Mato Grosso do Sul
Leia Coluna Amplavisão: Política, só para os profissionais?

Manoel Afonso

Amplavisão 1277 – Política, só para os profissionais?

DEFINIÇÕES  de história. : “A história é uma puta. Sempre fica bem quem paga melhor” ( Gal Juan D. Peron)   “A história é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo”. ( Napoleão Bonaparte) “É a soma de relatos, quase todos falsos, de eventos quase todos menores, provocados por políticos quase todos velhacos e executados por soldados quase todos patetas.” ( Ambrose Bierce)

CONCLUSÃO:  Não leve muito a sério o que escrevem sobre determinados fatos  históricos e seus personagens. A observação de Juan Peron leva em conta a postura da imprensa movida a interesses financeiros. Sobre as guerras por exemplo, são contadas pela ótica dos vencedores. A propósito, a fatídica Guerra do Paraguai contada pelos brasileiros é uma série de inverdades sem tamanho.

HERÓIS?  Na conversa que tivermos com o ex-senador Levy Dias falamos sobre o episódio da tal ‘Tríplice Aliança’, onde nos juntamos ao Uruguai e Argentina para massacrar e dizimar a população adulta do Paraguai. Vangloriamos de ter poupado só os velhos, crianças e mulheres. Como nas outras guerras, essa foi contada  pelos vitoriosos e ponto final.

ELOGIOS    Recomenda-se cautela com eles pelo seu  caráter de encomenda, embora massageiam o ego dos destinatários que não diferenciam a verdade da mentira. Quem realmente merece, aceita os elogios como mera gentileza sem segundas intenções.  E indago: será que políticos e autoridades, têm consciência de que são apenas personagens temporais deste festival medíocre de elogios que há na mídia?

HOMENAGENS A opinião pública tem seu conceito próprio.  Medalhas, títulos , placas e denominações de locais públicos nem sempre tem a ver com os homenageados. Ao passar pelo viaduto na Avenida Afonso Pena com a rua Ceará – deparo com a placa ‘Viaduto Senador Italívio Coelho’- fico em dúvida: seria ele engenheiro, arquiteto ou pecuarista?  Outro caso bizarro é do engenheiro e ex-governador Harry Amorin que  virou nome de presídio em Dourados. Logo ele, de alma gentil! Pode?

CONCORDA?  Quando os políticos tomam a iniciativa de homenagear alguém – na maioria das vezes – estão simplesmente fazendo um empréstimo que renderá juros (votos) no futuro. Penso que as casas legislativas  excedem nas outorgas de homenagens, o que poderá  ofuscar o brilho no caso de merecedores das honrarias. Tudo que é em excesso fica banalizado, corre inclusive risco de virar coisa comum.

BASTIDORES  É possível que a deputada federal Tereza Cristina embarque no PMDB caso o ex-governador André opte pela Câmara Federal em busca do foro privilegiado. Ela também estaria aguardando a definição de uma eventual ida do deputado Carlos Marun (PMDB) para o Tribunal de Contas do União. Sem os esquemas do PMDB ela dificilmente se elegeria.

ELEIÇÕES  Motivam os debates e hipóteses sobre os nomes. Nesta semana no saguão da Assembleia Legislativa ouvi opiniões de assessores, vereadores e prefeitos do interior sobre o quadro em 2018. No centro das opiniões o nome do ex-juiz Odilon de Oliveira que aparece como a maior novidade até aqui para postular a governadoria ou uma cadeira no Senado.

CORPORATIVISMO  O argumento comum a algumas  opiniões é que o ex-Juiz  –  embora elogiado pela sua conduta reconhecida nacionalmente, não é do ramo, novato na política, sem traquejo e sem equipe que possa auxiliá-lo no exercício  do cargo. Enfim, notei uma defesa em prol do político profissional – a quem caberia a exclusividade para exercer o mandato representativo abençoados pelo lema: “rouba mas faz”.

OS POLÍTICOS  profissionais presentes no noticiário policial. Os ex-ministros Geddel V. Lima (PMDB) ( 5 mandatos) e  Antonio Palloci (PT) ( 6 mandatos), os ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) ( 4 mandatos), Henrique Alves (PMDB) ( 11 mandatos), deputado Paulo Maluf (PP) ( 7 mandatos), ex-governadores Sergio Cabral (PMDB) ( 6 mandatos)   André Puccinelli (PMDB)  ( 6 mandatos), ex-senador Delcídio do Amaral (PT)

QUANDO  o general francês Charles De Gaulle disse que “a política é assunto sério demais para ser deixado com os políticos”, ele tinha uma visão bem realista do que estava  acontecendo em seu país. Aliás, gosto da frase franca deste grande estadista: “ Prefiro trair o eleitorado do que trair o meu país.” A frase traduz sua grande preocupação com os destinos da nação. Claro, os políticos não gostavam dele por ser  avesso a roubalheiras. O povo o respeitava,  não comungando com a filosofia do ‘rouba mas faz’ – aliás muito comum no Brasil.

ODILON Sua eventual participação no processo político é saudável, é bem vinda sob todos os aspectos, mesmo porque a democracia tem que ter esse viés participativo sem exclusividade de classes e atividades profissionais. Os políticos profissionais não podem se sentirem incomodados com esse ‘estranho no ninho’. Esse nicho é só deles? Ora! Quanto mais opções o eleitor tiver, melhor será.

‘PEITINHOS DUROS’  Primeiro foi o ex-deputado estadual Sergio de Assis (PSB)   ( sumido das missas) condenado por envolvimento sexual com menores de idade num rumoroso caso que envolveu o ex-vereador Alceu Bueno ( sem partido) que acabou morto. Aliás, fala-se em outros políticos na berlinda.  Agora foi a vez do empresário Zeca Lopes, condenado  a 19 anos de prisão pelos mesmos crimes.  Esse pessoal do poder e do dinheiro acha que pode tudo. A opinião pública está antenada no desfecho do caso no Tribunal de Justiça.

ZÉ TEIXEIRA  Em conversa com o cronista, o  deputado reconheceu e elogiou  a ação de seu colega Jr. Mochi (pMDB) – que  saiu fortalecido do episódio.  Elogios do Zé Teixeira (PSDB) tem enorme peso pela sua credibilidade.  Valeu aí – além do conhecimento jurídico do deputado Jr. Mochi, sua visão para pegar o atalho da praticidade e conseguir viabilizar o acordo já divulgado na mídia.

SACANAGEM   Para boicotar o transporte de passageiros através de aplicativos, a Câmara Federal aprovou projeto que cria enormes dificuldades burocráticas para inviabilizar o sistema que congrega hoje 17 milhões de motoristas.  O senador Pedro Chaves (PSC) alerta para a tragédia caso o Senado aprove o projeto sem emendas. O senador defende seu projeto substitutivo – fruto de 6 meses de estudos e audiências inclusive que concilia interesses dos taxistas e dos demais motoristas.

SÓ NO BRASIL… Aqui foi um ‘Deus nos acuda’ para quebrar o monopólio da telefonia. Se dependesse do PT por exemplo, não teríamos celular até hoje. Esse caso dos taxistas é apenas mais um que beneficia determinadas classes sociais por ingerência política.  Aproveito para lembrar a Câmara de Vereadores da capital que a opinião pública espera um final positivo da CPI que investiga a máfia do taxi em Campo Grande, onde  aliás a tarifa é vergonhosamente cara.

VALENTE Aprecio a autenticidade e a coragem da deputada Mara Caseiro (PSDB).  Uma dentista que derrotou os políticos profissionais de Eldorado e região. Agora ela segura a bandeira do movimento ‘Escola sem Partido’ visando evitar a contaminação político-ideológica das escolas através de militantes travestidos de professores. Pena que esse pessoal inviabilizou a realização da audiência pública que a deputada deveria presidir na Câmara Municipal. Uma orquestração petista, sem dúvida.

SUCESSÃO  Certíssimo o governador Reinaldo (PSDB) na postura de  cuidar   exclusivamente dos desafios da sua gestão até carnaval de 2018. Há uma série de implicações nacionais de ordem política e econômica que não podem ser ignoradas. Quem tem conversado com o governador ressalta sua serenidade nas palavras e atitudes. Quanto a eventual composição com o PMDB, ele não as declarações de parlamentares peemedebistas neste sentido. Sabe o que faz.

RIDÍCULOS   Em 2012 a deputada federal Ângela Guadagmin (PTT-SP) encenou a ‘dança da pizza’  comemorando a absolvição de um colega do PT, Hilária a cena. Lembra? Agora o desengonçado deputado Carlos Marum ( PMDB) – de olho nos holofotes –  imitou o cantor Benito de Paula com ‘Tudo está em seu lugar’ para ironizar a derrota da oposição na Câmara.  Como calouro, Marun só vai para o trono  com  Michel Temer e Eduardo Cunha  no júri.

APLAUSOS  Por fatores ‘estranhos’ na época, Campo Grande não conseguiu atrair uma só fábrica de cerveja. Tudo ficava nos discursos e ‘adeus viola’. Agora o gerente de uma rede de supermercado na capital que vende 80 mil caixas da cerveja Bamboa  por mês. lembra que a fabrica gera e emprego e renda. O Governo Estadual e a Prefeitura Municipal tem seus méritos neste sucesso.

ÁGUA & VOTOS  Evidente que o decreto prefeitural acabando com a taxa mínima do consumo de água em Campo Grande tem o lado social. Mas tem também o viés político. São  127 mil casas beneficiadas. Se em cada uma delas residir duas pessoas serão mais de 250 mil cidadãos satisfeitos e que podem retribuir nas urnas. Marquinhos sabido!

“Criticar o Governo é tão gostoso que não deveria ser monopólio da oposição”. ( Milton Campos)