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Bela Vista-MS Sábado, 08 de Agosto de 2026

**Bosco Martins é escritor e jornalista*

O encontro entre Lula e Donald Trump, os dois maiores líderes políticos das Américas, ocorreu em um momento de profundas transformações geopolíticas. Mais do que um gesto diplomático, a reunião mostrou que a política externa voltou a ser guiada pelos interesses econômicos e estratégicos.

O Brasil tenta reduzir impactos tarifários, preservar espaço em cadeias produtivas e ampliar sua força de negociação. Já os Estados Unidos observam com preocupação o avanço chinês na América Latina e passaram a enxergar o Brasil como peça importante na disputa global por influência, recursos minerais e estabilidade regional.

As exportações brasileiras para os EUA diminuíram, enquanto as vendas para a China cresceram. O forte superávit comercial brasileiro comprova que o país conseguiu redirecionar parte de suas commodities — soja, minério e petróleo — para um mercado que já dependia desses produtos. Isso não significa alinhamento automático com Pequim nem rompimento com Washington. Significa pragmatismo.

Talvez o aspecto mais importante da reunião esteja justamente no que não foi dito. A diplomacia moderna deixou de ser movida por afinidades ideológicas e passou a funcionar pela necessidade. Quando adversários dialogam para evitar prejuízos maiores, a realidade passa a impor limites às paixões políticas.

Trump elogiou Lula sem abandonar sua lógica empresarial e transacional. Lula, por sua vez, buscou fortalecer o protagonismo internacional do Brasil preservando a tradição diplomática de autonomia. O encontro funcionou como um pacto de conveniência entre governos diferentes, mas com interesses momentaneamente convergentes.

A reação de parte da imprensa brasileira mostrou mais uma vez certo provincianismo e viralatismo político. Enquanto a imprensa internacional tratou o encontro como relevante, alguns setores locais tentaram minimizar sua importância.

O Brasil demonstrou maturidade ao dialogar com uma superpotência sem submissão e sem radicalismo retórico.

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No fim, prevaleceu o bom senso. Fazer política é conversar, negociar e buscar soluções. Lula mostrou experiência política e Trump revelou seu pragmatismo empresarial. O Brasil não precisa escolher entre Washington e Pequim. Precisa usar a disputa entre potências para atrair investimentos, tecnologia, indústria e empregos qualificados.

O mundo precisa menos de radicalismo e mais de diálogo, diplomacia e equilíbrio.