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Bela Vista-MS Segunda-Feira, 16 de Março de 2026

*Bosco Martins é escritor e jornalista

Antes que o leitor pense no antigo Vai ou Racha, tradicional ponto de encontro cultural do bairro São Francisco, em Campo Grande, vale esclarecer: o “vai ou racha” agora é dentro de campo. Neste domingo tem Santos x Corinthians e, logo depois, a convocação da Seleção Brasileira. Para Neymar, o momento parece decisivo: ou faz uma grande atuação e volta com força ao radar da seleção, ou começa a encarar de vez o crepúsculo da carreira.

O dilema do camisa 10 sempre foi equilibrar seu talento indiscutível com a fragilidade física e as exigências do futebol moderno. Depois de seguidas lesões e retornos lentos, ele tenta provar que ainda pode competir em alto nível — especialmente pensando na próxima Copa do Mundo, que pode ser sua última com a camisa do Brasil.

Neymar é um símbolo do futebol do século 21: superestrela global, fenômeno comercial e cultural. Mas sua trajetória também carrega frustrações. Conquistou a Liga dos Campeões em 2015 ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez, no lendário trio “MSN” do FC Barcelona. Ao deixar o clube catalão em 2017 para liderar o Paris Saint-Germain, assumiu o papel de protagonista — missão que nunca se consolidou plenamente.

Na França vieram títulos nacionais, mas o grande sonho europeu escapou repetidas vezes, muitas delas com Neymar fora por lesão. Assim, sua carreira passou a oscilar entre lampejos de genialidade e longos períodos de dúvida. Entre o talento que encanta e o físico que preocupa.

Agora, em 2026, ele volta a uma encruzilhada. O técnico Carlo Ancelotti cobra intensidade, disciplina tática e forma física. A qualidade técnica do craque ninguém discute; a dúvida é saber se o corpo ainda acompanha o talento.

Por isso o clássico deste domingo ganha peso simbólico. Pode ser apenas mais um jogo — ou o início de uma redenção. Em outras palavras: chegou a hora do vai ou racha e estamos torcendo pelo vai.  E o mundo inteiro esta olhando para Neymar.