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Bela Vista-MS Quarta-Feira, 24 de Junho de 2026

Hidroxicloroquina é usada por pacientes com lúpus, artrite reumatóide e casos de malária

A farmacêutica multinacional brasileira EMS, de São Paulo, está prestes a iniciar a fase de estudos clínicos com a hidroxicloroquina em pacientes infectados pelo novo coronavírus (Covid-19) no país. A substância já é utilizada no tratamento de doenças como lúpus, artrite reumatóide e malária, mas ganhou holofotes na última semana após o presidente Donald Trump pedir ao órgão federal de regulação americano (o FDA) agilidade na aprovação da droga para tratamento contra o coronavírus. A EMS, com sede em Hortolândia (SP), integra o Grupo NC, também acionista da NSC Comunicação.

Segundo o diretor médico-científico da EMS, Roberto Amazonas (veja a entrevista na íntegra aqui), uma parceria com o Hospital Albert Einstein, de São Paulo, foi estabelecida para elaborar o protocolo exigido pelos trâmites legais e iniciar a administração de dosagem em pacientes que apresentarem infecção pelo coronavírus. A medida ainda aguarda aprovação da permissão por parte do Comitê Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), ligado ao Conselho Nacional de Saúde. A expectativa é de que em até 30 dias os testes clínicos possam ser iniciados.

Primeiramente, os testes serão feitos em pacientes voluntários com estado grave da doença. Mas Amazonas informa que também está sendo elaborado o protocolo para aplicar o medicamento em pacientes com estado moderado de sintomas do coronavírus. A EMS, que doará toda a medicação ao Hospital Albert Einstein, também negocia parcerias com outros centros clínicos do país para expandir os estudos e ganhar agilidade nos testes.

Serão avaliados entre 500 e 600 pacientes voluntários, que serão divididos em dois grupos. O primeiro receberá doses de hidroxicloroquina por 10 dias. O segundo grupo será submetido ao mesmo medicamento por 10 dias, mas acompanhado de azitromicina, muito utilizada no tratamento de infecções respiratórias.

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– A maioria dos estudos está usando o tratamento ao redor de 7 a 10 dias. No nosso estudo, a gente está procurando um tratamento por 10 dias. Tudo é muito novo, mas ao que parece a evolução da doença é bem rápida, e a gente precisa atuar de forma rápida. Nesse tempo, a gente define o prognóstico do paciente – explica o diretor da EMS.

Amazonas espera que, em até 60 dias, seja possível coletar resultados suficientes para indicar se o tratamento com hidroxicloroquina é realmente eficaz contra o novo coronavírus. Após os testes, os próximos passos são coletar os dados, fazer análise estatística dos resultados e submetê-los à avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É o órgão federal que fará a aprovação do medicamento para ser aplicado em larga escala no tratamento contra o novo coronavírus.

No entanto, ainda não é possível estabelecer um prazo para a comercialização do remédio em prescrições contra o coronavírus.

Ministro da Saúde afirma que país tem condição de produzir em alta escala

Em entrevista coletiva na tarde deste domingo, em Brasília, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o país tem condições de produzir a hidroxicloroquina em larga escala. O que ainda é necessário é definir a dosagem e o protocolo de administração da droga. O ministro ressalta ainda a necessidade de haver mais estudos com amostragem grande de pacientes.

Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde

(Foto: Agência Brasil)

– Esse medicamento o Brasil tem total capacidade de produção. Temos matéria-prima, temos condição de abastecer todo o território nacional para todos os casos que tivemos. Temos condição, inclusive, de emprestar para outros países, porque ele é pano de fundo de medicamento de malária. O que estamos aguardando um pouco para colocar [em circulação] é qual vai ser o protocolo, qual a dosagem, de quantas em quantas horas, quem vai usar, se vai ser usado somente para os pacientes internados, o que me parece de mais bom senso – disse Mandetta.

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O presidente Jair Bolsonaro anunciou, neste fim de semana, em vídeos nas redes sociais, que o laboratório do Exército também começará testes com a substância para avaliar o potencial do medicamento no tratamento de pessoas infectadas com o novo coronavírus (Covid-19).