O Brasil não está bem. E o pior sintoma dessa doença não é a divergência de diagnósticos, é a falta de vergonha de quem os manipula. De um lado, vozes alarmadas descrevem o país na UTI, em estado terminal. De outro, interessados por motivos diversos pintam dias gloriosos, citam números e estatísticas como se a economia fosse um paraíso e, como se não bastasse, jogam sobre os adversários toda a culpa pelos incontáveis atos de corrupção que alcançam até as mais altas cúpulas dos três Poderes da Nação.
Vale olhar com honestidade para esses números, porque eles não contam a história inteira. A vida real do povo brasileiro não melhorou. As pesquisas de opinião e as gôndolas dos supermercados mostram exatamente isso: a insatisfação popular destoa dos números “oficiais”. O que adianta o país crescer nos gráficos se a família continua sem conseguir pagar as contas no fim do mês, se o número de empresas e indústrias fechadas é alarmante em todo o país, se o jovem não encontra oportunidade digna de trabalho, se a comunidade inteira vive refém do medo? Economia que não chega à mesa do trabalhador é estatística, não é desenvolvimento.
E há um dado que envergonha qualquer brasileiro consciente: 19,3 milhões de famílias dependem hoje do Bolsa Família. Não se trata de condenar o programa, que ampara quem mais precisa, mas de denunciar o uso eleitoreiro da miséria. Em pleno ano eleitoral, o benefício foi reajustado em 15% às vésperas do primeiro turno, com o novo valor pago dias antes do segundo, e os cadastros de famílias de uma pessoa só cresceram 344 mil de janeiro a julho, justamente em ano de eleição. Enquanto a pobreza for moeda de troca, quase um quarto da população continuará preso no cabresto de um assistencialismo nefasto, alimentado por quem precisa do voto do faminto para se perpetuar no poder.
Diante desse quadro lamentável e vergonhoso, resta-nos, como cidadãos de bem, fazer a nossa parte. No domingo, 4 de outubro, mais de 158,7 milhões de brasileiros estarão aptos a votar. É preciso que cada cidadão e cada cidadã, inclusive os mais humildes, e especialmente essa poderosa juventude, sobretudo aqueles que exercitarão o direito ao voto pela primeira vez, compareçam às urnas de maneira consciente, levando nomes e números de pessoas capazes de provocar a grande e necessária transformação, não apenas do seu Estado, mas do país inteiro, que está mergulhado na pobreza e na corrupção até o pescoço.
Chega! Basta de entregar poder a “políticos profissionais” que disputam eleições apenas para cuidar dos próprios interesses ou dos interesses de grupos privilegiados, sem se importar com o bem-estar da comunidade que dizem representar. O eleitor brasileiro precisa, mais do que nunca, acordar, amadurecer e votar em quem pode ajudar a coletividade. Votar em homens honrados, comprometidos com os verdadeiros anseios da sociedade. Em quem não se vende por propina nem vende decisões. Em quem não carrega dinheiro na cueca, não esconde milhões de reais em apartamentos e em contas de laranjas, não usa a própria família para o enriquecimento ilícito. Em quem se esforça pelo bem comum, custe o que custar, sem se envolver em irregularidades. Em quem defende pautas alicerçadas nos bons princípios morais e espirituais, como o bem-estar social das famílias, célula-mater da sociedade.
Antes de digitar o número na urna, o eleitor deve fazer três perguntas. Primeira: quem é essa pessoa, qual é a sua história, o que ela já fez pela comunidade? Segunda: ela tem ficha limpa, ou carrega processos, denúncias e suspeitas que preferiria esconder? Terceira: o que ela propõe concretamente para melhorar a minha cidade, o meu Estado e o meu país, ou ela só promete o que não pode cumprir? Voto não é favor, não é troca, não é ato de obediência. Voto é a mais poderosa ferramenta de transformação que o cidadão comum possui, e quem o desperdiça entrega de graça o próprio destino nas mãos de quem não o merece.
Também é preciso eleger pessoas dispostas a moralizar os Poderes Públicos e a defender a Constituição Brasileira, que vem sendo rasgada por aqueles que deveriam protegê-la. Nenhum poder pode estar acima da lei. Quem extrapola suas atribuições, quem transforma a toga em trincheira política, quem desmoraliza o Judiciário como nunca antes se viu, deve responder por seus atos nos termos da Constituição, com a responsabilização que a lei prevê. Coragem, da mesma forma, para combater as facções criminosas que, por conta do desleixo do poder público, ocupam espaços cada vez maiores, não só em comunidades inteiras, mas também na economia e até nas estruturas do Estado.
Está nas mãos dos eleitores brasileiros fazer as escolhas corretas para o Executivo e o Legislativo, nos Estados e na União. Não venda o seu voto. Se lhe oferecerem dinheiro, comida, cesta básica ou qualquer benefício em troca do voto, não vote em quem lhe pagou. Denuncie. Voto comprado é a corrupção em estado bruto, é o roubo do futuro dos filhos de quem vende. Faça a sua escolha consciente, pensando em finalmente colocar o país nos trilhos do desenvolvimento.
É inconcebível que um país da dimensão do Brasil, com as maiores e melhores extensões de terras do mundo, férteis o suficiente para três ou mais safras agrícolas por ano, com clima favorável durante todo o ano, com o solo entre os mais ricos do planeta e os minerais mais valiosos, com um povo ordeiro, trabalhador e inteligente, viva à margem da prosperidade que ele mesmo é capaz de gerar. E tudo isso por causa dos maus políticos eleitos, que roubam a Nação e provocam o seu atraso no caminho do desenvolvimento.
Isso precisa mudar. Primeiro, na mente de cada eleitor. Depois, na urna, nesse domingo, 4 de outubro, quando teremos a oportunidade de extirpar do poder todos aqueles que vêm roubando a Nação ou travando o seu progresso. O Brasil não precisa de salvadores, precisa de servidores públicos de verdade. Gente que vá para o poder para servir, não para ser servida.
Para encerrar, a Palavra de Deus, que há milênios ilumina a caminhada dos povos: “Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas, quando o ímpio domina, o povo geme” (Provérbios 29:2). E ainda: “A justiça exalta a nação, mas o pecado é a vergonha dos povos” (Provérbios 14:34). Que a sua escolha, no dia 4 de outubro, seja a escolha de quem ama o Brasil de verdade: consciente, livre e comprometida com o bem comum. Que os justos governem, que o povo se alegre e que a justiça volte a exaltar esta Nação.
Jornalista, Professor e Escritor – Autor do livro ‘Reflexões e Memória’