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Bela Vista-MS Quarta-Feira, 22 de Julho de 2026

Um vídeo que circula nas redes sociais provocou indignação em Bela Vista ao mostrar a queda de uma mulher em situação de sofrimento psíquico. O caso gerou revolta pela forma como a situação foi tratada: o que deveria ser acolhimento virou motivo de risos e exposição, levantando críticas sobre a falta de empatia e respeito.

A terapeuta ocupacional Patricia Dagostin Zanette, que atua no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), se manifestou publicamente pedindo mais sensibilidade diante de situações como essa. Em um relato emocionado, ela destacou que pessoas em sofrimento psíquico já enfrentam batalhas silenciosas diariamente e não podem ser alvo de “brincadeiras” cruéis.

“Hoje escrevo com o coração apertado. Uma pessoa em sofrimento psíquico foi alvo de uma atitude que resultou em sua queda ao chão. Mas o que caiu ali não foi só um corpo… foi a dignidade, o respeito e a humanidade que deveria existir em cada um de nós”, afirmou.

Segundo a profissional, quem vive esse tipo de sofrimento não precisa de julgamento ou zombaria, mas sim de acolhimento, cuidado e um olhar sensível. Ela reforça que cada paciente atendido na rede pública carrega uma história marcada, muitas vezes, por dor, abandono e luta diária.

A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) trabalha com o princípio de que cuidar vai além de tratar — é reconhecer o outro como alguém que sente, sofre e merece respeito em sua totalidade. “Ninguém cuida sozinho, e cada atitude nossa pode construir ou destruir essa rede”, pontuou.

O episódio também reacende um debate importante sobre o comportamento nas redes sociais e os limites do humor. Para profissionais da área, rir da dor do outro não é leve nem engraçado — é uma forma de violência.

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A expectativa é que o caso sirva como reflexão para a sociedade. “Que essa situação nos incomode e nos transforme. Que possamos ser mais humanos, mais empáticos e mais responsáveis uns com os outros. Porque por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa que precisa, acima de tudo, ser tratada com respeito”, concluiu.

A mensagem é clara: sofrimento psíquico não é meme.

Ademir Mendonça – Fronteira News