Campo Grande
Tráfico entre MS e MT funcionava como consórcio e chefão agia dentro do presídio

Tráfico entre MS e MT funcionava como consórcio e chefão agia dentro do presídio

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul cumpre parte dos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão da Operação Captare. A investigação é da PC de Mato Grosso e confirmou  que nos últimos quatro meses quadrilha transportou cerca de duas toneladas de maconha nas rodovias dos dois estados.

A ação seria coordenada de dentro do presídio do MS, pelo telefone.  Ele encomendava a droga dos fornecedores em Ponta Porã. O nome do preso e o presídio não foram divulgados para a segurança dos agentes penitenciários.

Segundo o delegado da DNAR (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), Reginaldo Salomão, o grupo criminoso utilizava a casa do tio do preso, localizada na rua Padre João Delfino, no Jardim Itamaracá, como entreposto.

O dono do imóvel, Joazo Viera da Silva, 62 anos, recebia como pagamento uma parcela em dinheiro e outra em droga. “Ele recebia alguns tabletes de droga para fazer o comércio dele e ganhar algum dinheiro”, contou o delegado. Durante a prisão foram encontrados  960 gramas de maconha e o idoso também foi autuado.

A residência de Joazo ficava em uma posição estratégica, perto da rodovia, facilitando o acesso do transporte. O grupo aguardava a melhor oportunidade para pegar a estrada e levar os entorpecentes. Além disso o tio do traficante deixou o mato ao entorno da casa crescer para dificultar a visibilidade do o que ocorria lá dentro.

Ainda foram cumpridos as prisões de Wallace Alberto de Souza, Maísa Oliveira Pereira e Ana Cláudia Pereira da Silva em Dourados. Todos vão responder pelo crime de tráfico de drogas e formação de quadrilha.

OPERAÇÃO CAPTARE

Foram cumpridos 52 ordens judiciais nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande (Mato Grosso), Campo Grande, Dourados e Coxim (Mato Grosso do Sul).

Quatro dos alvos terão os mandados cumpridos em unidades prisionais de Mato Grosso (2 no Centro de Ressocialização de Cuiabá, 1 na Penitenciária Central do Estado e 1 mulher na Ana Maria do Coutro May). Em Mato Grosso do Sul são três mandados de prisão, sendo um em cada cidade, Campo Grande, Dourado e Coxim.

O delegado da DRE (Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes) do Mato  Grosso, Marcelo Miranda Muniz informou que mais uma vez foi identificada como uma das características da associação criminosa  o “consórcio”, montado com o objetivo de dividir os custos com a compra da droga e a logística do transporte.

“A dificuldade e complexidade na investigação se deu pela identificação de ‘modus operandi’ poucos usuais, dentre os quais a utilização de uma quantidade elevada de pessoas para a realização do transporte interestadual da droga”, disse.

Captare é o nome de uma casta de anjo presente na obra literária de ficção Ignavos, escrita por um investigador de polícia desta Especializada. Os Captares, ou rastreadores, como também são conhecidos, são tidos como uma espécie de “serviço secreto”, encarregados de caçar e procurar inimigos, aqui, fazendo uma alusão aos traficantes (inimigos da Lei).