a agricultura. Ele observou como essas práticas destrutivas alteravam o clima local e afetavam a biodiversidade, insights que o levaram a criticar abertamente a exploração irresponsável dos recursos naturais.
De volta à Europa, Humboldt se tornou um defensor fervoroso da ciência e da educação ambiental. Ele escreveu extensivamente, com sua obra mais notável sendo o “Kosmos”, uma tentativa de unificar os diversos ramos do conhecimento científico e apresentar uma visão holística do universo. Esse trabalho influenciou profundamente a ciência e o pensamento ambiental nos séculos seguintes.
Além de suas contribuições científicas, Humboldt também influenciou políticos e pensadores de sua época, como seu amigo Simón Bolívar. Ele manteve correspondência com líderes como Thomas Jefferson e foi mentor de jovens cientistas, como Charles Darwin, Henry David Thoreau e John Muir espalhando sua visão de um mundo onde a humanidade reconhece e respeita os limites da natureza.
Humboldt foi um homem à frente de seu tempo não apenas em suas descobertas científicas, mas também em sua preocupação com as futuras gerações. Ele viu claramente que o desrespeito pelas forças naturais poderia levar a um desequilíbrio desastroso, uma mensagem que ecoa com urgência até hoje, quando assistimos com tristeza as catástrofes no Rio Grande do Sul e em outras regiões do país.
Mesmo após sua morte em 1859, o legado de Humboldt continua a inspirar ambientalistas e cientistas. Sua vida é um testemunho do poder da observação científica combinada com uma preocupação profunda pelo bem-estar do planeta.
Hoje, enfrentamos desafios ambientais globais que Humboldt previu com assustadora precisão há mais de 200 anos. Seu trabalho nos lembra da necessidade crítica de entender e agir em prol do sistema climático global, reconhecendo a interconexão de todas as formas de vida.
Finalmente, a mensagem de Humboldt é clara: sempre é tempo de corrigir nossos erros e tratar a natureza com o respeito e a reverência que ela merece. Em uma era de mudanças climáticas aceleradas e perda de biodiversidade, suas palavras servem como um alerta urgente e um chamado à ação para todas as gerações.
O trabalho revolucionário de Humboldt foi redescoberto e trazido à contemporaneidade pela historiadora e escritora Andrea Wulf em seu livro aclamado pela crítica, “A Invenção da Natureza”. Wulf, nascida na Índia e criada na Alemanha, expõe a vida extraordinária de Humboldt, esse herói desconhecido da ciência e da exploração, cujas aventuras ao redor do mundo não apenas despertaram inveja em Napoleão Bonaparte, mas também inspiraram amigos como Simón Bolívar em sua revolução e Charles Darwin a zarpar com seu navio Beagle para realizar as suas grandes descobertas e teorias.
P.S. Gratidão ao empresário Beto Pereira (Comper) pelo exemplar desse grandioso livro.
*Wilson Aquino – Jornalista e Professor