Polícia
Mato Grosso do Sul possui mais de 7,3 mil presos por crimes federais

Mato Grosso do Sul possui mais de 7,3 mil presos por crimes federais

Forças policiais de MS viraram protagonistas no combate ao tráfico; quase metade dos detentos deveria estar em presídios federais

Com 1.517 quilômetros de fronteira com Paraguai e Bolívia, Mato Grosso do Sul tem 16,5 mil presos em presídios estaduais, sendo que 7,3 mil cometeram crimes transnacionais, como tráfico de drogas e armas, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) de junho de 2018. São detentos que deveriam cumprir pena em presídios federais.

É um problema que, em Mato Grosso do Sul, agrava ainda mais a situação de superlotação vivenciadas em presídios de todo o Brasil, prejudicando as condições de cumprimento das penas e ressocialização dos detentos. Os estabelecimentos penais do Estado têm hoje 8.707 vagas para abrigar toda a massa carcerária. Vale lembrar que três presídios estão em construção em Mato Grosso do Sul.

Enquanto isso, o Governo Federal tem empurrado com a barriga a situação e, por isso, Mato Grosso do Sul precisou entrar com uma ação na Justiça. Desde 2015, o governador Reinaldo Azambuja tem cobrado medidas para reforçar o monitoramento das fronteiras.

Também falta uma participação efetiva das forças nacionais. Mato Grosso do Sul precisou assumir o papel de protagonista no combate ao tráfico e a segurança nas fronteiras ficou relegada quase que somente às polícias estaduais.

Os dados da Sejusp mostram que, em seis anos, de 2012 a 2017, as apreensões de drogas pelas forças de Mato Grosso do Sul, como o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), saltaram de 87 toneladas para 427 toneladas por ano. Isso significa mais de uma tonelada de entorpecente por dia.

Reinaldo Azambuja lembra que drogas e armas que alimentam a violência de grande centros, como o Rio de Janeiro, entram no País pelas fronteiras. “O Brasil fica enxugando gelo. Não adianta ficar apenas ali no Rio de Janeiro, sendo que a porta de entrada das drogas são as fronteiras com Bolívia e Paraguai. Precisamos que o Governo Federal entre em ação e coloque as forças federais em Mato Grosso do Sul”, disse.

Na medida em que as apreensões aumentam, cresce também o número de presos, muitos deles sentenciados por tráfico e outros crimes transnacionais. Cerca de 40% dos detentos custeados pelo Estado cumprem pena por crimes federais. Uma massa carcerária que custa a Mato Grosso do Sul R$ 10,6 milhões ao mês ou R$ 127,3 milhões ao ano.