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Bela Vista-MS Terça-Feira, 16 de Junho de 2026

Evento de lançamento do projeto “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário” reúne pesquisa histórica, ilustrações autorais, teatro, música e palestra sobre patrimônio cultural

Durante décadas, os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil conduziram pessoas, mercadorias e histórias que ajudaram a moldar Campo Grande e o Mato Grosso do Sul. Hoje, parte dessa memória resiste em estações, casas ferroviárias e construções históricas espalhadas pela cidade, muitas delas marcadas pelo abandono e pela ação do tempo. É para preservar e compartilhar essas histórias que será lançada a cartilha “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”, da artista visual Sara Welter, a Syunoi, em evento gratuito no dia 3 de julho, a partir das 17h, no Casarão Thomé.

O lançamento celebra a conclusão de uma extensa pesquisa sobre o patrimônio ferroviário sul-mato-grossense e contará com uma programação cultural diversificada, reunindo exposição dos desenhos originais da cartilha, palestra sobre preservação patrimonial, apresentações artísticas e música ao vivo.

A publicação é a nova edição do projeto “Resquícios do Tempo”, iniciativa que une arte e pesquisa histórica para aproximar a população da memória urbana. Desta vez, o trabalho volta seu olhar para o Complexo Ferroviário da antiga Noroeste do Brasil, conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e considerado um dos principais marcos da formação econômica e social da Capital.

“O objetivo do projeto Resquícios do Tempo é cada vez se ampliar mais com arte e história por vários lugares do Mato Grosso do Sul e do Brasil. Nessa segunda edição, a intenção é contar a história do Complexo Ferroviário de Campo Grande e também mostrar a imensidão da NOB, que passa por todo o estado, trazendo novas visões sobre essa temática”, explica Sara.

A construção da cartilha envolveu dois meses de pesquisa histórica, três meses dedicados à produção dos desenhos e um mês de diagramação. O resultado é uma publicação ilustrada que reúne a trajetória de 12 locais ligados à ferrovia, entre eles o Casarão Thomé, a Estação Ferroviária, a Casa da Chefia, a Casa dos Empregados, a Caixa D’Água da NOB, a antiga baldeação para Ponta Porã e os vagões abandonados que ainda permanecem como testemunhas silenciosas de uma época fundamental para o desenvolvimento da região.

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Produzidas em nanquim e carvão, as ilustrações apresentam uma estética marcada por contrastes intensos e detalhes minuciosos que dialogam com a passagem do tempo. “Todo o projeto Resquícios fala muito desse abandono, desse lugar antigo do qual sobraram apenas restos e histórias. A própria estética dos desenhos traz isso, com muito contraste, detalhes e essa sensação de desgaste do tempo”, afirma a artista.

Além da preservação da memória, o projeto também busca democratizar o acesso ao patrimônio histórico. A cartilha será distribuída gratuitamente para escolas, bibliotecas e instituições culturais, incluindo exemplares em braille. Oficinas educativas também serão realizadas em escolas municipais, utilizando o material como ferramenta de educação patrimonial.

“Contar a história da cidade e torná-la acessível para a população é fundamental. Sabemos o quanto a ferrovia influenciou a construção do que é ser campo-grandense e sul-mato-grossense. A intenção é abrir os olhares para tudo isso e permitir que cada pessoa tenha um novo entendimento sobre essa história”, destaca Sara.

O evento de lançamento foi pensado como um encontro entre diferentes linguagens artísticas, reunindo história, artes visuais, teatro e música em torno da memória ferroviária. A programação contará com palestra do historiador José Augusto Carvalho dos Santos, chefe da Divisão Técnica do IPHAN em Mato Grosso do Sul, intervenção cênica do espetáculo “Miragens do Asfalto”, do Teatro Imaginário Maracangalha, e show da banda Alien Sputnik. Durante a apresentação do trio, terá o video mapping deNatacha Ik ocupando as paredes do Casarão Thomé com as imagens da video-performance da artista Madu Flores desenvolvida através de registros da performance que a performer criou para o projeto. A video-performance conta com filmagens de Eduardo Marques e da artista Sara Welter, os quais registram todo o percurso performático feito pela artista.

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Para Sara, a arte possui papel fundamental na preservação da memória coletiva. “Preservar a memória é o papel da arte. Ela mostra, registra e traz visibilidade para esses lugares. Os desenhos preservam esses espaços através da observação e da interpretação artística, fazendo com que a população reconheça a importância da história, da arquitetura e da memória que eles carregam”.

Ao transformar trilhos, edifícios e ruínas em narrativa visual, “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário” convida o público a revisitar a cidade por outro olhar: aquele que entende o patrimônio não apenas como construção, mas como parte viva da identidade de quem passa diariamente por esses lugares.

Este projeto conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundac (Fundação Municipal de Cultura).

Serviço

Lançamento da cartilha “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”

Data: 3 de julho
Horário: a partir das 17h
Local: Casarão Thomé, Rua 14 de Julho, 3169 – São Francisco
Endereço: Rua 14 de Julho, 3169 – Campo Grande/MS

FICHA TÉCNICA

Artista Visual e Coordenação editorial: Sara Welter – SYUNOI

Produção cultural: Rayanne Jarcem

Assessoria de Imprensa: Lucas Arruda e Aline Lira

Pesquisa e revisão de texto:

Bruna Costa Dias

Intérprete de libras: Jessé Macedo

Oficinas: Lumar Santos

Performance: Madu Flores

Fotografia: Cecília Hanna e Dafne Alana