Polícia
Empresário morto em Campo Grande deu cheque sem fundo de R$ 39 milhões em 2017

Dono da MPP (Mineração Pirâmide Participação Ltda), em Corumbá, Cláudio da Silva Simão, morto fuzilado na manhã desta quinta-feira (15), em bairro nobre de Campo Grande, onde morava, emitiu um cheque no valor de R$ 39 milhões em julho do ano passado a um credor que também era seu sócio, contudo, a ordem de pagamento não tinha fundo. Hoje, reajustado, o débito é de R$ 40.188.400,43.

Depois de tentar receber a dívida de modo amigável, o credor do empresário apelou judicialmente em novembro do ano passado, mas até hoje, um ano depois, a conta não foi paga.

O histórico da dívida não paga por Simão é narrada no processo 0841840-51.2017.8.12.0001, que corre desde o dia 30 de novembro de 2017, na 12ª Vara Cível de Campo Grande e Atílio César de Oliveira Júnior, é o juiz da questão.

No recurso, é dito que quem recebeu o cheque sem fundo era sócio da mineradora, portanto, tinha vínculos com empresário morto.

Ricardo Augusto Nascimento Pegolo dos Santos, advogado que conduz a ação de execução de título, produziu a denúncia contra a mineradora em seis páginas.

Na petição, é dito que o advogado representa o espólio de Francisco de Assis Moura, a viúva Maria de Lourdes Gomes Moura.

Ou seja, o credor do empresário morto já morreu por causa não citada no processo.

De acordo com a petição, no cheque emitido para pagar a conta da mineradora de extração de ferro, na cidade de Corumbá, constam às assinaturas de três avalistas: Cláudio Simão, da advogada Hiadas Reis Giordano Sabatel e do empresário Theotônio dos Reis Costa Neto. Eles seriam sócios da Pirâmide.

O fato de o credor do empresário morto ser sócio da mineradora surge no processo cobrando a dívida [tocado pela viúva, no caso]: “que o autor faz parte do quadro societário da primeira ré [mineradora] e sócio dos outros demais e, conforme documentos acostados a esta possuía créditos da primeira ré”.
Ainda de acordo com o recurso judicial, o marido da viúva, além de sócio da mineradora, comandava outras empresas.

“Tais créditos são originários de contratos entabulados entre a primeira ré [mineradora] e empresas as quais o autor era titular/gestor, a saber: Cifra Vigilância [3,2 milhões], Engefor Projeções e Construções [R$ 13,9 milhões] e contas pagas da primeira ré pelo autor [R$ 8 milhões]”.

Em julho do ano passado, o cheque foi entregue nas mãos do único herdeiro Francisco de Assis Moura, o filho Breno.

Depositado numa agência bancária do Bradesco, o cheque voltou por falta do fundo. Daí em diante, a dívida foi cobrada pela família Moura, no entanto, sem êxito. Diante disso, a viúva e o filho entraram na justiça.

Conforme o processo, os donos da mineradora estariam fugindo da notificação judicial.

“Certifico que diligenciei, conforme abaixo descrito, sendo sempre informado nos dois endereços que os requeridos não se encontram. Esta Oficiala suspeita que ambos estavam na residência e se ocultam deliberadamente para não serem citados”, diz trecho do processo”.

CRIME

O empresário foi morto a tiros por volta da 1h da madrugada desta quinta-feira, no Jardim Bela Vista, parte nobre de Campo Grande.

O filho do empresário Gabriel, de 23 anos de idade, com um amigo foi ao aeroporto buscar o pai, que chegara do Rio de Janeiro.

Assim que abriu o portão da garagem de um veículo de passeio, supostamente ocupado por dois homens, foram disparados tiros de pistolas que atingiram o dono da mineradora e o filho.

Atingido nos braços e costas, Cláudio morreu no local. O filho Gabriel ficou ferido e está internado. O amigo que o acompanhava saiu ileso.

Até o fechamento deste material a polícia não tinha prendido os atiradores.