Mato Grosso do Sul
Ócio, pai da violência : Por Wilson Aquino

Wilson Aquino

Os números da violência no Brasil são estarrecedores. Todos os dias, em todos os lugares, são registrados os mais variados tipos de crime, envolvendo adolescentes, jovens e adultos, homens e mulheres. Além dos crimes, temos também elevados índices de vandalismo, que vão desde pichações a destruições de patrimônios público e privado e brigas, que afrontam violentamente a moral e os bons costumes da sociedade.

Mas, afinal, a que se deve tamanha violência hoje no País? Por que um número cada vez maior de pessoas, especialmente jovens e adolescentes, se envolvem nos mais variados atos ilícitos, criminosos?

Se procurarmos analisar a fundo os motivos que levam jovens e adolescentes a esse mundo da violência, chegaremos a algumas respostas e uma delas certamente será a ociosidade desses indivíduos no dia-a-dia, que os estimula e os ensina a trilhar esse caminho torto que resultará em diferentes graus de influencias negativas e maléficas de seus integrantes.

O velho ditado de que “mente vazia é oficina do diabo” é uma grande verdade e de consequências inevitáveis, como as que temos visto e ouvido por intermédio dos noticiários.

Uma sociedade que não dá boas e saudáveis opções de práticas esportivas, culturais e de lazer para seus jovens e adolescentes, permitirá que se aglomerem e encontrem “soluções” para suas desocupações que poderão, amanhã, voltarem-se contra si próprio e/ou para a sociedade, nas formas de doenças, vícios, crimes de roubos, furtos, assassinatos.

Ou seja, se um jovem não conta com uma boa infraestrutura de esporte, cultura e lazer em seu bairro, em sua cidade, para se ocupar por períodos contra escolar, à noite ou nos finais de semana, certamente acabará encontrando outros meios (nem sempre saudáveis e/ou recomendáveis) para passar o tempo com os amigos, levando junto maus hábitos como o fumo, a bebida e até as drogas que se tornarão vícios.

Mesmo sob a rígida educação e fiscalização dos pais, o ócio na comunidade juvenil levará para dentro dos lares muitos desses vícios, promovendo a discórdia, o desentendimento, as brigas e revoltas nesse ambiente sagrado, com consequências para toda sociedade.

O Estado tem grande parcela de culpa pelos inúmeros casos de violência na sociedade, quando não exerce com competência a sua função de investir nessa infraestrutura de esporte, cultura e lazer nos bairros e vilas das cidades.

Não basta ao Estado pegar todo o dinheiro arrecadado junto ao próprio povo e investir apenas em obras e ações de educação, saúde e infraestrutura urbana. É preciso investir também, e muito, no bem estar social da comunidade, para que seus membros tenham mais conforto e qualidade de vida.

Temos no Brasil inúmeros casos de sucesso absoluto de projetos voltados culturalmente e esportivamente para crianças, jovens e adultos que crescem nesses ambientes, bem longe da ociosidade. Projetos musicais, escolinhas de futebol, de ginástica e dança e tantos outros projetos que evitam que menores trilhem por caminhos tristes, tortuosos e espinhosos.

A igreja também faz muito bem esse papel, de envolver o indivíduo, menor ou adulto, em atividades benéficas e saudáveis ao corpo e (principalmente) ao espírito. Ela orienta e ajuda o indivíduo a se fortalecer, lhe dando argumentos, instrumentos e conhecimentos sobre o real sentido da vida, alicerçado na palavras e mandamentos de Deus.

Estudos revelam que jovens e adultos que acreditam em Deus e no papel da igreja na salvação do homem, dificilmente se desviam do caminho. Ou seja, dificilmente se enveredam para o mundo do crime, da violência. Logo, não é errado afirmar que feliz é aquela família cujos filhos são criados dentro do evangelho de Jesus Cristo.

Voltando para o poder público, maior responsável pelo aumento da criminalidade no país, quando não investe em obras saudáveis para o desfrute da sociedade nas áreas de cultura, esporte e lazer, há que se ressaltar também seu péssimo e criminoso exemplo quando desvia dinheiro público para o enriquecimento pessoal e/ou de determinados grupos.

O Estado dá péssimo exemplo ao cometer crimes de desvio de verba e de má conduta ética e profissional nas esferas municipal, estadual e federal e o que é ainda pior, nos três poderes. A sociedade perde referência pública de idoneidade, honestidade, caráter e outras virtudes que deveriam ser ilibadas em todo servidor público.

Insisto: todos os bairros e vilas de Campo Grande e interior, de todas as cidades brasileiras enfim, deveriam ter uma excelente infraestrutura para práticas esportivas, culturais e de lazer para todos, com professores e instrutores, pagos e/ou voluntários, para estimular as competições esportivas e culturais e tantas outras ações.

Deveriam ter também milhares de mini-bibliotecas, gibitecas e outros organismos semelhantes, informatizadas, para o estudo e lazer da criançada. Esses ambientes serviriam também para jovens e adultos.

A sociedade pede socorro e num ano como este, de eleição, não dá mais para as pessoas permanecerem no ócio político. É uma boa oportunidade para analisar as propostas daqueles que querem nos representar e alijar do processo todo aquele manchado pela culpa.

 

Jornalista e Professor

wilsonaquino2012@gmail.com