Bosco Martins é escritor e jornalista
Dedicado ao meu pai Waldemar e meu irmão Cesar (in memorian)
Pai, será mais um Dia dos Pais sem você. A saudade aperta e dá vontade de voltar no tempo para ouvir sua voz, suas histórias, suas poesias, suas brincadeiras e seus sábios conselhos.
Deixa eu lhe contar: a mãe está bem cuidada, cercada pelas meninas, netos e netas. Completou 96 anos e voltou a reler aquele livro com os poemas que você fez para ela.
Estive em Jaboticabal, na velha chácara do Lafranchi. Trouxe seus livros, CDs e aquela antiga rede de madeira onde tantas vezes descansamos. Distribuí alguns dos seus relógios aos amigos. Cada um recebeu mais que um presente: recebeu um pedacinho da sua memória.
E, ao ouvir novamente seus discos de Altemar Dutra, Tião Carreiro e Pardinho e Moacyr Franco, parecia que você estava por perto.
Porque descobri, pai, que tudo passa, menos a saudade.
Mas a floresta encantada que você deixou plantada na chácara continua viva e linda. As árvores cresceram e seus gnomos continuam por lá. Reencontrei Eldrin, o velho guardião das memórias.
Ele me contou que o grande Bálsamo de Prata estava esquecendo sua história. Os pequenos duendes enfrentaram ventos e tempestades para buscar o orvalho estelar que devolveria à árvore suas lembranças.
Quando conseguiram, a floresta inteira floresceu em dourado.
E pensei em você.
Talvez seja imaginação, pai. Mas gosto de acreditar que seus gnomos e duendes continuam guardando seu maior legado: amor, poesia, histórias, gentileza e humanidade.
Saudade do seu abraço, da sua voz e das histórias que ainda queria ouvir.
Onde quer que esteja, pai, espero que esteja preparando uma nova.
Na minha floresta prateada, você nunca irá embora.
Te amamos.