Mato Grosso do Sul
Leia Coluna Amplavisão: Sobram leis, falta sensibilidade!

Manoel Afonso

Amplavisão 1278 –  Sobram leis, falta sensibilidade!

ESSE PAÍS… Na infância plantei café, colhi algodão, engraxei sapatos, vendi frutas e  velas em cemitério. Experiências positivas.  Lendo a notícia de que autoridades foram aos cemitérios da capital para autuar garotos que trabalhavam na limpeza de túmulos no Dia de Finados questiono:  em plena crise, é melhor eles labutarem honestamente sem coação num ambiente sadio  ou partirem para o mundo do crime? Brincadeira; sobram leis, falta sensibilidade!

DESASTRE  Faltam melhor divulgação e estratégia a campanha do cadastramento biométrico do TRE na capital. Até agora o número de eleitores que compareceram é pequeno. Além  da burocracia que toma tempo dos interessados,  ela está restrita a poucos postos de atendimento, quando o correto seria ir ao encontro dos eleitores. O uso da carreta do TJMS  em pontos estratégicos dos bairros seria uma boa alternativa. Neste ritmo muita gente vai ficar sem votar em 2018.

REPETINDO : “Pesquisa eleitoral é igual biquíni – mostra o principal  – mas esconde o essencial. Sem questionar a metodologia e aspectos envolvendo a pesquisa do IPEMS divulgada há pouco, fica a impressão de que o ex-governador André Puccinelli  (PMDB)  caminha para reeditar  a performance do ex-governador Pedrossian no pleito de 1998.

1-FADIGA  Quase 20 anos se passaram após aquela desastrosa campanha ‘pedrista’. O país é outro: internet, celular, sites independentes,  escândalos, prisões, economia em recessão e a disputa acirrada no mercado de trabalho. O cenário é bem mais complexo. Os currais eleitorais diminuíram e aumentou o contingente de exigentes e esclarecidos.

2-FADIGA  Em 2012, sem estrutura e lideranças de peso, o candidato Alcides Bernal (PP)  goleou o candidato Edson Giroto (PR) e 15 partidos ( 250 candidatos a vereador), apesar do apoio do ex-governador André, ex-prefeito Nelsinho Trad (PMDB) e outras lideranças de peso. O recado direto: o povo não aceitou mais aquele modelo impositivo. Pena – o vitorioso era pífio.

MEMÓRIA Em 2014 o candidato Delcídio do Amaral (ex-PT) era o favorito para o Governo do Estado –  já no 1º turno. Seu adversário Reinaldo Azambuja (PSDB) partiu com força e depredou  a sua imagem – antes intocável – imputando-lhe envolvimento em corrupção. Nem o apoio do Planalto e de André  reverteram o desastre nas urnas.

A PERGUNTA que repito: os vereadores e prefeitos do interior tem  prestígio bastante para reverter os efeitos negativos do que rola nas redes sociais contra os políticos?  Na conversa com eles ( interioranos ) sinto dúvidas no desafio de transferir seus votos para o candidato ao Governo. Quantos prefeitos vão bem? Já o vereadores, desgastados pelo salário, verbas indenizatórias e mordomias. O povo é malandro – mas enxerga!

CELULAR  Quem não tem um? Só se for muito pobre, velho ou ignorante demais. Pouco a pouco todos vão aprendendo a manuseá-lo e acabam vendo as mensagens, notícias, charges e filmetes de toda espécie. Cada um tem potencial técnico para se transformar em repórter, flagrando fatos com consequências políticas danosas.

‘ OUTSIDERS’   são os estranhos, ‘ aqueles que não se enquadram na sociedade,  vivem às margens das convenções sociais e tem seu próprio estilo de vida com suas crenças e valores”.  Na França elegeram o novato Emmanuel Macron e nos ‘States’ Donald Trump.  Esses estranhos, pela última pesquisa do Ibope chegam a 56% e são aqueles integrantes da parcela de indecisos , do voto em branco e  do voto nulo.

‘CASCATA’  Esse tipo de efeito das eleições presidenciais para as estaduais – pelas informações e cenário de insatisfação  – tende a ocorrer em 2018. Se 56% dos eleitores não querem Lula e nem Bolsonaro, é sinal de que eles não querem gente de partidos tradicionais e que respondem a investigações ou processos por corrupção. A biografia manchada dificilmente  será tolerada.

CASOS LOCAIS   O deputado federal Zeca do PT está inelegível pela condenação no Tribunal de Justiça (MS) no caso ‘ Farra da Publicidade’. O ex-governador André com os bens bloqueados  em processo ( ‘Lama Asfáltica’) na 3ª. Vara Federal desta capital.  O ex-prefeito Nelson Trad Filho (PTB) e o deputado federal  Luiz H. Mandetta (DEM)  respondem a processo no caso Giza. O deputado estadual João Grandão (PT) condenado a 11 anos e 10 meses de prisão no TRF-1 no caso ‘Sanguessuga’.  Deputado Vander Loubet (PT) responde a vários processos no STF por  corrupção.

O CLIMA  nas ruas é de repulsa. Fruto da corrupção sistêmica das lideranças e partidos tradicionais desfrutando do poder. Sinto isso nas filas do dia a dia na capital, onde não encontro os políticos. Como eu digo: eleitos, os políticos são tomados por um ‘incrível sentimento de pressa’ na relação com o eleitor. Temem cobranças de desempenho ou  uma ‘mordida’.

DÚVIDAS    Como ficará o cenário político? Quem serão os grandes beneficiados politicamente com a perda do ex-prefeito de Corumbá – Ruiter de Oliveira Lima que era do PSDB? Quem seria seu herdeiro político no seu grupo ou partido? Qual será a postura política do novo prefeito Marcelo Yunes (PTB) e como serão suas relações políticas com o Governo Estadual?

MANOBRA   Para tentar escapar da Lava Jato muitos políticos investigados pela Polícia Federal, inclusive aqui,   já optam por candidatura mais segura, trocando o Governo e o Senado por vaga na Câmara Federal. É a busca do foro privilegiado no STF, o paraíso da impunidade, onde demorou mais de 100 anos para um político ser condenado.

EXPLICO:  Se o juiz  federal Sérgio Moro demora em média, apenas uma semana para aceitar uma denúncia do Ministério Público Federal, o glorioso STF precisa de 581 dias. Enquanto  a tramitação penal no foro federal do Paraná leva apenas alguns meses, no STF a média é de 1377 dias,  ou seja quase 4 anos. Convenhamos, muita diferença!

COMPARAÇÃO: O juiz Moro condenou o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) a mais de 15 anos de prisão depois de apenas 5meses de sua prisão.. Já o senador Fernando C. de Mello (PRN), citado na Lava Jato em 2014, leva vantagem no STF onde corre seu processo; só no último mês de agosto ele se tornou réu. Vai empurrar com a barriga e o crime prescreverá se tiver mandato protetor.

DUAS OPINIÕES  na mídia nacional. A primeira é do Secretário José Carlos Barboza  (Sejusp) dizendo que  o Governo Federal tem sido omisso e irresponsável no combate ao narcotráfico nas fronteiras do nosso Estado. A segunda – do ex-Juiz Federal Odilon de Oliveira advertindo de que sem medidas efetivas o narcotráfico estará incontrolável em poucos anos. Falta presença efetiva da Polícia Federal  na fronteira e mais homens e estrutura na PRF.  E quanto mesmo o Brasil gastou com as Olimpíadas, Copa e ajuda ao Haiti. Inverteram as prioridades.

A PROPÓSITO   Tem sim razões de sobra o governador Reinaldo (PSDB) quando pede ao Governo Federal atenção especial ao nosso Estado no item segurança. Indiretamente –  lembra o governador –  o Mato Grosso do Sul acaba assumindo a   gestão de responsabilidade da União e nem por isso é  recompensado financeiramente por isso. Um absurdo.

UTOPIA  Cem anos após a Revolução Comunista na Rússia não se tem notícia de outra matança igual. Mais de 100 milhões de pessoas mortas pela fome e execuções sumárias.  Nem nas duas Guerras Mundiais a matança foi tamanha. Pena que essa página ficou escondida por muito tempo da opinião pública. Mas os nossos comunistas estão por aí, vendendo ilusões aos idiotas e ingênuos.

APLICATIVOS  Qual a força política dos taxistas para merecerem tamanha proteção política? Seriam eles eficientes cabos eleitorais? E os familiares dos motoristas dos chamados aplicativos,  não merecem a mesma atenção nestes tempos de crise? O Brasil vai ficar na contramão como quer o PT? Basta de nichos de privilegiados. Vale a concorrência em benefício da população. O  mundo mudou! Parabéns ao senador Pedro Chaves.

 “Saudade é a presença da ausência”. ( Alceu Amoroso Lima)