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Bela Vista-MS Sábado, 07 de Março de 2026

Viver o presente não é anular o futuro e, nem mesmo o passado por completo. Do passado, ainda que doído podemos extrair coisas boas. Por experiência própria, agora entendo o quanto é importante VIVER para depois ESCREVER.

Eu sempre quis escrever desde a minha adolescência mas, todos os meus escritos ficaram guardados, trancados em gordos diários com aqueles minúsculos cadeados e depois encerrados no fundo da minha gaveta. Eu não expunha pra ninguém meu dom. Depois com o tempo e com a idade passei por muitas situações e, como eu mesma escrevi em um de meus livros: Tive uma adolescência que se estendeu até os trinta anos. Ou seja, precisei de tempo. Precisei viver e entender a minha ansiedade para que algum livro nascesse.

Eu precisava extrair alguma coisa boa do passado desastrado, amores não concretizados, cursos adiados, viagens não feitas, palavras não ditas em momento certo que deveriam e até cabelo não pintado por medo do julgamento das pessoas. Ou seja, coisas que na época eu nutria fazer, mas acabei me podando. E outras que eu deveria ter evitado. Daí vem aquelas pessoas de “mente poluída” e já fica pensando: “O que você gostaria de ter feito que não fez? Seria sexo assim e assado ou sair beijando todo mundo em uma festa” Não, seu besta! Mesmo porquê eu nunca acreditei que fazer essas coisas a torto e a direito seria “aproveitar a vida”.

O que estou dizendo é que meus sonhos e desejos são muito mais profundos, sobrenaturais até. “Ah, já sei, você quer fazer contato com os ETS?” Não!! também não é isso. Mas pra mudar, é necessário renuncia e disciplina. Pra falar com Deus é mais ou menos como diz a tal música do Gilberto Gil: “Se eu quiser falar com Deus.

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Tenho que ficar a sós

Tenho que apagar a luz

Tenho que calar a voz

Tenho que encontrar a paz

Tenho que folgar os nós

Dos sapatos, da gravata

Dos desejos, dos receios…” Entendeu?

 

Por isso, com o “Diário da borboleta azul” foi assim. Precisei calar, silenciar e extrair do passado uma lição.

Enquanto ao presente, ele deve ser vivido a cada instante. Nem sempre estamos dispostos. Falamos o tempo todo: “Viva o presente” ou, “O que importa é o presente” mas escondemos que o presente é a fase mais difícil de se viver. É quando precisamos testar a nossa própria capacidade minuto a minuto. Se aprendemos alguma coisa, se amadurecemos, se estamos cuidando das nossas verdades e sendo sinceros, se não estamos nos colocando em segundo plano, se estamos fazendo a coisa certa, porque o passado só passa de vez pra quem não tem medo de sorrir pra vida HOJE. Não digo forçar que está tudo bem mas, ser grato por mínimas coisas já é um começo.

O futuro não pode ser ansiado mas planejado. Pra quando chegar lá na frente não nos arrependermos de não ter cuidado. Um estudo, um “pezinho de meia” como dizia meu saudoso pai, não faz mal a ninguém. Ou, um dedinho de prosa com as formigas pra ver como elas se garantem para o inverno é muito importante.

Não podemos esquecer que aproveitar o momento como se fosse o último é bom mas, ter responsabilidade é essencial.

Então é isso: Presente, passado e futuro por mais que queiram separar estão sempre ligados e farão parte de nós para sempre. O que precisamos fazer é dosar as três coisas, dizer um “Carp diem” e dar um pontapé no mau humor e agradecer por ter chegado até aqui porque a vida é uma dádiva.

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*Escritora e artista plástica.