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Bela Vista-MS Sábado, 07 de Março de 2026

Boa parte do povo brasileiro — talvez a maioria — utiliza integralmente os recursos de seus salários mensais para o próprio sustento ou o da família. Os baixos vencimentos, o alto custo de vida, a pesada carga tributária e a ausência de educação financeira fazem com que milhões de pessoas vivam permanentemente no chamado “fio da navalha”, sem qualquer reserva para enfrentar imprevistos.

Essa realidade torna-se ainda mais preocupante diante das constantes incertezas econômicas do país. A inflação que insiste em corroer o poder de compra, o encarecimento dos alimentos, dos medicamentos e dos serviços essenciais, além da instabilidade no mercado de trabalho, impõem às famílias um cenário de permanente insegurança.

Somado a isso, existe um fator cultural profundamente enraizado. Muitos aprendem desde cedo a gastar tudo o que ganham, sem planejamento, sem organização e sem disciplina financeira. Poupar ainda é visto como algo impossível, quando, na verdade, trata-se de um hábito que pode começar com valores pequenos, mas constantes.

Em algumas culturas, como a japonesa, existe um princípio amplamente difundido: viver com cerca de 70% da renda mensal e reservar os outros 30% para o futuro. Não se trata de privilégio financeiro, mas de disciplina. É essa mentalidade que protege famílias em momentos de crise, doenças, desemprego ou dificuldades inesperadas.

É verdade que o salário mínimo brasileiro, atualmente em R$ 1.621,00, está muito aquém do ideal para garantir dignidade plena a uma família. Nesse contexto, o governo precisa rever sua participação excessiva na renda do trabalhador, já que parcela significativa do salário é consumida por impostos diretos e indiretos. O empregador também é onerado por encargos elevados, que muitas vezes mais do que duplicam o custo real de cada funcionário.

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Ao mesmo tempo, é necessário afirmar com clareza: o empregador possui não apenas responsabilidade legal, mas também moral. Não basta cumprir o mínimo exigido pela lei. Funcionários que ajudam a construir resultados, lucros e patrimônio precisam ser valorizados com salários mais justos e humanos.

Ainda assim, independentemente do cenário político ou econômico, cabe ao trabalhador e às famílias exercerem controle rigoroso de seus gastos. Adequar o padrão de vida à renda real, evitar dívidas desnecessárias e buscar separar mensalmente uma pequena quantia para reserva ou poupança é uma atitude de sabedoria. Ser previdente não é sinal de medo. É sinal de maturidade.

Deus, em Sua infinita sabedoria, jamais deixou Seus filhos sem orientação. As Escrituras Sagradas ensinam, de forma clara, o valor da preparação e da prudência. Na parábola das dez virgens, contada por Jesus Cristo, apenas cinco estavam preparadas, com azeite suficiente para o momento decisivo. As demais, despreparadas, sofreram as consequências da negligência.

A lição é direta: quem se antecipa atravessa os momentos difíceis com mais serenidade. A Bíblia reforça esse princípio ao ensinar: “Os planos do diligente conduzem à fartura.” (Provérbios 21:5) E ainda: “Na casa do sábio há tesouro e azeite, mas o insensato tudo desperdiça.” (Provérbios 21:20)

O Livro de Mórmon também orienta com clareza: “Não corrais mais depressa do que vossas forças permitem.” (Mosias 4:27) E adverte: “Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias.” (Doutrina e Convênios 88:119)

Dentro dessa mesma visão de responsabilidade e autossuficiência, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina há décadas seus membros a praticarem o armazenamento familiar. A orientação é simples e profundamente sábia: preparar-se nos tempos de tranquilidade para enfrentar, com dignidade, possíveis tempos de escassez.

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Esse armazenamento não nasce do medo nem do alarmismo, mas da prudência. Trata-se de manter reservas básicas de alimentos e itens essenciais, de forma organizada, equilibrada e usando um sistema que permite a conservação de grãos e outros produtos, por vários anos, conforme a realidade de cada família. O objetivo é evitar o desespero em situações como desemprego, crises econômicas mais severas ou eventuais falhas no abastecimento.

Ter uma pequena reserva não é exagero; é responsabilidade. Planejar não significa desconfiar do amanhã, mas demonstrar gratidão pelo hoje.

Esse princípio caminha lado a lado com outro igualmente essencial: o hábito da poupança mensal. Ainda que o valor seja modesto, o ato de separar regularmente uma quantia desenvolve disciplina, autocontrole e visão de futuro. Poupar não é privilégio de quem ganha muito, mas decisão consciente de quem aprende a administrar bem o que tem.

Infelizmente, essa cultura econômica saudável raramente é ensinada nos bancos escolares. Crianças e jovens aprendem conteúdos complexos, mas não aprendem a organizar um orçamento doméstico, diferenciar necessidade de desejo, planejar gastos ou compreender os riscos do consumo impulsivo.

Muitos lares, por falta de orientação, acabam repetindo erros de geração em geração. O resultado é um ciclo de endividamento, ansiedade, conflitos familiares e dependência constante de empréstimos e juros abusivos.

Promover educação financeira dentro do lar é, portanto, um ato de amor. Ensinar a gastar apenas com o necessário, evitar desperdícios, planejar compras e valorizar cada recurso recebido fortalece o ambiente familiar e gera segurança emocional.

Quando a família aprende a viver com simplicidade e organização, cria-se um lar mais leve, onde há diálogo, cooperação e paz. Os filhos crescem entendendo que o dinheiro não é um fim em si mesmo, mas um meio para viver com dignidade e servir melhor ao próximo.

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No fim, ser previdente é muito mais do que uma escolha econômica. É um princípio espiritual. É compreender que Deus espera de nós responsabilidade, equilíbrio e gratidão. Ele provê, sim — mas também nos ensina a administrar.

A fé verdadeira não dispensa o planejamento; ela o inspira. E quando unimos confiança em Deus com prudência nas decisões, o futuro deixa de ser motivo de medo e passa a ser um caminho de esperança, segurança e paz.

*Jornalista, Professor e Escritor

wilsonaquino2012@gmail.com