
No hospital, menino está consciente e orientado, mas não tem previsão de alta médica (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
O menino de quatro anos torturado pela própria família em Campo Grande começa a experimentar o gostinho da infância na Santa Casa da Capital onde está internado. “Ontem, ele comeu chocolate pela primeira vez e gostou”, relata a conselheira tutelar Cassandra Szuberski que acompanha o caso.
A criança está internada e sem previsão de alta, pois chegou ao hospital com muitos ferimentos causados pelos tios e um primo durante os rituais de magia negra. A criança também já ganhou brinquedos da equipe médica e até um violãozinho que tocou e adorou. “Ele também revelou ser fã da galinha pintadinha. Já está comendo e brincando como qualquer criança faria”, disse a conselheira, citando que a dieta dele é hipercalórica.
O menino está em um leito de isolamento acompanhado de uma cuidadora. Segundo Boletim Médico divulgado pela Santa Casa, “o paciente passa por tratamento clínico de abcessos em face e pavilhão auricular, ainda sem previsão de alta”. Foi informado ainda que ele está consciente e orientado, em ar ambiente, recebendo antibióticoterapia endovenosa e cuidados multidisciplinares (equipes de oftalmologia, cirurgia plástica, fisioterapeutas, assistentes sociais, etc.). No geral, o paciente encontra-se estável clinicamente, sem risco de vida iminente, diz o boletim.
Quando deixar o hospital, a criança deverá ficar abrigada na Unidade de Acolhimento Infantojuvenil (UAI) mantida pela prefeitura da Capital. Sobre uma possível adoção da criança, a conselheira explica que tal decisão caberá ao poder judiciário. “É que existe todo um processo. Primeiro tem que haver a destituição do poder familiar”, detalha.
A criança estava sob a guarda dos tios que estão presos acusados de torturá-lo nos rituais de magia negra que eram praticados dentro de casa na Rua Maracaju, no Centro de Campo Grande. Um primo do casal acusado de participação nos rituais também está detido. O menino tem histórico de abandono. Foi deixado pelos pais que seriam usuários de drogas e depois pela avó que o entregou a um abrigo. Em maio do ano passado, ele passou a morar com a tia que pediu a guarda dele à Justiça.
Na ocasião, ela já teria a intenção de usar a criança nos rituais. Durante meses, a família foi acompanhada por psicólogos e assistentes sociais. A julgar pelos ferimentos na criança as agressões aconteciam há pelo menos seis meses. O Conselho Tutelar da região central disse que não tinha conhecimento das agressões. “O Conselho Tutelar não atendeu esse menino antes.
Portanto, desconhecia o caso”, informou Cassandra. Comoção – Diante da comoção em torno da situação do garoto, muitas doações têm chegado à Santa Casa de Campo Grande. Muitas pessoas deixaram presentes como roupas e outros objetos no hospital que serão entregues quando possível, segundo a nota da Santa Casa.
Contudo, o hospital esclarece que não será possível fazer do local um ponto de arrecadação. As doações devem ser entregues preferencialmente no próprio Conselho Tutelar. “No hospital ele tem todo o tratamento necessário e só utiliza roupa da instituição, portanto seria oportuno alertar as pessoas a tomar cuidado com onde contribuir para que não se favoreça pessoas de más intenções entre os bem intencionados”, diz a nota divulgada pelo hospital. O Conselho Tutelar do Centro fica na Rua Sebastião Lima, 1.297. Os telefones de contato são 3314-6371/3313-5027